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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Esporte para todos ou para alguns?

Imagem retirada do blog Diário de Pernambuco

Toda organização para a ação não pode prescindir de duas coisas: da tática e da estratégia.

Em ambas, a mediação histórica deve se fazer presente. Colocar toda uma discussão no plano da ação é perigoso se o plano e a ação não estiverem fundamentados na história. Nem tudo o que ocorreu na história da humanidade deve se repetir ou deve se inserir no plano da ação.

Para fazer mesmo a diferença, devemos pensar em fazer coisas diferentes. Não será reproduzindo e repetindo experiências que a prática já demonstrou serem obsoletas que faremos a diferença.

Estamos diante de um momento pós-copa, onde o debate sobre o modelo esportivo para o país - centrado no futebol, mas que não precisa se resumir ao mesmo - está sendo proposto com mais evidência.

Podemos participar do mesmo. Repetindo as fórmulas prontas (Dunga no lugar de Felipão) ou debatendo seriamente sobre o que queremos para o nosso país: esporte para todos ou apenas para alguns?

Reflitamos sobre isso.

sábado, 19 de julho de 2014

Novo técnico?

Na próxima semana a CBF poderá anunciar o nome do novo técnico da seleção brasileira. Provavelmente na terça-feira.

"Novo técnico" é só um eufemismo, caso o nome do Dunga, que vem sendo ventilado nos meios do jornalismo esportivo como o mais cotado entre outros, seja confirmado.

Dunga já treinou a seleção brasileira em outros tempos, portanto não seria nenhuma novidade, apenas mais do mesmo.

Imagem retirada do Blog da Cidadania
Então essa tal "transformação pelo alto", diriam meus amigos gramscianos, colocará um técnico que foi eliminado nas quartas-de-final quando do seu comando na seleção brasileira na Copa do Mundo na África do Sul, no lugar de um outro, o Luis Felipe Scolari (Felipão), que foi eliminado nas semi-finais.

Excrescência? Penso que sim. Mas o que esperar das decisões oriundas de uma Confederação Brasileira de Futebol carcomida por dentro? Nada mais, não é mesmo?

Talvez, e só talvez, a única coisa que pode justificar o nome de Dunga para ser o "novo" técnico da seleção canarinho é a sua ascendência alemã.

Risos do blogueiro.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Elitização da competição

O jogo da seleção brasileira, ontem, serviu para duas coisas: 1) Estamos precisando melhorar e muito em todos os setores. A seleção inglesa que veio passear no Rio de Janeiro, empatou e virou, quase saindo vitoriosa da contenda; 2) A renda de oito milhões e mais de seiscentos mil, em um jogo que teve pouco mais de cinquenta e sete mil pagantes, demonstra a face elitista destas competições.

E é isso que importa a senhora FIFA. O resto é...o resto.

domingo, 2 de junho de 2013

Seleção Brazuestrangeira

Tanta coisa importante para se refletir, debater, sobre o futebol nacional e o esporte de uma maneira geral e as redes de televisão do país só aborda assuntos relacionados ao Neymar e a Seleção Brazuestrangeira.

Pauta é o que não falta. Por exemplo: a) selecionados por Felipão que pertencem ao mafioso russo, Kia Joorabchian; b) desapropriações e copa do mundo 2014; c) COB e incentivo à democratização do esporte; d) construções de arenas: necessidade ou farra com o dinheiro público? e) políticas de esporte e lazer no país da olimpíada e das copas (confederações e mundial) f) etc, etc, etc...

Mas preferimos ficar com as neymarzetes e equivalentes.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Argentino no comando

O técnico da seleção brasileira do basquete masculino, que disputa depois de três olimpíadas uma medalha em Londres, é da Argentina.

Fico imaginando se isso ocorreria na seleção brasileira de futebol masculino.

Já pensou?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rascunho zero

"Rascunho Zero". Teria nome melhor para o que construíram como proposta na RIO+20? É ZERO, mesmo!!! Pior que isso só mesmo a Seleção de Mano Menezes.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Peixe na rede

O ex-craque do Flamengo, Vasco da Gama, da Seleção Brasileira (que saudades...) e atual Deputado Federal, Romário, vem surpreendendo e marcando "golaços" na sua vida política. Um dos seus e talvez principal papel tem sido o de enfrentar o todo poderoso Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol(CBF).

Hoje ele publicou, no seu site, uma entrevista com o jornalista Andrew Jennings, escocês que resolveu enfrentar a Federação Internacional de Associações de Futebol (FIFA), há 15 anos.

Interessado em ler a entrevista? Clique AQUI.

domingo, 17 de julho de 2011

Copa América (4)

Patética, patética, mil vezes patética a performance - se é que podemos dizer isso -  da seleção brasileira na Copa América 2011. Mais patética ainda é a relação entre a transmissão do jogo da seleção, principalmente pela vênus platinada e sua, quando consumada, eliminação. Prato cheio para uma análise de conteúdo. Nem parece a mesma seleção nem, tampouco, os mesmos narradores e comentaristas.

Até crítica à postura dos jogadores correndo para bater o penalty, pedidos de "baixar a bola" (e quem as levanta?), e crítica a uma busca exacerbada de marketing e imagem por parte dos "craques", eu ouvir hoje. Só mesmo uma "tragédia", na minha opinião já anunciada, para poder ouvir essas coisas da boca de quem promove tudo isso.

Atualmente, mais do que na época do meu pai, que nos idos da década de 80 já cansava de dizer que "todo mundo joga bola hoje em dia", não tem mais seleção boba e é necessário encararmos as mesmas com seriedade e respeito. O que não ocorre.

Ontem, tivemos um Argentina e Uruguai dígno das tradições destas duas seleções. Hoje, tivemos um Brasil e Paraguai simplesmente patético. A seleção até jogou bem e na minha avaliação foi o melhor jogo que ela fez no torneio mas, infelizmente, mais uma vez, tropeçou nos seus topetes e penteados diversos.

Durante toda a semana, o Paraguai treinou penaltys e a seleção brasileira treinou alguns. Na cabeça do Mano Menezes, até passava a possibilidade da decisão ir para os penaltys, mas o jogo seria decidido mesmo nos 90 minutos e até poderia se não fosse a performance - agora sim, esta palavra cabe - do goleiro paraguaiu.

Agora o tom da conversa é parar para organizar, refletir, pois a culpa do fiasco é nossa. De maneira alguma você ouvirar que o Paraguai teve seu mérito, que o técnico jogou o jogo que pensou e treinou durante toda a semana e conseguiu realizar. Claramente o Paraguai entrou para levar o jogo para os penaltys, pois foi isso que os jogadores treinaram durante a semana. Estão de parabéns.

Resta uma esperança. Que esta derrota sirva para enfraquecer o senhor Ricardo Teixera, que vem sendo alvo de inúmeras denúncias de corrupção e passeia incólume pelos três poderes em Brasília. No twitter tem o movimento #forateixeira que solicito a aderência de vocês.

Sigamos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Devendo o dízimo e o futebol

O jogador do Santos (que provavelmente vá para o Barcelona em breve) e atacante da Seleção Brasileira Neymar "Cabeleireira" não tá devendo só o bom futebol que ele sabe praticar e que vem encantando os amantes do futebol de todo o mundo.

Digo isso por que li ontem no FOLHA UOL que o mesmo doa a quantia de 13 mil reais por mês para a Igreja Batista Peniel. Se esse valor corresponde ao dízimo, tal como a reportagem faz crer, o mesmo tá devendo dinheiro ao céu.

Segundo entendo e me ensina o livro ATOS DOS APÓSTOLOS, capítulo 5 da Bíblia, dízimo é dez por cento. É isso mesmo? Caso esteja correto o meu raciocínio, ele deveria doar 60 mil, já que o mesmo ganhar 600 mil reais por mês. 13 mil tá muito, mas muito pouco mesmo.

Perguntam os meus fervorosos botões: será por isso que o Neymar vem jogando mal?

domingo, 3 de julho de 2011

Copa América

Menos cabelo e mais futebol. Era isso que eu esperava da seleção brasileira na sua estréia hoje na Copa América. Um empate em 0 a 0 com a bem postada seleção da Venezuela que jogou tática e claramente para não tomar gol e foi competente.

Já a Seleção brasileira, que teve o mérito de entrar com uma formação ofensiva, não foi nada competente. Muitos passes errados no meio de campo fizeram com que a bola tivesse dificuldade de chegar na frente. Com isso, as duas aves, Ganso e Pato, não se entenderam e o jogador Neymar não disse para que veio, mas sabemos do seu potencial e com certeza ele vai jogar melhor na próxima partida.
A entrada de Lucas, Elano e Fred não surtiu o efeito desejado pelo Mano Menezes. Agora é esperar a próxima partida e assisti-la sem levar em consideração as chacotas e o desrespeito do Galvão Bueno para com os jogadores adversários. Até parece que o telespectador já não sabe que nesta altura do campeonato, nenhuma seleção do mundo é boba e todo mundo já sabe jogar bola. Aliás, é bom lembrar, que o Brasil se encontra em quinto lugar segundo o último ranking da Fifa.

Por tanto, devagar com a exacerbação nacionalista, não cabe mais.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A culpa é só do atleta?

Na última Copa do Mundo, realizada na África do Sul, a seleção brasileira foi eliminada pela seleção holandesa que jogava com um a mais em função da expulsão do volante Felipe Mello, motivada por uma jogada faltosa em Arjen Robben aos 27 minutos do segundo tempo. Era o fim da "era Dunga".

No último domingo, 06 de fevereiro, eis que o zagueiro da seleção brasileira sub-20, Juan, desferiu um soco no jogador argentino Funes Mori, aos cinco minutos do primeiro tempo e foi expulso. Zagueiros e volantes desandaram a dar falta e Neymar, em mais uma atitude intempestiva, foi suspenso para o próximo jogo por ter empurrado o goleiro da seleção argentina.

Ontem, 09 de fevereiro, o protagonista de atitude truculenta em mais uma partida da seleção brasileira principal contra o selecionado da França foi o meio campista Hernanes, ex-são paulino e atual jogador do Lázio, da Itália. Ele aplicou uma chamada “voadora” no peito do atacante francês, Benzema, recebendo, assim como Felipe Melo e Juan, cartão vermelho, desfalcando a seleção brasileira que perdeu da França pelo placar de um tento a zero.

O que está havendo? Que péssimo hábito é este da truculência dos jogadores brasileiros contra os seus adversários? Seria este agora o adjetivo para “jogo bonito?”, para o “fair play? Ou isso é uma expressão do chamado futebol força de influência européia? Quais as mensagens que esses jogadores estão dando aos jovens deste país, que em sua grande maioria, já vivenciam de diferentes formas a violência da realidade social brasileira?
Exemplos de atitudes violentas por parte de jogadores da seleção brasileira nós temos abundantes em tempos e espaços distintos, mas assusta a regularidade e a motivação com que esses atos estão sendo praticados. Notem que o jogo contra o selecionado francês foi um amistoso, que segundo o meu amigo Houaiss é um jogo “que é próprio de amigo(s); amigável, afetuoso”.

Segundo David Yallop, no importante livro “Como eles roubaram o jogo: segredos do subterrâneo da FIFA”, na década de 50 a seleção brasileira já era talentosa, mas este atributo era “frequentemente mascarado e desfigurado por um nível de violência que, se perpetrado fora do campo, teria resultado em sentenças à prisão”. (p. 32), portanto, não estamos tratando aqui de algo recente e precisamos ampliar o campo de compreensão e explicação deste fenômeno, para que não recaia no atleta, individualmente, o processo de culpabilização.

Se olharmos apenas para as atitudes individuais dos atletas aqui citados e outros que já foram protagonistas de ações parecidas e àqueles que ainda estão por vir, não iremos reconhecer a essência do problema, que se multiplica, na minha modesta opinião, pelas relações de trabalho aviltantes, seja para os atletas, que suportam uma jornada de trabalho absurdamente alta, em ritmo de jogo e treino interminável, seja pela comissão técnica supervalorizada única e exclusivamente por sua competência técnica dissociada de outros valores, seja pela valorização do jogador A, B ou C, como se o mesmo não dependesse de uma equipe, do coletivo para chegar aos seus objetivos e do clube, seja pela não profissionalização e má formação dos árbitros, etc, etc, etc.

sábado, 14 de agosto de 2010

Imagem esporte clube

Quando o ex-técnico da seleção brasileira, Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, assumiu a seleção brasileira no ano de 2006, o objetivo maior era promover um retorno da imagem de uma seleção aguerrida, briosa, cheia de garra e de vontade de vencer, elementos que pareciam ter faltado à seleção de Carlos Alberto Parreira, que mais parecia está em um parque de diversão nos dias de treinamento. A missão do então novo técnico Dunga era mexer com os brios de uma seleção que parecia ter estado sem comando, dispersa e desatenta durante todo o torneio da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Era preciso montar um time competitivo e vencedor. E o jogador Dunga, que levantou a taça do tetra em 1994, era a encarnação desta imagem.

Com o fracasso da seleção brasileira na última Copa, na África do Sul, todos os elementos que antes eram imprescindíveis para a seleção canarinho sagrar-se campeã, se voltaram contra ela. O parque de diversão da seleção de Parreira transformou-se em quartel general. A imagem austera, comandada pelo "general" Dunga estava presente. Nem mesmo os jornalistas brasileiros tinham acessos privilegiados. Até mesmo os profissionais da Rede Globo, que sempre tinham ligação direta com os selecionados, foram barrados no baile.

A imagem da seleção estava sendo desgastada pelo excesso de rigor e disciplina e isso vinha se expressando em campo e fora dele. Nos gramados, uma seleção sem surpresas, sem genialidade, extremamente previsível. Fora, um técnico desprovido de qualquer senso de responsabilidade, ao ponto de pouco se importar com o que falava nas entrevistas coletivas oficiais que era obrigado a dar. Só mesmo um título mundial faria a imprensa nacional engolir, à moda zagalo, tanto destempero. Mas ele não veio e a imagem que ficou foi de uma seleção truculenta, à moda Felipe Melo.

Eis que esta semana jogou a seleção brasileira. Técnico novo. Novo time e novas estratégias para cuidar da imagem da seleção brasileira. E parece que está dando certo. Ouvir alguns comentários de algumas pessoas do tipo "recuperei o gosto de ver a seleção jogar". E realmente a seleção jogou muito bem fora e dentro de campo, extremamente de acordo ao script montado pelos marketeiros de plantão para recuperação da sua imagem.

O primeiro ato para aproximar o selecionado do povo brasileiro foi a convocação dos meninos da vila. Distribuição de autógrafos, sorrisos para todos os lados, conversas com os fãs e entrevistas para os jornalistas foram outras ações necessárias. O próprio Ricardo Teixeira foi quem aconselhou o grupo para tal atitudes que somadas ao presente recebido por Alex Escobar, jornalista destratado ao vivo e a cores pelo ex-técnico Dunga em entrevista coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim, pretende colocar uma pá de cal na imagem deixada pela chamada Era Dunga, seja lá o que isso signifique.

Mas essa questão da imagem não fica restrita aos gramados e nem tampouco, circunscrita a aparição na mídia. Muitas vezes para preservar uma imagem, é preciso ocultá-la. É o que parece está fazendo o nosso Felipe Massa. Depois da corrida de fórmula 1 da Alemanha, onde o mesmo protagonizou uma desacelerada exigida por sua equipe Ferrari em benefício do seu colega de escuderia Fernando Alonso, ele tem evitado aparições públicas e as diferentes mídias. Há quem diga que a estratégia foi imposta pela própria Ferrari, tudo em nome da imagem da equipe.

Um outro que parece está com sua imagem de vencedor abalada é o técnico Luiz Felipe scolari. São seis partidas sem vencer à frente do Palmeiras. Segundo o sítio Máquina do Esporte, "O patrocínio a qualquer personalidade ligada ao futebol, concordam especialistas, está condicionado aos valores e à imagem do patrocinado".

Ainda no próprio sítio, o especialista em indústria do futebol, Oliver Seitz, opina que "Se ele ficar dez ou 15 partidas sem ganhar, não dá para manter a imagem de vencedor que angariou nos últimos anos". E se isso acontecer, enfatizamos, os patrocinadores irão buscar outros lugares para investirem seu capital.

sábado, 7 de agosto de 2010

O futebol e os presidenciáveis

Durante os jogos da última Copa do Mundo, principalmente nos dias que antecederam e os posteriores dos jogos da seleção brasileira, muito foi sendo comentado sobre qual seria a escalação ideal do time nacional. Antes mesmo dos jogos do torneio começarem, já na própria escalação do selecionado que iria para a África do Sul, inúmeros brasileiros e brasileiras refletiam, discutiam, debatiam de forma apaixonada os jogadores que iriam participar do maior torneio de futebol do planeta sobre o comando do técnico Dunga.

Aliás, a própria escolha do nome do homem que iria dirigir a seleção mais vencedora das Copas, após o fiasco contra a seleção francesa em 2006, a única que tem o privilégio de ter participado de todos os torneios, foi questionado, assim como também, questionável foi o desempenho dos jogadores sobre o seu comando durante a fase classificatória, tendo sido chamado até de burro em pleno maracanã em uma das participações da seleção canarinho.

Todo esse entusiasmo em torno da seleção brasileira, todo o debate que a mesma sucita em vários momentos por diversos setores da sociedade, da pessoa comum ao próprio presidente da república, sempre inspira comentários do tipo: se o povo brasileiro se preocupasse com o desenvolvimento da política do seu país, como se preocupa com a performance do seu selecionado, o Brasil seria outro.

Logo após a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de finais do torneio na África do Sul, uma frase atribuída ao senador Cristóvam Buarque invadiu as caixas de mensagens na rede mundial de computadores. Ela dizia o seguinte>:"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação é o 85º e ninguém reclama."



E quando todos achavam que os brasileiros se voltariam para a política neste ano eleitoral, logo após o término da Copa do Mundo, onde não só o presidente, mas deputados, senadores e governadores serão eleitos, eis que o grande debate nacional se volta para quem vai ser o próximo técnico da seleção para a Copa de 2014, que será realizada aqui no Brasil?

Mas já que o técnico foi escolhido, agora a eleição entra na agenda dos brasileiros de forma definitiva e toma de vez o lugar do futebol. Sei não. Se tomarmos como referência a última quarta-feira (04/08), parece que este negócio de eleição não tá empolgando muito não. O futebol entre São Paulo e Internacional pelas Libertadores das Américas que passou na Globo deu de goleada nos presidenciáveis que se apresentavam no mesmo horário em um debate transmitido pela Rede Bandeirantes.

O placar? 36,9 pontos de audiência contra 5,5 respectivamente, segundo o Ibope em divulgação dos dados preliminares da aferição. Entre futebol e eleição especificamente, ou esporte e política mais amplamente, os brasileiros preferem o primeiro, respectivamente. Talvez por isso, tanto um, quanto o outro, carecem de melhores desempenhos e performance.

sábado, 3 de julho de 2010

Futebol, um jogo revolucionário

Nossa postagem desta semana é do jornalista baiano Albenísio Fonseca, Diretor Editorial do Jornal da Península. Albenísio já atuou como revisor, repórter, editor nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia, Correio da Bahia, Jornal da Bahia e Bahia Hoje, além de lançar as publicações "Revista do Carnaval", "Stylo & Moda" e free-lancers para Folha de S. Paulo e assessorias de comunicação em empresas, prefeituras e mandatos de parlamentares. O jornalista mantém um blog onde publica várias de suas ideias. O jornalista autorizou a publicação do texto abaixo que foi publicado no seu blog no dia 07 de junho, data em que ainda acalentávamos a esperança do selecionado canarinho ganhar o hexa, embora várias críticas confirmadas no jogo mais duro em que a seleção brasileira enfrentou, contra a Holanda, estivessem sendo dirigidas ao Dunga. Vamos ao texto.
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Futebol, um jogo revolucionário

Albenísio Fonseca

O único delírio coletivo permitido no Brasil, além do Carnaval, é a conquista da Copa do Mundo. Espetáculo coletivo, o futebol torna-se ritualístico na medida em que identifica os espectadores com o drama que se desenrola em campo. Os jogadores são como personagens de teatro com os quais nos identificamos numa relação ritualística (espetacular) em que o campo se converte num grande teatro de arena. Visto de forma simbólica, emocional e arquetípica, o futebol é uma confrontação de opostos durante a qual inúmeras emoções são elaboradas, soltas, exercidas e domesticadas.

As origens do futebol perdem-se nos subterrâneos da História. Iniciado na Inglaterra, provavelmente a partir do harpastum, jogo de bola com as mãos trazido pelos romanos da Grécia, há também a hipótese de que tenha-se originado do costume primitivo de chutar a cabeça dos inimigos para comemorar vitórias. Existe ainda a informação do futebol jogado nas terças-feiras de Carnaval em Chester, cidade inglesa fundada pelos romanos.

É possível relacionar pelo menos quatro razões para afirmar o futebol como um jogo revolucionário. Por sua associação ao Carnaval, festa visceralmente ligada à liberação das emoções e instintos. Por ser jogado com os pés, numa contrapartida para com as atividades sociais organizadas e praticadas sob o controle das mãos. Por ser um esporte coletivo e, desse modo, contrariar os esportes individualistas das elites. E, ainda, por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acaba bem, ao contrário dos torneios que terminavam com a morte de um dos contendores.

O futebol registra episódios surpreendentes, como o de uma guerra entre a Inglaterra e a Escócia, em 1297, acabar desmoralizada porque os soldados de Lancashire, tradicionais inimigos dos escoceses, desobedeceram a seus comandantes e preferirem disputar sua rivalidade no futebol, ao invés de guerrear.

A face revolucionária do futebol diante do padrão patriarcal acabou por gerar sua repressão legal na Inglaterra, por razões militares de Estado, a partir do século 14, e motivo de ampla legislação proibitiva até o século 16. Mas o esporte floresceria e se difundiria por todas as culturas pelas mais diversas vias. Ao nos identificarmos com os jogadores nesse ritual dramático, sentimos que eles realizam por nós proezas físicas e psíquicas, que nos gratificam profundamente. Se as proezas físicas são maravilhosas de ver, as psíquicas são partilhadas e usufruídas. A imprevisibilidade do jogo faz com que toda sorte de emoções surja entre os heróis e o gol (jogadores de futebol são heróis do povo e o goleador o maior deles).

A ação dramática transcorrida nos 90 minutos é um símbolo transfigurado do processo de luta pela vida para atingir nossas metas. Como o gol adversário (a meta) é defendido por um time igual ao nosso, para atingi-lo temos que nos defrontar com emoções intensas e atravessá-las pelo drible, pelo controle da bola, intuição, planejamento, ação conjunta, malícia, velocidade, tudo enfim que há de humano contra tudo humanamente igual.

O futebol lida com emoções da maior importância, como a agressividade, a competição, amizade, rivalidade, inveja, orgulho, depressão, humilhação, fingimento e traição, entre tantos outros. O exercício da ética no futebol é tão evoluído que trouxe até mesmo a codificação de não se marcar uma falta que beneficie o infrator. Também a regra do impedimento, que proíbe receber por trás da defesa, delimitando física, espacial e dramaticamente situações de lealdade no confronto direto, e de traição no atacar por trás.

As emoções elaboradas pelos jogadores correspondem, simultaneamente, às vividas pelos torcedores. Um time que se lança ao ataque ativa a coragem e a ambição do torcedor. As tentativas de invasão de área e realização do gol podem, de logo, ser invertidas num contra-ataque. No mais, acompanhemos os jogos dessa 19ª Copa do Mundo, na África do Sul, com um esforço de consciência para compreender seus símbolos e exercê-los, não só no âmbito das suas arenas, mas em todas as instâncias da política e da cultura.

sábado, 22 de maio de 2010

De leão à canarinho

Com a proximidade da Copa do Mundo de futebol na África do Sul, o sentimento de nacionalidade se aflora e todos passam a vestir a camisa da seleção brasileira, inseri as bandeiras nas janelas e as flâmulas nos carros. Os pneus, antes pretos, passam a ter faixas amarelas e verdes. Os outdoors ficam todos com cores parecidas e os mais diversos produtos, mesmos os que nada tem de comum com o esporte, aproveitam a deixa e fazem o seu marketing.

No entanto, já houve um tempo em que as coisas eram bem diferentes e os conhecidos canarinhos mais pareciam com leões famintos fora da jaula. Quem nos ensina rapidamente isso é David A. Yallop, no livro "Como eles roubaram o jogo: segredos dos subterrâneos da FIFA". Lá na página 31 do livro da editora Record, o jornalista nos diz que "(...) na Copa do Mundo de 98, na França, o Brasil representa para milhões de pessoas em todo o planeta o que há de melhor em futebol. (...) Mas nem sempre foi assim". Sublinha.

Ainda segundo Yallop, agora na página 32, "Na década de 1950 (...) o talento do grupo era frequentemente mascarado e desfigurado por um nível de violência que, se perpetrado fora do campo, teria resultado em sentenças à prisão".

Em 1954, na Suiça, ano em que se começou a televisionar os jogos da Copa do Mundo de futebol a seleção do Brasil e da Hungria proporcionaram um jogo que ficou conhecido como a "Batalha de Berna". "O bom, o mal e o feio foram todos exibidos (...). O ministro dos esportes húngaro (...) foi esmurrado no rosto (...). A seleção brasileira invadiu o vestiário dos húngaros".

E para completar os feitos desta seleção brasileira que esbanja "estilo, jeito, elegância, garbo, sucesso, gênio", tudo isso segundo Yallop em relação a seleção de 98, que fique bem entendido, "Em 1956, durante uma excursão pela Europa, o lado sombrio do jogo brasileiro seria visto mais uma vez. Após um jogo em Viena, a seleção brasileira e membros da delegação tentaram agredir o árbitro. O Brasil se tornara a equipe que todos os demais temiam, por todas as razões erradas".

Mas este tempo animalesco já se foi. No máximo podemos ter um burro empacado, pouco afeito a penas e aves, no comando da seleção. Mas como ele não entra em campo, a esperança de vermos o ganso jogar se transmuta em um sonho de canarinhos voando de volta com a taça na mão. Pois verde também é a cor da esperança e nós, brasileiros, como sabemos, não desistimos nunca!!!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Meu esporte não é torcer pelo Brasil!!!

A postagem desta semana é do professor de educação física da Universidade Federal da Paraíba(UFPB), Jeimison de Araújo Macieira. Mestrando em Serviço Social pela mesma universidade, Jeimison também é graduando em Filosofia e membro do grupo Lepel da Paraíba e do grupo de estudos marxistas ligado ao programa de pós-graduação em serviço social desde 2007, ano que iniciou também sua gestão na Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física, coordenando a regional 3 até 2008. Além do mestrado, onde o mesmo vem estudando a precarização do trabalho dos professores de educação física do Município da Cidade de João Pessoa - PB, o mesmo vem elaborando junto a uma equipe de professores, o primeiro livro didático público de Educação Física de João Pessoa, na linha critico-superadora. Vamos ao seu texto.

O treinador da seleção brasileira “Dunga”, durante entrevista coletiva realizada no dia 11 de maio de 2010 no Rio de Janeiro, encenou uma das mais trágicas peças dos últimos anos. Durante a peleja o técnico se dirigia ao povo brasileiro dizendo: estou falando com você torcedor! Que ama a pátria! Mas que pátria? Quem são esses guerreiros que se dizem capazes de lutar por nossa honra? Que guerra é essa que iremos travar além mar? Será que ainda temos brasileiros convictos de que ainda somos a pátria de chuteiras, apregoada em momentos da nossa história que merecemos esquecer?

Dizer que quem não esteve no Brasil em tempos de ditadura, não pode opinar e nem dar um parecer a respeito me faz pensar no seguinte: sou torcedor da seleção brasileira desde 90, quando daquela trágica eliminação contra a Argentina, mas gostaria de dizer que adoro ver os jogos “gravados” da seleção de 1970, 1982 e 1986. Será que não posso mesmo dizer que o Falcão era demais com sua elegância e refinamento no passe, que o Zico me maravilhava com sua maestria, e ainda que o Sócrates e seus toques quase que inimagináveis me fazia pensar que futebol se assemelhara a arte? Bem, não tenho dúvidas que posso e, por isso, não farei o menor esforço para não dizer!

O velho barbudo certa vez nos disse, parafraseando Hegel que “todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa! Espero que a farsa anunciada pela coerência da volúpia impetuosa do nosso treinador não se torne uma tragédia anunciada! Alias a tragédia anunciada da renegação do lúdico, da arte, do brincar, do divertir-se através desse “jogo” transformado em espetáculo, já sucumbiu ao pragmatismo dos resultados do modelo capitalista de dominar nosso imaginário. Só não sei se essa convocação é uma farsa ou a anunciação de uma tragédia.

Sou torcedor da seleção brasileira, mas meu esporte não é torcer pelo Brasil! Meu esporte é acreditar que este jogo “um dia” pode reencenar tempos de arte, de criatividade, de imaginação, de sonho! Meu esporte é lutar incessantemente pelo significado histórico do esporte, do jogo, da arte e das manifestações da cultura corporal, ressaltando seu caráter de classe, onde os verdadeiros guerreiros são aqueles que constroem a história da nossa cultura diariamente nos terrenos de terra batida.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A volta dos que foram

Início de temporada no mundo do esporte é sempre muito movimentado. Compra e venda de atletas, compra e venda de espaços publicitários, busca de patrocínios para as equipes, reordenamento ou, para ficar mais modernoso, reengenharia financeira, promoções para torcedores, briga por cotas televisivas entre muitas outras coisas. Todos esses elementos, em síntese, compõem o que se costuma chamar de mercado da bola.

Esse mercado, embora exista em todas as modalidades esportivas em maior ou menor ênfase, dependendo do desempenho histórico das equipes, é mais visível, em função da mídia de uma forma geral e, fundamentalmente, da televisão, no âmbito do futebol.

O jogador tal, que no início do ano de 2009 beijava efusivamente o símbolo do clube em que ele atuaria, beija, agora, em 2010, o símbolo de um outro clube, nada mais, nada menos do que o maior rival do anterior e acrescenta: desde criancinha eu sonhava em jogar por este clube.

Há inclusive àqueles que além de falarem e beijarem para agradar a torcida e os patrocinadores, não se fazem de rogado e até mudam a cor das tranças do cabelo. Se era verde e branco, sem nenhum constrangimento, pode muito bem passar a ser vermelho e preto, ora bolas, afinal de contas de quem é o cabelo? Do patrocinador, evidentemente.

Coisa de atleta que sabe fazer o marketing. Afinal de contas, esporte moderno é isso: apenas negócio. Não estamos de forma alguma, desenvolvendo uma reflexão saudosista, defendendo a volta de um tempo já muito distante em que o atleta, no caso aqui o jogador de futebol, se fazia em um clube e nele mesmo se aposentava. Como exemplo desses tipos temos atualmente no Brasil, coincidentemente, dois goleiros que jogam em times paulistas: Rogério Ceni (São Paulo) e Marcos (Palmeiras).

Eis que agora o mercado da bola apresenta um movimento bastante interessante: a volta dos que foram. Refiro-me ao retorno de jogadores brasileiros de futebol que foram vendidos para times europeus e que agora retornam. Ronaldo, Robinho, Fred, Adriano, Wagner Love, Roberto Carlos...



Saudades do feijão brasileiro? Dos gramados e estádios nacionais? Ávidos pelos gritos da torcida? Sei não. Segundo o que dá a entender a imprensa esportiva, existe nesses gestos um projeto sendo desenvolvido: o projeto copa da África.

Explico. Por não estarem indo muito bem nos seus respectivos times na Europa, alguns inclusive esquentando um outrora impensável banco de reservas, os empresários desses jogadores apostam tudo no retorno ao seu país de origem. Aqui, hipoteticamente, eles jogariam, teriam bons aproveitamentos nos jogos e chances reais em serem chamados para a seleção brasileira.

Na seleção brasileira, teriam, mais uma vez, o passaporte carimbado para jogar de novo na Europa, com contratos renovados e milionários. Seria o retorno dos que voltaram. Seria, também, mais uma temática para um novo texto. Aguardemos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sobre Haiti e futebol

O Haiti está na moda. Ou melhor, na mídia. Nunca na sua história este país esteve tão exposto aos holofotes midiáticos. Tudo isso em função da catástrofe em que o mesmo foi atingido no dia 12 de janeiro último, matando mais de 200 mil pessoas, segundo estimativas das autoridades haitianas.

Catástrofe parece ser o segundo nome deste pais politicamente frágil. Em 2008, como sabemos ou já tinhamos esquecido, o mesmo foi abatido por quatro tempestades que mataram 800 pessoas e deixaram mais de um milhão desabrigadas.

Até agora, segundo fontes oficiais, além dos mortos, foram contabilizados 194 mil feridos e um milhão de desabrigados.

Fora essas duas catástrofes, as únicas vezes em que obtive informações sobre o Haiti via televisão foi na visita da seleção brasileira em agosto de 2004 no amistoso internacional da paz e do envio de militares também brasileiros como força da paz. Depois disso, só mesmo um terromoto arrasador poderia fazer com que o mundo se voltasse para este país sofrido, de pobreza extrema e com uma dívida externa de 640 milhões de dólares.



Este país, que demonstrou quando da visita da seleção brasileira um amor extremo ao esporte mais popular do mundo, o futebol, também chora a morte dos seus atletas e membros das federações esportivas do país. Mais de 30 foram mortos na catástrofe até agora.

O futebol pela paz, diante da conjuntura, agora é o futebol contra a pobreza e a favor da reconstrução do Haiti. Kaká, Zidane, Rivaldo entre outros, que juntos devem ganhar salários maiores do que a dívida haitiana, se reúnem em jogo amistoso organizado pelas Nações Unidas, em Portugal.

Bem que este amistoso pró-Haiti poderia ser jogado, assim como o jogo da paz, no estádio de Porto Príncipe. Mas no gramado do mesmo o que se vê são centenas de lonas que abrigam alguns sobreviventes da tragédia.

É o jogo da vida que lá é jogado. Saudade, tristeza, dor, desolação, mas, sobretudo, otimismo, esperança e luta são os titulares. O povo haitiano, talvez mais do que qualquer povo nas américas, sabem jogar esse jogo.

Se contra a seleção brasileira, a seleção do Haiti perdeu de seis a zero, neste jogo da vida, ao contrário, ela ganhará de goleada sobre todos àqueles que quiserem subestimar as suas forças, incluindo as catástrofes naturais.

sábado, 22 de agosto de 2009

Cidadão, comemore!!!

Stock Car, Cirque du Soleil, Seleção "Brasileira" de futebol. O que esses fenômenos sociais têm em comum? Além de serem eventos que foi e serão vistos pelos baianos, apenas os mais aquinhoados terão a oportunidade de experienciar, in loco, uma vivência lúdica dos mesmos.

A Seleção "brasileira", que neste momento nos interessa mais de perto, finalmente jogará em Salvador, no Estádio de Pituaçu, no dia 09 de setembro, pelas eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo de 2010. O jogo será contra o Chile e o ingresso custará a "bagatela" de CR$ 100,00 a arquibancada e CR$ 250,00 a arquibancada especial.

Os estudantes e idosos terão direito à meia entrada.

Por aí já podemos ter a ideia de quanto custará o ingresso para assistir aos jogos da Copa de 2010. Isso me faz lembra aquela composição de Lúcio Barbosa, imortalizada na voz de Zér Ramalho: cidadão. Parafraseando os versos, podemos compor a seguinte estrofe: "Tá vendo aquele estádio, moço. Ajudei a construir. Lá, eu quase me arrebento, fiz a massa, pus cimento, ajudei a rebocar. Foi um tempo de aflição, era quatro condução, duas pra ir, duas pra voltar. Hoje, depois dele pronto, os meus filhos pedem em prantos: pai, vamos ver a seleção jogar! Mas, dizem uns cidadãos, que crianças com pés no chão, não podem na grama pisar. Este domingo já tá perdido, fico antecipadamente entristecido, dá vontade de chorar".

Pois é. Enquanto isso, o "eterno" presidente da Confederação Brasileira de Futebol, o senhor Rica(ço)rdo Teixeira mandou avisar que ao contrário do que imaginava, precisará, e muito, que os cofres públicos sejam abertos para viabilizar a Copa de 2014 no Brasil.

Mas, vamos tratar deste assunto em uma outra postagem pois agora precisamos deste espaço para comemorar a condenação em primeira instância do mesmo Rica(ço)rdo Teixeira pelo "voo da muamba". Trata-se, para quem não lembra, da liberação das bagagens da delegação da Seleção após a Copa do Mundo de 1994.

Foram nada mais nada menos do que 17 toneladas de bagagens trazidas pela delegação da seleção brasileira. Só para termos uma ideia, foram necessários dois caminhões e seis caminhonetes para tirar todo o equipamento (a maioria eletrodomésticos) do avião fretado.

O caso teve muita repercussão na mídia nacional e envolveu, também, os Ministros da Casa Civil e da Fazenda (Henrique Hargreaves e Rubens Ricúpero, respectivamente)do governo de Itamar Franco, presidente à época, já que o senhor Teixeira ligou e falou pessoalmente com o senhor Hargreaves para liberar a muamba. Os atletas da seleção, como parte integrante do jogo, ameaçaram devolver as medalhas que tinham recebido do Presidente da República quando da escala em Brasília e de não desfilarem nos seus estados de origem, caso as "muambas" não fossem liberadas.

Em função do caso, o secretário da Receita Federal, o senhor Osíris Lopes Filho, em uma atitude exemplar, se desligou do cargo, pois o mesmo não concordava com o benefício que foi concedido para a delegação em geral e outros funcionários do secretário, em solidariedade ao mesmo, também se desligaram do órgão.

A Ação do Ministério Público Federal foi por improbidade administrativa e por enquanto tem um conteúdo simbólico, pois as sanções não pegou na parte mais sensível do eterno presidente da CBF, o bolso. Mas, a simples possibilidade do mesmo perder seus direitos políticos por alguns anos, já é motivo para júbilo, justamente porque nessa terra de um verde e amarelo muito áridos, só os pobres são alvo da justiça.

Os advo(gados) da burguesia estão recorrendo, mas, por enquanto, a sugestão é: cidadãos, comemoremos... pero no mucho!!!