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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Cabo de Guerra

Se alguém nesse exato momento lhe dissesse que o Cabo de Guerra já fez parte das atividades dos Jogos Olímpicos como Esporte oficial o que você pensaria? Imagino você rindo e dizendo para o seu interlocutor que ele é um gozador. Mas ele não estaria brincando. Realmente, essa que atualmente aparece como uma brincadeira de criança, atividade quase sempre presente nas disputas recreativas e nas gincanas das festas infantis já foi um dos esporte dos Jogos Olímpicos e atraia multidões.

Foram cinco edições dos Jogos em que o mesmo esteve presente, até 1920. A Grã-Bretanha sagrou-se como maior medalhista da história na competição, tendo conquistado nada mais, nada menos do que duas medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze. Um feito realmente extraordinário.

O Cabo de Guerra é mais antigo do que pensamos. Dados históricos demonstram que a atividade já estava presente no século V a.C, principalmente na Grécia e na China. Atualmente ainda existem times profissionais organizados em federações mas isso não é suficiente para o seu retorno às Olimpíadas. É preciso conquistar corações e mentes dos 22 delegados que compõem a comissão que analisa os pedidos das federações esportivas para a inclusão de uma modalidade nos Jogos.

Além dos corações e mentes, há quem diga que o bolso dos componentes desta comissão também é um "órgão" sensível aos apelos. Mas não insistirei nesse argumento sofismático. O que sabemos realmente é que a regra para a escolha não é tão clara. Critérios como a história e a tradição da modalidade em questão, o nível técnico dos atletas, popularidade da modalidade, equivalência de gênero (nessa caso conservando a relação entre homens e mulheres praticantes) e, óbvio, dada a sua relação simbiôntica com a mídia, sua viabilidade de transmissão televisiva, são levados em conta. São ao todo 39 itens que devem ser atendidos para que a modalidade seja contemplada com sua inserção nos Jogos Olímpicos...ou não.

Mas não foi só o Cabo de Guerra que teve a "honra" de ter sido um dia expulso das Olimpíadas. Golfe, Tiro com Arco, Rúgbi, Tênis, Futebol, Polo a Cavalo, Basquete e o Beisebol já tiveram a mesma sorte. Destes, alguns já retornaram. Esse ano, será a vez do Rúgbi e do Golfe.

Quanto ao Cabo de Guerra, tudo indica que o mesmo continuará uma modalidade bastante apreciada pelos animadores de festa infantil.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Doping Olímpico

Dez meses depois de Sochi sediar a Olimpíada de Inverno e cerca de três anos antes da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, as instituições esportivas do país europeu viraram alvo de grave denúncia internacional. Nesta quarta-feira, a rede de televisão alemã MDR exibiu um documentário de que denuncia um esquema de dopagem em massa no esporte olímpico russo.
Segundo o documentário, 99% dos atletas olímpicos do país fazem uso de substâncias proibidas, em um sistema alimentado por corrupção e que envolve oficiais da agência antidopagem russa, um laboratório de contro antidoping em Moscou e a Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês).
A obra foi produzida pelo jornalista alemão Hajo Seppelt, que investigou práticas de doping no período pré-Olimpíada de Sochi, quando foi procurado por duas pessoas, que fizeram a denúncia: Yuliya Stepanova, fundista banida do atletismo por anormalidades em seu passaporte biológico, e o marido dela, o ex-oficial da agência antidoping russa, Vitaliy Stepanov.
De acordo com a denúncia, atletas eram encorajados a manter congeladas amostras de urina considerada 'limpa' para enganar os testes periódicos, enquanto usavam anabolizantes proibidos pela Organização Mundial Antidoping (Wada). O presidente da entidade, David Howman, classificou a informação como chocante e prometeu investigação profunda do caso.
Vitaliy Stepanov afirmou que atletas de modalidades como natação, esqui e levantamento de peso sequer eram testados, enquanto que a entidade antidoping russa fazia vista grossa se atletas considerados esperança de medalha ou já conhecidos eram pegos nos exames realizados. "Você tem que se dopar. É assim que funciona na Rússia", afirmou.
O documentário indica que uma das atletas beneficiadas pelo esquema de corrupção e falsificação de testes é a corredora Mariya Savinova, medalha de ouro na Olimpíada de Londres, em 2012. Evgenia Pecherina, ex-competidora do lançamento de peso, afirmou ao documentarista que 99% dos atletas russos participam do esquema. "Você consegue o que quiser", apontou.
Grigory Rodchenkov, diretor do laboratório antidopagem russo, negou a existência de irregularidades, enquanto que Nikita Kamaev, diretor do órgão de controle de dopagem do país, reforçou que o processo é conduzido dentro das normas internacionais. A IAAF prometeu apurar o caso.
Matéria retirada do UOL Esporte

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Medicina do Esporte

A definição de regras para controle da atuação das equipes médicas que acompanham delegações esportivas estrangeiras foi o tema de reunião da Câmara Técnica de Medicina Esportiva do Conselho Federal de Medicina (CFM), no dia 22 de janeiro. A matéria cresce em importância numa época em que o Brasil desponta no cenário internacional e se prepara para sediar grandes eventos, como a Copa das Confederações da Fifa 2013, Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

As conclusões do grupo deverão ser consolidadas em uma proposta de resolução, que passará pela avaliação do plenário do CFM. O objetivo é garantir o controle do exercício da medicina e, também, a segurança do ato médico. (ítem de grande resistência no próprio campo da saúde, observamos. Interessados em saber mais, clique aqui . NOTA MINHA).

Participaram das discussões representantes do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Conselho Regional do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, e Clube de Regatas Flamengo.

Fonte: Jornal Medicina. Publicação Oficial do Conselho Federal de Medicna. Ano XXVIII, n. 216, Janeiro de 2013. página. 10.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As veias abertas do esporte mercantilizado no Brasil

O texto abaixo é de autoria da professora, doutora, Celi Taffarel
Universidade Federal da Bahia

Os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres/Inglaterra foram abertos com um espetáculo assistido por mais de umbilhão de pessoas, do contingente de 7 bilhões que compõe nosso planeta. Assistimos a um espetáculo concebido pelo cineasta Danny Boile que, valendo-se da linha da história, representou feitos dos ingleses colonizadores, permeando a obra com a poética de Shakespeare até as canções dos Beatles.

Destaco dois elementos desta linha da história considerada pelo cineasta britânico Boile que não são imediatamente observados. Um diz respeito as relações comerciais criminosas estabelecidas nos últimos 500 anos que abriram as veias de muitos continentes e os fizeram sangrar mortalmente. O que lhes tira hoje a possibilidade de conquistar medalhas olímpicas.  É o caso do continente Africano e Latino Americano, condenados, nas relações internacionais do trabalho, sob os auspícios do capitalismo, tanto em sua fase emergente, colonialista, escravista, quanto na sua fase superior imperialista, a servirem como exportadores de materiais primas e consumidores de subprodutos da indústria estrangeira. Com o agravante do escravismo dos povos africanos, da extinção dos povos indígenas na América Latina e a dominação de nações por tropas militares como ocorre, ainda hoje, na América Central com o Haiti.

O outro elemento a destacar é a subsunção atual, total e completa, do esporte a lógica do capital e sua sustentação por devastadoras empresas multinacionais, responsáveis por desastres ecológicos que ameaçam a vida em nosso planeta e responsáveis pelo sistema de exploração dos trabalhadores, exploração da natureza e destruição de culturas e nações.

Estiveram por traz dos Jogos Olímpicos de Londres a gigante do ramo da química no mundo, que provocou o desastre de Bhopal na Índia, a empresa DOW e a BP, petrolífica inglesa responsável pelo terrível vazamento do Golfo do México em 2010, entre outras empresas que exploram, tanto o trabalho  infantil, quanto o trabalho de mulheres, jovens e idosos, em muitas partes do planeta. A esta lógica está submetido o esporte e os esportistas, dos atletas que dedicam sua vida, com rigor e disciplina nos treinamentos esportivos, aos Comitês Olímpicos que, em última instância, servem para manter taxas de lucros das empresas multinacionais de vários ramos, sejam eles midiáticos, alimentício, calçadista, hoteleiro, turístico entre outros.

Que faremos nós no Brasil com o legado Olímpico deixado pelos ingleses? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em espetáculos midiáticos? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em números de medalhas, em recordes? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores nos negócios? Ou,vamos traçar a linha da história, mostrar nossas veias abertas (Eduardo Galeano. As veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979)? Mostrar os séculos de violência e dor a que estamos submetidos  (Luis Suárez Salazar. Madre América. Un siglo de violência y dolor (1898-1998). Instituto Cubano del libro. Editorial de Ciências Sociales. La Habana, Cuba, 2006.) Mostrar a violência dos imperialista que usurpam a natureza,  os sonhos, o futuro da nação? Vamos nestes próximos quatro anos priorizar a competição exacerbada, que é uma das dimensões do esporte e educar nossa população nesta perspectiva, e abdicar do caráter formativo, educativo, lúdico do esporte? Vamos priorizar o esporte espetáculo para o público ou o esporte do público com o público? 

O esporte é fruto de relações sociais de produção da vida, em suas distintas fases de desenvolvimento. Para elevar o padrão cultural esportivo de uma nação há que se educar seu povo, suas classes sociais, em especial a classe trabalhadora a quem tem sido negado o acesso a ciência, a tecnologia, a educação, as artes, ao esporte.

O esporte é um fenômeno decorrente de relações sociais, é culturalmente elaborado, historicamente acumulado e, economicamente negado. Este processo de negação do esporte enquanto patrimônio da humanidade atinge, sim, dimensões objetivas e subjetivas da condição humana. Condição humana que é historicamente determinada e que vai expressar se somos meros observadores de espetáculos esportivos ou somos construtores da cultura esportiva de nosso pais. Aqui na UFBA para cumprirmos com a função social de educar a população na linha do esporte educativo, lúdico como obra de sujeitos históricos, temos que criar o Instituto de Ciências do Esporte e construir o Complexo Esportivo Educacional da UFBA. Esta faltando determinação politica dos órgãos superiores da UFBA para isto acontecer.

Continuemos..... 

domingo, 5 de agosto de 2012

Cadê a Olimpíada?

Qual é a da Record? Só passa os Jogos Olímpicos quando o "Brasil" está participando da contenda?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Olhemos para a história: é pouca coisa para o povo, muita para o capital

No momento em que o Pan-americano do ano de 2007 foi decidido que iria ser no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, todo o discurso em volta das necessárias construções para abrigar o evento tinha como um dos argumentos o fato das obras servirem para abrigar, também, os Jogos Olímpicos, já que a sagrada família do esporte nacional tinha a pretensão de colocar a cidade como sede dos próximos jogos, pós Londres.

Pois bem. Assim foi feito. Novas estruturas foram construídas. Podemos lembrar do Estádio João Havelange, que passou logo depois para a iniciativa privada e para o clube de futebol, Botafogo, gerenciar e o Centro Aquático Maria Lenk. Este não serve mais para atender os propósitos aventados na época e que garantiram sua construção. Para os Jogos Olímpicos de 2016 abrigará, apenas, as competições de polo aquático e saltos ornamentais. Será necessário construir um novo complexo para abrigá as competições da natação e do nado sincronizado.

Cinco anos bastaram para que a estrutura do Maria Lenk ficasse obsoleta. Atualmente o conjunto aquático se encontra fechado e nem a comunidade de Jacarepaguá, carente de tudo e mais alguma coisa, tem acesso ao centro aquático para usar os seus equipamentos. Isso em um lugar, como muitos em nosso país, altamente carente de espaço de lazer. Um absurdo.

Nem estou mencionando aqui, a reforma pelo qual passa o Maracanã, que teve intervenções importantes no ano de 1999 e no ano de 2005. Ou foram muito mal feitas ou é mais um capítulo da farra com o dinheiro público. As empreiteiras agradecem.

Assim como foi para o Pan-2007, muitos discursos foram e estão sendo produzidos para a Copa e também para os Jogos Olímpicos. Nesses, o cenário é sempre paradisíaco e loucos, do contra, pessimistas, etc, etc, são todos aqueles que se aventuram na tarefa de procurar uma análise mais objetiva, menos emotiva e sem compromisso com o grande capital. Aliás, me permitam dizer rapidamente, estou preparando uma postagem sobre os dez homens mais ricos do Brasil e sua relação com os megaeventos. A proximidade é de assustar. Adianto que, por enquanto, até onde tem ido minhas pesquisas, quatro estão completamente envolvidos.

Mas, voltando ao discurso, nada melhor do que pegar um exemplo concreto para nos ajudar a perceber a realidade por trás dos mesmos. Para tanto, não podemos deixar de nos valer da África do Sul e vamos ficar em apenas dois, para não cansar o leitor.

Em primeiro lugar, a estimativa inicial do evento (Copa de 2010) era de 280 milhões de dólares. Custou 3 bilhões e 700 milhões. Previa-se um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do país na ordem de 3%. Ficou entre 0,2 e 0,3%. Estamos aqui trafegando a pista do aspecto econômico. Se pegarmos a próxima bifurcação e entramos nos aspectos relacionados aos direitos humanos, vamos encontrar absurdos bem maiores. Na época do Pan, refresquemos nossas memórias, oficialmente, 1.330 civis foram mortos pela polícia do Rio. Um recorde indígno de qualquer tipo de medalha.

E o que estamos vendo atualmente? A política de "pacificação" dos morros e favelas; remoções arbitrárias das famílias, muitas com prazo de zero dias para desocupar suas moradias (tratamos disso em uma postagem de abril do ano passado, clique aqui para ler); prisões sumárias de civis entre outros eventos, muitos deles parecidos com os que ocorreram também na África do Sul.

Diante do exposto, precisamos ter muito cuidado sobre o que ouvimos por aí em relação aos megaeventos esportivos no Brasil. Não precisamos passar por tudo o que os africanos hoje passam para percerber o que realmente existe nas entrelinhas do discurso oficial.

Olhemos para a história: é pouca coisa para o povo, muita para o capital.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Brasil não é a África: e daí?

No ano de 2010 tivemos, pela primeira vez na história do mundial de futebol, uma Copa do Mundo em solo africano. Com certeza, um acontecimento para ser lembrado pelos nativos e por todos os povos do mundo inteiro durante muitos e muitos anos. Tanto pela sua relevância histórica, quanto pelos temas que animou.

Durante os preparativos para a realização dos jogos, muito foi dito. Várias foram as avaliações dos diferentes especialistas nos mais variados assuntos. Falou-se sobre aeroportos, novos estádios, mobilidade urbana, marketing esportivo, entre outros, temas sobre os quais estamos já bastante familiarizados.

Para uns, a Copa do Mundo na África do Sul seria uma oportunidade ímpar para potencializar o crescimento econômico do país, viabilizando ações que contribuiriam com o desenvolvimento da infra-estrutura geral, principalmente das cidades-sedes e, por tabela, mexeria com a alta-estima de todos os cidadãos da nação africana. Sem falar nos ganhos intangíveis que só aparecem, segundo especialistas em megaeventos esportivos, anos e anos após a realização dos mesmos e que não existe maneira de mensurar nem de constatar o seu impacto no processo avaliativo. Só mesmo a história, ciência do tempo, pode demonstrá-los.

Para outros, tudo não passava de simples falácia, retóricas que por sua extrema força ideológica, ao apresentar os elementos positivos, alguns supra citados, velava outros tantos, os de reais interesses dos membros da FIFA, das corporações das mais distintas, dos patrocinadores e de membros dos governos (federal, estadual e municipal). Era necessário que o povo todo acreditasse que a Copa da África era para o bem geral da nação africana.

Uma dessas vozes destoantes em relação aos otimistas de plantão, era de um economista da Universidade de Kwa-Zulu Natal, que mantinha, junto com outros intelectuais da mesma instituição de ensino, um site na internet, chamado de Observatório da Copa do Mundo. Segundo ele, “não é do real interesse de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”. (Citação retirada do Correio Cidadania. Acessada em 19/07/2010).

Passados já um ano e alguns meses do evento que iria trazer a Terra Prometida para os africanos, eis que os dados da realidade da Nação projetam uma situação por demais frustrante, de fazer corar de vergonha os mesmos otimistas, muitos deles já devidamente encastelados em terra tupiniquim e outros tantos, há tempos, com residência fixa nas federações e confederações brasileiras, exercitando a política das monarquias absolutista.

Matéria do Correio do Brasil, publicada ontem, ao trazer uma reflexão crítica sobre o CNA (Congresso Nacional Africano), que expulsou o Partido Nacional (exclusivo para brancos) do poder em 1994 e parece não fazer valer o seu slogan de fundação (em 1912), “uma vida melhor para todos”, nos presenteia com alguns dados que demonstram a falácia do potencial desenvolvimentista dos megaeventos esportivos.

Segundo a matéria (leia na íntegra clicando aqui) “Os únicos sul-africanos que realmente desfrutam de uma “vida melhor” são os 3 milhões integrantes da classe média negra – apenas 6% da população de 49 milhões de habitantes. Aproximadamente 40% da população (20 milhões de pessoas) vive abaixo da linha da pobreza, sobrevivendo com menos de 50 euros por mês.”

O texto do qual os dados foram retirados diz respeito à dinâmica da política partidária do país. Faz uma crítica ao CNA e suas políticas, não tratando de forma específica do tão propalado legado esportivo, que ganha cada vez mais força semântica e tem a potência de tudo explicar.

Mas creio que o mesmo nos serve de alerta e nos ajuda a pensar sobre os reais interesses dos mega-eventos esportivos no Brasil em 2013 (Copa das Confederações), 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Jogos Olímpicos) em contexto de crise política e econômica na Europa, berço tradicional do futebol.

Sabemos que o Brasil não é a África do Sul e que a tradição do futebol é muito mais enraizada no nosso solo e isso pode, dizem, fazer alguma diferença. Por outro lado, sabemos também que são os mesmos “senhores dos anéis” que estão organizando os megaeventos esportivos na “nossa pátria mãe gentil”.

Se lá na África, repetindo o economista Patrick Bond, da Universidade de Kwa-Zulu Natal, não era do interesse “(...) de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”, por que no Brasil será diferente?

domingo, 13 de novembro de 2011

UFC: a batalha pela audiência

Ontem estreou na Globo, canal aberto, um dos eventos esportivos mais promissores da televisão fechada, o Ultimate Fight Championship, ou UFC, a marca mais conhecida do fenômeno midiático que se espalha como um vírus nas diferentes mídias, o Mixed Martial Arts (Artes Marciais Mistas) ou, simplesmente, MMA.

Para transmitir o evento, foi escalado o narrador esportivo mais odiado e adorado da televisão brasileira, Galvão Bueno que, inteligentemente, transportou, para a sua narrativa, bordões já conhecidos da audiência quando se trata de transmissão de jogos do selecionado brasileiro de futebol e das corridas de fórmula 1, dando um ar de proximidade/familiaridade ao "estranho" esporte para a maioria dos brasileiros que não o tinham assistido nos canais fechados.

Frases do tipo: “Haja coração, amigo, se prepara aí”; “Hoje ele é o Brasil no octógono”; “O Brasil inteiro na pegada firme de direita do Júnior”; "Júnior, Júnior, Júnior Cigano do Brasil" entre outras, dava o tom da transmissão, aparentemente nervosa do experiente narrador, que apesar de tudo, demonstrou segurança e conhecimento do esporte, se utilizando das linguagens técnicas característica da modalidade e criando um novo bordão, chamando os atletas do MMA/UFC de “gladiadores do terceiro milênio”.

Mas a pergunta que faço é: por que a rede globo de televisão resolveu transmitir em canal aberto uma modalidade esportiva das mais agressivas e violentas, geneticamente devedora do antigo vale-tudo, de muito sangue, briga e quebra-quebra que não se restringia aos atletas no ringue, mas, também, a sua atenta assistência, justamente em uma conjuntura que antecede mais um movimento de “pacificação” dos morros cariocas que, segundo dizem, gritam paz e não à violência? Respondo. Para manter, re-conquistar e ampliar sua assistência esportiva, que de acordo com os números do IBOPE sobre o Pan-Americano de Guadalajara, no México, transmitido pela Rede Record, diminuiu substantivamente.

Atualmente, a marca UFC se configura como o maior torneio esportivo do mundo quando se trata apenas de lutas, e está avaliado em 2 bilhões de dólares, uma cifra nada modesta e que seduz os empresários, principalmente os das redes televisivas e a vênus platinada, atenta a este movimento esportivo que vem ampliando a sua platéia, não poderia deixar este filão passar desapercebido, até por que, além das aferições do IBOPE durante o último Pan-Americano, a mesma perdeu, também para a Record, a transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres e dos Jogos Pan-Americano de 2015 e 2019.

A luta de ontem entre Cain Velásquez e Júnior Cigano, bem que pode ser considerada, sem excessos, a mais um capítulo da luta de braço entre Rede Globo e Rede Record. No centro do combate o que se disputa é a conquista, manutenção e ampliação da audiência esportiva, o grande carro chefe das redes televisivas do mundo inteiro.

domingo, 30 de outubro de 2011

O Pan-Americano e os Jogos Olímpicos

O Pan-Americano de 2011 se encerra hoje, na cidade de Gadalajara, no México. Os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro fizeram uma avaliação positiva da participação nacional no evento. Dos 515 atletas que fizeram parte da delegação nos jogos, 277 conquistaram alguma medalha. Uns conquistaram mais de uma.

O Brasil terminou em terceiro no quadro geral de medalhas (primeiro foram os Estados Unidos e Cuba ficou em segundo), totalizando 141. Destas, 48 foram de ouro. Comparados com o Pan do Rio de Janeiro em 2007 e o Pan em Santo Domingos, em 2003, onde a delegação brasileira conquistou 157 medalhas, sendo 52 de ouro e 123 medalhas, sendo 29 de ouro, respectivamente, o salto foi positivo.

Considerando o quadro geral de medalhas, o Brasil sobe para a segunda colocação, já que Cuba totalizou 136 medalhas.

No entanto, se fizermos uma análise tomando como referência os Jogos Olímpicos de Londres, no próximo ano, aí o negócio pega. Das 93 vagas que o Brasil buscava garantir, apenas 23 delas foram preenchidas. Tudo bem que eram 97 vagas para todos os países que participavam do Pan, mas ficar com pouco mais de 25% por cento das vagas, é muito pouco para o montante do que se investi na preparação dos atletas. Talvez isso seja um reflexo de como se prepara o atleta nacional. Dinheiro tem. E muito!!!

O Pentatlo com Yane Marques, o Hipismo, que leva cinco atletas, o handebol com 14, o triatlo com Reinaldo Colluci e a canoagem com Erlon Souza e Ronilson Oliveira foram os contemplados e já carimbaram seus passaportes para os Jogos Olímpicos de Londres, 2012.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Jogos indígenas: competição ou cooperação?

Termina hoje, em Coroa Vermelha, distrito da cidade de Santa Cruz Cabrália, distante 727 quilômetros de Salvador, Bahia, a décima primeira edição dos Jogos Indígenas. Este evento contou com a participação de diferentes etnias, entre elas a tuxá, caimbé, tupinambá, pataxó hã-hã~hãe entre outras, totalizando mais de mil índios distribuídos em 14 equipes que durante quatro dias, participaram de diferentes atividades esportivas.

O objetivo principal do evento é a integração entre os povos, suas culturas e congraçamento das etnias que somam-se em 15 no nosso Estado. Somente no extremo sul da Bahia há cerca de 25 mil índios da etnia pataxós. Em Coroa Vermelha, onde os jogos são realizados todos os anos, vivem 5 mil índios.

Os jogos são divididos em 12 modalidades: corrida rústica, arco e flecha, arremesso de takape, canoagem, entre outros, inclusive o futebol, são algumas das modalidades em disputa.

Sempre que ocorre este tipo de evento aparece, na mídia nativa, uma abordagem do mesmo completamente destituída de historicidade. É como se os índios, aculturados, procurassem imprimir uma repetição do modelo esportivo que conhecemos através dos Jogos Olímpicos, entre outros modelos divulgados que atualmente se traduzem pelo nome de megaeventos esportivos.

Tá vendo aí? Até os índios competem entre si. Viu lá? A competição é tão presente no ser humano que já se encontrava nos povos indígenas aqui "descobertos". Essas expressões aparecem, aqui e acolá, como detentora de uma certeza absoluta: a competição é um valor nato, é um elemento intrínseco ao ser humano. Se bobear, dizem até que faz parte do nosso código genético. É cromossômico, diriam outros.

Mas os eventos que se somam às disputas entre os índios que participam dos Jogos parecem indicar uma outra lógica. Ontem, por exemplo, na abertura do terceiro dia dos XI Jogos Indígenas Pataxó de Coroa Vermelha, os anciões e líderes, mais dos que os "atletas", foram os homenageados; canções foram entoadas em português e em Patxôhãno, e as mesmas dão o tom dos jogos, o real sentido e significado que os mesmos têm para todas as etnias que deles participam.

 Uma das canções assim dizia: "Muita lenda, muita glória, em nossa terra foi plantada. Chegaram as embarcações, trazendo santos e ladrões. Trouxeram histórias bonitas, muitos presentes e fitas. Até um deus ofertaram. Outra alma e outra crença, um punhado de doenças. E nossas terras roubaram".

Para isso eles fazem os jogos. Para disputarem não entre si, medalhas e troféus, glórias e pódiuns, mas para resgatarem seus valores, sua cultura, seu dialeto. Trocarem informações, mostrarem suas tradições para as comunidades não indígenas, entre outras coisas.

O agonismo está presente, a competição idem, a busca pela superação igualmente, mas existe uma lógica diferente nos códigos das modalidades esportivas praticadas pelos índios. Talvez, quem sabe, uma mensagem, àquela que diz que nós podemos muito, nós podemos mais, sem, necessariamente, jogarmos uns contra os outros, mas, sim, com o outro.

Talvez por isso, e só talvez, esses Jogos não tenham um átimo de segundo de visibilidade na mídia televisionada e, quando ocorre, o que é demonstrado não corresponde a verdade. É o necessário filtro de um modo de produção que insiste em demonstrar, pela sua lógica intrínseca, que competir é melhor e muito mais vantajoso que cooperar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eleição polêmica

Os dirigentes do atletismo nacional encontram-se ansiosos. É que após 24 anos à frente da Confederação Brasileira de Atletismo, o senhor Roberto Gesta promete eleição para o cargo. Será que os ventos egípcios estão soprando no ouvido do dirigente mais longevo das confederações existentes no país e influenciando o seu espírito democrático?

Parece que não é bem assim. Leia o que foi publicado na Folha de São Paulo de hoje sobre o assunto.
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Eleição antecipada provoca polêmica

ATLETISMO

No comando da CBAt há 24 anos, Roberto Gesta quer mudar fórmula do pleito que o tira do poder

DANIEL BRITO

DE SÃO PAULO

O presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Roberto Gesta de Melo, 65, tornou-se alvo de polêmica ao tentar mudar as regras das eleições da entidade que comanda há 24 anos.

Mais longevo dos presidentes de confederações esportivas do país (desde 1987), ele quer antecipar em um ano o pleito, mas o novo dirigente seria efetivado somente um ano após ser eleito.

A eleição seria no começo de 2013, início de um novo ciclo olímpico, e o vencedor assumiria em um mês. Gesta quer que o pleito seja em 2012 e que seu substituto ascenda ao cargo só em 2013.

Nesse intervalo, Gesta ficaria no poder e acompanharia os atletas da modalidade nos Jogos de Londres-12.

Há nove meses o dirigente costura com presidentes das federações a nova fórmula.

Essa será a primeira eleição da CBAt em 24 anos na qual que ele não se candidatará, conforme Gesta revelou em setembro passado.

Pelo menos sete Estados já se manifestaram contrários à medida, porém são 44 votantes, entre eles técnicos, árbitros e medalhistas olímpicos. A proposta será colocada na pauta da assembleia geral de quarta-feira, em Manaus, sede da confederação.

A Folha conversou com alguns dirigentes que criticaram a manobra política, mas pediram para que seus nomes não fossem publicados.

Único que aceitou falar publicamente, Carlos Alberto Lanceta, presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, diz que os dirigentes estaduais temem sofrer represálias.

"Se Gesta quer sair, que saia logo e não fique procurando subterfúgios para largar o osso", atacou Lanceta.

O dirigente fluminense diz acreditar que, ao mudar a eleição, o presidente da CBAt criará um salvo conduto para o caso de um fracasso brasileiro em nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

"Se o Brasil for mal, ele vai dizer: "Estou de saída, o próximo presidente da CBAt que deve responder o que será do atletismo do país daqui para a frente".", citou Lanceta.

"Se formos bem em Londres, Gesta poderá dizer: "Está vendo o que eu fiz?"."

Por telefone, Gesta disse que o formato a ser debatido na assembleia de quarta já foi usado em ciclos olímpicos anteriores, mas não soube informar quando isso ocorreu. O dirigente não assumiu a autoria da nova fórmula.

"Se mudar a fórmula da eleição, vai ser como era antigamente. Não sei quem propôs. Mas a assembleia geral decidirá qual é a melhor opção", tergiversou o cartola.

"Em um ano, o presidente eleito e a nova diretoria teriam tempo suficiente para conhecer o funcionamento da confederação. Esse é o lado positivo", declarou.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Esporte e política


Pela enésima vez, elevada a centésima potência, ouvir a seguinte frase: “meu negócio não é política. Gosto mesmo é de futebol!” Foi ontem, na casa de um amigo. Estávamos festejando o aniversário da sua esposa e entre copos de cervejas, guaranás e salgadinhos, não necessariamente nesta ordem, a inevitável conversa sobre o segundo turno das eleições presidenciais apareceu.

Entre dilmistas, serristas, marinistas e outros, o libelo da frase, acima aspeada, reverberou e entrou rasgando nos meus sensíveis labirintos auriculares, ativando os meus neurônios poéticos e me fazendo lembrar de uma poesia do Bertold Brecht, o analfabeto político. Evidente que a frase aludida acima não tem a mesma força do “odeio política”, tão comumente ouvida e do qual o Brecht faz a crítica, mas não deixa de ser uma posição analfabeta sobre o aspecto da política.

Exemplos da relação entre esporte e política abundam na história. O mais famoso data de 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim. Adolfo Hitler queria demonstrar a superioridade da raça ariana através do esporte. Antes mesmo disso a humanidade já tinha presenciado a político do “pão e circo” da Roma antiga.

Maurício Murad, no seu livro Sociologia e Educação Física, da Fundação Getúlio Vargas nos lembra na página 166 que “Exemplos explícitos de dominação política e de aproveitamento ideológico dos esportes são os campeonatos mundiais de futebol de 1934, na Itália, e de 1938, na França” e o já citado Jogos Olímpicos de Berlim. “Todos esses eventos, ocorridos em plena era do totalitarismo nazifascista e às vésperas da II Guerra, foram entendidos como questões nacionais pelos governos da Itália e da Alemanha”.



O próprio movimento da chamada guerra fria, iniciada pós a II Guerra Mundial, teve no esporte um elemento riquíssimo de simbologia. Os números de medalhas e troféus ganhos por um país buscavam representar o sucesso de suas políticas econômicas e sociais. Países do bloco capitalista e do então bloco socialista procuravam, pelo esporte, dizer ao mundo o quanto seu modo de vida era melhor do que o do outro.

Existem casos de atletas que também utilizaram o esporte para manifestar suas preferências políticas. Quem não se lembra de Ronaldo, jogador do atlético mineiro e seu punho erguido em cada comemoração do gol, em clara alusão ao movimento Black Power norte-americano? Leônidas da Silva, atleta e militante do Partido Comunista. Nosso Afonsinho, jogador que conseguiu na justiça o direito ao passe livre. Dieguito, mais conhecido como Maradona, hoje técnico da seleção da Argentina, proponente de uma Associação Internacional de Jogadores de Futebol. Isso sem falar do movimento da Democracia Corintiana, com jogadores como Biro-biro, Casagrande, Vladimir e o cabeça, doutor Sócrates.

Não poderia faltar nesta postagem os dirigentes esportivos. Esses, quase sempre procuram conquistar uma cadeira nas assembléias dos seus estados ou no congresso nacional pela via e pela veia do futebol, modalidade esportiva que tem o maior número de representante na chamada bancada da bola, talvez a expressão maior da relação entre esporte e política.

domingo, 22 de agosto de 2010

Que culpa tenho eu?

O jornal Folha de São Paulo nos brinda, neste domingo, com uma elucidativa entrevista com o senhor Carlos Artur Nuzman, feita pela jornalista Mariana Bastos e publicada no caderno de esporte da folha. A entrevista foi realizada em Cingapura, onde Nuzman acompanha os Jogos Olímpicos da Juventude. Neste evento, uma boa parte da geração que disputará os Jogos Olímpicos de 2016 na cidade do Rio de Janeiro, está presente.

O senhor Nuzman é o mesmo homem que deixou o senado federal a ver navios quando da tentativa de sabatina sobre o Pan-americano do Rio-2007 por parte dos senadores da república. Após falar sobre o evento e deitar louros sobre o mesmo, se vangloriando na companhia do seu eterno sorriso no rosto, retirou-se alegando ter coisas mais importantes para fazer naquele momento do que responder, dá satisfação à República brasileira sobre o evento.

Na entrevista, embora acumule os dois principais cargos do esporte olímpico nacional, Nuzman diz que "O COB não tem atletas e nem forma atletas", frase repetida inúmeras vezes durante o tempo que durou a entrevista, como quisesse transformar em verdade esta frase retórica, pois se é factível que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não tem atletas e nem tampouco forma os mesmos, pela sua razão intrínseca, o mesmo é responsável em repassar os recursos oriundos das loterias federais para as entidades responsáveis em desenvolver projetos de detecção, formação e aperfeiçoamento de atletas das diferentes modalidades representadas pelas diversas confederações existentes. O que o torna, no mínimo, co-responsável pelo sucesso ou fracasso do desenpenho brasileiro nas competições Olímpicas e Para-olímpicas.

Se isso já não bastasse para impedir que o Nuzman retire o seu braço da seringa esportiva, é importante lembrar que a entidade que o mesmo preside há nada mais que 10 anos, gere as verbas do desporto escolar e universitário, grandes centros de captação de recursos humanos, desde 2001.

Falando em gerenciamento, tudo indica que o Nuzman não acredita na capacidade de gestão dos chefes das confederações brasileiras, os mesmos que o apoia desde sempre. Questionado pela jornalista sobre a responsabilidade do COB em ter projeto olímpico para buscar ajudar o esporte que distribuem mais medalhas, ele saiu-se com essa: "Sim. É o que estamos procurando fazer. (...). Eu topo o seguinte desafio: acaba com as confederações e eu dirijo tudo, mas não acho justo me cobrarem por um trabalho que não é meu".

Vejam só. Parece que Nuzman está mandando um recado muito claro para todos nós. Mesmo com toda essa dinheirama pública sendo gerenciada pelo COB e pelos presidentes das confederações esportivas nacionais, que recebem patrocínios polpudos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, Petrobrás entre outros, seremos um fiasco em 2016. E aí...bem, neste caso, a culpa não é minha, entende? São dos maus gestores que sempre me apoiaram, sempre estiveram à frente das entidades com o meu aval, sempre votaram em mim, confiaram em mim, me perpetuaram no poder, mas daí a ter culpa pelo fracassso, repito, "não acho justo me cobrarem por um trabalho que não é o meu".

domingo, 31 de janeiro de 2010

Filmes para a vida

"Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". Essas palavras, escritas no ano de 1875 pelo poeta britânico William Ernest Henley, animaram o então prisioneiro e ex-presidente da África do Sul (1994-1999), Nelson Mandela, o tempo todo em que o mesmo permaneceu preso injustamente em Robben Island (agosto de 1962 até fevereiro de 1990), realizando trabalhos forçados.

Essa também é a frase mencionada ao menos umas duas vezes no filme Invictus, que estreiou na sexta-feira (29/01) nas salas de cinema aqui em Salvador. Não tenho dúvidas de que este filme será mais um que deverá compor a filmoteca de todos professores de educação física (ou não) que costumam utilizar a linguagem cinematográfica como um recurso a mais de abordagem dos conteúdos da cultura corporal.

O filme, um longa metragem de estilo dramático, é dirigido por Clint Eastwood, que também já nos proporcionou no belíssimo filme "Menina de Ouro", lançado em 2004, oportunidades de pedagogização do conteúdo Lutas nas aulas de educação física.

No filme Invictus, um outro ator, que trabalhou no filme Menina de Ouro, também aparece. Trata-se de Morgan Freeman, interpretando nada mais, nada menos do que o presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Aliás, para quem não sabe, foi o próprio Mandela que o escolheu para o representá-lo no filme que aborda, entre tantas outras coisas, o esporte como um instrumento contra o apartheid. Nas palavras do jornalista João Carlos Sampaio: (A TARDE, Caderno 2, 29/01/2010, p. 1)"Inteligente, Mandela/Freeman - já como presidente da África do Sul (...) vai usar o esporte como instrumento para unir brancos e negros, após a extinção oficial do regime separatista, o apartheid".

Em tempos de segregações veladas, atos racistas escamoteados, inclusive no campo esportivo (para quem tem dúvidas, veja a relação aqui) o filme é uma mão na roda para abordar esse espectro que ainda assombra a humanidade em diferentes lugares e de diversas formas no mundo inteiro. Para os professores de educação física, em particular, que compreende o esporte para além das fronteiras técnicas, táticas e de rendimento em busca de pódiuns, medalhas e troféus é um filme, dentre tantos outros (recomendo também Coach Carter - Treino para a vida), que nos ajudam a discuti, a pedagogizar os elementos da cultura corporal no interior da escola e fora dela.

Em tempos de apologia á Copa do Mundo, de ufanismo gratuito pelas Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, o filme Invictus é um antídoto para a mesmice que sai das mentes e bocas dos eternos dirigentes esportivos brasileiros, que ao contrário do Mandela, só enxergam no esporte valores monetários, rendimentos financeiros.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Jogos Para-Olímpicos, doping e "mala branca": como não falar de um assunto

Muito se fala dos Jogos Olímpicos e muito pouco dos Para-Olímpicos. Aqui vai uma crítica e uma auto-crítica. Percebi isso em relação ao Esporte em Rede justamente quando terminei a postagem sobre a Educação Física escolar. No último ponto, do último parágrafo lembrei que até então, apesar de discutir as questões ligadas aos Jogos Olímpicos eu não mencionava nada em relação aos Para-Olímpicos.

E quase que acontece de novo de não falar sobre as Para-Olimpíadas. Isso porque a realidade sempre dinâmica do mundo esportivo estava nos obrigando a retormar o tema DOPING. Pois além desta semana termos novidades com o caso de Daiane dos Santos, na última postagem do mês de agosto eu terminava falando do doping prometendo uma outra postagem sobre o DOPING GENÉTICO. Não cumprir esta ainda. Estou estudando o tema, lendo um pouco sobre o mesmo para não incorrer em equívocos.
Além da situação da ginasta brasileira, teve também o caso da chamada "mala branca", que alguns times de futebol estão utilizando nos campeonatos. Há quem ache isso extremamente natural e, o que considero um extremo paradoxo, são as mesmas pessoas que são contra ao uso de doping em competição.

Mas o que tem uma coisa a ver com a outra? O que tem o doping a ver com a tal da "mala branca"?

Primeiro é preciso considerar que conceitualmente, as duas coisas são bem diferentes mas os objetivos dos que se utilizam dos procedimentos são os mesmos, ou seja, otimizar o rendimento esportivo. Um usa substância química e o outro uma substância em papel: o dinheiro e tudo isso para poder levar vantagem na competição. Digamos, para ficar bem entendido, que a "mala branca" é o doping financeiro.

Misturando tudo, considero que doping e "mala branca" antes de ser uma excrescência, são procedimentos próprios da dinâmica do esporte de rendimento onde o que realmente vale é a vitória a qualquer preço, ou a derrota. Alguém aí lembra da goleada sofrida pela seleção do Peru contra a Argentina na Copa do Mundo de 1978 por cinco a zero, justo o placar que a própria Argentina precisava?

Voltando ao doping clássico, entendemos que os atletas de ponta do esporte de rendimento precisam se dopar se quiserem alcançar o pódium, que lhes renderão melhores patrocínios. Ciência, tecnologia e doping, é a equação para o atleta campeão atualmente. A questão é que alguns, eventualmente, são flagrados e punidos para que a aura, já perdida do fair play, configure-se nas consciências ingênuas daqueles que ainda acreditam que o esporte de rendimento é um fenômeno isento de interesses do capital.
Importante citar aqui, sobre a questão do doping, o que diz o professor Lino Castellani, que ao participar do debate sobre uma postagem deste blog reproduzida no blog do José Cruz, assim expressou sua opinião sobre o tema:"(...) o dopping não é manifestação patológica do alto rendimento e sim elemento integrado à sua lógica. Somente a hipocrisia impede que tal compreensão seja assimilada. Em sociedades marcadas por valores defensores da vitória a qualquer custo ("o importante é vencer, não interessa como", não é assim que disseram Gerson ter dito, embora ele não o tenha feito?)a vitória - e somente ela - é garantidora de salário, patrocínio e bajulação de todos, principalmente da mídia esportiva, tão responsável quanto pelo cenário."

Concordamos em gênero, número e grau. E consideramos isso, também, em relação ao doping financeiro pelos motivos já expostos. Mas, pera aí...e os Jogos Para-Olímpicos? Fica para uma outra semana.

domingo, 25 de outubro de 2009

Educação Física escolar

A escolha do Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 reacendeu um debate muito antigo - embora um tanto quanto adormecido ultimamente - entre os professores de educação física no Brasil e que diz respeito ao papel tanto do professor quanto do esporte no interior das instituições de ensino, principalmente, nas públicas.

Entra Olimpíadas, sai Olimpíadas, os frequentes fracassos brasileiro nas mesmas são sempre justificados em função da precariedade com que se desenvolvem as aulas de educação física nas escolas. Professores desmotivados, escolas sem estruturas, alunos e alunas evadindo das aulas, falta de material esportivo, são os motivos mais comuns arrolados por todos os que pensam o esporte olímpico e enxergam a escola como a base da pirâmide esportiva.

Os que tem uma visão esportivizante da educação física considera o professor como um técnico, os alunos como atletas e as escola como um espaço de detecção de talentos. Nesse sentido o esporte deve ser massificado nas escolas, os alunos devem ser encorajados a participarem das aulas, ou melhor, dos treinos, e aos professores cabem, com o olhar clínico que lhe é nato, perceber as habilidades técnicas dos seus alunos, alçando-os à condição de atletas da escola.

O professor de educação física será reconhecido como bom, pelo número de troféus que ele conseguir para a escola e quanto mais medalhas conseguir colocar no peito dos agora atletas escolares.

A escola será a instituição principal da pirâmide esportiva, será aquela instituição que ficará na base da pirâmide, sustentando o processo de detecção dos possíveis talentos esportivos, daqueles sujeitos que, um dia, brindará o país com medalhas olímpicas, de preferência, de ouro.

Alguns depoimentos colhidos aleatoriamente em alguns sítios ligados ao esporte expressam, por parte de alguns, a função da educação física escolar. Vejamos:


(...) em se tratando de base, de lapidacao (...) tem que partir da escola de "Ensino Fundamental"

Eu nao sei nem pra que uma Escola Tecnica possui uma piscina "semi-olimpica", ja que sendo "técnica" nao é de sua responsabilidade nenhuma prática esportiva de competição e muito menos de aprendizado (Educacao fisica)...Esse tipo de ensinamento e capacitação, se fosse bem organizado, partiria do Ensino Fundamental, onde as crianças podem ser avaliadas como futuros atletas em potencial...

Bem, meu ponto de vista é o seguinte: Se o MEC, funcionasse como se deve, e de novo a velha reclamacao em relacao a eficiência do "esporte nas escolas de base", nao precisaria de "Ministério dos Esportes"..Sendo que a seunda etapa ficaria a cargo do COB e das federacoes esportivas...Apareceriam muito mais jovens atletas em potencial, que poderiam ser aproveitados pelos clubes e academias e suas respectivas federacoes...Ou seja, trabalhando a Escola na base, os clubes teriam que se preocupar só com o alto nível...

Se tivermos um fracasso retumbante em Londres (2012), não tenho dúvida alguma de que esses argumentos aparecerão com mais força ainda nos discursos dos dirigentes esportivos. Afinal de contas, depois de Londres vem o Rio de Janeiro e os atletas brasileiros ficarão com a obrigação de serem os primeiros no quadro de medalhas.

Não obstante, isso não pode fazer com que nós, professores preocupados com a formação humana, se deixe levar por esse debate que mais restringe do que amplia o nosso papel no âmbito escolar. Inclusive, penso que o mesmo deva ser incorporado nas nossas aulas, para que os alunos e alunas tomem consciência do sentido e do significado que é sediar os Jogos Olímpicos e, também, os para-olímpicos, tema da nossa próxima postagem.

domingo, 11 de outubro de 2009

Perguntas de um blogueiro que ler


Se a cidade do Rio de Janeiro não fosse escolhida, o que seria do Rio e do esporte nacional?

Por que, no dia do anúncio da cidade que seria sede das Olimpíadas 2016, foram apresentados apenas argumentos favoráveis ao evento no Brasil?

O que dizer de uma rede de televisão, que funciona por concessão pública, apresentar apenas os atletas com argumentos pró-Rio?

Cadê as vozes dos jornalistas, esportistas e cronistas contrários ao Rio-2016?

Qual a relação entre a compra dos caças franceses pelo Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016?

Por que os atletas que tinham críticas ferrenhas ao Nuzman, ficaram ao lado dele na disputa pela cidade sede?

Por que, de repente, não mais do que de repente, "ninguém" menciona as falcatruas do Pan-2007?

Depois das Olimpíadas, o Nuzman será candidato a presidente da (des)república?

Orlando Silva, o Ministro dos Esportes, será ou não candidato em 2010?

Por que, só agora, depois da vitória do Rio como cidade sede das Olimpíadas, o governo brasileiro vai fazer o PAC do esporte?

Por que a insistência em um modelo piramidal de desenvolvimento do esporte nacional?

Os dirigentes que já estão uma eternidade à frente das federações e confederações, deixarão seus cargos antes de 2016?

Qual a diferença do modelo de esporte brasileiro da década de 30 do século XX, para o atual, do século XXI?

A chamada "Lei Pelé", difere de que mesmo da "Lei Zico" se até os números das camisas dos dois craques são os mesmos?

Por que o esporte de rendimento é sempre o mais valorizado nas políticas de governo para o setor?

Quem, por fim, efetivamente, pagará a conta dos Jogos Olímpicos de 2016?

domingo, 4 de outubro de 2009

Papai Noel, Gnomos e boas intenções

O Comitê Olímpico Internacional, na última sexta-feira, dia 02 de outubro, sem dúvida alguma, fez história ao escolher a cidade do Rio de Janeiro como sede dos jogos olímpicos de 2016. Será a primeira vez que este grande evento esportivo se realizará na América do sul.
Quem vem acompanhando este blog desde a sua primeira postagem, dia 19 de abril do corrente ano, sabe do nosso posicionamento sobre o esporte de maneira geral e, especificamente, sobre a realização dos jogos aqui no Brasil, tanto a Copa do Mundo como, também, as Olimpíadas de 2016. Fomos contra.
Esta posição não cabe mais. A realidade histórica exige de nós um outro posicionamento. Mas este posicionamento não se pautará em uma perspectiva otimista ingênua tal como está aparecendo nos jornalismos de uma forma geral, com raríssimas exceções. Não estamos esquecidos de que as mesmas pessoas que estavam a frente do Pan-2007 e que até hoje não pagaram a conta – “São R$ 20 milhões, até agora, que o TCU cobra devolução aos cofres públicos, sem explicações claras sobre o seu uso. E há mais uma dezenas de processos para serem julgados...” (José Cruz) – estão também responsáveis pela organização dos Jogos para 2016.
Nada nos leva a acreditar que será diferente. Pessimismo? Não. Pessimista é o otimista mal informado, diria o sociólogo Chico de Oliveira. O que somos é realista. E essa posição realista não é fruto de nenhum tipo de “complexo de vira-lata” que, ao menos para o Presidente Lula, já ultrapassamos, mas baseada em fatos reais, como o citado acima.
E não estamos sós. Jornalistas sérios e conhecedores das entranhas do “mundo do esporte” como o jornalista Juca Kfouri e José Cruz comungam com esta ideia. Um outro jornalista, Flávio Prado, da JovemPan, faz parte também deste seleto e raro grupo. Ele afirma que para as Olimpíadas de 2016 é necessário “pessoas de confiança, de boa índole para administrar as finanças, já que até agora a verdade não foi revelada sobre a verba dos jogos Pan-Americanos”.
O Tribunal de Contas da União também está com a gente. Veja o que diz o seu relatório de julho deste ano sobre os equipamentos utilizados nos Jogos do Pan.“Quanto aos condicionadores de ar, a empresa Fast apresentou novos elementos, inclusive cópia das notas fiscais que demonstram a aquisição de todas as unidades contratadas. É, portanto, bastante verossímil a hipótese de que os equipamentos existam fisicamente. O que não se entende é o motivo pelo qual não houve ainda a sua apropriação pelo Ministério do Esporte, já que este não demonstrou até hoje perante o Tribunal, sua anexação ao patrimônio do órgão ou dos entes a que serão destinados.Dos 1.628 equipamentos de ar-condicionado adquiridos, 813, ou seja, metade, sequer foi instalada,por desnecessária. Trata-se de evidente desperdício de dinheiro público”.
Esses são alguns elementos que nos fazem “pessimistas”. Ainda não fomos tocados pelo fenômeno das lembranças efêmeras. Achamos incrível o fato de quanto mais o tempo passa, quanto mais a história demonstra a incapacidade de determinadas pessoas e grupos gerenciarem o dinheiro público para as coisas públicas e realmente relevantes no momento atual, seguimos acreditando que tudo será diferente, sem nenhuma prova factual deste mesmo grupo. Simplesmente acreditamos e... ponto. Já cunharam até a frase "o brasileiro não desiste nunca!".
O Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro nem conta prestou à sociedade depois do Pan. Foi ao Congresso Nacional e no momento da sabatina alegou ter um compromisso muito sério, inadiável, deixando os parlamentares e os brasileiros a ver navios. Nenhuma prestação de contas da utilização do nosso dinheiro, um desrespeito completo para com a República. Você lembra disso? Ou já foi tocado pelo fenômeno das lembranças efêmeras?
O nosso Ministro dos Esportes nos quer fazer acreditar que o que faltou no Pan foi planejamento. Sei, sei...Marx, em 1848, já tinha descoberto que o Estado Moderno é o executivo da burguesia e nós, em pleno século XXI, acreditando em Papai Noel, Gnomos e nas boas intenções do Nuzman.
Só para registrar, a Folha de São Paulo, hoje, traz a seguinte matéria no caderno de esporte: "Olimpíada-2016 tem a primeira rusga" e complementa "Ministério do Esporte e COB expõem divergências ao falar sobre como transformar o país em uma potência esportiva".
Parece que o problema de planejamento só está começando

domingo, 27 de setembro de 2009

Rio 2016: o retorno

Dia 02 de outubro, sexta-feira, conheceremos, finalmente, a cidade que abrigará os Jogos Olímpicos de 2016.

O Rio de Janeiro, como sabemos, é uma das cidades que pleitea a condição de sede dos Jogos. Supondo que seja a escolhida, a chamada Cidade Maravilhosa precisará, tomando como referência o orçamento atual, da bagatela de 38 bilhões de reais. Vou dizer de novo, por extenso: trinta e oito bilhões de reais.

Este é o valor que se encontra no Caderno de Encargos. O dinheiro servirá para os gastos com atividades fins (administração, competição, premiação entre outros e também, de infraestrutura como a de mobilidade urbana, aeroporto, etc.

Bem, como sabemos pela experiência de 2007, com o Pan-americano, este valor pode dobrar, mesmo quando observamos que ele já é um valor atualizado, ou seja, projetado para 2016 tomando como referência o ano de 2008.

Por hipótese, os Jogos nesse ano (2008) custaria vinte e oito bilhões e oitocentos milhões.

Daqui para 2016, teremos muita água rolando pelas baías poluídas do Rio. Algumas eleições municipais, estaduais e federais e os ventos sempre incertos da economia capitalista.

Em maio deste ano pautamos vários argumentos sobre este assunto (Rio 2016: vale mesmo apena?; Rio 2016: II parte e Rio 2016: III parte ), sempre argumentando contra o evento e favorável a aplicação dos recursos a questões estruturais e estruturantes do desenvolvimento humano.

O esporte, sabemos, transformou-se em uma grande mercadoria, potencializada pela quantidade de valor que podemos agregar a ela que vai desde o campo do lazer e entretenimento, passando pela área da responsabilidade e inclusão social, entrando nos aspectos do treinamento e rendimento físico entre outros.


Algum país vive em guerra? Esporte nele. Crianças vivem no mundo das drogas. Resolva o problema com doses homeopáticas de esporte. Problema de baixa autoestima? O menino e a menina não vão bem na escola? Tempo ocioso? Esporte, esporte e esporte.

Estamos (re)vivendo o que a Carmen Lúcia Soares chama de "receita e remédio para todos os males da sociedade" no seu livro Educação Física: raízes européias e Brasil.

No dia 02 de outubro, aproveitemos que é uma sexta-feira, vistamos branco e convidemos os orixás a bater um baba. Quem sabe o esporte não convence aos mesmos que o melhor para o Rio e para o Brasil é um outro direcionamento das verbas públicas?