A decisão da Copa do Mundo de 2026 encerrou mais uma edição histórica do torneio, mas, para muitos torcedores, o pensamento já está voltado para 2030. O próximo Mundial terá uma configuração inédita: Espanha, Portugal e Marrocos serão os principais anfitriões, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai receberão os jogos inaugurais em homenagem ao centenário da competição.
Para quem pretende acompanhar o evento de perto, a palavra-chave é planejamento financeiro. Especialistas alertam que começar a economizar agora pode fazer toda a diferença para transformar o sonho em realidade sem comprometer o orçamento.
Quanto guardar até 2030?
De acordo com o consultor de investimentos Leandro Benincá, da API Capital, o ideal é definir uma reserva financeira o quanto antes e incluir uma margem de aproximadamente 20% acima do valor estimado da viagem. A recomendação leva em conta possíveis oscilações do euro, aumento nos preços de passagens, hospedagem e outros custos que podem surgir ao longo do planejamento.
Considerando que ainda restam cerca de 46 meses até o torneio, diferentes perfis de viagem exigem metas distintas.
Opção econômica
Quem pretende permanecer cerca de dez dias, hospedar-se em hostels, assistir a quatro partidas (três da fase de grupos e uma do mata-mata) e manter gastos moderados com alimentação deve considerar um orçamento entre R$ 24 mil e R$ 34 mil.
Para alcançar esse objetivo, seria necessário reservar aproximadamente R$ 450 a R$ 600 por mês.
Experiência intermediária
Já uma viagem com maior conforto, incluindo duas semanas em hotel, cinco partidas (quatro da fase de grupos e uma eliminatória) e uma estrutura mais completa, exigiria um investimento próximo de R$ 42 mil.
Nesse caso, a economia mensal ficaria acima de R$ 800.
Pacote completo
Os torcedores que sonham em acompanhar toda a reta decisiva da competição, incluindo jogos do mata-mata e a grande final, precisam preparar um orçamento significativamente maior.
A estimativa varia entre R$ 110 mil e R$ 150 mil, dependendo da categoria dos ingressos escolhidos. Para atingir esse valor até 2030, seria necessário investir aproximadamente R$ 2,5 mil a R$ 2,8 mil por mês.
Lições da Copa de 2026
A última edição da Copa trouxe situações que servem de alerta para quem pretende viajar no futuro. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas restrições de acesso aos estádios obrigaram os torcedores a utilizar exclusivamente o transporte público, elevando os gastos durante o torneio.
Além disso, a FIFA adotou um sistema de precificação dinâmica para os ingressos, fazendo com que os valores variassem conforme a procura. Segundo Benincá, existe a possibilidade de que normas europeias limitem esse tipo de prática em 2030, reduzindo oscilações extremas nos preços das entradas.
Outro fator que merece atenção é a hospedagem. Na Copa de 2026, grande parte das cidades-sede registrou aumentos expressivos nas diárias, com reajustes superiores a 80% em diversas localidades.
Vale a pena comprar euros aos poucos?
Para quem pretende viajar, o consultor recomenda acompanhar o comportamento da moeda europeia.
Caso exista expectativa de valorização do euro, uma estratégia interessante pode ser realizar compras mensais da moeda e mantê-la em uma conta internacional. Se a expectativa for de estabilidade cambial, o viajante pode acumular os recursos em reais e efetuar a conversão mais próximo da viagem, evitando apenas deixar tudo para os últimos meses.
Independentemente da estratégia, a orientação é automatizar os aportes mensais e investir os recursos em aplicações conservadoras de renda fixa, como produtos atrelados ao CDI, já que o dinheiro possui uma data definida para ser utilizado.
Organização financeira faz diferença
Para Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, o principal objetivo não deve ser apenas alcançar um determinado valor, mas transformar a viagem em uma meta financeira de longo prazo.
Segundo ele, quanto antes o planejamento começar, menor será o impacto das contribuições mensais e maior será a capacidade de lidar com eventuais aumentos de preços ao longo dos próximos anos.
Uma pesquisa realizada pela Creditas em parceria com a Opinion Box revelou que 74% dos brasileiros pretendiam gastar dinheiro durante a Copa de 2026 e, entre eles, 80% admitiram não ter feito qualquer planejamento financeiro.
Antes da viagem, organize as finanças
Casagrande também destaca que, antes de iniciar a reserva para a Copa, é importante avaliar a situação financeira da família.
Quem possui dívidas caras, como cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos com juros elevados, deve priorizar a reorganização dessas despesas antes de começar a investir na viagem. Isso permite construir a reserva de forma mais saudável e sustentável.
Seguro viagem deve entrar no orçamento
Outro item considerado essencial é o seguro viagem.
Com partidas distribuídas entre três países diferentes, os torcedores estarão sujeitos a legislações distintas, sistemas de saúde variados e custos elevados de atendimento médico. Além da cobertura hospitalar, o seguro pode proteger contra problemas como extravio de bagagem, atrasos e cancelamentos de voos, reduzindo o impacto financeiro de imprevistos durante a experiência.



