quinta-feira, 30 de julho de 2026

UEFA rompe com a FIFA e anuncia boicote à Copa do Mundo após plano de Infantino

A crise entre a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e a Federação Internacional de Futebol (FIFA) atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (30). Em uma decisão inédita, a entidade que representa as 55 federações nacionais da Europa anunciou que deixará de disputar todas as competições organizadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo.

A medida foi aprovada durante uma reunião extraordinária realizada por videoconferência e representa uma reação direta ao projeto liderado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, que pretende abrir espaço para investidores privados nos direitos comerciais da Copa do Mundo.

Em comunicado oficial, a UEFA afirmou que o torneio mais importante do futebol mundial não pode ser transformado em um ativo financeiro. A entidade declarou que a competição pertence ao futebol e que sua gestão não deve ser submetida aos interesses de investidores cujo principal objetivo seja a obtenção de lucro.

O estopim da crise foi a divulgação de um plano, até então mantido em sigilo, que prevê a criação da FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. A proposta contempla a venda de pouco mais de 20% da empresa para investidores privados, em uma operação estimada em US$ 4,2 bilhões. Entre os grupos apontados como possíveis interessados está a Thrive Eternal, comandada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump.

Segundo Infantino, os recursos obtidos permitiriam ampliar significativamente os investimentos destinados às federações filiadas. A promessa é dobrar o financiamento básico destinado a cada associação nacional nos próximos quatro anos, elevando o valor de US$ 10 milhões para US$ 20 milhões. O dirigente também afirma que, até 2038, cada membro da FIFA poderá receber cerca de US$ 86 milhões em programas de desenvolvimento, mais que o dobro do montante inicialmente previsto.


Imagem Rawpixel

A UEFA, entretanto, considera que a proposta foi conduzida sem transparência. A entidade acusa a FIFA de ter elaborado um projeto de enorme impacto para o futebol mundial sem promover consultas efetivas às confederações e federações responsáveis pela administração do esporte.

Na avaliação dos dirigentes europeus, permitir a participação de investidores privados na estrutura comercial da FIFA poderá submeter decisões esportivas à lógica do mercado financeiro, aumentando a pressão por rentabilidade e reduzindo a autonomia das entidades que administram o futebol.

Como consequência, a UEFA informou que manterá o boicote às competições da FIFA até que o projeto seja retirado definitivamente e que existam garantias jurídicas de que a governança e os principais torneios da entidade não serão, no futuro, abertos à participação de investidores privados.

A decisão pode produzir impactos imediatos no calendário internacional. A próxima competição organizada pela FIFA será a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para setembro, na Polônia. Em 2027, o Brasil receberá a Copa do Mundo Feminina, torneio que também poderá ser afetado caso o impasse permaneça.

Além das consequências esportivas, o episódio aumenta a pressão política sobre Gianni Infantino. Após mais de uma década no comando da FIFA, o dirigente, que até recentemente era considerado favorito absoluto à reeleição, passa a enfrentar um cenário de crescente desgaste entre dirigentes das confederações continentais. A eleição presidencial da entidade está marcada para março do próximo ano, em Rabat, no Marrocos, e o prazo para inscrição de candidatos termina em 18 de novembro.

Nos bastidores, dirigentes do futebol internacional avaliam que a proposta da FIFA representa a maior crise institucional enfrentada por Infantino desde que assumiu a presidência em 2016. Caso o rompimento com a UEFA se consolide, o futebol mundial poderá viver uma das disputas políticas mais profundas de sua história recente, colocando em risco a unidade das principais competições organizadas pela entidade máxima do esporte.

A Querubim era o nosso Itabunão

Podia ser chuveirinho. Podia ser canarinho. Podia ser dente de leite. A bola, na verdade, era o que menos importava. Bastava quicar, aceitar um chute e carregar dentro de si a promessa de uma tarde inteira de felicidade.

O chão também não fazia exigências. Paralelepípedo, barro, cimento ou um pedaço de grama teimando em sobreviver entre as pedras. Jogávamos onde fosse possível. O jogo não precisava de cenário; precisava apenas de crianças dispostas a transformar qualquer espaço em um campo de futebol.

E nós estávamos.

As traves eram improvisadas com a mesma naturalidade com que o sol aparecia todas as manhãs. Dois caixotes. Duas pedras. Dois pedaços de madeira. Às vezes, o tênis daquele amigo que nem queria jogar, mas fazia questão de estar ali, servia de poste. Bastava combinar: "daqui até ali". O resto era imaginação. E a imaginação, naquela época, nunca conhecia limites.

O importante era bater o baba.

Entrávamos em campo com a solenidade de quem vestia a camisa da Seleção Brasileira. Cada dividida era uma final de Copa do Mundo. Cada gol merecia uma comemoração desmedida. Cada defesa improvável transformava qualquer goleiro em herói. Não existiam arquibancadas, nem narradores, nem câmeras. Mas existia um público invisível, formado pelos nossos sonhos, que fazia de cada partida um espetáculo inesquecível.

No meio da Rua Querubim de Oliveira havia uma parede.

Inclinada, é verdade. A rua também ajudava, descendo em ladeira. Para qualquer adulto, aquilo talvez fosse apenas uma construção comum. Para nós, era quase um monumento. Servia de trave, de tabela, de desafio. Ali a bola ganhava efeitos inesperados, voltava caprichosa, exigia reflexos rápidos e ensinava, sem que percebêssemos, que nem tudo na vida segue uma trajetória previsível.

Aquela parede era o nosso Itabunão.

Porque estádio nenhum é medido pelo concreto de suas arquibancadas. Os maiores estádios são construídos pela grandeza das lembranças que guardam. E o nosso cabia inteiro naquela rua, entre uma ladeira, uma parede e um punhado de meninos que acreditavam que o mundo começava e terminava ali.

Foto retirada da página História de Itabuna (@historiadeitabuna)

Nem só de futebol vivíamos. Bastava alguém aparecer com uma rede improvisada ou uma cesta qualquer para que a quadra imaginária surgisse diante dos nossos olhos. Jogávamos vôlei. Basquete. Inventávamos modalidades se fosse preciso. Éramos polivalentes antes mesmo de conhecer essa palavra. O corpo queria brincar. A alma queria disputar. E havia sempre uma bola esperando por nós.

Hoje compreendo que não era apenas sobre esporte.

Era sobre amizade.

Sobre aprender a perder sem desistir e a vencer sem humilhar. Sobre negociar regras, resolver discussões, escolher os times e voltar para casa quando a noite começava a esconder a bola.

O tempo passou.

A bola mudou. As ruas mudaram. Nós mudamos.

Alguns amigos seguiram outros caminhos. Outros ficaram apenas nas fotografias da memória. Há quem nem se lembre de certos lances. Eu mesmo não lembro de todos. E foram muitos.

A Querubim de Oliveira talvez seja hoje apenas mais uma rua para quem passa por ela.

Para mim, nunca será.

Ela continua povoada pelos gritos pedindo passe, pelas discussões sobre se a bola entrou ou não, pelas gargalhadas depois de um tombo, pela poeira levantada a cada arrancada e por aquele sentimento raro de liberdade que só a infância sabe produzir.

Há saudades que não pedem para voltar.

Elas sabem que o tempo cumpriu o seu papel.

Mas permanecem vivas porque fizeram de nós aquilo que somos.

Sempre que penso na criança que fui, ela não aparece em uma fotografia de escola nem em uma festa de aniversário.

Ela surge correndo pela Querubim de Oliveira, atrás de uma velha bola chuveirinho, canarinho ou dente de leite, acreditando, com toda a seriedade que só as crianças conhecem, que aquele baba valia uma Copa do Mundo.

E talvez valesse mesmo.

Porque foi ali, naquela aventura compartilhada com meus amigos, que aprendemos que a felicidade não depende da perfeição das coisas. Ela mora, quase sempre, na simplicidade de um fim de tarde qualquer, quando uma rua inteira consegue se transformar no maior estádio do mundo.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Para onde foi o goleiro Vozinha, sensação da seleção de Cabo Verde, após a Copa do Mundo?

A janela de transferências segue movimentando o mercado internacional, e alguns dos contratos fechados após a Copa do Mundo chamam atenção pelos salários oferecidos aos jogadores.

Um dos casos que mais repercutiu foi o do experiente goleiro Vozinha. Aos 40 anos, o capitão da seleção de Cabo Verde acertou contrato de 18 meses com o Colo-Colo, do Chile, e receberá cerca de 255 mil dólares por mês. O valor é considerado elevado para os padrões do futebol chileno e gerou ampla repercussão no país.

Outro nome que surpreendeu foi o de Casemiro. Depois de deixar o Manchester United sem custos de transferência, o volante brasileiro acertou com o Inter Miami. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o meio-campista terá vencimentos anuais de aproximadamente 90 milhões de dólares, superando até mesmo o salário de Lionel Messi, estimado em 70 milhões de dólares por temporada.

Na Espanha, Vinicius Júnior também está no centro das especulações. O Arsenal prepara uma proposta considerada histórica para tentar tirar o atacante brasileiro do Real Madrid. A oferta prevê um salário superior a 480 mil euros por semana, valor semelhante ao que o jogador recebe atualmente no clube espanhol.

Outras negociações importantes também envolveram salários expressivos. O jovem Johan Muzambi deixou o Freiburg para defender o Aston Villa, onde passará a receber 85 mil libras semanais. Já Antony Gordon, autor do gol da Inglaterra na final da Copa do Mundo contra a Argentina, trocou o Newcastle pelo Barcelona e terá remuneração de cerca de 230 mil euros por semana.

Quem também mudou de clube foi o atacante Gonçalo Ramos. Reserva da seleção portuguesa no Mundial, ele deixou o Paris Saint-Germain para atuar no Milan, assinando um contrato que prevê vencimentos de aproximadamente 142 mil euros por semana.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Depois da parada pra Copa, o futebol brasileiro voltou sem empolgar

Na visão dos torcedores e dos jornalistas esportivos, a Copa do Mundo seria um divisor de águas e, mesmo sem termos elencos de alto nível técnico — com exceção de Flamengo e Palmeiras —, teríamos jogos de bom nível técnico no Campeonato Brasileiro após a parada para a Copa. É óbvio que não estou fazendo nenhuma comparação com as principais competições de futebol do mundo. No entanto, pelos valores investidos pelos principais clubes em comissões técnicas, atletas e estruturas, o nível técnico do futebol apresentado nas partidas disputadas depois da Copa foi muito baixo.

O recomeço desanimador e decepcionante do Campeonato Brasileiro, até o momento, tem muito a ver com o comportamento dos jogadores dentro de campo. O empurra-empurra, o antijogo, a malandragem, a simulação, os jogadores se encarando e as ameaças foram insuportáveis. A tentativa de superar o oponente e pressionar a arbitragem por meio de um teatro de péssima qualidade deixa o jogo truncado, sem qualidade e irritante. Trata-se de um comportamento que passa pela conivência dos técnicos e dos dirigentes, com raríssimas exceções.

A competitividade e o contato físico fazem parte do futebol. Afinal, todos os esportes de contato estão sujeitos a lances ríspidos e violentos. Cabe aos técnicos das divisões de base e do profissional orientar os jogadores e coibir o antijogo. Mas será que os técnicos são os únicos responsáveis? Não. Os dirigentes, os coordenadores e parte dos torcedores são "resultadistas" e, para eles, a vitória é o que interessa.

É claro que a vitória é importante e necessária. Entretanto, na primeira prateleira do futebol mundial, o resultado positivo está atrelado ao jogo bem jogado. É justamente quando uma partida de futebol se transforma em espetáculo. O problema é que, no futebol brasileiro, o imediatismo do resultado frequentemente se sobrepõe à preocupação com a qualidade do jogo, produzindo um espetáculo cada vez mais pobre.

Em épocas passadas, a "vitória no grito" era muito mais aplaudida do que hoje. E existe uma explicação: os torcedores estão mais exigentes. Além disso, o mercado publicitário precisa de um produto de boa qualidade para agregar valores compatíveis aos investimentos. O mercado publicitário não enxerga o futebol somente como um esporte. Futebol é um produto. Como todos os produtos, os investimentos dependem da qualidade. Sem qualidade, todos perdem.

Quando todos perdem, mudanças concretas tornam-se necessárias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está, aparentemente, satisfeita com o futebol jogado no Brasil. Entretanto, todos os segmentos do mercado que dependem do futebol estão, em sua maioria, insatisfeitos. Inclusive os veículos de comunicação que, de forma incisiva, vendiam uma imagem do futebol brasileiro que não correspondia à realidade.


Escrito por Arquibaldo Geraldino dos Santos - 27 de julho de 2026 / segunda-feira / 19h48

Vasco empata com o Mirassol e permanece na zona de rebaixamento

Por Arquibaldo Geraldino dos Santos 

26 de julho de 2026   


O empate entre Vasco e Mirassol ( 1 a 1) na noite deste sábado, 25 de julho, em São Januário, pela vigésima rodada do Campeonato Brasileiro, foi um péssimo resultado para as pretensões do Vasco de permanecer na primeira divisão da competição sem sofrer sustos na reta final. Foi a primeira partida do segundo turno e, mesmo faltando dezoito rodadas para o fim da competição e com alguns clubes jogando um futebol de baixo nível, o Vasco não consegue transmitir esperança e confiança para seu torcedor. 

É verdade que os problemas extra-campo atrapalharam o planejamento da equipe durante a parada para a Copa do Mundo. Também é verdade que a equipe não tem dinheiro para fazer grandes contratações e as que foram feitas no início da temporada não surtiram efeito positivo. O mesmo acontece com remanescentes da última temporada. O resultado é uma equipe fraca tecnicamente, taticamente e fisicamente. O Vasco não tem controle emocional, capacidade de reação e, obviamente, confiança. 

Acreditar em uma mudança de comportamento e em uma evolução a curto prazo é muito difícil. Principalmente porque o tempo para adaptação de possíveis reforços e de construir ou montar um modelo de jogo capaz de ser competitivo e somar pontos é curto. Sabemos que no futebol tudo pode acontecer e, quando observamos a tabela de classificação e a qualidade de outras equipes, duas ou três vitórias e uma combinação de resultados pode fazer com a equipe dê um salto na tabela e, fora da zona de rebaixamento, recupere a confiança e termine a temporada sem que seus torcedores tenham a necessidade de fazer cálculos e projeções otimistas. 


O empate com o Mirassol foi a fotografia de um Vasco desorganizado, sem jogo coletivo e sem jogadores capazes de fazer algo diferente. O sistema defensivo - Puma Rodriguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Cuiabano depois Lucas Piton - não conseguia marcar, os laterais ofereciam espaços e levavam desvantagem no um contra um. O meio-campo com Barros, Tchê Tchê e Ramon Rique foi envolvido pelo meio-campo do Mirassol e demonstrou uma enorme incapacidade de marcar e construir. Os três meio-campistas que iniciaram a partida foram substituídos. Rojas entrou no lugar de Barros, Nuno Moreira entrou no lugar de Tchê Tchê e Jair entrou no lugar de Ramon Rique. Sem um meio-campo criativo e insistindo na bola longa, os atacantes - Adson, Spinelli e Andrés Gomez - ficaram reféns da marcação e, as poucas jogadas que levaram vantagem, as tomadas de decisão foram equivocadas e sem qualidade. David entrou no lugar de Adson. 

Por fim: acho cedo pata cobrar do técnico Pedro Emanuel uma definição tática, um jogo coletivo com encaxes na marcação associado com aproximação e troca de passes. Um sistema de jogo que esbarra na falta de qualidade técnica do atual elenco.