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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O SURPREENDENTE PROJETO EL@ LUTA




Num final de aula, a então estudante do curso de Educação Física da UEFS, Liamara Martfeld, me procurou com todas as dúvidas de quem quer se aproximar e apresentar para os seus alunos, algo que está distante dos estudantes em várias esferas do ensino: - Como vou trabalhar o conteúdo lutas na escola, David? Este episódio me foi recordado com emoção e algumas lágrimas de felicidade pela própria “Lia” justamente na realização da segunda edição do seu El@ Luta. Projeto que busca apresentar o percurso histórico e social das lutas, desenvolvendo conceitos e habilidades relacionados a este conteúdo da cultura corporal.

            Já seria um grande avanço planejar, coordenar e executar numa escola pública, da rede municipal de ensino e todas suas limitações, um conteúdo que passeia pelo consciente de uma grande parcela de nossa sociedade relacionado à violência. E claro, compreendendo como é corrida a vida de uma professora que precisa estudar, planejar e cumprir sua carga horária de ensino, desempenhando suas outras jornadas de trabalho, pois é mulher, numa sociedade contaminada com ideais que naturalizam sua exploração.

A colega foi além. Um de seus maiores objetivos é desconstruir a ideia de que meninas/mulheres não podem participar das lutas.



Sua metodologia, além de abordar o processo histórico de produção desse objeto da cultura corporal, questões de gênero e diversos preconceitos, se baseia também na apresentação dos traços essenciais de cada manifestação das lutas, que são as particularidades contidas em cada uma. A professora que não domina todas estas produções humanas, apresenta durante as aulas, através de jogos de oposição, os traços técnicos que constituem o boxe, Judô, caratê, Jiu-jitsu, Muay Thay, Kickboxing, MMA, Capoeira e este ano, acrescentou a defesa pessoal feminina. Por fim, convida os profissionais de cada luta para apresentar as técnicas mais avançadas em cada produção.

O projeto é surpreendente pelo conjunto de ações educativas, diretas e indiretas, que a colega propõe. Desmistifica a lógica de que, para apresentar um conteúdo na escola o professor precisa dominar totalmente o objeto, inclui toda a comunidade escolar (pais, estudantes, gestores, funcionários e professores) dentro do debate de superação de algumas “crenças” a respeito das lutas, se articula com a universidade, desde professores a estudantes de projetos como o Programa Institucional de Bolsas de iniciação à Docência. Participando do planejamento e execução do projeto.  Como também resgata e divulga importantes personagens no cenário das lutas em Feira de Santana. Como o mestre Gago, que já participa de duas edições do projeto, e Virna Jandiroba, uma de nossas promessas no MMA internacional.   



O meu desafio e do camarada e professor Elson Moura, nesta edição, ficou em apresentar o que tínhamos trabalhado no primeiro minicurso de defesa pessoal para mulheres e LGBTs da UEFS. Entretanto, havia algo de diferente do nosso projeto, a participação de meninos na oficina. Como professor de artes marciais para crianças, percebo o quanto é fundamental a desconstrução de preconceitos já nas idades iniciais, intervindo na fala, nas atitudes e ações, em prol da superação das relações submissas entre os seres humanos.

A violência contra as mulheres é fomentada desde a infância, pois a criança tem acesso a diversos tipos de meios que propagam a visão da mulher passiva, omissa e à disposição dos homens. Naturalizando à violência. Isso foi constatado em perguntas feitas durante a oficina, sobre propagandas de cerveja, entre outras. Esta naturalização também foi constatada numa pesquisa realizada pelas organizações Visão e Instituto Igarapé, com crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos. Foi verificado que crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica percebem a violência (de uma forma geral) nos ambientes que estão inseridos (escola, casa e comunidade), mas, ao mesmo tempo, a sensação de segurança delas é elevada.

Incluímos no nosso plano de ensino, além das técnicas de defesa, ações de identificação de violência contra a mulher, atitudes que os meninos devem tomar diante de episódios de violência física ou sexual com suas colegas, como também, inclui-los na responsabilidade de não cometer, perceber e intervir nestas agressões quando seus colegas praticarem.    
É muito esperançoso observar eventos dessa natureza, que surgem do esforço e da preocupação de uma mulher com a comunidade estudantil que ela está envolvida, como também é esperançoso ver todo esforço coletivo durante a realização do evento. Não poderia esquecer da participação e do empenho dos professores da escola, dos alunos da UEFS, envolvidos no projeto, dos “oficineiros” e claro, dos estudantes da escola que leva o nome do grande ativista político e líder sindical Chico Mendes, assassinado em 1988 por lutar pelos seringueiros e pela reforma agrária, na região amazônica.

Liamara Martfeld me deu a resposta para a pergunta feita por ela, que descrevi no início do texto. Aliás, me deu uma aula. Parabéns, camarada!   

domingo, 16 de outubro de 2016

Vida longa para a Educação Física e para o jornalismo

Por João Batista Freire

Professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física e Esporte.
*      *      *

No jornal “Folha de S.Paulo”, o jornalista Marcelo Coelho mostrou-se entusiasmado com a possibilidade de extinção da disciplina Educação Física.

Na proposta de reforma do Ensino Médio, o MEC sugere o término da obrigatoriedade da Educação Física.

As lembranças de aulas de Educação Física quando menino foram traumatizantes para Marcelo Coelho e ele vê com entusiasmo o castigo que essa disciplina faria por merecer.

Fala do assunto como se praticasse uma tardia vingança.

Passei por algo parecido quando fazia Educação Física na escola.

Ao contrário do jornalista, recuperei-me do trauma, formei-me professor e tive a oportunidade de participar da construção de um modo de fazer Educação Física que tornou aquela que ele viveu peça de arqueologia, embora ainda existam, entre os professores dessa disciplina, remanescentes do período das cavernas.

Tive experiências igualmente traumatizantes com a Matemática, aprendi a odiá-la por algum tempo, e nem por isso me manifestaria com júbilo caso ela fosse ameaçada de extinção; quando muito torceria para que, de maneira geral, os professores de Matemática humanizassem sua pedagogia.

Maior trauma sofri, no entanto, com a escola de modo geral.

Menino louco por brincadeiras, trancaram-me em salas de aula, imobilizado em carteiras, sem espaço para me mexer, conversar, rir ou chorar durante anos e anos.

Todos passamos por essa clausura, impedidos que fomos de ser crianças ou adolescentes.

E nem por isso me entusiasmo com a ideia da extinção da escola. Sou educador e trabalho todos os dias por uma Educação Física melhor e por uma escola melhor.

​O texto do aclamado jornalista Marcelo Coelho, de quem sou leitor e a quem muito respeito, seria menos grave não fosse ele o formador de opinião que é.

Deveria ter consultado pessoas confiáveis da área antes de escrever o que escreveu.

Testemunhei, ao longo de minha vida, reportagens catastróficas, indignei-me com manchetes de tablóides, mas não me aventuraria a sugerir medidas para o jornalismo antes de consultar os bons jornalistas. ​Não é de hoje que a Educação Física é ameaçada.

Até porque essa negação vai além da Educação Física.

Durante doze anos de escolaridade, crianças e adolescentes são encarceradas em espaços reduzidos de meio metro quadrado, quatro horas por dia, duzentos dias por ano, num total de 9600 horas de seus melhores anos de vida.

Isso é exclusão, numa época em que tanto se fala em inclusão. 

Exclusão do corpo. O corpo não pode ter vez na escola, porque ele nos amedronta, ele cede aos vícios, ele se degrada, ele morre, e não queremos esse destino para nós.

Mas ele também é a fonte da felicidade; daí a ansiedade das crianças para sair da sala e ir para a aula de Educação Física.

O medo do fim nos leva a negar o corpo, é preciso fazer de conta que ele é uma outra entidade diferente de nós.

Mas isso não é possível. Não podemos nos livrar do corpo, porque seria o mesmo que nos livrarmos de nós mesmos. O corpo somos nós, enquanto perdurar esta vida. E uma criança não pode viver como se não fosse corpo, como se não fosse criança.

Assim como um adolescente, exatamente num período de vida de tão grandes transformações físicas, não pode viver negando que é corpo. É disso que se trata. Queremos fazer de conta que poderemos nos livrar do corpo para sobreviver ao seu suposto destino final. ​Marcelo Coelho alinha-se a essa ideia quando afirma seu entusiasmo pela extinção da Educação Física.

Antes, ele deveria conhecer o que foi construído em nossa área dos anos 1980 para cá. E até mesmo antes disso, se estudasse os belos trabalhos de nossos pioneiros Inezil Pena Marinho, Fernando Azevedo, Oswaldo Diniz ou Alfredo Colombo.

Não se trata, saiba o ilustre jornalista, de ser o esporte ou as brincadeiras os conteúdos mais ou menos adequados. Trata-se de projetos educacionais, de projetos de vida, que carecem de sentido sem a orientação do método adequado ou de uma pedagogia humanizante. Pena ele não ter nos perguntado antes de se entusiasmar com nossa extinção. Teríamos carradas de exemplos de uma Educação Física que ele não teve a felicidade de conhecer.

​O espaço é pequeno para indicar trabalhos notáveis feitos atualmente por professores e professoras extremamente competentes. Poderíamos descrever projetos muito bons que tornam nossos alunos adolescentes protagonistas de projetos para atuar com a dança, com os esportes na natureza, com esportes radicais, com o conhecimento do próprio corpo, com os primeiros socorros e cuidados com a saúde, com as discussões de gênero, com as drogas, o racismo e a homofobia.

Há uma vasta cultura de jogos e exercícios, o que inclui o esporte, a dança, as lutas, o circo, as ginásticas, as brincadeiras populares, entre tantas manifestações do exercício e do lúdico, que nossos jovens precisam aprender a praticar e a compreender, o que jamais será feito caso seja decretada nossa extinção.

​Marcelo Coelho exultou com nosso fim. Nós, ao contrário, queremos para ele vida longa, pois precisamos, mais que nunca, de seu bom jornalismo.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Competência profissional

Nas idas e vindas do raciocínio, quando da exposição do conteúdo em sala, assuntos aparentemente desconexos surgem, procurando fazer parte do momento pedagógico da contextualização.

Na aula de história, dizia que embora a Educação Física se colocasse como uma área da saúde, a sua perspectiva sobre o tema ainda era, hegemonicamente, centralizada no indivíduo e o exercício físico, além de "receita e remédio para os males da sociedade", assumia um caráter utilitário, funcionalista, objetivando a promoção e o desenvolvimento “normal” da sociedade, assumindo uma visão conservadora, típica dos tratados higienistas e eugenistas do século XVIII. E arrematava: NÓS NÃO ESTAMOS NO SÉCULO XVIII. ESTAMOS EM PLENO SÉCULO XXI, e problemas sérios de saúde pública afetam a população brasileira e nós, o que estamos fazendo? Discutindo a importância do galho seco na reprodução dos macacos.

Isso foi na aula de história, pela manhã. Na parte da tarde, na disciplina de Introdução ao Trabalho Científico eis que surge, mais uma vez, a preocupação por parte dos acadêmicos, sobre sua formação e a necessidade de inclusão, no currículo de novas disciplinas. Entre elas, a BIOMECÂNICA.



De maneira alguma, estou querendo negar essa necessidade. Não tenho base concreta para isso. Mas disse aos estudantes que se eles consideravam importante a inclusão de qualquer disciplina, que demonstrassem cientificamente essa importância. Se, com base no desejo particular, interesses singulares, o curso começasse a mexer na matriz curricular, onde iríamos parar?

Nesse ínterim, suponho que está em jogo, por parte do alunado, a preocupação com a sua competência técnica. Algo extremamente importante. No entanto, se apartamos esta do debate sobre o compromisso político da formação de professores, estaremos reforçando a hegemonia dos que entendem a Educação Física, enquanto uma área do conhecimento, como mais um aríete a reforçar a visão oitocentista.

Precisamos ter muito cuidado com este processo. Citando uma antiga referência diria, para início de conversa, que devemos procurar desenvolver um movimento simétrico entre a competência técnica e o compromisso político.

Eis o desafio que está posto e ele não é novo.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ensino do esporte pelo sistema de complexo

No dia 17 deste, estarei na Universidade Federal de Sergipe, participando de uma banca de defesa de dissertação do mestrando Luis Henrique Silva de Araújo.

O tema do trabalho é A Organização do Ensino do Conteúdo Esporte a partir do Sistema de Complexos: um estudo de caso com base no PIBID/UFAL.

O trabalho objetiva analisar a possibilidade do sistema de complexos orientar a apropriação do conteúdo esporte nas aulas de educação física, especificamente o atletismo, no sentido de contribuir para ampliar os aspectos da formação humana dos alunos e alunas da rede pública de ensino.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Esporte Educacional

No dia 25 de março ocorreu, na Assembléia Legislativa da Bahia, uma audiência pública sobre Futebol Profissional, promovida pela Comissão de Esporte e Lazer, presidida pelo Deputado Raimundo Nonato Tavares da Silva, conhecido no âmbito esportivo, especificamente no futebolístico, simplesmente como Bobô, àquele de "elegância sutil", presente na letra da música Reconvexo, do poeta e cantor Caetano Veloso.

Imagem retirada do site esporteeducacao.org.br
Na oportunidade, 
foi anunciada uma outra audiência pública, desta feita para debater o chamado Esporte Escolar, que ocorreria no dia 01 de abril. Apesar do simbolismo que carrega a data, a informação comprovou-se verdadeira.

Um colega de profissão e também radialista esportivo, ao final desta audiência informou o que segue: "A audiência pública para discutir o futebol terminou duas da tarde. A audiência pública para discutir o esporte escolar, terminou onze horas". Detalhe importante: as audiências começaram no mesmo horário.

Obviamente que não podemos avaliar a importância de um debate sobre qualquer temática em função do tempo transcorrido para tal. Existem reuniões altamente objetivas e produtivas e outras extremamente alongadas e improdutivas e vice versa.

No entanto, se avaliarmos as duas situações e as situarmos em contexto histórico onde prevalece o monopólio do futebol, vamos entender perfeitamente a observação do colega e reconhecer a sua riqueza.

Em breves palavras ele situou a realidade que já vem de antanho. Das dimensões sociais do esporte (seja lá o que isso signifique) que estão expressas na nossa Carta Magna, prevalece a do rendimento e tudo o que o envolve. E neste particular, o monopólio do futebol é a expressão mais acabada.

domingo, 1 de setembro de 2013

Everaldo Cardoso Silva pode ser, mais uma vez, homenageado.

Foto retirada do site jornalsportnews.blogspot.com.br

Everaldo Cardoso Silva (foto), sergipano legítimo da cidade de Santa Luzia, que abraçou a cidade de Itabuna com muito amor, desbravada por um conterrâneo seu de nome Firmino Alves, dedicou mais da metade de sua vida de 72 anos, à educação e à política.

Secretário de Educação do município por dez anos, professor de inglês, francês, português e educação física, também foi vereador e presidente da câmara, tendo atuações reconhecidamente destacadas em todos os âmbitos da sua intervenção humana.

Em função do seu histórico como homem público, tenho neste momento o prazer de informar que o seu nome está sendo proposto, pelo vereador Ailson Souza (PRTB), para nominar a Vila Olímpica de Itabuna. Segundo o vereador, justifica-se esta homenagem "(...) por sua história e contribuição ao desporto escolar".

Já tendo o seu nome eternizado na memória e história da cidade por outras inúmeras homenagens recebidas, como é o caso do Grupo Escolar localizada no bairro São Caetano que leva também o seu nome - Professor Everaldo Cardoso - a comunidade grapiúna espera com ansiedade mais esta justa homenagem.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Megaeventos esportivos: determinações, implicações e rumos para a educação física escolar

Este mês foi publicado na Revista do Sistema INEP, a Em Aberto, artigo sobre Megaeventos esportivos. O mesmo sai em momento mais do que oportuno, na medida em que nos ajuda a pensar sobre esse fenômeno tão criticado pelos mais diversos movimentos que se encontram nas ruas de todo o país.

Para realizar a leitura do mesmo e de outros, é só clicar no link abaixo.

http://emaberto.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/2948/1916

O artigo vem assinado por mim, pela professora Celi Taffarel e pelo professor Cláudio Lira.

Boa leitura.

sábado, 23 de março de 2013

Educação sem escola

Está em curso mais um capítulo do que convencionamos chamar de "desvalorização e esvaziamento do trabalho do professor", fenômeno que a professora Marilda Gonçalves Dias Facci nos ajuda a compreender em sua obra VALORIZAÇÃO OU ESVAZIAMENTO DO TRABALHO DO PROFESSOR? UM ESTUDO CRÍTICO-COMPARATIVO DA TEORIA DO PROFESSOR REFLEXIVO, DO CONSTRUTIVISMO E DA PSICOLOGIA VIGOTSKIANA, lançada em 2004 pela editora Autores Associados.

Lembrei-me do livro quando li uma entrevista de um pesquisador da USP, o senhor Danilo Alexandre Ferreira de Camargo, mestre em educação e que em entrevista ao site do UOL observa que "é possível fazer educação com qualidade sem escola" e levanta o questionamento: "por que temos tanta dificuldade em imaginar uma educação sem escola?".

Não tenho espaço aqui para comentar toda entrevista. Quem tiver interesse em lê-la na íntegra, pode clicar aqui, tirando suas próprias conclusões. Meu interesse é bem mais modesto. Apenas socializar uma relação que fiz ao ler a entrevista.

Primeiro, a entrevista me remeteu ao programa "Amigo da Escola". Há tempo o mesmo vem "impactando" a educação com o seu discurso voluntarista. Tem tempo de folga? Sabe alguma coisa sobre algo? Por que não incluir isso no currículo da escola? Sabe capoeira? Procure levar isso para a escola do seu bairro e preencha o tempo pedagógico com esta atividade lúdica. É bom em matemática? Português? Por que não adentra o espaço escolar e ajuda os alunos a aprenderem um pouquinho mais?

Depois, lembrei de uma recente matéria que saiu no Fantástico: o show da vida. Nela, houve uma abordagem sobre a opção de alguns pais de ensinarem os seus próprio filhos em casa. Nada de irem para a escola. Em casa eles aprenderiam mais e melhor. De quebra, teriam a vigilância da mãe e ou do pai. Exemplos foram mostrados, opiniões foram colhidas e comparações com outros países que já adotam esta prática foram feitas. Tudo sendo abordado da maneira mais asséptica e "isenta" possível.

E por fim, esta entrevista. Obviamente que devem existir muito mais exemplos que demonstram o que disse ao abrir este texto: está em curso mais um capítulo da desvalorização, do esvaziamento não só do professor mas, também, da escola. Este fenômeno se desdobra e ao mesmo tempo é materialidade de uma outra e mesma ponta do problema: as inflexões pós-modernas sobre o conhecimento científico no interior da escola.

Mas isso é assunto para outra postagem.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Formação em Educação Física no Brasil - Bacharelado e Licenciatura

Abaixo um vídeo sobre o tema da formação do professor de Educação Física, ocorrido na V Semana de Educação Física da Universidade Federal do Espírito Santo.

A mesa contou com a presença dos professores Valter Bracht e Máuri de Carvalho, professores da casa, e também com a presença do estudante Rafael Lages, representando a Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física (ExNEEF).


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Festival de Ginástica Alegria na Escola

Professor Welington com a ex-ginasta Luisa Parente
No primeiro dia do mês de dezembro realizou-se no Centro Educacional Edgard Santos o Festival de Ginástica Alegria na Escola que passará a se chamar, a partir de 2013, Festival da Cultura Corporal Michele Ortega Escobar.

O festival foi parte do II Seminário Interativo de Cultura Corporal onde além de apresentações de trabalhos e seminários temáticos sobre Jogo, Esporte, Dança, Ginástica e Lutas, tivemos a comemoração dos 20 anos do Coletivo de Autores, importante livro sobre Metodologia do Ensino da Educação Física que, já em 1992, antecipava muitas discussões que hoje são candentes no âmbito do debate pedagógico como, por exemplo, o processo de organização didática do ensino por ciclos de escolarização. Na mesa de abertura do evento tivemos, com exceção do professor Lino Castellani Filho e da professora Carmen Lúcia Soares, a presença de todos que contribuíram com a elaboração do referido livro.

Tivemos também a presença da ex-ginasta Luisa Parente (foto), que participou ativamente das atividades do Festival, integrando-se aos educandos e educandas das diferentes escolas públicas da Cidade do Salvador e das Universidades públicas brasileiras. Além da UFBa, tivemos a participação da UFPE, UFPB, UFRB (Amargosa), entre outras.

O evento contou com uma mesa final de avaliação do mesmo, com a presença do professor Máuri de Carvalho, a professora Acácia Damiane e Celi Taffarel na mediação. Nessa mesa, importantes assuntos foram tratados e diretrizes para a rede lepel foram definidas para o ano de 2013.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

10 de maio - Dia Histórico para a Educação Física Brasileira

No dia 10 de maio do corrente ano, realizou-se no Colégio Modelo da Cidade de Feira de Santana, uma audiência pública para debater o posicionamento do Sistema Confef/Cref sobre a formação do professor/profissional de educação física. Segue, abaixo, um texto síntese do acontecimento redigido pelo professor Elson Moura, da Universidade Estadual de Feira de Santana.
            Olá todas e todos!

            Ainda no processo de “descarregar” da carga emocional adquirida no dia de ontem, na Audiência pública do MPF, gostaria de agradecer a todos que lá estiveram. Aos que não estiveram por livre iniciativa, ainda há tempo para participar como protagonistas da história e não ficar apenas sendo um espectador desta, pois assim corre-se o risco de ter uma história que não lhes interessa.

            A presença em pessoa do Presidente do CONFEF, Jorge Stenhilber, demonstra o receio que o sistema CONFEF/Cref tem de que este tipo de acontecimento venha a se generalizar. Não é por outra coisa que o representante do Cref , Dr. Pitanga, insistiu em delimitar geograficamente estes acontecimentos como se apenas Bahia e Goiás, nas palavras dele, ainda insistissem nisso.

            É FUNDAMENTAL RESSALTAR QUE O OBJETO PELO QUAL ESTA AUDIÊNCIA FOI CONVOCADA, FOI PLENAMENTE CUMPRIDO: O SISTEMA CONFEF, MAIS PRECISAMENTE O CREF 13, ESTÁ DESAUTORIZADO, DESDE 28 DE FEVEREIRO DE 2012, A EMITIR REGISTRO PROFISIONAL COM A DESIGNAÇÃO “EDUCAÇÃO BÁSICA”. E, NAS PALAVRAS DA SUA REPRESENTANTE JURÍDICA, JÁ ESTÃO CUMPRINDO.

            Estejamos atentos; pela dimensão que isso pode tomar, e pelo perigo que é para eles, é notório que o Cref vai, aliás, já está recorrendo. Esta ação ainda não chegou à última instância como a de Goiás. E neste campo não sabemos quais ações eles podem realizar para garantir o seu pleito. Ontem já tivemos uma prova disso no fato de a todo momento eles tentarem pressionar o procurador que, aliás, se mostrou firme na sua decisão e não recuou um só centímetro daquilo que já tinha sido decidido na Liminar.

            PORTANTO, AINDA QUE PROVISORIAMENTE, VENCEMOS!!

            Mas, queria ressaltar algo que muito me emocionou: a expressão de força demonstrada pelos nossos alunos da UEFS (diversos semestres) e UNEB (Alagoinhas e Jacobina); de nossos colegas da UEFS, UNEB e outras; dos coordenadores de curso; do Magnífico Reitor da UEFS e tantas outras. A força das palmas – ou a ausência delas-; o “se levantar”; as expressões verbais da plenária; as exposições quando da fala franqueada; a fundamentação demonstrada; as claras demonstrações de insatisfação com o sistema CONFEF/Cref´s; a defesa clara e rigorosa, por parte do MEEF, da Formação Unificada; a desmoralização pública dos que merecem ser desmoralizados... tudo isso mostrou que a Educação Física não está morta e que o consenso em volta da Regulamentação da Profissão está longe de ser fato concreto. Emocionante! Eles nunca se esquecerão disso! E, portanto, buscaram saídas onde sempre acharam – e se esconderam: na esfera jurídica.

            Que bom que vocês estavam lá para presenciar, ao vivo, a posição dos que dizem nos defender: fuga do tema, entendimento de lei como algo imutável, arrogância, pressão ideológica, tentativa de deslegitimar o espaço como uma pretensa extensão das idéias da UFBA, falta de justificativa em suas posições, tentativa de pressionar o Procurador da República etc.

            Agradeço de público ao meu colega Prof. Gilmar Mercês por se empenhar tanto na defesa do nosso curso como, aliás, nunca vi outro professor fazendo com tamanho empenho.

            Agradeço à Coordenadora do Colegiado, Profª Amanda Novaes por, também, se empenhar, junto com a comissão, em todos os momentos em que foi solicitada – ou até mais. Mostrou nestes dois anos todo seu empenho na defesa da nossa Educação Física.

            Agradeço aos professores do Colegiado que, independente das divergências, neste caso demonstraram apoio e confiança para que esta comissão pudesse falar publicamente em nome deles.

            Por fim, agradeço imensamente aos estudantes e egressos do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Feira de Santana. Vocês foram imprescindíveis. A demonstração de força que vocês apresentaram ontem, nenhuma aula nossa, por mais que ótima seja, conseguirá arrancar. Como é gratificante ver vocês se movimentando! Fica o aviso; a luta só está começando.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Saques 24 horas

Angeli, chargista brasileiro, conseguiu em uma das suas charges, como sempre, resumir o que significa hoje a relação dos governos, entre outros, com a república brasileira. A charge a qual me refiro pode ser vista clicando no link http://noticias.uol.com.br/humor/1101_album.jhtm#fotoNav=2 .Essa charge, que leva o nome do título desta postagem, me fez pensar nas políticas dos governos, chamadas de Políticas Públicas só por força semântica.

Agora Salvador vai abrigar a Copa das Confederações. Alguém foi consultado? Não, simplesmente eles, os senhores dos anéis, os donos do estado, compreendem que é importante e...PONTO! Saúde? Educação? Habitação? Saneamento? Segurança? Urbanização? Bobagem. É só colar tudo isso ao discurso da importância dos grandes eventos esportivos para o país, para o estado, divulgar este discurso em diferentes meios de comunicação para reverberar na consciência do povo que tomará o discursos como se fosse, ele, o próprio idealizador do mesmo e tá tudo resolvido.

sábado, 8 de maio de 2010

O esporte pode tudo!!!

Utilizo-me do título do mais recente livro do professor Vitor Marinho de Oliveira para refletir sobre o movimento das Conferências Municipais de Esporte que aconteceram em praticamente todo o país e que conta com a sua terceira edição. O livro faz parte da nova coleção questões da nossa época e “integra os projetos comemorativos dos 30 anos da Cortez Editora”

Já a III Conferência do Esporte é fruto da política do governo, oriunda do aconselhamento do Banco Mundial e que objetiva o propósito de democratizar o debate em torno do esporte e da sua função social. A forma encontrada pelo organismo internacional para a aproximação do estado com a sociedade civil foi o modelo das conferências, que aconteceram não só em relação ao esporte, mas, também, em relação à comunicação, à educação entre outros.

No que diz respeito ao esporte, a impressão que fica lendo alguns documentos e ouvindo algumas explanações sobre o mesmo é de que realmente, tal como expressa o título do livro já citado, o esporte pode tudo!!! Fenomenologicamente, colocamos o mesmo “entre parênteses”, e o analisamos de forma isolada, descontextualizada “de todo o processo histórico que o produz” e reproduz, “deixando de lado as condições materiais de sua existência”.

Nesse sentido, um discurso humanista de cunho existencial cola no esporte aspectos sociais que intrínseca e imediatamente não é função do mesmo. Para além do seu caráter lúdico e agonista, o mesmo assume a função de tirar as crianças e jovens das drogas, “é eficaz no processo de ressocialização, é prática democrática, proporciona saúde, combate a violência, reintegra deficientes físicos”, etc, etc. Um verdadeiro elixir salvacionista, receita e remédio para todos os males da sociedade capitalista.

A Universidade Federal de Goiás, através dos pesquisadores do GEPELC (Grupo de Estudo e pesquisa de esporte, lazer e comunicação) vem analisando os documentos produzidos na primeira e na segunda Conferências Nacionais do Esporte e o que eles tem encontrado se caracteriza como uma “avalanche semântica” onde “um conjunto de funções, de atribuições, de qualidades são coladas ao esporte (...)”.

É o esporte enquanto “desenvolvimento humano”, como “promotor da qualidade de vida”, da “cidadania”, o esporte como “ferramenta da paz”,toda uma gama de atributos e qualidades que apresentadas “entre parênteses” só contribuem para a mistificação do próprio esporte e de todos esses elementos colados ao mesmo.

Nesse sentido, destituído de qualquer referência sócio-histórica, passamos a pensar as políticas públicas de esporte e lazer descoladas tanto da política quanto do público, transformando o objetivo democrático das Conferências em democratismo, puro sofismas, falácias, verdadeiro exercício ideológico no sentido clássico do termo, de falseamento da consciência.

Para irmos de encontro a esses e outros fatores, sugiro que façamos um esforço de estudo e análise sobre o que está prescrito nas leis que regem o esporte e nas formulações presentes nos documentos das Conferências já realizadas e cotejemos com a realidade concreta do nosso país, explicitada, dentre outros, no documento Habitat, da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado no dia 2 de março e que aponta o Brasil como o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos da população controlam 50,6% das riquezas do país, enquanto que os 10% mais pobres detêm apenas 0,8%. Isso tudo apesar do Brasil ser hoje a oitava maior economia do mundo.

Para aqueles que acham que esses dados são apenas para economistas e sociólogos, sugiro então que se debrucem apenas sobre os documentos das Conferências e analisem, tomando os mesmos como referências, o que foi realmente realizado e que setores foram mais privilegiado no desenvolvimento das políticas de esporte dos governos.

Helvétius, nos ensina o Vitor Marinho, no bojo da revolução burguesa, afirmou que a educação pode tudo. O desenvolvimento histórico demonstrou que nem tanto e interrogou sobre de qual educação se tratava. Aprendamos com a história e interroguemos: o esporte pode tudo? De qual esporte estamos falando? Para quem praticar? Sobre quais estruturas e modo de produção e reprodução da existência? Esporte para todos ou esporte para poucos?