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terça-feira, 22 de julho de 2014

Dunga: aguardemos o milagre

Como todos nós já imaginávamos por tudo o que saia na imprensa esportiva falada e escrita nesses últimos dois dias, Dunga foi oficialmente apresentado pela Confederação Brasileira de Futebol, hoje, dois dias antes de completar oito anos do seu primeiro anúncio para comandar a seleção brasileira pela CBF, em 24 de julho de 2006.

Naquela época, o cotado era o técnico Luis Felipe Scolari. Mas como este tinha renovado seu contrato com a seleção de Portugal, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sacou da cartola o Dunga, jogador campeão mundial em 1994 mas que nunca tinha sido técnico de futebol.

No entanto, embora inexperiente, o seu nome caia como uma luva à época, já que os jogadores da seleção brasileira, eliminada na Copa do Mundo na França, pela seleção francesa que sagrou-se campeã, estavam sendo considerados preguiçosos, lenientes, desinteressados, sem paixão pela camisa canarinho, displicentes (quem não se lembra do Roberto Carlos preocupado com o meião em plena cobrança de falta pelo selecionado francês?) todos os aspectos que se situavam no pólo oposto a personalidade construída pelo jogador Dunga: brigador, guerreiro, vigoroso, etc, etc.

Imagem retirada do site da ESPN
Pois é. Não era bem o que todos nós queríamos. Mas é o que é. Como já disse em outras postagens, não podíamos esperar coisa diferente dos dirigentes de uma Confederação Brasileira de Futebol que tem um Marín como presidente.

Se em odre velho não se pode colocar vinho novo, a CBF está certa em chamar o Dunga. Até porque ambos não são nem uma coisa, nem outra. A ação se assemelha mais a multiplicação dos pães: mais do mesmo.

Vamos ter que esperar por um milagre.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Filosofia da vaca

Cagando e andando. Esta é, em síntese, a chamada filosofia da vaca.

Pelo que estou observando, é esta filosofia que vem fundamentando as ações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e suas respectivas federações.

Em primeiro lugar, imaginam os dirigentes da entidade que o único estado brasileiro capaz de dotar a seleção brasileira de bons técnicos é o Rio Grande do Sul. Não aceitam em hipótese alguma técnico de um outro país. E pelo jeito, de nenhum outro Estado.

Dunga, Mano Menezes, Felipão e agora a grande renovação...Dunga de novo.  Todos eles do rio grande, tchê. Bem que poderiam ter iniciado uma farroupilha na CBF, né? Cada um fazia uma parte e quem sabe o todo seria diferente. Marx, o mouro e alemão (vixe!!!), não concordaria com esse pensamento indutivo. Será que preciso explicar que se trata de uma ironia?
Imagem tirada do blog do Dimitri

O que dizer do coordenador técnico das seleções? Um empresário, um agenciador de jogadores. É mole? E a gente reclamando aqui do Ronaldo, ex-fenômeno, como comentarista da Rede Globo na Copa só porque ele tinha alguns "produtos" desfilando nos gramados do campeonato mundial.

Bem que ele poderia sair das cabines globais e ir direto para a CBF como o próximo preparador físico dos futuros selecionados. Penso que cairia muito bem. O que acham? Será que ficaria pior?

Penso que sim. Principalmente se a direção do trabalho ficar nas mãos dos "senhores dos anéis". Ou do senhor que roubou a medalha na premiação da Copa São Paulo de Juniores (Copinha), em 2012 quando era vice-presidente da CBF da região Sudeste.

Esperar o quê de um cara desse à frente de uma entidade esportiva e dos dirigentes à frente das suas respectivas federações? Todos subservientes aos desmandos da entidade maior do futebol brasileiro? Tudo e nada ao mesmo tempo, que é o que ele vem fazendo desde a acachapante derrota para o selecionado alemão por 7 x 1.

Um verdadeiro faz de conta, fundamentado na filosofia da vaca que já foi para o brejo faz tempo, deixando no interior das entidades o produto da sua ruminante digestão.

Esporte para todos ou para alguns?

Imagem retirada do blog Diário de Pernambuco

Toda organização para a ação não pode prescindir de duas coisas: da tática e da estratégia.

Em ambas, a mediação histórica deve se fazer presente. Colocar toda uma discussão no plano da ação é perigoso se o plano e a ação não estiverem fundamentados na história. Nem tudo o que ocorreu na história da humanidade deve se repetir ou deve se inserir no plano da ação.

Para fazer mesmo a diferença, devemos pensar em fazer coisas diferentes. Não será reproduzindo e repetindo experiências que a prática já demonstrou serem obsoletas que faremos a diferença.

Estamos diante de um momento pós-copa, onde o debate sobre o modelo esportivo para o país - centrado no futebol, mas que não precisa se resumir ao mesmo - está sendo proposto com mais evidência.

Podemos participar do mesmo. Repetindo as fórmulas prontas (Dunga no lugar de Felipão) ou debatendo seriamente sobre o que queremos para o nosso país: esporte para todos ou apenas para alguns?

Reflitamos sobre isso.

sábado, 19 de julho de 2014

Novo técnico?

Na próxima semana a CBF poderá anunciar o nome do novo técnico da seleção brasileira. Provavelmente na terça-feira.

"Novo técnico" é só um eufemismo, caso o nome do Dunga, que vem sendo ventilado nos meios do jornalismo esportivo como o mais cotado entre outros, seja confirmado.

Dunga já treinou a seleção brasileira em outros tempos, portanto não seria nenhuma novidade, apenas mais do mesmo.

Imagem retirada do Blog da Cidadania
Então essa tal "transformação pelo alto", diriam meus amigos gramscianos, colocará um técnico que foi eliminado nas quartas-de-final quando do seu comando na seleção brasileira na Copa do Mundo na África do Sul, no lugar de um outro, o Luis Felipe Scolari (Felipão), que foi eliminado nas semi-finais.

Excrescência? Penso que sim. Mas o que esperar das decisões oriundas de uma Confederação Brasileira de Futebol carcomida por dentro? Nada mais, não é mesmo?

Talvez, e só talvez, a única coisa que pode justificar o nome de Dunga para ser o "novo" técnico da seleção canarinho é a sua ascendência alemã.

Risos do blogueiro.

sábado, 14 de agosto de 2010

Imagem esporte clube

Quando o ex-técnico da seleção brasileira, Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, assumiu a seleção brasileira no ano de 2006, o objetivo maior era promover um retorno da imagem de uma seleção aguerrida, briosa, cheia de garra e de vontade de vencer, elementos que pareciam ter faltado à seleção de Carlos Alberto Parreira, que mais parecia está em um parque de diversão nos dias de treinamento. A missão do então novo técnico Dunga era mexer com os brios de uma seleção que parecia ter estado sem comando, dispersa e desatenta durante todo o torneio da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Era preciso montar um time competitivo e vencedor. E o jogador Dunga, que levantou a taça do tetra em 1994, era a encarnação desta imagem.

Com o fracasso da seleção brasileira na última Copa, na África do Sul, todos os elementos que antes eram imprescindíveis para a seleção canarinho sagrar-se campeã, se voltaram contra ela. O parque de diversão da seleção de Parreira transformou-se em quartel general. A imagem austera, comandada pelo "general" Dunga estava presente. Nem mesmo os jornalistas brasileiros tinham acessos privilegiados. Até mesmo os profissionais da Rede Globo, que sempre tinham ligação direta com os selecionados, foram barrados no baile.

A imagem da seleção estava sendo desgastada pelo excesso de rigor e disciplina e isso vinha se expressando em campo e fora dele. Nos gramados, uma seleção sem surpresas, sem genialidade, extremamente previsível. Fora, um técnico desprovido de qualquer senso de responsabilidade, ao ponto de pouco se importar com o que falava nas entrevistas coletivas oficiais que era obrigado a dar. Só mesmo um título mundial faria a imprensa nacional engolir, à moda zagalo, tanto destempero. Mas ele não veio e a imagem que ficou foi de uma seleção truculenta, à moda Felipe Melo.

Eis que esta semana jogou a seleção brasileira. Técnico novo. Novo time e novas estratégias para cuidar da imagem da seleção brasileira. E parece que está dando certo. Ouvir alguns comentários de algumas pessoas do tipo "recuperei o gosto de ver a seleção jogar". E realmente a seleção jogou muito bem fora e dentro de campo, extremamente de acordo ao script montado pelos marketeiros de plantão para recuperação da sua imagem.

O primeiro ato para aproximar o selecionado do povo brasileiro foi a convocação dos meninos da vila. Distribuição de autógrafos, sorrisos para todos os lados, conversas com os fãs e entrevistas para os jornalistas foram outras ações necessárias. O próprio Ricardo Teixeira foi quem aconselhou o grupo para tal atitudes que somadas ao presente recebido por Alex Escobar, jornalista destratado ao vivo e a cores pelo ex-técnico Dunga em entrevista coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim, pretende colocar uma pá de cal na imagem deixada pela chamada Era Dunga, seja lá o que isso signifique.

Mas essa questão da imagem não fica restrita aos gramados e nem tampouco, circunscrita a aparição na mídia. Muitas vezes para preservar uma imagem, é preciso ocultá-la. É o que parece está fazendo o nosso Felipe Massa. Depois da corrida de fórmula 1 da Alemanha, onde o mesmo protagonizou uma desacelerada exigida por sua equipe Ferrari em benefício do seu colega de escuderia Fernando Alonso, ele tem evitado aparições públicas e as diferentes mídias. Há quem diga que a estratégia foi imposta pela própria Ferrari, tudo em nome da imagem da equipe.

Um outro que parece está com sua imagem de vencedor abalada é o técnico Luiz Felipe scolari. São seis partidas sem vencer à frente do Palmeiras. Segundo o sítio Máquina do Esporte, "O patrocínio a qualquer personalidade ligada ao futebol, concordam especialistas, está condicionado aos valores e à imagem do patrocinado".

Ainda no próprio sítio, o especialista em indústria do futebol, Oliver Seitz, opina que "Se ele ficar dez ou 15 partidas sem ganhar, não dá para manter a imagem de vencedor que angariou nos últimos anos". E se isso acontecer, enfatizamos, os patrocinadores irão buscar outros lugares para investirem seu capital.

sábado, 7 de agosto de 2010

O futebol e os presidenciáveis

Durante os jogos da última Copa do Mundo, principalmente nos dias que antecederam e os posteriores dos jogos da seleção brasileira, muito foi sendo comentado sobre qual seria a escalação ideal do time nacional. Antes mesmo dos jogos do torneio começarem, já na própria escalação do selecionado que iria para a África do Sul, inúmeros brasileiros e brasileiras refletiam, discutiam, debatiam de forma apaixonada os jogadores que iriam participar do maior torneio de futebol do planeta sobre o comando do técnico Dunga.

Aliás, a própria escolha do nome do homem que iria dirigir a seleção mais vencedora das Copas, após o fiasco contra a seleção francesa em 2006, a única que tem o privilégio de ter participado de todos os torneios, foi questionado, assim como também, questionável foi o desempenho dos jogadores sobre o seu comando durante a fase classificatória, tendo sido chamado até de burro em pleno maracanã em uma das participações da seleção canarinho.

Todo esse entusiasmo em torno da seleção brasileira, todo o debate que a mesma sucita em vários momentos por diversos setores da sociedade, da pessoa comum ao próprio presidente da república, sempre inspira comentários do tipo: se o povo brasileiro se preocupasse com o desenvolvimento da política do seu país, como se preocupa com a performance do seu selecionado, o Brasil seria outro.

Logo após a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de finais do torneio na África do Sul, uma frase atribuída ao senador Cristóvam Buarque invadiu as caixas de mensagens na rede mundial de computadores. Ela dizia o seguinte>:"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação é o 85º e ninguém reclama."



E quando todos achavam que os brasileiros se voltariam para a política neste ano eleitoral, logo após o término da Copa do Mundo, onde não só o presidente, mas deputados, senadores e governadores serão eleitos, eis que o grande debate nacional se volta para quem vai ser o próximo técnico da seleção para a Copa de 2014, que será realizada aqui no Brasil?

Mas já que o técnico foi escolhido, agora a eleição entra na agenda dos brasileiros de forma definitiva e toma de vez o lugar do futebol. Sei não. Se tomarmos como referência a última quarta-feira (04/08), parece que este negócio de eleição não tá empolgando muito não. O futebol entre São Paulo e Internacional pelas Libertadores das Américas que passou na Globo deu de goleada nos presidenciáveis que se apresentavam no mesmo horário em um debate transmitido pela Rede Bandeirantes.

O placar? 36,9 pontos de audiência contra 5,5 respectivamente, segundo o Ibope em divulgação dos dados preliminares da aferição. Entre futebol e eleição especificamente, ou esporte e política mais amplamente, os brasileiros preferem o primeiro, respectivamente. Talvez por isso, tanto um, quanto o outro, carecem de melhores desempenhos e performance.

sábado, 3 de julho de 2010

Futebol, um jogo revolucionário

Nossa postagem desta semana é do jornalista baiano Albenísio Fonseca, Diretor Editorial do Jornal da Península. Albenísio já atuou como revisor, repórter, editor nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia, Correio da Bahia, Jornal da Bahia e Bahia Hoje, além de lançar as publicações "Revista do Carnaval", "Stylo & Moda" e free-lancers para Folha de S. Paulo e assessorias de comunicação em empresas, prefeituras e mandatos de parlamentares. O jornalista mantém um blog onde publica várias de suas ideias. O jornalista autorizou a publicação do texto abaixo que foi publicado no seu blog no dia 07 de junho, data em que ainda acalentávamos a esperança do selecionado canarinho ganhar o hexa, embora várias críticas confirmadas no jogo mais duro em que a seleção brasileira enfrentou, contra a Holanda, estivessem sendo dirigidas ao Dunga. Vamos ao texto.
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Futebol, um jogo revolucionário

Albenísio Fonseca

O único delírio coletivo permitido no Brasil, além do Carnaval, é a conquista da Copa do Mundo. Espetáculo coletivo, o futebol torna-se ritualístico na medida em que identifica os espectadores com o drama que se desenrola em campo. Os jogadores são como personagens de teatro com os quais nos identificamos numa relação ritualística (espetacular) em que o campo se converte num grande teatro de arena. Visto de forma simbólica, emocional e arquetípica, o futebol é uma confrontação de opostos durante a qual inúmeras emoções são elaboradas, soltas, exercidas e domesticadas.

As origens do futebol perdem-se nos subterrâneos da História. Iniciado na Inglaterra, provavelmente a partir do harpastum, jogo de bola com as mãos trazido pelos romanos da Grécia, há também a hipótese de que tenha-se originado do costume primitivo de chutar a cabeça dos inimigos para comemorar vitórias. Existe ainda a informação do futebol jogado nas terças-feiras de Carnaval em Chester, cidade inglesa fundada pelos romanos.

É possível relacionar pelo menos quatro razões para afirmar o futebol como um jogo revolucionário. Por sua associação ao Carnaval, festa visceralmente ligada à liberação das emoções e instintos. Por ser jogado com os pés, numa contrapartida para com as atividades sociais organizadas e praticadas sob o controle das mãos. Por ser um esporte coletivo e, desse modo, contrariar os esportes individualistas das elites. E, ainda, por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acaba bem, ao contrário dos torneios que terminavam com a morte de um dos contendores.

O futebol registra episódios surpreendentes, como o de uma guerra entre a Inglaterra e a Escócia, em 1297, acabar desmoralizada porque os soldados de Lancashire, tradicionais inimigos dos escoceses, desobedeceram a seus comandantes e preferirem disputar sua rivalidade no futebol, ao invés de guerrear.

A face revolucionária do futebol diante do padrão patriarcal acabou por gerar sua repressão legal na Inglaterra, por razões militares de Estado, a partir do século 14, e motivo de ampla legislação proibitiva até o século 16. Mas o esporte floresceria e se difundiria por todas as culturas pelas mais diversas vias. Ao nos identificarmos com os jogadores nesse ritual dramático, sentimos que eles realizam por nós proezas físicas e psíquicas, que nos gratificam profundamente. Se as proezas físicas são maravilhosas de ver, as psíquicas são partilhadas e usufruídas. A imprevisibilidade do jogo faz com que toda sorte de emoções surja entre os heróis e o gol (jogadores de futebol são heróis do povo e o goleador o maior deles).

A ação dramática transcorrida nos 90 minutos é um símbolo transfigurado do processo de luta pela vida para atingir nossas metas. Como o gol adversário (a meta) é defendido por um time igual ao nosso, para atingi-lo temos que nos defrontar com emoções intensas e atravessá-las pelo drible, pelo controle da bola, intuição, planejamento, ação conjunta, malícia, velocidade, tudo enfim que há de humano contra tudo humanamente igual.

O futebol lida com emoções da maior importância, como a agressividade, a competição, amizade, rivalidade, inveja, orgulho, depressão, humilhação, fingimento e traição, entre tantos outros. O exercício da ética no futebol é tão evoluído que trouxe até mesmo a codificação de não se marcar uma falta que beneficie o infrator. Também a regra do impedimento, que proíbe receber por trás da defesa, delimitando física, espacial e dramaticamente situações de lealdade no confronto direto, e de traição no atacar por trás.

As emoções elaboradas pelos jogadores correspondem, simultaneamente, às vividas pelos torcedores. Um time que se lança ao ataque ativa a coragem e a ambição do torcedor. As tentativas de invasão de área e realização do gol podem, de logo, ser invertidas num contra-ataque. No mais, acompanhemos os jogos dessa 19ª Copa do Mundo, na África do Sul, com um esforço de consciência para compreender seus símbolos e exercê-los, não só no âmbito das suas arenas, mas em todas as instâncias da política e da cultura.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Meu esporte não é torcer pelo Brasil!!!

A postagem desta semana é do professor de educação física da Universidade Federal da Paraíba(UFPB), Jeimison de Araújo Macieira. Mestrando em Serviço Social pela mesma universidade, Jeimison também é graduando em Filosofia e membro do grupo Lepel da Paraíba e do grupo de estudos marxistas ligado ao programa de pós-graduação em serviço social desde 2007, ano que iniciou também sua gestão na Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física, coordenando a regional 3 até 2008. Além do mestrado, onde o mesmo vem estudando a precarização do trabalho dos professores de educação física do Município da Cidade de João Pessoa - PB, o mesmo vem elaborando junto a uma equipe de professores, o primeiro livro didático público de Educação Física de João Pessoa, na linha critico-superadora. Vamos ao seu texto.

O treinador da seleção brasileira “Dunga”, durante entrevista coletiva realizada no dia 11 de maio de 2010 no Rio de Janeiro, encenou uma das mais trágicas peças dos últimos anos. Durante a peleja o técnico se dirigia ao povo brasileiro dizendo: estou falando com você torcedor! Que ama a pátria! Mas que pátria? Quem são esses guerreiros que se dizem capazes de lutar por nossa honra? Que guerra é essa que iremos travar além mar? Será que ainda temos brasileiros convictos de que ainda somos a pátria de chuteiras, apregoada em momentos da nossa história que merecemos esquecer?

Dizer que quem não esteve no Brasil em tempos de ditadura, não pode opinar e nem dar um parecer a respeito me faz pensar no seguinte: sou torcedor da seleção brasileira desde 90, quando daquela trágica eliminação contra a Argentina, mas gostaria de dizer que adoro ver os jogos “gravados” da seleção de 1970, 1982 e 1986. Será que não posso mesmo dizer que o Falcão era demais com sua elegância e refinamento no passe, que o Zico me maravilhava com sua maestria, e ainda que o Sócrates e seus toques quase que inimagináveis me fazia pensar que futebol se assemelhara a arte? Bem, não tenho dúvidas que posso e, por isso, não farei o menor esforço para não dizer!

O velho barbudo certa vez nos disse, parafraseando Hegel que “todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa! Espero que a farsa anunciada pela coerência da volúpia impetuosa do nosso treinador não se torne uma tragédia anunciada! Alias a tragédia anunciada da renegação do lúdico, da arte, do brincar, do divertir-se através desse “jogo” transformado em espetáculo, já sucumbiu ao pragmatismo dos resultados do modelo capitalista de dominar nosso imaginário. Só não sei se essa convocação é uma farsa ou a anunciação de uma tragédia.

Sou torcedor da seleção brasileira, mas meu esporte não é torcer pelo Brasil! Meu esporte é acreditar que este jogo “um dia” pode reencenar tempos de arte, de criatividade, de imaginação, de sonho! Meu esporte é lutar incessantemente pelo significado histórico do esporte, do jogo, da arte e das manifestações da cultura corporal, ressaltando seu caráter de classe, onde os verdadeiros guerreiros são aqueles que constroem a história da nossa cultura diariamente nos terrenos de terra batida.