
A data de hoje, 20 de novembro, é alusiva ao Dia da Consciência Negra. É também data da morte de um lutador do povo, Zumbi dos Palmares, morto no ano de 1695 pelas forças reacionárias do Brasil colonial.
Mais do que a luta contra a escravidão, Zumbi dos Palmares representa a luta pela libertação de um povo oprimido pelo julgo português, um povo que se queria livre de todas as formas opressivas, sendo a escravidão apenas uma delas e que ainda continua a imperar no nosso país e no mundo.
Indicadores sociais apontam que de duas milhões de mulheres, em sua maioria imigrantes, trabalham nos Estados Unidos em condições de escravidão, sem nenhum tipo de proteção trabalhista, a mercê dos humores e desejos dos seus patrões.
Na América Latina e Caribe, são 180 milhões de afrodescendentes considerados 'invisíveis'" (A TARDE, Opinião, Caderno A2, 20.11.11). No mesmo texto de onde tirei este dado, do jornalista e pesquisador Nilton Nascimento, é apresentada a impressão da
"Condoleezza Rice, primeira mulher afro-americana a se tornar secretária de Estado nos EUA" da visita que a mesma fez na Bahia. Diz ela:
"Durante a visita eu me surpreendi como a divisão racial no Brasil. Os brasileiros sempre sustentaram que não têm problema racial. Pareceu-me que nos serviços braçais ficam os africanos (...); nos serviços, os mulatos (...); e os funcionários do governo têm ascendência europeia/portuguesa. O Brasil foi o Páis mais parecido com os Estados Unidos na sua composição étnica, mas parece ter tirado pouco proveito da revolução pelos direitos civis que mudou a face da política e da sociedade americana"
Esses problemas raciais são materializados no âmbito do emprego, da educação, do rendimento e, tam

bém, no âmbito esportivo. O caso mais clássico é o da Olimpíada de Berlim, realizada em 1936. Na oportunidade, Adolf Hitler queria demonstrar a superioridade da chamada raça ariana. Mas a estética hitlerista foi ofuscada pelo campeão maior deste evento esportivo, o negro Jesse Owen.
Em 2005, tivemos o episódio que envolveu o atacante Grafite com o zagueiro Desábato, em partida válida pela primeira fase da Copa Libertadores. O jogador do São Paulo acusou o argentino de racismo. Em 2009, um caso parecido ocorreu no clássico entre Grêmio e Cruzeiro, na partida semifinal da Copa Libertadores, desta feita entre o atacante do Grêmio Maxi López e o volante do Cruzeiro Elicarlos. Segundo este, o argentino López o teria chamado de "macaco".
Na última sexta-feira, o presidente da FIFA teve que se retratar e pedir desculpas pela declaração polêmica de que
"os incidentes de racismo nos campos de futebol deveriam ser resolvidos com apertos de mão no encerramento das partidas". (Matéria completa
aqui) e hoje, saiu a notícia no caderno de esporte A TARDE, que "a UEFA multou a Federação Búlgara em 40 mil euros pelos incidentes de caráter racista ocorridos em 2 de setembro, em Sofia, no jogo contra a Inglaterra pelas eliminatórias para a Euro-2012. A multa teve origem atitudes discriminatórias de torcedores. Parte do público imitou sons de macacos quando os jogadores negros da seleção inglesa tocavam na bola".
Pelo exposto, Zumbi vivo, ainda teria muito o que fazer. Mas sua luta, a de Milton Santos, a de Nilton Nascimento entre muitos lutadores do povo, fica como lição para todos que acreditam que um outro mundo é sim, possível. Esses e outros, com certeza, formariam um exitoso time de futebol, o Palmares Esporte Clube.