quinta-feira, 30 de julho de 2026

UEFA rompe com a FIFA e anuncia boicote à Copa do Mundo após plano de Infantino

A crise entre a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e a Federação Internacional de Futebol (FIFA) atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (30). Em uma decisão inédita, a entidade que representa as 55 federações nacionais da Europa anunciou que deixará de disputar todas as competições organizadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo.

A medida foi aprovada durante uma reunião extraordinária realizada por videoconferência e representa uma reação direta ao projeto liderado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, que pretende abrir espaço para investidores privados nos direitos comerciais da Copa do Mundo.

Em comunicado oficial, a UEFA afirmou que o torneio mais importante do futebol mundial não pode ser transformado em um ativo financeiro. A entidade declarou que a competição pertence ao futebol e que sua gestão não deve ser submetida aos interesses de investidores cujo principal objetivo seja a obtenção de lucro.

O estopim da crise foi a divulgação de um plano, até então mantido em sigilo, que prevê a criação da FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. A proposta contempla a venda de pouco mais de 20% da empresa para investidores privados, em uma operação estimada em US$ 4,2 bilhões. Entre os grupos apontados como possíveis interessados está a Thrive Eternal, comandada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump.

Segundo Infantino, os recursos obtidos permitiriam ampliar significativamente os investimentos destinados às federações filiadas. A promessa é dobrar o financiamento básico destinado a cada associação nacional nos próximos quatro anos, elevando o valor de US$ 10 milhões para US$ 20 milhões. O dirigente também afirma que, até 2038, cada membro da FIFA poderá receber cerca de US$ 86 milhões em programas de desenvolvimento, mais que o dobro do montante inicialmente previsto.


Imagem Rawpixel

A UEFA, entretanto, considera que a proposta foi conduzida sem transparência. A entidade acusa a FIFA de ter elaborado um projeto de enorme impacto para o futebol mundial sem promover consultas efetivas às confederações e federações responsáveis pela administração do esporte.

Na avaliação dos dirigentes europeus, permitir a participação de investidores privados na estrutura comercial da FIFA poderá submeter decisões esportivas à lógica do mercado financeiro, aumentando a pressão por rentabilidade e reduzindo a autonomia das entidades que administram o futebol.

Como consequência, a UEFA informou que manterá o boicote às competições da FIFA até que o projeto seja retirado definitivamente e que existam garantias jurídicas de que a governança e os principais torneios da entidade não serão, no futuro, abertos à participação de investidores privados.

A decisão pode produzir impactos imediatos no calendário internacional. A próxima competição organizada pela FIFA será a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para setembro, na Polônia. Em 2027, o Brasil receberá a Copa do Mundo Feminina, torneio que também poderá ser afetado caso o impasse permaneça.

Além das consequências esportivas, o episódio aumenta a pressão política sobre Gianni Infantino. Após mais de uma década no comando da FIFA, o dirigente, que até recentemente era considerado favorito absoluto à reeleição, passa a enfrentar um cenário de crescente desgaste entre dirigentes das confederações continentais. A eleição presidencial da entidade está marcada para março do próximo ano, em Rabat, no Marrocos, e o prazo para inscrição de candidatos termina em 18 de novembro.

Nos bastidores, dirigentes do futebol internacional avaliam que a proposta da FIFA representa a maior crise institucional enfrentada por Infantino desde que assumiu a presidência em 2016. Caso o rompimento com a UEFA se consolide, o futebol mundial poderá viver uma das disputas políticas mais profundas de sua história recente, colocando em risco a unidade das principais competições organizadas pela entidade máxima do esporte.

A Querubim era o nosso Itabunão

Podia ser chuveirinho. Podia ser canarinho. Podia ser dente de leite. A bola, na verdade, era o que menos importava. Bastava quicar, aceitar um chute e carregar dentro de si a promessa de uma tarde inteira de felicidade.

O chão também não fazia exigências. Paralelepípedo, barro, cimento ou um pedaço de grama teimando em sobreviver entre as pedras. Jogávamos onde fosse possível. O jogo não precisava de cenário; precisava apenas de crianças dispostas a transformar qualquer espaço em um campo de futebol.

E nós estávamos.

As traves eram improvisadas com a mesma naturalidade com que o sol aparecia todas as manhãs. Dois caixotes. Duas pedras. Dois pedaços de madeira. Às vezes, o tênis daquele amigo que nem queria jogar, mas fazia questão de estar ali, servia de poste. Bastava combinar: "daqui até ali". O resto era imaginação. E a imaginação, naquela época, nunca conhecia limites.

O importante era bater o baba.

Entrávamos em campo com a solenidade de quem vestia a camisa da Seleção Brasileira. Cada dividida era uma final de Copa do Mundo. Cada gol merecia uma comemoração desmedida. Cada defesa improvável transformava qualquer goleiro em herói. Não existiam arquibancadas, nem narradores, nem câmeras. Mas existia um público invisível, formado pelos nossos sonhos, que fazia de cada partida um espetáculo inesquecível.

No meio da Rua Querubim de Oliveira havia uma parede.

Inclinada, é verdade. A rua também ajudava, descendo em ladeira. Para qualquer adulto, aquilo talvez fosse apenas uma construção comum. Para nós, era quase um monumento. Servia de trave, de tabela, de desafio. Ali a bola ganhava efeitos inesperados, voltava caprichosa, exigia reflexos rápidos e ensinava, sem que percebêssemos, que nem tudo na vida segue uma trajetória previsível.

Aquela parede era o nosso Itabunão.

Porque estádio nenhum é medido pelo concreto de suas arquibancadas. Os maiores estádios são construídos pela grandeza das lembranças que guardam. E o nosso cabia inteiro naquela rua, entre uma ladeira, uma parede e um punhado de meninos que acreditavam que o mundo começava e terminava ali.

Foto retirada da página História de Itabuna (@historiadeitabuna)

Nem só de futebol vivíamos. Bastava alguém aparecer com uma rede improvisada ou uma cesta qualquer para que a quadra imaginária surgisse diante dos nossos olhos. Jogávamos vôlei. Basquete. Inventávamos modalidades se fosse preciso. Éramos polivalentes antes mesmo de conhecer essa palavra. O corpo queria brincar. A alma queria disputar. E havia sempre uma bola esperando por nós.

Hoje compreendo que não era apenas sobre esporte.

Era sobre amizade.

Sobre aprender a perder sem desistir e a vencer sem humilhar. Sobre negociar regras, resolver discussões, escolher os times e voltar para casa quando a noite começava a esconder a bola.

O tempo passou.

A bola mudou. As ruas mudaram. Nós mudamos.

Alguns amigos seguiram outros caminhos. Outros ficaram apenas nas fotografias da memória. Há quem nem se lembre de certos lances. Eu mesmo não lembro de todos. E foram muitos.

A Querubim de Oliveira talvez seja hoje apenas mais uma rua para quem passa por ela.

Para mim, nunca será.

Ela continua povoada pelos gritos pedindo passe, pelas discussões sobre se a bola entrou ou não, pelas gargalhadas depois de um tombo, pela poeira levantada a cada arrancada e por aquele sentimento raro de liberdade que só a infância sabe produzir.

Há saudades que não pedem para voltar.

Elas sabem que o tempo cumpriu o seu papel.

Mas permanecem vivas porque fizeram de nós aquilo que somos.

Sempre que penso na criança que fui, ela não aparece em uma fotografia de escola nem em uma festa de aniversário.

Ela surge correndo pela Querubim de Oliveira, atrás de uma velha bola chuveirinho, canarinho ou dente de leite, acreditando, com toda a seriedade que só as crianças conhecem, que aquele baba valia uma Copa do Mundo.

E talvez valesse mesmo.

Porque foi ali, naquela aventura compartilhada com meus amigos, que aprendemos que a felicidade não depende da perfeição das coisas. Ela mora, quase sempre, na simplicidade de um fim de tarde qualquer, quando uma rua inteira consegue se transformar no maior estádio do mundo.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Para onde foi o goleiro Vozinha, sensação da seleção de Cabo Verde, após a Copa do Mundo?

A janela de transferências segue movimentando o mercado internacional, e alguns dos contratos fechados após a Copa do Mundo chamam atenção pelos salários oferecidos aos jogadores.

Um dos casos que mais repercutiu foi o do experiente goleiro Vozinha. Aos 40 anos, o capitão da seleção de Cabo Verde acertou contrato de 18 meses com o Colo-Colo, do Chile, e receberá cerca de 255 mil dólares por mês. O valor é considerado elevado para os padrões do futebol chileno e gerou ampla repercussão no país.

Outro nome que surpreendeu foi o de Casemiro. Depois de deixar o Manchester United sem custos de transferência, o volante brasileiro acertou com o Inter Miami. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o meio-campista terá vencimentos anuais de aproximadamente 90 milhões de dólares, superando até mesmo o salário de Lionel Messi, estimado em 70 milhões de dólares por temporada.

Na Espanha, Vinicius Júnior também está no centro das especulações. O Arsenal prepara uma proposta considerada histórica para tentar tirar o atacante brasileiro do Real Madrid. A oferta prevê um salário superior a 480 mil euros por semana, valor semelhante ao que o jogador recebe atualmente no clube espanhol.

Outras negociações importantes também envolveram salários expressivos. O jovem Johan Muzambi deixou o Freiburg para defender o Aston Villa, onde passará a receber 85 mil libras semanais. Já Antony Gordon, autor do gol da Inglaterra na final da Copa do Mundo contra a Argentina, trocou o Newcastle pelo Barcelona e terá remuneração de cerca de 230 mil euros por semana.

Quem também mudou de clube foi o atacante Gonçalo Ramos. Reserva da seleção portuguesa no Mundial, ele deixou o Paris Saint-Germain para atuar no Milan, assinando um contrato que prevê vencimentos de aproximadamente 142 mil euros por semana.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Depois da parada pra Copa, o futebol brasileiro voltou sem empolgar

Na visão dos torcedores e dos jornalistas esportivos, a Copa do Mundo seria um divisor de águas e, mesmo sem termos elencos de alto nível técnico — com exceção de Flamengo e Palmeiras —, teríamos jogos de bom nível técnico no Campeonato Brasileiro após a parada para a Copa. É óbvio que não estou fazendo nenhuma comparação com as principais competições de futebol do mundo. No entanto, pelos valores investidos pelos principais clubes em comissões técnicas, atletas e estruturas, o nível técnico do futebol apresentado nas partidas disputadas depois da Copa foi muito baixo.

O recomeço desanimador e decepcionante do Campeonato Brasileiro, até o momento, tem muito a ver com o comportamento dos jogadores dentro de campo. O empurra-empurra, o antijogo, a malandragem, a simulação, os jogadores se encarando e as ameaças foram insuportáveis. A tentativa de superar o oponente e pressionar a arbitragem por meio de um teatro de péssima qualidade deixa o jogo truncado, sem qualidade e irritante. Trata-se de um comportamento que passa pela conivência dos técnicos e dos dirigentes, com raríssimas exceções.

A competitividade e o contato físico fazem parte do futebol. Afinal, todos os esportes de contato estão sujeitos a lances ríspidos e violentos. Cabe aos técnicos das divisões de base e do profissional orientar os jogadores e coibir o antijogo. Mas será que os técnicos são os únicos responsáveis? Não. Os dirigentes, os coordenadores e parte dos torcedores são "resultadistas" e, para eles, a vitória é o que interessa.

É claro que a vitória é importante e necessária. Entretanto, na primeira prateleira do futebol mundial, o resultado positivo está atrelado ao jogo bem jogado. É justamente quando uma partida de futebol se transforma em espetáculo. O problema é que, no futebol brasileiro, o imediatismo do resultado frequentemente se sobrepõe à preocupação com a qualidade do jogo, produzindo um espetáculo cada vez mais pobre.

Em épocas passadas, a "vitória no grito" era muito mais aplaudida do que hoje. E existe uma explicação: os torcedores estão mais exigentes. Além disso, o mercado publicitário precisa de um produto de boa qualidade para agregar valores compatíveis aos investimentos. O mercado publicitário não enxerga o futebol somente como um esporte. Futebol é um produto. Como todos os produtos, os investimentos dependem da qualidade. Sem qualidade, todos perdem.

Quando todos perdem, mudanças concretas tornam-se necessárias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está, aparentemente, satisfeita com o futebol jogado no Brasil. Entretanto, todos os segmentos do mercado que dependem do futebol estão, em sua maioria, insatisfeitos. Inclusive os veículos de comunicação que, de forma incisiva, vendiam uma imagem do futebol brasileiro que não correspondia à realidade.


Escrito por Arquibaldo Geraldino dos Santos - 27 de julho de 2026 / segunda-feira / 19h48

Vasco empata com o Mirassol e permanece na zona de rebaixamento

Por Arquibaldo Geraldino dos Santos 

26 de julho de 2026   


O empate entre Vasco e Mirassol ( 1 a 1) na noite deste sábado, 25 de julho, em São Januário, pela vigésima rodada do Campeonato Brasileiro, foi um péssimo resultado para as pretensões do Vasco de permanecer na primeira divisão da competição sem sofrer sustos na reta final. Foi a primeira partida do segundo turno e, mesmo faltando dezoito rodadas para o fim da competição e com alguns clubes jogando um futebol de baixo nível, o Vasco não consegue transmitir esperança e confiança para seu torcedor. 

É verdade que os problemas extra-campo atrapalharam o planejamento da equipe durante a parada para a Copa do Mundo. Também é verdade que a equipe não tem dinheiro para fazer grandes contratações e as que foram feitas no início da temporada não surtiram efeito positivo. O mesmo acontece com remanescentes da última temporada. O resultado é uma equipe fraca tecnicamente, taticamente e fisicamente. O Vasco não tem controle emocional, capacidade de reação e, obviamente, confiança. 

Acreditar em uma mudança de comportamento e em uma evolução a curto prazo é muito difícil. Principalmente porque o tempo para adaptação de possíveis reforços e de construir ou montar um modelo de jogo capaz de ser competitivo e somar pontos é curto. Sabemos que no futebol tudo pode acontecer e, quando observamos a tabela de classificação e a qualidade de outras equipes, duas ou três vitórias e uma combinação de resultados pode fazer com a equipe dê um salto na tabela e, fora da zona de rebaixamento, recupere a confiança e termine a temporada sem que seus torcedores tenham a necessidade de fazer cálculos e projeções otimistas. 


O empate com o Mirassol foi a fotografia de um Vasco desorganizado, sem jogo coletivo e sem jogadores capazes de fazer algo diferente. O sistema defensivo - Puma Rodriguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Cuiabano depois Lucas Piton - não conseguia marcar, os laterais ofereciam espaços e levavam desvantagem no um contra um. O meio-campo com Barros, Tchê Tchê e Ramon Rique foi envolvido pelo meio-campo do Mirassol e demonstrou uma enorme incapacidade de marcar e construir. Os três meio-campistas que iniciaram a partida foram substituídos. Rojas entrou no lugar de Barros, Nuno Moreira entrou no lugar de Tchê Tchê e Jair entrou no lugar de Ramon Rique. Sem um meio-campo criativo e insistindo na bola longa, os atacantes - Adson, Spinelli e Andrés Gomez - ficaram reféns da marcação e, as poucas jogadas que levaram vantagem, as tomadas de decisão foram equivocadas e sem qualidade. David entrou no lugar de Adson. 

Por fim: acho cedo pata cobrar do técnico Pedro Emanuel uma definição tática, um jogo coletivo com encaxes na marcação associado com aproximação e troca de passes. Um sistema de jogo que esbarra na falta de qualidade técnica do atual elenco.

sábado, 25 de julho de 2026

Petição para banir a Argentina da Copa explode e já diz reunir mais de 23 milhões de assinaturas

Uma campanha internacional que pede a exclusão da Argentina das próximas edições da Copa do Mundo ganhou grande repercussão nos últimos dias e, segundo seus organizadores, já ultrapassou a marca de 23 milhões de assinaturas. A iniciativa, chamada "Argentina Out", afirma ter reunido 23.316.108 adesões de pessoas espalhadas por cerca de 170 países.

O movimento ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026, período em que torcedores passaram a contestar diversas decisões da arbitragem envolvendo partidas da seleção argentina. Nas redes sociais, milhares de publicações levantaram suspeitas de um suposto favorecimento à equipe ao longo do torneio. No entanto, até o momento, essas alegações não foram acompanhadas de provas que sustentem as acusações.

Seleção da Argentina (Foto: Carl Recine/Getty Images)

Outro fator apontado pelos organizadores da campanha como responsável pelo aumento da mobilização foi a exibição de uma bandeira com a frase "Las Malvinas son Argentinas" durante uma celebração da seleção. O gesto gerou reações, especialmente entre torcedores e internautas de outros países, ampliando o alcance da petição.#

Apesar da ampla divulgação da campanha nas plataformas digitais, a Fifa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Também não existe, até o momento, uma verificação independente que confirme o número de assinaturas divulgado pelos responsáveis pela iniciativa.

Dessa forma, embora o movimento tenha alcançado grande visibilidade nas redes sociais, as informações referentes ao total de participantes permanecem baseadas exclusivamente nos dados apresentados pelos próprios organizadores.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Segredo revelado: pesquisa mostra que bisavô de Messi nasceu no Brasil e mudança de sobrenome aconteceu em São Paulo

Antes de se tornar um dos maiores ídolos da história do futebol argentino, a família de Lionel Messi passou por um capítulo pouco conhecido em território brasileiro. Uma pesquisa genealógica revelou que um dos bisavôs do camisa 10 nasceu no interior de São Paulo e que uma alteração no sobrenome da família ocorreu justamente durante a permanência no Brasil, influenciando a identidade que o craque carrega até hoje.

A descoberta foi feita pelo pesquisador italiano Fiorenzo Santini, bancário de profissão e historiador por vocação. Apaixonado por futebol e torcedor da Inter de Milão, ele decidiu investigar as origens da família Messi quando o atacante ainda despontava como promessa no Barcelona.

Os primeiros levantamentos mostraram que o ramo paterno do jogador tem raízes em Recanati, na região italiana de Marche. Em 1893, Ângelo Messi, bisavô do atleta, deixou a Itália ao lado da esposa e se estabeleceu em Rosário, na Argentina, onde a família iniciaria uma nova trajetória.

Ao aprofundar os estudos sobre a linhagem materna, Santini encontrou uma conexão inesperada com o Brasil. O tataravô de Messi, Raniero Coccettini, embarcou para a América do Sul com a esposa Rosa Ricchezza e os filhos, desembarcando no Porto de Santos em 20 de setembro de 1899, conforme registros históricos do Museu da Imigração do Estado de São Paulo.

Logo após a chegada, a família enfrentou uma situação comum entre os imigrantes da época: a adaptação dos nomes nos registros oficiais. Raniero passou a ser identificado como Ramiero Concenttini, reflexo das dificuldades de grafia enfrentadas pelas autoridades responsáveis pelos documentos.

Os imigrantes foram contratados para trabalhar em uma fazenda pertencente a Martinho Prado Júnior, na região de Rincão, próxima a Ribeirão Preto. Foi durante esse período que nasceram mais dois filhos do casal: Ermínia, em janeiro de 1900, e Arderigo, em janeiro de 1904.

Foi justamente no registro do caçula que ocorreu a mudança definitiva. Arderigo passou a ser registrado como Federico, enquanto o sobrenome da família foi alterado de Coccettini para Cuccittini — forma que seria mantida pelas gerações seguintes. Federico tornou-se o bisavô materno de Lionel Messi.

Pouco tempo depois, em 1905, a família deixou o Brasil e migrou para Rosário, na Argentina. Ali nasceram Antônio Cuccittini, avô do jogador, Célia Maria Cuccittini, sua mãe, e, décadas mais tarde, em 24 de junho de 1987, Lionel Andrés Messi Cuccittini.

Segundo Santini, o sobrenome Cuccittini despertou sua atenção justamente por não existir na Itália. Entre 2019 e 2022, ele reuniu documentos históricos que comprovaram que a transformação ocorreu durante a passagem da família pelo interior paulista.

O trabalho de pesquisa também aproximou Messi das origens italianas. Em reconhecimento aos laços históricos de sua família, o jogador recebeu, em 2022, o título de cidadão honorário de San Severino Marche, cidade natal de seus antepassados.

Atualmente, não há registros de descendentes da família vivendo em Ribeirão Preto. Ainda assim, a ligação entre o maior ídolo argentino e o Brasil permanece registrada na história da imigração italiana e simbolizada pela Rua Martinico Prado, na Vila Tibério, que homenageia o fazendeiro responsável por empregar os ancestrais de Messi antes da mudança definitiva para a Argentina.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Itália admite tentativa por Ancelotti, mas técnico segue comprometido com a Seleção Brasileira

Mesmo após assumir recentemente o comando da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti esteve na mira da Federação Italiana de Futebol (FIGC). A informação foi confirmada nesta quinta-feira (23) por Paolo Maldini, diretor de seleções da entidade, que revelou ter procurado o treinador antes mesmo de iniciar conversas com Pep Guardiola.

De acordo com Maldini, a estratégia da federação italiana foi consultar os profissionais considerados de maior prestígio no futebol internacional para liderar um novo ciclo da Azzurra. A busca ganhou força após a saída de Gennaro Gattuso, responsável pela campanha que terminou com a ausência da Itália na Copa do Mundo de 2026.

"Entendemos que o correto era começar pelos treinadores que julgamos ser os melhores do mundo. Por isso, conversamos também com Ancelotti antes de buscar Guardiola. No entanto, é preciso avaliar a disponibilidade de cada um", afirmou o dirigente.


Carlo Ancelotti

Apesar do interesse italiano, a possibilidade de um retorno imediato de Ancelotti ao país é considerada remota. O treinador possui vínculo contratual com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030 e permanece à frente do projeto da Seleção Brasileira para o próximo ciclo mundial.

Outro nome que integra a lista da FIGC é Pep Guardiola. O técnico espanhol está sem clube desde o encerramento de sua passagem pelo Manchester City e é visto como uma das principais alternativas para conduzir o processo de reconstrução da seleção italiana.

Maldini evitou estabelecer um prazo para a definição do novo comandante, mas ressaltou que a prioridade da federação é encontrar o profissional mais capacitado para recolocar a Itália entre as principais potências do futebol internacional.

Quanto custa realizar o sonho de assistir à Copa do Mundo de 2030? Veja quanto é preciso economizar

A decisão da Copa do Mundo de 2026 encerrou mais uma edição histórica do torneio, mas, para muitos torcedores, o pensamento já está voltado para 2030. O próximo Mundial terá uma configuração inédita: Espanha, Portugal e Marrocos serão os principais anfitriões, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai receberão os jogos inaugurais em homenagem ao centenário da competição.

Para quem pretende acompanhar o evento de perto, a palavra-chave é planejamento financeiro. Especialistas alertam que começar a economizar agora pode fazer toda a diferença para transformar o sonho em realidade sem comprometer o orçamento.

Quanto guardar até 2030?

De acordo com o consultor de investimentos Leandro Benincá, da API Capital, o ideal é definir uma reserva financeira o quanto antes e incluir uma margem de aproximadamente 20% acima do valor estimado da viagem. A recomendação leva em conta possíveis oscilações do euro, aumento nos preços de passagens, hospedagem e outros custos que podem surgir ao longo do planejamento.

Considerando que ainda restam cerca de 46 meses até o torneio, diferentes perfis de viagem exigem metas distintas.

Opção econômica

Quem pretende permanecer cerca de dez dias, hospedar-se em hostels, assistir a quatro partidas (três da fase de grupos e uma do mata-mata) e manter gastos moderados com alimentação deve considerar um orçamento entre R$ 24 mil e R$ 34 mil.

Para alcançar esse objetivo, seria necessário reservar aproximadamente R$ 450 a R$ 600 por mês.

Experiência intermediária

Já uma viagem com maior conforto, incluindo duas semanas em hotel, cinco partidas (quatro da fase de grupos e uma eliminatória) e uma estrutura mais completa, exigiria um investimento próximo de R$ 42 mil.

Nesse caso, a economia mensal ficaria acima de R$ 800.

Pacote completo

Os torcedores que sonham em acompanhar toda a reta decisiva da competição, incluindo jogos do mata-mata e a grande final, precisam preparar um orçamento significativamente maior.

A estimativa varia entre R$ 110 mil e R$ 150 mil, dependendo da categoria dos ingressos escolhidos. Para atingir esse valor até 2030, seria necessário investir aproximadamente R$ 2,5 mil a R$ 2,8 mil por mês.


Foto: Werther Santana/Estadão

Lições da Copa de 2026

A última edição da Copa trouxe situações que servem de alerta para quem pretende viajar no futuro. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas restrições de acesso aos estádios obrigaram os torcedores a utilizar exclusivamente o transporte público, elevando os gastos durante o torneio.

Além disso, a FIFA adotou um sistema de precificação dinâmica para os ingressos, fazendo com que os valores variassem conforme a procura. Segundo Benincá, existe a possibilidade de que normas europeias limitem esse tipo de prática em 2030, reduzindo oscilações extremas nos preços das entradas.

Outro fator que merece atenção é a hospedagem. Na Copa de 2026, grande parte das cidades-sede registrou aumentos expressivos nas diárias, com reajustes superiores a 80% em diversas localidades.

Vale a pena comprar euros aos poucos?

Para quem pretende viajar, o consultor recomenda acompanhar o comportamento da moeda europeia.

Caso exista expectativa de valorização do euro, uma estratégia interessante pode ser realizar compras mensais da moeda e mantê-la em uma conta internacional. Se a expectativa for de estabilidade cambial, o viajante pode acumular os recursos em reais e efetuar a conversão mais próximo da viagem, evitando apenas deixar tudo para os últimos meses.

Independentemente da estratégia, a orientação é automatizar os aportes mensais e investir os recursos em aplicações conservadoras de renda fixa, como produtos atrelados ao CDI, já que o dinheiro possui uma data definida para ser utilizado.

Organização financeira faz diferença

Para Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, o principal objetivo não deve ser apenas alcançar um determinado valor, mas transformar a viagem em uma meta financeira de longo prazo.

Segundo ele, quanto antes o planejamento começar, menor será o impacto das contribuições mensais e maior será a capacidade de lidar com eventuais aumentos de preços ao longo dos próximos anos.

Uma pesquisa realizada pela Creditas em parceria com a Opinion Box revelou que 74% dos brasileiros pretendiam gastar dinheiro durante a Copa de 2026 e, entre eles, 80% admitiram não ter feito qualquer planejamento financeiro.

Antes da viagem, organize as finanças

Casagrande também destaca que, antes de iniciar a reserva para a Copa, é importante avaliar a situação financeira da família.

Quem possui dívidas caras, como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos com juros elevados, deve priorizar a reorganização dessas despesas antes de começar a investir na viagem. Isso permite construir a reserva de forma mais saudável e sustentável.

Seguro viagem deve entrar no orçamento

Outro item considerado essencial é o seguro viagem.

Com partidas distribuídas entre três países diferentes, os torcedores estarão sujeitos a legislações distintas, sistemas de saúde variados e custos elevados de atendimento médico. Além da cobertura hospitalar, o seguro pode proteger contra problemas como extravio de bagagem, atrasos e cancelamentos de voos, reduzindo o impacto financeiro de imprevistos durante a experiência.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Gary Neville detona desempenho da Argentina na final da Copa: "Jogaram muito mal"

Durante participação no podcast Stick to Football, produzido pelo canal The Overlap, o ex-jogador Gary Neville fez uma análise contundente da atuação da Argentina na final da Copa do Mundo de 2026. Para o ídolo do Manchester United, a equipe de Lionel Scaloni esteve muito abaixo do nível esperado e protagonizou uma de suas apresentações mais fracas ao longo da competição.

Na avaliação do ex-lateral da seleção inglesa, os argentinos encontraram enormes dificuldades para desenvolver seu futebol diante da Espanha, que controlou grande parte da decisão e limitou as ações ofensivas da atual vice-campeã mundial.

"Meu primeiro comentário seria para reconhecer o mérito deles por terem permanecido vivos no jogo. Mas a verdade é que jogaram terrivelmente. Conseguiram competir até o fim, e isso merece crédito, mas a atuação foi muito ruim", afirmou Neville durante o programa.

O comentarista foi ainda mais incisivo ao resumir sua impressão sobre a exibição da Albiceleste.

"Quando algo parece ruim e demonstra ser ruim, não há muito o que discutir. O que vimos foi uma atuação fraca, e não foi a primeira vez que isso aconteceu durante o torneio", declarou.

Bandeira da Argentina

Apesar das críticas ao desempenho na decisão, Neville fez questão de destacar a força coletiva construída pela seleção argentina nos últimos anos. Segundo ele, a competitividade do grupo foi determinante para que a equipe chegasse à segunda final consecutiva de Copa do Mundo.

Outro ponto ressaltado pelo ex-jogador foi a importância de Lionel Messi na campanha argentina. Autor de oito gols no Mundial, o camisa 10 foi apontado como o principal responsável por manter a equipe em condições de disputar o título até a última partida.

"Eles possuem uma química muito forte e uma capacidade impressionante de competir. Além disso, contam com um jogador extraordinário no ataque que faz toda a diferença. Sem Messi, acredito que dificilmente teriam alcançado novamente uma final", avaliou.

A Argentina acabou derrotada por 1 a 0 pela Espanha na decisão disputada no último domingo. O resultado garantiu aos espanhóis o segundo título mundial de sua história, enquanto os argentinos encerraram a campanha com o vice-campeonato, após mais uma competição marcada pelo protagonismo de Lionel Messi e por uma trajetória consistente até a final.

Messi na derrota: quando o comportamento fora da bola também entra em julgamento

 Lionel Messi construiu uma trajetória marcada por conquistas que o colocam entre os maiores jogadores da história do futebol. Campeão de praticamente todas as competições relevantes da carreira, o argentino acostumou torcedores e adversários a vê-lo celebrar títulos. A final da Copa do Mundo de 2026, no entanto, apresentou uma situação diferente: a derrota para a Espanha. E foi justamente nesse contexto que algumas de suas atitudes passaram a ser alvo de críticas.

Um dos episódios mais comentados ocorreu durante a cerimônia de premiação. Enquanto a seleção espanhola recebia o troféu, parte dos jogadores argentinos, incluindo Messi, permaneceu de costas para o palco. A postura foi interpretada por muitos como um gesto de desrespeito ao adversário e ao protocolo da competição. Entre os atletas da Argentina, Flaco López, atacante do Palmeiras, foi apontado como uma das exceções ao manter uma postura diferente dos companheiros.

Outro momento que gerou repercussão envolveu o lateral espanhol Marc Cucurella. Durante a partida, Messi pediu providências da arbitragem após o defensor se aproximar dele com a mão sobre a boca. A recomendação para evitar esse tipo de gesto existe como forma de coibir ofensas escondidas da leitura labial, especialmente após casos recentes no futebol internacional. No entanto, a interpretação predominante foi de que, naquele lance específico, Cucurella apenas fazia um comentário comum de jogo, sem qualquer demonstração de agressividade ou insulto.


Lionel Messi e jogadores da Argentina após derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo
(Foto: Justin Setterfield/Getty Images)

As duas situações alimentaram o debate sobre a forma como grandes ídolos lidam com a derrota. No esporte de alto rendimento, a capacidade de reconhecer o mérito do adversário e manter uma postura respeitosa em momentos de frustração costuma ser considerada parte importante do legado de um atleta.

As comparações entre Messi e Pelé frequentemente aparecem quando se discute quem ocupa o posto de maior jogador da história. Nesse contexto, além dos números e das conquistas, também entram em análise aspectos relacionados ao comportamento esportivo. Pelé teve momentos de destempero ao longo da carreira, como a conhecida cotovelada no uruguaio Fuentes durante a Copa de 1970, após sucessivas faltas sofridas. Ainda assim, sua imagem ficou marcada pela valorização do respeito aos adversários e pela maneira como encarava vitórias e derrotas.

Independentemente da posição de cada torcedor nesse debate, os acontecimentos da final reforçam que o legado dos grandes craques não é construído apenas pelos títulos conquistados, mas também pelas atitudes demonstradas quando o resultado não é favorável.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Espanha é bicampeã

A Espanha voltou a conquistar a Copa do Mundo dezesseis anos depois do título obtido na África do Sul, em 2010. Mais uma vez, a equipe espanhola alcançou o topo do futebol mundial sustentada por um estilo baseado na circulação da bola, controle do jogo e consistência defensiva. Ao longo de toda a campanha, sofreu apenas um gol em oito partidas, estabelecendo a melhor marca defensiva já registrada por uma seleção campeã do torneio.

A conquista representa a consolidação de uma geração que já havia levantado a taça da Eurocopa de 2024 e ampliou para 38 jogos a sequência invicta da seleção espanhola, agora a maior da história entre equipes nacionais.

O trabalho do técnico Luis de la Fuente também ganhou reconhecimento definitivo. Escolhido pela Federação Espanhola após a Copa do Mundo de 2022, o treinador apostou na manutenção da base de jogadores que havia dirigido nas categorias inferiores, fortalecendo um modelo coletivo de jogo. A confiança no comandante era tanta que o lateral Marc Cucurella chegou a afirmar que tatuaria o rosto do treinador caso a Espanha fosse campeã.

Ferrán Torrez comemorando o gol do título

A campanha começou de forma discreta, com um empate sem gols diante de Cabo Verde. A partir daí, porém, a equipe não voltou a tropeçar. Venceu Arábia Saudita e Uruguai na fase de grupos, eliminou Áustria, Portugal e Bélgica nas fases eliminatórias, derrotou a França por 2 a 0 na semifinal e confirmou o título ao superar a então campeã mundial na grande decisão.

Na final, a superioridade espanhola ficou evidente desde os primeiros minutos. Segundo dados da Opta Analyst, a equipe controlou 64,6% da posse de bola durante o primeiro tempo. A Argentina tentou responder com lançamentos longos, mas encontrou dificuldades para envolver seu principal jogador, Lionel Messi, que teve participação limitada ao longo da partida. Mesmo com as mudanças promovidas durante o segundo tempo, o panorama permaneceu praticamente inalterado. A Espanha criou as melhores oportunidades, obrigou o goleiro Emiliano "Dibu" Martínez a realizar importantes defesas e confirmou em campo um domínio que terminou refletido no placar e na conquista do bicampeonato mundial.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Argentina ou Espanha?

Uma discussão em um grupo de WhatsApp de colegas professores me fez pensar sobre a forma como, muitas vezes, nós mesmos, que reivindicamos uma análise crítica da realidade, acabamos simplificando fenômenos complexos.

A conversa surgiu a partir de um texto do Mauro Iasi, publicado no Instagram da Boitempo, com o título “Você não quer que a Argentina ganhe por inveja”, mais um que alcança a polêmica sobre torcer ou não para a Argentina. Uns colegas consideraram o texto ruim, raso, simplificador.

Li o texto esperando encontrar algo desastroso. Não encontrei. Mas quero aproveitar o ensejo para contribuir com os meus centavos nesse debate.

Minha principal discordância do texto escrito pelo Iasi está na tentativa de explicar o imbróglio a partir da ideia de "inveja". Tenho a impressão de que a questão central não é essa. Mas, fora isso, não vi motivos para uma rejeição tão categórica. Ao contrário, a leitura acabou me levando a pensar sobre um aspecto que considero mais importante: a dificuldade que temos de compreender as mediações.

Confesso que também fico preso nesse dilema.

Não gosto do Messi. Já disse isso outras vezes. Nesse mesmo grupo, inclusive, já tinha emitido minha opinião sobre ele. Tenho dificuldade de separar algumas de suas atitudes — especialmente sua inércia diante de questões políticas relevantes — do fato de que ele é um gênio do futebol. E ele é. Talvez um dos maiores jogadores da história.

Mas Messi não é a Argentina.

Parece uma afirmação óbvia, mas nem sempre agimos como se fosse. Da mesma forma que seria um erro reduzir o Brasil a Neymar, ou Portugal a Cristiano Ronaldo, também é um equívoco transformar Messi na síntese de um país inteiro.

Isso vale para o debate sobre o racismo na Argentina. Trata-se de um problema real, que não pode ser negado nem relativizado. Mas também não pode ser compreendido como se fosse um atributo homogêneo de toda a sociedade argentina, muito menos explicado apenas pelas imagens que circulam durante uma partida de futebol. Uma formação social nunca se reduz às manifestações mais visíveis de um determinado momento.

Do outro lado, também me pergunto: por que simpatizo com a Espanha? É por causa de Lamine Yamal? Pelo fato de ele manifestar solidariedade ao povo palestino? Pela possibilidade simbólica de vê-lo levantar a bandeira de um povo que resiste a um genocídio?

Tudo isso me toca. Seria desonesto negar.

Imagem gerada por inteligência artificial

Mas esse sentimento diz respeito a mim. Não autoriza transformar Yamal na representação da Espanha, assim como minha resistência por Messi não autoriza transformar a Argentina em sua extensão. Nenhum indivíduo, por mais genial ou admirável que seja, esgota as contradições de uma nação.

Talvez o problema esteja justamente aí. Temos dificuldade de pensar por mediações. Nossa tendência é oscilar entre dois extremos igualmente empobrecedores: ou reduzimos processos históricos complexos a indivíduos, ou transformamos indivíduos na expressão acabada de uma sociedade inteira. E aqui não estou considerando que essa característica é atributo dos colegas que me levaram à esta reflexão. Só estou aproveitando o ocorrido para desenvolvê-la. Como disse. Contribuir com os poucos centavos.

Esse modo de pensar é sedutor porque simplifica a realidade. Messi vira "a Argentina". Yamal vira "a Espanha". Alguns episódios de racismo passa a definir um povo inteiro. Um gesto de solidariedade converte um atleta na consciência política de uma nação. Tudo parece fazer sentido, mas apenas porque eliminamos as contradições.

O pensamento crítico exige um movimento diferente. Exige compreender que a realidade social é sempre síntese de múltiplas determinações. Entre o indivíduo e a sociedade existem inúmeras mediações: a história, a formação econômica, as classes sociais, as instituições, a cultura, a política, as disputas ideológicas. É por isso que nenhum sujeito, por maior que seja seu talento ou sua projeção pública, pode representar, sozinho, a totalidade de um país.

Isso não significa que indivíduos não tenham importância. Têm, e muita. Suas posições políticas produzem efeitos simbólicos, influenciam comportamentos e podem ampliar ou restringir determinadas lutas. Mas esses efeitos só podem ser compreendidos quando inseridos na totalidade das relações sociais que lhes dão sentido. Fora dessa totalidade, corremos o risco de substituir a análise pela personificação.

Talvez seja por isso que eu tenha dificuldade em aderir às posições mais categóricas. Não consigo ignorar a inércia política de Messi, mas também não consigo fazer dele a síntese da Argentina. Da mesma forma, simpatizo com Lamine Yamal e me emociona vê-lo manifestar solidariedade ao povo palestino, mas isso não me autoriza a transformar sua figura na representação moral da Espanha.

No fundo, a questão nunca foi decidir por qual seleção devemos torcer. A questão é outra: como construir uma leitura da realidade que não elimine suas contradições? Como evitar que a indignação legítima ou a admiração igualmente legítima nos conduzam a explicações simplificadoras?

Talvez seja esse o maior desafio do pensamento crítico: resistir à tentação de trocar a análise concreta da realidade concreta por atalhos morais que, embora confortáveis, pouco explicam.

Dito isso, para quem vou torcer? Nem para a Argentina, nem para a Espanha. Mas, se ao final da Copa eu tiver que escolher entre a imagem de Lamine Yamal erguendo a bandeira da Palestina e a de Messi posando ao lado de Javier Milei, confesso que fico com a primeira. Não por causa da Espanha, mas pelo significado político que ela carrega para mim.

domingo, 12 de julho de 2026

Transmitir o jogo já não basta

Durante muito tempo, as grandes redes de televisão que detinham os direitos de transmissão dos principais eventos esportivos eram, automaticamente, também as protagonistas do debate público sobre o esporte. Quem transmitia o espetáculo definia os temas, selecionava os personagens, estabelecia as narrativas e influenciava a forma como milhões de pessoas interpretavam cada partida.

Esse cenário mudou.

A expansão das redes sociais e das plataformas digitais alterou profundamente a maneira como o público consome informação esportiva. Hoje, assistir ao jogo é apenas uma parte da experiência. Ao mesmo tempo em que a bola rola, milhares de pessoas comentam os lances, produzem memes, publicam cortes, realizam análises táticas, questionam decisões da arbitragem e repercutem entrevistas em tempo real. O debate acontece simultaneamente em diversas plataformas e já não depende exclusivamente dos grandes veículos de comunicação.

Nesse contexto, possuir os direitos de transmissão continua sendo um ativo importante, mas deixou de ser suficiente para garantir relevância. A disputa pela atenção do público ocorre também na capacidade de produzir conteúdo que dialogue com essa nova dinâmica de circulação da informação.

Outro aspecto que merece reflexão diz respeito ao próprio formato da cobertura esportiva. Em muitos casos, observa-se uma padronização das transmissões, dos comentários e das análises. A repetição de fórmulas consagradas e a busca por um modelo considerado seguro acabam reduzindo a diversidade de interpretações sobre o fenômeno esportivo. O resultado é uma cobertura tecnicamente competente, mas que nem sempre consegue provocar discussões mais amplas ou gerar conteúdos capazes de permanecer relevantes após o encerramento da partida.


Além disso, há uma tendência crescente de privilegiar a experiência prática dos ex-atletas como principal referência para a análise esportiva. Evidentemente, quem viveu o esporte de alto rendimento possui conhecimentos valiosos. Entretanto, a compreensão do esporte contemporâneo exige também contribuições oriundas do jornalismo, da história, da sociologia, da economia, da política e de outras áreas do conhecimento. O esporte é um fenômeno social complexo, que não pode ser explicado apenas pela perspectiva de quem esteve dentro das quatro linhas.

As mudanças tecnológicas também transformaram o papel do público. O espectador deixou de ser apenas receptor de informações para tornar-se participante ativo da produção e da circulação de conteúdos. Influenciadores, jornalistas independentes, canais especializados e perfis temáticos passaram a disputar espaço com empresas tradicionais, muitas vezes pautando debates que posteriormente são incorporados pelos próprios veículos de comunicação.

Esse novo ambiente impõe um desafio às redes esportivas. Mais do que transmitir grandes competições com excelência técnica, será necessário compreender que a audiência busca participação, diversidade de opiniões, agilidade e conteúdos capazes de dialogar com diferentes linguagens e plataformas.

O futuro da comunicação esportiva não dependerá apenas de quem possui as imagens dos eventos, mas de quem consegue interpretar o esporte de maneira criativa, crítica e socialmente relevante. Em uma época em que a informação circula de forma descentralizada, transmitir continua sendo importante, mas participar da construção do debate tornou-se indispensável.

sábado, 11 de julho de 2026

Sucesso no Mundial ou Ilusão Ufanista? O que o Brilho dos Clubes Brasileiros Pode Estar Escondendo


Segue abaixo um breve comentário/síntese sobre um vídeo que postei no meu canal do youtube há um ano. Frente ao fracasso da seleção brasileira nesta Copa do Mundo, creio que o conteúdo pode contribuir para a reflexão sobre o que vem acontecendo com o nossa seleção. Leia o texto e acesse o vídeo (link ao final da síntese).

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O desempenho recente dos clubes brasileiros no Mundial de Clubes da FIFA tem sido motivo de grande empolgação. Com equipes liderando suas chaves e batendo de frente com gigantes do futebol europeu e mundial, a imprensa nacional rapidamente adotou um tom ufanista, celebrando a ideia de que o futebol brasileiro finalmente reencontrou sua antiga grandezaNo entanto, por trás das vitórias em campo, existe uma realidade muito mais complexa e incômoda que não podemos ignorar.

O Perigo do Entusiasmo Acrítico
O grande problema desse ufanismo, conforme aponta o professor Welington Silva (UEFS), é que ele mascara as contradições profundas que afetam o esporte no país. Ao celebrarmos apenas o topo da pirâmide, cometemos dois erros fundamentais:
  1. Reducionismo: Limitamos a percepção do futebol brasileiro ao sucesso de apenas quatro clubes de elite.
  2. Maquiagem Estrutural: Ignoramos que os problemas crônicos continuam presentes, independentemente do resultado de um torneio internacional.
A Realidade que o Placar não Mostra
Enquanto os refletores do Mundial brilham, a estrutura do futebol nacional permanece marcada por desafios que raramente ganham a mesma atenção mediática:
  • Desigualdade e Má Gestão: Um modelo que concentra recursos em poucos, enquanto a maioria dos clubes luta pela sobrevivência.
  • Precarização das Bases: A falta de investimento e estrutura adequada para formar novos atletas de maneira integral.
  • Ausência de Políticas Públicas: A carência de diretrizes consistentes que pensem o futebol como um ativo social e cultural, e não apenas comercial.
O Mundial Passa, os Problemas Ficam
É preciso ter em mente que, assim que a competição da FIFA terminar e o foco voltar para o Brasileirão, todos esses dilemas estruturais estarão "esperando por nós". Tratar o sucesso momentâneo como prova de que tudo vai bem é, na prática, continuar empurrando os problemas para debaixo do tapete.
Conclusão
O orgulho pelo desempenho dos nossos clubes é legítimo, mas ele deve servir como um ponto de partida para um debate sério, e não como um ponto final. O momento exige que, além de vibrar com os gols, possamos refletir e cobrar as reformas estruturais que o futebol brasileiro tanto precisa para se desenvolver de forma sustentável e justa.
Acesso ao vídeo (Clique aqui).