Na visão dos torcedores e dos jornalistas esportivos, a Copa do Mundo seria um divisor de águas e, mesmo sem termos elencos de alto nível técnico — com exceção de Flamengo e Palmeiras —, teríamos jogos de bom nível técnico no Campeonato Brasileiro após a parada para a Copa. É óbvio que não estou fazendo nenhuma comparação com as principais competições de futebol do mundo. No entanto, pelos valores investidos pelos principais clubes em comissões técnicas, atletas e estruturas, o nível técnico do futebol apresentado nas partidas disputadas depois da Copa foi muito baixo.
O recomeço desanimador e decepcionante do Campeonato Brasileiro, até o momento, tem muito a ver com o comportamento dos jogadores dentro de campo. O empurra-empurra, o antijogo, a malandragem, a simulação, os jogadores se encarando e as ameaças foram insuportáveis. A tentativa de superar o oponente e pressionar a arbitragem por meio de um teatro de péssima qualidade deixa o jogo truncado, sem qualidade e irritante. Trata-se de um comportamento que passa pela conivência dos técnicos e dos dirigentes, com raríssimas exceções.
A competitividade e o contato físico fazem parte do futebol. Afinal, todos os esportes de contato estão sujeitos a lances ríspidos e violentos. Cabe aos técnicos das divisões de base e do profissional orientar os jogadores e coibir o antijogo. Mas será que os técnicos são os únicos responsáveis? Não. Os dirigentes, os coordenadores e parte dos torcedores são "resultadistas" e, para eles, a vitória é o que interessa.
É claro que a vitória é importante e necessária. Entretanto, na primeira prateleira do futebol mundial, o resultado positivo está atrelado ao jogo bem jogado. É justamente quando uma partida de futebol se transforma em espetáculo. O problema é que, no futebol brasileiro, o imediatismo do resultado frequentemente se sobrepõe à preocupação com a qualidade do jogo, produzindo um espetáculo cada vez mais pobre.
Em épocas passadas, a "vitória no grito" era muito mais aplaudida do que hoje. E existe uma explicação: os torcedores estão mais exigentes. Além disso, o mercado publicitário precisa de um produto de boa qualidade para agregar valores compatíveis aos investimentos. O mercado publicitário não enxerga o futebol somente como um esporte. Futebol é um produto. Como todos os produtos, os investimentos dependem da qualidade. Sem qualidade, todos perdem.
Quando todos perdem, mudanças concretas tornam-se necessárias. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está, aparentemente, satisfeita com o futebol jogado no Brasil. Entretanto, todos os segmentos do mercado que dependem do futebol estão, em sua maioria, insatisfeitos. Inclusive os veículos de comunicação que, de forma incisiva, vendiam uma imagem do futebol brasileiro que não correspondia à realidade.

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