quinta-feira, 30 de julho de 2026

A Querubim era o nosso Itabunão

Podia ser chuveirinho. Podia ser canarinho. Podia ser dente de leite. A bola, na verdade, era o que menos importava. Bastava quicar, aceitar um chute e carregar dentro de si a promessa de uma tarde inteira de felicidade.

O chão também não fazia exigências. Paralelepípedo, barro, cimento ou um pedaço de grama teimando em sobreviver entre as pedras. Jogávamos onde fosse possível. O jogo não precisava de cenário; precisava apenas de crianças dispostas a transformar qualquer espaço em um campo de futebol.

E nós estávamos.

As traves eram improvisadas com a mesma naturalidade com que o sol aparecia todas as manhãs. Dois caixotes. Duas pedras. Dois pedaços de madeira. Às vezes, o tênis daquele amigo que nem queria jogar, mas fazia questão de estar ali, servia de poste. Bastava combinar: "daqui até ali". O resto era imaginação. E a imaginação, naquela época, nunca conhecia limites.

O importante era bater o baba.

Entrávamos em campo com a solenidade de quem vestia a camisa da Seleção Brasileira. Cada dividida era uma final de Copa do Mundo. Cada gol merecia uma comemoração desmedida. Cada defesa improvável transformava qualquer goleiro em herói. Não existiam arquibancadas, nem narradores, nem câmeras. Mas existia um público invisível, formado pelos nossos sonhos, que fazia de cada partida um espetáculo inesquecível.

No meio da Rua Querubim de Oliveira havia uma parede.

Inclinada, é verdade. A rua também ajudava, descendo em ladeira. Para qualquer adulto, aquilo talvez fosse apenas uma construção comum. Para nós, era quase um monumento. Servia de trave, de tabela, de desafio. Ali a bola ganhava efeitos inesperados, voltava caprichosa, exigia reflexos rápidos e ensinava, sem que percebêssemos, que nem tudo na vida segue uma trajetória previsível.

Aquela parede era o nosso Itabunão.

Porque estádio nenhum é medido pelo concreto de suas arquibancadas. Os maiores estádios são construídos pela grandeza das lembranças que guardam. E o nosso cabia inteiro naquela rua, entre uma ladeira, uma parede e um punhado de meninos que acreditavam que o mundo começava e terminava ali.

Foto retirada da página História de Itabuna (@historiadeitabuna)

Nem só de futebol vivíamos. Bastava alguém aparecer com uma rede improvisada ou uma cesta qualquer para que a quadra imaginária surgisse diante dos nossos olhos. Jogávamos vôlei. Basquete. Inventávamos modalidades se fosse preciso. Éramos polivalentes antes mesmo de conhecer essa palavra. O corpo queria brincar. A alma queria disputar. E havia sempre uma bola esperando por nós.

Hoje compreendo que não era apenas sobre esporte.

Era sobre amizade.

Sobre aprender a perder sem desistir e a vencer sem humilhar. Sobre negociar regras, resolver discussões, escolher os times e voltar para casa quando a noite começava a esconder a bola.

O tempo passou.

A bola mudou. As ruas mudaram. Nós mudamos.

Alguns amigos seguiram outros caminhos. Outros ficaram apenas nas fotografias da memória. Há quem nem se lembre de certos lances. Eu mesmo não lembro de todos. E foram muitos.

A Querubim de Oliveira talvez seja hoje apenas mais uma rua para quem passa por ela.

Para mim, nunca será.

Ela continua povoada pelos gritos pedindo passe, pelas discussões sobre se a bola entrou ou não, pelas gargalhadas depois de um tombo, pela poeira levantada a cada arrancada e por aquele sentimento raro de liberdade que só a infância sabe produzir.

Há saudades que não pedem para voltar.

Elas sabem que o tempo cumpriu o seu papel.

Mas permanecem vivas porque fizeram de nós aquilo que somos.

Sempre que penso na criança que fui, ela não aparece em uma fotografia de escola nem em uma festa de aniversário.

Ela surge correndo pela Querubim de Oliveira, atrás de uma velha bola chuveirinho, canarinho ou dente de leite, acreditando, com toda a seriedade que só as crianças conhecem, que aquele baba valia uma Copa do Mundo.

E talvez valesse mesmo.

Porque foi ali, naquela aventura compartilhada com meus amigos, que aprendemos que a felicidade não depende da perfeição das coisas. Ela mora, quase sempre, na simplicidade de um fim de tarde qualquer, quando uma rua inteira consegue se transformar no maior estádio do mundo.


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Para onde foi o goleiro Vozinha, sensação da seleção de Cabo Verde, após a Copa do Mundo?

A janela de transferências segue movimentando o mercado internacional, e alguns dos contratos fechados após a Copa do Mundo chamam atenção pelos salários oferecidos aos jogadores.

Um dos casos que mais repercutiu foi o do experiente goleiro Vozinha. Aos 40 anos, o capitão da seleção de Cabo Verde acertou contrato de 18 meses com o Colo-Colo, do Chile, e receberá cerca de 255 mil dólares por mês. O valor é considerado elevado para os padrões do futebol chileno e gerou ampla repercussão no país.

Outro nome que surpreendeu foi o de Casemiro. Depois de deixar o Manchester United sem custos de transferência, o volante brasileiro acertou com o Inter Miami. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o meio-campista terá vencimentos anuais de aproximadamente 90 milhões de dólares, superando até mesmo o salário de Lionel Messi, estimado em 70 milhões de dólares por temporada.

Na Espanha, Vinicius Júnior também está no centro das especulações. O Arsenal prepara uma proposta considerada histórica para tentar tirar o atacante brasileiro do Real Madrid. A oferta prevê um salário superior a 480 mil euros por semana, valor semelhante ao que o jogador recebe atualmente no clube espanhol.

Outras negociações importantes também envolveram salários expressivos. O jovem Johan Muzambi deixou o Freiburg para defender o Aston Villa, onde passará a receber 85 mil libras semanais. Já Antony Gordon, autor do gol da Inglaterra na final da Copa do Mundo contra a Argentina, trocou o Newcastle pelo Barcelona e terá remuneração de cerca de 230 mil euros por semana.

Quem também mudou de clube foi o atacante Gonçalo Ramos. Reserva da seleção portuguesa no Mundial, ele deixou o Paris Saint-Germain para atuar no Milan, assinando um contrato que prevê vencimentos de aproximadamente 142 mil euros por semana.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Depois da parada pra Copa, o futebol brasileiro voltou sem empolgar

Na visão dos torcedores e dos jornalistas esportivos, a Copa do Mundo seria um divisor de águas e, mesmo sem termos elencos de alto nível técnico — com exceção de Flamengo e Palmeiras —, teríamos jogos de bom nível técnico no Campeonato Brasileiro após a parada para a Copa. É óbvio que não estou fazendo nenhuma comparação com as principais competições de futebol do mundo. No entanto, pelos valores investidos pelos principais clubes em comissões técnicas, atletas e estruturas, o nível técnico do futebol apresentado nas partidas disputadas depois da Copa foi muito baixo.

O recomeço desanimador e decepcionante do Campeonato Brasileiro, até o momento, tem muito a ver com o comportamento dos jogadores dentro de campo. O empurra-empurra, o antijogo, a malandragem, a simulação, os jogadores se encarando e as ameaças foram insuportáveis. A tentativa de superar o oponente e pressionar a arbitragem por meio de um teatro de péssima qualidade deixa o jogo truncado, sem qualidade e irritante. Trata-se de um comportamento que passa pela conivência dos técnicos e dos dirigentes, com raríssimas exceções.

A competitividade e o contato físico fazem parte do futebol. Afinal, todos os esportes de contato estão sujeitos a lances ríspidos e violentos. Cabe aos técnicos das divisões de base e do profissional orientar os jogadores e coibir o antijogo. Mas será que os técnicos são os únicos responsáveis? Não. Os dirigentes, os coordenadores e parte dos torcedores são "resultadistas" e, para eles, a vitória é o que interessa.

É claro que a vitória é importante e necessária. Entretanto, na primeira prateleira do futebol mundial, o resultado positivo está atrelado ao jogo bem jogado. É justamente quando uma partida de futebol se transforma em espetáculo. O problema é que, no futebol brasileiro, o imediatismo do resultado frequentemente se sobrepõe à preocupação com a qualidade do jogo, produzindo um espetáculo cada vez mais pobre.

Em épocas passadas, a "vitória no grito" era muito mais aplaudida do que hoje. E existe uma explicação: os torcedores estão mais exigentes. Além disso, o mercado publicitário precisa de um produto de boa qualidade para agregar valores compatíveis aos investimentos. O mercado publicitário não enxerga o futebol somente como um esporte. Futebol é um produto. Como todos os produtos, os investimentos dependem da qualidade. Sem qualidade, todos perdem.

Quando todos perdem, mudanças concretas tornam-se necessárias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está, aparentemente, satisfeita com o futebol jogado no Brasil. Entretanto, todos os segmentos do mercado que dependem do futebol estão, em sua maioria, insatisfeitos. Inclusive os veículos de comunicação que, de forma incisiva, vendiam uma imagem do futebol brasileiro que não correspondia à realidade.


Escrito por Arquibaldo Geraldino dos Santos - 27 de julho de 2026 / segunda-feira / 19h48

Vasco empata com o Mirassol e permanece na zona de rebaixamento

Por Arquibaldo Geraldino dos Santos 

26 de julho de 2026   


O empate entre Vasco e Mirassol ( 1 a 1) na noite deste sábado, 25 de julho, em São Januário, pela vigésima rodada do Campeonato Brasileiro, foi um péssimo resultado para as pretensões do Vasco de permanecer na primeira divisão da competição sem sofrer sustos na reta final. Foi a primeira partida do segundo turno e, mesmo faltando dezoito rodadas para o fim da competição e com alguns clubes jogando um futebol de baixo nível, o Vasco não consegue transmitir esperança e confiança para seu torcedor. 

É verdade que os problemas extra-campo atrapalharam o planejamento da equipe durante a parada para a Copa do Mundo. Também é verdade que a equipe não tem dinheiro para fazer grandes contratações e as que foram feitas no início da temporada não surtiram efeito positivo. O mesmo acontece com remanescentes da última temporada. O resultado é uma equipe fraca tecnicamente, taticamente e fisicamente. O Vasco não tem controle emocional, capacidade de reação e, obviamente, confiança. 

Acreditar em uma mudança de comportamento e em uma evolução a curto prazo é muito difícil. Principalmente porque o tempo para adaptação de possíveis reforços e de construir ou montar um modelo de jogo capaz de ser competitivo e somar pontos é curto. Sabemos que no futebol tudo pode acontecer e, quando observamos a tabela de classificação e a qualidade de outras equipes, duas ou três vitórias e uma combinação de resultados pode fazer com a equipe dê um salto na tabela e, fora da zona de rebaixamento, recupere a confiança e termine a temporada sem que seus torcedores tenham a necessidade de fazer cálculos e projeções otimistas. 


O empate com o Mirassol foi a fotografia de um Vasco desorganizado, sem jogo coletivo e sem jogadores capazes de fazer algo diferente. O sistema defensivo - Puma Rodriguez, Carlos Cuesta, Robert Renan e Cuiabano depois Lucas Piton - não conseguia marcar, os laterais ofereciam espaços e levavam desvantagem no um contra um. O meio-campo com Barros, Tchê Tchê e Ramon Rique foi envolvido pelo meio-campo do Mirassol e demonstrou uma enorme incapacidade de marcar e construir. Os três meio-campistas que iniciaram a partida foram substituídos. Rojas entrou no lugar de Barros, Nuno Moreira entrou no lugar de Tchê Tchê e Jair entrou no lugar de Ramon Rique. Sem um meio-campo criativo e insistindo na bola longa, os atacantes - Adson, Spinelli e Andrés Gomez - ficaram reféns da marcação e, as poucas jogadas que levaram vantagem, as tomadas de decisão foram equivocadas e sem qualidade. David entrou no lugar de Adson. 

Por fim: acho cedo pata cobrar do técnico Pedro Emanuel uma definição tática, um jogo coletivo com encaxes na marcação associado com aproximação e troca de passes. Um sistema de jogo que esbarra na falta de qualidade técnica do atual elenco.

sábado, 25 de julho de 2026

Petição para banir a Argentina da Copa explode e já diz reunir mais de 23 milhões de assinaturas

Uma campanha internacional que pede a exclusão da Argentina das próximas edições da Copa do Mundo ganhou grande repercussão nos últimos dias e, segundo seus organizadores, já ultrapassou a marca de 23 milhões de assinaturas. A iniciativa, chamada "Argentina Out", afirma ter reunido 23.316.108 adesões de pessoas espalhadas por cerca de 170 países.

O movimento ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026, período em que torcedores passaram a contestar diversas decisões da arbitragem envolvendo partidas da seleção argentina. Nas redes sociais, milhares de publicações levantaram suspeitas de um suposto favorecimento à equipe ao longo do torneio. No entanto, até o momento, essas alegações não foram acompanhadas de provas que sustentem as acusações.

Seleção da Argentina (Foto: Carl Recine/Getty Images)

Outro fator apontado pelos organizadores da campanha como responsável pelo aumento da mobilização foi a exibição de uma bandeira com a frase "Las Malvinas son Argentinas" durante uma celebração da seleção. O gesto gerou reações, especialmente entre torcedores e internautas de outros países, ampliando o alcance da petição.#

Apesar da ampla divulgação da campanha nas plataformas digitais, a Fifa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Também não existe, até o momento, uma verificação independente que confirme o número de assinaturas divulgado pelos responsáveis pela iniciativa.

Dessa forma, embora o movimento tenha alcançado grande visibilidade nas redes sociais, as informações referentes ao total de participantes permanecem baseadas exclusivamente nos dados apresentados pelos próprios organizadores.