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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Professor é profissão de quem estuda

Não dá para discuti com determinadas pessoas que exercitam a escrita e o raciocínio com base no senso comum quando o tema é política. Tenho debatido minhas posições em relação ao PT e a Ação Penal 470 com gente muito boa, que inclusive se posiciona do lado contrário ao meu. Reflito muito sobre o que ouço e leio. Mas o nível do debate é outro. Se expressa com base em convicções políticas e pressupo
stos teóricos firmes.
Espero que você que lê isso não interprete o texto como soberba, com empáfia. É apenas uma reflexão de como nós (estou me incluindo no contexto) pautamos nossos argumentos naquilo que a teoria da comunicação chama de "agend setting". A mídia nativa pauta o debate e o seu conteúdo e nós tomamos a agenda como se nossa fosse. Universalizamos um tema ou um discurso, ou os dois ao mesmo tempo, como se ele fosse propriedade nossa. Como se nós fossemos o autor, o criado do debate.
Isso é uma manobra ideológica e tem nome, chama-se "generalização do particular". Muitos de nós situamos um ou outro debate na íntegra, tal e qual o conteúdo foi disseminado pela mídia hegemônica. Isso até poderia ocorrer se o mesmo passasse pelo filtro crítico da nossa consciência, coisa cada vez mais escassa.
Como professor, isso me entristece e muito. Como leitor de várias revistas com pontos de vistas divergentes, até antagônicos, sinto com base empírica o quanto isso é necessário para o desenvolvimento e ampliação da nossa autonomia intelectual, da ampliação daquilo que o Paulo Freire chamou de "estágio da consciência". Mas o que nós encontramos amplamente é a defesa de projetos, argumentos, posições que fazem parte muito mais dos interesses de classe dos que sempre estiveram no comando desta nação.
Em muitos momentos da nossa história o consenso era oriundo da coesão, via cassetete entre outros instrumento de força. Hoje, o consenso se dá pela dissimulação, pela mentira repetida várias vezes, pela manipulação, pela inversão da realidade, pelo discurso lacunar. É de entristecer. Mas é a verdade. O antídoto para isso nós temos, mas o "recuo teórico" que herdamos da década de 90 nos impede de tomá-lo. Mas vou insisti nele e até divulgá-lo: É O ESTUDO. É A LEITURA. É A DISCIPLINA INTELECTUAL QUE EXIGE MÉTODO. Por isso, meus colegas, sempre repito para os meus educandos que professor é profissão de quem estuda.
Eu tenho "sentido" muito pouco isso por aqui. Uma pena!!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Parabéns, para todos nós!!!


Para todos, educandos e educadores, que direta e indiretamente contribuem e contribuíram para a minha formação inicial e continuada, uma singela homenagem pelo 15 de Outubro. Que nesta data, reflitamos sobre o ensinamento DESTE Paulo Freire. PARABÉNS PARA TODOS NÓS!!!


domingo, 13 de dezembro de 2009

Ainda sobre Políticas Públicas

O Blog Esporte em Rede dará continuidade ao debate sobre Políticas Públicas de Esporte. Para tanto, trouxe mais uma entrevista. Esta, com o professor Elson Moura, que participou ativamente da audiência pública na Câmara de Vereadores de Feira de Santana como representante do curso de graduação em Educação Física da Universidade Estadual de Feira de Santana.

Esporte em Rede:Fale de sua trajetória pessoal e acadêmica.

Elson Moura:Tenho 28 anos. Entrei no curso de Educação Física da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) em 2001 por conta de na época ser atleta de Karate. Minha vontade era dar continuidade na minha vida de atleta e fazer a transição para treinador. Por volta do 7° semestre me deparei com a leitura de Luiz Carlos de Freitas que me alertou para a necessidade de colocar minha energia para outros fins. Em paralelo, estagiando no SESI (Serviço Social da Indústria), me deparei com o livro de Paulo Freire (Pedagogia da Autonomia) e este sentimento de transformação só aumentou. Terminei o curso em 2006 e ingressei na especialização em Metodologia em Educação Física e Esporte da UNEB (Universidade do Estado da Bahia). Ao fim da pós participei da seleção na UEFS para professor substituto e fui aprovado. Em 2009 fiz o concurso na mesma instituição e fui aprovado. Hoje sou professor da UEFS, professor da Rede Municipal de Camaçari, trabalhando na Educação de Jovens e Adultos. Também participo do Grupo LEPEL (Linha de Estudo em Educação, Educação Física, Esporte e Lazer) da UEFS bem como do Movimento Nacional Contra a Regulamentação do professor de Educação Física (MNCR) de Feira de Santana. Esta curta trajetória foi, no entanto, suficiente para que eu esteja esclarecido da necessidade de defender a Educação Física na perspectiva da Cultura Corporal, a educação numa perspectiva Historico-critica; bem como de colocar minhas energias (minha ação pedagógica e minha militância) à serviço de um projeto de sociedade Socialista – Comunista.

Esporte em Rede:Como se deu sua inserção na discussão sobre políticas públicas de esporte?

Elson Moura:Inicialmente meu interesse foi no fenômeno/produção humana esporte. Por conta do interesse neste conteúdo, aprofundei os estudos sobre o esporte e a contemporaneidade. Foi assim que o tema políticas publicas me interessou, embora assuma que o esporte continua sendo o meu objeto de grande interesse. Mas, na busca de entender este fenômeno na contemporaneidade precisei adentrar no estudo e entendimento sobre políticas públicas de esporte. Cheguei à conclusão que para entende esta relação, era preciso também entender a sua relação com o Estado.

Esporte em Rede:Na sua opinião existe uma política pública de esporte em feira de santana e região?

Elson Moura:Ao tentar responder esta pergunta me deparo com a seguinte situação: estar dividido entre a afirmação do Professor Edmundo Dias, da UNICAMP, que nos ensina que as políticas públicas formuladas e aplicadas na sociedade vigente são definidas como políticas governantes de construção da hegemonia burguesa na classe trabalhadora, que são diferentes de políticas públicas, pois estas limitam o avanço do capital e o que de fato é feito na cidade de Feira de Santana, cujo nome é o de políticas públicas de esporte. Sendo assim, a partir da ressalva feita por Edmundo Dias, penso que existe uma política de esportes que, de forma hegemônica, privilegia a dimensão do esporte de competição (no meu entender, diferente do rendimento) enquanto prática assistencialista que usa o esporte enquanto propaganda ideológica de que existe uma política, uma preocupação com o público. Mesmo esta política, para os fins que se propõe, é insuficiente. Por conta disso existe uma insatisfação da população Feirense. É preciso fazer a ressalva que esta é uma opinião de quem vive em Feira desde 2001 (entre idas e vindas de Salvador). Portanto uma opinião não muito fiel se comparada com um legítimo cidadão Feirense.

Esporte em Rede:Como você considera o papel de uma câmara de vereadores nesse debate sobre políticas públicas?

Elson Moura:Estivemos presente, no último dia 04 de Dezembro, em uma Audiência Pública promovida pela câmara de Vereadores através do chamamento do vereador Frei Cal, cuja proposta era a discussão sobre políticas públicas de esporte. Pensamos ser este o papel do espaço de representação do povo. Obviamente que temos o entendimento que seu papel não para por aí. É preciso que tal ação se estenda no desdobramento de outras. Se de fato lá existem pessoas que pensam o esporte enquanto direito de todos e todas é preciso que existam ações que garantam o atendimento deste direito, bem como a “fiscalização” das mesmas. Por exemplo, tivemos conhecimento de que existe uma Lei Municipal que dispõe sobre o sistema de esporte e lazer no âmbito da cidade de Feira de Santana. Lei esta do Vereador Marialvo do PT. O próximo passo é garantir que tal Lei seja cumprida. Acima, coloquei uma fala do Edmundo Dias que pode nos remeter ao desânimo. Ou seja, sentar, cruzar os braços e esperara construção de outro projeto para garantir uma verdadeira política pública. Porém, mesmo por dentro dos marcos do Capital e todos seus limites, devemos pensar o que podemos fazer. Ao mesmo passo que pontuo o limite de algo, eu digo o que este algo pode fazer. Sendo assim, é papel da Câmara, sendo ela consciente do esporte enquanto direito, implementar políticas que avancem em relação ao assistencialismo atual ou à exclusividade do esporte de competição.

Esporte em Rede:Qual o papel da universidade nesta dinâmica?

Elson Moura:Como falei na audiência pública, reafirmo que a educação superior está longe da realidade, longe do social. O que justifica minha afirmação é o entendimento que tenho de que ações pontuais em semestres não se constituem como uma relação orgânica entre universidade e sociedade. Muitas vezes, as mesmas são usadas como laboratórios para serem analisados pelos estudantes, bem como para justificar a existência do curso/Universidade/Faculdade a partir da sua referência social, do seu engajamento. Também não podemos esquecer dos atos assistencialistas tão presentes nas ações do cotidiano. A integração Universidade/social é um imperativo existencial da própria Universidade. Tal imperativo se justifica pelo entendimento que temos de como se dá o movimento do conhecimento. Este se inicia na prática (no contexto social), movimenta-se para a teoria, voltando à pratica. Este caminho nos permite afirmar que não se pode produzir conhecimento socialmente referenciado dissociado da prática cotidiana. Tal processo se dá nos 3 pilares de sustentação do ensino superior: ensino, pesquisa e extensão. Obviamente que respeitando este movimento, as Instituições, as Universidades qualificarão profissionais aptos para intervir em sua realidade. Um último elemento deste ponto é a afirmação de que não podemos pensar a Universidades e Faculdades, bem como seus estudantes, para cobrir buracos deixados pelo poder público. Isso reforçaria a lógica neoliberal.

Esporte em Rede:Você teria alguma ideia de como pode se desenvolver uma política de esporte para o público e não apenas para o setor de redimento, que acaba atendendo a uma elite esportiva?

Elson Moura:Responderei como falei na Audiência. Apontarei 4 sugestões para pensar em Políticas Públicas, mesmo por dentro dos limites do Capitalismo. 1- Uma gestão democrática realizada do planejamento, passando pela execução e administração, até as avaliações do investimento do dinheiro público em esporte. 2-Uma ação interdisciplinar conjuntamente com a secretaria de educação, ou outras. 3-A negação da lógica salvacionista do esporte. Ou seja, a possibilidade de o esporte ser o remédio para todos nossos problemas. 4-O delineamento das prioridades sobre o uso do dinheiro público para o esporte. Em vez de mega eventos e/ou esporte de rendimento, esporte para os incluídos no grupo dos privados de Cultura Corporal. Colocar a ordem das coisas a partir da implementação, a partir do esporte de rendimento, até chegar ao esporte para todos, já se mostrou ineficiente (basta ver o Pan do Rio). Sendo assim, invertamos a ordem. Ou fazemos isso ou mendigaremos por verbas públicas que beneficiam o espaço privado.