A atuação da arbitragem na goleada do Palmeiras por 4 a 0 sobre o Vitória, no Barradão, continua produzindo desdobramentos fora das quatro linhas. O caso ganhou um novo capítulo após o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciar o meia Maurício por uma suposta jogada violenta contra o zagueiro Cacá, lance que, durante a partida, foi punido apenas com cartão amarelo e sequer passou por revisão do árbitro de vídeo.
A decisão do STJD fortaleceu o discurso do Vitória, que divulgou uma nota oficial parabenizando o tribunal pela iniciativa e criticando duramente a atuação da equipe de arbitragem. Para o clube baiano, a denúncia confirma que houve um erro grave tanto do árbitro de campo quanto do VAR, que deixou de recomendar a revisão de uma jogada considerada passível de expulsão.
A reclamação do Vitória ganha ainda mais força quando se observa o tratamento dado a outros lances do mesmo jogo. Poucos minutos depois, uma entrada de Cacá sobre Arias foi revisada pelo VAR, resultando na expulsão do defensor rubro-negro. Na sequência da confusão, o lateral Luan Cândido também recebeu cartão vermelho após fazer gestos insinuando roubo. A diferença de critérios adotados ao longo da partida alimentou a sensação de desequilíbrio nas decisões disciplinares.
A denúncia contra Maurício, enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, coloca em evidência uma questão recorrente no futebol nacional: quando o tribunal reconhece elementos suficientes para julgar uma jogada violenta que passou praticamente despercebida pela arbitragem durante o jogo, inevitavelmente surgem questionamentos sobre a eficiência do protocolo do VAR e a qualidade das decisões tomadas em campo.
Mais do que discutir a possível punição ao jogador palmeirense, o episódio reforça um problema estrutural da arbitragem brasileira: a inconsistência na interpretação dos lances. O futebol admite diferentes leituras para situações de contato físico, mas espera que os critérios sejam uniformes. Quando lances semelhantes recebem tratamentos distintos na mesma partida, aumenta a desconfiança de clubes, atletas e torcedores.
A audiência marcada para a próxima terça-feira (4) deverá definir se Maurício será suspenso. Independentemente do resultado, o caso já recoloca em pauta a necessidade de maior transparência nas decisões do VAR, de aperfeiçoamento da formação dos árbitros e da adoção de critérios mais consistentes. Afinal, a credibilidade da arbitragem depende não apenas da existência da tecnologia, mas da forma como ela é utilizada para garantir justiça esportiva.

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