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domingo, 2 de junho de 2013

Seleção Brazuestrangeira

Tanta coisa importante para se refletir, debater, sobre o futebol nacional e o esporte de uma maneira geral e as redes de televisão do país só aborda assuntos relacionados ao Neymar e a Seleção Brazuestrangeira.

Pauta é o que não falta. Por exemplo: a) selecionados por Felipão que pertencem ao mafioso russo, Kia Joorabchian; b) desapropriações e copa do mundo 2014; c) COB e incentivo à democratização do esporte; d) construções de arenas: necessidade ou farra com o dinheiro público? e) políticas de esporte e lazer no país da olimpíada e das copas (confederações e mundial) f) etc, etc, etc...

Mas preferimos ficar com as neymarzetes e equivalentes.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Mais uma do COB


Transcrevo abaixo a acertada missiva da Presidente da SBPC e da SBC, Helena Palis, dirigida ao senhor Nuzman, defensor ferrenho do uso exclusivo do termo Olimpíadas e suas acepções à entidade que dirige.

Importante frisar que esta ação deste senhor não é de hoje. Em 2010 produzimos um texto sobre o conteúdo do Ato Olímpico onde expressávamos nossa preocupação com "a censura a censura sofrida pela professora Kátia Rúbio no tocante a publicação do seu livro "Esporte, educação e valores olímpicos".

Caso tenha interesse em ler este texto, clique aqui.

Vamos à missiva.

Ilustríssimo Senhor CARLOS ARTHUR NUZMAN
Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)

Senhor Presidente,

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade civil, sem fins lucrativos nem cor político-partidária, que atua em defesa do avanço científico e tecnológico do Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), receberam com espanto e indignação a informação de que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) notificou extra-judicialmente a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pelo uso supostamente indevido da palavra “olimpíada”, no nome da competição que organiza, a Olimpíada Nacional em História do Brasil.

Ninguém ignora a importância dessas competições científicas – no país já existem 18 delas – para a divulgação da ciência e o aumento do interesse dos jovens pelas atividades científicas, o que é fundamental para o desenvolvimento tecnológico de qualquer nação e o bem estar econômico e social de sua população.

Sem esquecer que jovens que vencem as olimpíadas nacionais depois vão participar de competições internacionais. E muitos deles têm se destacado, contribuindo para divulgar o nome do Brasil e da ciência e educação do país. É o caso, por exemplo, do jovem Matheus Camacho, de 14 anos, aluno de uma escola de São Paulo, que acaba de conquistar em Teerã, uma medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Ciências, concorrendo com estudantes de 28 países.

Por isso, a proibição do uso da palavra “olimpíadas” para designar competições científicas é uma situação que se configura mais despropositada ainda, quando se sabe que a palavra é empregada mundialmente para designar competições científicas, tais como International Mathematical OlympiadMath Olympids for Elementray and Midde SchoolsThe British Mathematical Olympiad SibtrustScience Olympiad, entre muitas outras.

Assim, a SBPC e a ABC não concordam com a decisão do COB de ter a exclusividade do uso da palavra “olimpíada”, pois significará um retrocesso trazendo em prejuízo a todas as tradicionais olimpíadas educacionais (matemática, ciências, língua portuguesa, química, astronomia entre outras) que se realizam no Brasil há anos.

Sempre prontas a defender a ciência e a educação brasileira, a SBPC e a ABC subscrevem,
Atenciosamente,

HELENA B. NADER JACOB PALIS
Presidente da SBPC Presidente da SBC

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

#foraNuzman

Neste final de semana, ainda de forma muito tímida, começou uma campanha no twitter para a saída do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o senhor Carlos Artur Nuzman.

A campanha foi motivada, entre outras coisas, pelo episódio envolvendo uma funcionária do Comitê Rio 2016, a senhora Renata Santiago, que copiou arquivos confidenciais do Comitê Londres 2012.

Ao comentar o fato, Nuzman omitiu um outro episódio, envolvendo um outro funcionário, desta feita da Co-Rio 2007, o senhor Rodrigo Hermida, que copiou dados da EKS.

Independente destes fatos, o que sei é que esta campanha, embora tardia, vem em bom momento, pois o esporte, em função dos megaeventos, vem tendo uma grande visibilidade, permitindo o necessário debate que transcende seus aspectos mais visíveis pelo cidadão comum.

Estão todos convidados para a campanha #foraNuzman. Participem.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As veias abertas do esporte mercantilizado no Brasil

O texto abaixo é de autoria da professora, doutora, Celi Taffarel
Universidade Federal da Bahia

Os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres/Inglaterra foram abertos com um espetáculo assistido por mais de umbilhão de pessoas, do contingente de 7 bilhões que compõe nosso planeta. Assistimos a um espetáculo concebido pelo cineasta Danny Boile que, valendo-se da linha da história, representou feitos dos ingleses colonizadores, permeando a obra com a poética de Shakespeare até as canções dos Beatles.

Destaco dois elementos desta linha da história considerada pelo cineasta britânico Boile que não são imediatamente observados. Um diz respeito as relações comerciais criminosas estabelecidas nos últimos 500 anos que abriram as veias de muitos continentes e os fizeram sangrar mortalmente. O que lhes tira hoje a possibilidade de conquistar medalhas olímpicas.  É o caso do continente Africano e Latino Americano, condenados, nas relações internacionais do trabalho, sob os auspícios do capitalismo, tanto em sua fase emergente, colonialista, escravista, quanto na sua fase superior imperialista, a servirem como exportadores de materiais primas e consumidores de subprodutos da indústria estrangeira. Com o agravante do escravismo dos povos africanos, da extinção dos povos indígenas na América Latina e a dominação de nações por tropas militares como ocorre, ainda hoje, na América Central com o Haiti.

O outro elemento a destacar é a subsunção atual, total e completa, do esporte a lógica do capital e sua sustentação por devastadoras empresas multinacionais, responsáveis por desastres ecológicos que ameaçam a vida em nosso planeta e responsáveis pelo sistema de exploração dos trabalhadores, exploração da natureza e destruição de culturas e nações.

Estiveram por traz dos Jogos Olímpicos de Londres a gigante do ramo da química no mundo, que provocou o desastre de Bhopal na Índia, a empresa DOW e a BP, petrolífica inglesa responsável pelo terrível vazamento do Golfo do México em 2010, entre outras empresas que exploram, tanto o trabalho  infantil, quanto o trabalho de mulheres, jovens e idosos, em muitas partes do planeta. A esta lógica está submetido o esporte e os esportistas, dos atletas que dedicam sua vida, com rigor e disciplina nos treinamentos esportivos, aos Comitês Olímpicos que, em última instância, servem para manter taxas de lucros das empresas multinacionais de vários ramos, sejam eles midiáticos, alimentício, calçadista, hoteleiro, turístico entre outros.

Que faremos nós no Brasil com o legado Olímpico deixado pelos ingleses? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em espetáculos midiáticos? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em números de medalhas, em recordes? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores nos negócios? Ou,vamos traçar a linha da história, mostrar nossas veias abertas (Eduardo Galeano. As veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979)? Mostrar os séculos de violência e dor a que estamos submetidos  (Luis Suárez Salazar. Madre América. Un siglo de violência y dolor (1898-1998). Instituto Cubano del libro. Editorial de Ciências Sociales. La Habana, Cuba, 2006.) Mostrar a violência dos imperialista que usurpam a natureza,  os sonhos, o futuro da nação? Vamos nestes próximos quatro anos priorizar a competição exacerbada, que é uma das dimensões do esporte e educar nossa população nesta perspectiva, e abdicar do caráter formativo, educativo, lúdico do esporte? Vamos priorizar o esporte espetáculo para o público ou o esporte do público com o público? 

O esporte é fruto de relações sociais de produção da vida, em suas distintas fases de desenvolvimento. Para elevar o padrão cultural esportivo de uma nação há que se educar seu povo, suas classes sociais, em especial a classe trabalhadora a quem tem sido negado o acesso a ciência, a tecnologia, a educação, as artes, ao esporte.

O esporte é um fenômeno decorrente de relações sociais, é culturalmente elaborado, historicamente acumulado e, economicamente negado. Este processo de negação do esporte enquanto patrimônio da humanidade atinge, sim, dimensões objetivas e subjetivas da condição humana. Condição humana que é historicamente determinada e que vai expressar se somos meros observadores de espetáculos esportivos ou somos construtores da cultura esportiva de nosso pais. Aqui na UFBA para cumprirmos com a função social de educar a população na linha do esporte educativo, lúdico como obra de sujeitos históricos, temos que criar o Instituto de Ciências do Esporte e construir o Complexo Esportivo Educacional da UFBA. Esta faltando determinação politica dos órgãos superiores da UFBA para isto acontecer.

Continuemos..... 

domingo, 5 de agosto de 2012

E o vento venceu.

O Comitê Olímpico Brasileiro já tem a explicação ideal caso o Brasil não traga as 15 medalhas esperadas pela entidade das Olimpíadas de Londres 2012.

A culpa foi do vento!!!

A lógica olímpica

O Brasil segue ganhando medalhas nas Olimpíadas de Londres. Obviamente, não como o Comitê Olímpico Brasileiro gostaria para que não tenha que justificar, na volta, tamanho fracasso diante de tantos investimentos públicos. Falaremos sobre isso posteriormente. Para o momento, registro apenas que a previsão orçamentária para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, está na casa dos 24 bilhões de dólares.

Mas o que quero pontuar é outra coisa. O Brasil ganha medalhas e cai na classificação. Com sete medalhas no momento (27º), está atrás da Coréia do Norte (9º) e Cazaquistão (8º) que tem, respectivamente, 5 medalhas, duas a menos que o Brasil.

O que tornam estes países melhores classificados do que o Brasil no quadro de medalhas é o número de medalhas de ouro que eles ganharam. A Coréia tem 4 e o Cazaquistão, 5. A Rússia, que tem 8 vezes mais medalhas do que os coreanos e pouco mais de 6 vezes dos cazaquistaneses, está em 10º simplesmente porque tem uma medalha de ouro a menos do que a Coréia e duas a menos em relação ao Cazaquistão.

A lógica olímpica é esta. Não vale apenas competir. É necessário ser o primeiro nas competições.

domingo, 22 de agosto de 2010

Que culpa tenho eu?

O jornal Folha de São Paulo nos brinda, neste domingo, com uma elucidativa entrevista com o senhor Carlos Artur Nuzman, feita pela jornalista Mariana Bastos e publicada no caderno de esporte da folha. A entrevista foi realizada em Cingapura, onde Nuzman acompanha os Jogos Olímpicos da Juventude. Neste evento, uma boa parte da geração que disputará os Jogos Olímpicos de 2016 na cidade do Rio de Janeiro, está presente.

O senhor Nuzman é o mesmo homem que deixou o senado federal a ver navios quando da tentativa de sabatina sobre o Pan-americano do Rio-2007 por parte dos senadores da república. Após falar sobre o evento e deitar louros sobre o mesmo, se vangloriando na companhia do seu eterno sorriso no rosto, retirou-se alegando ter coisas mais importantes para fazer naquele momento do que responder, dá satisfação à República brasileira sobre o evento.

Na entrevista, embora acumule os dois principais cargos do esporte olímpico nacional, Nuzman diz que "O COB não tem atletas e nem forma atletas", frase repetida inúmeras vezes durante o tempo que durou a entrevista, como quisesse transformar em verdade esta frase retórica, pois se é factível que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não tem atletas e nem tampouco forma os mesmos, pela sua razão intrínseca, o mesmo é responsável em repassar os recursos oriundos das loterias federais para as entidades responsáveis em desenvolver projetos de detecção, formação e aperfeiçoamento de atletas das diferentes modalidades representadas pelas diversas confederações existentes. O que o torna, no mínimo, co-responsável pelo sucesso ou fracasso do desenpenho brasileiro nas competições Olímpicas e Para-olímpicas.

Se isso já não bastasse para impedir que o Nuzman retire o seu braço da seringa esportiva, é importante lembrar que a entidade que o mesmo preside há nada mais que 10 anos, gere as verbas do desporto escolar e universitário, grandes centros de captação de recursos humanos, desde 2001.

Falando em gerenciamento, tudo indica que o Nuzman não acredita na capacidade de gestão dos chefes das confederações brasileiras, os mesmos que o apoia desde sempre. Questionado pela jornalista sobre a responsabilidade do COB em ter projeto olímpico para buscar ajudar o esporte que distribuem mais medalhas, ele saiu-se com essa: "Sim. É o que estamos procurando fazer. (...). Eu topo o seguinte desafio: acaba com as confederações e eu dirijo tudo, mas não acho justo me cobrarem por um trabalho que não é meu".

Vejam só. Parece que Nuzman está mandando um recado muito claro para todos nós. Mesmo com toda essa dinheirama pública sendo gerenciada pelo COB e pelos presidentes das confederações esportivas nacionais, que recebem patrocínios polpudos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, Petrobrás entre outros, seremos um fiasco em 2016. E aí...bem, neste caso, a culpa não é minha, entende? São dos maus gestores que sempre me apoiaram, sempre estiveram à frente das entidades com o meu aval, sempre votaram em mim, confiaram em mim, me perpetuaram no poder, mas daí a ter culpa pelo fracassso, repito, "não acho justo me cobrarem por um trabalho que não é o meu".

domingo, 25 de abril de 2010

Ato Olímpico

Em fevereiro nós chamamos a atenção dos nossos leitores e da comunidade esportiva de uma maneira geral sobre a censura sofrida pela professora Kátia Rúbio no tocante a publicação do seu livro "Esporte, educação e valores olímpicos". Segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) expressões como OLÍMPICO, OLIMPÍADAS e congêneres bem como os aros olímpicos, utilizados no livro citado, eram propriedades das entidades e só elas poderiam fazer uso dos termos e dos símbolos representativos dos cinco continentes.

Essa ação teve uma certa repercussão no campo esportivo e no interior de algumas universidades brasileiras. A UFBa, por exemplo, através da professora Celi Taffarel, Diretora da Faculdade de Educação, encaminhou uma nota de repúdio ao COB. Esta e outras mobilizações, que segundo a professora Kátia Rúbia, vinheram de toda a parte do mundo, fizeram com que o COB voltasse atrás e retirasse a ação contra a obra da professora.

Mas eis que os Senhores dos Anéis não desistiram da empreitada de tornar o que eles chamam de ato olímpico (uso de expressões e tudo o que envolve a organização dos Jogos Olímpicos e Paraolimpícos de 2016), de propriedade única do Comitê Organizador das Olimpíadas e Paraolimpíadas no Brasil.

Com este objetivo, foi realizada no dia 20 de abril, terça-feira última, uma reunião extraordinária em formato de audiência pública, da Comissão de Educação, cultura e esporte para discutir o Ato Olímpico. O assunto da reunião era o seguinte: “Proposta do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 para alterar o artigo 6º da Lei 12.035, de 2009 (Ato Olímpico) e o § 2º do artigo 15 da Lei 9.615, de 1998 (Lei Pelé) que regulamentam a proteção aos símbolos relacionados aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos”.

A contenda foi resolvida na terça-feira mesmo com uma acachapante derrota de nove votos a zero pela não modificação do Ato Olímpico e da Lei Pelé em favor do Comitê Organizador dos Jogos no Brasil que tem a frente o senhor Carlos Artur Nuzman. Aliás, diga-se de passagem, nem ele e nem o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, compareceram à sessão. Este, eu não sei o motivo, mas o Nuzman, provavelmente, já sabia do resultado e poderia ser questionando sobre o Pan de 2007, já que o mesmo, no momento em que seria argüido na época sobre o evento, saiu dizendo que tinha coisas pessoais para fazer, deixando boquiabertos os senadores da república, os mesmos que na terça desferiram uma importante resposta ao senhor Nuzman.

Mas tudo leva a crer que esta foi apenas uma batalha vencida. A guerra continua em curso, com a possibilidade da revogação do Ato Olímpico ser agora solicitada na Câmara dos Deputados.

Importante frisar que este problema não é prerrogativa nossa, coisa de brasileiro, digamos assim. Segundo Fabiana Schiavon, do sítio Consultor Jurídico "Há críticas também contra o Ato Olímpico britânico que prevê as regras de direito autoral para as Olimpíadas de 2012. A norma chega a prever uma lista de expressões proibidas em campanhas de não-patrocinadores oficiais,como “Londres”, “medalhas”, “patrocinador”, “ouro”, “prata” e “bronze”. Nos jogos de inverno do Canadá, segundo o colunista de esporte do UOL, Erich Beting, o McDonald´s chegou ao ponto de impedir que uma rede de lanchonetes utilizasse a palavra “hamburguer” em seu cardápio".

Sobre a próxima batalha, a da Câmara, o nosso amigo e jornalista esportivo José Cruz, a quem aproveito para agradecer os materiais enviados que possibilitaram essa postagem, considera que Nuzman tem pouca chance de obter sucesso em mais essa empreitada.

Sua opinião sobre este episódio pode ser lida clicando aqui.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

AI-5 já morreu?


No final do mês de janeiro último ocorreu um sério problema de censura no nosso país envolvendo uma importante pesquisadora da área da educação, educação física e da psicologia social, a jornalista, pós-doutora e professora associada da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), Kátia Rúbio.

A censura veio por parte do Comitê Olímpico Brasileiro em função da publicação de um livro da professora (imagem do livro acima) em que ela se utilizava de expressões e símbolos que no entendimento do Comitê, eram exclusivas do COI - Comitê Olímpico Internacional.

As expressões e símbolos em questão eram os termos "olímpicos" e "olimpíada", juntamente com os coloridos aros olímpicos, simbolos dos Jogos Olímpicos e que representam os cinco continentes: azul (Europa); amarelo (Ásia); Preto (África); Verde (Oceania); Vermelho (Américas).

A notificação recebida pela autora do livro exigia a retirada de circulação do mesmo, que foi desenvolvido objetivando auxiliar os professores de educação física e das outras disciplinas que lecionam para educandos do ensino fundamental e médio no trabalho sobre educação olímpica, tema extremamente raro nas escolas e com pouco material bibliográfico para consulta.

Essa questão fere não só o trabalho intelectual da professora Kátia Rúbio como, também, a autonomia das universidades brasileiras onde pesquisadores e pesquisadoras se encontram e buscam, com o seu trabalho de ensino, pesquisa e extensão, ampliar a capacidade analítica dos fenômenos sociais que nos cercam.

Foi pensando no conjunto desses elementos e movido pelo espírito de solidariedade de classe que um coletivo de professores/pesquisadores do grupo LEPEL (Linha de Estudos e Pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer), tendo à frente a professora Celi Taffarel (FACED/UFBa), que uma moção de repúdio foi enviada ao COB, reivindicando que o mesmo, conforme o documento, "(...)não interfira e não atente, com suas medidas inconstitucionais contra a AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA porque isto significa atentar contra a Constituição Nacional e, em última instância, atentar contra a soberania da nação brasileira. Não será calando as universidades ou lhes impondo restrições quanto ao uso de termos que obteremos o mérito de sermos um PAÍS OLÍMPICO. EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, CONTRA A MEDIDA DO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO DE USO PRIVATIVO DOS TERMOS REFERENTES A JOGOS OLÍMPICOS."

Em tempo que se discute o Plano Nacional de Direitos Humanos e que se exige do governo federal a abertura dos documentos da ditadura militar brasileira, chega a ser emblemática esta postura de censura do COB-COI. Vamos torná-la oportuna, utilizando a mesma para além de discutir olimpismo, discutir democracia e cidadania, termos que não fazem parte do vocabulário dos "senhores dos anéis".

domingo, 4 de outubro de 2009

Papai Noel, Gnomos e boas intenções

O Comitê Olímpico Internacional, na última sexta-feira, dia 02 de outubro, sem dúvida alguma, fez história ao escolher a cidade do Rio de Janeiro como sede dos jogos olímpicos de 2016. Será a primeira vez que este grande evento esportivo se realizará na América do sul.
Quem vem acompanhando este blog desde a sua primeira postagem, dia 19 de abril do corrente ano, sabe do nosso posicionamento sobre o esporte de maneira geral e, especificamente, sobre a realização dos jogos aqui no Brasil, tanto a Copa do Mundo como, também, as Olimpíadas de 2016. Fomos contra.
Esta posição não cabe mais. A realidade histórica exige de nós um outro posicionamento. Mas este posicionamento não se pautará em uma perspectiva otimista ingênua tal como está aparecendo nos jornalismos de uma forma geral, com raríssimas exceções. Não estamos esquecidos de que as mesmas pessoas que estavam a frente do Pan-2007 e que até hoje não pagaram a conta – “São R$ 20 milhões, até agora, que o TCU cobra devolução aos cofres públicos, sem explicações claras sobre o seu uso. E há mais uma dezenas de processos para serem julgados...” (José Cruz) – estão também responsáveis pela organização dos Jogos para 2016.
Nada nos leva a acreditar que será diferente. Pessimismo? Não. Pessimista é o otimista mal informado, diria o sociólogo Chico de Oliveira. O que somos é realista. E essa posição realista não é fruto de nenhum tipo de “complexo de vira-lata” que, ao menos para o Presidente Lula, já ultrapassamos, mas baseada em fatos reais, como o citado acima.
E não estamos sós. Jornalistas sérios e conhecedores das entranhas do “mundo do esporte” como o jornalista Juca Kfouri e José Cruz comungam com esta ideia. Um outro jornalista, Flávio Prado, da JovemPan, faz parte também deste seleto e raro grupo. Ele afirma que para as Olimpíadas de 2016 é necessário “pessoas de confiança, de boa índole para administrar as finanças, já que até agora a verdade não foi revelada sobre a verba dos jogos Pan-Americanos”.
O Tribunal de Contas da União também está com a gente. Veja o que diz o seu relatório de julho deste ano sobre os equipamentos utilizados nos Jogos do Pan.“Quanto aos condicionadores de ar, a empresa Fast apresentou novos elementos, inclusive cópia das notas fiscais que demonstram a aquisição de todas as unidades contratadas. É, portanto, bastante verossímil a hipótese de que os equipamentos existam fisicamente. O que não se entende é o motivo pelo qual não houve ainda a sua apropriação pelo Ministério do Esporte, já que este não demonstrou até hoje perante o Tribunal, sua anexação ao patrimônio do órgão ou dos entes a que serão destinados.Dos 1.628 equipamentos de ar-condicionado adquiridos, 813, ou seja, metade, sequer foi instalada,por desnecessária. Trata-se de evidente desperdício de dinheiro público”.
Esses são alguns elementos que nos fazem “pessimistas”. Ainda não fomos tocados pelo fenômeno das lembranças efêmeras. Achamos incrível o fato de quanto mais o tempo passa, quanto mais a história demonstra a incapacidade de determinadas pessoas e grupos gerenciarem o dinheiro público para as coisas públicas e realmente relevantes no momento atual, seguimos acreditando que tudo será diferente, sem nenhuma prova factual deste mesmo grupo. Simplesmente acreditamos e... ponto. Já cunharam até a frase "o brasileiro não desiste nunca!".
O Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro nem conta prestou à sociedade depois do Pan. Foi ao Congresso Nacional e no momento da sabatina alegou ter um compromisso muito sério, inadiável, deixando os parlamentares e os brasileiros a ver navios. Nenhuma prestação de contas da utilização do nosso dinheiro, um desrespeito completo para com a República. Você lembra disso? Ou já foi tocado pelo fenômeno das lembranças efêmeras?
O nosso Ministro dos Esportes nos quer fazer acreditar que o que faltou no Pan foi planejamento. Sei, sei...Marx, em 1848, já tinha descoberto que o Estado Moderno é o executivo da burguesia e nós, em pleno século XXI, acreditando em Papai Noel, Gnomos e nas boas intenções do Nuzman.
Só para registrar, a Folha de São Paulo, hoje, traz a seguinte matéria no caderno de esporte: "Olimpíada-2016 tem a primeira rusga" e complementa "Ministério do Esporte e COB expõem divergências ao falar sobre como transformar o país em uma potência esportiva".
Parece que o problema de planejamento só está começando