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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vai ter Copa mas...quem fica com o lucro?

Estamos assistindo nos últimos meses, o recrudescimento dos movimentos #NãoVaiTerCopa e #DaCopaEuAbroMao, ambos questionando, de maneira distinta, os valores bilionários que foram investidos para a realização da Copa do Mundo de Futebol.

Retirado do site Dom André On Line
Os questionamentos, no nosso entendimento, seguem por duas vias. Uma, pretende impedir a realização do evento no Brasil. A outra, procura problematizar os gastos com o mesmo, observando que setores como saúde, educação, transporte, habitação, segurança entre outros, estão a exigir maiores e melhores investimentos.

Não lembro de movimentos similares em extensão e repercussão quando da candidatura e escolha do país para sediar o evento. Ao contrário. Houve celebração. Lembro-me dos meios de comunicação transmitindo a festa do povo brasileiro nos diferentes cantos do país.

Atenção. Existiram críticas. Muitas fundamentadas em solo fértil, com exemplos abundantes do que significava sediar um evento de tamanha magnitude. Serviam - e ainda servem - de fundamentos os próprios preparativos da Copa do Mundo que se realizaria na África do Sul e o Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro em 2007.

Mas, sublinho, não tiveram eco. As caixas de ressonâncias globais tal como estamos observando desde junho do ano passado, estavam silenciadas. O que nos faz pensar sobre a natureza e a intencionalidade destes movimentos.

Retirado do Instituto Humanista Unisinos (IHU)
Um, necessário, levanta bandeiras fundamentais para a existência humana. Coloca no centro a contradição do sistema capital, interessado na sua produção e reprodução e colocado em movimento, é importante frisar, desde quando o Brasil pleiteou sediar a Copa.

O outro, que não porta nenhuma bandeira, apenas spray de pimenta, coquetel molotovdifundindo a necessidade "pura" e "simples", sem mediações, de que não vai ter Copa, que impedem até setores organizados de levantarem suas bandeiras específicas, apresenta-se para confundir, desviar, obscurecer e esvaziar a luta.

No meu entendimento, vai ter Copa. E podemos ter mais do que isso e não me refiro ao Hexa. Podemos aproveitar o momento histórico para ampliar a consciência de classe. Nesse sentido, os gritos de #NaoVaiTerCopa e/ou DaCopaEuAbroMao, somados aos #VaiTerCopa e #CopaDasCopas, esses dois últimos oriundos dos simpatizantes do governo federal, não ajudam muito.

Estudos da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, demonstram que a Copa do Mundo trará lucros e divisas importantes para o país. Nesse sentido, interessa saber é #QuemFicaComOlucro.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Metodologia do Ensino das Lutas: uma proposição crítico-superadora

Licenciado em Educação Física pela Universidade Estadual de Feira de Santana em 2006, onde também leciona, o professor Elson Moura Dias Júnior (foto) é especialista em Metodologia do Ensino pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBa).

O referido professor é um estudioso da educação/educação física, principalmente do conteúdo Lutas e suas possibilidades didáticas no processo de ensino e aprendizagem, defendendo a abordagem crítico-superadora, a pedagogia histórico-crítica e a psicologia sócio-histórica como fundamentos essenciais para a organização do trabalho pedagógico no interior da escola.

Já tendo ministrado palestras, seminários e cursos em diversos evento locais e nacionais, o professor Elson socializa para os leitores deste blog um texto síntese de mais uma das suas atividades, desta feita, no Centro de Educação Física e Esportes da Universidade Federal da Bahia.

Vamos ao texto que está transcrito logo abaixo. Aproveito para mais uma vez agradecer ao professor a gentileza e o esforço de síntese que precisou empreender, já que no original o material tinha 24 páginas.

Este é um texto síntese de uma produção maior que teve o objetivo de instrumentalizar a intervenção na atividade “UFBA na Copa”, tendo como tema “Das lutas populares às lutas nas Olimpíadas” (Atividade organizada pela LEPEL-UFBA, 21 de janeiro de 2014, no CEFE da UFBA). Intervenção que também cumpriu o papel de se inserir nos projetos “Reformulação curricular. Eixo Práxis. Conteúdo específico Lutas.” e “Pratica do Ensino IV.”

Para tal, optamos politicamente e teoricamente por sistematizar o trato pedagógico com as lutas, a partir das premissas da abordagem critico-superadora (COLETIVO DE AUTORES, 1992).

Dividimos a intervenção em quatro momentos (interligados): 1- Gênese das lutas; 2- Histórico: as lutas nos diferentes modos de produção; 3- As atividades principais da aprendizagem e o ensino das lutas; 4- A organização do conhecimento lutas nos ciclos ou graus, ou séries de ensino.

Sobre a gênese, divergimos de algumas produções – e do senso comum - que afirma que a luta sempre existiu. Nossos estudos apontam que a luta sistematizada - embrião das lutas atuais - tem origem no momento em que a sociedade é cindida em classes e aquilo que antes era uma ação dos seres humanos em direção à natureza, passa a ser dirigida a outros seres humanos, ou seja, proprietário contra não proprietários dos meios de produção. 

Sobre a relação entre o modo de produção e as lutas, pegamos como exemplo singular uma época importante do Japão: a era feudal/xogunato (1100 - 1868) e a transição para a era capitalista/meiji. As características da era feudal/xogunato foram determinantes para a criação e desenvolvimento das artes de guerra (o budo), tendo como destaque os Samurais. Também, a transição para a era capitalista/meiji influenciou na transformação de algumas lutas. O exemplo do Judô nos é bastante representativo. O seu criador (Jigoro Kano), além de lutador, um cientista político, observou as mudanças de ordem econômica, reproduzindo-as na nova luta.

Imagem retirada do redes.moderna.com.br
A “transposição” para a organização pedagógica nos coloca a responsabilidade de um posicionamento em relação à contradição novo/velho nas lutas e a sistematização das atividades. Seria impertinente defender que os homens e mulheres atuais devam percorrer todo o caminho de produções para chegar a uma síntese atual. Embora isto não seja totalmente descartado – para questões especiais- defendemos o ensino/aprendizado dos “traços essenciais” das produções humanas como forma de apropriação da produção histórica do conjunto da humanidade.

Como a quantidade de modalidades pode se tornar quase que infinita, podemos agrupá-las a partir da distância entre os oponentes. Nisso temos lutas de longa, média e curta distância. No primeiro caso, temos a distância impondo a necessidade de um prolongamento do corpo, de armas. No segundo caso, as lutas em que a distância, de um lado, não exige armas, de outro, não permite inicialmente o agarramento (karate, capoeira, tae kwon do, boxe, kung fu, etc.). Por fim, nas lutas de curta distância, os oponentes estão em contato pleno (judô, jiu jitsu, sumo, Greco romana, aikido, etc.). Tais traços se desdobram em técnicas particulares de cada grupo.

Por fim, na sistematização a partir dos ciclos propostos pelo Coletivo de Autores, apontamos: no primeiro ciclo, “organização da identidade dos dados da realidade”, cabe ao professor, ao passo que identifica o entendimento – sincrético - dos alunos sobre o que é luta, organizar atividades que permitam uma primeira aproximação ao conteúdo. É o ciclo onde os traços essenciais são propostos a partir dos “jogos de combate”. Aqui ele começa a entender a oposição como elemento que vai acompanhar sua relação com as lutas.

No segundo e terceiro ciclo, “iniciação à sistematização do conhecimento” e “ampliação da sistematização do conhecimento”, ainda que possamos manter os “jogos de combate” em um patamar superior, esta é a fase de ampliar o conhecimento. Aqui é o momento de tratar das lutas a partir dos três grupos que apresentamos: longa, média e curta distância.

Por fim, no quarto ciclo, que se caracteriza pelo aprofundamento da sistematização do conhecimento, "(...) o aluno adquire uma relação especial com o objeto que lhe permite refletir sobre ele". Aqui, mesmo que mantenhamos as atividades advindas do primeiro ciclo, garantindo as diferenças de desenvolvimento, realizamos um duplo movimento: aprofundamos o entendimento das lutas no sentido restrito, bem como garantimos a discussão de temas transversos.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O que comemoramos no natal?

Imagem retirada do site Os Invicioneiros
O nascimento de uma criança, pobre, em um lugar ocupado por forças imperiais. Sua mãe engravidou antes do casamento, que ainda assim se realizou com um homem que a quis e também ao seu filho. Então, de uma mulher mãe solteira, nasceu um filho “bastardo”, adotado por um padrasto carpinteiro. Quando adulto este homem zelou radicalmente pelos ensinamentos mais fundamentais da fé de seu povo e nestas condições, por pregar a igualdade absoluta entre os seres humanos, tornou-se um preso político. Foi capturado pelas forças da repressão, torturado, abandonado e condenado sumariamente, morreu da forma mais sofrida que se podia impor a alguém de seu tempo. Lutou para manter-se fiel ao que acreditou e pelo que viveu e lutou.

Em muitas culturas antigas há o culto a uma criança sagrada, são chamados avatares e estão presentes desde o Japão até as tribos indígenas na jovem América. É um arquétipo que representa a necessidade de evolução espiritual. “A criança divina diz respeito ao eixo central que, tendo uma origem narcísica, permite a coesão do self. Trata-se de uma representação do “sopro divino”, de uma integração com a natureza, de um saber direto, intuitivo". (Carl Jung).

A Criança Sagrada é aquela que não perdeu a consciência da sua origem, o fundamento do ser. É ela quem melhor expressa as qualidades relacionadas aos nossos valores espirituais: a essência divina da humanidade. 

É emblemático que a despeito do dogma de um Jesus acima da humanidade, nascido de uma mulher “virgem” e que cristalizou a imagem de uma família “sagrada” composta de pai, mãe, filho, haja um Jesus que persiste em se apresentar tão próximo e tão humano, tão nós.

Imagem retirada do site G1
Por outro lado, boa parte dos símbolos natalinos estão ligados aos cultos agrários pagãos, em especial aos festejos de Yule ou Alban Arthan, luz do inverno (no hemisfério norte). A criança sagrada aqui nasce como o sol, para trazer a mensagem da vida e da esperança. O verde representa o renascimento da natureza após o rigoroso inverno, o dourado os raios do sol em dias cada vez mais longos e aquecidos e o vermelho, bem, o vermelho é o sangue da deusa que é capaz de engendrar e sustentar a vida. Muito humana.

A criança sagrada por trás da tradição cristã nos espera todos os dias nas favelas do Brasil, da Bolívia, dos EUA, da Índia, nas terras ocupadas do Iraque, da Síria, da Palestina. Seus pais labutam diariamente para cria-las e, muitas vezes, não podem mais enxergar o presente, o milagre da vida em seu nascimento. Quando adulta, esta criança é Amarildo, é um Guarani Kaiowá, uma mulher indiana em um ônibus, está em Guatânamo, em uma prisão na Sibéria, ou em qualquer outro lugar onde as garras da opressão os tenham alcançado.
Imagem retirada do blog Hiperssessao
Sua mensagem, contudo, permanece: o amor radical e a igualdade absoluta na construção/recuperação deste self reconciliado que é negado a todos pelo sistema desumanizador que, em primeiro lugar desumanizou quem oprime e que se reproduz por estender a desumanização sobre todos nós.

Este amor radical e esta igualdade absoluta a criança sagrada, tão humana, tão próxima, expressou de forma tão intensa que continuamos a honrá-la, ainda que, por vezes, esqueçamos o fundamento destas festas milenares.

A criança sagrada renasce em cada um e sempre quando lutamos radicalmente contra a opressão. Este Deus menino eu posso honrar. O exemplo que deixou de profundo amor, solidariedade e igualdade é uma memória e também um porvir pelos quais vale a pena viver e vale a pena morrer.

Que nossos corações possam se abastecer destes ritos e que, em contato com as pessoas que amamos possamos retornar às nossas tarefas e lutas cotidianas para realizar este porvir. E se assim for, será Natal para sempre.

Um grande, fraterno e solidário abraço a todos vocês.

(Lorene e Família - Retirado da lista do Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo EBEM).

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

UFC

A impressão que tenho é que todas as lutas do UFC anunciadas na Rede Globo são sempre as mais esperadas do ano.

Exatamente, todas!!!

Por que será?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Mídia Seletiva

Os portais de notícias dos conglomerados midiáticos mudaram totalmente o tom na cobertura do Dia Nacional de Lutas com Mobilizações e Greves, convocado pelas centrais sindicais. Até o meio dia desta quinta-feira (11), eles voltaram à velha ladainha da criminalização das lutas sociais. O Globo (G1), Folha (UOL) e Estadão destacaram apenas os “bloqueios de estradas”, o “congestionamento do transito”, o “fechamento de lojas” e o “tumulto” em centenas de cidades do país. Bem diferente da cobertura dos protestos de junho, que foram exibidos como “protestos cívicos” e “apartidários”.

A mídia patronal nunca tolerou as mobilizações sindicais – até porque ela explora brutalmente os trabalhadores nas suas redações. Como ensinou Cláudio Abramo, a única liberdade de imprensa existente nas redações é a do dono da empresa jornalística. Neste sentido, não dava para esperar outra reação dos jornalões e emissoras de rádio e tevê neste 11 de julho. A mídia hegemônica tenta jogar na divisão das centrais e abafar a pauta dos trabalhadores – que inclui redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, retirada do projeto de lei que amplia a terceirização, entre outras bandeiras.

Nos protestos de junho, que mobilizaram milhares de jovens pela redução das tarifas do transporte, a mídia patronal teve uma dupla moral. Num primeiro momento, ela exigiu dura repressão contra os manifestantes. Editoriais raivosos da Folha e Estadão e comentários hidrófobos do “calunista” global Arnaldo Jabor serviram de ordem para o governador tucano Geraldo Alckmin, que acionou a tropa de choque da PM e abusou da violência em São Paulo. Na sequência, como os protestos se ampliaram, inclusive como forma de solidariedade, ela mudou de postura e tentou pegar carona nas manifestações, impondo a sua pauta conservadora.

A frase patética de Arnaldo Jabor na CBN, “eu errei”, expressou esta mudança oportunista de comportamento. A TV Globo chegou a derrubar a sua grade de programação, retirando do ar até a novela, para divulgar os protestos. Fausto Silva usou o seu “Domingão” para convocar manifestações; Ana Maria Braga exibiu “modelitos” para os que pretendiam ir às ruas. Jovens bonitos, bem vestidos e pintados com as cores do Brasil foram exibidos em doses cavalares na telinha da Globo, numa manipulação escancarada com o objetivo de enquadrar politicamente os protestos.

Agora, quando os trabalhadores entram em cena, com as suas reivindicações e bandeiras, a mídia hegemônica volta ao velho expediente e tenta desqualificar as paralisações e as passeatas. Ela sabe que não pode manipular facilmente os protestos organizados unitariamente pelas centrais sindicais. Os barões da mídia tem espírito de classe e não vacilam na defesa dos seus interesses. Pena que o governo Dilma ainda não tenha percebido que a mídia se transformou no mais importante partido da direita do Brasil...


Retirado do blog do Miro

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sobre luta

Para os interessados na discussão sobre "Lutas", a Revista Superinteressante está com uma edição especial nas bancas. Ela foca principalmente a trajetória do Anderson Silva (ele é capa), mas existem muitas questões que possibilitam o debate sobre esta dimensão da Cultura Corporal.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Festival de Ginástica Alegria na Escola

Professor Welington com a ex-ginasta Luisa Parente
No primeiro dia do mês de dezembro realizou-se no Centro Educacional Edgard Santos o Festival de Ginástica Alegria na Escola que passará a se chamar, a partir de 2013, Festival da Cultura Corporal Michele Ortega Escobar.

O festival foi parte do II Seminário Interativo de Cultura Corporal onde além de apresentações de trabalhos e seminários temáticos sobre Jogo, Esporte, Dança, Ginástica e Lutas, tivemos a comemoração dos 20 anos do Coletivo de Autores, importante livro sobre Metodologia do Ensino da Educação Física que, já em 1992, antecipava muitas discussões que hoje são candentes no âmbito do debate pedagógico como, por exemplo, o processo de organização didática do ensino por ciclos de escolarização. Na mesa de abertura do evento tivemos, com exceção do professor Lino Castellani Filho e da professora Carmen Lúcia Soares, a presença de todos que contribuíram com a elaboração do referido livro.

Tivemos também a presença da ex-ginasta Luisa Parente (foto), que participou ativamente das atividades do Festival, integrando-se aos educandos e educandas das diferentes escolas públicas da Cidade do Salvador e das Universidades públicas brasileiras. Além da UFBa, tivemos a participação da UFPE, UFPB, UFRB (Amargosa), entre outras.

O evento contou com uma mesa final de avaliação do mesmo, com a presença do professor Máuri de Carvalho, a professora Acácia Damiane e Celi Taffarel na mediação. Nessa mesa, importantes assuntos foram tratados e diretrizes para a rede lepel foram definidas para o ano de 2013.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cultura Corporal

Do que vale a dança, o jogo, a capoeira, o esporte, a ginástica, o "malabaris" e outras expressões da cultura corporal, se na sua dinâmica pedagógica não estiver, presente, a luta contra o capital?

domingo, 3 de junho de 2012

Popó, vence!!!

Neste sábado, em sua despedida dos ringues, Acelino Freitas, o Popó, venceu o até então invicto compatriota Michael Oliveira por nocaute no nono round. Foi a 39ª vitória do veterano na carreira, que perdeu apenas duas vezes em sua trajetória.
Afastado das lutas desde 2007, quando havia perdido para o americano Juan Diaz, Popó aceitou o desafio de Michael após pedido de seu filho, que disse que gostaria de vê-lo lutar. No novo adeus, o pugilista conseguiu um triunfo ao seu estilo, com nocaute.
“Estava afastado dos ringues, mas não dos treinamentos. Estava fazendo sparing, correndo. O campeão fez sua despedida com chave de ouro”, disse o pugilista, após sua vitória, em entrevista aoSporTV.
A luta
Bem ao seu estilo, Popó tomou a iniciativa do combate, tentando desferir golpes fortes logo no início do primeiro assalto. O veterano levantou a torcida, que passou a incentivá-lo.
O segundo round começou da mesma maneira, com Popó no centro do ringue. No entanto, o golpe mais forte da parcial foi uma esquerda de Michael quando restavam pouco menos de dois minutos para o fim.
A primeira abertura de contagem aconteceu no terceiro assalto. Nos segundos finais, Popó acertou uma bela sequência e levou Michael para as cordas. O jovem pugilista, no entanto, foi salvo pelo gongo.
Sentindo o bom momento, Popó começou o quarto round de maneira agressiva, partindo para cima do adversário. Michael conseguiu resistir às investidas e equilibrou as ações. Por acidente, o jovem chegou a acertar um golpe baixo no rival nos segundos finais.
A partir do quinto assalto, Michael conseguiu incomodar Popó mais vezes, assumindo o centro do ringue. No sexto, o jovem pugilista conseguiu acertar uma boa sequência de golpes no veterano, que respondeu na sequência.
Os rounds de número sete e oito tiveram panoramas semelhantes: equilíbrio até os segundos finais, quando Popó adotou uma postura agressiva e foi melhor.
Mostrando bom preparo físico, o veterano começou com sequências fortes no nono assalto, chegando, inclusive, a nocautear Michael. O veterano já havia derrubado o compatriota instantes antes de garantir seu triunfo.
Matéria retirada do UOL Esporte

domingo, 11 de dezembro de 2011

MMA: para pensar e abrir o diálogo

Escrito pelo professor Elson Moura (Univ. Estadual de Feira de Santana)

Assim como todo lutador que tem acesso aos canais de luta, me preparei ontem para assistir o UFC 140, com a participação de 3 Brasileiros. Aliás; eu e uma centena de pessoas que hoje se organizam em bares outrora reservados para os jogos de futebol (preferi assistir em casa).

É difícil para um faixa preta de Karate ficar indiferente a estes eventos. É, também, difícil para um estudioso da Cultura Corporal, neste momento, estudando sua mercadorização, ficar indiferente ao que ontem aconteceu. Aproveito para abrir um diálogo fraterno com os que de um lado criticam, de outro – às vezes de forma romantizada- idolatram.

A forma como os dois Brasileiros (Rodrigo Minotauro e Lyoto Machia) terminaram suas lutas, merece, no mínimo, uma observação. O primeiro teve simplesmente uma fratura transversa no úmero por não ter desistido (os famosos 3 tapinhas) depois de um golpe encaixado (Kimura, se não me engano). O segundo apagou frente nossos olhos por, também, não ter desistido após um estrangulamento encaixado (Confiram a “assustadora” foto clicando aqui.

Já vi e tive algumas contusões: cortes e torções. Isso não quer dizer que veja isso como algo natural. Aliás, a época até era; dizia: “é o karate entrando”. Hoje, penso diferente. Não penso ser possível minimizar os impactos destas situações pelo simples fato de serem atletas preparados, saberem o que estão fazendo e terem aparato médico para socorrer; o que de fato, ontem, aconteceu.

Buscarei referência no próprio esporte. Aliás, quando a luta “abre o precedente” para ser esportivizada – que encontra no MMA sua máxima expressão- abre precedente, também, para tudo que este carrega.
O que para mim é notório – e teve ontem sua expressão- é o processo de alienação; neste caso, traduzindo como estranhamento.

O esporte que deveria me servir, onde deveria me reconhecer enquanto produtor e consumidor (consumo no ato de produção) passa a se estranhar de mim; passo a praticá-lo para atender a outros fins que não os diretamente ligados à minha satisfação. Passo a ter que valorizar uma marca, um clube, uma seleção, uma Confederação... uma mercadoria, às vezes minha própria força de trabalho enquanto mercadoria.

Isso trás consequências! Ou alguém acha normal um jogador se aposentar com 35 anos? Ter sua carreira interrompida por uma contusão? Jogar sem as melhores condições: o famoso “foi para o sacrifício”? Jogar com “infiltração”? Ver a menina Jadi, que nem a puberdade alcançou direito, já correr risco de aposentadoria? Estas até podem ser questões corriqueiras no esporte; jamais devem ser tidas como naturais!

Pois sim, este estranhamento invadiu a luta esportivizada: o MMA. O que existe por trás de um lutador que, convencido que o golpe está “encaixado” (gíria que significa que o golpe está eficiente), ainda assim não desiste?

Risco: os românticos dirão que são os princípios do guerreiro, melhor, do Samurai. Olá! O Bushidô, código, não escrito, de honra (Gi -justiça, Yu -coragem, Hei -cortesia, Jin - compaixão, Makoto - sinceridade, Meiyô -honra, Chugi - lealdade) esteve à serviço da luta de classes no Japão feudal (período conhecido como Shogunato).

O que estava, HEGEMONICAMENTE, em jogo ontem quando Minotauro e Machida não desistiram da luta? Qual império estava em jogo? Qual família? Qual clã? Os Samurais de outrora tinham um objetivo. Qual o objetivo dos de hoje?

Longe de anular – e os românticos gritarão!- os elementos constitutivos da ditas artes marciais, estas não estão à parte da universalização das relações mercantis. Ali, hegemonicamente, o que estava em jogo é o processo de valorização da mercadoria força de trabalho do lutador. Ao valorizar esta, valoriza uma centena de outras mercadorias incorporadas. Ou valoriza ou é demitido. “Valorizar”, entenda: ser agressivo e resistir até o fim!

Isto, também, trás características nas lutas esportivizadas e para os lutadores/atletas. Não naturalizemos o fato de ter um atleta estatelado, ainda assustado com o “estalo” no braço, enquanto outros comemoravam, davam entrevistas, assistiam o replay, ouviam os gritos de dor da torcida a cada vez que repetia a cena no telão... Acreditem, ao “ver” o estalo do braço, doeu aqui.

Longe de querer concluir sobre o assunto – como, aliás, alguns fazem- coloco mais este elemento, a alienação, para o debate.
Sigamos... OSS!!!

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional das Mulheres: um factóide?

Pensei em escrever um texto em homenagem às mulheres esportistas. Seus empenhos e suas lutas neste dia em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres. Mas preferi reproduzir um texto por demais esclarecedor sobre essa data. Seria ela um factóide, uma manobra para escamotear uma luta mais ampla das mulheres ao se resumir esta a uma greve em uma indústria têxtil, nos Estados Unidos? Vejamos.

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A referência histórica principal das origens do Dia Internacional das Mulheres é a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada em 1910, em Copenhague, na Dinamarca, quando Clara Zetkin e outras militantes apresentaram uma resolução com a proposta de instituir oficialmente um dia internacional das mulheres.

Nessa resolução, não se faz nenhuma alusão ao dia 8 de março. Clara Zetkin apenas menciona, nas discussões, seguir o exemplo das socialistas norte-americanas. É certo que a partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional, expandindo-se pela Europa, a partir da organização e iniciativa das mulheres socialistas. Essa resolução e outras fontes históricas intrigaram a pesquisadora Renée Côté, que publicou em 1984, no Canadá, sua instigante pesquisa em busca do elo ou dos elos perdidos da história do Dia Internacional das Mulheres. Outras pesquisadoras também se dedicaram a desvendar essa história.

Renée Côté, em sua trajetória de pesquisa, se deparou com a história das feministas socialistas dos Estados Unidos que tentavam resgatar do turbilhão da história de lutas dos trabalhadores no final do século XIX e início do século XX, a intensa participação das mulheres trabalhadoras, mostrar suas manifestações, suas greves, sua capacidade de organização autônoma de lutas, destacando-se a batalha pelo direito ao voto para as mulheres, pelo sufrágio universal. A partir daí, esta pesquisadora levanta hipóteses sobre o porquê de tal registro histórico ter sido
negligenciado ou se perdido no tempo.

O que nos fica claro, a partir da pesquisa das fontes históricas, é que a referência a uma greve de trabalhadoras americanas, ou a manifestações de mulheres, ou a um incêndio com a morte de um grande número de mulheres como sendo a motivação para a criação de um dia da mulher não aparecem registradas nas diversas fontes pesquisadas no período. As fontes pesquisadas são os jornais da época, a imprensa socialista, documentos do movimento de mulheres daquele período.

Tampouco a referência a uma data específica, como o dia 8 de março, não consta dos registros das primeiras comemorações.

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É fato que houve greves e repressões de trabalhadores e trabalhadoras no período que vai do final do século XIX até a primeira década do século, 1910, mas nenhum desses eventos até então dizem respeito à origem do dia de luta das mulheres. Tais buscas revelam, para Renée Côté, que não houve uma greve heróica, seja em 1857 ou em 1908, especificamente vinculada à proposta de um dia de luta das mulheres, mas um feminismo heróico que lutava por se firmar entre as trabalhadoras americanas. As mulheres socialistas norte-americanas, organizadas, começaram a celebrar um dia
de luta das mulheres, a partir de 1908.

Várias fontes históricas encontradas revelam o seguinte: Em 3 maio de 1908 em Chicago, nos Estados Unidos, se comemorou o primeiro "Woman's day” (Dia da Mulher), presidido por Corinne S. Brown, documentado pelo jornal mensal The Socialist Woman, no Garrick Theather, com a participação de 1500 mulheres que "aplaudiram as reivindicações por igualdade econômica e política das mulheres; no dia consagrado à causa das trabalhadoras". Enfim, foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres, mas defendendo, com destaque, o voto feminino. Defendeu-se a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres, o direito de voto para as mulheres, dentro e fora do partido.

Já em 1909, o “Woman's Day” foi atividade oficial do partido socialista americano e organizado pelo comitê nacional de mulheres, comemorado em 28 de fevereiro de 1909. O material de publicidade da época convocava o "Woman suffrage meeting", ou seja, um encontro em defesa do voto das mulheres, em Nova York.

Renée Coté apura que as socialistas americanas sugerem um dia de comemorações no último domingo de fevereiro. Assim, o “Woman's day”, no início, registra várias datas e foi ganhando a adesão das mulheres trabalhadoras, inclusive grevistas e teve participação crescente. Em 1910, os jornais noticiaram a comemoração do “Woman's day” em Nova York, em 27 de
fevereiro de 1910, no Carnegie Hall, com 3000 mulheres, onde se reuniram as principais associações em favor do sufrágio.

O encontro foi convocado pelas militantes socialistas mas contou também com participação de mulheres não socialistas. Também participaram dessa comemoração várias operárias do setor têxtil que há poucos dias haviam terminado uma longa greve, que durou de novembro de 1909 a fevereiro de 1910, terminando 12 dias antes do Woman's Day. Essa foi a primeira greve de mulheres de grande amplitude nos Estados Unidos, denunciando as condições de vida e trabalho, e demonstrou a coragem das mulheres costureiras, recebendo apoio massivo do movimento sindical e do movimento socialista. Muitas dessas operárias participaram do Woman's Day e engrossaram a luta pelo direito ao voto das mulheres (conquistado em 1920 em todo os EUA), mas como se pôde ver, não foi a greve que motivou a criação do woman’s day, como aparece equivocadamente algumas vezes.

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Em agosto do mesmo ano, durante a Segunda Conferência de Mulheres Socialistas, Clara Zetkin, dirigente socialista alemã, e outras militantes, propõem que o “woman's day” ou “women's day” se torne "uma
jornada especial, uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das
companheiras americanas", sem a indicação de uma data específica. Aprova-se, assim, um Dia Internacional das Mulheres, para ser organizado em todos os países, com a reivindicação central sendo o direito de voto para as mulheres. A proposição foi divulgada no jornal alemão “A igualdade”,
de 28/08/1910.

Em 1911, o Dia Internacional das Mulheres foi comemorado pelas alemãs em 19 de março e pelas suecas, junto com o primeiro de maio etc. Enfim, foi celebrado em diferentes datas. Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo sufrágio Feminino. As operárias e militantes socialistas russas participaram do Dia Internacional das Mulheres em Petrogrado e foram reprimidas. Em 1914, as principais organizadoras da Jornada ou do Dia Internacional das Mulheres na Rússia estavam presas, o que tornou impossível uma comemoração com manifestação pública.

Já na Alemanha, em 1914, o Dia Internacional das Mulheres foi dedicado ao direito ao voto para as mulheres e foi comemorado no dia 8 de março, ao que consta porque esta foi uma data mais prática naquele ano. As socialistas européias coordenavam as comemorações do Dia Internacional
das Mulheres, em torno do direito ao voto, vinculando-o à emancipação política das mulheres, mas a data específica era decidida em cada país.
Em tempos de guerra, as comemorações do Dia Internacional das Mulheres foram mais frágeis e esparsas em toda a Europa e o tema da luta contra a guerra ganha espaço na agenda.

Em fevereiro de 1917, na Rússia, manifestações de mulheres tomaram as ruas de Petrogrado. Eram manifestações contra a guerra, a fome, a escassez de alimentos. Ao mesmo tempo, operárias do setor têxtil entraram em greve. Era o dia 23 de fevereiro (que corresponde ao dia 8 de março no antigo calendário ortodoxo), que se comemorava o Dia Internacional das Mulheres na Rússia. Essas manifestações cresceram, envolveram outros grupos, duraram vários dias, e deram início à Revolução Russa.

A mobilização de mulheres precipitou as mobilizações que tornaram vitoriosa a revolução russa. Alexandra Kollontai, dirigente feminista da revolução socialista, escreveu sobre o fato e sobre o 8 de março. Diz ela: "O dia das trabalhadoras em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, no antigo calendário) foi uma data memorável na história (...) A revolução de fevereiro começou nesse dia". O fato também é mencionado por Trotski, dirigente da revolução, na História da Revolução Russa. Trotski conta que o dia 23 de fevereiro (8 de março), era o Dia Internacional da Mulher.


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Estavam programados atos, encontros etc. Mas não se podia imaginar “que o Dia da Mulher pudesse inaugurar a revolução”. Estavam sendo pensadas ações revolucionárias, mas sem data prevista. Mas pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixam o trabalho de várias fábricas e
enviam delegadas para solicitar o apoio à greve... “o que se transforma em greve de massas.... todas descem às ruas".

Nessas narrativas fica claro que as mulheres desencadearam as mobilizações, a greve geral, saindo corajosamente, às ruas de Petrogrado, no Dia Internacional das Mulheres, contra a fome, a guerra e o czarismo. As mobilizações, a revolução foi desencadeada por elementos de base que
superaram os temores das direções e a iniciativa coube, em especial, às operárias mais exploradas e oprimidas, as têxteis. O número de grevistas foi em torno de 90 mil, a maioria mulheres.

Renée Côté menciona, por fim, documentos de 1921 da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas onde "uma camarada búlgara propõe o 8 de março como data oficial do Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas". Assim, a partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher passou a ser celebrado oficialmente no dia 8 de março.

Essa história se perdeu nos grandes registros históricos seja do movimento socialista, seja dos historiadores do período. Faz parte do passado histórico e político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século. Recuperar, retomar e recontar a história do dia Internacional das Mulheres é, também, reafirmar a história das luta das mulheres inserida na luta pela transformação geral da sociedade. É recompor um pedaço da história do feminismo que se apresenta como um elo indispensável da luta das mulheres e da luta socialista.

Neste ano de 2010, quando se completam cem anos da instituição do Dia Internacional das Mulheres, é central retomar essa história de luta. A SOF-Sempreviva Organização Feminista e a Editora Expressão Popular publicam em português um estudo detalhado sobre a história dessa data.

O livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres, de Ana Isabel Álvarez González, conta a história desse dia, esclarecendo versões que durante anos deixaram no esquecimento a luta das mulheres socialistas.

Desencontros, mitos e fantasias. Quantas vezes não ouvimos contar que o Dia Internacional da Mulher foi criado em homenagem a operárias têxteis mortas em um incêndio em 1857, em Nova York. Ou talvez em 1908 ou 1910. Ou mesmo que a comemoração, decidida em 1910 na conferência de mulheres socialistas, escolheu o dia 8 de março para lembrar as operárias mortas em um incêndio. Como vimos acima, a

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criação do Dia Internacional das Mulheres não tem qualquer vinculação com eventos de greves ou de incêndio ocorrido nos Estados Unidos. Algumas feministas européias na década de 1970 já levantavam dúvidas sobre essas versões e foram sugerindo pesquisas que pudessem desvendar as histórias repetidas sem qualquer evidência.

Em 1911, ocorreu em Nova York um incêndio em uma fábrica têxtil onde morreram mais de uma centena de trabalhadores, em sua imensa maioria mulheres. Um evento trágico e importante para a história do movimento dos trabalhadores nos Estados Unidos. Nesta data, entretanto, as militantes socialistas já haviam aprovado a criação do Dia Internacional das Mulheres. E o incêndio tampouco ocorreu na data do dia 8 do mês de março. Ao misturar, contar e recontar histórias também se escondeu uma história política, das militantes socialistas. Recuperar os elos perdidos dos fatos e da história enriquece a luta das mulheres. O ciclo de lutas, numa era de grandes transformações sociais, até as primeiras décadas do século XX, tornaram o Dia Internacional das Mulheres o símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem a sua vida e transformarem a sociedade.

Referências bibliográficas:

CÔTÉ, Renée. La Journée Internationale des Femmes. Ou les vrais faits et les vraies dates des
mystérieuses origines du 8 de mars jusqu'ici embrouillées, truquées, oubliées: la clef des énigmes. La
vérité historique. Montreal: Les Éditions du Remue-ménage, 1984.
ÁLVAREZ GONZALEZ, Ana Isabel. As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres. São
Paulo: SOF / Expressão Popular, 2010.
(Texto originalmente publicado no site da SOF em 2001. Atualizado em 2010)