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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Copa das Manifestações

Diante das necessárias mobilizações por parte das diferentes categorias de trabalhadores pelo país, em luta pelos seus direitos historicamente constituídos e questionados, quando não esvaziados pelo neoliberalismo, estou propondo como mais uma expressão da luta de classes e frações de classe, a Copa das Manifestações.

Quem se habilita a participar?

domingo, 28 de abril de 2013

sábado, 27 de abril de 2013

Parceria Público Privado

Depois de tudo o que ouvimos falar em 2007 sobre os megaeventos esportivos no Brasil, que já teve a alcunha de "Copa da iniciativa privada" e tudo o que estamos vendo e ouvindo de lá para cá, parece-me que é o suficiente para entendermos de uma vez por todas os fundamentos do discurso sobre a parceria do público com o privado (PPP).

Nós, o do contra, como somos conhecidos pelos otimistas ingênuos e pelos intelectuais nada ingênuos do establishment, que sempre alertamos sobre o real sentido e significado deste termo no contexto de um estado burguês, gerenciado pelos "mamíferos de luxo", não nos surpreendemos com o que vem ocorrendo na medida em que se aproxima o evento.

Mais uma ocorrência demonstra os fatos já apresentados por nós desde os jogos Pan-americanos, realizados no Rio de Janeiro. É de lá, também, o exemplo inexorável, inconteste do que significa a tal parceria público/privado.

O estádio do maracanã, que será testado hoje com um pífio jogo entre os amigos de Ronaldo e os amigos de Bebeto e que já consumiu mais de 900 milhões de reais, ainda precisará de mais 564 milhões para ficar completamente pronto. Deste valor, 113 milhões (valor aproximado), será de responsabilidade do concessionário, ente desconhecido até então. O grosso do montante será da prefeitura (260 milhões) e do governo do estado do Rio de Janeiro (192 milhões).

O estado, ou seja, o nosso dinheiro, arcará com 452 milhões dos 564 necessários. Eis o real significado da tal parceria PPP, aplaudida por todos nós que simplesmente aceitamos tudo isso.

E estou apenas me referindo ao estado do Rio de Janeiro, um dos 12 estados que se colocaram à disposição para financiar esta farra!!! E para finalizar, vale notar que inicialmente a obra do maracanã estava orçada em 957 milhões.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Soberania? Às favas!!!

Todos nós já tomamos conhecimento do grau de ingerência da FIFA na soberania dos países que se tornam sedes do megaevento Copa do Mundo. Todas as leis que valem para o país e seus cidadãos não valem para o torneio mundial.

Por exemplo. O Estatuto da Juventude, recém criado, é válido em todo o território brasileiro. Menos em lugares que sediam eventos organizados pela FIFA. Esta organização torna-se um estado dentro do Estado, prevalecendo, portanto, suas regras em detrimento das leis nacionais dos países sedes.

Aqui em Salvador, o bolinho de feijão, conhecido como Acarajé, patrimônio cultural do Brasil, será impedido de comercialização na época da Copa das Confederações e da Copa do Mundo nas proximidades do evento, mais precisamente no raio de 2 km.

Eis que agora, a FIFA sai com mais uma. Segundo a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom) de Salvador, as festas de São João em junho, quando ocorre a Copa das Confederações, foram proibidas na capital baiana por conta de uma ordem da FIFA. (Site da Tribuna da Bahia, citado pela Carta Capital).

Acreditem. Dá até para duvidar, tamanho o desvario, mas é a pura verdade.

Contrato com a FIFA

"Os contratos da FIFA com os países sede de Copas do Mundo são os mais leoninos possíveis. Aderir a eles é ver uma nação curvar-se" (Alberto Murray Neto - pelo twitter @albertomurray)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Grande interrogação

Além da festa, o que a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 deixarão de legado para o País?

Quem trafegava hoje pela manhã nas imediações da Arena Fonte Nova, não compreendia o por que de tanta água.

Tudo bem que choveu bastante na madrugada. Mas para um lugar que comporta uma Arena que custou milhões de reais e que simboliza a modernidade, os novos tempos históricos, entre outras cantilenas, ficar intransitável por falta de escoamento da água, para mim expressa a falácia do tal legado, que inclui, entre outras coisas, a chamada mobilidade urbana. Impossível hoje pela manhã, repito, nas imediações da Arena Fonte Nova.

Fica então, mais uma vez, a grande interrogação: além da festa, o que a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 deixarão de legado para o País?

terça-feira, 23 de abril de 2013

O lucro da FIFA

A Copa do Mundo de 2014 já começou faz tempo. Desde o sorteio que consagrou o Brasil como sede do torneio, em outubro de 2007, várias peças de diferentes pesos vem sendo movidas, atendendo diferentes interesses que miram desde o simples torcedor até a mais estruturada empreiteira, passando por empresários e trabalhadores diversos, todos vislumbrando como capitanear mais e melhor, dentro das suas possibilidades, as divisas próprias do evento.

Dentre todos os sujeitos envolvidos, estruturas e instituições, provavelmente a que mais ganha a cada Copa do Mundo é a Federation Internationale de Football Association - FIFA. E ganha de todos os lados possíveis e imagináveis.

Dirão os incautos de plantão que isso é mais do que justo, já que a mesma é a organizadora do evento. E se ela vai ganhar em torno de 10 bilhões de reais, valor 110% superior a Copa realizada na Alemanha, em 2006, isso se deve única e exclusivamente a sua competência empresarial.

Parece-me que aqui reside o problema. A FIFA NÃO É UMA EMPRESA!!! Ela não deve visar o lucro, já que é uma organização sem fins lucrativos. No entanto, desde 1993, ano em que a federação maior do futebol amargava até então um déficit de 11 milhões de dólares, que a mesma vem auferindo lucros e mais lucros, tornando-se uma organização bilionária.

O dinheiro vem de várias fontes e isenções de impostos. Uma das principais é o direito de transmissão dos jogos que a mesma negocia com as redes de televisão de todo o mundo. O outro filão vem da venda de ingressos que, inclusive, já começaram a ser vendidos para a Copa de 2014, variando entre R$ 1.185,00 a R$ 9.126,00.

E assim, acrescidas outras variáveis da contabilidade financeira da entidade, o lucro da FIFA só aumenta. Para onde vai o dinheiro? Ela diz que é para o financiamento do futebol no mundo. Para quem acredita em conto de fada, eis uma boa história da carochinha.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Absurdo

País sem escola, sem saúde, sem transporte, sem casa, sem esgoto vai gastar bilhões em Copa e Olimpíadas. Absurdo!!! (Alberto Murray Neto)

sábado, 6 de abril de 2013

Contradição aparente

Amanhã, sete de abril, ocorrerá, principalmente nas cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014, em parceria com o Ministério da Saúde, a comemoração do Dia Mundial da Saúde. O evento aqui em Salvador tem o apoio também das secretarias de saúde do estado e do município, que serão representadas pelo secretário do Estado, Jorge Solla e do Agita Bahia, sob a presidência do senhor Cristiano Pitanga.

Segundo a página oficial da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, o objetivo do evento é "fortalecer a mensagem da promoção da saúde, através da adoção da prática de atividades físicas e alimentação saudável".

Ainda no mesmo diapasão, há um alerta sobre a importância de somar, à estas práticas, o "não uso do tabaco e do álcool", potencializando, ao indivíduo, a proteção das "doenças crônicas não transmissíveis" e, deste modo, prevenindo a "hipertensão arterial, diabetes e outras patologias". Em suma: atividade física somada a uma alimentação saudável é uma excelente receita para os males da sociedade moderna.

Considero a intenção belíssima. E não tenho dúvida alguma sobre o sucesso do evento e da importância da prática da atividade física, muito embora tenha minhas dúvidas sobre este debate descolado de ações mais concretas sobre a relação causal entre esta e a aquisição da saúde e, também, sobre as ações contraditórias entre o governo que promove e incentiva o evento e suas ações práticas.

Por exemplo. Já que o não uso do tabaco e do álcool é um elemento fundamental para a proteção do indivíduo em relação a aquisição de patologias, por que então este mesmo governo aceita mudar o nome da Arena Fonte Nova para ITAIPAVA ARENA FONTE NOVA? Não é a Itaipava uma fábrica de cerveja? A cerveja não contém álcool?

Para não falarem que sou "do contra", quero registrar aqui que esta contradição é apenas aparente. Faz parte das lutas que interessam às classes e frações de classes que compõem o bloco histórico essa dinâmica contraditória em relação aos fenômenos sociais, entre eles a atividade física, a saúde e as ações do Estado.

Então, o que fazer? Sugestão para também não falarem que fico apenas no lugar confortável da crítica sem propor alternativas: que tal, na caminhada, ao invés desta se resumir a um "ato de repúdio ao sedentarismo e de incentivo a vida ativa e feliz", os participantes levantarem faixas e cartazes contra esta opção do Governo?

Fica a minha sugestão, irrealizável, obviamente - pois quem paga a banda escolhe a música - do combate a esta contradição aparente.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Aldeia Maracanã mais um patrimônio histórico que tende a ruir em função dos interesses das empreiteiras

Os aparelhos repressivos do estado estão a postos para realizar, com muita força se preciso for, a retirada dos  índios do interior, pasmem, do Museu dos Índios.

Já foi exigida a desocupação pela Justiça burguesa. Foi declarado que os Índios devem sair do interior do Museu que o representa à décadas pelo interesse das empreiteiras de construir naquele lugar, o Museu Olímpico. Este será um dos legados dos chamados megaeventos esportivos.

Aqui em Salvador, tempos atrás, os mesmos interesses fizeram demolir a Fonte Nova e o Balbininho, patrimônios históricos tombado pelo IPHAN em maio de 1959.

Será que a história se repetirá? A face dela será trágica, ou mais uma farsa?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Trabalho decente

Na próxima segunda-feira, 04 de março, a Central Internacional dos Trabalhadores da Construção e Madeira (ICM), juntamente com 27 sindicatos brasileiros lançará, na cidade de Vitória (ES), na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil, Montagem, Estrada, Ponte, Pavimentação e Terraplenagem (SINTRACONST) e da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem, Terraplenagem, Pavimentação, Cal, Gesso, Indústria e Artefatos de Cimento, Cerâmica, Ladrilho, Argila, Madeira, Mobiliário, Calcário de Rochas, Mármore e Granitos (FETRACONMAG), um documentário intitulado "Trabalho Decente Antes e Depois de 2014".

Esse é também o título da campanha de dois anos de luta por garantia de melhores condições de trabalho para os mais de 30 mil operários envolvidos nas construções e nas reformas dos estádios de diferentes estados brasileiros que sediarão a Copa do Mundo de 2014 e que está retratada neste documentário que será exibido na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Espírito Santo, 18:30.

Assista ao trailer de um pouco mais de um minuto do documentário, clicando aqui.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nova Arena do Grêmio: quem se responsabiliza?


O Grêmio até que tentou, mas não conseguiu adiar a partida contra a LDU pelo jogo de volta da pré-Libertadores. Mesmo com o argumento de que o incêndio que matou mais de 230 jovens em uma Boate de Santa Maria tiraria o clima de festa, de entretenimento que envolve uma contenda de futebol, os dirigentes do LDU não concordaram com o adiamento da partida.
Agora vejam vocês como são as coisas. Nesse exato momento, devido a comemoração do gol do Grêmio, que precisa vencer a partida por dois gols de diferença, pois perdeu a primeira pelo tento de 1 a 0, os torcedores, que adoram comemorar indo em direção ao alambrado que separa as arquibancadas do campo de futebol. sofreram um grande susto, pois o mesmo não resistiu e cedeu.
Ainda bem que nada de grave ocorreu. Pelo menos até o momento não temos notícias com este tom. Mas um detalhe importante deve ser pontuado. Esta Arena é novíssima em folha, foi inaugurada há pouco mais de um mês, no dia 8 de dezembro de 2012.
E aí? O que aconteceu para uma obra tão recente, feita para partidas importantes da Copa do Mundo de 2014, demonstrar tamanha fragilidade na primeira partida oficial no estádio, na Nova Arena do Grêmio? Alguém vai ser responsabilizado ou só se responsabiliza quando morre gente?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Brazucas: democracia é isso

Acabo de ser informado que a Sociedade Civil (seja lá o que esse "balaio de gato" signifique), está excluída da discussão sobre o PNBL (Programa Nacional de Banda Larga 2), o que interessa muito aos conglomerados da mídia nativa, que deseja uma sociedade brasileira de 20 milhões de habitantes e para isso divulga o seu pensamento único, tendo vários cidadãos bem intencionados mas, muito mal informados, como caixa de ressonância dos seus interesses. O Facebook está cheio desses. Mas, por outro lado, parece exagero dizer que a Sociedade Civil está fora do debate sobre o rumo que queremos para as comunicações e outros temas fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. Considero essa assertiva um grande exagero, coisa de gente problemática, que ver rusga em tudo. Afinal de contas, todos nós não fomos consultados para escolher o nome da bola para a Copa 2014? Ora, o que vocês querem mais?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Voluntariado 2

Eu gostaria muito de saber se o senhor Bebeto e o seu parceiro do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, o senhor Ronaldo, estão trabalhando de graça para promover este evento e a Copa das Confederações.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Temos que salvar Neymar de nós mesmos, jornalistas

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)
 
Nós, jornalistas, estamos destruindo Neymar. Claramente o superestimamos, e ele parece acreditar nas pataquadas superlativas que dizemos dele. Neymar é um grande talento, mas não é um fenômeno. Se a máscara tomar nele o lugar que deveria ser da dedicação humilde, e com nossa adulação bovina nós contribuímos para isso, Neymar terminará como Ronaldinho Gaúcho antes dos 25 anos. Será um Neymarzinho Santista.

Jogadores extraordinários têm desempenhos extraordinários em situações extraordinárias. Essa é a lei básica dos craques. Nas decisões, nos grandes jogos, ele simplesmente irrompe. É como Bolt no atletismo: ele apanhou de seu compatriota Yohan Blake em provas secundárias, neste ano. Mas em Londres, nas Olimpíadas, transformou Blake num aprendiz.

Neymar contra o Barcelona, Neymar contra o Corinthians na Libertadores, Neymar hoje contra o México: em todos esses casos, Neymar foi um a mais. “Ele tem que provar muito ainda”, disse um comentarista da BBC. É verdade. Mas nós o colocamos, muito antes do devido, na condição de quem já provou tudo. Oscar não corre este risco porque vai jogar no Chelsea. Fizemos de Oscar o que ele jamais foi, uma espécie de novo Sócrates. Mas Oscar, pelo menos por enquanto, nem sequer é Raí, o irmão menos brilhante de Sócrates.

Não define como Sócrates, não lidera como Sócrates, não arma como Sócrates. Em comum, a perna direita, o porte ereto e a posição. Se ele jogar no Chelsea o que jogou nas Olimpíadas, vai ser reserva. A imprensa inglesa é bem menos indulgente com os jogadores que nós, jornalistas brasileiros. Também somos míopes. Não percebemos ainda que o caso de sucesso esportivo do Brasil passou, já há anos, do futebol para o vôlei. Temos, sistematicamente, bons resultados no vôlei em competições internacionais – homens e mulheres, quadras ou areia.

Temos dois anos, antes da Copa de 2014, para tentar aprender com o vôlei. Uma das diferenças é clara: os jogadores e as jogadoras de vôlei não são estragados, como filhos mimados, por nós, jornalistas, e nossa mania de endeusar quem, como Neymar, não merece ser endeusado.

Retirado do Blog TRIBUNA DA INTERNET em 14 de agosto de 2012

sábado, 9 de junho de 2012

Aldeia Maracanã

A batalha das ideias em curso implica a crítica a centralização e concentração da mídia. Atualmente, são onze o número de famílias que controlam e comandam o que se vê, lê e se ouve no país. Essas famílias definem o que você deve saber, agendam o debate para o dia seguinte, ditam normas de comportamento, disseminam valores culturais e tudo isso de acordo, obviamente, com os seus interesses comerciais e de classe. São essas mesmas pessoas que usam os seus medias para falar de liberdade de expressão. E quando o governo procura regular sua inserção nos diferentes espectros sociais, elas começam a falar de censura. Piada.

Além do gracejo, eles entendem como liberdade o direito de veicular o que querem e bem entendem pelos seus medias e não o que é fundamental para se ver, ouvir e ler. Entre uma entrevista com a Xuxa, onde a mesma fala do abuso sexual que sofreu quando era adolescente e um programa que aprofunde essa discussão, a maior rede de televisão do país fica com a primeira opção. Nem mesmo a repercussão da entrevista de uma das suas mais destacadas estrelas sensibilizou a direção a pautar, nos seus programas jornalísticos, o tema de forma ampla e aprofundada. A entrevista bastou.

Ontem, motivada pela Rio+20, o Globo Repórter nos apresentou uma tribo de índios, os Enawenê-nawê. Ao todo são "(...) 640 índios divididos em nove clãs diferentes. São 16 grandes malocas e uma vida primitiva". Obviamente que a ideia de "vida primitiva" fica ao critério da "visão" do homem branco, repórter da emissora. Esses homens e mulheres "primitivos" dança, tocam flauta, oferecem penduricalhos aos deuses, coisas que nós, os "civilizados" também fazemos e, olha que coisa, jogam um jogo que forçando a barra dá para dizer que é "futebol". Inferências, sempre, por favor, do repórter da "Vênus platinada" que, também, sustenta que o mesmo é esporte.

Mas deixemos isso para lá. O fundamental é que a mesma nos trouxe informações interessantes, guardadas as devidas proporções, observando que cabe em um programa que virou "revista eletrônica" e tem um pesado tom de entretenimento. E trouxe a tona, sem aprofundar, lá no final do programa, a questão da demarcação das terras dos Enawenê-nawê. Como esse projeto já passou pela câmara e já tem um "destino final", pode-se tocar nisso sem ferir suscetibilidades e tocar em interesses dos empresários, donos dos medias.

Mas o que me chamou a atenção foi o fato da Rede Globo ter ido no recôndito do Mato Grosso falar dessa tribo quando, no próprio Rio de Janeiro, ao lado do Maracanâ, existe também um grupo de índios, representantes de diversas etnias que vem lutando pela recuperação do prédio do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). É um prédio histórico que corre o risco de sucumbir diante das obras de reforma do estádio do maracanã.

E esse movimento de ocupação dos índios não é recente. Vem desde 2006 e eles esperam agora, com a Rio+20, dar visibilidade a sua luta que implica para além da recuperação e reforma do espaço, a retomada do Museu do Índio, que foi levado para a zona sul da cidade e a criação de uma universidade indígena.

As tribos que ocupam o prédio, que é da responsabilidade do Ministério da Agricultura, receiam que o advento da Copa 2014 e, creio, das Olimpíadas de 2016, promovam a desocupação do histórico imóvel, que teve como seu primeiro presidente o marechal Cândido Rondom e foi palco da idealização, por parte do antropólogo Darcy Ribeiro, do Parque Indígena do Xingu. "Apesar disso, governantes e torcedores concentram suas atenções nos 180 mil metros ocupados pelo Maracanã, de olho no cronograma das obras, e ignoram por completo o pequeno enclave indígena de apenas mil metros quadrados".
(Carta Capital, ano XVII, n. 700, junho de 2012, p. 14)

Ao tematizar os aspectos da vida dos Enawenê-nawê o Globo Repórter presta um serviço importante à sociedade. Mas ao silenciar sobre a vida dos caingangues, pataxós e outras etnias da aldeia maracanã que sobrevivem no SPI, demonstra uma falta de preocupação em aprofundar a temática que diz respeito a situação dos índios no território brasileiro em geral, e não apenas na Raposa do Sol e no noroeste do Mato Grosso.

A forma como as desocupações vem ocorrendo nas cidades sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014 colocam o problema de forma concreta para os índios em particular e para a população no geral. Talvez seja esse o elemento que promova o silenciamento sobre a situação da aldeia maracanã. Impossível tocar nela sem tocar no assunto ocupação/desocupação, tema indigesto para o governo do Rio de Janeiro e das outras cidades da Copa em pleno ano eleitoral.

Aqui o conceito de liberdade de expressão como  o direito de veicular o que querem e bem entendem pelos seus medias e não o que é fundamental para se ver, ouvir e ler ganha forma e conteúdo. Melhor falar de uma situação que ocorre no Mato Grosso do que de uma que ocorre no Rio de janeiro. Ninguém vai poder dizer que a Rede Globo não se preocupa com os índios e de quebra, ela agrega valor na sua programação em plena véspera de uma Rio+20.