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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Futebol negro-branco-árabe da França

A França faz história no mundial da Rússia não apenas pelo balé futebolístico executado por Mbappé, Griezmann e esquadrão regido por Didier Deschamps.

A seleção recém-qualificada à final do torneio após frear a propalada geração belga também impacta pela formação diversa do elenco: dos 23 convocados, 19 são naturalizados ou descendem de imigrantes.

A composição heterogênea, no entanto, extrapola o mero debate esportivo sobre o limite de atletas “estrangeiros” permitidos por time.

Na França, a multinacionalidade é termômetro da forma como o país lida com a própria identidade.

Disponibilizado na Netflix, Les Bleus – Uma Outra História da França faz uma contribuição valiosa para entender como o futebol e o extracampo se conectam.

O documentário analisa a influência da ebulição social e política sobre a seleção e vice-versa a partir de momentos-chave do calendário esportivo, eleitoral e de acontecimentos históricos.

O recorte é o período 1996-2016 e compreende a primeira conquista de Copa do Mundo (em 1998), a ascensão e a queda dos campeões no rastro da popularidade de Zinedine Zidane e, sobretudo, a travessia nada harmônica pela questão da identidade nacional – tensionada tanto pela dificuldade de acolher franceses de origem estrangeira quanto pela xenofobia de políticos da extrema-direita.

O filme costura depoimentos de jogadores, atores (entre eles, Omar Sy, de Intocáveis), escritores e políticos de expressão (como o ex-presidente François Hollande) para mostrar como o desempenho esportivo reflete e influencia a percepção sobre integração social.

A gangorra é constante. E o imaginário de unidade flutua ao sabor de sucessos e fracassos dentro ou fora do campo.

Na vitória, vangloria-se a miscigenação “negro-branco-árabe” pontuada pelo título de 98 e protagonizada pelo craque de origem argelina Zidane – cuja dedicação era colocada à prova, antes, porque o jogador se recusava a cantar a Marselhesa.

Na derrota, evoca-se a falta de patriotismo dos “falsos franceses”, atribuído à presença de “estrangeiros” no time e se dissolve o conceito das três raças, já esgarçado pela discriminação e pela exclusão dos não-brancos confinados às periferias.

A percepção em torno da seleção é acompanhada pelo debate público sobre a questão migratória, o avanço do extremismo, a marginalização da população de origem árabe e africana, as políticas de enfrentamento ao terrorismo.

Impressiona a consciência social dos jogadores (na ativa ou aposentados) sobre temas de interesse nacional – postura crítica ausente de boa parte dos atletas brasileiros.

À declaração radical do então ministro (e futuro presidente) Nicolas Sarkozy – “vamos nos livrar desses bandidos”, diz ele, após onda de protestos nas ruas -, o jogador Lilian Thuram, negro, toma as dores e reage: “Não sou bandido. Só quero trabalhar e melhorar de vida”.

Em resposta ao fortalecimento eleitoral da extrema-direita personificada em Le Pen, Zidane conclama a população a não votar no candidato – e Jacques Chirac se elege com 80% dos votos.

A postura engajada contrasta, vale pontuar, com o silêncio alienado da maioria dos jogadores brasileiros da atualidade sobre temas sensíveis do país.

Mergulhados em cifras milionárias, eles se mostram mais propensos a usar redes sociais para falar de estética, videogame e diversão – esse conjunto de trivialidades capaz de transformar possíveis agentes de mudanças sociais em mensageiros do nada.


(Texto retirado do site Diário do Centro do Mundo de autoria do jornalista, Tiago Barbosa). 

domingo, 17 de junho de 2018

O futebol ficou na Vuitton

A Seleção Brasileira estreou hoje na Copa do Mundo na Rússia contra a Seleção da Suíça e o resultado de 1 x 1 não foi bem recebido pela mal chamada "pátria de chuteira". O fato foi que o time deixou muito a desejar, principalmente após o gol sofrido logo no início do segundo tempo.

Muitos colegas acreditavam em uma estréia triunfante da seleção canarinho. O otimismo estava presente nos palpites em relação ao placar do jogo que giravam em torno de três gols ou mais. O Brasil estrearia bem e daria uma goleada na seleção dos famosos alpes da região do Tirol.

Não foi assim. A indiscutível capacidade técnica dos comandados do Tite não conseguiu ser traduzida em resultado positivo. Não que um empate contra uma seleção que só perdeu uma das suas 23 últimas partidas tenha sido ruim. Apenas não atendeu às expectativas da massa tupiniquim.

Quem deixou muito a desejar foi o craque Neymar que parece ter deixado o seu futebol na mala de 6 mil reais que ostentou ao desembarcar do ônibus em direção a Arena Rostov ou na bolsa da Louis Vuitton, de 18 mil reais.

Resta o consolo do país que é o décimo quarto em desigualdade social, que só em 2016 matou violentamente mais de 62 mil e 500 potenciais torcedores canarinhos, nos tropeços das também candidatíssimas ao título da Copa do Mundo, as seleções da Alemanha, Argentina e Espanha.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Raízes na periferia: um raio-x da origem social dos convocados para a Copa 2018

Pés descalços, campinho de terra batida. A periferia ainda é o maior celeiro de talentos do futebol brasileiro. É o que demonstra um levantamento feito pela reportagem do Brasil de Fato, baseado em imagens de arquivo, sínteses de entrevistas e relatos dos jogadores e familiares, concedidos ao longo da carreira.

A maioria dos jogadores convocados pelo técnico Tite para a Copa do Mundo 2018 vêm da região metropolitana de grandes centros urbanos das regiões Sul e Sudeste, de municípios interioranos distantes da capital, sem infraestrutura adequada, ou de bairros com altos índices de criminalidade e baixos indicadores sociais.

São, de modo geral, filhos de trabalhadores braçais, mal remunerados, com anos de escolaridade inferiores à média brasileira. Só não seguiram o mesmo caminho dos pais devido ao esporte.

Mesmo no mundo do futebol, eles são exceção. Cerca de 82% dos jogadores profissionais brasileiros ganham menos de R$ 1.000 por mês.

Dos 23 convocados para a Copa, 19 jogam em grandes clubes da Europa. Todos recebem mais de cem salários mínimos, entre remuneração fixa, direitos de imagem e patrocínios. Embora acentuem o problema da concentração de renda no país, hoje eles têm condições de ajudar a família e os amigos da “quebrada” – o que reforça o papel do futebol como ferramenta de mobilidade social nos países em desenvolvimento.

Conheça a origem e os primeiros passos de cada um deles:

GOLEIROS

Alisson (Novo Hamburgo-RS, 2 de outubro de 1992)

Cresceu em um apartamento simples no loteamento Mundo Novo, um dos maiores conjuntos de habitacionais do Brasil, com 1,2 mil casas – que sequer tinha posto de saúde até 2012. O Mundo Novo fica no bairro Canudos, que tem o segundo maior índice de criminalidade do município.

Para treinar nas categorias de base do Internacional, Alisson precisava pegar carona em uma van na rodovia BR-116, que liga Novo Hamburgo a Porto Alegre. Descendente de uma extensa linhagem de goleiros, que começou há quatro gerações, ele foi apenas o segundo a se profissionalizar e contribuir no orçamento familiar por meio do esporte. O primeiro foi o irmão mais velho, Muriel, que hoje atua no Belenenses, de Portugal.

Clubes: Internacional e Roma (Itália).

Cássio (Veranópolis-RS, 6 de junho de 1980)

O gigante de 1,95m cresceu em um casebre de madeira a 170 km de Porto Alegre.

Sobrinho do então massagista do Veranópolis Esporte Clube (VEC), Cássio assistia a todos os treinamentos do time e passava horas buscando as bolas que os jogadores chutavam para fora do campo. Gandula-mirim, aos seis anos, ele conheceu o técnico Tite, da Seleção Brasileira, que era treinador do VEC em 1993.

O primeiro trabalho remunerado, aos 14 anos, foi em um lava-jato.

Após fazer sucesso debaixo das traves, construiu uma casa moderna e confortável para a família ao lado daquela em que passou a infância.

Clubes: Grêmio, PSV (Holanda), Sparta Roterdã (Holanda) e Corinthians.

Ederson (Osasco-SP, 17 de agosto de 1993)

Primeiro jogador da história da Seleção a ser convocado para uma Copa sem nunca ter atuado profissionalmente no Brasil, Ederson foi criado na periferia de Osasco. O bairro Rochdale, de classe média baixa, era conhecido pelas enchentes e alagamentos.

Apaixonado por tatuagens, o garoto desenhava o corpo com caneta desde a infância. Hoje, são mais de 30 tatuagens – todas de verdade.

Ederson jogava bola na rua e, aos 10 anos, matriculou-se na escolinha do bairro. Teve 15 minutos para mostrar serviço aos olheiros do São Paulo, em meio a 150 garotos, e logo chamou a atenção.

Transferiu-se para Portugal antes de chegar à categoria profissional, e hoje vive em Manchester em uma mansão com a esposa, a filha, a sogra, um amigo de infância e um casal de amigos.

Clubes: Ribeirão (Portugal), Rio Ave (Portugal), Benfica (Portugal) e Manchester City (Inglaterra).

ZAGUEIROS

Marquinhos (São Paulo-SP, 14 de maio de 1994)

Cria do Centro de Formação e Treinamento de Atletas – Futebol SACI, que fica no bairro Imirim, Zona Norte de São Paulo, Marquinhos era o terceiro de cinco irmãos. Estreou como goleiro, mas já na infância mudou de posição dentro do campo.

Aos oito anos, o garoto da periferia paulistana chamou a atenção dos olheiros do Corinthians no “terrão” – campo de terra batida, esburacado, onde o clube fazia testes para crianças e adolescentes.

No bairro e na família onde cresceu, a bola parecia a única saída. O primo, Moreno, e o irmão, Luan, haviam sido revelados pela base do Corinthians. Mas Marquinhos foi quem mudou a vida da família com o futebol: Moreno está sem clube e Luan, que não engrenou como profissional, hoje administra a carreira do zagueiro da Seleção.

Clubes: Corinthians, Roma (Itália) e Paris Saint-Germain (França).

Miranda (Paranavaí-PR, 7 de setembro de 1984)

Formado na escolinha de futebol da Associação de Moradores do Jardim São Jorge, bairro de 25 mil habitantes na periferia de Paranavaí-PR, Miranda é o caçula de 12 filhos. Ele escolheu ser zagueiro em homenagem ao irmão mais velho, Vicente, que morreu carbonizado após acidente de trabalho em uma companhia de energia local. Era na zaga que o irmão gostava de jogar.

Miranda morava a poucos metros de um campinho, onde todos os dias jogava bola com os amigos. Foi revelado em torneios de várzea.

Clubes: Coritiba, Sochaux (França), São Paulo, Atlético de Madrid (Espanha) e Internazionale (Itália).

Pedro Geromel (São Paulo-SP, 21 de setembro de 1985)

O zagueiro-sensação do Grêmio viveu até a adolescência com a família em Vila Maria, bairro de classe média da Zona Norte da capital paulista. Sem chances nos clubes de São Paulo, Geromel quase desistiu do futebol para trabalhar como bancário.

A origem social de Pedro Geromel é uma exceção entre os jogadores convocação para a Seleção. Ele é um dos únicos que cresceu em uma família de classe média alta – o pai tem uma empresa de embalagens plásticas na capital paulista. É fluente em inglês, alemão e espanhol.

Clubes: Chaves (Portugal), Vitória de Guimarães (Portugal), Colônia (Alemanha), Mallorca (Espanha), Grêmio.

Thiago Silva (Rio de Janeiro-RJ, 22 de setembro de 1984)

Criado no bairro Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, a 100 metros da entrada da favela. Era uma criança apaixonada por soltar pipa e jogar futebol, e convivia com tiroteios entre policiais e moradores da comunidade.

A mãe vivia com medo. Para brincar na rua, ele esperava que ela cochilasse, depois do almoço, e saía de fininho para se juntar aos amigos.

Como zagueiro, foi rejeitado nas “peneiras” de cinco clubes do Rio de Janeiro. A primeira oportunidade como profissional veio em Alvorada-RS, a 1,5 mil km de casa.

Em 2005, na Rússia, teve um diagnóstico de tuberculose, foi hospitalizado em condições precárias e quase perdeu parte do pulmão.

Clubes: RS Futebol, Juventude, Porto B (Portugal), Dínamo Moscou (Rússia), Fluminense, Milan (Itália) e Paris Saint-Germain (França)

LATERAIS

Danilo (Bicas-MG, 15 de julho de 1991)

O pai de Danilo, caminhoneiro, conseguiu que o filho tivesse oportunidade de treinar em uma escolinha de futebol de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. De origem humilde, o lateral saía da escola, às vezes só com uma bolacha no estômago, e seguia para o treino, a 40 km de casa, no município de Bicas.

Depois de chamar atenção de grande clubes mineiros, Danilo foi contratado pelo Santos, marcou o gol do título da Libertadores da América em 2011 e, de lá, rumou para o futebol da Europa.

A família ainda vive em Bicas, e o jogador não esquece das dificuldades da infância. Durante as férias, Danilo sempre visita a escolinha de futebol onde começou a jogar, no bairro Novo Triunfo.

Quando postou uma foto no Instagram com um tênis de marca, um dos seus seguidores disse ter adorado o tênis, mas lamentou não ter condições de comprá-lo. Danilo se identificou: “Fala irmão! Tô ligado. Também sou de ‘quebrada’. Manda aí seu endereço e quanto você calça. Vou te mandar uns pisantes! Valeu”.

Clubes: América Mineiro, Santos, Porto (Portugal), Real Madrid (Espanha) e Manchester City (Inglaterra).

Fagner (São Paulo-SP, 11 de junho de 1989)

Descoberto em uma escolinha de futebol próximo ao Jardim Capelinha, um dos bairros mais violentos de São Paulo. Foi criado pelo pai e cresceu longe da mãe, depois de um divórcio traumático.

Aos seis anos, sofreu um acidente numa porta de vidro e quase teve o braço amputado, por um erro médico. O pai teve que vender o carro para pagar a cirurgia de correção. A primeira das muitas tatuagens que ele tem foi feita para esconder aquela cicatriz.

Fagner chegou ao Corinthians com nove anos. Pegava dois ônibus, um metrô e caminhava mais de uma hora até o Parque São Jorge para realizar o sonho de ser jogador de futebol.

Clubes: Corinthians, PSV (Holanda), Wolfsburg (Alemanha), Vasco e Corinthians.

Marcelo (Rio de Janeiro-RJ, 12 de maio de 1988)

Revelado na escolinha de futsal da colônia de férias do Exército, na Urca. Quando foi aprovado nas categorias de base do Fluminense, o avô o levava de carro para Xerém em um Fusca 1975, comprado no ano 2000 com dinheiro ganho no jogo do bicho.

No começo da carreira o dinheiro era contado e, às vezes, não dava sequer para tomar uma condução ou almoçar antes do treino.

Clubes: Fluminense e Real Madrid (Espanha).

Filipe Luís (Jaraguá do Sul-SC, 9 de agosto de 1985)

Cresceu na zona rural de Massaranduba, município de 14,6 mil habitantes do interior de Santa Catarina. Os passatempos preferidos do jogador na infância estavam ligados à terra: comer frutas nas árvores, pegar minhoca do chão, passear pelas plantações de arroz.

Começou a bater bola atrás da igreja da comunidade. Quando se mudou para Jaraguá do Sul, na adolescência, passeava de bicicleta de colégio em colégio para jogar futebol. Foi revelado em um torneio de futsal, aos 14 anos, e passou a integrar as categorias de base do Figueirense.

Morava debaixo da arquibancada do estádio Orlando Scarpelli, com outros 30 garotos.

Clubes: Figueirense, Ajax (Holanda), Real Madrid Castilla (Espanha), La Coruña (Espanha), Atlético de Madrid (Espanha), Chelsea (Inglaterra) e Atlético de Madrid (Espanha).

MEIO-CAMPISTAS

Paulinho (São Paulo-SP, 25 de julho de 1988)

Começou nos campos de várzea do Parque Novo Mundo, na região da Vila Maria, Zona Norte de São Paulo. Aos 12 anos, fazia parte da categoria de base da Portuguesa.

O padrasto, que Paulinho considera um pai, era quem o levava para assistir aos jogos de futebol.

Os pais se separam quando o jogador era ainda criança. Paulinho só foi encontrar o pai biológico novamente quando o Corinthians foi a Recife jogar contra o Náutico, em 2012.

Clubes: FC Vilnius (Lituânia), ŁKS Łódź (Polônia), Audax, Bragantino, Corinthians, Tottenham (Inglaterra), Guangzhou Evergrande (China) e Barcelona (Espanha).

Fernandinho (Londrina-PR, 4 de maio de 1985)

Passou a infância e adolescência entre duas cidades: Londrina e Ribeirão Preto. Fernandinho era o destaque do time de peladas da Rua do Roncador, no conjunto Lindoia, periferia do município paranaense. Ele também era o número 1 do campinho de terra batida no bairro Adão do Carmo Leonel, na zona Oeste de Ribeirão Preto.

Foi revelado em 1999, aos 13 anos, no PSTC – centro de treinamento especializado em categorias de base e formação de atletas profissionais de Londrina. Treinava no campo de futebol da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Até hoje, Fernandinho mantém contato com os amigos do Conjunto Lindoia.

Clubes: Atlético Paranaense, Shakhtar Donetsk (Ucrânia) e Manchester City (Inglaterra).

Renato Augusto (Rio de Janeiro-RJ, 8 de fevereiro de 1988)

Renato Augusto cresceu em três apartamentos diferentes na rua Ibituruna, a menos de 1 km do Maracanã. Via o estádio de segunda à sexta pela janela do ônibus 456, que pegava para ir à escola. Hoje, ele traz o Maracanã estampado em uma tatuagem no braço direito.

Assim como o zagueiro Pedro Geromel, Renato Augusto é um dos poucos convocados para a Copa oriundo de uma família de classe média.

Clubes: Flamengo, Bayer Leverkusen (Alemanha), Corinthians e Beijing Guoan (China).

Fred (Belo Horizonte-MG, 5 de março de 1993)

Cresceu no Jardim Europa, em Venda Nova, Belo Horizonte, jogando bola na rua, descalço. Na Copa de 2002, raspou o cabelo igual ao do ídolo Ronaldo, artilheiro da Seleção.

Foi aprovado em um teste no Atlético Mineiro aos dez anos, mas teve que abrir mão de jogar no time do coração porque não conseguiu um contrato que garantisse verba de transporte, moradia e alimentação.

Meses depois, foi levado a Porto Alegre em um projeto encabeçado pelo ex-jogador Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho, que lhe abriu as portas no Internacional.

Clubes: Internacional e Shakhtar Donetsk (Ucrânia).

Casemiro (São José dos Campos-SP, 23 de fevereiro de 1992)

Foi abandonado pelo pai aos três anos e passou necessidade durante toda a infância. Entre as lembranças mais vivas daquela época, está a imagem de uma vendedora de Yakult que passava em frente à casa dele todo final de tarde: Casemiro morria de vontade de tomar a bebida, mas a mãe não tinha dinheiro para comprar.

Aprovado em um teste no São Paulo, ele não tinha condições de ir e voltar de São José dos Campos à capital, e dependia da ajuda de amigos para passar a noite entre um e outro treinamento. Na mesma época, contraiu uma hepatite e ficou quase 90 dias sem treinar. Quase foi forçado a desistir do esporte.

Aos 14 anos, conseguiu uma vaga no alojamento do clube, driblou as dificuldades e hoje é considerado uma das maiores revelações da história do Tricolor.

Clubes: São Paulo, Real Madrid B (Espanha), Porto (Portugal) e Real Madrid (Espanha)

Willian (Ribeirão Pires-SP, 9 de agosto de 1988)

Cresceu jogando futebol na rua Conde de Sarzedas, no bairro Vila Albertina, no ABC paulista. Era conhecido de todos moradores e comerciantes da rua: volta e meia a bola entrava pela porta ou batia em uma janela.

Os primeiros treinos, aos cinco anos, foram na quadra de futsal do pequeno Ribeirão Pires FC.

A carreira deslanchou quando o pai, Severino da Silva, o levou para um teste na escolinha do ex-jogador Marcelinho Carioca. Era o primeiro passo para que Willian vestisse a camisa do Corinthians, time do coração de Seu Severino.

Clubes: Corinthians, Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Anzhi (Rússia) e Chelsea (Inglaterra).

Philippe Coutinho (Rio de Janeiro-RJ, 12 de junho de 1992)

Cresceu em um condomínio no Rocha, Zona Norte do Rio. Quem primeiro identificou o talento dele para o futebol foi Dona Didi, avó de um amigo de infância.

Em casa, o dinheiro era contado, mas nunca faltou apoio da família: o pai, a mãe e os dois irmãos mais velhos suaram a camisa para que o menino se dedicasse desde cedo ao esporte.

Coutinho começou aos seis, na escolinha de futsal do Clube dos Sargentos do Rio de Janeiro. Em menos de um ano, foi aprovado no time de Mangueira e disputou o primeiro torneio estadual de futsal. Artilheiro da competição, chamou a atenção do Vasco, clube em que estreou como profissional.

Clubes: Vasco, Internazionale (Itália), Liverpool (Inglaterra) e Barcelona (Espanha).

Douglas Costa (Sapucaia do Sul-RS, 14 de setembro de 1990)

Estudou na escola municipal Hugo Gerdau, em Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre. Filho de um mecânico e uma dona de casa, foi revelado em caminhos de terra batida. Matriculou-se na escolinha de futebol da Prefeitura e chegou ao Grêmio aos 12 anos.

Nos primeiros meses, causou desconfiança por ser muito mais magro do que a maioria dos colegas. Só conseguiu se firmar nas categorias de base após um trabalho de fortalecimento muscular e nutricional: ganhou seis quilos em dois anos.

Clubes: Grêmio, Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Bayern de Munique (Alemanha) e Juventus (Itália)

ATACANTES

Taison (Pelotas-RS, 12 de janeiro de 1988)

Ex-flanelinha, integrante de uma família de onze irmãos, foi o único menino de seu círculo social que conseguiu se estabelecer profissionalmente e ajudar a família. Ao menos dois de seus amigos de infância são hoje moradores de rua, em Pelotas.

O talento de Taison foi desenvolvido em ruas de areia e calçamento, nas periferias do município, e no pátio da Escola Estadual Nossa Senhora dos Navegantes. Descoberto pelo clube Osório, deixou o trabalho de manobrista, em frente a um supermercado, e logo encantou os olheiros do Internacional, clube que o revelou para o mundo.

Clubes: Internacional, Metalist Kharkiv (Ucrânia) e Shakhtar Donetsk (Ucrânia).

Neymar (Mogi das Cruzes-SP, 5 de fevereiro de 1992)

Cresceu em uma casa simples Praia Grande, litoral paulista. A casa era pequena, improvisada, a poucas quadras de um lixão. Os garotos descalços se comportavam como os donos da rua: eram os carros, e não os pedestres, que precisavam pediam licença para passar.

O menino, conhecido na época por “Juninho”, começou a chamar a atenção aos dez anos, no Grêmio Recreativo dos Metalúrgicos de Santos (Gremetal). Após ser descoberto pelo Santos, ainda criança, pegava ônibus sozinho todos os dias para participar dos treinos. A rotina era tão pesada que ele se acostumou a “passar do ponto” de casa, tamanho cansaço.

O primeiro contrato com o Peixe, em maio de 2004, garantia R$ 450,00 por mês à família. Foi graças a essa ajuda de custos que o menino pôde se dedicar somente ao futebol.

Clubes: Santos, Barcelona (Espanha) e Paris Saint-Germain (França).

Roberto Firmino (Maceió-AL, 2 de outubro de 1991)

Único representante do Nordeste na Seleção, Firmino nasceu e foi criado no conjunto habitacional Dique Estrada, região pobre e violenta da capital alagoana.

O primeiro campo foi a rua de paralelepípedo. Os amigos do bairro e das duas escolas em que estudou, Colégio Tarcísio de Jesus e Colégio Caíque, eram os principais companheiros nas peladas.

Quando jovem, vendia coco na praia para ajudar no orçamento da família. Tornou-se profissional no Figueirense, em Florianópolis, a 3,1 mil km de casa. Sem dinheiro para a passagem, ficou mais de um ano sem voltar para Maceió.

Clubes: Figueirense, Hoffenheim (Alemanha) e Liverpool (Inglaterra).

Gabriel Jesus (São Paulo, 3 de abril de 1997)

Cria do Jardim Peri, comunidade pobre de São Paulo. Começou a chamar atenção aos oito anos, no campo de terra do presídio militar Romão Gomes, em Tremembé, Zona Norte de São Paulo. Para ir aos jogos e economizar no combustível, o treinador do time chegou a colocar onze garotos dentro de um Fusca.

Enquanto Neymar e outros companheiros de Seleção disputavam a Copa de 2014, Gabriel Jesus pintava as ruas da comunidade de verde e amarelo. No ano seguinte, ele seria revelado pelo Palmeiras.

O camisa 9 titular de Tite não teve a presença do pai, que abandonou a família quando o craque era ainda pequeno. A mãe, empregada doméstica, colocava comida na mesa para os três filhos.

Às vésperas do Mundial, o rosto do atacante da Seleção estampa o muro da rua onde o garoto cresceu e descobriu o futebol. Ou foi descoberto por ele.

Clubes: Palmeiras e Manchester City (Inglaterra).

MATÉRIA PUBLICADA NA BRASIL DE FATO E NO DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Los Hermanos

Os torcedores estão mais felizes com o empate da Argentina com o Paraguai do que com a vitória do Brasil sobre a Venezuela.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Trio pé de serra, quadrilha junina e samba de côco

Uma amiga sergipana lembrou algo interessante em relação as ações do poder público para recepcionar as seleções que embarcaram nos diferentes estados do Brasil.

Em Aracaju, por exemplo, a seleção da Grécia foi recebida com roda de capoeira. Ironicamente, ela observou: "acho que todos os trios pé de serra estavam ocupados, as quadrilhas juninas de férias e o samba de côco foi passear em outros cantos".

Pois é. As expressões mais genuínas da cultura da região foram silenciadas.

Uma pena.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Mercado paralelo: ao hexa Brasil!!!

Confesso que não me esforcei muito para comprar ingresso que permitisse assistir um jogo ao menos na Arena Fonte Nova. Até tentei. Cheguei a me cadastrar no site oficial da FIFA logo no início, mas não obtive sorte.E como não estava animado para o evento, fiquei acomodado com a situação.

Por vezes, muito mais pelo meu filho do que por mim, falava aqui e acolá com alguns colegas sobre o interesse em adquirir ingresso. Mas nada de concreto.

Com a proximidade do evento, e o envolvimento quase automático com o mesmo, passei a procurar com mais afinco. Um cunhado de Porto Seguro também me pediu para ver se conseguia comprar alguns ingressos e assim passei de maneira mais sistemática a procurar o que poderia chamar de refugo. Ainda assim valeria a pena. Até a esposa começou a se interessar.

Descobri então que agora só no chamado "Mercado Paralelo". Nesse tal mercado, o que poderia te custar R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais), passa a R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais). É isso mesmo. O preço pode chegar a mais de 10x o valor inicial.

O negócio agora é arrumar a festa com os amigos. Descolar uma dessas organizadas com direito a cerveja gelada, tira gosto e um bom telão para acompanhar os jogos do Brasil e das outras seleções.

Quero ver bom futebol. De quebra, o hexa brasileiro.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Itaipava pode. Já o tal do mané...

A FIFA vetou o nome do bi-campeão pela seleção brasileira de 1958 e 1962, Mané Garrincha, de compor o nome da Arena de Brasília, no Distrito Federal, em competições organizadas por ela. Portanto, para a Copa do Mundo de 2014 o estádio não deve ser chamado de Mané Garrincha, coisa que ocorre desde a década de 80 do século passado.

Então é isso. Itaipava pode. Já o tal do Mané...somos todos nós!!!

domingo, 17 de março de 2013

Rede Record X FIFA-GLOBO

A Rede Record promete colocar em xeque a relação entre a Fifa e a Rede Globo em relação a prorrogação dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e 2022.

Entenda o caso clicando aqui.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Medicina do Esporte

A definição de regras para controle da atuação das equipes médicas que acompanham delegações esportivas estrangeiras foi o tema de reunião da Câmara Técnica de Medicina Esportiva do Conselho Federal de Medicina (CFM), no dia 22 de janeiro. A matéria cresce em importância numa época em que o Brasil desponta no cenário internacional e se prepara para sediar grandes eventos, como a Copa das Confederações da Fifa 2013, Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

As conclusões do grupo deverão ser consolidadas em uma proposta de resolução, que passará pela avaliação do plenário do CFM. O objetivo é garantir o controle do exercício da medicina e, também, a segurança do ato médico. (ítem de grande resistência no próprio campo da saúde, observamos. Interessados em saber mais, clique aqui . NOTA MINHA).

Participaram das discussões representantes do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Conselho Regional do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, e Clube de Regatas Flamengo.

Fonte: Jornal Medicina. Publicação Oficial do Conselho Federal de Medicna. Ano XXVIII, n. 216, Janeiro de 2013. página. 10.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estádio do Corinthians é o mais caro dos últimos quatro mundiais

O novo estádio do Corinthians, que está sendo construído em Itaquera, zona leste de São Paulo, é o mais caro em relação ao palco de abertura dos últimos quatro Mundiais. De acordo com levantamento feito pelo Portal da Copa, cada cadeira instalada no local custará R$ 17 mil para a construção de 48 mil lugares. Os estádios de Paris, Seul, Munique e Johanesburgo, respectivos das Copas de 1998, 2002, 2006 e 2010, não tiveram o custo por assento tão elevado.

A previsão de gastos para a Arena Corinthians é de R$ 820 milhões. A arquibancada removível, com 20 mil cadeiras está orçada em R$ 35 milhões, e não será mantida após o Mundial. O valor foi obtido a partir do número de assentos previstos no projeto inicial sem a implantação das estruturas provisórias.

O estádio que mais se aproxima do valor gasto em Itaquera é a Allianz Arena, em Munique, na Alemanha, inaugurado em junho de 2005. O estádio custou R$ 918 milhões, porém, como tem 66 mil lugares, cada assento saiu a um preço de R$ 13,9 mil.

Ainda de acordo com o Portal da Copaquando comparado com os principais estádios erguidos ou reformados nos últimos 20 anos, a Arena Corinthians continua sendo a mais cara. O valor de cada cadeira do estádio é superior, por exemplo, ao do Ninho de Pássaro, em Pequim, e o Olímpico de Berlim.

Orçado em R$ 1 bilhão, o estádio chinês tem 91 mil lugares, com custo de R$ 10,9 mil cada. O valor é igual ao do palco da final do Mundial 2006, cuja reforma custou R$ 850 milhões (para 77 mil cadeiras).

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Criança esperança


O Brasil da copa do mundo, das olimpíadas, corrupção e mais de 20 anos de Criança esperança! Foto de Oliveiro Pluviano mostra meninos de rua numa manhã de inverno tentando se aquecer nos respiradores com ar quente do metrô em São Paulo.


terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio - Dia de luta

"Comprometido com a FIFA e o COI em garantir as obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas em nosso país, o governo brasileiro, além de bancar a construção desses “elefantes brancos” com dinheiro do orçamento público federal, vai promovendo remoções de milhares de famílias pobres obrigando-as a deixar suas moradias, sem qualquer garantia oficial, sem destino certo. Tudo isto para garantir melhores condições aos turistas que aqui possivelmente desembarcarão, à custa de piores condições de moradia e de vida para o povo. Quando as famílias prejudicadas pelas remoções protestam, governantes colocam suas polícias com todo seu arsenal repressivo para “garantir a ordem” dos interesses das grandes construtoras, financiadoras das campanhas eleitorais dos partidos políticos, governadores, senadores e deputados. A truculência das polícias estaduais e municipais vem ocorrendo com freqüência sobre milhares de famílias que habitam em terrenos devolutos (propriedade do Estado) e que deveriam ser usadas prioritariamente para sua função social, como manda a Constituição brasileira. Fatos como o da expulsão de Pinheirinhos, em São José dos Campos – SP, se dão com freqüência e tal brutalidade que vêm merecendo a condenação até mesmo de setores da mídia burguesa."

Trecho do texto do Waldemar Rossi, 1º de Maio: um confronto com o Estado repressivo. Leia a íntegra clicando aqui.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A dengue

A Cidade antes adjetivada de maravilhosa vem sofrendo há muito tempo, com vários problemas. A violência é um deles. Mas um outro apareceu e todos sabiam que isso iria ocorrer. Declararam guerra ao mosquito, mas tudo indica que a dengue venceu e novos regimentos, mais robustos, fortes e poderosos começam a formar tropas mais resistentes.

Dirão alguns. Venceu a batalha mas, não, a guerra. Digo eu: assim espero. Sim, porque em outros cantos não tão encantados como a cantada ex-cidade maravilhosa, o mosquito também faz a festa. A minha querida, amada cidade de Itabuna é expressão cabal disso. E ela não está isolada. Infelizmente.

Até quando? Enquanto isso, a preocupação central ainda é a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Aliás, os políticos têm mais um elemento para colocar como legado: a extinção da dengue. Até porque, imaginem, atletas e mais atletas, treinados e versados em distintas modalidades esportivas, perderem a competição para um simples mosquito, com picadas tão potentes quanto as drogas anabólicas consumidas por muitos em seus caríssimos processos de treinamento.

Seria cômico, se não fosse trágico.

sexta-feira, 9 de março de 2012

"O pior cego é o que só vê a bola"

Quem acompanha o noticiário esportivo deve ter ficado surpreso em relação ao pedido de licença médica solicitado pelo Sr. Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL).

Isso porque, há poucos dias, o mesmo Sr. Teixeira trabalhou diuturnamente, junto às federações esportivas do país, para permanecer nos respectivos cargos, ameaçados que estavam pelas inúmeras denúncias de corrupção, entre outras, que recaíam sobre ele.

Uma pergunta, portanto, se impôs no despertar da minha consciência, antes mesmo do primeiro gole da quente e necessária cafeína matinal: Por que, depois de um esforço tremendo para se manter na direção da CBF e do COL, e dos presidentes das federações terem, mais uma vez, aclamados o seu nome para continuar nos cargos, o Sr. Teixeira solicita licença médica?

Sem condições de responder a uma questão de tamanha envergadura, recorri ao jornalista José Cruz que me deu a seguinte resposta. É tudo um jogo, Welington. O q o pessoal não se apercebe é que há milhões de dólares em jogo. Deixar a CBF por 60 dias é possível. Ele fez isso quando a CPI da Nike o apertou. Agora, ele sai por dois meses mas não larga o comando da Copa, continua lá, presidente. Com sua filha de secretária. É preciso ficar atento que os que o querem derrubar, presidentes de federações, são os mesmos que o mantêm lá por tantos anos. E se querem fazer isso é porque quem entrar vai recompensar. É um jogo de interesses antes de tudo. O mal não está centrado em Ricardo Teixeira, mas no sistema nacional de esportes.

Pois é. Faz todo o sentido esta resposta. A mesma nos permite reafirmar o título desta postagem: "o pior cego é o que só vê a bola". E acrescento que é necessário intervir, tanto no sistema esportivo nacional, quanto na base material que o torna possível, tal como é. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A grande família

Chega hoje em Salvador, para inspeção oficial em relação ao andamento das obras e outros penduricalhos relacionados ao maior evento esportivo do planeta, a Copa do Mundo de Futebol de Campo, três dos componentes da grande família: o senhor Gérôme Valcke, secretrário geral da Fifa; Aldo Rebelo, Ministro dos Esportes e Ronaldo, ex-fenômeno e atual dublê de cartola, membro do Conselho Administrativo do Comitê Organizador Local (COL), empossado recentemente pelo insuspeito senhor Ricardo Teixeira, que dispensa maiores apresentações.


Salvador será a segunda cidade, depois de Fortaleza, a receber a visita desses "senhores dos anéis", honraria também de todas as outras cidades-sede do mundial.


Figuras locais, travestidas de autoridade máxima em relação ao evento comandado centralmente pela FIFA (que pelas suas próprias leis cria um estado dentro do Estado) também participarão do périplo esportivo local. O pior prefeito do país, o senhor João Henrique, o governador de "todos os nós", o senhor Jacques Wagner  que, obviamente, terão aos seus lados diversos representantes do nosso organizado município e do nosso rico Estado, que expressam suas contradições nas cifras oficiais.


Dos 26 Estados da Federação, Salvador permanece com o pior indicador baiano em relação a educação. Na saúde, é o 23º. O 2º pior município em indicadores sociais fica na Bahia. Trata-se de Lamarão, localizado no semiárido, a 631 Km de Salvador. E o primeiro em violência também fica na Bahia, trata-se de Simões Filho, a pouco mais de 30 quilômetros de Salvador.


No conjunto desta contradição, dados do CEPAL e UNICEF de 2011 apresentam a sexta economia do mundo em 7º lugar no ranking de crianças e adolescentes que vivem abaixo da linha de pobreza. São 81 milhões em toda a América Latina, 45% do total em relação ao mundo, quase a metade. Destes, 38,8% estão no nosso Brasil varonil.


Mas a grande família trará mensagens de otimismo, esperança e auto-estima. Idealisticamente dirá que a Copa do Mundo é importante por agregar valor a vários elementos tangíveis e intangíveis que farão da Bahia e principalmente, do Brasil, redescoberto pela Europa como o país que tá dando certo em meio a uma crise do capital, um protagonista mais valoroso ainda no cenário mundializado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Preparem os bolsos

Como já era esperado, os valores iniciais (em milhões de reais) das obras relacionadas aos megaeventos esportivos no Brasil seguem de vento em polpa, ou seja, com alterações para cima na sua imensa maioria. Exceção apenas para a Arena Amazônia (era 533, está em 532,2). Nos demais estados que sediarão o evento futebolístico de maior apelo mundial, as alterações são sempre para cima e além.

Vejamos. Maracanã (era de 828, está em 931); Fonte Nova (era de 592, está em 597); Estádio Nacional, do Distrito Federal, (era de 671, está em 846); Estádio das Dunas (era de 413, está em 417); Castelão (era de 452, está em 518,6); Beira Rio (era de 154, está em 290); Arena da Baixada (era de 185, está em 234); Arena Pernambuco (era de 491, está em 532); Mineirão (era de 684, está em 695); Itaquerão (sem previsão de custo inicial. O "final" está em 890).


Alguns destes estádios ainda faltam licitar itens, tais como: construção de cobertura e compras de gramados e cadeiras. É o caso da Arena Pantanal (está em 597, mas falta licitar a cobertura) e o Estádio Nacional, que apesar de ter tido uma majoração de quase duzentos milhões, não chegou a um valor "definitivo", pois falta licitar o gramado e as cadeiras.


Segundo a fonte consultada, "A previsão oficial do custo de construção e reforma dos estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014 já subiu R$ 590 milhões desde janeiro de 2010, quando foi assinada a Matriz de Responsabilidade da Copa pelos governos federal, estaduais e municipais que receberão os jogos".


Na época da assinatura da Matriz supra citada, o Ministério dos Esportes previa um custo total de 5,6 bilhões de reais para as obras de todas as arenas que sediarão jogos da Copa 2014. Em pouco mais de dois meses, de novembro de 2011 para cá, a cifra foi alterada, chegando aos valores atuais de 7,08 bilhões de reais.

Fonte consultada para a postagem: UOL.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Brasil não é a África: e daí?

No ano de 2010 tivemos, pela primeira vez na história do mundial de futebol, uma Copa do Mundo em solo africano. Com certeza, um acontecimento para ser lembrado pelos nativos e por todos os povos do mundo inteiro durante muitos e muitos anos. Tanto pela sua relevância histórica, quanto pelos temas que animou.

Durante os preparativos para a realização dos jogos, muito foi dito. Várias foram as avaliações dos diferentes especialistas nos mais variados assuntos. Falou-se sobre aeroportos, novos estádios, mobilidade urbana, marketing esportivo, entre outros, temas sobre os quais estamos já bastante familiarizados.

Para uns, a Copa do Mundo na África do Sul seria uma oportunidade ímpar para potencializar o crescimento econômico do país, viabilizando ações que contribuiriam com o desenvolvimento da infra-estrutura geral, principalmente das cidades-sedes e, por tabela, mexeria com a alta-estima de todos os cidadãos da nação africana. Sem falar nos ganhos intangíveis que só aparecem, segundo especialistas em megaeventos esportivos, anos e anos após a realização dos mesmos e que não existe maneira de mensurar nem de constatar o seu impacto no processo avaliativo. Só mesmo a história, ciência do tempo, pode demonstrá-los.

Para outros, tudo não passava de simples falácia, retóricas que por sua extrema força ideológica, ao apresentar os elementos positivos, alguns supra citados, velava outros tantos, os de reais interesses dos membros da FIFA, das corporações das mais distintas, dos patrocinadores e de membros dos governos (federal, estadual e municipal). Era necessário que o povo todo acreditasse que a Copa da África era para o bem geral da nação africana.

Uma dessas vozes destoantes em relação aos otimistas de plantão, era de um economista da Universidade de Kwa-Zulu Natal, que mantinha, junto com outros intelectuais da mesma instituição de ensino, um site na internet, chamado de Observatório da Copa do Mundo. Segundo ele, “não é do real interesse de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”. (Citação retirada do Correio Cidadania. Acessada em 19/07/2010).

Passados já um ano e alguns meses do evento que iria trazer a Terra Prometida para os africanos, eis que os dados da realidade da Nação projetam uma situação por demais frustrante, de fazer corar de vergonha os mesmos otimistas, muitos deles já devidamente encastelados em terra tupiniquim e outros tantos, há tempos, com residência fixa nas federações e confederações brasileiras, exercitando a política das monarquias absolutista.

Matéria do Correio do Brasil, publicada ontem, ao trazer uma reflexão crítica sobre o CNA (Congresso Nacional Africano), que expulsou o Partido Nacional (exclusivo para brancos) do poder em 1994 e parece não fazer valer o seu slogan de fundação (em 1912), “uma vida melhor para todos”, nos presenteia com alguns dados que demonstram a falácia do potencial desenvolvimentista dos megaeventos esportivos.

Segundo a matéria (leia na íntegra clicando aqui) “Os únicos sul-africanos que realmente desfrutam de uma “vida melhor” são os 3 milhões integrantes da classe média negra – apenas 6% da população de 49 milhões de habitantes. Aproximadamente 40% da população (20 milhões de pessoas) vive abaixo da linha da pobreza, sobrevivendo com menos de 50 euros por mês.”

O texto do qual os dados foram retirados diz respeito à dinâmica da política partidária do país. Faz uma crítica ao CNA e suas políticas, não tratando de forma específica do tão propalado legado esportivo, que ganha cada vez mais força semântica e tem a potência de tudo explicar.

Mas creio que o mesmo nos serve de alerta e nos ajuda a pensar sobre os reais interesses dos mega-eventos esportivos no Brasil em 2013 (Copa das Confederações), 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Jogos Olímpicos) em contexto de crise política e econômica na Europa, berço tradicional do futebol.

Sabemos que o Brasil não é a África do Sul e que a tradição do futebol é muito mais enraizada no nosso solo e isso pode, dizem, fazer alguma diferença. Por outro lado, sabemos também que são os mesmos “senhores dos anéis” que estão organizando os megaeventos esportivos na “nossa pátria mãe gentil”.

Se lá na África, repetindo o economista Patrick Bond, da Universidade de Kwa-Zulu Natal, não era do interesse “(...) de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”, por que no Brasil será diferente?

domingo, 8 de janeiro de 2012

Haverá tempo?

Como todos nós sabemos, em 2014 teremos no nosso país a Copa do Mundo de Futebol. Temos, portanto, um pouco mais de dois anos para este grande evento esportivo e o que mais nos preocupa é que muitas coisas ainda estão para serem feitas, muito embora os recursos do tesouro estejam disponíveis e sendo sacados pelos órgãos responsáveis pelo evento.

Ao consultarmos os dados contidos no Portal da Transparência do Governo Federal, constatamos que dos 27 bilhões de reais previstos no momento para os diversos investimentos nos âmbitos municipais, estaduais e federais, apenas R$ 9 bilhões e 800 milhões foram contratados e, destes, R$ 1,4 bilhões foram executados, o que representa um pouco mais de 5% das obras necessárias.

Se focarmos nossas análises apenas no quesito estádio de futebol (rejeitando momentaneamente os relacionados aos aeroportos, portus, mobilidade urbana entre outros), principal palco dos jogos que serão realizados por diferentes seleções do mundo, vamos constatar que os passos das tartarugas são mais céleres.

Para este quesito, do total previsto de 3 bilhões e 300 milhões de reais, foi contratada a quantia de R$ 2,2 bilhões e apenas 276 milhões de reais foram executados, o que equivale a pouco mais de 8% das obras. Isso às vesperas da Copa das Confederações, que ocorrerá um ano antes da Copa do Mundo de Futebol.

Pensando com a cabeça dos empreendedores, o prazo é extremamente exíguo. O que preocupa todos que querem que as coisas ocorram de forma lícita, coisa muito difícil de acontecer quando corremos contra o tempo.