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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Estamos prestes...

Estamos prestes a passar um recibo em branco para um político que se apresenta como a solução para o país. Um sujeito que dos 29 anos que está na política, 12 foi no interior do PP, o partido com o maior número de políticos "ficha suja" (partido do Paulo Maluf), e eu nunca ouvir o tal do Bolsonaro abrir a boca para dizer um "ai" sobre esse sujeito ou sobre a corrupção em que este partido esteve metido. Assim como nunca soube de um projeto de lei de sua autoria que objetivasse o combate a corrupção. Ou a melhoria de qualquer indicador social.

Estamos prestes a eleger um candidato que mudou de sigla nove vezes. Já foi do PSC, PP, PFL (atual DEM, partido também campeão do "ficha suja"... alguém ouviu um "ai"?), voltou para o PP, depois migrou para o PTB, PPB, PPR, PDC e atualmente no PSL. Em nenhum desses partidos, em nenhum, conseguiu ser algo além de deputado. Não coordenou nenhuma comissão, não presidiu coisa alguma, isso nos seus 29 anos de mandato. 

Estamos prestes a eleger um presidente que se nega a ir na TV realizar um debate franco e fraterno com o seu principal oponente. Algo nunca visto desde a reabertura democrática. 

Estamos prestes a colocar, pela via democrática, uma junta militar no poder central da república. Ou no que restar dela. 


Estamos prestes a eleger um sujeito que apresenta como principal símbolo da sua campanha uma arma apontada, direcionada para um alvo que pode ser você. Não se engane. Pastores aparecem em foto fazendo o sinal de armas apontadas. Pergunto: contra quem? Resposta previsível: contra os bandidos. Pergunto de novo: quem escolhe quem é o bandido? Ou melhor... quem são exatamente os bandidos? Resposta pelos dados da realidade que estamos vendo nos últimos dias: todos os que não pensam como ele. Todos os que parecem suspeitos ou estranhos. Ou pelos traços faciais, pelos gestos corporais, ou pela cor da camisa enfim, por destoarem do cenários que ele mesmo montou. 

Estamos prestes a eleger alguém que o mundo inteiro alerta sobre o risco da sua ascensão. New York Times, The Economist, Le Monde, El País, e tantas outras publicações. Muitas, inclusive, de cunho liberal, conservador. 

Mas, também, podemos estar prestes a fazer acontecer a maior virada que já se viu na história política do país. Uma virada não contra o Bolsonaro ou tudo o que ele representa. Mas uma virada contra as instituições que durante anos, colocaram a política e o debate político (sempre necessário) no lixo. Que apresentavam a política como algo sujo e os políticos, de uma forma geral, como corruptos, parasitas que não servem para nada.

Instituições e sujeitos (pois as instituições ganham vida pelas ações humanas) que naturalizam as relações sociais, como se as mesmas fossem produto de processos tais como a chuva que cai do céu ou a grama que brota da terra. 

O fenômeno Bolsonaro tem a ver com isso. Com a desistência da política, com a valorização da antipolítica, do "não debate", da ausência do contraditório, do "vamos ver o que acontece", do "se não for bom a gente tira". Do "cansei", lembram? E de muitas outras atitudes. 

Próximo domingo é o segundo turno do "Resto de Nossas Vidas". Diante das urnas iremos decidir quem governará o país nos próximos 4 anos. Sem ilusão alguma, sabemos que ganhe quem ganhar, temos muito o que fazer. Mas será muito melhor enfrentar "o desafio e o fardo do nosso tempo histórico" em pleno estado democrático de direito. Não é mesmo?

Que assim, seja!!!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Brazil, não merece o Brasil

Figura retirada do site Capital do Pantanal

O Brasil que saiu das urnas nessa última eleição municipal foi o Brasil branco, de olhos claros. 

O Brasil do “rei do camarote”. 

O Brasil daqueles que foram às ruas contra a corrupção, mas elegeram prefeitos de partidos corruptos. Comprovadamente corruptos. 

Foi o Brasil da mídia oligárquica, foi o Brasil contrário ao “bolsa família”. 

Foi o Brasil de 20 milhões de habitantes. 

O Brasil que saiu das urnas nessa eleição foi o Brasil que não quer negros nas universidades, “ciência sem fronteira”, “luz para todos”, “mais médicos”. 

Foi o Brasil que não quer ampliação do ensino superior. 

Foi o Brasil que quer o engavetamento das ações contra atos de corrupção. 

Foi o Brasil da lava-jato. Do esvaziamento da política. 

Foi o Brasil que no maior colégio eleitora dos pais, o número de abstenções, votos brancos e nulos ultrapassaram os votos do candidato vencedor. 

Foi o Brasil do odeio política. 

Foi o Brasil que prende sem provas. 

O Brasil que saiu das urnas nessa eleição foi o Brasil não republicano. 

Foi o Brasil que é contra as políticas sociais. 

O Brasil que saiu dessas urnas foi o Brasil do atraso, do retrocesso. 

O Brasil que não quer avançar. Homofóbico, xenófobo, misógino. 

Foi o Brasil que odeia pobres, negros, LGBT´s, nordestinos. 

Foi o Brasil da Casa-grande. O Brasil do golpe!!!

O Brasil que saiu das urnas foi o Brasil dos “bichos escrotos” saídos do lixo. 

Baratas mostraram suas patas. 

Os ratos entraram nos sapatos e mentes dos cidadãos “civilizados”. 

O Brasil que saiu das urnas está autorizado a virar óleo para azeitar o estado burguês. 

O Brazil que saiu das urnas, definitvamente, “não merece o Brasil”.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

MP do Futebol

Imagem retirada do site www.domtotal.com
Na segunda-feira passada o senado brasileiro aprovou a Medida Provisória 671/2015, conhecida por MP do Futebol que trata, entre outros pontos, do refinanciamento das dívidas do nosso “esporte bretão”.

Do texto original, algumas mudanças ocorreram para que a Medida, que vinha sendo discutida por diversos segmentos do “mundo do esporte” há mais de um ano e meio, fosse aprovada.

Muitos pontos do projeto que saíram da prancheta do “técnico” Otávio Leite (PSDB) foram discutidos acaloradamente. O Bom Senso F. C procurava conter o ataque da cartolagem, que reforçado pela “Bancada da Bola” procurava ocupar todo o meio de campo na tentativa de reforçar a defesa e conter o ataque do time progressista. Entre idas e vindas dos diversos jogadores presentes ao jogo mais longo da história do esporte nacional, pode-se avaliar e perceber recuos e avanços em relação ao texto original.

Para o jornalista Juca Kfouri, o texto final representou uma “conquista meramente sindical”, não tendo a capacidade de modificação estrutural do futebol. Já o Bom Senso F. C. órgão que representa mais de mil jogadores profissionais, comemorou, argumentando que “O Fair Play Financeiro e a tipificação de gestão temerária representam um baita avanço, pois acaba com aquela visão de montar um time a qualquer custo, sem respeitar os contratos com os atletas e deixar uma enorme dívida para as futuras direções. Acaba com essa irresponsabilidade de gastar mais do que se pode”.

Para Eduardo Mello, presidente do Flamengo, deve-se lamentar e muito a preservação do sistema de eleição. Com a retirada do “voto de qualitativo”, presente no texto original, a estrutura básica das eleições das federações estaduais permaneceu intocada.

Outro ponto a lamentar, embora tenham conquistado o direito de participarem das definições das regras das competições, é o impedimento dos atletas de votarem nas eleições da sua entidade.

Ainda na linha desse processo de tentar democratizar o futebol, podemos celebrar a ampliação do colégio eleitoral da CBF. Além das 27 federações estaduais e dos 20 clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, os clubes da segunda divisão também terão direito a voto.

Mas o jogo ainda não acabou. A Medida Provisória para se transformar em Lei precisa passar pela sanção da Presidente Dilma Rousseff e a mudança ocorrida na Câmara, no tocante ao pagamento das dívidas dos clubes, somada as questões conjunturais que vive o país, pode levar o jogo para a prorrogação.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Binha: só lhe cabe o título de torcedor símbolo do Bahia

Ontem, no estádio da Arena Fonte Nova foi empossado o mais novo presidente do Bahia, o primeiro em sua história eleito pelo voto direto dos associados do clube.

Com 67% dos votos válidos, Fernando Schmidt, que disputou o cargo com dois outros candidatos, Rui Cordeiro e Antonio Tillemont, pela segunda vez, assume a presidência do tricolor.

Para mim, nenhuma novidade. Antes mesmo do dia da eleição, em 4 de setembro, escrevi no meu twitter que a "conciliação pelo alto" iria eleger Schmidt. E assim foi.

Político profissional, causou inicialmente um certo desconforto nos bastidores da imprensa esportiva baiana, principalmente pelos que insistem em desvincular o esporte da política. Coisa impossível desde a Guerra Fria.

Aliás, já que toquei na imprensa esportiva baiana, um parêntese interrogativo: o que pensar sobre a brasileira? Silêncio ensurdecedor sobre o processo de democratização que ocorre no Esporte Clube Bahia. Estão com medo do quê? Fecho o parêntese.

Voltando ao processo de democratização, quero sublinhar que mesmo considerando que não teria capacidade para gerir um clube como o Bahia pela dinâmica do futebol contemporâneo, causou-me um certo desconforto que neste movimento de democratização do esquadrão, um time de massa, povão, o seu torcedor símbolo, aquele que podemos dizer que tem "a cara do Baêa, minha porra!!!", não tenha conseguido, sequer, um candidato a vice para poder se inscrever e concorrer à presidência.

Refiro-me a Binha de São Caetano (foto), ou simplesmente, Binha, como é mais conhecido. Não tenho dúvida alguma que o mesmo não mudaria o desfecho da história, mas ele daria muito mais sabor e dinâmica ao processo eletivo.

Provavelmente, a vinculação com o ex-presidente, o Marcelo Guimarães Filho, tenha sido um fator decisivo para a dificuldade de achar um vice e inscrever sua chapa. Mas só provavelmente.

Concretamente, na minha humilde opinião, para Binha, nesse processo de "conciliação pelo alto", só lhe cabe o título de torcedor símbolo do Bahia. Esse talvez seja o sentimento dos senhores de terno e gravata que começam a ocupar a casa grande.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Independência de que tipo?

Imagem retirada do Portal A TARDE
Nesse espaço, alguns dias atrás, escrevi sobre a importância do momento que vive o Esporte Clube Bahia no contexto do processo que ora se desenvolve, de eleição direta para presidente do clube. Algo, pelo que me consta, inédito no Brasil.

Análogo a este momento, só mesmo o vivido pelo Corinthias Paulista na década de 80, ocasião em que o movimento intitulado Democracia Corintiana, permitia, pela via da autogestão, que jogadores, diretoria, comissão técnica e funcionários em geral, decidissem tudo no voto. E todos tinham peso iguais.

No entanto, não se conhece experiência alguma no Brasil, quiçá no mundo, de torcedores votar para eleger o presidente do seu clube de coração, de maneira direta.

Não obstante, uma vez eleito o presidente, quais os mecanismos de intervenção dos torcedores no clube? Qual o peso que terão nos processos decisórios fundamentais, àqueles que envolvem as complexas tramas urdidas no dia a dia do "fazer futebol"? E os jogadores do clube e seus funcionários, terão eles, tal como existia no Corinthias, poder de decisão sobre esses processos? Enfim, até onde vai a democratização do Bahia?

A eleição se aproxima. A data é simbolicamente forte: 7 de setembro, dia considerado de Independência do Brasil. Estará o Esporte Clube Bahia, instaurando a sua independência? Caso a resposta seja positiva, uma outra e final pergunta: de que tipo?

terça-feira, 16 de abril de 2013

Eleições Venezuela

O "democrata" Capriles, derrotado nas eleições venezuelana pela terceira vez consecutiva, retoma o esporte preferido da direita reacionária latinoamericana: violência e desprezo pela democracia.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A democracia longe do esporte

(Texto publicado no Jornal A TRIBUNA CULTURAL no dia 22 de outubro. Aqui reproduzido parcialmente).

Mais uma vez, o mês de outubro se consagra como o do exercício da democracia eletiva. Vivenciamos eleições direta para as prefeituras municipais e câmaras de vereadores recentemente em todos os municípios brasileiro emancipados e nas 83 cidades com mais de 200 mil eleitores que tem o direito ao segundo turno, os cidadãos de 50 delas ainda exercitarão o voto no pleito no dia 28 próximo.

É a democracia com toda a sua pujança a materializar-se do Oiapoque ao Chuí, consolidando sempre e cada vez mais o estado republicano, que mesmo não exercendo a sua soberania clássica caminha, lentamente para alguns e a passos largos para outros, à sua consolidação.

Não obstante, nem todas as instituições da sociedade civil se desenvolvem com esse dinamismo, impedindo que a democracia brasileira deixe de ser representativa e torne-se substantiva. Refiro-me, exclusivamente, a instituição esportiva, uma das mais sólidas e onde ainda se exerce o poder de mando próprio dos coronéis do passado, onde impera o servilismo, onde mantém-se, aprofunda-se e amplia-se os feudos medievais.

Não me deixa mentir a reeleição do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, o senhor Carlos Arthur Nuzman, que ocupando o cargo há 17 anos, foi reconduzido para o exercício do mesmo por mais quatro. Caso ele consiga o intento de mais uma vez, se reeleger depois dos Jogos Olímpicos de 2016, ele superará o mais longevo cartola do esporte nacional, o senhor João Havelange...


Leia mais clicando aqui.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

De renascer para o reviver: Itabuna disse não ao capitão e não ao "coronel"


"Em Itabuna, os eleitores disseram não tanto ao capitão quanto ao coronel". O capitão Azevedo (DEM) não vai mais governar a cidade. Mas perdeu demonstrando densidade eleitoral, ostentando um número expressivo de votos, 44. 516. O vencedor do pleito, o candidato Vane do Renascer (PRB), conseguiu pouco mais de 1.100 votos na frente, totalizando 45.623, elegendo-se prefeito. Em termos percentuais, 40,61% contra 41,62%, respectivamente.

Derrotado mesmo e de forma acachapante foi o "coronel", o senhor Geraldo Simões (PT). Espero que o mesmo entenda - e para homens públicos a derrota é uma oportunidade de rever posições - que o Partido dos Trabalhadores se originou combatendo práticas autoritárias e que o mesmo não sobrevive se no seu interior se reproduz as mesmas táticas e estratégias ditatoriais oriundas em um tempo de terror, tempo este que o próprio PT, através da Comissão da Verdade instituída pelo governo da presidenta Dilma quer esclarecer e punir os algozes de sujeitos que lutavam pela restauração da democracia no país.

O tempo dos feudos acabou. Precisamos ampliar e aprofundar a democracia e isso deve se estender para a nossa prática social. Um partido político, independente da sua coloração, precisa ouvir a sua base e não insistir em algo que não representa o anseio da mesma. Ainda mais quando a insistência se funda em algo que foi testado e não foi aprovado em outro pleito, como foi o caso da candidata Juçara, nas eleições de 2008. Se naquele momento, o seu nome já não representava os anseios da base, o que mudou de lá para cá para a manutenção do seu nome? Absolutamente, nada!!! Por que, então, a insistência no mesmo? Fica a pergunta no ar.

Política não se faz com arrogância, mas, sim, cultivando a arte do possível, dialogando e ponderando sempre pelos interesses da classe que o partido representa, no caso do PT, os trabalhadores assalariados. Em política não existe espaço vazio e precisamos, nós todos que acreditamos no PT e não no PT do G, como o partido é conhecido pelos grapiúnas, tamanha a ingerência do senhor Geraldo Simões, aproveitar o momento e refundar o partido na cidade. Em nível nacional este movimento está sendo pensado, principalmente pela corrente O Trabalho e podemos, também, reproduzir este movimento no interior do PT grapiúna. O que nos impede?

O momento é mais do que de reflexão. É de estudo, de debate, de retomada da formação política e de quadros, de voltar para a base, para as comunidades, para a organização da classe trabalhadora, levantar a bandeira do socialismo, em síntese, politizar a sociedade e o debate sobre questões fundamentais para a cidade de Itabuna.

Mais do que RENASCER, precisamos REVIVER todas as utopias emancipatórias forjadas pela esquerda em diferentes momentos do desenvolvimento da humanidade. O tempo histórico é mais do que propício para esta empreitada. Aproveitemos as cinzas que restaram do último pleito e façamos delas a fênix que restaurará Itabuna.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pesquisa IBOPE

Acaba de sair no jornal da TV BAHIA. Pelegrino (PT), vem crescendo nas pesquisas. ACM NETO (DEM), cai dois pontos. Um dado interessante fica em relação ao nível de rejeição dos dois candidatos, que está na casa dos 29%. 


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Devolva a/o minha/meu Itabuna

Sabemos todos a situação do Itabuna Esporte Clube. Até a última rodada do baianão 2012, o time do sul da Bahia tinha ganho apenas duas partidas em todo o campeonato. Empatou cinco vezes e perdeu 13, caindo mais uma vez para a segunda divisão com três rodadas de antecedência e deixando frustrado inúmeros torcedores amantes do clube e que há muito tempo merecem melhor sorte.

O ano de fundação do Itabuna profissional é o mesmo do meu nascimento, 1967. De lá, para cá, tivemos como título maior, o Vice-campeonato baiano de 1970 e muitas frustrações. Se times das cidades do interior do estado como Feira de Santana e Ilhéus já tiveram seus representantes alcançando o título máximo, o mesmo não pode ser dito do nosso querido Dragão do Sul.

O debate sobre os rumos do Itabuna Esporte Clube e a necessária saída do Sr. Ricardo Xavier (que pode ser reconduzido, desde que promova eleições diretas) torna-se essencial. Não obstante,  assinalo que este debate só terá sentido e significado se no seu contexto ampliarmos a discussão com os diferentes setores da sociedade civil sobre o tipo de cidade e de suas representações (entre elas o time de futebol) que nós, itabunenses, queremos ter.

No meu entendimento, discuti a saída do Sr. Ricardo Xavier do comando do Itabuna só faz sentido se discutirmos amplamente, a situação da centenária cidade de Itabuna, que se encontra muito aquém das suas potencialidades e capacidades do seu povo. A situação atual do Dragão do Sul expressa este momento. É como se o time de futebol fosse a expressão mais acabada da situação da cidade grapiúna que definha a olhos vistos.

Ou nós, itabunenses, tomamos a rédia do desenvolvimento histórico da nossa cidade (e isso implica tomar o clube maior que nos representa), ou o mesmo caminhará única e exclusivamente para a ampliação das benesse de poucos, passando de pai para filho, deste para os netos e se perpetuando ad infinitum.

Como itabunense que se radica em Salvador há 21 anos, sem nunca deixar de acompanhar a vida da cidade e contribuir na medida do possível com o seu desenvolvimento sempre que sou solicitado, vejo com preocupação os rumos que a mesma vem tomando. Mas o pessimismo da minha razão não oblitera em hipótese alguma, o otimismo da minha vontade. Penso no momento da crise pela qual a cidade e o futebol itabunense passam como uma excelente oportunidade de repensar as nossas ações.

Mas pensar não é suficiente. É necessário agir. Que tal começarmos ampliando a democracia e tornando elegível por voto direto, o próximo presidente do Itabuna Esporte Clube, com mandato de quatro anos, podendo se reeleger uma única vez? Fica aqui uma proposta.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eleição polêmica

Os dirigentes do atletismo nacional encontram-se ansiosos. É que após 24 anos à frente da Confederação Brasileira de Atletismo, o senhor Roberto Gesta promete eleição para o cargo. Será que os ventos egípcios estão soprando no ouvido do dirigente mais longevo das confederações existentes no país e influenciando o seu espírito democrático?

Parece que não é bem assim. Leia o que foi publicado na Folha de São Paulo de hoje sobre o assunto.
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Eleição antecipada provoca polêmica

ATLETISMO

No comando da CBAt há 24 anos, Roberto Gesta quer mudar fórmula do pleito que o tira do poder

DANIEL BRITO

DE SÃO PAULO

O presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Roberto Gesta de Melo, 65, tornou-se alvo de polêmica ao tentar mudar as regras das eleições da entidade que comanda há 24 anos.

Mais longevo dos presidentes de confederações esportivas do país (desde 1987), ele quer antecipar em um ano o pleito, mas o novo dirigente seria efetivado somente um ano após ser eleito.

A eleição seria no começo de 2013, início de um novo ciclo olímpico, e o vencedor assumiria em um mês. Gesta quer que o pleito seja em 2012 e que seu substituto ascenda ao cargo só em 2013.

Nesse intervalo, Gesta ficaria no poder e acompanharia os atletas da modalidade nos Jogos de Londres-12.

Há nove meses o dirigente costura com presidentes das federações a nova fórmula.

Essa será a primeira eleição da CBAt em 24 anos na qual que ele não se candidatará, conforme Gesta revelou em setembro passado.

Pelo menos sete Estados já se manifestaram contrários à medida, porém são 44 votantes, entre eles técnicos, árbitros e medalhistas olímpicos. A proposta será colocada na pauta da assembleia geral de quarta-feira, em Manaus, sede da confederação.

A Folha conversou com alguns dirigentes que criticaram a manobra política, mas pediram para que seus nomes não fossem publicados.

Único que aceitou falar publicamente, Carlos Alberto Lanceta, presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, diz que os dirigentes estaduais temem sofrer represálias.

"Se Gesta quer sair, que saia logo e não fique procurando subterfúgios para largar o osso", atacou Lanceta.

O dirigente fluminense diz acreditar que, ao mudar a eleição, o presidente da CBAt criará um salvo conduto para o caso de um fracasso brasileiro em nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

"Se o Brasil for mal, ele vai dizer: "Estou de saída, o próximo presidente da CBAt que deve responder o que será do atletismo do país daqui para a frente".", citou Lanceta.

"Se formos bem em Londres, Gesta poderá dizer: "Está vendo o que eu fiz?"."

Por telefone, Gesta disse que o formato a ser debatido na assembleia de quarta já foi usado em ciclos olímpicos anteriores, mas não soube informar quando isso ocorreu. O dirigente não assumiu a autoria da nova fórmula.

"Se mudar a fórmula da eleição, vai ser como era antigamente. Não sei quem propôs. Mas a assembleia geral decidirá qual é a melhor opção", tergiversou o cartola.

"Em um ano, o presidente eleito e a nova diretoria teriam tempo suficiente para conhecer o funcionamento da confederação. Esse é o lado positivo", declarou.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ministra do Esporte

Dilma Rousseff, presidente eleita com 56% dos votos válidos no segundo turno das eleições do dia 31 de outubro último, desde que passou a se preocupar com a formação do seu ministério, colocou como objetivo se cercar do mínimo de um terço de representantes femininas em diferentes pastas. Tarefa nada fácil, já que historicamente as definições são menos de caráter técnico e mais político, e o arco de alianças foi grande: dez partidos, entre os quais PT, PMDB, PSB, PC do B e PDT, e todos vão querer um espaço no futuro governo.

Atualmente são 37 ministérios. Quando Dilma foi diplomada, no último dia 17, faltavam 14 cargos a serem preenchidos, entre eles o da Cultura, Saúde, Assuntos Institucionais, Portos e Aeroportos, Integração Nacional e Esportes. Só para citar os de equação mais difícil no tabuleiro político, segundo os avaliadores da política nacional.

Em se tratando da pasta do Minstério dos Esporte a equação já foi solucionada, mas não oficialmente. Mais é dada como favas contadas a saída do ministro Orlando Silva, que pode vir a ocupar um suposto Ministério Olímpico e a entrada, para substituí-lo, da deputada eleita por Pernanbuco, Luciana Santos. Mais uma mulher no governo da Dilma.

Pernambucana, engenheira elétrica por formação, foi prefeita de Olinda por duas vezes e em outras ocasiões, secretária de ciência e tecnologia e meio ambiente, além de ter ocupado a assembléia estadual como deputada.

Em entrevista ao portal Vermelho, mantido pelo seu partido, o PC do B (a mesma é vice-presidente nacional do partido), a então deputada federal eleita na última eleição que consagrou Dilma, e "atual" ministra do esporte, disse que o foco dela era a Ciência e Tecnologia.

Podemos perceber pela sua trajetória política e pelo próprio interesse explicitado que o esporte passou longe dos seus objetivos mas, como sabemos, concordemos ou não, invariavelmente a escolha é mais política e menos técnica, compondo os interesses corporativos em função do arco de aliança construído para as eleições majoritárias.

Para nós, que defendemos a democratização do esporte, mais verbas para as políticas públicas que efetivamente se volte para o público, para a cidade, para o desenvolvimento de praças e espaços para a prática esportiva e de lazer para todos e não para alguns, pouco importa o nome. O que vale é o projeto que o partido encarna e até o momento, na minha humilde avaliação, preocupa o projeto do PC do B para o esporte nacional, inclusive em função das mediações de todas as ordens provenientes dos megaeventos esportivos que estaremos sediando nos próximos anos.

Otimista, porém, não ingênuo, desejo sucesso a nova ministra. Que o seu partido paute suas ações objetivando a democratização do esporte, a ampliação dos espaços e equipamentos de lazer nas cidades e que articule esses elementos com um projeto de formação ampliada da cultura corporal do seu povo.

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleição e política: pela consulta popular também na esfera esportiva


Durante os últimos três meses, foram muitas as propagandas falando sobre a importância da eleição e do voto do povo. Muitas insistiam que com o voto era possível mudar o rumo do país e falavam das maravilhas de uma certa urna eletrônica. O destino da nação estava na ponta dos nossos dedos e a esperança de dias melhores nas teclas da mágica máquina. Talvez por isso a tecla de confirmação do voto tenha a cor verde. A esperança é a última que morre, diz o ditado.

Desde o fim da ditadura militar, esta será a sexta vez em que o povo, alçado agora como cidadão, se dirigirá às diferentes zonas eleitorais nos 5.565 municípios exitentes no país. E foi em uma dessas zonas, a sexta, no bairro de brotas, cidade do salvador, bahia, esperando em uma fila a minha vez de justificar o voto por estar longe do meu domicílio eleitoral(Itabuna), que a reflexão tema desta postagem brotou e que diz respeito sobre a necessidade do povo brasileiro participar não tão somente das eleições, mas, sim, da política!

Norberto Bobbio, no seu dicionário de política, nos ensina que o termo política é "derivado do adjetivo pólis (politikós), que significa tudo o que se refere à cidade, o que é urbano, civil, público e até mesmo sociável e social, o termo política se expandiu graças à influência da grande obra de Aristóteles, intitulada Política, que deve ser considerada como o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado, e sobre as várias formas de governo."

Portanto, as propagandas que encheram as diferentes mídias deveriam deixar claro de que a política, essencialmente, não se resume ao voto em um número específico de um candidato ou candidata e nem se presta para, apenas, participar de um evento cívico como a eleição, mas que ela é, sim, o "espírito" que move o "corpo social", e que é a partir e através dela que se trava o embate, as lutas de classes sobre a direção que queremos dar às questões referentes a pólis, a cidade e tudo o que nela ocorre. E esta é uma dinâmica cotidiana e não apenas e tão somente de tempos em tempos.

Podemos, como muitos fazem, até não nos preocuparmos com a política, mas, com toda a certeza, a política nunca, jamais, deixará de se preocupar conosco e com as coisas que fazem parte da vida da cidade, dentre elas, aquela que nos interessa de maneira especial: o esporte, que no século passado, tanto nos governos de direita, quanto nos de esquerda, se transformou em um objeto muito apreciado para a divulgação dos feitos políticos, economômicos e sociais dos seus regimes e que no século atual, se transforma em objeto capaz de mudar, estruturalmente, a cara da cidade, da pólis, se transformando em receita e remédio para todos os problemas da sociedade.

No embate que se trava entre modelos de desenvolvimento esportivo, no atual quadro de correlação de forças, seria muito importante pautar a necessidade da consulta popular para a definição das políticas relacionadas ao esporte. Penso que estaríamos desenvolvendo a democracia de cunho participativo que, juntamente com a representativa, de caráter restritivo, que só se lembra do povo e o transforma em cidadão apenas e tão somente em épocas de eleições, potencializaria uma dinâmica política mais ampla.

Poderíamos ter consultado a população sobre a necessidade da implosão da Fonte Nova, da construção de um novo estádio de futebol como o pituaçu, da derrubada do balbininho, da alocação de recursos públicos para desenvolvimento de ações que beneficiam setores privados do esporte, entre outros.

Poderíamos começar, aqui e agora, consultando o povo sobre a necessidade de eleição direta para a presidência e conselho consultivo de um clube esportivo. O mesmo seria feito nas ligas, nas federações, confederações e comitês. Penso que procedendo desta forma, estaríamos exercitando, aprofundando e ampliando o sentido e significado da politikós aristotélica, pois desta ação participaria toda a população.

Vamos observar se desta eleição sairão lutadores do povo efetivamente comprometido com o processo de democratização ampla da sociedade em todas as esferas que a constitue e com a politização do debate em torno dos fenômenos sociais fundamentais da contemporaneidade: o esporte entre eles.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Às eleições, Brasil!!!

Depois de trinta dias só vendo, ouvindo, analisando e curtindo o futebol, chega ao fim a décima nona edição do maior espetáculo monoesportivo do planeta, a Copa do Mundo de Futebol, que nesta edição foi promovida pela primeira vez em um país do continente africano, a África do Sul.

As bandeiras brasileiras começam a sair das paredes, sacadas dos prédios e das janelas dos carros. Um tom discreto de uma indisfarçável inveja invade as barbearias, os bares e todos os espaços onde existam mais de um aficcionado pela "modalidade esportiva" de nome BOLÃO, pelos acertos de um certo polvo, o Paul. Há quem afirme que a voz do polvo é a voz de deus e o mesmo estará anunciando em breve os números da mega-sena.

Brincadeiras à parte, o fato é que se a Copa "acabou" para os sul-africanos, ela começa para todos nós, brasileiros e brasileiras, ufanistas ou não, pois o próximo mega-evento será em 2014 em nosso solo já não tão verde devido ao desmatamento e nem tão amarelo, pela cupidez e corrupção das nossas elites nacionais.

Para quem ainda não se deu conta e ainda está em processo de cura da ressaca futebolística, lembramos que este ano é ano de eleição. Cargos importantíssimos estarão em disputas. Candidatos e candidatas à Presidente da República, Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Governos Estaduais aparecerão. Uns serão, tal como a Espanha, campeões pelo voto e outros, tal como o selecionado nacional, não alcançarão o intento pretendido.

Paul, o polvo, poderá ajudar alguns candidatos com os seus prognósticos, mas o povo brasileiro deve compreender, que, apesar de alguns erros de arbitragem, sinalizaremos com o nosso voto a direção que queremos para o nosso país. Nós, de torcedores passamos a eleitores por um Brasil sempre campeão na educação, saúde, habitação, segurança entre outros, todos os dias da nossa existência, e não apenas de quatro em quatro anos, pois a vida não é feita de Copa do Mundo.

Devemos exigir dos eleitos o empenho e as ações que faltaram em Dunga e precisamos ser tão críticos e participativos enquanto cidadãos quanto fomos no papel de torcedores. Da nossa escalação para os espaços institucionais da política nacional dependerá o sucesso do nosso país. Ou o seu fracasso.

Outras mediações também aparecem, pois se as eleições são importantes, elas não são determinantes. Para tanto, precisamos deixar de ser espectadores do plim-plim platinado e nos tornarmos protagonistas da trama dentro e fora das quatro linhas que circunscrevem o gramado da vida, entrando no campo da conscientização política, da organização e lutas populares.

Torcedores de todo o país, uni-vos.