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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mensagem publicitária como tática da "maquinaria do agito"

A publicidade deve atingir em cheio a consciência do espectador. Ou telespectador, dependendo do meio que se utiliza para passar a mensagem. Aliás, o meio também exerce uma influência no conteúdo da mensagem publicitária.

No rádio, onde os sentidos são "mais reduzidos" a mensagem de um produto apresenta um conteúdo diferente na apresentação deste mesmo conteúdo anunciado na televisão, por exemplo. Conteúdo e forma são dois elementos que balizam as produções da mensagem e suas disseminações nos diferentes meios.

Conteúdo/forma e meio/mensagem se evidenciam pela linguagem. Esta, como produto e processo das relações sociais, não é neutra e garante sentidos e significados distintos às produções publicitárias, expressando nas mesmas uma visão de mundo que pode ser reducionista, ampliada, flexível, entre outras, podendo até classificar socialmente os indivíduos.


No mês de setembro último, para comemorar o dia do Profissional de Educação Física, o Conselho Regional de Educação Física (CREF) de Minas Gerais veiculou uma propaganda com um teor, no meu ponto de vista, além de reducionista, grosseiro, minimalista e preconceituoso.

Além de tudo isso, classificou também o indivíduo obeso, enquadrando-o em coordenadas geográficas. Seria a metáfora perfeita para o chamado "mundo dos magros" ou dos "menos redondos"? Um mundo onde as linhas e os meridianos são mais importantes do que as pessoas?

Ao dar de frente com esse tipo de mensagem expressa na propaganda da imagem acima, fico me perguntando até que ponto a mesma denota uma preocupação com o fenômeno da obesidade ou trata a mesma com nítidos contornos preconceituosos. O que justifica "fazer de tudo por um mundo menos redondo"? O que este "mundo menos redondo" tem de tão bom que é preciso "fazer de tudo" para que ele prevaleça?

Aliás, a expressão "fazer de tudo" já é preocupante. Aqui entra, portanto, até a prática do uso de anabolizantes, remédios para emagrecer, utilização de atividades físicas não condizentes, etc, etc, etc. Em outras palavras, o importante é ser "menos redondo", pleonasmo para dizer que o fundamental é ser magro!!! Não importa o que você faça.

Uma instituição como o CREF não pode desconhecer os estudos realizados no campo da psicologia que vem identificando que quanto mais se rejeita a obesidade, quanto mais se idolatra a magreza, mais e mais problemas relacionados à própria obesidade se ampliam.

Na minha humilde opinião, esse discurso da mensagem publicitária acima só se justifica pelo atendimento aos interesses da "maquinaria do agito". Conota muito mais uma estratégia que visa ao endereçamento. Esse discurso do "menos redondo" compõe uma tática recorrente que objetiva capturar o sujeito. Subliminarmente, propagandeia produtos e serviços ao mesmo tempo em que vende um certo estilo de vida "saudável" e "ativa".

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P.S. Observe o que fizeram nas camisas da mensagem publicitária com o suposto suor. Isso demonstra cabalmente que as suspeitas da postagem anterior - Coração de suor... - não são infundadas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Publicidade irresponsável

Os donos dos espaços publicitários no interior do estádio não dimencionam nem tampouco pensam sobre o lugar onde fixam suas placas de anúncio.

Na copa São Paulo de futebol júnior, conhecido como copinha, encerrada no último dia 25, um atleta do Esporte Clube Bahia, Rafael, ao comemorar um gol, quase se machuca feio, ao pular uma placa publicitária colocada justamente na frente de uma escadaria que dava acesso a um dos túneis do estádio.

Crítica a atitude do anunciante. Nada. O que li foram frases do tipo "jogador do Bahia caiu direto nos degraus e levou um tombo vexatório"; "Jogador do Bahia leva tombo em comemoração de gol"; "Na comemoração, o jogador quase se machucou ao cair no túnel (...)". Nenhuma crítica aos irresponsáveis que colocaram a placa publicitária em local indevido. Nenhuma reflexão sobre a possibilidade, nesta comemoração, do jogador encerrar a sua carreira de forma prematura.

Além das frases acima transcritas, não faltaram sites a disponibilizar vídeos do tombo para alegrar os adoradores de "vídeo-cassetada". Diriam eles, trágico se não fosse cômico. Digo eu: uma completa falta de respeito com os atletas, uma completa falta de senso profissional de todos os que se calaram diante deste ato irresponsável.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco!!!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A volta dos que foram

Início de temporada no mundo do esporte é sempre muito movimentado. Compra e venda de atletas, compra e venda de espaços publicitários, busca de patrocínios para as equipes, reordenamento ou, para ficar mais modernoso, reengenharia financeira, promoções para torcedores, briga por cotas televisivas entre muitas outras coisas. Todos esses elementos, em síntese, compõem o que se costuma chamar de mercado da bola.

Esse mercado, embora exista em todas as modalidades esportivas em maior ou menor ênfase, dependendo do desempenho histórico das equipes, é mais visível, em função da mídia de uma forma geral e, fundamentalmente, da televisão, no âmbito do futebol.

O jogador tal, que no início do ano de 2009 beijava efusivamente o símbolo do clube em que ele atuaria, beija, agora, em 2010, o símbolo de um outro clube, nada mais, nada menos do que o maior rival do anterior e acrescenta: desde criancinha eu sonhava em jogar por este clube.

Há inclusive àqueles que além de falarem e beijarem para agradar a torcida e os patrocinadores, não se fazem de rogado e até mudam a cor das tranças do cabelo. Se era verde e branco, sem nenhum constrangimento, pode muito bem passar a ser vermelho e preto, ora bolas, afinal de contas de quem é o cabelo? Do patrocinador, evidentemente.

Coisa de atleta que sabe fazer o marketing. Afinal de contas, esporte moderno é isso: apenas negócio. Não estamos de forma alguma, desenvolvendo uma reflexão saudosista, defendendo a volta de um tempo já muito distante em que o atleta, no caso aqui o jogador de futebol, se fazia em um clube e nele mesmo se aposentava. Como exemplo desses tipos temos atualmente no Brasil, coincidentemente, dois goleiros que jogam em times paulistas: Rogério Ceni (São Paulo) e Marcos (Palmeiras).

Eis que agora o mercado da bola apresenta um movimento bastante interessante: a volta dos que foram. Refiro-me ao retorno de jogadores brasileiros de futebol que foram vendidos para times europeus e que agora retornam. Ronaldo, Robinho, Fred, Adriano, Wagner Love, Roberto Carlos...



Saudades do feijão brasileiro? Dos gramados e estádios nacionais? Ávidos pelos gritos da torcida? Sei não. Segundo o que dá a entender a imprensa esportiva, existe nesses gestos um projeto sendo desenvolvido: o projeto copa da África.

Explico. Por não estarem indo muito bem nos seus respectivos times na Europa, alguns inclusive esquentando um outrora impensável banco de reservas, os empresários desses jogadores apostam tudo no retorno ao seu país de origem. Aqui, hipoteticamente, eles jogariam, teriam bons aproveitamentos nos jogos e chances reais em serem chamados para a seleção brasileira.

Na seleção brasileira, teriam, mais uma vez, o passaporte carimbado para jogar de novo na Europa, com contratos renovados e milionários. Seria o retorno dos que voltaram. Seria, também, mais uma temática para um novo texto. Aguardemos.