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domingo, 7 de abril de 2013

Jogo da paz?

Acabo de ser informado de que no Hospital Geral do Estado (HGE), aqui em Salvador, o setor de sutura está simplesmente lotado. Torcedores e mais torcedores, do Bahia e do Vitória - este em maior número - chegam ensanguentados, feridos em vários lugares. Há relato de que uma mulher foi morta tendo o pescoço cortado.

Segundo a informante, parece que estamos tendo uma guerra lá fora.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Os cartolas do futebol e o valor da vida humana


A Confederação Sul-Americana de Futebol, a notória Conmebol, um feudo esportivo/comercial oligárquico, estipulou em US$200 mil a vida humana: esse foi o valor da multa aplicada ao Corinthians pelos incidentes provocados por sua torcida e que mataram um adolescente boliviano, no jogo contra o San José, em Oruro, pela Copa Libertadores de América.

O dinheiro não servirá, como alguém de bom senso poderia supor, para indenizar a família do jovem pela perda irreparável. Seria uma atitude, se não suficiente para aplacar a dor de seus familiares, pelo menos indicativa de que até mesmo os cartolas têm coração.

O destino dos US$200 mil será outro: os cofres da própria Conmebol, como uma espécie de compensação pelo prejuízo que a entidade já sofreu pelo fato de o Corinthians ter disputado um jogo em São Paulo sem a presença de torcedores, cumprindo uma sanção preliminar da entidade.

Há quem diga que o único caminho possível para o futebol, aqui no Brasil e em qualquer parte do mundo, é a profissionalização.

Confesso que não sei bem o que isso quer dizer. Se for esse tipo de exemplo que dá a Conmebol, acho que o mundo está mesmo perdido.

O futebol sempre foi, desde os velhos tempos da bola de capotão, mais que um esporte. Não à toa, o Brasil ficou conhecido como o “país do futebol”, justamente por causa das paixões exacerbadas que o jogo despertava na quase totalidade dos habitantes do sexo masculino.

Por meio do futebol se construiu uma enorme indústria de entretenimento, que emprega milhares de pessoas e gira uma fortuna de dinheiro. Ao lado dessa, há outra indústria ainda maior, de produção de material esportivo, desde meias a sofisticadas camisas dos times, passando, é claro, pelas multicoloridas e também absurdamente caras chuteiras.

Nos gramados, os jogadores, muitos dos quais com visíveis limitações físicas e técnicas, tentam fazer o que se espera deles, ou seja, vencer o jogo em primeiro lugar, ou dar um espetáculo que compense os caros ingressos, pelo menos.

Os clubes que mantêm esses atletas, praticamente sem exceção, penam para pagar os salários, se dobram às imposições às vezes humilhantes da rede de televisão que compra os campeonatos, fecham contratos desproporcionais com empresas que descobriram tardiamente o “marketing esportivo”, procuram desesperadamente recursos de onde quer que seja e, meio debaixo do pano, financiam as tais “torcidas organizadas”, essas que vão a qualquer jogo para compor a plateia do espetáculo – e muitas vezes, promover incidentes lamentáveis como esse de Oruro.

Como se vê, a profissionalização, seja lá qual for, impregna o universo do futebol. É algo irreversível.

Mas se o preço dessa “evolução” for a indiferença à vida humana, como demonstrado no caso do adolescente boliviano e em tantos outros episódios recentes ou não, impregnados de uma violência sem sentido e sem freios, o único jeito para quem realmente ama o futebol será se recolher ao mundo das lembranças, do tempo, como diria o folclórico e autêntico Felipão, atual comandante do scratchnacional, em que se “amarrava cachorro com linguiça”.

Bons tempos aqueles em que os torcedores não eram organizados, em que as brigas das torcidas eram espontâneas e não pré-agendadas, em que os cartolas pagavam com o próprio dinheiro o “passe” dos craques, em que se levavam bandeiras dos times e não das “organizadas” aos estádios, em que se cantava o hino dos times e não refrões de guerra, em que o jogador não tinha nenhum pudor em chutar a bunda de um árbitro ladrão, nem de partir para a briga com o adversário, se a causa fosse justa.

Bons tempos esses em que o futebol era mais um esporte que um negócio, esse vil negócio que estipula em US$200 mil o valor da vida de um jovem morto por um foguete disparado por torcedores do clube rival.

TEXTO PUBLICADO EM 09 DE MARÇO DE 2013 PELO JORNALISTA CARLOS MOTTA. Acesse o seu blog clicando aqui.

terça-feira, 5 de março de 2013

Lúcido Saldanha

Um artigo do ex-jogador Afonsinho, escrito na revista Carta Capital número 737, página 88, nos faz lembrar de duas pérolas do grande técnico de futebol  João Saldanha. São elas:

João Saldanha observando um jogo de futebol
[Sobre patrocínios nas camisas dos clubes]: "Nesse caminho o uniforme dos jogadores vai ser igual ao dos pilotos de Fórmula 1".

Sobre os clubes se tornarem empresas: "qual torcedor que vai torcer por um balancete?".

Inspirado nessas duas sacadas que expressam a lucidez do nosso João Saldanha, transcrevo abaixo uma outra em homenagem aos meus irmãos e irmãs baianos. Dizia ele em relação a tradição dos clássicos nacionais:

"Se macumba ganhasse jogo, campeonato baiano terminava empatado".

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cultura Corporal

Do que vale a dança, o jogo, a capoeira, o esporte, a ginástica, o "malabaris" e outras expressões da cultura corporal, se na sua dinâmica pedagógica não estiver, presente, a luta contra o capital?

sábado, 5 de março de 2011

Xeque-mate

Não é todo dia que se vence um jogo de xadrez contra o computador. Este feito tem que ficar registrado para a posteridade.


Bobby Fischer, Karpov e Kasparov que se cuidem.

sábado, 3 de julho de 2010

Futebol, um jogo revolucionário

Nossa postagem desta semana é do jornalista baiano Albenísio Fonseca, Diretor Editorial do Jornal da Península. Albenísio já atuou como revisor, repórter, editor nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia, Correio da Bahia, Jornal da Bahia e Bahia Hoje, além de lançar as publicações "Revista do Carnaval", "Stylo & Moda" e free-lancers para Folha de S. Paulo e assessorias de comunicação em empresas, prefeituras e mandatos de parlamentares. O jornalista mantém um blog onde publica várias de suas ideias. O jornalista autorizou a publicação do texto abaixo que foi publicado no seu blog no dia 07 de junho, data em que ainda acalentávamos a esperança do selecionado canarinho ganhar o hexa, embora várias críticas confirmadas no jogo mais duro em que a seleção brasileira enfrentou, contra a Holanda, estivessem sendo dirigidas ao Dunga. Vamos ao texto.
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Futebol, um jogo revolucionário

Albenísio Fonseca

O único delírio coletivo permitido no Brasil, além do Carnaval, é a conquista da Copa do Mundo. Espetáculo coletivo, o futebol torna-se ritualístico na medida em que identifica os espectadores com o drama que se desenrola em campo. Os jogadores são como personagens de teatro com os quais nos identificamos numa relação ritualística (espetacular) em que o campo se converte num grande teatro de arena. Visto de forma simbólica, emocional e arquetípica, o futebol é uma confrontação de opostos durante a qual inúmeras emoções são elaboradas, soltas, exercidas e domesticadas.

As origens do futebol perdem-se nos subterrâneos da História. Iniciado na Inglaterra, provavelmente a partir do harpastum, jogo de bola com as mãos trazido pelos romanos da Grécia, há também a hipótese de que tenha-se originado do costume primitivo de chutar a cabeça dos inimigos para comemorar vitórias. Existe ainda a informação do futebol jogado nas terças-feiras de Carnaval em Chester, cidade inglesa fundada pelos romanos.

É possível relacionar pelo menos quatro razões para afirmar o futebol como um jogo revolucionário. Por sua associação ao Carnaval, festa visceralmente ligada à liberação das emoções e instintos. Por ser jogado com os pés, numa contrapartida para com as atividades sociais organizadas e praticadas sob o controle das mãos. Por ser um esporte coletivo e, desse modo, contrariar os esportes individualistas das elites. E, ainda, por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acaba bem, ao contrário dos torneios que terminavam com a morte de um dos contendores.

O futebol registra episódios surpreendentes, como o de uma guerra entre a Inglaterra e a Escócia, em 1297, acabar desmoralizada porque os soldados de Lancashire, tradicionais inimigos dos escoceses, desobedeceram a seus comandantes e preferirem disputar sua rivalidade no futebol, ao invés de guerrear.

A face revolucionária do futebol diante do padrão patriarcal acabou por gerar sua repressão legal na Inglaterra, por razões militares de Estado, a partir do século 14, e motivo de ampla legislação proibitiva até o século 16. Mas o esporte floresceria e se difundiria por todas as culturas pelas mais diversas vias. Ao nos identificarmos com os jogadores nesse ritual dramático, sentimos que eles realizam por nós proezas físicas e psíquicas, que nos gratificam profundamente. Se as proezas físicas são maravilhosas de ver, as psíquicas são partilhadas e usufruídas. A imprevisibilidade do jogo faz com que toda sorte de emoções surja entre os heróis e o gol (jogadores de futebol são heróis do povo e o goleador o maior deles).

A ação dramática transcorrida nos 90 minutos é um símbolo transfigurado do processo de luta pela vida para atingir nossas metas. Como o gol adversário (a meta) é defendido por um time igual ao nosso, para atingi-lo temos que nos defrontar com emoções intensas e atravessá-las pelo drible, pelo controle da bola, intuição, planejamento, ação conjunta, malícia, velocidade, tudo enfim que há de humano contra tudo humanamente igual.

O futebol lida com emoções da maior importância, como a agressividade, a competição, amizade, rivalidade, inveja, orgulho, depressão, humilhação, fingimento e traição, entre tantos outros. O exercício da ética no futebol é tão evoluído que trouxe até mesmo a codificação de não se marcar uma falta que beneficie o infrator. Também a regra do impedimento, que proíbe receber por trás da defesa, delimitando física, espacial e dramaticamente situações de lealdade no confronto direto, e de traição no atacar por trás.

As emoções elaboradas pelos jogadores correspondem, simultaneamente, às vividas pelos torcedores. Um time que se lança ao ataque ativa a coragem e a ambição do torcedor. As tentativas de invasão de área e realização do gol podem, de logo, ser invertidas num contra-ataque. No mais, acompanhemos os jogos dessa 19ª Copa do Mundo, na África do Sul, com um esforço de consciência para compreender seus símbolos e exercê-los, não só no âmbito das suas arenas, mas em todas as instâncias da política e da cultura.

sábado, 19 de junho de 2010

Sobre a Copa de 2010

A primeira rodada da Copa do Mundo já passou. Mas a mesma foi alvo de reflexões de alguns colegas de profissão que enxerga o futebol com outras referências e para além dos estádios. Nada melhor do que dar um espaço para os mesmos, pois seus comentários nos permitem sair da mesmice das reportagens jornalísticas monossilábicas e unidirecionais. O professor Lauro Pires Xavier Neto (foto) atualmente é professor da área de Fundamentos da Educação da UFCG (Campus de Cuité-PB), ministrando aulas nos cursos de Licenciatura (Física, Química, Biologia e Matemática). Tem experiência na área de Educação, principalmente com Educação do Campo, atuando principalmente nos seguintes temas: educação do campo, mst, movimentos sociais e formação de professores. É ele quem nos agracia com um texto leve e iluminador e que temos o prazer de publicar no nosso blog. Boa leitura. Boa semana. Bom São João para todos.
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Sobre a Copa de 2010

O cineasta italiano Pasolini dividia o futebol em prosa e poesia, tendo como referëncia a final da Copa do México em 1970. Evidentemente que a seleção canarinho, com Pelé, Tostão, Rivelino, representava a poesia do futebol e aquele jogo burocrático europeu, a prosa. Infelizmente, em 1970, o país do futebol vivia sob a batuta de milicos burocratas, assassinos do povo brasileiro e que souberam utilizar o resultado da Copa do Mundo como propaganda ideológica em favor regime ditatorial. No jogo contra o Brasil os presos políticos da época chegaram a torcer pela Tchecoslováquia, representante do bloco comunista que tanto assustava a direita reacionária da América Latina. Euforia política, e com um tom exagerado, encerrada até o instante que Pelé, magistralmente, chutou do meio do campo tentando pegar de surpresa o goleiro do país comunista – lance antológico não convertido em gol.

Desde 1990 que o maior evento futebolístico se resume a prosa. Jogos enfadonhos, poucas revelações, poucos gols, poucas jogadas magistrais. Evidentemente que não somos saudosistas daquele 10 a 1 que a Hungria emplacou em El Salvador em 1982, que gerou protesto do time salvadorenho colocando a goleada como atitude antiesportiva da equipe húngara! Ou na mesma Copa aquele jogo entre Alemanha e Áustria no qual as duas equipes, já sabendo dos resultados anteriores do grupo, combinaram o placar para que pudessem se classificar para a segunda fase – face horrenda de uma Copa com problemas de organização.

A Copa de 2010 começa com a mesma prosa que marcou os últimos eventos. Quem teve a terrível sensação de assistir França e Suíça (0x0) em 2006 e ver o time francês chegar a final do certame e agora perder seu tempo, como eu perdi, assistindo França e Uruguai (0x0), pode perceber que a promessa de uma Copa do Mundo diferenciada, por ser, pela primeira vez, em Continente Africano, caiu por terra. A média de gols dos primeiros jogos é muito baixa, o nível técnico de algumas equipes é lastimável e as grandes promessas parecem ter deixado de lado a poesia futebolística – e ainda corremos o risco de times medíocres com o da França, mas com um futebol de resultado, possam chegar ä final.

Resta-nos assistir aos programas sobre o futebol tão comuns nesta época. Entre um jogo e outro, antes de cair no sono, recomendo mudar o canal e procurar excelentes documentários como um que passou na TV SESC (Futebol e Arte) durante o enfadonho Sérvia e Gana. Quando terminou o primeiro tempo corri para preencher na minha tabela aquele 0x0 parcial, ato falho, pois ainda transcorreria o segundo momento do jogo, que para mim não representava mais nada.

No referido documentário temos um dos convidados falando sobre a opinião de Bertold Brecht sobre o espetáculo futebolístico e sua relação com o teatro. Brecht desejava uma apresentação teatral com o público gritando, xingando, opinando, da mesma forma que os torcedores se comportam nos estádios. Ah, que cena fantástica a população nas câmaras de vereadores ou nas assembléias legislativas gerando atos de manifestação irada, diferente do torpor típico desses espaços.

Na verdade a história tem mostrado que a direita e os setores reacionários tem se privilegiado dos espetáculos esportivos, vide as Copas de 1970 e 1978, bem como a Olimpíada comandada por Hitler. No nosso pequeno-vasto mundo os noticiários de TV e os tablóides dão ênfase ao espetáculo em detrimento aos acontecimentos políticos que circulam no país e no mundo. Vários órgãos públicos em greve, parlamentares em “recesso branco” (quem quiser que acredite), fantasmas no Senado são esquecidos durante quase um mês. Em contrapartida a propagando ideológica segue se aproveitando do evento. Não deixam escapar que a Coréia do Norte é esquisita, é um país fechado que nada por lá presta e que são... comunistas (ainda bem que já não comem criancinhas). Até pensei em ir ao primeiro jogo do Brasil com uma camisa vermelha, provocativa, mas tenho certeza que eu não seria compreendido pelos meus alunos e os doutos professores, lembrando que a partida é em plena terça-feira, precedida por uma reunião departamental e logo em seguida, no período noturno, aula normal.

P.S. Enfim tive que corrigir a minha tabela da Copa, Gana marcou 1x0 na Sérvia gol de... pênalti – e tome prosa!