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sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Imparcialidade" se vence com democratização

Em países com democracia madura e substantiva é comum editorialistas de grandes jornais se posicionarem politicamente em momentos decisórios importantes, como no caso de eleições presidenciais, por exemplo.

Os editoriais e as abordagens das notícias de uma maneira geral tornam-se ferramentas importantes, balizando o debate republicano, franco e fraterno, onde as divergências são respeitadas e os posicionamentos políticos são (ou deveriam ser) demonstrados com base na realidade factual.

Recentemente a revista Carta Capital externou, em editorial do Mino Carta, o seu posicionamento, apoiando a candidatura da Dilma Rousseff e fez de maneira inteligente, demonstrando os pontos fortes e fracos (que deverá ser atacado em uma possível recondução ao cargo, caso as correlações de força a favoreçam) do governo do PT.

Imagem retirada do site Casa dos Focas
Infelizmente, essa não é a tônica da imprensa nacional hegemônica. Além de muitas se posicionarem, na prática, em favor deste ou daquele candidato, seus editorialistas e suas abordagens jornalísticas são protegidas pelo falacioso, para não dizer sofismático, argumento da "isenção" e/ou "imparcialidade" sobre os fatos apresentados.

Em nome desta tal "imparcialidade" e "isenção", eles omitem e distorcem a realidade com contorcionismos ideológicos de fazer inveja aos artistas do Circo de Soleil.

São por essas e outras que defendo a democratização da mídia. Entendo que isso seria muito saudável para o desenvolvimento e ampliação da nossa república, inibindo as inúmeras performances não condizentes com a prática de um jornalismo sério.

Infelizmente, pelo que venho analisando das propostas dos principais candidatos ao mais alto posto da representação pública de um Estado, elas não apresentam uma plataforma clara, confiável e factível da sua materialização.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Mídia Seletiva

Os portais de notícias dos conglomerados midiáticos mudaram totalmente o tom na cobertura do Dia Nacional de Lutas com Mobilizações e Greves, convocado pelas centrais sindicais. Até o meio dia desta quinta-feira (11), eles voltaram à velha ladainha da criminalização das lutas sociais. O Globo (G1), Folha (UOL) e Estadão destacaram apenas os “bloqueios de estradas”, o “congestionamento do transito”, o “fechamento de lojas” e o “tumulto” em centenas de cidades do país. Bem diferente da cobertura dos protestos de junho, que foram exibidos como “protestos cívicos” e “apartidários”.

A mídia patronal nunca tolerou as mobilizações sindicais – até porque ela explora brutalmente os trabalhadores nas suas redações. Como ensinou Cláudio Abramo, a única liberdade de imprensa existente nas redações é a do dono da empresa jornalística. Neste sentido, não dava para esperar outra reação dos jornalões e emissoras de rádio e tevê neste 11 de julho. A mídia hegemônica tenta jogar na divisão das centrais e abafar a pauta dos trabalhadores – que inclui redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, retirada do projeto de lei que amplia a terceirização, entre outras bandeiras.

Nos protestos de junho, que mobilizaram milhares de jovens pela redução das tarifas do transporte, a mídia patronal teve uma dupla moral. Num primeiro momento, ela exigiu dura repressão contra os manifestantes. Editoriais raivosos da Folha e Estadão e comentários hidrófobos do “calunista” global Arnaldo Jabor serviram de ordem para o governador tucano Geraldo Alckmin, que acionou a tropa de choque da PM e abusou da violência em São Paulo. Na sequência, como os protestos se ampliaram, inclusive como forma de solidariedade, ela mudou de postura e tentou pegar carona nas manifestações, impondo a sua pauta conservadora.

A frase patética de Arnaldo Jabor na CBN, “eu errei”, expressou esta mudança oportunista de comportamento. A TV Globo chegou a derrubar a sua grade de programação, retirando do ar até a novela, para divulgar os protestos. Fausto Silva usou o seu “Domingão” para convocar manifestações; Ana Maria Braga exibiu “modelitos” para os que pretendiam ir às ruas. Jovens bonitos, bem vestidos e pintados com as cores do Brasil foram exibidos em doses cavalares na telinha da Globo, numa manipulação escancarada com o objetivo de enquadrar politicamente os protestos.

Agora, quando os trabalhadores entram em cena, com as suas reivindicações e bandeiras, a mídia hegemônica volta ao velho expediente e tenta desqualificar as paralisações e as passeatas. Ela sabe que não pode manipular facilmente os protestos organizados unitariamente pelas centrais sindicais. Os barões da mídia tem espírito de classe e não vacilam na defesa dos seus interesses. Pena que o governo Dilma ainda não tenha percebido que a mídia se transformou no mais importante partido da direita do Brasil...


Retirado do blog do Miro

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Mídia burguesa

Diante de todos esses movimentos que ocorrem pelo país, alguns erráticos, outros espontâneos, outros nem tanto e muitos com bandeiras claras, questionando as ações sociais do governo Dilma, entre outras coisas e notando a influência das mídias na direção destes mesmos movimentos, meus botões questionam: você sabe, gigante que nunca dormiu, qual a diferença entre as mídias burguesas?

Não, meus botões. E espero que não me devorem por isso.

Sorte a sua. Pois não somos a Esfinge de Hades, mas bondosos botões e como tais, responderemos a questão.

Então digam. Qual a diferença?

É a seguinte: tem aquelas que mentem em tudo. E tem outras que mentem só no essencial.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Os torcedores do Corinthians

Um anônimo comentou uma das postagem deste blog, evidenciando o que no seu ponto de vista, é uma covardia o que estão fazendo com os torcedores do Corinthiasn em Oruro, caso já comentado aqui em outro momento,

Socializo com vocês a angústia do nosso leitor, que pode ser a de muitos outros que visitam o nosso blog.

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Uma tremenda covardia está sendo cometida contra os 12 torcedores presos em Oruro. Só a TV Globo parece interessada em buscar justiça. O resto da mídia, incluindo sites de esporte e blogs, estão lavando as mãos, como se tivessem medo de contrariar um sentimento torpe que surgiu após a morte de uma criança. Estão linchando pessoas inocentes. Quando é que esses cidadãos brasileiros receberão apoio? Quem terá a coragem, além da TV Globo, de enfrentar esse sentimento paralisante? O caso é difícil e bem complexo, envolve sentimentos fortes. Mas não devemos nos furtar de buscar justiça, pois inocentes estão tendo suas vidas destruídas. Podem não ser cidadão exemplares, mas isso não basta para que os entreguemos aos leões para saciar um sentimento de pesar. Estou cansado do julgamento sem defesa que está ocorrendo. Que os responsáveis paguem por seus erros. Mas os inocentes precisam de respeito.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Hobsbawm sobre a FIFA

"a Fifa de fato forçou torcedores holandeses a trocar de calças porque as que usavam tinham o logo de uma cerveja holandesa que compete com a Budweiser, patrocinadora oficial da Copa. No entanto, a relação da Copa com o moderno capitalismo globalizado é mais complexa do que isso. Ou seja, a indústria atualmente é altamente globalizada e não poderia subsistir na atual escala sem a existência de um capitalismo global de mídia." (Hobsbawn)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Brazucas: democracia é isso

Acabo de ser informado que a Sociedade Civil (seja lá o que esse "balaio de gato" signifique), está excluída da discussão sobre o PNBL (Programa Nacional de Banda Larga 2), o que interessa muito aos conglomerados da mídia nativa, que deseja uma sociedade brasileira de 20 milhões de habitantes e para isso divulga o seu pensamento único, tendo vários cidadãos bem intencionados mas, muito mal informados, como caixa de ressonância dos seus interesses. O Facebook está cheio desses. Mas, por outro lado, parece exagero dizer que a Sociedade Civil está fora do debate sobre o rumo que queremos para as comunicações e outros temas fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. Considero essa assertiva um grande exagero, coisa de gente problemática, que ver rusga em tudo. Afinal de contas, todos nós não fomos consultados para escolher o nome da bola para a Copa 2014? Ora, o que vocês querem mais?

sábado, 7 de julho de 2012

Aí já é demais: parte 2

Torcedor em estado de torpeza conversa com a mídia esportiva que o produz, afirmando em alto e bom som que o motivo maior da conquista da libertadores pelo Timão foi a torcida.

Fico aqui imaginando se é assim, por que o Bahia, o Sport ou o Santa Cruz (só para ficar com os times de massa do nordeste) não sagram-se campeões.

Fala sério, torcedor. Torpeza também tem limite.

sábado, 9 de junho de 2012

Aldeia Maracanã

A batalha das ideias em curso implica a crítica a centralização e concentração da mídia. Atualmente, são onze o número de famílias que controlam e comandam o que se vê, lê e se ouve no país. Essas famílias definem o que você deve saber, agendam o debate para o dia seguinte, ditam normas de comportamento, disseminam valores culturais e tudo isso de acordo, obviamente, com os seus interesses comerciais e de classe. São essas mesmas pessoas que usam os seus medias para falar de liberdade de expressão. E quando o governo procura regular sua inserção nos diferentes espectros sociais, elas começam a falar de censura. Piada.

Além do gracejo, eles entendem como liberdade o direito de veicular o que querem e bem entendem pelos seus medias e não o que é fundamental para se ver, ouvir e ler. Entre uma entrevista com a Xuxa, onde a mesma fala do abuso sexual que sofreu quando era adolescente e um programa que aprofunde essa discussão, a maior rede de televisão do país fica com a primeira opção. Nem mesmo a repercussão da entrevista de uma das suas mais destacadas estrelas sensibilizou a direção a pautar, nos seus programas jornalísticos, o tema de forma ampla e aprofundada. A entrevista bastou.

Ontem, motivada pela Rio+20, o Globo Repórter nos apresentou uma tribo de índios, os Enawenê-nawê. Ao todo são "(...) 640 índios divididos em nove clãs diferentes. São 16 grandes malocas e uma vida primitiva". Obviamente que a ideia de "vida primitiva" fica ao critério da "visão" do homem branco, repórter da emissora. Esses homens e mulheres "primitivos" dança, tocam flauta, oferecem penduricalhos aos deuses, coisas que nós, os "civilizados" também fazemos e, olha que coisa, jogam um jogo que forçando a barra dá para dizer que é "futebol". Inferências, sempre, por favor, do repórter da "Vênus platinada" que, também, sustenta que o mesmo é esporte.

Mas deixemos isso para lá. O fundamental é que a mesma nos trouxe informações interessantes, guardadas as devidas proporções, observando que cabe em um programa que virou "revista eletrônica" e tem um pesado tom de entretenimento. E trouxe a tona, sem aprofundar, lá no final do programa, a questão da demarcação das terras dos Enawenê-nawê. Como esse projeto já passou pela câmara e já tem um "destino final", pode-se tocar nisso sem ferir suscetibilidades e tocar em interesses dos empresários, donos dos medias.

Mas o que me chamou a atenção foi o fato da Rede Globo ter ido no recôndito do Mato Grosso falar dessa tribo quando, no próprio Rio de Janeiro, ao lado do Maracanâ, existe também um grupo de índios, representantes de diversas etnias que vem lutando pela recuperação do prédio do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). É um prédio histórico que corre o risco de sucumbir diante das obras de reforma do estádio do maracanã.

E esse movimento de ocupação dos índios não é recente. Vem desde 2006 e eles esperam agora, com a Rio+20, dar visibilidade a sua luta que implica para além da recuperação e reforma do espaço, a retomada do Museu do Índio, que foi levado para a zona sul da cidade e a criação de uma universidade indígena.

As tribos que ocupam o prédio, que é da responsabilidade do Ministério da Agricultura, receiam que o advento da Copa 2014 e, creio, das Olimpíadas de 2016, promovam a desocupação do histórico imóvel, que teve como seu primeiro presidente o marechal Cândido Rondom e foi palco da idealização, por parte do antropólogo Darcy Ribeiro, do Parque Indígena do Xingu. "Apesar disso, governantes e torcedores concentram suas atenções nos 180 mil metros ocupados pelo Maracanã, de olho no cronograma das obras, e ignoram por completo o pequeno enclave indígena de apenas mil metros quadrados".
(Carta Capital, ano XVII, n. 700, junho de 2012, p. 14)

Ao tematizar os aspectos da vida dos Enawenê-nawê o Globo Repórter presta um serviço importante à sociedade. Mas ao silenciar sobre a vida dos caingangues, pataxós e outras etnias da aldeia maracanã que sobrevivem no SPI, demonstra uma falta de preocupação em aprofundar a temática que diz respeito a situação dos índios no território brasileiro em geral, e não apenas na Raposa do Sol e no noroeste do Mato Grosso.

A forma como as desocupações vem ocorrendo nas cidades sedes dos jogos da Copa do Mundo de 2014 colocam o problema de forma concreta para os índios em particular e para a população no geral. Talvez seja esse o elemento que promova o silenciamento sobre a situação da aldeia maracanã. Impossível tocar nela sem tocar no assunto ocupação/desocupação, tema indigesto para o governo do Rio de Janeiro e das outras cidades da Copa em pleno ano eleitoral.

Aqui o conceito de liberdade de expressão como  o direito de veicular o que querem e bem entendem pelos seus medias e não o que é fundamental para se ver, ouvir e ler ganha forma e conteúdo. Melhor falar de uma situação que ocorre no Mato Grosso do que de uma que ocorre no Rio de janeiro. Ninguém vai poder dizer que a Rede Globo não se preocupa com os índios e de quebra, ela agrega valor na sua programação em plena véspera de uma Rio+20.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mega indústria do futebol

No jornal A Tarde dessa quinta (10/11) foi publicado: "Neymar recebrá 3 milhões por mês". Isso para permanecer no Brasil e não seguir o mesmo caminho dos craques brasileiros que passam os melhores anos de suas carreiras nos clubes europes. Pelo menos até 2014 ele estará no Santos, assim reza o contrato.

Fico imaginando, a partir do sensacionalismo que a mídia faz em torno de uma notícia como essa, o que não passa na cabeça dos milhares de jovens e adolescentes - e de suas famílias também - que estão nas centenas de Escolinhas de Futebol espalhadas pelo país nutrindo o sonho de um dia serem um Neymar. Quando todos sabemos que menos de 1% desses jovens consegue chegar aonde estão Neymar, Robinho e todos os outros milionários da seleção brasileira. A grande maioria permanece em clubes pequenos recebendo até um salário mínimo. No início desse ano assisti a uma matéria em que um determinado time de uma cidade do interior (não lembro o nome do time nem de que estado) se dispôs a permanecer jogando de graça (sem salário) para o clube não fechar.

Essa mega-indústria do futebol brasileiro e esses salários milionários dos jogadores de futebol constituem um verdadeiro acinte à sociedade brasileira.
 
[TEXTO ESCRITO PELO PROFESSOR Otto Vinícius Agra Figueiredo, da Universidade Estadual de Feira de Santana, departamento de educação]

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Agradecendo

No último dia 08, o blog Esporte em Rede atingiu o Page Rank 4. Um número modesto, mas extremamente significativo no mundo dos blogs.

Se levarmos em consideração que o Esporte em Rede conta única e exclusivamente com contatos por email e não se sustenta em nenhuma plataforma conhecida (UOL, Globo.com, ESPN, SPORTV, por exemplo), e este que escreve não é nenhum sujeito famoso com cobertura midiática de nenhum tipo, o feito é mais do que considerável.

Só tenho a agradecer pela confiança, visita e participação. Se chegamos aonde chegamos, não tenho dúvida que isso devo a vocês. Um muito obrigado.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Informação para ampliação da vida

Nunca estivemos tão perto e tão distante uns dos outros. Já li e ouvir isso em algum lugar. Assim como também já li e ouvir sobre a existência de uma nova sociedade, interligada ou ligada em rede. Nos dizem e explicam que estamos vivendo um revolução comunicacional e que, portanto, está emergindo uma sociedade da comunicação, da informação. O planeta terra, repaginado, se transformou em um "planeta mídia".

Embora discorde dos fundamentos teóricos explicativos desta tal sociedade da comunicação, informação e outros adjetivos que explicam pouco sobre a base estrutural da qual se produz e reproduz as formas sóciometabólicas das relações sociais contemporâneas, sempre e cada vez mais complexas e contraditórias, não posso deixar de considerar a existência de novos meios, artefatos, tecnologias entre outras denominações, que  nos permitem um alcance quase ilimitado entre as pessoas, fazendo com que a informação percorra em átimo de segundos, diferentes partes do globo terrestre.

Foi dessa forma que várias pessoas no mundo ficaram sabendo quase ao mesmo tempo, da contratação milionária em uma semana do Kaká e, na outra, do Cristiano Ronaldo pelo Real Madri, no ano de 2009. Tudo foi tão rápido e homogêneo, como deve ser para impactar o produto a ser vendido, que quase se confunde uma com a outra.

Aqui nos trópicos, recentemente, tivemos também uma experiência muito parecida em relação ao impacto informacional da contratação de um craque do Mila. Ou ex-craque. Logo saberemos. Seu nome? Ronaldinho Gaúcho. Foi posto à leilão. Quem dava mais? Palmeiras? Corinthians? Grêmio? Flamengo? Todos os torcedores ficavam sendo informados pelos novos mecanismos de comunicação a cada passo dado pelos dirigentes das diferentes agremiações. Não faltaram coletivas à imprensa. O Palmeiras não tem mais interesse? Explicações eram dadas. O Grêmio desistiu? Mais coletiva com toda a imprensa em cadeia nacional de rádio e tv. Não faltaram as "twitadas", os orkuts, o facebook entre outros. Todos queriam ser informados e ser informantes. Democracia total no processo comunicacional.

Infelizmente, o mesmo processo informacional que semanas antes da tragédia ocorrida no mesmo estado do Rio de Janeiro, que saudou o craque Ronaldinho Gaúcho - pois o Flamengo se saiu bem no leilão - não foi acionado para salvar as vítimas da hecatombe na região serrana do Rio. Estamos a contar os mortos que podem chegar a 1.000.

O sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho(LF), publicou no site Carta Maior no dia 13 do corrente mês um artigo intitulado "Tempo como serviço, não como espetáculo", onde questiona o papel das redes de televisão que não tiveram a sensatez de comunicar ao povo das cidades serranas e outras, afetadas pela chuva, como em Minas Gerais, por exemplo, a ocorrência de grande quantidade de chuva. Diz ele em um trecho do artigo:  "Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir". (LF)

Essas redes de televisão, afeitas ao espetáculo para alavancar audiência, poderiam fazer com um alcance gigantesco, o que foi feito em uma cidade, que não me recordo do nome agora, onde soubemos que foi afetada pela chuva mas sem vítimas, simplesmente por ter se utilizado de um serviço de alto falante acoplado em um carro.

Mais de vinte mil pessoas foram à sede do Flamengo, na Gávea, recepcionar Ronaldinho Gaúcho. Um número equivalente aos processos informacionais que mobilizaram as emoções dos torcedores de diferentes classes sociais. Uma ação de mídia, que não precisaria ser tão equivalente assim, poderia não salvar todos, mas com certeza a tragédia ocorrida na região serrana seria muito menor.

"Furacões violentos que varrem o Caribe todos os anos causam grandes estragos materiais em Cuba, mas pouquíssimas vítimas. Simplesmente porque as autoridades estabelecem planos precisos para a retirada da população das áreas criticas e a orientam através do rádio e da TV, com razoável antecedência, sobre as medidas que devem ser tomadas." (LF)

A ocorrência de chuvas, enchentes no sudeste, no centro-oeste é problema datado, assim como secas e estiagens no nordeste do país. É de conhecimento notório do poder público que deve se organizar para estabelecer um planejamento que evite essas catástrofes que vitimam centenas de milhares de pessoas todos os anos.

Quem sabe o poder público não aprenda com os marketeiros esportivos que sabem muito bem impactar, mobilizar as emoções do povo para os seus objetivos comerciais e consiga fazer que as informações não sirvam única e exclusivamente para a espetacularização da vida, mas, em respeito a ela, sirvam, sobretudo, para a sua manutenção e ampliação.

domingo, 25 de julho de 2010

Mídia, ideologia e esporte

Estive em Fortaleza no último dia 21 de julho, quarta-feira, participando de uma mesa cuja a proposta era discuti as política de mega-eventos dos governos federais e estaduais junto aos alunos e professores de educação física que participavam do seu XXXI Encontro Nacional. A mesa foi em um ginásio de esportes do curso de educação física da Universidade Federal do Ceará, Campus do PICI. Presentes em torno de 600 participantes, num total de quase mil.

A parte que me cabia, sugerida pela ementa que me foi enviada pela Comissão Organizadora, dizia respeito a "fazer uma crítica aos meios de comunicação e sua influência na opinião pública, perpassando pela discussão de ideologia, controle social, poder e comunicação no que se refere à Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas no Brasil. Trazer elementos para a discussão sobre a manipulação das informações e como a mídia burguesa contribui para formar opinião e transmitir valores".

Iniciei conceituando mídia e situando a mesma, me valendo do Venício Lima, como um partido político, já que a mesma: a)constrói a agenda pública; b) gera e transmiti informações políticas; c) fiscaliza as ações de governo; d) exerce a crítica das políticas públicas e e) canaliza as demandas da população. (LIMA, 2006, p. 56).

Esses elementos são preocupantes, já que alguns indicadores apontam que somente um de cada brasileiro entre 15 e 64 anos conseguem entender as informa~ções de textos mais longos e relacioná-los com outros dados e 30% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais ou "alfabetizados rudimentares" que não conseguem, por exemplo, entender as orientações escritas por um médico.

Por que preocupante? Porque simplesmente 58% dos brasileiros declaram ter na televisão sua principal fonte de informação política (Vox Populi, 2006). Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008, indica que 95,1% dos domicílios brasileiros possuem aparelho de televisão. Portanto, podemos dizer que os brazukas tem na televisão o seu principal veículo de informação e se consideramos que a mídia, principalmente a televisão tem uma relação de pertencimento com o esporte, onde um não vive sem o outro, e considerando que o mesmo agrega valor substantivo aos produtos "colados" ao mesmo, podemos raciocinar na direção de que é muito pouco provável de que a mídia terá uma avaliação isenta sobre os chamados mega-eventos, colocando para a população de uma forma geral os pontos positivos e amenizando os negativos dos eventos Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

Aqui entra a questão da ideologia. Se utilizando de uma das manobras do discurso ideológico, a generalização de casos particulares, as diferentes mídias e fundamentalmente a televisa, procura apresentar casos particulares de experiências exitosas, como as Olimpíadas realizadas na Espanha, para justificar a importância dos eventos e promover o consenso no conjunto da população.

Esquecem ou se omitem, ou se utilizam de uma outra estratégia ideológica (o discurso lacunar), de apresentarem estudos já realizados e que apontam interesses corporativos pelos mega-eventos, situando o mesmo como um movimento mais do que necessário, em função das crises estruturais do sistema, de reprodução do capital e de que os dados apontam que os benefícios estruturais colados aos eventos para justificar mais uma vez os mesmos poderiam muito bem serem materializados independentes da Copa e das Olimpíadas e com um custo muito menor. Custo esse que, embora orçado atualmente em 24,6 bilhões de dólares (só a Copa, ok?) tem uma projeção orçada em 100 bilhões até o final do evento.

O esporte, principalmente o futebol, entra nesta dinâmica como um elemento mediador, entre tantos outros, que potencializam os processos ideológicos da classe burguesa, catalizando desejos e valores na direção dos seus interesses de classe, operando inversões da realidade, desenvolvendo processos de fetichizações através do reinado das coisas e promovendo a alienação.

Tipos ideais de modalidades esportivas são apresentados, sem nenhuma consistência no real. O próprio discurso esportivizante da escola pública como base para formar atleta esquece de mencionar o sucateamente da mesma e a carência, só no Estado da Bahia, de mais de 80.000 (oitenta mil) professores na rede, enquanto o governo federal retira 28 bilhões do orçamento para a educação. O discurso que promove o volutarismo através do esporte esquece de mencionar o necessário papel do Estado no desenvolvimento de políticas para o público, colocando, no cidadão comum, a responsabilidade em sanar as lacunas do sistema.

Outra questão que podemos mencionar é a apresentação, no discurso ideológico via televisão, do esporte como receita e remédio para todos os males da sociedade. A droga tá correndo solta na comunidade? Esporte. As crianças estão violentas? Esporte para canalizar essas energias raivosas. Além do mesmo poder, de lambuja, promover a ascensão social, afinal de contas, quantos marginalizados socialmente não modificaram o seu status quo pelo esporte?

Como estratégia de resistência a esse discurso ideológico promovido pela mídia, precisamos saber dialogar com a população, disseminando informações poucos conhecidas. De nada adiantará um discurso raivoso, negativista, não dialético em relação aos mega-eventos. Aproveitar do que dizem que precisam fazer como melhoria estrutural necessária para sediar o evento e pressionar para que se cumpra de forma transparente é uma possibilidade. A questão da MOBILIDADE URBANA, DE HABITAÇÃO, MELHORIA DOS TRANSPORTES PÚBLICOS, entre outros, interessam à todos nós e podem ser elementos importantes para mobilizarmos a população para além dos megaeventos esportivos.