No momento em que o Pan-americano do ano de 2007 foi decidido que iria ser no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, todo o discurso em volta das necessárias construções para abrigar o evento tinha como um dos argumentos o fato das obras servirem para abrigar, também, os Jogos Olímpicos, já que a sagrada família do esporte nacional tinha a pretensão de colocar a cidade como sede dos próximos jogos, pós Londres.
Pois bem. Assim foi feito. Novas estruturas foram construídas. Podemos lembrar do Estádio João Havelange, que passou logo depois para a iniciativa privada e para o clube de futebol, Botafogo, gerenciar e o Centro Aquático Maria Lenk. Este não serve mais para atender os propósitos aventados na época e que garantiram sua construção. Para os Jogos Olímpicos de 2016 abrigará, apenas, as competições de polo aquático e saltos ornamentais. Será necessário construir um novo complexo para abrigá as competições da natação e do nado sincronizado.
Cinco anos bastaram para que a estrutura do Maria Lenk ficasse obsoleta. Atualmente o conjunto aquático se encontra fechado e nem a comunidade de Jacarepaguá, carente de tudo e mais alguma coisa, tem acesso ao centro aquático para usar os seus equipamentos. Isso em um lugar, como muitos em nosso país, altamente carente de espaço de lazer. Um absurdo.
Nem estou mencionando aqui, a reforma pelo qual passa o Maracanã, que teve intervenções importantes no ano de 1999 e no ano de 2005. Ou foram muito mal feitas ou é mais um capítulo da farra com o dinheiro público. As empreiteiras agradecem.
Assim como foi para o Pan-2007, muitos discursos foram e estão sendo produzidos para a Copa e também para os Jogos Olímpicos. Nesses, o cenário é sempre paradisíaco e loucos, do contra, pessimistas, etc, etc, são todos aqueles que se aventuram na tarefa de procurar uma análise mais objetiva, menos emotiva e sem compromisso com o grande capital. Aliás, me permitam dizer rapidamente, estou preparando uma postagem sobre os dez homens mais ricos do Brasil e sua relação com os megaeventos. A proximidade é de assustar. Adianto que, por enquanto, até onde tem ido minhas pesquisas, quatro estão completamente envolvidos.
Mas, voltando ao discurso, nada melhor do que pegar um exemplo concreto para nos ajudar a perceber a realidade por trás dos mesmos. Para tanto, não podemos deixar de nos valer da África do Sul e vamos ficar em apenas dois, para não cansar o leitor.
Em primeiro lugar, a estimativa inicial do evento (Copa de 2010) era de 280 milhões de dólares. Custou 3 bilhões e 700 milhões. Previa-se um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do país na ordem de 3%. Ficou entre 0,2 e 0,3%. Estamos aqui trafegando a pista do aspecto econômico. Se pegarmos a próxima bifurcação e entramos nos aspectos relacionados aos direitos humanos, vamos encontrar absurdos bem maiores. Na época do Pan, refresquemos nossas memórias, oficialmente, 1.330 civis foram mortos pela polícia do Rio. Um recorde indígno de qualquer tipo de medalha.
E o que estamos vendo atualmente? A política de "pacificação" dos morros e favelas; remoções arbitrárias das famílias, muitas com prazo de zero dias para desocupar suas moradias (tratamos disso em uma postagem de abril do ano passado, clique aqui para ler); prisões sumárias de civis entre outros eventos, muitos deles parecidos com os que ocorreram também na África do Sul.
Diante do exposto, precisamos ter muito cuidado sobre o que ouvimos por aí em relação aos megaeventos esportivos no Brasil. Não precisamos passar por tudo o que os africanos hoje passam para percerber o que realmente existe nas entrelinhas do discurso oficial.
Olhemos para a história: é pouca coisa para o povo, muita para o capital.
Refletir sobre o esporte para além das configurações táticas e técnicas que lhes são próprias e tendo o mesmo como expressão singular para pensarmos fenômenos mais gerais da sociedade, eis o objetivo do blog.
Mostrando postagens com marcador África do Sul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador África do Sul. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
O Brasil não é a África: e daí?
No ano de 2010 tivemos, pela primeira vez na história do mundial de futebol, uma Copa do Mundo em solo africano. Com certeza, um acontecimento para ser lembrado pelos nativos e por todos os povos do mundo inteiro durante muitos e muitos anos. Tanto pela sua relevância histórica, quanto pelos temas que animou.
Durante os preparativos para a realização dos jogos, muito foi dito. Várias foram as avaliações dos diferentes especialistas nos mais variados assuntos. Falou-se sobre aeroportos, novos estádios, mobilidade urbana, marketing esportivo, entre outros, temas sobre os quais estamos já bastante familiarizados.
Para uns, a Copa do Mundo na África do Sul seria uma oportunidade ímpar para potencializar o crescimento econômico do país, viabilizando ações que contribuiriam com o desenvolvimento da infra-estrutura geral, principalmente das cidades-sedes e, por tabela, mexeria com a alta-estima de todos os cidadãos da nação africana. Sem falar nos ganhos intangíveis que só aparecem, segundo especialistas em megaeventos esportivos, anos e anos após a realização dos mesmos e que não existe maneira de mensurar nem de constatar o seu impacto no processo avaliativo. Só mesmo a história, ciência do tempo, pode demonstrá-los.
Para outros, tudo não passava de simples falácia, retóricas que por sua extrema força ideológica, ao apresentar os elementos positivos, alguns supra citados, velava outros tantos, os de reais interesses dos membros da FIFA, das corporações das mais distintas, dos patrocinadores e de membros dos governos (federal, estadual e municipal). Era necessário que o povo todo acreditasse que a Copa da África era para o bem geral da nação africana.
Uma dessas vozes destoantes em relação aos otimistas de plantão, era de um economista da Universidade de Kwa-Zulu Natal, que mantinha, junto com outros intelectuais da mesma instituição de ensino, um site na internet, chamado de Observatório da Copa do Mundo. Segundo ele, “não é do real interesse de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”. (Citação retirada do Correio Cidadania. Acessada em 19/07/2010).
Passados já um ano e alguns meses do evento que iria trazer a Terra Prometida para os africanos, eis que os dados da realidade da Nação projetam uma situação por demais frustrante, de fazer corar de vergonha os mesmos otimistas, muitos deles já devidamente encastelados em terra tupiniquim e outros tantos, há tempos, com residência fixa nas federações e confederações brasileiras, exercitando a política das monarquias absolutista.
Se lá na África, repetindo o economista Patrick Bond, da Universidade de Kwa-Zulu Natal, não era do interesse “(...) de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”, por que no Brasil será diferente?
Durante os preparativos para a realização dos jogos, muito foi dito. Várias foram as avaliações dos diferentes especialistas nos mais variados assuntos. Falou-se sobre aeroportos, novos estádios, mobilidade urbana, marketing esportivo, entre outros, temas sobre os quais estamos já bastante familiarizados.
Para uns, a Copa do Mundo na África do Sul seria uma oportunidade ímpar para potencializar o crescimento econômico do país, viabilizando ações que contribuiriam com o desenvolvimento da infra-estrutura geral, principalmente das cidades-sedes e, por tabela, mexeria com a alta-estima de todos os cidadãos da nação africana. Sem falar nos ganhos intangíveis que só aparecem, segundo especialistas em megaeventos esportivos, anos e anos após a realização dos mesmos e que não existe maneira de mensurar nem de constatar o seu impacto no processo avaliativo. Só mesmo a história, ciência do tempo, pode demonstrá-los.
Para outros, tudo não passava de simples falácia, retóricas que por sua extrema força ideológica, ao apresentar os elementos positivos, alguns supra citados, velava outros tantos, os de reais interesses dos membros da FIFA, das corporações das mais distintas, dos patrocinadores e de membros dos governos (federal, estadual e municipal). Era necessário que o povo todo acreditasse que a Copa da África era para o bem geral da nação africana.
Uma dessas vozes destoantes em relação aos otimistas de plantão, era de um economista da Universidade de Kwa-Zulu Natal, que mantinha, junto com outros intelectuais da mesma instituição de ensino, um site na internet, chamado de Observatório da Copa do Mundo. Segundo ele, “não é do real interesse de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”. (Citação retirada do Correio Cidadania. Acessada em 19/07/2010).
Passados já um ano e alguns meses do evento que iria trazer a Terra Prometida para os africanos, eis que os dados da realidade da Nação projetam uma situação por demais frustrante, de fazer corar de vergonha os mesmos otimistas, muitos deles já devidamente encastelados em terra tupiniquim e outros tantos, há tempos, com residência fixa nas federações e confederações brasileiras, exercitando a política das monarquias absolutista.
Matéria do Correio do Brasil, publicada ontem, ao trazer uma reflexão crítica sobre o CNA (Congresso Nacional Africano), que expulsou o Partido Nacional (exclusivo para brancos) do poder em 1994 e parece não fazer valer o seu slogan de fundação (em 1912), “uma vida melhor para todos”, nos presenteia com alguns dados que demonstram a falácia do potencial desenvolvimentista dos megaeventos esportivos.
Segundo a matéria (leia na íntegra clicando aqui) “Os únicos sul-africanos que realmente desfrutam de uma “vida melhor” são os 3 milhões integrantes da classe média negra – apenas 6% da população de 49 milhões de habitantes. Aproximadamente 40% da população (20 milhões de pessoas) vive abaixo da linha da pobreza, sobrevivendo com menos de 50 euros por mês.”
O texto do qual os dados foram retirados diz respeito à dinâmica da política partidária do país. Faz uma crítica ao CNA e suas políticas, não tratando de forma específica do tão propalado legado esportivo, que ganha cada vez mais força semântica e tem a potência de tudo explicar.
Mas creio que o mesmo nos serve de alerta e nos ajuda a pensar sobre os reais interesses dos mega-eventos esportivos no Brasil em 2013 (Copa das Confederações), 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Jogos Olímpicos) em contexto de crise política e econômica na Europa, berço tradicional do futebol.
Sabemos que o Brasil não é a África do Sul e que a tradição do futebol é muito mais enraizada no nosso solo e isso pode, dizem, fazer alguma diferença. Por outro lado, sabemos também que são os mesmos “senhores dos anéis” que estão organizando os megaeventos esportivos na “nossa pátria mãe gentil”.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Juventude socialista da Suíça pede fim de privilégios fiscais à Fifa
juventude socialista da Suíça pediu ao governo que coloque fim "aos privilégios fiscais" à Fifa, organismo máximo do futebol com sede em Zurique.
O pedido, embasado em 10,5 mil assinaturas e feito junto com a organização Solidar Suisse, considera injustificado o fato da Fifa ser considerada de utilidade pública, dados seus enormes lucros econômicos e os recentes escândalos de corrupção.
Se o principal órgão executivo do futebol mundial fosse considerado como uma empresa comum, afirmam os autores da iniciativa, de 2007 a 2010 teria pago o equivalente a R$ 366,8 milhões em impostos. No período, entretanto, só pagou R$ 6,8 milhões.
A juventude socialista lembra que ao fim da Copa do Mundo da África do Sul em 2010, a Fifa revelou lucro de R$ 4,7 bilhões, enquanto o país organizador, com altos níveis de pobreza, sobrou uma dívida de R$ 6,1 bilhões.
Conforme a agência local "ATS", o escritório federal do esporte da Suíça deve apresentar até o final do ano um relatório sobre a luta contra a corrupção em instituições esportivas, o que vai apontar quais medidas organismos como Fifa, Uefa e COI devem adotar a respeito.
Na última terça-feira, a ONG Transparência Internacional (TI) propôs que a reforma anunciada pela Fifa para evitar novos casos de corrupção seja supervisionada por uma comissão independente, formada por pessoas que não pertençam à organização.
A Fifa aceitou a proposta e ressaltou que em seu congresso de junho renovou "o compromisso de melhorar sua organização, centrada no aumento da transparência das atividades e não tolerando qualquer forma de corrupção".
Reportagem da ESPN/ESTADÃO.
O pedido, embasado em 10,5 mil assinaturas e feito junto com a organização Solidar Suisse, considera injustificado o fato da Fifa ser considerada de utilidade pública, dados seus enormes lucros econômicos e os recentes escândalos de corrupção.
Se o principal órgão executivo do futebol mundial fosse considerado como uma empresa comum, afirmam os autores da iniciativa, de 2007 a 2010 teria pago o equivalente a R$ 366,8 milhões em impostos. No período, entretanto, só pagou R$ 6,8 milhões.
A juventude socialista lembra que ao fim da Copa do Mundo da África do Sul em 2010, a Fifa revelou lucro de R$ 4,7 bilhões, enquanto o país organizador, com altos níveis de pobreza, sobrou uma dívida de R$ 6,1 bilhões.
Conforme a agência local "ATS", o escritório federal do esporte da Suíça deve apresentar até o final do ano um relatório sobre a luta contra a corrupção em instituições esportivas, o que vai apontar quais medidas organismos como Fifa, Uefa e COI devem adotar a respeito.
Na última terça-feira, a ONG Transparência Internacional (TI) propôs que a reforma anunciada pela Fifa para evitar novos casos de corrupção seja supervisionada por uma comissão independente, formada por pessoas que não pertençam à organização.
A Fifa aceitou a proposta e ressaltou que em seu congresso de junho renovou "o compromisso de melhorar sua organização, centrada no aumento da transparência das atividades e não tolerando qualquer forma de corrupção".
Reportagem da ESPN/ESTADÃO.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Plenária Ampliada do Comitê da Copa e Olimpíadas
Por CMI Brasil
Terça-Feira, 19 de julho às 18h
Sindicato dos Metroviários
Av. Rio Branco, 277 ? 4º andar
GRANDE ATO UNIFICADO
Convidamos todos os fóruns, redes, movimentos,comunidades, ocupações, sindicatos, ONGs, academia, estudantes, enfim, todas as entidades, que estão se indignando com o Grande Balcão de Negócios que virou a cidade, onde a população , suas lutas e seus poucos direitos são apenas um detalhe incômodo que precisa ser eliminados ou calados de qualquer maneira, a estarem presentes na construção deste grande Ato.
Parem as remoções e desalojos, pelo Despejo Zero.
Não a privatização da cidade e dos Serviços Públicos.
Pela imediata investigação e punição de todos os envolvidos nos escândalos das empreiteiras.
Faça a sua luta junto com a luta pelo direito a cidade.
A educação, a saúde, a liberdade de expressão, os salários, o direito ao trabalho serão afetados pela realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Temos que reagir a isto!!!!!
Vamos juntar as bandeiras e transformá-las em nossas bandeiras.
COMPAREÇAM e DIVULGUEM LIVREMENTE!!!!!!
Você pensa que a Copa é nossa?
Os governantes falam o tempo todo que a Copa e as Olimpíadas trarão benefícios para o Rio e para o Brasil. Benefícios para quem? O custo de vida e o aluguel não param de aumentar, famílias são removidas das suas casas, ambulantes e camelôs, proibidos de trabalhar.
Mais: eles estão gastando dinheiro público e apresentaram uma lei para não prestar contas depois. Prá piorar, a Fifa, a CBF e o seu presidente, Ricardo Teixeira, organizadores da Copa, sofrem várias denúncias de corrupção. Enquanto os bombeiros, os professores, a saúde e o saneamento são arrochados, bilhões são dados de mão beijadas as empreiteiras e especuladores.
Tudo indica que com a Copa e as Olimpíadas vamos repetir em escala muito maior a história do Pan-americano de 2007: desvio de dinheiro público, obras grandiosas, mas inúteis depois das competições, benefícios só para os empresários amigos do poder e violação dos direitos de milhares de brasileiros.
As remoções de famílias atingidas pelas obras estão acontecendo de forma arbitrária e violenta. Essa situação já foi denunciada inclusive pelas Nações Unidas. Parece democracia, mas a população não é informada nem consultada. Os jogos estão sendo utilizados como desculpa para instalar uma verdadeira Cidade de Exceção, com violação sistemática dos direitos e das leis.
Deste jeito, qual será o legado dos megaeventos? A privatização da cidade, dos espaços e equipamentos públicos, da saúde e da educação? A elitização do futebol e dos estádios? O lucro e os benefícios com isenções e empréstimos subsidiados com o nosso dinheiro para empreiteiras? O lucro da copa é dos empresários, mas a dívida ficará para a cidade e para os cidadãos. Não podemos permitir que as histórias da Grécia e da África do Sul se repitam aqui.
Junte- se a nós! Vamos juntos mudar este resultado, venha lutar.
Venha bater uma bola com a gente no Largo do Machado, dia 30 de julho a partir das 10h.
Remoção zero!
Cidade não é mercadoria!
Não a privatização das terras e recursos públicos, dos aeroportos, da educação e da saúde.
Terça-Feira, 19 de julho às 18h
Sindicato dos Metroviários
Av. Rio Branco, 277 ? 4º andar
GRANDE ATO UNIFICADO
Convidamos todos os fóruns, redes, movimentos,comunidades, ocupações, sindicatos, ONGs, academia, estudantes, enfim, todas as entidades, que estão se indignando com o Grande Balcão de Negócios que virou a cidade, onde a população , suas lutas e seus poucos direitos são apenas um detalhe incômodo que precisa ser eliminados ou calados de qualquer maneira, a estarem presentes na construção deste grande Ato.
Parem as remoções e desalojos, pelo Despejo Zero.
Não a privatização da cidade e dos Serviços Públicos.
Pela imediata investigação e punição de todos os envolvidos nos escândalos das empreiteiras.
Faça a sua luta junto com a luta pelo direito a cidade.
A educação, a saúde, a liberdade de expressão, os salários, o direito ao trabalho serão afetados pela realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Temos que reagir a isto!!!!!
Vamos juntar as bandeiras e transformá-las em nossas bandeiras.
COMPAREÇAM e DIVULGUEM LIVREMENTE!!!!!!
Você pensa que a Copa é nossa?
Os governantes falam o tempo todo que a Copa e as Olimpíadas trarão benefícios para o Rio e para o Brasil. Benefícios para quem? O custo de vida e o aluguel não param de aumentar, famílias são removidas das suas casas, ambulantes e camelôs, proibidos de trabalhar.
Mais: eles estão gastando dinheiro público e apresentaram uma lei para não prestar contas depois. Prá piorar, a Fifa, a CBF e o seu presidente, Ricardo Teixeira, organizadores da Copa, sofrem várias denúncias de corrupção. Enquanto os bombeiros, os professores, a saúde e o saneamento são arrochados, bilhões são dados de mão beijadas as empreiteiras e especuladores.
Tudo indica que com a Copa e as Olimpíadas vamos repetir em escala muito maior a história do Pan-americano de 2007: desvio de dinheiro público, obras grandiosas, mas inúteis depois das competições, benefícios só para os empresários amigos do poder e violação dos direitos de milhares de brasileiros.
As remoções de famílias atingidas pelas obras estão acontecendo de forma arbitrária e violenta. Essa situação já foi denunciada inclusive pelas Nações Unidas. Parece democracia, mas a população não é informada nem consultada. Os jogos estão sendo utilizados como desculpa para instalar uma verdadeira Cidade de Exceção, com violação sistemática dos direitos e das leis.
Deste jeito, qual será o legado dos megaeventos? A privatização da cidade, dos espaços e equipamentos públicos, da saúde e da educação? A elitização do futebol e dos estádios? O lucro e os benefícios com isenções e empréstimos subsidiados com o nosso dinheiro para empreiteiras? O lucro da copa é dos empresários, mas a dívida ficará para a cidade e para os cidadãos. Não podemos permitir que as histórias da Grécia e da África do Sul se repitam aqui.
Junte- se a nós! Vamos juntos mudar este resultado, venha lutar.
Venha bater uma bola com a gente no Largo do Machado, dia 30 de julho a partir das 10h.
Remoção zero!
Cidade não é mercadoria!
Não a privatização das terras e recursos públicos, dos aeroportos, da educação e da saúde.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A culpa é só do atleta?
Na última Copa do Mundo, realizada na África do Sul, a seleção brasileira foi eliminada pela seleção holandesa que jogava com um a mais em função da expulsão do volante Felipe Mello, motivada por uma jogada faltosa em Arjen Robben aos 27 minutos do segundo tempo. Era o fim da "era Dunga".No último domingo, 06 de fevereiro, eis que o zagueiro da seleção brasileira sub-20, Juan, desferiu um soco no jogador argentino Funes Mori, aos cinco minutos do primeiro tempo e foi expulso. Zagueiros e volantes desandaram a dar falta e Neymar, em mais uma atitude intempestiva, foi suspenso para o próximo jogo por ter empurrado o goleiro da seleção argentina.
Ontem, 09 de fevereiro, o protagonista de atitude truculenta em mais uma partida da seleção brasileira principal contra o selecionado da França foi o meio campista Hernanes, ex-são paulino e atual jogador do Lázio, da Itália. Ele aplicou uma chamada “voadora” no peito do atacante francês, Benzema, recebendo, assim como Felipe Melo e Juan, cartão vermelho, desfalcando a seleção brasileira que perdeu da França pelo placar de um tento a zero.
O que está havendo? Que péssimo hábito é este da truculência dos jogadores brasileiros contra os seus adversários? Seria este agora o adjetivo para “jogo bonito?”, para o “fair play? Ou isso é uma expressão do chamado futebol força de influência européia? Quais as mensagens que esses jogadores estão dando aos jovens deste país, que em sua grande maioria, já vivenciam de diferentes formas a violência da realidade social brasileira?
Exemplos de atitudes violentas por parte de jogadores da seleção brasileira nós temos abundantes em tempos e espaços distintos, mas assusta a regularidade e a motivação com que esses atos estão sendo praticados. Notem que o jogo contra o selecionado francês foi um amistoso, que segundo o meu amigo Houaiss é um jogo “que é próprio de amigo(s); amigável, afetuoso”.
Segundo David Yallop, no importante livro “Como eles roubaram o jogo: segredos do subterrâneo da FIFA”, na década de 50 a seleção brasileira já era talentosa, mas este atributo era “frequentemente mascarado e desfigurado por um nível de violência que, se perpetrado fora do campo, teria resultado em sentenças à prisão”. (p. 32), portanto, não estamos tratando aqui de algo recente e precisamos ampliar o campo de compreensão e explicação deste fenômeno, para que não recaia no atleta, individualmente, o processo de culpabilização.
Se olharmos apenas para as atitudes individuais dos atletas aqui citados e outros que já foram protagonistas de ações parecidas e àqueles que ainda estão por vir, não iremos reconhecer a essência do problema, que se multiplica, na minha modesta opinião, pelas relações de trabalho aviltantes, seja para os atletas, que suportam uma jornada de trabalho absurdamente alta, em ritmo de jogo e treino interminável, seja pela comissão técnica supervalorizada única e exclusivamente por sua competência técnica dissociada de outros valores, seja pela valorização do jogador A, B ou C, como se o mesmo não dependesse de uma equipe, do coletivo para chegar aos seus objetivos e do clube, seja pela não profissionalização e má formação dos árbitros, etc, etc, etc.
sábado, 7 de agosto de 2010
O futebol e os presidenciáveis
Durante os jogos da última Copa do Mundo, principalmente nos dias que antecederam e os posteriores dos jogos da seleção brasileira, muito foi sendo comentado sobre qual seria a escalação ideal do time nacional. Antes mesmo dos jogos do torneio começarem, já na própria escalação do selecionado que iria para a África do Sul, inúmeros brasileiros e brasileiras refletiam, discutiam, debatiam de forma apaixonada os jogadores que iriam participar do maior torneio de futebol do planeta sobre o comando do técnico Dunga.
Aliás, a própria escolha do nome do homem que iria dirigir a seleção mais vencedora das Copas, após o fiasco contra a seleção francesa em 2006, a única que tem o privilégio de ter participado de todos os torneios, foi questionado, assim como também, questionável foi o desempenho dos jogadores sobre o seu comando durante a fase classificatória, tendo sido chamado até de burro em pleno maracanã em uma das participações da seleção canarinho.
Todo esse entusiasmo em torno da seleção brasileira, todo o debate que a mesma sucita em vários momentos por diversos setores da sociedade, da pessoa comum ao próprio presidente da república, sempre inspira comentários do tipo: se o povo brasileiro se preocupasse com o desenvolvimento da política do seu país, como se preocupa com a performance do seu selecionado, o Brasil seria outro.
Logo após a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de finais do torneio na África do Sul, uma frase atribuída ao senador Cristóvam Buarque invadiu as caixas de mensagens na rede mundial de computadores. Ela dizia o seguinte>:"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação é o 85º e ninguém reclama."

E quando todos achavam que os brasileiros se voltariam para a política neste ano eleitoral, logo após o término da Copa do Mundo, onde não só o presidente, mas deputados, senadores e governadores serão eleitos, eis que o grande debate nacional se volta para quem vai ser o próximo técnico da seleção para a Copa de 2014, que será realizada aqui no Brasil?
Mas já que o técnico foi escolhido, agora a eleição entra na agenda dos brasileiros de forma definitiva e toma de vez o lugar do futebol. Sei não. Se tomarmos como referência a última quarta-feira (04/08), parece que este negócio de eleição não tá empolgando muito não. O futebol entre São Paulo e Internacional pelas Libertadores das Américas que passou na Globo deu de goleada nos presidenciáveis que se apresentavam no mesmo horário em um debate transmitido pela Rede Bandeirantes.
O placar? 36,9 pontos de audiência contra 5,5 respectivamente, segundo o Ibope em divulgação dos dados preliminares da aferição. Entre futebol e eleição especificamente, ou esporte e política mais amplamente, os brasileiros preferem o primeiro, respectivamente. Talvez por isso, tanto um, quanto o outro, carecem de melhores desempenhos e performance.
Aliás, a própria escolha do nome do homem que iria dirigir a seleção mais vencedora das Copas, após o fiasco contra a seleção francesa em 2006, a única que tem o privilégio de ter participado de todos os torneios, foi questionado, assim como também, questionável foi o desempenho dos jogadores sobre o seu comando durante a fase classificatória, tendo sido chamado até de burro em pleno maracanã em uma das participações da seleção canarinho.
Todo esse entusiasmo em torno da seleção brasileira, todo o debate que a mesma sucita em vários momentos por diversos setores da sociedade, da pessoa comum ao próprio presidente da república, sempre inspira comentários do tipo: se o povo brasileiro se preocupasse com o desenvolvimento da política do seu país, como se preocupa com a performance do seu selecionado, o Brasil seria outro.
Logo após a eliminação da seleção brasileira nas oitavas de finais do torneio na África do Sul, uma frase atribuída ao senador Cristóvam Buarque invadiu as caixas de mensagens na rede mundial de computadores. Ela dizia o seguinte>:"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação é o 85º e ninguém reclama."

E quando todos achavam que os brasileiros se voltariam para a política neste ano eleitoral, logo após o término da Copa do Mundo, onde não só o presidente, mas deputados, senadores e governadores serão eleitos, eis que o grande debate nacional se volta para quem vai ser o próximo técnico da seleção para a Copa de 2014, que será realizada aqui no Brasil?
Mas já que o técnico foi escolhido, agora a eleição entra na agenda dos brasileiros de forma definitiva e toma de vez o lugar do futebol. Sei não. Se tomarmos como referência a última quarta-feira (04/08), parece que este negócio de eleição não tá empolgando muito não. O futebol entre São Paulo e Internacional pelas Libertadores das Américas que passou na Globo deu de goleada nos presidenciáveis que se apresentavam no mesmo horário em um debate transmitido pela Rede Bandeirantes.
O placar? 36,9 pontos de audiência contra 5,5 respectivamente, segundo o Ibope em divulgação dos dados preliminares da aferição. Entre futebol e eleição especificamente, ou esporte e política mais amplamente, os brasileiros preferem o primeiro, respectivamente. Talvez por isso, tanto um, quanto o outro, carecem de melhores desempenhos e performance.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Às eleições, Brasil!!!
Depois de trinta dias só vendo, ouvindo, analisando e curtindo o futebol, chega ao fim a décima nona edição do maior espetáculo monoesportivo do planeta, a Copa do Mundo de Futebol, que nesta edição foi promovida pela primeira vez em um país do continente africano, a África do Sul.
As bandeiras brasileiras começam a sair das paredes, sacadas dos prédios e das janelas dos carros. Um tom discreto de uma indisfarçável inveja invade as barbearias, os bares e todos os espaços onde existam mais de um aficcionado pela "modalidade esportiva" de nome BOLÃO, pelos acertos de um certo polvo, o Paul. Há quem afirme que a voz do polvo é a voz de deus e o mesmo estará anunciando em breve os números da mega-sena.
Brincadeiras à parte, o fato é que se a Copa "acabou" para os sul-africanos, ela começa para todos nós, brasileiros e brasileiras, ufanistas ou não, pois o próximo mega-evento será em 2014 em nosso solo já não tão verde devido ao desmatamento e nem tão amarelo, pela cupidez e corrupção das nossas elites nacionais.
Para quem ainda não se deu conta e ainda está em processo de cura da ressaca futebolística, lembramos que este ano é ano de eleição. Cargos importantíssimos estarão em disputas. Candidatos e candidatas à Presidente da República, Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Governos Estaduais aparecerão. Uns serão, tal como a Espanha, campeões pelo voto e outros, tal como o selecionado nacional, não alcançarão o intento pretendido.
Paul, o polvo, poderá ajudar alguns candidatos com os seus prognósticos, mas o povo brasileiro deve compreender, que, apesar de alguns erros de arbitragem, sinalizaremos com o nosso voto a direção que queremos para o nosso país. Nós, de torcedores passamos a eleitores por um Brasil sempre campeão na educação, saúde, habitação, segurança entre outros, todos os dias da nossa existência, e não apenas de quatro em quatro anos, pois a vida não é feita de Copa do Mundo.
Devemos exigir dos eleitos o empenho e as ações que faltaram em Dunga e precisamos ser tão críticos e participativos enquanto cidadãos quanto fomos no papel de torcedores. Da nossa escalação para os espaços institucionais da política nacional dependerá o sucesso do nosso país. Ou o seu fracasso.
Outras mediações também aparecem, pois se as eleições são importantes, elas não são determinantes. Para tanto, precisamos deixar de ser espectadores do plim-plim platinado e nos tornarmos protagonistas da trama dentro e fora das quatro linhas que circunscrevem o gramado da vida, entrando no campo da conscientização política, da organização e lutas populares.
Torcedores de todo o país, uni-vos.
As bandeiras brasileiras começam a sair das paredes, sacadas dos prédios e das janelas dos carros. Um tom discreto de uma indisfarçável inveja invade as barbearias, os bares e todos os espaços onde existam mais de um aficcionado pela "modalidade esportiva" de nome BOLÃO, pelos acertos de um certo polvo, o Paul. Há quem afirme que a voz do polvo é a voz de deus e o mesmo estará anunciando em breve os números da mega-sena.
Brincadeiras à parte, o fato é que se a Copa "acabou" para os sul-africanos, ela começa para todos nós, brasileiros e brasileiras, ufanistas ou não, pois o próximo mega-evento será em 2014 em nosso solo já não tão verde devido ao desmatamento e nem tão amarelo, pela cupidez e corrupção das nossas elites nacionais.
Para quem ainda não se deu conta e ainda está em processo de cura da ressaca futebolística, lembramos que este ano é ano de eleição. Cargos importantíssimos estarão em disputas. Candidatos e candidatas à Presidente da República, Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Governos Estaduais aparecerão. Uns serão, tal como a Espanha, campeões pelo voto e outros, tal como o selecionado nacional, não alcançarão o intento pretendido.
Paul, o polvo, poderá ajudar alguns candidatos com os seus prognósticos, mas o povo brasileiro deve compreender, que, apesar de alguns erros de arbitragem, sinalizaremos com o nosso voto a direção que queremos para o nosso país. Nós, de torcedores passamos a eleitores por um Brasil sempre campeão na educação, saúde, habitação, segurança entre outros, todos os dias da nossa existência, e não apenas de quatro em quatro anos, pois a vida não é feita de Copa do Mundo.
Devemos exigir dos eleitos o empenho e as ações que faltaram em Dunga e precisamos ser tão críticos e participativos enquanto cidadãos quanto fomos no papel de torcedores. Da nossa escalação para os espaços institucionais da política nacional dependerá o sucesso do nosso país. Ou o seu fracasso.
Outras mediações também aparecem, pois se as eleições são importantes, elas não são determinantes. Para tanto, precisamos deixar de ser espectadores do plim-plim platinado e nos tornarmos protagonistas da trama dentro e fora das quatro linhas que circunscrevem o gramado da vida, entrando no campo da conscientização política, da organização e lutas populares.
Torcedores de todo o país, uni-vos.
domingo, 6 de junho de 2010
Athlone e o legado social made in FIFA
Provavelmente nenhum de nós ouvimos falar de uma pequena cidade situada a dez quilômetros da Cidade do Cabo chamada de Athlone nas programações televisivas sobre o mundial da África do Sul, mas esta foi palco de uma situação muito esclarecedora quando o assunto é a perspectiva da FIFA em relação ao evento que terá início no próximo dia 11.
Estamos muito acostumados a ler e ouvir que existe uma preocupação crescente da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional em relação ao chamado "legado social" deixado pelos seus respectivos eventos nas cidades sedes. De memória recente, tivemos aqui no Brasil o Pan-2007, no Rio de Janeiro. Entre o legado anunciado, estava a melhoria da mobilidade urbana, com a extensão do metrô até a Barra da Tijuca. Só ficou no papel esta e tantas outras melhorias anunciadas.
Mas o palco é Athlone e os atores iniciais são os representantes da prefeitura local e o governo da província. "As autoridades vislumbraram a possibilidade de, finalmente, criar empregos na periferia da segunda maior cidade do país. A ideia era aproveitar o evento para pavimentar avenidas, construir novas casas, reformar as antigas, incremenar o transporte coletivo".
No entanto, eles não contavam com o entendimento, muito mais moderno, do que significa "legado social" para a comitiva da FIFA que ao visitar o local escolhido e informada sobre a "(...) importância da escolha de Athlone para o incremento da área e a melhoria da vida das milhares de pessoas que moram ali" tratou de deixar muito claro que a preocupação da FIFA é muito mais com o "(...) público global da Copa do que na particularidade nacional" anunciando em alto e bom som ao jornal Mail & Guardian para que não restasse nenhuma dúvida aos bem intencionados, mas arcaicos e ultrapassados representantes da administração de Athlone, cuja mentalidade era típica dos intelectuais que gostam de miséria, de que o povo gosta mesmo é de luxo e que portanto, "Os bilhões de espectadores não querem ver favelas e pobrezas pela televisão".
Assim, buscando atender ao entendimento do "legado social" made in fifa, Athlone foi dispensada e anunciou-se, quatro meses após a visita da comitiva, que um novo estádio seria construído "(...) com 68 mil lugares, num dos bairros mais ricos da Cidade do Cabo".
Foi assim que surgiu o belíssimo estádio Green Point, palco das semi-finais da Copa da África do Sul. O nome do estádio se deve ao fato do mesmo ter sido erguido "(...) em uma das poucas reservas verdes da cidade (...)", uma tradução perfeita, coerente e simbiôntica entre o legado social e o legado ambiental "made in FIFA".
"Financiada com dinheiro público, a obra custou 1,1 bilhão de reais, quase quatro vezes mais do que o previsto. Ou era isso ou não tinha Copa, argumentou o vice-prefeito Ian Nelson, quando o estádio foi licitado". Talvez por essas e outras imposições a FIFA seja considerada, pelo Eduardo Galeano, o FMI do futebol.
Para uma entidade que representa um mercado de "250 bilhões de dólares anualmente" e que só "no ano passado faturou 1 bilhão de dólares com um lucro líquido de quase 200 milhões de dólares" e que até o momento "só com a Copa da África do Sul, ganhou 3,8 bilhões de dólares" fica realmente difícil pensar no social dos cerca de 130 mil moradores de Athlone.
[AS CITAÇÕES EM NEGRITO PRESENTES NO TEXTO FORAM RETIRADAS DA REPORTAGEM DE DANIELA PINHEIRO, PUBLICADA NA REVISTA PIAUÍ DO MÊS DE MAIO E INTITULADA QUESTÕES ECONÔMICO-LUDOPÉDICAS: A COPA DO CABO AO RIO. PÁG. 43-49].
Estamos muito acostumados a ler e ouvir que existe uma preocupação crescente da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional em relação ao chamado "legado social" deixado pelos seus respectivos eventos nas cidades sedes. De memória recente, tivemos aqui no Brasil o Pan-2007, no Rio de Janeiro. Entre o legado anunciado, estava a melhoria da mobilidade urbana, com a extensão do metrô até a Barra da Tijuca. Só ficou no papel esta e tantas outras melhorias anunciadas.
Mas o palco é Athlone e os atores iniciais são os representantes da prefeitura local e o governo da província. "As autoridades vislumbraram a possibilidade de, finalmente, criar empregos na periferia da segunda maior cidade do país. A ideia era aproveitar o evento para pavimentar avenidas, construir novas casas, reformar as antigas, incremenar o transporte coletivo".
No entanto, eles não contavam com o entendimento, muito mais moderno, do que significa "legado social" para a comitiva da FIFA que ao visitar o local escolhido e informada sobre a "(...) importância da escolha de Athlone para o incremento da área e a melhoria da vida das milhares de pessoas que moram ali" tratou de deixar muito claro que a preocupação da FIFA é muito mais com o "(...) público global da Copa do que na particularidade nacional" anunciando em alto e bom som ao jornal Mail & Guardian para que não restasse nenhuma dúvida aos bem intencionados, mas arcaicos e ultrapassados representantes da administração de Athlone, cuja mentalidade era típica dos intelectuais que gostam de miséria, de que o povo gosta mesmo é de luxo e que portanto, "Os bilhões de espectadores não querem ver favelas e pobrezas pela televisão".
Assim, buscando atender ao entendimento do "legado social" made in fifa, Athlone foi dispensada e anunciou-se, quatro meses após a visita da comitiva, que um novo estádio seria construído "(...) com 68 mil lugares, num dos bairros mais ricos da Cidade do Cabo".
Foi assim que surgiu o belíssimo estádio Green Point, palco das semi-finais da Copa da África do Sul. O nome do estádio se deve ao fato do mesmo ter sido erguido "(...) em uma das poucas reservas verdes da cidade (...)", uma tradução perfeita, coerente e simbiôntica entre o legado social e o legado ambiental "made in FIFA".
"Financiada com dinheiro público, a obra custou 1,1 bilhão de reais, quase quatro vezes mais do que o previsto. Ou era isso ou não tinha Copa, argumentou o vice-prefeito Ian Nelson, quando o estádio foi licitado". Talvez por essas e outras imposições a FIFA seja considerada, pelo Eduardo Galeano, o FMI do futebol.
Para uma entidade que representa um mercado de "250 bilhões de dólares anualmente" e que só "no ano passado faturou 1 bilhão de dólares com um lucro líquido de quase 200 milhões de dólares" e que até o momento "só com a Copa da África do Sul, ganhou 3,8 bilhões de dólares" fica realmente difícil pensar no social dos cerca de 130 mil moradores de Athlone.
[AS CITAÇÕES EM NEGRITO PRESENTES NO TEXTO FORAM RETIRADAS DA REPORTAGEM DE DANIELA PINHEIRO, PUBLICADA NA REVISTA PIAUÍ DO MÊS DE MAIO E INTITULADA QUESTÕES ECONÔMICO-LUDOPÉDICAS: A COPA DO CABO AO RIO. PÁG. 43-49].
sábado, 22 de maio de 2010
De leão à canarinho
Com a proximidade da Copa do Mundo de futebol na África do Sul, o sentimento de nacionalidade se aflora e todos passam a vestir a camisa da seleção brasileira, inseri as bandeiras nas janelas e as flâmulas nos carros. Os pneus, antes pretos, passam a ter faixas amarelas e verdes. Os outdoors ficam todos com cores parecidas e os mais diversos produtos, mesmos os que nada tem de comum com o esporte, aproveitam a deixa e fazem o seu marketing.
No entanto, já houve um tempo em que as coisas eram bem diferentes e os conhecidos canarinhos mais pareciam com leões famintos fora da jaula. Quem nos ensina rapidamente isso é David A. Yallop, no livro "Como eles roubaram o jogo: segredos dos subterrâneos da FIFA". Lá na página 31 do livro da editora Record, o jornalista nos diz que "(...) na Copa do Mundo de 98, na França, o Brasil representa para milhões de pessoas em todo o planeta o que há de melhor em futebol. (...) Mas nem sempre foi assim". Sublinha.
Ainda segundo Yallop, agora na página 32, "Na década de 1950 (...) o talento do grupo era frequentemente mascarado e desfigurado por um nível de violência que, se perpetrado fora do campo, teria resultado em sentenças à prisão".
Em 1954, na Suiça, ano em que se começou a televisionar os jogos da Copa do Mundo de futebol a seleção do Brasil e da Hungria proporcionaram um jogo que ficou conhecido como a "Batalha de Berna". "O bom, o mal e o feio foram todos exibidos (...). O ministro dos esportes húngaro (...) foi esmurrado no rosto (...). A seleção brasileira invadiu o vestiário dos húngaros".
E para completar os feitos desta seleção brasileira que esbanja "estilo, jeito, elegância, garbo, sucesso, gênio", tudo isso segundo Yallop em relação a seleção de 98, que fique bem entendido, "Em 1956, durante uma excursão pela Europa, o lado sombrio do jogo brasileiro seria visto mais uma vez. Após um jogo em Viena, a seleção brasileira e membros da delegação tentaram agredir o árbitro. O Brasil se tornara a equipe que todos os demais temiam, por todas as razões erradas".
Mas este tempo animalesco já se foi. No máximo podemos ter um burro empacado, pouco afeito a penas e aves, no comando da seleção. Mas como ele não entra em campo, a esperança de vermos o ganso jogar se transmuta em um sonho de canarinhos voando de volta com a taça na mão. Pois verde também é a cor da esperança e nós, brasileiros, como sabemos, não desistimos nunca!!!
No entanto, já houve um tempo em que as coisas eram bem diferentes e os conhecidos canarinhos mais pareciam com leões famintos fora da jaula. Quem nos ensina rapidamente isso é David A. Yallop, no livro "Como eles roubaram o jogo: segredos dos subterrâneos da FIFA". Lá na página 31 do livro da editora Record, o jornalista nos diz que "(...) na Copa do Mundo de 98, na França, o Brasil representa para milhões de pessoas em todo o planeta o que há de melhor em futebol. (...) Mas nem sempre foi assim". Sublinha.
Ainda segundo Yallop, agora na página 32, "Na década de 1950 (...) o talento do grupo era frequentemente mascarado e desfigurado por um nível de violência que, se perpetrado fora do campo, teria resultado em sentenças à prisão".
Em 1954, na Suiça, ano em que se começou a televisionar os jogos da Copa do Mundo de futebol a seleção do Brasil e da Hungria proporcionaram um jogo que ficou conhecido como a "Batalha de Berna". "O bom, o mal e o feio foram todos exibidos (...). O ministro dos esportes húngaro (...) foi esmurrado no rosto (...). A seleção brasileira invadiu o vestiário dos húngaros".E para completar os feitos desta seleção brasileira que esbanja "estilo, jeito, elegância, garbo, sucesso, gênio", tudo isso segundo Yallop em relação a seleção de 98, que fique bem entendido, "Em 1956, durante uma excursão pela Europa, o lado sombrio do jogo brasileiro seria visto mais uma vez. Após um jogo em Viena, a seleção brasileira e membros da delegação tentaram agredir o árbitro. O Brasil se tornara a equipe que todos os demais temiam, por todas as razões erradas".
Mas este tempo animalesco já se foi. No máximo podemos ter um burro empacado, pouco afeito a penas e aves, no comando da seleção. Mas como ele não entra em campo, a esperança de vermos o ganso jogar se transmuta em um sonho de canarinhos voando de volta com a taça na mão. Pois verde também é a cor da esperança e nós, brasileiros, como sabemos, não desistimos nunca!!!
domingo, 31 de janeiro de 2010
Filmes para a vida
"Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". Essas palavras, escritas no ano de 1875 pelo poeta britânico William Ernest Henley, animaram o então prisioneiro e ex-presidente da África do Sul (1994-1999), Nelson Mandela, o tempo todo em que o mesmo permaneceu preso injustamente em Robben Island (agosto de 1962 até fevereiro de 1990), realizando trabalhos forçados.
Essa também é a frase mencionada ao menos umas duas vezes no filme Invictus, que estreiou na sexta-feira (29/01) nas salas de cinema aqui em Salvador. Não tenho dúvidas de que este filme será mais um que deverá compor a filmoteca de todos professores de educação física (ou não) que costumam utilizar a linguagem cinematográfica como um recurso a mais de abordagem dos conteúdos da cultura corporal.
O filme, um longa metragem de estilo dramático, é dirigido por Clint Eastwood, que também já nos proporcionou no belíssimo filme "Menina de Ouro", lançado em 2004, oportunidades de pedagogização do conteúdo Lutas nas aulas de educação física.
No filme Invictus, um outro ator, que trabalhou no filme Menina de Ouro, também aparece. Trata-se de Morgan Freeman, interpretando nada mais, nada menos do que o presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Aliás, para quem não sabe, foi o próprio Mandela que o escolheu para o representá-lo no filme que aborda, entre tantas outras coisas, o esporte como um instrumento contra o apartheid. Nas palavras do jornalista João Carlos Sampaio: (A TARDE, Caderno 2, 29/01/2010, p. 1)"Inteligente, Mandela/Freeman - já como presidente da África do Sul (...) vai usar o esporte como instrumento para unir brancos e negros, após a extinção oficial do regime separatista, o apartheid".
Em tempos de segregações veladas, atos racistas escamoteados, inclusive no campo esportivo (para quem tem dúvidas, veja a relação aqui) o filme é uma mão na roda para abordar esse espectro que ainda assombra a humanidade em diferentes lugares e de diversas formas no mundo inteiro. Para os professores de educação física, em particular, que compreende o esporte para além das fronteiras técnicas, táticas e de rendimento em busca de pódiuns, medalhas e troféus é um filme, dentre tantos outros (recomendo também Coach Carter - Treino para a vida), que nos ajudam a discuti, a pedagogizar os elementos da cultura corporal no interior da escola e fora dela.
Em tempos de apologia á Copa do Mundo, de ufanismo gratuito pelas Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, o filme Invictus é um antídoto para a mesmice que sai das mentes e bocas dos eternos dirigentes esportivos brasileiros, que ao contrário do Mandela, só enxergam no esporte valores monetários, rendimentos financeiros.
Essa também é a frase mencionada ao menos umas duas vezes no filme Invictus, que estreiou na sexta-feira (29/01) nas salas de cinema aqui em Salvador. Não tenho dúvidas de que este filme será mais um que deverá compor a filmoteca de todos professores de educação física (ou não) que costumam utilizar a linguagem cinematográfica como um recurso a mais de abordagem dos conteúdos da cultura corporal.
O filme, um longa metragem de estilo dramático, é dirigido por Clint Eastwood, que também já nos proporcionou no belíssimo filme "Menina de Ouro", lançado em 2004, oportunidades de pedagogização do conteúdo Lutas nas aulas de educação física.No filme Invictus, um outro ator, que trabalhou no filme Menina de Ouro, também aparece. Trata-se de Morgan Freeman, interpretando nada mais, nada menos do que o presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Aliás, para quem não sabe, foi o próprio Mandela que o escolheu para o representá-lo no filme que aborda, entre tantas outras coisas, o esporte como um instrumento contra o apartheid. Nas palavras do jornalista João Carlos Sampaio: (A TARDE, Caderno 2, 29/01/2010, p. 1)"Inteligente, Mandela/Freeman - já como presidente da África do Sul (...) vai usar o esporte como instrumento para unir brancos e negros, após a extinção oficial do regime separatista, o apartheid".
Em tempos de segregações veladas, atos racistas escamoteados, inclusive no campo esportivo (para quem tem dúvidas, veja a relação aqui) o filme é uma mão na roda para abordar esse espectro que ainda assombra a humanidade em diferentes lugares e de diversas formas no mundo inteiro. Para os professores de educação física, em particular, que compreende o esporte para além das fronteiras técnicas, táticas e de rendimento em busca de pódiuns, medalhas e troféus é um filme, dentre tantos outros (recomendo também Coach Carter - Treino para a vida), que nos ajudam a discuti, a pedagogizar os elementos da cultura corporal no interior da escola e fora dela.
Em tempos de apologia á Copa do Mundo, de ufanismo gratuito pelas Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, o filme Invictus é um antídoto para a mesmice que sai das mentes e bocas dos eternos dirigentes esportivos brasileiros, que ao contrário do Mandela, só enxergam no esporte valores monetários, rendimentos financeiros.
domingo, 3 de janeiro de 2010
O melhor futebol da terra
2010. O ano que vai revelar o continente africano para o mundo. Do dia 11 de junho ao dia 11 de julho, 30 bilhões de olhos em audiência acumulada estarão fixados nas televisões do mundo inteiro para assistirem aos jogos da Copa do Mundo de futebol.Até lá, muito se falará da África do Sul. De suas belezas e da sua pobreza. O futebol será o mote para muitas e diferentes matérias sobre a África e os africanos, sobre a possibilidade ou não dos mesmos sagrarem-se campeões do mundo.
Mas enquanto esse título não chega, a África vai conquistando outros. Poucos nobres, é verdade, como o título de possuir o pior país da terra: a Somália que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 40% de sua população necessita de ajuda humanitária para ter o que comer.
Ainda segundo a ONU, uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição grave e um terço de sua população, aproximadamente um milhão e meio de pessoas, sobrevivem em acampamentos improvisados.Muitos outros países do continente africano sofrem com esses e outros problemas. As questões de mortalidade infantil, desnutrição generalizada, corrupção, educação e saúde precárias não são questões exclusivas da Somália. Serra Leoa, Nigéria, Ruanda, Zimbábue, Guiné entre outros são países que sofrem em menor ou maior grau de um conjunto desses problemas.
É nesse continente, que nos alegra pelos gramados do mundo através da elegância, genialidade e estética de jogadores como Samuel Eto´o, Emmanuel Adebayor, Michael Essien, Didier Drogba, Kolo Touré e seu irmão Yya Touré entre muitos outros, que a Copa do Mundo de 2010 se realizará.
Eis a oportunidade para a África e os africanos celebrarem, mesmo que efêmeramente, um título honroso para o seu continente: o de melhor futebol da terra!!!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Tá todo mundo doido!!!
Barack Obama, logo após ter sido agraciado com o Nobel da Paz enviou 14 mil homens para a guerra fabricada pelo seu próprio país contra o Iraque. Herança do Bush júnior, de quem 44% dos cidadãos estadunidenses já sentem saudades.
Tudo é possível nesse mundo maluco e para completar a doideira, o mesmo Obama, dez dias antes de receber o prêmio aludido acima, não satisfeito com o contingente de soldados no Iraque, que durante a sua campanha o próprio prometeu reduzir, mandou mais 30 mil homens, tudo justificado pela chamada "guerra justa". Para os fabricadores de consenso, nesse caso em especial, guerra é paz.
E o que dizer da classificação da seleção francesa para a Copa da África do Sul? Uma beleza. Aliás, muito coerente com o mar de lama que atola os times europeus, afundados que estão nas mais de 200 partidas fraudadas pela márfia do futebol, coisa que nós brasileiros conhecemos muito bem - e com certeza não lembramos - pois já tivemos (ou será que ainda temos?) a nossa surcusal, intitulada márfia do apito. Mas que fique claro que isso tudo não me surpreende, pois assim como o meu quase sempre inspirador Mino Carta, editorialista da revista Carta Capital, acredito que "o futebol é negócio sujo, dominado pela ganância e marcado pela lavagem de dinheiro".
Aliás, dinheiro mesmo foi o que Raymond Domenech ganhou com a "honrosa" classificação da França, uma bagatela de 826 mil euros (dois milhões e meio de reais, aproximadamente). Dinheiro com sabor de roubo. Os senhores dos anéis, das cuecas, das meias e panetones sabem bem o que é isso e já que estamos falando de dinheiro, nada melhor do que ouvir a economista Christine Lagarde, francesa, sobre o acontecimento: "Honra-se a camiseta da seleção com muito suor, embora haja quem cuide de comprá-la". Retórica? Talvez. Mas que soa bem aos meus ouvidos, isso soa. Ainda mais vindo de alguém que não é ativista, marxista, maluca, estressada, pedagogenta, utópica ou qualquer outro adjetivo a enriquecer os jargões dos fabricadores de consenso.
Voltemos ao meu inspirador Mino Carta:"A fraude do gol francês é algo mais que metáfora das mazelas do futebol, exprime, em geral, a desfaçatez e a prepotência de quem puxa os cordéis em todos os quadrantes. E a irresponsabilidade. Eis aí, a desfilar diante de nossos olhos, a encenação de Copenhague, onde se verifica que a bem dos países ricos, é melhor salvar os bancos do que floresta".
É melhor fazer a guerra, pois só assim teremos paz. É melhor ganhar, mesmo roubando, pois ganhar é o que interessa, o como é só detalhe. Entre floresta e capital...capital, é claro!
Continuemos com a doideira e reproduzamos os sempre bem vindos desejos de feliz natal, boas festas, um ótimo ano novo, pois fim de ano é isso, tudo aparentemente se renova, para logo depois, no primeiro dia do velho novo ano, os problemas retornarem com força total. Mas aí, estamos salvos de novo, pois depois do ano novo, vem logo o carnaval.
Completemos a loucura. Em nome da coerência não perdida, façamos uma corrente para a frente, torcendo para que a França seja a campeã do mundo no futebol em 2010.
Tudo é possível nesse mundo maluco e para completar a doideira, o mesmo Obama, dez dias antes de receber o prêmio aludido acima, não satisfeito com o contingente de soldados no Iraque, que durante a sua campanha o próprio prometeu reduzir, mandou mais 30 mil homens, tudo justificado pela chamada "guerra justa". Para os fabricadores de consenso, nesse caso em especial, guerra é paz.
E o que dizer da classificação da seleção francesa para a Copa da África do Sul? Uma beleza. Aliás, muito coerente com o mar de lama que atola os times europeus, afundados que estão nas mais de 200 partidas fraudadas pela márfia do futebol, coisa que nós brasileiros conhecemos muito bem - e com certeza não lembramos - pois já tivemos (ou será que ainda temos?) a nossa surcusal, intitulada márfia do apito. Mas que fique claro que isso tudo não me surpreende, pois assim como o meu quase sempre inspirador Mino Carta, editorialista da revista Carta Capital, acredito que "o futebol é negócio sujo, dominado pela ganância e marcado pela lavagem de dinheiro".
Aliás, dinheiro mesmo foi o que Raymond Domenech ganhou com a "honrosa" classificação da França, uma bagatela de 826 mil euros (dois milhões e meio de reais, aproximadamente). Dinheiro com sabor de roubo. Os senhores dos anéis, das cuecas, das meias e panetones sabem bem o que é isso e já que estamos falando de dinheiro, nada melhor do que ouvir a economista Christine Lagarde, francesa, sobre o acontecimento: "Honra-se a camiseta da seleção com muito suor, embora haja quem cuide de comprá-la". Retórica? Talvez. Mas que soa bem aos meus ouvidos, isso soa. Ainda mais vindo de alguém que não é ativista, marxista, maluca, estressada, pedagogenta, utópica ou qualquer outro adjetivo a enriquecer os jargões dos fabricadores de consenso.
Voltemos ao meu inspirador Mino Carta:"A fraude do gol francês é algo mais que metáfora das mazelas do futebol, exprime, em geral, a desfaçatez e a prepotência de quem puxa os cordéis em todos os quadrantes. E a irresponsabilidade. Eis aí, a desfilar diante de nossos olhos, a encenação de Copenhague, onde se verifica que a bem dos países ricos, é melhor salvar os bancos do que floresta".
É melhor fazer a guerra, pois só assim teremos paz. É melhor ganhar, mesmo roubando, pois ganhar é o que interessa, o como é só detalhe. Entre floresta e capital...capital, é claro!
Continuemos com a doideira e reproduzamos os sempre bem vindos desejos de feliz natal, boas festas, um ótimo ano novo, pois fim de ano é isso, tudo aparentemente se renova, para logo depois, no primeiro dia do velho novo ano, os problemas retornarem com força total. Mas aí, estamos salvos de novo, pois depois do ano novo, vem logo o carnaval.
Completemos a loucura. Em nome da coerência não perdida, façamos uma corrente para a frente, torcendo para que a França seja a campeã do mundo no futebol em 2010.
Assinar:
Postagens (Atom)

