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quinta-feira, 2 de abril de 2020

BBB e futebol

Entre os dias 29 a 31 de março de 2020 observou-se algumas manifestações por parte de atores do futebol em apoio a um integrante de um Reality Show de uma rede aberta de TV. Nesse período ocorreu o décimo paredão da edição e foi integrado por três participante, sendo dois os protagonistas do processo. 

De um lado, uma atriz e cantora nacional extremamente politizada e consciente de causas sociais, e, do outro, um arquiteto e empresário que por diversas vezes na casa apresentou comportamento machista, autoritário, explosivo, imaturo, e até chegou a naturalizar causas como a zoofilia. 

Ocorre que, o referido arquiteto, mostrou durante o tempo na casa que se tratava de um amante do futebol. Apesar de nunca se tornar um jogador profissional, contou suas experiências em quadra e campo, além de se declarar corintiano enraizado. Esse fator, somado ao resgate de uma publicação que a sua adversária fez, anos atrás, contando que não gostava do esporte, levou ao apadrinhamento do arquiteto pelos jogadores de futebol. 

Publicações em texto, imagem e vídeo, declararam o apoio de figuras midiáticas do futebol ao arquiteto, o que fez com que uma grande camada da população se mobilizasse, por venerar essas figuras, a apoiar esse indivíduo independente da análise de outras vertentes do seu comportamento na casa. 

Imagem retirada do site O Dia

Esse fato nos mostra a magnitude da influência do futebol na sociedade em geral e nas subjtevidades. A espetacularização desta modalidade esportiva eleva sua popularidade ao ponto de torná-lo ‘sagrado’, e faz com que a população o apoie apenas por ser futebol, livre da análise de conceitos e valores.

Isso também é ilustrado quando recordamos dos vários escândalos, por diferentes motivos, envolvendo jogadores famosos, que não apagam nem mesmo mancham a sua reputação diante de admiradores do esporte. 

Os seus atores se tornam referências para crianças e adultos, e apesar do atual contexto histórico em que há um vazio esportivo devido à suspensão das competições em função da pandemia por coronavírus, essa referência se apresenta com muita força sobre qualquer situação em que se manifestar.

O paredão também se tornou uma disputa política quando virou pauta de uma publicação do filho do presidente da república, que defendeu o arquiteto argumentando que a cantora era uma militante esquerdista. Mais uma vez mostrando o seu desprezo por todas as causas sociais que a cantora defende e que são necessárias.

Texto escrito pela professora Vitória Lima Oliveira Morais

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Finalmente o gigante acordou e... espera...ops...são os torcedores do Flamengo


Já não era sem tempo. Finalmente o brasileiro acordou e foi às ruas deste país em protesto contra a retirada dos seus direitos trabalhista, da sua aposentadoria, do investimento em saúde, educação, ciência e tecnologia.

Espera um pouco...ops... É a torcida do Flamengo comemorando o título da libertadores e o campeonato brasileiro!!!


sábado, 16 de novembro de 2019

Esporte e Política

Invariavelmente a crônica esportiva teima em afirmar que esporte não é política. Ignorância ou má fé? Não sei e nem irei julgar. O fato é que nos últimos meses estamos assistindo a um fenômeno interessante, vindo dos mais diferentes clubes de futebol brasileiro. Se não observamos nenhum engajamento político específico dos atletas profissionais, como até recentemente nós víamos no interior do movimento do Bom Senso F.C., os setores de marketing dos clubes resolveram pautar questões importantes da vida nacional em um momento conjuntural de claro acirramento no campo político.

Hoje, por exemplo, o Fluminente Football Club entrou em campo contra o Clube Atlético Mineiro com uma frase estampada na sua camisa que dizia "Todos Juntos Contra o Trabalho Infantil", tema candente e que toca o centro da reprodução do capital atualmente: a presença da força de trabalho superexplorada e precarizada, que segundo dados do Instituto de Geografia e Estatística de 2016, atinge dois milhões e quatrocentos mil crianças e adolescentes entre 05 e 17 anos em todo o território nacional.
Foto: Divulgação EC Bahia

Em outubro último foi a vez do Esporte Clube Bahia entrar em campo em jogo contra o Ceará, válido pela vigésima sétima rodada do brasileirão, com a camisa estampando "manchas de óleo" em clara alusão ao acidente ambiental que atinge as praias do nordeste do Brasil e impacta a vida econômica de várias cidades e centenas de famílias de pescadores. Em seu instagram oficial (@ecbahia) o clube assim se manifestou: “Por medidas de redução do impacto ambiental e pela punição aos responsáveis, nosso uniforme estará manchado de óleo no jogo de amanhã –como as praias do Nordeste”.

No mês de abril esse mesmo clube fez campanha aludindo as demarcações das terras indígenas. Nessa campanha o clube dizia claramente que era "preciso cumprir a regra. Sem demarcação, não tem jogo". E o que dizer em relação as bandeirinhas de escanteio com as cores do arco-íris em protesto contra a LGBTQfobia em jogo realizado na Arena Fonte Nova contra o Fortaleza?


Trabalho infantil, crime ambiental, discriminação e demarcação de terras indígenas. Esses são ou não temas que estão presentes nas pautas de diferentes movimentos de representações políticas e sociais que se articulam em vários lugares no Brasil e por que não dizer, no mundo? Qual a relação deles com o esporte? O que diriam os cronistas esportivos sobre essas iniciativas?

Mas, se ainda restam dúvidas do vínculo do esporte com a política e se acontecimentos históricos como, por exemplo, as Olimpíadas de Berlim, em 1936, não convencem ninguém, será que outras manifestações, surgindo agora não mais do marketing clubista, mas, sim, do interior das torcidas organizadas como a do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e o Santos Futebol Clube, teriam força para finalmente jogar por terra essa falácia de que esporte não pode se misturar com política?

Falaremos sobre isso em outra postagem.

domingo, 15 de setembro de 2019

Bahia contra a homofobia

Imagem retirada do site lance
O Esporte Clube Bahia entrará em campo, hoje, pela décima nona rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol jogando contra o Fortaleza no estádio da Fonte Nova às 16 horas, horário de Brasília. Independente do resultado da partida, o Bahia já entra vencedor da contenda.

O chamado "Esquadrão de Aço" irá trocar, simbolicamente, as bandeirinhas que marcam o escanteio por uma outra, com as cores características da bandeira arco-iris (ícone criado por Gilbert Baker, falecido em março de 2017), em uma campanha contra a homofobia nos estádios. Um golaço antológico do tricolor baiano, com toda a certeza.

Essa campanha aparece menos de um mês depois em que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) considerou punir os clubes com perda de pontos caso as torcidas entoem gritos homofóbicos. Qualquer ato de caráter preconceituoso por parte dos torcedores, será enquadrado como uma atitude indisciplinar com base no artigo 243-G do Código Disciplinar que reza: "Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência".

Há quem diga que a atitude é muito mais em função da punição considerar a perda de três pontos (seis, caso ocorra reincidência) do time infrator do que, realmente, uma consciência profunda sobre elementos discriminatórios do cotidiano dos brasileiros. Só para termos uma ideia deste problema, entre 2011 e 2018 foram registrados 4.422 mortes. Isso equivale a 552 mortes por ano. Uma vítima de homofobia a cada 16 horas (Saiba mais clicando aqui).


Mas não é isso que afirma o Manifesto escrito pelo Clube e que diz em alto e bom som que "Não é uma questão de pontos a mais ou a menos. É um propósito de igualdade, amor e vida".

Que assim, seja. E que a Bahia, o Brasil, jogue sempre, dentro e fora dos estádios, o jogo da igualdade de fato e de direito.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

BRASILEIROS FURAM A FILA DA VERGONHA NA RUSSIA


Quem nunca ouviu aquela breve e preocupada dica dos parentes antes de ir visitar a casa de algum amigo da família: – Se comporte na casa dos outros!? Alguns torcedores brasileiros que foram assistir aos jogos na Rússia, aparentemente, estão seguindo bem essa orientação da pátria canarinha. Neste domingo (17) alguns vídeos foram viralizados nos aplicativos de mensagens (Você pode assistir aqui), mostrando torcedores brasileiros cercando uma jovem russa, entoando uma canção como uma torcida organizada, “Bu.... rosa”. A moça, se mostrando gentil aos visitantes e sinalizando não entender do que se trata, participa ingenuamente desse escárnio.

O amigo leitor deve estar se perguntando: Como assim estão seguindo bem a orientação da pátria canarinha? Talvez você não se lembre que há pouco tempo, foi necessário fazer uma campanha entre jornalistas da mídia esportiva para denunciar os assédios sofridos durante as coberturas das partidas dos campeonatos, nas capitais ou não do Brasil (confira a matéria aqui). Atitudes como essa são ainda muito “naturais” no nosso país. É só observar a quantidade de pessoas que comentam que expor uma manifestação de machismo e assédio é puro “mimimi”, que o mundo está ficando chato. Tá sim, afinal, somos o quinto país que mais mata mulheres no mundo. 

Deve estar ficando ainda mais chato. A “brincadeira” dos, aparentemente, rapazes de classe média /classe alta da nossa sociedade, nos leva a pensar no poder simbólico que carrega a expressão linguística utilizada no vídeo. Nosso país é um dos líderes do ranking de cirurgias plásticas em órgãos genitais femininos (matéria aqui). Em 2016 foram 13 mil intervenções cirúrgicas, chamadas de labioplastias ou ninfoplastias (uma forma de corrigir “imperfeições” na vagina) num revezamento entre necessidade e busca de um padrão perfeito, como o que podemos verificar no vídeo do assédio na Rússia ou em páginas feministas que lutam contra mais uma imposição ao corpo feminino. Este movimento da “vagina perfeita” está submetendo mulheres a encarar um processo cirúrgico numa região altamente sensível do corpo.

O nosso (des)governo tentou até ajudar(não nesse caso específico), ou melhor, tentou piorar as coisas. Ao invés de tomar uma postura firme contra a homofobia do país anfitrião, como fizeram nossos vizinhos argentinos que criaram uma vídeo campanha (assista aqui) para mostrar que o futebol é um esporte onde o afeto e demonstrações de carinho masculino é muito forte (coisa que na Rússia é proibido desde 2013), o Itamaraty desenvolveu uma cartilha para orientar a população LGBT de como se comportar nas ruas durante o megaevento futebolístico.

Um chute que passou longe da trave diante do que aconteceu com a moça russa e uma total falta de noção da realidade. Qualquer LGBT brasileiro sabe desde a infância como se comportar num país com ou sem leis homofóbicas. Basta observar a perseguição e o extermínio deles em nossas ruas, a qualquer hora, ou mais precisamente, a cada 19 horas, segundo o Grupo Gay da Bahia. Não se esperava outra coisa de um elenco que participou de uma partida que tirou uma Presidenta democraticamente eleita, “com o supremo e com tudo”, e com uma “pataquada” torcida misógina disparando frases do tipo: Vai tomar no c. Dilma, Jumenta, anta, burra entre outras sandices. Essa bola ou cartilha, melhor dizendo, era para ser passada para os homens Cis mas, pra quê se não fazem nada além do "normal"?   

Por isso é tão importante que o diálogo de gênero e sexualidade seja incluído em nossas escolas, orientando toda população sobre atitudes machistas e suas consequências, quase sempre trágicas. Esse jogo inicia como "brincadeira", mas o final é sempre assédio, estupro e, como nos gritam as estatísticas, termina em morte. Outros “meninos” como os do vídeo na Rússia continuarão a aparecer, seja numa copa do mundo de futebol, seja num mundial de vôlei, de basquete... Eles estão apenas reproduzindo aquilo que aprendem todos os dias em seu país, pois, nossa pátria mãe “gentil”, atarefada com sua jornada tripla de trabalho, ganhando salário menor que os homens e com papeis sociais que impõe toda responsabilidade da educação dos filhos sobre suas costas, também sofre e muito com esses comportamentos.   

Sigamos para nosso próximo adversário, a Costa Rica.  

domingo, 17 de junho de 2018

O futebol ficou na Vuitton

A Seleção Brasileira estreou hoje na Copa do Mundo na Rússia contra a Seleção da Suíça e o resultado de 1 x 1 não foi bem recebido pela mal chamada "pátria de chuteira". O fato foi que o time deixou muito a desejar, principalmente após o gol sofrido logo no início do segundo tempo.

Muitos colegas acreditavam em uma estréia triunfante da seleção canarinho. O otimismo estava presente nos palpites em relação ao placar do jogo que giravam em torno de três gols ou mais. O Brasil estrearia bem e daria uma goleada na seleção dos famosos alpes da região do Tirol.

Não foi assim. A indiscutível capacidade técnica dos comandados do Tite não conseguiu ser traduzida em resultado positivo. Não que um empate contra uma seleção que só perdeu uma das suas 23 últimas partidas tenha sido ruim. Apenas não atendeu às expectativas da massa tupiniquim.

Quem deixou muito a desejar foi o craque Neymar que parece ter deixado o seu futebol na mala de 6 mil reais que ostentou ao desembarcar do ônibus em direção a Arena Rostov ou na bolsa da Louis Vuitton, de 18 mil reais.

Resta o consolo do país que é o décimo quarto em desigualdade social, que só em 2016 matou violentamente mais de 62 mil e 500 potenciais torcedores canarinhos, nos tropeços das também candidatíssimas ao título da Copa do Mundo, as seleções da Alemanha, Argentina e Espanha.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Raízes na periferia: um raio-x da origem social dos convocados para a Copa 2018

Pés descalços, campinho de terra batida. A periferia ainda é o maior celeiro de talentos do futebol brasileiro. É o que demonstra um levantamento feito pela reportagem do Brasil de Fato, baseado em imagens de arquivo, sínteses de entrevistas e relatos dos jogadores e familiares, concedidos ao longo da carreira.

A maioria dos jogadores convocados pelo técnico Tite para a Copa do Mundo 2018 vêm da região metropolitana de grandes centros urbanos das regiões Sul e Sudeste, de municípios interioranos distantes da capital, sem infraestrutura adequada, ou de bairros com altos índices de criminalidade e baixos indicadores sociais.

São, de modo geral, filhos de trabalhadores braçais, mal remunerados, com anos de escolaridade inferiores à média brasileira. Só não seguiram o mesmo caminho dos pais devido ao esporte.

Mesmo no mundo do futebol, eles são exceção. Cerca de 82% dos jogadores profissionais brasileiros ganham menos de R$ 1.000 por mês.

Dos 23 convocados para a Copa, 19 jogam em grandes clubes da Europa. Todos recebem mais de cem salários mínimos, entre remuneração fixa, direitos de imagem e patrocínios. Embora acentuem o problema da concentração de renda no país, hoje eles têm condições de ajudar a família e os amigos da “quebrada” – o que reforça o papel do futebol como ferramenta de mobilidade social nos países em desenvolvimento.

Conheça a origem e os primeiros passos de cada um deles:

GOLEIROS

Alisson (Novo Hamburgo-RS, 2 de outubro de 1992)

Cresceu em um apartamento simples no loteamento Mundo Novo, um dos maiores conjuntos de habitacionais do Brasil, com 1,2 mil casas – que sequer tinha posto de saúde até 2012. O Mundo Novo fica no bairro Canudos, que tem o segundo maior índice de criminalidade do município.

Para treinar nas categorias de base do Internacional, Alisson precisava pegar carona em uma van na rodovia BR-116, que liga Novo Hamburgo a Porto Alegre. Descendente de uma extensa linhagem de goleiros, que começou há quatro gerações, ele foi apenas o segundo a se profissionalizar e contribuir no orçamento familiar por meio do esporte. O primeiro foi o irmão mais velho, Muriel, que hoje atua no Belenenses, de Portugal.

Clubes: Internacional e Roma (Itália).

Cássio (Veranópolis-RS, 6 de junho de 1980)

O gigante de 1,95m cresceu em um casebre de madeira a 170 km de Porto Alegre.

Sobrinho do então massagista do Veranópolis Esporte Clube (VEC), Cássio assistia a todos os treinamentos do time e passava horas buscando as bolas que os jogadores chutavam para fora do campo. Gandula-mirim, aos seis anos, ele conheceu o técnico Tite, da Seleção Brasileira, que era treinador do VEC em 1993.

O primeiro trabalho remunerado, aos 14 anos, foi em um lava-jato.

Após fazer sucesso debaixo das traves, construiu uma casa moderna e confortável para a família ao lado daquela em que passou a infância.

Clubes: Grêmio, PSV (Holanda), Sparta Roterdã (Holanda) e Corinthians.

Ederson (Osasco-SP, 17 de agosto de 1993)

Primeiro jogador da história da Seleção a ser convocado para uma Copa sem nunca ter atuado profissionalmente no Brasil, Ederson foi criado na periferia de Osasco. O bairro Rochdale, de classe média baixa, era conhecido pelas enchentes e alagamentos.

Apaixonado por tatuagens, o garoto desenhava o corpo com caneta desde a infância. Hoje, são mais de 30 tatuagens – todas de verdade.

Ederson jogava bola na rua e, aos 10 anos, matriculou-se na escolinha do bairro. Teve 15 minutos para mostrar serviço aos olheiros do São Paulo, em meio a 150 garotos, e logo chamou a atenção.

Transferiu-se para Portugal antes de chegar à categoria profissional, e hoje vive em Manchester em uma mansão com a esposa, a filha, a sogra, um amigo de infância e um casal de amigos.

Clubes: Ribeirão (Portugal), Rio Ave (Portugal), Benfica (Portugal) e Manchester City (Inglaterra).

ZAGUEIROS

Marquinhos (São Paulo-SP, 14 de maio de 1994)

Cria do Centro de Formação e Treinamento de Atletas – Futebol SACI, que fica no bairro Imirim, Zona Norte de São Paulo, Marquinhos era o terceiro de cinco irmãos. Estreou como goleiro, mas já na infância mudou de posição dentro do campo.

Aos oito anos, o garoto da periferia paulistana chamou a atenção dos olheiros do Corinthians no “terrão” – campo de terra batida, esburacado, onde o clube fazia testes para crianças e adolescentes.

No bairro e na família onde cresceu, a bola parecia a única saída. O primo, Moreno, e o irmão, Luan, haviam sido revelados pela base do Corinthians. Mas Marquinhos foi quem mudou a vida da família com o futebol: Moreno está sem clube e Luan, que não engrenou como profissional, hoje administra a carreira do zagueiro da Seleção.

Clubes: Corinthians, Roma (Itália) e Paris Saint-Germain (França).

Miranda (Paranavaí-PR, 7 de setembro de 1984)

Formado na escolinha de futebol da Associação de Moradores do Jardim São Jorge, bairro de 25 mil habitantes na periferia de Paranavaí-PR, Miranda é o caçula de 12 filhos. Ele escolheu ser zagueiro em homenagem ao irmão mais velho, Vicente, que morreu carbonizado após acidente de trabalho em uma companhia de energia local. Era na zaga que o irmão gostava de jogar.

Miranda morava a poucos metros de um campinho, onde todos os dias jogava bola com os amigos. Foi revelado em torneios de várzea.

Clubes: Coritiba, Sochaux (França), São Paulo, Atlético de Madrid (Espanha) e Internazionale (Itália).

Pedro Geromel (São Paulo-SP, 21 de setembro de 1985)

O zagueiro-sensação do Grêmio viveu até a adolescência com a família em Vila Maria, bairro de classe média da Zona Norte da capital paulista. Sem chances nos clubes de São Paulo, Geromel quase desistiu do futebol para trabalhar como bancário.

A origem social de Pedro Geromel é uma exceção entre os jogadores convocação para a Seleção. Ele é um dos únicos que cresceu em uma família de classe média alta – o pai tem uma empresa de embalagens plásticas na capital paulista. É fluente em inglês, alemão e espanhol.

Clubes: Chaves (Portugal), Vitória de Guimarães (Portugal), Colônia (Alemanha), Mallorca (Espanha), Grêmio.

Thiago Silva (Rio de Janeiro-RJ, 22 de setembro de 1984)

Criado no bairro Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, a 100 metros da entrada da favela. Era uma criança apaixonada por soltar pipa e jogar futebol, e convivia com tiroteios entre policiais e moradores da comunidade.

A mãe vivia com medo. Para brincar na rua, ele esperava que ela cochilasse, depois do almoço, e saía de fininho para se juntar aos amigos.

Como zagueiro, foi rejeitado nas “peneiras” de cinco clubes do Rio de Janeiro. A primeira oportunidade como profissional veio em Alvorada-RS, a 1,5 mil km de casa.

Em 2005, na Rússia, teve um diagnóstico de tuberculose, foi hospitalizado em condições precárias e quase perdeu parte do pulmão.

Clubes: RS Futebol, Juventude, Porto B (Portugal), Dínamo Moscou (Rússia), Fluminense, Milan (Itália) e Paris Saint-Germain (França)

LATERAIS

Danilo (Bicas-MG, 15 de julho de 1991)

O pai de Danilo, caminhoneiro, conseguiu que o filho tivesse oportunidade de treinar em uma escolinha de futebol de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. De origem humilde, o lateral saía da escola, às vezes só com uma bolacha no estômago, e seguia para o treino, a 40 km de casa, no município de Bicas.

Depois de chamar atenção de grande clubes mineiros, Danilo foi contratado pelo Santos, marcou o gol do título da Libertadores da América em 2011 e, de lá, rumou para o futebol da Europa.

A família ainda vive em Bicas, e o jogador não esquece das dificuldades da infância. Durante as férias, Danilo sempre visita a escolinha de futebol onde começou a jogar, no bairro Novo Triunfo.

Quando postou uma foto no Instagram com um tênis de marca, um dos seus seguidores disse ter adorado o tênis, mas lamentou não ter condições de comprá-lo. Danilo se identificou: “Fala irmão! Tô ligado. Também sou de ‘quebrada’. Manda aí seu endereço e quanto você calça. Vou te mandar uns pisantes! Valeu”.

Clubes: América Mineiro, Santos, Porto (Portugal), Real Madrid (Espanha) e Manchester City (Inglaterra).

Fagner (São Paulo-SP, 11 de junho de 1989)

Descoberto em uma escolinha de futebol próximo ao Jardim Capelinha, um dos bairros mais violentos de São Paulo. Foi criado pelo pai e cresceu longe da mãe, depois de um divórcio traumático.

Aos seis anos, sofreu um acidente numa porta de vidro e quase teve o braço amputado, por um erro médico. O pai teve que vender o carro para pagar a cirurgia de correção. A primeira das muitas tatuagens que ele tem foi feita para esconder aquela cicatriz.

Fagner chegou ao Corinthians com nove anos. Pegava dois ônibus, um metrô e caminhava mais de uma hora até o Parque São Jorge para realizar o sonho de ser jogador de futebol.

Clubes: Corinthians, PSV (Holanda), Wolfsburg (Alemanha), Vasco e Corinthians.

Marcelo (Rio de Janeiro-RJ, 12 de maio de 1988)

Revelado na escolinha de futsal da colônia de férias do Exército, na Urca. Quando foi aprovado nas categorias de base do Fluminense, o avô o levava de carro para Xerém em um Fusca 1975, comprado no ano 2000 com dinheiro ganho no jogo do bicho.

No começo da carreira o dinheiro era contado e, às vezes, não dava sequer para tomar uma condução ou almoçar antes do treino.

Clubes: Fluminense e Real Madrid (Espanha).

Filipe Luís (Jaraguá do Sul-SC, 9 de agosto de 1985)

Cresceu na zona rural de Massaranduba, município de 14,6 mil habitantes do interior de Santa Catarina. Os passatempos preferidos do jogador na infância estavam ligados à terra: comer frutas nas árvores, pegar minhoca do chão, passear pelas plantações de arroz.

Começou a bater bola atrás da igreja da comunidade. Quando se mudou para Jaraguá do Sul, na adolescência, passeava de bicicleta de colégio em colégio para jogar futebol. Foi revelado em um torneio de futsal, aos 14 anos, e passou a integrar as categorias de base do Figueirense.

Morava debaixo da arquibancada do estádio Orlando Scarpelli, com outros 30 garotos.

Clubes: Figueirense, Ajax (Holanda), Real Madrid Castilla (Espanha), La Coruña (Espanha), Atlético de Madrid (Espanha), Chelsea (Inglaterra) e Atlético de Madrid (Espanha).

MEIO-CAMPISTAS

Paulinho (São Paulo-SP, 25 de julho de 1988)

Começou nos campos de várzea do Parque Novo Mundo, na região da Vila Maria, Zona Norte de São Paulo. Aos 12 anos, fazia parte da categoria de base da Portuguesa.

O padrasto, que Paulinho considera um pai, era quem o levava para assistir aos jogos de futebol.

Os pais se separam quando o jogador era ainda criança. Paulinho só foi encontrar o pai biológico novamente quando o Corinthians foi a Recife jogar contra o Náutico, em 2012.

Clubes: FC Vilnius (Lituânia), ŁKS Łódź (Polônia), Audax, Bragantino, Corinthians, Tottenham (Inglaterra), Guangzhou Evergrande (China) e Barcelona (Espanha).

Fernandinho (Londrina-PR, 4 de maio de 1985)

Passou a infância e adolescência entre duas cidades: Londrina e Ribeirão Preto. Fernandinho era o destaque do time de peladas da Rua do Roncador, no conjunto Lindoia, periferia do município paranaense. Ele também era o número 1 do campinho de terra batida no bairro Adão do Carmo Leonel, na zona Oeste de Ribeirão Preto.

Foi revelado em 1999, aos 13 anos, no PSTC – centro de treinamento especializado em categorias de base e formação de atletas profissionais de Londrina. Treinava no campo de futebol da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Até hoje, Fernandinho mantém contato com os amigos do Conjunto Lindoia.

Clubes: Atlético Paranaense, Shakhtar Donetsk (Ucrânia) e Manchester City (Inglaterra).

Renato Augusto (Rio de Janeiro-RJ, 8 de fevereiro de 1988)

Renato Augusto cresceu em três apartamentos diferentes na rua Ibituruna, a menos de 1 km do Maracanã. Via o estádio de segunda à sexta pela janela do ônibus 456, que pegava para ir à escola. Hoje, ele traz o Maracanã estampado em uma tatuagem no braço direito.

Assim como o zagueiro Pedro Geromel, Renato Augusto é um dos poucos convocados para a Copa oriundo de uma família de classe média.

Clubes: Flamengo, Bayer Leverkusen (Alemanha), Corinthians e Beijing Guoan (China).

Fred (Belo Horizonte-MG, 5 de março de 1993)

Cresceu no Jardim Europa, em Venda Nova, Belo Horizonte, jogando bola na rua, descalço. Na Copa de 2002, raspou o cabelo igual ao do ídolo Ronaldo, artilheiro da Seleção.

Foi aprovado em um teste no Atlético Mineiro aos dez anos, mas teve que abrir mão de jogar no time do coração porque não conseguiu um contrato que garantisse verba de transporte, moradia e alimentação.

Meses depois, foi levado a Porto Alegre em um projeto encabeçado pelo ex-jogador Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho, que lhe abriu as portas no Internacional.

Clubes: Internacional e Shakhtar Donetsk (Ucrânia).

Casemiro (São José dos Campos-SP, 23 de fevereiro de 1992)

Foi abandonado pelo pai aos três anos e passou necessidade durante toda a infância. Entre as lembranças mais vivas daquela época, está a imagem de uma vendedora de Yakult que passava em frente à casa dele todo final de tarde: Casemiro morria de vontade de tomar a bebida, mas a mãe não tinha dinheiro para comprar.

Aprovado em um teste no São Paulo, ele não tinha condições de ir e voltar de São José dos Campos à capital, e dependia da ajuda de amigos para passar a noite entre um e outro treinamento. Na mesma época, contraiu uma hepatite e ficou quase 90 dias sem treinar. Quase foi forçado a desistir do esporte.

Aos 14 anos, conseguiu uma vaga no alojamento do clube, driblou as dificuldades e hoje é considerado uma das maiores revelações da história do Tricolor.

Clubes: São Paulo, Real Madrid B (Espanha), Porto (Portugal) e Real Madrid (Espanha)

Willian (Ribeirão Pires-SP, 9 de agosto de 1988)

Cresceu jogando futebol na rua Conde de Sarzedas, no bairro Vila Albertina, no ABC paulista. Era conhecido de todos moradores e comerciantes da rua: volta e meia a bola entrava pela porta ou batia em uma janela.

Os primeiros treinos, aos cinco anos, foram na quadra de futsal do pequeno Ribeirão Pires FC.

A carreira deslanchou quando o pai, Severino da Silva, o levou para um teste na escolinha do ex-jogador Marcelinho Carioca. Era o primeiro passo para que Willian vestisse a camisa do Corinthians, time do coração de Seu Severino.

Clubes: Corinthians, Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Anzhi (Rússia) e Chelsea (Inglaterra).

Philippe Coutinho (Rio de Janeiro-RJ, 12 de junho de 1992)

Cresceu em um condomínio no Rocha, Zona Norte do Rio. Quem primeiro identificou o talento dele para o futebol foi Dona Didi, avó de um amigo de infância.

Em casa, o dinheiro era contado, mas nunca faltou apoio da família: o pai, a mãe e os dois irmãos mais velhos suaram a camisa para que o menino se dedicasse desde cedo ao esporte.

Coutinho começou aos seis, na escolinha de futsal do Clube dos Sargentos do Rio de Janeiro. Em menos de um ano, foi aprovado no time de Mangueira e disputou o primeiro torneio estadual de futsal. Artilheiro da competição, chamou a atenção do Vasco, clube em que estreou como profissional.

Clubes: Vasco, Internazionale (Itália), Liverpool (Inglaterra) e Barcelona (Espanha).

Douglas Costa (Sapucaia do Sul-RS, 14 de setembro de 1990)

Estudou na escola municipal Hugo Gerdau, em Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre. Filho de um mecânico e uma dona de casa, foi revelado em caminhos de terra batida. Matriculou-se na escolinha de futebol da Prefeitura e chegou ao Grêmio aos 12 anos.

Nos primeiros meses, causou desconfiança por ser muito mais magro do que a maioria dos colegas. Só conseguiu se firmar nas categorias de base após um trabalho de fortalecimento muscular e nutricional: ganhou seis quilos em dois anos.

Clubes: Grêmio, Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Bayern de Munique (Alemanha) e Juventus (Itália)

ATACANTES

Taison (Pelotas-RS, 12 de janeiro de 1988)

Ex-flanelinha, integrante de uma família de onze irmãos, foi o único menino de seu círculo social que conseguiu se estabelecer profissionalmente e ajudar a família. Ao menos dois de seus amigos de infância são hoje moradores de rua, em Pelotas.

O talento de Taison foi desenvolvido em ruas de areia e calçamento, nas periferias do município, e no pátio da Escola Estadual Nossa Senhora dos Navegantes. Descoberto pelo clube Osório, deixou o trabalho de manobrista, em frente a um supermercado, e logo encantou os olheiros do Internacional, clube que o revelou para o mundo.

Clubes: Internacional, Metalist Kharkiv (Ucrânia) e Shakhtar Donetsk (Ucrânia).

Neymar (Mogi das Cruzes-SP, 5 de fevereiro de 1992)

Cresceu em uma casa simples Praia Grande, litoral paulista. A casa era pequena, improvisada, a poucas quadras de um lixão. Os garotos descalços se comportavam como os donos da rua: eram os carros, e não os pedestres, que precisavam pediam licença para passar.

O menino, conhecido na época por “Juninho”, começou a chamar a atenção aos dez anos, no Grêmio Recreativo dos Metalúrgicos de Santos (Gremetal). Após ser descoberto pelo Santos, ainda criança, pegava ônibus sozinho todos os dias para participar dos treinos. A rotina era tão pesada que ele se acostumou a “passar do ponto” de casa, tamanho cansaço.

O primeiro contrato com o Peixe, em maio de 2004, garantia R$ 450,00 por mês à família. Foi graças a essa ajuda de custos que o menino pôde se dedicar somente ao futebol.

Clubes: Santos, Barcelona (Espanha) e Paris Saint-Germain (França).

Roberto Firmino (Maceió-AL, 2 de outubro de 1991)

Único representante do Nordeste na Seleção, Firmino nasceu e foi criado no conjunto habitacional Dique Estrada, região pobre e violenta da capital alagoana.

O primeiro campo foi a rua de paralelepípedo. Os amigos do bairro e das duas escolas em que estudou, Colégio Tarcísio de Jesus e Colégio Caíque, eram os principais companheiros nas peladas.

Quando jovem, vendia coco na praia para ajudar no orçamento da família. Tornou-se profissional no Figueirense, em Florianópolis, a 3,1 mil km de casa. Sem dinheiro para a passagem, ficou mais de um ano sem voltar para Maceió.

Clubes: Figueirense, Hoffenheim (Alemanha) e Liverpool (Inglaterra).

Gabriel Jesus (São Paulo, 3 de abril de 1997)

Cria do Jardim Peri, comunidade pobre de São Paulo. Começou a chamar atenção aos oito anos, no campo de terra do presídio militar Romão Gomes, em Tremembé, Zona Norte de São Paulo. Para ir aos jogos e economizar no combustível, o treinador do time chegou a colocar onze garotos dentro de um Fusca.

Enquanto Neymar e outros companheiros de Seleção disputavam a Copa de 2014, Gabriel Jesus pintava as ruas da comunidade de verde e amarelo. No ano seguinte, ele seria revelado pelo Palmeiras.

O camisa 9 titular de Tite não teve a presença do pai, que abandonou a família quando o craque era ainda pequeno. A mãe, empregada doméstica, colocava comida na mesa para os três filhos.

Às vésperas do Mundial, o rosto do atacante da Seleção estampa o muro da rua onde o garoto cresceu e descobriu o futebol. Ou foi descoberto por ele.

Clubes: Palmeiras e Manchester City (Inglaterra).

MATÉRIA PUBLICADA NA BRASIL DE FATO E NO DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Salários milionários

Segue abaixo a lista dos dez jogadores que ganham salários milionários. Os valores então em milhões de reais por ano.

Lionel Messi (Barcelona)
194,8

Neymar (PSG)
152,4

Alexis Sánchez (Manchester United)
112,5

Oscar (Shangai SIPG)
101,5

Ezequiel Lavezzi (Hebei Fortune)
97,6

Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
88,5

Hulk (Shangai SIPG)
84,6

Kylian Mbappé (PSG)
76,5

Paul Pogba (Manchester United)
74

Graziano Pellé (Shandong Luneng)
72,1

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Por que o Vitória não caiu?

Por que o Vitória não caiu?

Você pensa que foi por causa da chapecoense? Não.

Eu não cai porque fiz mais pontos que Ponte Preta e Atlético de Goiás.

Eu não cai porque tive mais vitórias que o Avaí.

Eu não cai porque fiz mais gols que o Coritiba.

Eu não cai porque quando tinha 12 pontos e estava na lanterna soube me recuperar e terminei com 43 pontos e soube superar as adversidades e para isso venci o líder e campeão Corinthians em São Paulo, ganhei do Flamengo no Rio de Janeiro, venci a batalha com a Ponte em Campinas, virei um jogo improvável contra o Botafogo.

Eu não cai porque joguei, lutei e acreditei até o fim.

Eu sou Vitória e não jogo a toalha jamais.

(Texto Anônimo)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

JUNINHO PERNAMBUCANO PODERIA ESCALAR UMA SELEÇÃO






Na minha infância, mais precisamente, década de 90 em Recife, capital pernambucana, um moleque de quase 18 anos perturbava meus fins de semana de clássicos Sport x Santa Cruz. Eu torcedor doente do tricolor do arruda, sofria em ver alguns lances daquele pós-adolescente com cara de “playboy” jogando aquele futebol todo. Claro, precisou que os ponteiros do relógio desse algumas voltas, que eu passasse por algumas experiências pessoais para que eu, fiel da coral, chegasse diante da minha tela de computador pra colocar o nome desse, “pivete”, num texto pra falar de seus feitos dentro e fora dos gramados. Inferno coral, me perdoe!
Juninho não é herói. Deixo bem claro que não faz parte do meu “jogo” ficar nomeando salvadores para tarefas que devem ser feitas por mim mesmo. Isso é coisa de "técnicos" caras-pintadas, que já erraram na escalação dos seus centroavantes há algum tempo. E como trocam de atacantes viu? Primeiro foi o Joaquim Barbosa, depois o Eduardo cunha, Aécio... Até chegar na contratação curiosa de um jogador que nunca fez um mísero golzinho, mas já está treinando com investimento público por alguma décadas, e com sérias possibilidades de ser escalado para o time principal.
Acho que a experiência que o atleta acumulou nos seus 22 anos de futebol e claro, contrariando minha expectativa de que o futebolista fosse na década de 90 playboy, como o próprio já afirmou em suas redes sociais que é filho de militar de baixa patente, lhe condicionou a produzir algumas análises da realidade diferente da maioria. Seus discursos e, não podemos esquecer, “indicações” ultimamente vem me surpreendendo. Principalmente, quando se trata de uma figura pública que toma posições políticas diferentes da empresa que o contratou e que também tem o poder de decidir alguns “jogos”.
Primeiro Juninho marcou um golaço, solicitando a expulsão de seguidores (daquele jogador) em suas redes sociais. Aquele, que falei que há algum tempo está por ai sem marcar gols e mesmo assim é uma crescente possibilidade de jogar no time principal. O camisa 6 (seus mandatos como deputado), Jair Bolsonaro. Uma jogada, considerada por mim ideal contra o fascismo. Me lembrou Eric Cantona dando uma voadora no hooligan fascista Matheus Simmons, em 1995, só que de uma forma mais suave, literalmente: “Vaza Bolsominions, te respeito fora de meu twitter!
Suave sim!
E como numa premiação dos melhores do ano do campeonato, o craque elegeu o melhor jogador da temporada: Um zagueiro! 



Espero que suas próximas indicações (comentários) girem em torno de um grupo de “(em)boleiros” que há algum tempo eram divisão de base e que hoje, possuem alguns atletas atuando como profissionais em times pelo Brasil afora. Suas táticas são antigas, copiadas de uma conhecida equipe de futebol alemã de 1936. Gostam de driblar a atenção da geral com um toque de bola rasteiro, sem fundamentos, e de proteger o craque da equipe, que apesar de parecer um senhor senil, adora dar uns carrinhos por trás e estimular a diretoria do clube a terceirizar os lucros nas “costas” dos pobres torcedores. Oriundos do Austeridade F.C. MBL e Michel Temer. Ultimamente, para deixar seu protegido longe dos holofotes, esses jogadores estão forçando o jornalismo e a torcida a focar em homens nus que invadem o jogo, como intervenção artística.

Vamos encerrar nosso bate bola. Como sugere o título do texto, o comentarista poderia escalar uma seleção dos melhores do ano, com banco de reservas, comissão técnica e tudo que se tem direito. Não custa nada sonhar, mas, como um torcedor de um time que fez história em Pernambuco, um time que levanta multidões em qualquer série do campeonato que estiver, torço para sairmos da apatia nessa temporada e que façamos como numa final de campeonato diferente: Invadir o campo, ocupar o gramado e decidir novas regras para esse jogo. Quem sabe até, criar um campeonato só nosso.



sábado, 7 de outubro de 2017

No futebol da Noruega, homens doarão quantia para que mulheres tenham mesmo salário que eles

Um acordo histórico foi anunciado pela Federação Norueguesa de Futebol neste sábado. A partir de agora, homens e mulheres receberão pagamento iguais quando defenderem a seleção de futebol do País. E mais: a equipe masculina vai contribuir financeiramente com o time feminino. 

O valor pago às mulheres vai praticamente dobrar, passando de 3.1 milhões de coroas norueguesas para 6 milhões. A quantia já inclui a contribuição de 550 mil coroas que os homens darão às compatriotas, dinheiro que eles recebem de publicidade. 

“A Noruega é um país onde a igualdade é muito importante. Acredito que seja algo inédito e essencial para o país e para o esporte. Na Dinamarca, ainda estão negociando. E nos Estados Unidos, a situação tem melhorado. Mas devemos ser o único país onde homens e mulheres são tratados igualmente”, disse Joachim Walltin, líder da união nacional dos jogadores. 

Meio-campista, Caroline Graham Hansen escreveu em sua conta no Instagram para agradecer aos atletas da seleção masculina pela ‘doação’. “Obrigada por nos ajudarem a darmos esse passo. Por apoiarem a igualdade, tornarem tudo um pouco mais fácil. Por compartilharem dos nossos sonhos.” 

Os detalhes do acordo ainda estão sendo costurados. Mas a ideia é que as jogadoras recebam uma quantia mensal, dependendo de quantas vezes forem convocadas, enquanto os homens terão pagamento anual. 

“Para as meninas, com certeza fará diferença. Algumas delas trabalham e estudam, além de jogarem. E mais do que o dinheiro, terão o sentimento de serem respeitadas. A federação enxerga a decisão como um investimento para melhorar o nível da seleção feminina”, completou Walltin.

Retirado do site UOL

terça-feira, 19 de setembro de 2017

La mano de Jô: o que não só o juiz não viu

Por Elson Moura

No último dia 17 de setembro do corrente ano, no jogo Corinthians e Vasco pelo campeonato Brasileiro, um lance escandaloso definiu o placar (1x0); um gol de mão do atacante Jô. O gol definiu a vitória para o Corinthians e fez sua vantagem para o segundo colocado, o Grêmio, chegar na casa dos dez pontos. Desde então uma enxurrada de críticas tem desabado sobre o atacante do líder do campeonato. 

Para agravar a situação, os críticos estão resgatando um lance em que Jô foi, na pior das hipóteses, um coadjuvante de um lance chamado no futebol de fair play (jogo justo). No campeonato Paulista deste mesmo ano, no jogo entre Corinthians e São Paulo, o atacante se envolveu em um lance que resultou em um esbarrão com o goleiro do São Paulo. Para o árbitro da partida Jô mereceu o cartão amarelo. Ele chegou a aplicar. Foi quando o zagueiro do São Paulo, Rodrigo Cairo, o fez retroagir da decisão se acusando como aquele que esbarrou acidentalmente no goleiro. Isso possibilitou a Jô jogar a próxima partida. Se “amarelado” fosse, estaria suspenso pelo segundo cartão. O atacante do Corinthians não poupou elogios à atitude nobre do zagueiro adversário. Zagueiro este que enfrentou problemas com parte da imprensa, com o próprio técnico, colegas de clube e a própria torcida. O famoso "fogo amigo". 

Em outro clássico do mesmo campeonato, desta vez contra o Palmeiras, uma expulsão injusta de um jogador do Corinthians resultou numa crítica contundente do nosso personagem em questão. Para Jô, os jogadores do Palmeiras se omitiram ao não revelar ao árbitro que a expulsão era injusta (não tinha sido o jogador expulso o que cometeu a falta). 

Imagem retirada do site Gazeta Esportiva
Pois bem, para os críticos do Jô ele teve sua chance de demonstrar inclinação ao fair play dentro do futebol. Tal chance teria sido desperdiçada. E mais; após o jogo, nas entrevistas na chamada “zona mista”, o atacante se defendeu. Apresentou-se como um homem de Deus e afirmou que não sentiu a bola bater em seu braço; o lance foi rápido, ele se jogou na bola e não sentiu onde pegou. Continuou: se tivesse percebido, teria alertado o árbitro. Acrescentamos o fato de o Corinthians ser líder do campeonato, o time a ser batido. Um lance – irregular- que beneficie a equipe ganha uma dimensão amplificada.

A atitude do jogador não anula a responsabilidade da equipe de arbitragem por não ter visto a irregularidade da jogada. Um erro gravíssimo! Não à toa, pressionada, a CBF anunciou já no dia 18 de setembro que utilizará o recurso do vídeo para resolver questões polêmicas nos jogos. Aqui temos uma outra discussão que não cabe neste texto. 

Imaginamos que a defesa da equipe de arbitragem girará em torno do argumento de não ter visto o lance.

Aqui precisamente começa nossa análise. Até então apenas estávamos apresentando os fatos.

Parece-nos que não só os árbitros estão tendo problemas em enxergar as coisas. Ao criticar única e exclusivamente o atacante pela atitude, no mínimo, desonesta, alguns críticos parecem só querer enxergar aquilo que lhes convém. Vemos limites bem demarcados quando a crítica recai apenas sobre o indivíduo.

Primeiro destaque. Muito se falou que não devemos misturar futebol – e as atitudes desonestas- com a conjuntura maior de nosso país. Divergimos! O futebol não pode ser pensado como uma ilha isenta das contradições das relações sociais de produção no Brasil. Sequer pode ser pensado como algo imune à crise econômica, política e moral que abala nosso país. Ele é expressão singular das relações que estabelecemos; as macro e as micro. O surgimento do esporte de uma forma geral e seu desenvolvimento acompanhou pari passo o surgimento e desenvolvimento das relações sociais de produção capitalista. É só olhar para a história. Por outro lado, entendemos isso ser insuficiente para uma análise. Por ser uma expressão singular, além de ser pensado nesta generalidade, tem o futebol que ser pensado, também, naquilo que lhe é específico, singular. Em síntese, uma singularidade carregada de generalidade.

Foge ao objetivo deste texto abordar as questões mais ligadas ao geral. Fiquemos, por hora, com as questões singulares que, por si só, são carregadas da generalidade acima exposta.

Como Jocimar Daólio, no livro “Cultura, educação física e futebol”, expressou isso? Parte o autor do mesmo entendimento, ou seja, de que as questões inerentes ao futebol não estão desligadas do mais geral. Porém, ao tratar das singularidades cita um exemplo representativo. Nas relações cotidianas ainda impera a máxima de que o “homem não chora”. Ainda que esta expressão não seja literalmente usada, somos, homens, educados para tais princípios. Exceção feita ao campo e à arquibancada. Neste espaço singular, por tudo que ele envolve, é permitido ao homem chorar, expressar suas emoções.

Precisamos realizar este duplo movimento: singular-geral-singular... E ao fazê-lo evitamos a demonização do indivíduo que é, ao mesmo tempo, a preservação da lógica do futebol na sua expressão atual, de alto rendimento, e de todo um conjunto de contradições que carrega.

Esqueçamos um pouco o Jô e pensemos em outro tema bastante polêmico não só no futebol, mas no esporte de uma forma geral: o doping. A Revista Brasileira de Ciências do Esporte (v. 27, n. 1, p. 7-184, setembro de 2005) dedicou todo este volume à temática. Chamou-nos a atenção o primeiro artigo: “Doping: consagração ou profanação” de autoria da Dra. Méri Rosane Santos da Silva. Nele, a autora parece seguir na contramão da forma como os casos de doping são expostos pela grande mídia e apropriados pelo grande público, ou seja, a exclusiva demonização do atleta pego em doping. Para tal faz menção ao mercado do doping (laboratório, testes, antidoping, etc.) e ao rompimento com uma perspectiva romântica em relação ao esporte. Ao citar Escobar (1993), indica: ‘os princípios românticos que animavam o esporte há algumas décadas foram substituídos por outros menos altruístas e de maior afinidade com nossa sociedade de consumo’.

Ou seja, para discutir seriamente o doping no esporte, precisamos discutir uma expressão histórica do esporte, o de alto rendimento, em que o doping é quase que uma exigência. Ainda no artigo: 

[...] um sistema esportivo que se estabelece na performance e na busca incessante pela melhoria do desempenho do atleta, o doping pode ser considerado ‘uma estratégia racional’, já que o aumento do rendimento é ‘uma condição intrinsicamente ligada à própria natureza da competição esportiva’. Portanto, a ilegalidade do doping é absolutamente arbitrária e contradiz a sua própria lógica. (p. 14-15).

O que fazem com os atletas é o contrário; preservam a lógica do esporte intocada, atacam sistematicamente o indivíduo/atleta.

No documentário “Bigger, Stronger, Faster” (Maior, Mais forte, Mais rápido), a questão singular do esporte extrapola suas fronteiras para encontrar uma sociedade “em anabolizante” – expressão comumente utilizada nos Estados Unidos para identificar algo de desempenho mais intensificado. Estudantes usam substâncias para realizar exames, músicos nas audições, ator pornô para melhorar o desempenho, sujeitos “comuns” para melhorar a estética e, lógico, atletas para melhorar desempenho esportivo.

Voltamos ao Jô. Quer dizer, voltamos a uma lógica que envolve o jogador e que lhe dá a opção da trapaça. Diria mais, o pressiona para a trapaça. Negar isso é insistir na concepção liberal que pensa a organização social como um somatório de indivíduos isolados concorrendo entre si. Sucesso e insucesso é prerrogativa do que cada um, individualmente, realiza nesta lógica. São os únicos responsáveis.

Insistir nisso é querer impor à lógica das relações sociais uma especulação idealista do “dever ser”. Ou seja; ao invés de realizar uma análise concreta das situações concretas, esmiuçar ao máximo o objeto e fenômeno, para pensar nas possibilidades; limita-se a uma imposição de uma moral descolada desta mesma realidade. Uma moral – bem-intencionada na maior parte das vezes- que só existe na forma especulativa. Por isso o “dever ser”.

Nossa concepção, a materialista (histórico e dialética), aponta para uma outra direção. Sim; são indivíduos, mas o são como expressões singulares das relações sociais que estabelecem. Repito: as macro e as micro. A posição ativa que cada um ocupa no processo de produção e reprodução da vida vai determinar, em última instância, suas decisões (inclusive às futebolísticas). Isso não isenta o indivíduo de suas decisões ao mesmo tempo em que não isenta as determinações econômicas e sociais. São estas relações que devemos analisar minuciosamente. Pensando que o objeto é composto por uma multiplicidade de determinações e que se movimenta num eterno “vir a ser”.

Que poder tem um jogador de superar sozinho esta lógica? Quanto dinheiro está envolvido hoje no esporte, notadamente no futebol? Quantos patrocinadores condicionam seu apoio ao sucesso? Quantos sócios torcedores condicionam sua associação ao sucesso? Como se organiza inicialmente a cota da TV? Qual o conjunto de interesses não estão por trás de apenas um jogador de futebol? Que tipo de pressão ele sofre para obter resultados positivos? Como vem se dando a formação das novas gerações de jogadores? Uma formação toda ela voltada ao fair play ou voltada à necessidade vital da vitória (a qualquer custo)? A frase aparentemente inofensiva – “o importante é competir”, geralmente utilizada como consolo ao derrotado, além de expressar a lógica de concorrência, oculta a necessidade imperiosa da vitória.

Ao pensar que esta lógica supera inevitavelmente o fair play, ao mesmo tempo em que ressaltamos a postura do zagueiro Rodrigo Cairo, identificamos os seus limites. Uma atitude – positiva- pontual que tem o poder de mudar quase nada. A saída não nos parece individual.

Jô errou, pagou pela incoerência entre suas declarações e seus atos. A equipe de arbitragem também errou ao não enxergar o lance escandaloso. Mas erram também os que, intencionalmente ou não, ocultam e preservam a lógica de uma expressão histórica do esporte, a de alto rendimento, colocando todo peso nas costas dos indivíduos. Pegam o problema pela sua expressão aparente, pela periferia, pela superfície.

Nesse sentido, ao olharmos só para "La mano de Jô", demonstramos estar carentes de um olhar mais apurado sobre a realidade do esporte de uma maneira geral e a do futebol, em particular.