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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A construção de uma outra imagem do Brasil

A Revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) abordou em seu fascículo deste mês, entre vários temas, um de interesse específico deste blog: a repercussão da Copa 2014 para a projeção da imagem do Brasil não como o “país do futebol”, como poderíamos imaginar, mas como uma nação onde “grandes negócios” podem ser realizados. Um país onde opera a “excelência” e onde existe um “consumo de alto padrão”.

Esse linha de abordagem não é nova e nem foi concebida especialmente para a Copa do Mundo do ano passado. Faz parte de uma estratégia do Instituto Brasileiro de Turismo (antiga EMBRATUR) concebida desde “2003, quando a criação do Ministério do Turismo absorveu as funções burocráticas da EMBRATUR, que ficou com a incumbência de promover a imagem do Brasil no exterior”. (p. 64)

Esse enfoque vem sendo estudado pelo professor Michel Nicolau Netto, da Universidade Estadual de Campinas. É sua pesquisa que alimenta a matéria “Turismo como estratégia”. Ele observa que a partir de 2002, “a EMBRATUR passou a atuar como um agente global que adota uma série de discursos para construir a imagem do Brasil” e nada melhor para isso do que aproveitar um dos megaeventos mais assistido no mundo. Estima-se que a final da Copa entre Alemanha e Argentina foi vista por mais de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta.

Para o professor, duas categorias são centrais para entender esse processo de construção de uma nova imagem para o país no exterior: modernidade e diversidade. Essa estratégia, para além da questão política (“a visão leve e amigável do Brasil foi trabalhada pela Embratur nos anos 1960 e 70 para se contrapor aos prejuízos causados no exterior pela associação do país ao autoritarismo e à violência do regime militar. A própria ideia de liberalidade sexual. Movida pelas imagens de mulheres atraentes e escassamente vestidas, hoje abominada globalmente por remeter ao turismo sexual, servia de contraponto e, esperava-se, atenuante à repressão institucional”) a estratégia no momento é prevalentemente econômica e não se preocupa com quantidade de turistas em particular mas, sim, com a condição financeira destes.

Para Netto, “Diversificar e modernizar são estratégias que não buscam atrair um grande número de visitantes, mas, sim, turistas que tragam mais dinheiro ao Brasil”.

Não se sabe ainda o impacto específico da Copa nesse processo de branding. Ainda é cedo. Mas o setor comemora a fórmula que já vem sendo adotada quando compara o que foi arrecadado com o mercado de turismo em 2003 (R$ 1,7 bilhões) e em 2013 (R$ 6 bilhões).

Mas, nem tudo são flores quando se trata de disputar mercado e isso ficou latente na época da Copa, pois a Embratur “foi severamente desafiada pela presença avassaladora da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e por patrocinadores internacionais. Houve, então, um contexto de embate simbólico, no qual os agentes buscaram impor suas visões de mundo aos locais”. (p. 67).

Netto sublinha que “As imagens da abertura da Copa, com mulatas dançando, e as dos anunciantes relegaram as ações da Embratur a um espaço reduzido e pouco visível”. Esse embate continua ocorrendo e será um ponto de tensão nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, já que “Agências e governos regionais insistem em manter a imagem mais antiga do Brasil”. (p. 67).

Camisetas lançadas pela Adidas e que foi retirada de circulação
Isso ocorre também com as grandes marcas esportivas. A matéria informa que uma destas, patrocinadora do evento “lançou duas camisetas que remetiam à velha imagem de que a mulher brasileira é um objeto sexual. A repercussão foi tão ruim que a fabricante de material esportivo retirou o produto de circulação rapidamente”. (p. 67)

Para o pesquisador, o empenho em estabelecer uma nova imagem para o turismo brasileiro se fortaleceu com o governo do presidente Lula e tem atraído “o interesse das grandes construtoras ligadas aos eventos esportivos e demais atrações” que almejam a consolidação desta imagem de Brasil moderno.

Por fim, nessa estratégia onde os megaeventos esportivos aparecem como uma oportunidade impar de alavancar os projetos em disputa “entre duas imagens de um país em transição”, Netto observa: “Resta saber de que lado estão os interesses dos agentes envolvidos”.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Artigo na "Em aberto"

Após um ano do seu lançamento, recebi hoje na minha residência três exemplares do número 89 da revista "Em aberto".

Segundo o site do periódico, o mesmo tem a finalidade de "(...) estimular e promover a discussão de questões atuais e relevantes da educação brasileira, trazendo opiniões divergentes ou confrontos de pontos de vista".

A temática deste número girou em torno dos megaeventos esportivos e suas implicações no âmbito da educação física escolar.

Estamos presentes junto com a professora Celi Taffarel e o professor Cláudio de Lira Santos Júnior, ambos da Universidade Federal da Bahia, discorrendo sobre o tema: "Megaeventos esportivos: determinações da economia política, implicações didático-pedagógicas e rumos da formação humana nas aulas de Educação Física".

Todos os números, incluindo o mencionado (vol. 26, No 89, 2013), podem ser acessados clicando aqui.

Boa leitura.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Sem luta não existe vitória

A Copa do Mundo segue. Alimentada pelos incessantes programas esportivos, tanto em canais especializados quanto em outros, ela parece ser um evento interminável tamanha a exposição dos assuntos a ela relacionados.

Torço para que a seleção conquiste o hexa. Com menos força, é verdade, com que torço para que os cidadãos e as cidadãs do meu país levem tão a sério a política, como levam a sério os jogos do momento.

Em qualquer esquina, homens e mulheres discutem sobre futebol. Parecem especialistas no assunto.

Chegará o dia em que discutiremos a vida e a situação da nossa cidade, do nosso bairro, do nosso país com igual interesse e afinco?

Confesso que torço por isso.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Legado de livros: conhecendo o esporte por dentro

Muito se falou e ainda se fala do legado dos megaeventos esportivos e as referências são: mobilidade urbana, modernização das telecomunicações, dos aeroportos, dos portos, ampliação do turismo, do setor de hotelaria, melhoria nas tecnologias utilizadas para a segurança pública, entre outros.

Gostaria de acrescentar, entre esses, um outro: o legado de livros. Sei que soa de forma inusitada para uma sociedade não habituada com a leitura, principalmente de livros especializados, mas sem dúvida alguma, a Copa do Mundo impulsionou o mercado de livros ligados ao tema esporte em suas diversas tendências.

Impulsionou também os livros que se dispõem a trazer reflexões de diferentes autores das diversas áreas do conhecimento sobre o próprio fenômeno do megaevento.

Abaixo, temos alguns desses livros que espero poder apresentá-los individualmente, abordando, mesmo que de forma breve, seus conteúdos em postagens posteriores.

Por enquanto ficam apenas as imagens, na esperança que as mesmas incitem você a comprá-los, tornando-os um profundo conhecedor do esporte e seus bastidores.







quinta-feira, 22 de maio de 2014

Referência

Mais uma obra que será lançada em junho sobre os megaeventos, principalmente a Copa e as Olimpíadas.


Essa, assim como outras, é indispensável para compreendermos os nexos e as relações que envolvem o fenômeno esportivo no atual modo de produção do capital.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vai ter Copa mas...quem fica com o lucro?

Estamos assistindo nos últimos meses, o recrudescimento dos movimentos #NãoVaiTerCopa e #DaCopaEuAbroMao, ambos questionando, de maneira distinta, os valores bilionários que foram investidos para a realização da Copa do Mundo de Futebol.

Retirado do site Dom André On Line
Os questionamentos, no nosso entendimento, seguem por duas vias. Uma, pretende impedir a realização do evento no Brasil. A outra, procura problematizar os gastos com o mesmo, observando que setores como saúde, educação, transporte, habitação, segurança entre outros, estão a exigir maiores e melhores investimentos.

Não lembro de movimentos similares em extensão e repercussão quando da candidatura e escolha do país para sediar o evento. Ao contrário. Houve celebração. Lembro-me dos meios de comunicação transmitindo a festa do povo brasileiro nos diferentes cantos do país.

Atenção. Existiram críticas. Muitas fundamentadas em solo fértil, com exemplos abundantes do que significava sediar um evento de tamanha magnitude. Serviam - e ainda servem - de fundamentos os próprios preparativos da Copa do Mundo que se realizaria na África do Sul e o Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro em 2007.

Mas, sublinho, não tiveram eco. As caixas de ressonâncias globais tal como estamos observando desde junho do ano passado, estavam silenciadas. O que nos faz pensar sobre a natureza e a intencionalidade destes movimentos.

Retirado do Instituto Humanista Unisinos (IHU)
Um, necessário, levanta bandeiras fundamentais para a existência humana. Coloca no centro a contradição do sistema capital, interessado na sua produção e reprodução e colocado em movimento, é importante frisar, desde quando o Brasil pleiteou sediar a Copa.

O outro, que não porta nenhuma bandeira, apenas spray de pimenta, coquetel molotovdifundindo a necessidade "pura" e "simples", sem mediações, de que não vai ter Copa, que impedem até setores organizados de levantarem suas bandeiras específicas, apresenta-se para confundir, desviar, obscurecer e esvaziar a luta.

No meu entendimento, vai ter Copa. E podemos ter mais do que isso e não me refiro ao Hexa. Podemos aproveitar o momento histórico para ampliar a consciência de classe. Nesse sentido, os gritos de #NaoVaiTerCopa e/ou DaCopaEuAbroMao, somados aos #VaiTerCopa e #CopaDasCopas, esses dois últimos oriundos dos simpatizantes do governo federal, não ajudam muito.

Estudos da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, demonstram que a Copa do Mundo trará lucros e divisas importantes para o país. Nesse sentido, interessa saber é #QuemFicaComOlucro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Megaeventos: legados, negados e outros temas

Mais uma obra chega nas livrarias com o intuito de fornecer elementos teóricos para a compreensão dos chamados megaeventos.

Desde que o Brasil passou a ter condições de sediar grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo que ocorrerá este ano e os Jogos Olímpicos e Parolímpicos de 2016, esse tema vem sendo debatido em diferentes ocasiões.

Algumas vezes, com muita propriedade, sendo reveladas as contradições próprias do estado capitalista e os fundamentos específicos deste fenômeno esportivo em um contexto de profundas desigualdades em setores essenciais: saúde, habitação, educação, saneamento básico, entre outros.

Em outras tantas, o debate se dá de maneira rápida e rasteira, objetivando muito mais a construção de um certo discurso a la contra, na base do raciocínio sofismático, falacioso e, por que não dizer, ignorante.

O melhor antídoto para a ignorância é a informação crítica. Para desenvolvê-la é necessário o contraditório. Os 14 capítulos presentes no livro (foto) de 256 páginas nos instrumentalizam na medida que permitem a reflexão tomando como ponto de partida diferentes temáticas com enfoques distintos.

O estado da arte em relação a temática, políticas públicas de lazer, a relação entre o evento, a cultura e o atleta, o impacto na economia, a relação com o turismo e setores hoteleiros, questões socioambientais e de infraestrutura, a influência da formação e atuação do professor de educação física, bem como o impacto no contexto da escola, entre outros, são assuntos tratados no livro.

Recomendo e desejo uma boa leitura.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ecos de 2013: ano novo. Velhas práticas

Começamos o ano de 2014 com alguns ecos de 2013. Não poderia ser diferente. Essa ideia de cortar o tempo em fatias, já nos ensinou Drummond na sua poesia O Tempo, é uma coisa genial. Serve também para organizarmos nossa tarefas. Mas tudo não passa de uma invenção humana, como a maioria das coisas que nos cercam.

O mercado esportivo continua fervendo. Especulações sobre esta ou aquela contratação, dispensas, renovações, empréstimos, entre outras, enchem os editoriais esportivos, principalmente os relacionados sobre o futebol, que continua tendo a preferência da mídia de uma forma geral ano após ano.

Mas foi no handebol feminino que veio a maior e melhor novidade de 2013. Campeãs mundiais. Título inédito para o país. Os holofotes se voltaram para elas. De repente, se tornaram heroínas na "pátria de chuteiras". De promessas, passaram a ser certeza de medalha nas próximas olimpíadas. Mas só em 2016 para confirmarmos.

A recuperação do atleta Anderson Silva, do MMA, repercute. Desde o fatídico dia 28 do mês passado em que se lesionou em uma luta contra Chris Weidman pelo UFC 168, que o questionamento sobre a (im)possibilidade do seu retorno ao esporte foi levantada. O mesmo afirma que voltará. O tempo dirá.

Um outro atleta que também sofreu grave lesão e continua em estado crítico, mas estável, é o piloto de fórmula 1, Michael Schumacher. O seu acidente ainda ecoa e um suposto vídeo pode trazer maiores informações do ocorrido. Mas o fato é que o heptacampeão de fórmula 1 corre risco de ficar totalmente paralisado, segundo últimas informações.

Esses e outros acontecimentos, originários em 2013 e que continuam na mídia em 2014, uns mais e outros menos, pela sua capacidade de mobilizar a opinião pública, não tem a mesma envergadura quando comparados com as manifestações de junho de 2013, na ocasião da realização da Copa das Confederações.

Apesar de temporalmente muito distante em relação aos acontecimentos citados acima, os exemplos que delas emergiram começam a alimentar reflexões que ultrapassam os editorias esportivos, atingindo os que se ocupam da política e da economia. Não nos esqueçamos que este é um ano de eleições. Está em jogo, mais do que cinturões, troféus, medalhas ou o simples gosto pelos esportes radicais, a direção do poder do maior país da América Latina.

Para a direita, que vê nas mobilizações uma estratégia de diminuir a aprovação do governo Dilma que bateu em dezembro a casa dos 43%, a retomada das manifestações é fundamental. Além da judicialização da política, capitaneada pelo Supremo Tribunal Federal via processo do "mensalão", a juventude nas ruas questionando a política pró-copa em detrimento dos aspectos ligados às questões menos efêmeras, fundamentais para a vida dos cidadãos independente de megaeventos, como saúde, educação, segurança entre outras, é praticamente vital.

E para a esquerda, que não caiu ainda no canto da sereia da política desenvolvimentista do governo Dilma, que vem beneficiando de forma mais vultosa o capital (em 2012, segundo auditoria cidadã da dívida, o orçamento federal reservou R$ 752 bilhões para os serviços da dívida que favorece cerca de 10 mil credores. No mesmo ano, menos da metade, R$ 348 bilhões, foram direcionados para a Previdência, que beneficia aproximadamente 28 milhões de brasileiros), também é um momento de reconhecendo os avanços que vem ocorrendo no país, principalmente se comparados aos governos anteriores, de reivindicar uma direção contra-hegemônica da forma como a riqueza vem sendo distribuída.

Infelizmente, no tocante ao orçamento, a previsão para 2014, publicado neste mesmo blog recentemente, reverbera o mesmo eco de 2013.

Ano novo. Velhas práticas. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Megaeventos esportivos: determinações, implicações e rumos para a educação física escolar

Este mês foi publicado na Revista do Sistema INEP, a Em Aberto, artigo sobre Megaeventos esportivos. O mesmo sai em momento mais do que oportuno, na medida em que nos ajuda a pensar sobre esse fenômeno tão criticado pelos mais diversos movimentos que se encontram nas ruas de todo o país.

Para realizar a leitura do mesmo e de outros, é só clicar no link abaixo.

http://emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/2948/1916

O artigo vem assinado por mim, pela professora Celi Taffarel e pelo professor Cláudio Lira.

Boa leitura.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O lucro da FIFA

A Copa do Mundo de 2014 já começou faz tempo. Desde o sorteio que consagrou o Brasil como sede do torneio, em outubro de 2007, várias peças de diferentes pesos vem sendo movidas, atendendo diferentes interesses que miram desde o simples torcedor até a mais estruturada empreiteira, passando por empresários e trabalhadores diversos, todos vislumbrando como capitanear mais e melhor, dentro das suas possibilidades, as divisas próprias do evento.

Dentre todos os sujeitos envolvidos, estruturas e instituições, provavelmente a que mais ganha a cada Copa do Mundo é a Federation Internationale de Football Association - FIFA. E ganha de todos os lados possíveis e imagináveis.

Dirão os incautos de plantão que isso é mais do que justo, já que a mesma é a organizadora do evento. E se ela vai ganhar em torno de 10 bilhões de reais, valor 110% superior a Copa realizada na Alemanha, em 2006, isso se deve única e exclusivamente a sua competência empresarial.

Parece-me que aqui reside o problema. A FIFA NÃO É UMA EMPRESA!!! Ela não deve visar o lucro, já que é uma organização sem fins lucrativos. No entanto, desde 1993, ano em que a federação maior do futebol amargava até então um déficit de 11 milhões de dólares, que a mesma vem auferindo lucros e mais lucros, tornando-se uma organização bilionária.

O dinheiro vem de várias fontes e isenções de impostos. Uma das principais é o direito de transmissão dos jogos que a mesma negocia com as redes de televisão de todo o mundo. O outro filão vem da venda de ingressos que, inclusive, já começaram a ser vendidos para a Copa de 2014, variando entre R$ 1.185,00 a R$ 9.126,00.

E assim, acrescidas outras variáveis da contabilidade financeira da entidade, o lucro da FIFA só aumenta. Para onde vai o dinheiro? Ela diz que é para o financiamento do futebol no mundo. Para quem acredita em conto de fada, eis uma boa história da carochinha.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Não à demolição da Aldeia Maracanã

A saga de extermínio dos índios, iniciada desde a invasão portuguesa em terra brasilis continua. Agora a via não se dá pela matança física, pela violência corporal que extinguiu milhares de tribos que aqui habitavam. A estratégia e a tática do complemento da extinção indígena passa pela destruição dos seus símbolos.

Atenção. Não se trata aqui de um outro momento. É mais do mesmo. Muda-se a estratégia. O beneficiário? O grande capital, hoje ligado, entre outros empreendimentos, à construção das chamadas ARENAS ESPORTIVAS, para abrigar eventos efêmeros, pois assim é a lógica do capital, fazer as coisas sólidas, desmancharem-se no ar.

Imagem retirada do Blog de Elaine Tavares
A Aldeia Maracanã fica ao lado do Estádio Mario Filho, conhecido popularmente com a mesma  alcunha que leva o nome da aldeia. No meio do ano de 2012, o governo do Rio dizia que queria transformar o espaço em um estacionamento tendo em vista a Copa do Mundo de 2014. A reação popular fez o governo recuar, mas não por completo. Mudou apenas o destino do espaço, quer construir um Museu Olímpico.

Nada contra a construção de um Museu Olímpico. Que se faça. Mas em um outro espaço. Me intriga querer construir um Museu no lugar de um outro Museu. Sim, pois o espaço abriga o Museu dos Índios. Ali, historicamente, é um ponto de apoio para os indígenas do país inteiro. É um lugar de abrigo, de acolhimento, de debate sobre a cultura indígena.

Em um país em que muito pouco se faz para preservar a cultura dos povos, entre eles o dos povos indígenas, a atitude do governo não deve soar como estranha. Mas nós, que entendemos como ponto fundamental a defesa da memória destes povos, contra a sanha do capital, devemos lutar, devemos resistir, devemos dizer, em altíssimo e bom som: "NÃO À DEMOLIÇÃO DA ALDEIA MARACANÃ".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

#foraNuzman

Neste final de semana, ainda de forma muito tímida, começou uma campanha no twitter para a saída do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o senhor Carlos Artur Nuzman.

A campanha foi motivada, entre outras coisas, pelo episódio envolvendo uma funcionária do Comitê Rio 2016, a senhora Renata Santiago, que copiou arquivos confidenciais do Comitê Londres 2012.

Ao comentar o fato, Nuzman omitiu um outro episódio, envolvendo um outro funcionário, desta feita da Co-Rio 2007, o senhor Rodrigo Hermida, que copiou dados da EKS.

Independente destes fatos, o que sei é que esta campanha, embora tardia, vem em bom momento, pois o esporte, em função dos megaeventos, vem tendo uma grande visibilidade, permitindo o necessário debate que transcende seus aspectos mais visíveis pelo cidadão comum.

Estão todos convidados para a campanha #foraNuzman. Participem.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Leia o manifesto do Romário

O ex-jogador de futebol e atual Deputado Federal, Romário, um dos mais atuantes no parlamento, escreveu um manifesto solicitando que o Governo Federal não recue no veto de recursos públicos a entidades que não promovem a alternância de poder.

Essa posição tinha sido assumida nos últimos dias pelo próprio Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, que estaria, pelo menos é isso que faz entender o manifesto do deputado, recuando dessa proposta e colocando-a como possibilidade para o ano de 2017.

Todos os que no comando das federações, confederações e outras, estão atualmente, parecem que querem continuar até as festas, as farras de todo o tipo, relacionadas aos megaeventos passarem pelo país. Só depois, então, estariam dispostos a mudarem a direção, nem que seja única e exclusivamente em relação ao nome de que senta na poltrona.

Veja, na íntegra, o manifesto do Deputado Romário, clicando aqui.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Imprensa Golpista

Manipulação, inversão, unilateralismo, confusão. Assim age o Partido da Imprensa Golpista. Não se enganem. Ele está  a todo o vapor hoje e fará tudo para continuar a fazer mais e sempre do mesmo. Manipular, inverter, unilateralizar, confundir a opinião pública apresentando como universal os seus interesses particulares.



O nosso país, o Brasil, vive um momento muito rico de possibilidades manipulatórias. Seremos pelo menos nos próximos 5 anos, palco de muitos eventos que mexem com nossas emoções, os megaeventos esportivos. Esses são e serão pratos cheios para a ampliação dos elementos falsificadores da realidade social. Estejamos atentos para o que ocorre no nosso país e nos vizinhos, eis o caso do Paraguai que não nos deixa mentir, pois só aparentemente eles não têm relações.

O Brasil pode se tornar um circo romano. Mas a época é outra. Temos instrumentos para poder fazer prevalecer a verdade factual, republicana, a única capaz de universalizar o estado democrático de direito de horizonte tão distante para os nossos hermanos e nós próprios. Mas podemos inverter esta lógica nos organizando politicamente em direção a socialização dos meios de produção da vida, onde a mídia é uma das expressões, talvez, no momento, das mais hegemônicas.

O vídeo colado nesta postagem demonstra muito bem o perigo da imprensa unnilateral e da concentração dos medias nas mãos de poucas famílias. Não podemos deixar isso prevalecer.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Reflexão para ninar gente grande


Se os megaeventos esportivos fossem a salvação da lavoura para os países sedes, a Europa, que já sediou inúmeros por diversas vezes e continua sediando, não estaria na crise que se encontra.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Preparem os bolsos

Como já era esperado, os valores iniciais (em milhões de reais) das obras relacionadas aos megaeventos esportivos no Brasil seguem de vento em polpa, ou seja, com alterações para cima na sua imensa maioria. Exceção apenas para a Arena Amazônia (era 533, está em 532,2). Nos demais estados que sediarão o evento futebolístico de maior apelo mundial, as alterações são sempre para cima e além.

Vejamos. Maracanã (era de 828, está em 931); Fonte Nova (era de 592, está em 597); Estádio Nacional, do Distrito Federal, (era de 671, está em 846); Estádio das Dunas (era de 413, está em 417); Castelão (era de 452, está em 518,6); Beira Rio (era de 154, está em 290); Arena da Baixada (era de 185, está em 234); Arena Pernambuco (era de 491, está em 532); Mineirão (era de 684, está em 695); Itaquerão (sem previsão de custo inicial. O "final" está em 890).


Alguns destes estádios ainda faltam licitar itens, tais como: construção de cobertura e compras de gramados e cadeiras. É o caso da Arena Pantanal (está em 597, mas falta licitar a cobertura) e o Estádio Nacional, que apesar de ter tido uma majoração de quase duzentos milhões, não chegou a um valor "definitivo", pois falta licitar o gramado e as cadeiras.


Segundo a fonte consultada, "A previsão oficial do custo de construção e reforma dos estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014 já subiu R$ 590 milhões desde janeiro de 2010, quando foi assinada a Matriz de Responsabilidade da Copa pelos governos federal, estaduais e municipais que receberão os jogos".


Na época da assinatura da Matriz supra citada, o Ministério dos Esportes previa um custo total de 5,6 bilhões de reais para as obras de todas as arenas que sediarão jogos da Copa 2014. Em pouco mais de dois meses, de novembro de 2011 para cá, a cifra foi alterada, chegando aos valores atuais de 7,08 bilhões de reais.

Fonte consultada para a postagem: UOL.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dossiê dos Comitês Populares da Copa


Ao visitar o blog Observatório da Mídia Esportiva, uma iniciativa do coletivo de pesquisadores do LaboMídia, da UFSC/UFS, tive conhecimento deste dossiê através da postagem "O amor pelo esporte é a hipnose dos desavisados - um alerta à população", (leia a postagem clicando aqui) do professor Galdino R. Sousa. Pelos dados que o mesmo apresenta e que falam por si, socializo o documento com os leitores do Esporte em Rede ao tempo em que conclamo à leitura, acessando o mesmo na íntegra clicando aqui.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Haverá tempo?

Como todos nós sabemos, em 2014 teremos no nosso país a Copa do Mundo de Futebol. Temos, portanto, um pouco mais de dois anos para este grande evento esportivo e o que mais nos preocupa é que muitas coisas ainda estão para serem feitas, muito embora os recursos do tesouro estejam disponíveis e sendo sacados pelos órgãos responsáveis pelo evento.

Ao consultarmos os dados contidos no Portal da Transparência do Governo Federal, constatamos que dos 27 bilhões de reais previstos no momento para os diversos investimentos nos âmbitos municipais, estaduais e federais, apenas R$ 9 bilhões e 800 milhões foram contratados e, destes, R$ 1,4 bilhões foram executados, o que representa um pouco mais de 5% das obras necessárias.

Se focarmos nossas análises apenas no quesito estádio de futebol (rejeitando momentaneamente os relacionados aos aeroportos, portus, mobilidade urbana entre outros), principal palco dos jogos que serão realizados por diferentes seleções do mundo, vamos constatar que os passos das tartarugas são mais céleres.

Para este quesito, do total previsto de 3 bilhões e 300 milhões de reais, foi contratada a quantia de R$ 2,2 bilhões e apenas 276 milhões de reais foram executados, o que equivale a pouco mais de 8% das obras. Isso às vesperas da Copa das Confederações, que ocorrerá um ano antes da Copa do Mundo de Futebol.

Pensando com a cabeça dos empreendedores, o prazo é extremamente exíguo. O que preocupa todos que querem que as coisas ocorram de forma lícita, coisa muito difícil de acontecer quando corremos contra o tempo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Megaeventos: do urbanismo flexível à cidade de exceção

O Observatório da Copa Salvador 2014 promove, nesta quinta-feira, dia 15, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), uma palestra a ser proferida pelo Profº Carlos Vainer (IPPUR/UFRJ).

O tema da palestra que ocorre das 17:00 às 19:00 no auditório I da referida faculdade será: Megaeventos: do urbanismo flexível à cidade de exceção

Esperamos vocês lá.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sobre pão e circo - a educação supérflua?!

No contexto e emergência de finalização do movimento grevista por parte dos professores e professoras das Universidades Estaduais da Bahia, reproduzo um texto publicado no Blog Greve UESB, de autoria do Wagnervalter Dutra Júnior, doutorando em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe,professor do curso de Geografia da UNEB VI – Caetité-BA,pesquisador do GPECT: Grupo de Pesquisa Estado, Capital, Trabalho e as políticas de reordenamento territorial – CNPQ. Membro do Grupo Crise – UNEB Campus VI.

********************SEGUE ABAIXO O TEXTO

É interessante observar o custo da política de pão e circo. Tanto no primeiro caso, como no segundo, quem paga a conta? De quem é extraído a ‘mais-valia social’ para re-alimentar um sistema tão contraproducente regido pelo capital? Os custos do espetáculo servem para bancar campanhas eleitorais a despeito dos mais pobres, para em seguida permitir o ciclo do capital. Basta tomar, por exemplo, os sucessivos cortes orçamentários realizados pelo governador do Estado da Bahia no ano de 2009 e 2011. E por que não em 2010? Ano de comprar uma reeleição, e viabilizar algo que se situa bem além do Bolsa Família: o Bolsa Empreiteiro - para montar grandes circos, da Copa à Olimpíada.
Karl Marx no 18 de Brumário assevera: “Hegel observa algures que todos os grandes fatos e personagens da história [...] aparecem, por assim dizer, duas vezes. Mas esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia e a outra como farsa [...] É precisamente nessas épocas de crise revolucionária que esconjuram temerosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomam emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem de combate, a sua roupagem, para, com esse disfarce de velhice venerável e essa linguagem emprestada, representar a nova cena da história universal” (MARX, 2008, 207 – 208). Não poderia haver melhor representação do que se transformou o Partido dos Trabalhadores – ou melhor, Partido do Trabalho Abstrato. Na Bahia o carlismo foi reconvertido numa espécie de neocarlismo, com grande eficácia para construir e operar jogos políticos visando à hegemonia – tal habilidade surpreenderia até mesmo o ‘primeiro cacique’, se estivesse vivo.
Na esteira do discurso do corte de gastos públicos, para estancar a crise, que segundo o próprio Lula da Silva era apenas uma marola, o novo cacique cabeça branca da Bahia atinge em cheio a educação. O decreto n° 12.583/2011, publicado em fevereiro, desfere um duro golpe sobre toda a educação no Estado da Bahia, e demonstra a forma como esse governo trata a educação: para ele o que importa é a educação-empreendedorista-mercadoria-fetiche (de natureza técnico-profissionalizante), expressa pelos programas enquadrados nos ditames do Banco Mundial, a exemplo do PROJOVEM. Uma espécie de adestramento pós-moderno, que transforma/transfere a formação e leitura de mundo para o caminho de volta ao parafuso dos tempos modernos de Charles Chaplin. Querem tornar real o que apontava George Orwell no livro 1984? Produzir uma espécie de novilíngua em que não caibam mais as palavras Utopia? Revolução? Socialismo? Anarquismo? Comunismo?
O caminho é a resistência: as Universidades Estaduais da Bahia deflagraram greve no mês de abril; estudantes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia paralisaram e protestaram contra o ato fascista do governo, antes mesmo que os docentes – negando-se a serem meros apertadores de parafusos!
Há mais surpresas nesse caminho: muitos dos que hoje estão ‘perseguindo’ o movimento docente grevista, tentando criminalizar, marginalizar, eliminar o direito à mobilização e à greve, desrespeitando direitos adquiridos e assegurados por lei, foram os professores que um dia nos ensinaram a importância da crítica à sociedade burguesa: acho que o abismo não apenas olhou para eles – foi mais além do que dissera Nietzsche, o abismo os devorou.
Esses professores optaram pela ‘tirania’, todavia convém recordar Étienne de La Boétie em seu alerta muito útil aos ex-professores, agora aprendizes de operadores de fundos de pensão: “Isso sempre aconteceu porque cinco ou seis obtiveram confiança do tirano e se aproximaram dele por conta própria, ou foram chamados por ele para serem cúmplices de suas crueldades, companheiros de seus prazeres, favorecedores de suas libidinagens e beneficiários de suas rapinas. Esses seis dominam tão bem seu chefe que ele se torna mau para a sociedade, não só com suas próprias maldades, mas também com a deles. Esses seis têm seiscentos à sua disposição, e fazem com esses seiscentos o que os seis fizeram com o tirano. Esses seiscentos têm sob suas ordens seis mil, que elevaram em dignidade. Fazem dar a eles o governo das províncias ou a administração do dinheiro público a fim de tê-los na mão por sua avidez ou crueldade, para que as exerçam oportunamente e façam tanto mal que não possam manter-se senão sob sua sombra nem se isentar das leis e das punições senão graças à sua proteção [...] Do mesmo modo, assim que um rei se declarou tirano, tudo o que é ruim, toda a escória do reino – [...] dos que são possuídos por uma ambição intensa e uma avidez notável – reúne-se ao redor dele e o apóia para participar do butim e se tornar pequenos tiranos sob o grande tirano. [...] É assim que o tirano subjuga os súditos – uns por meios dos outros – e se faz guardar por aqueles contra os quais deveria se precaver, se valessem alguma coisa. [...] Quando penso nas pessoas que bajulam o tirano para explorar sua tirania e a servidão do povo, muitas vezes fico admirado com sua maldade e sinto piedade de sua tolice. Pois, na verdade, o que é aproximar-se do tirano senão afastar-se cada vez mais da liberdade e, por assim dizer, abraçar e apertar com as duas mãos a servidão?” (Discurso da Servidão Voluntária, 2010, p. 62 – 64).
A educação, mesmo tão precarizada pelo governo do PT, é uma das possibilidades na construção da práxis revolucionária que descortina os ‘tiranos’ e as ‘tiranias’, nos colocando além da servidão voluntária; mas, a opção pelo circo, pela sociedade do espetáculo, é o que prevalece.
E o que restará para os baianos e brasileiros depois do “grande espetáculo de 2014” – a Copa do Mundo de Futebol? Até lá um rastro de especulação, produção de monopólios e rendas diversas, e um caminho amplo para a corrupção e desvio do dinheiro público, conforme reportagem da Revista Caros Amigos (edição n° 166/2011 – Copa e Olimpíadas - o que realmente está em jogo?). Segundo o professor Carlos Vainer, as cidades brasileiras se transformarão num grande negócio, um negócio corrupto e com o aval da presidência da república, financiamento do BNDES, e, como as informações não são transferidas para a população, também com o apoio do povo. Espaços completamente privatizados pelas grandes corporações, tendo em vista que ao redor das áreas dos jogos o consumo em geral só é permitido para os que tem contrato com a FIFA.
E o que fica depois da saída dos megaeventos, como as Copas e Olimpíadas? Ainda segunda matéria publicada na Caros Amigos: na Grécia depois da Olimpíada de 2004, o recurso destinado para construção da Vila Olímpica, com 2292 unidades, foi desperdiçado, pois o lugar hoje é deserto, não foi destinado para habitação social, entretanto é um prato cheio para especulações futuras. O mundial de futebol do ano passado na África do Sul deixou suas marcas, além do estado de exceção que vigora por exigência da FIFA nos locais dos jogos (que precisam ser ‘étnica e socialmente faxinados’), manifestações foram proibidas no mês da Copa; e trabalhadores que migraram para trabalhar nas obras centrais, hoje sofrem xenofobia.
Optamos pela educação que transcenda a auto-alienação do trabalho. Para poder ficar com a greve, a liberdade, a libertação, a revolução, o socialismo, o comunismo, e nunca abrir mão da Utopia.