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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Estamos prestes...

Estamos prestes a passar um recibo em branco para um político que se apresenta como a solução para o país. Um sujeito que dos 29 anos que está na política, 12 foi no interior do PP, o partido com o maior número de políticos "ficha suja" (partido do Paulo Maluf), e eu nunca ouvir o tal do Bolsonaro abrir a boca para dizer um "ai" sobre esse sujeito ou sobre a corrupção em que este partido esteve metido. Assim como nunca soube de um projeto de lei de sua autoria que objetivasse o combate a corrupção. Ou a melhoria de qualquer indicador social.

Estamos prestes a eleger um candidato que mudou de sigla nove vezes. Já foi do PSC, PP, PFL (atual DEM, partido também campeão do "ficha suja"... alguém ouviu um "ai"?), voltou para o PP, depois migrou para o PTB, PPB, PPR, PDC e atualmente no PSL. Em nenhum desses partidos, em nenhum, conseguiu ser algo além de deputado. Não coordenou nenhuma comissão, não presidiu coisa alguma, isso nos seus 29 anos de mandato. 

Estamos prestes a eleger um presidente que se nega a ir na TV realizar um debate franco e fraterno com o seu principal oponente. Algo nunca visto desde a reabertura democrática. 

Estamos prestes a colocar, pela via democrática, uma junta militar no poder central da república. Ou no que restar dela. 


Estamos prestes a eleger um sujeito que apresenta como principal símbolo da sua campanha uma arma apontada, direcionada para um alvo que pode ser você. Não se engane. Pastores aparecem em foto fazendo o sinal de armas apontadas. Pergunto: contra quem? Resposta previsível: contra os bandidos. Pergunto de novo: quem escolhe quem é o bandido? Ou melhor... quem são exatamente os bandidos? Resposta pelos dados da realidade que estamos vendo nos últimos dias: todos os que não pensam como ele. Todos os que parecem suspeitos ou estranhos. Ou pelos traços faciais, pelos gestos corporais, ou pela cor da camisa enfim, por destoarem do cenários que ele mesmo montou. 

Estamos prestes a eleger alguém que o mundo inteiro alerta sobre o risco da sua ascensão. New York Times, The Economist, Le Monde, El País, e tantas outras publicações. Muitas, inclusive, de cunho liberal, conservador. 

Mas, também, podemos estar prestes a fazer acontecer a maior virada que já se viu na história política do país. Uma virada não contra o Bolsonaro ou tudo o que ele representa. Mas uma virada contra as instituições que durante anos, colocaram a política e o debate político (sempre necessário) no lixo. Que apresentavam a política como algo sujo e os políticos, de uma forma geral, como corruptos, parasitas que não servem para nada.

Instituições e sujeitos (pois as instituições ganham vida pelas ações humanas) que naturalizam as relações sociais, como se as mesmas fossem produto de processos tais como a chuva que cai do céu ou a grama que brota da terra. 

O fenômeno Bolsonaro tem a ver com isso. Com a desistência da política, com a valorização da antipolítica, do "não debate", da ausência do contraditório, do "vamos ver o que acontece", do "se não for bom a gente tira". Do "cansei", lembram? E de muitas outras atitudes. 

Próximo domingo é o segundo turno do "Resto de Nossas Vidas". Diante das urnas iremos decidir quem governará o país nos próximos 4 anos. Sem ilusão alguma, sabemos que ganhe quem ganhar, temos muito o que fazer. Mas será muito melhor enfrentar "o desafio e o fardo do nosso tempo histórico" em pleno estado democrático de direito. Não é mesmo?

Que assim, seja!!!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Quem fica com o lucro?


No dia 30 de outubro de 2007 o Brasil e muitos brasileiros de todos os cantos vibraram pela escolha do país como sede da Copa do Mundo de Futebol.


Dali a pouco mais de seis anos e alguns meses, o país seria anfitrião da maior festa do futebol mundial. Um feito pleiteado por diversos países de diferentes cantos do mundo.

Poucos meses nos separam daquele dia para a abertura do evento. 2014 chegou acompanhado dos inexoráveis e amadurecidos dados da realidade. De lá para cá muitas coisas ocorreram. Águas e mais águas passaram por debaixo da ponte e desembocaram em um mar de gente revolta.

Os balões em verde e amarelo, soltos em estádio paulista na comemoração do sorteio, o cristo redentor no Rio de Janeiro, ocupado por bandeiras esvoaçantes e até a estátua de Juscelino, em Brasília, sendo envolvida por camisa comemorativa ao fato contrastam, hodiernamente, com as recentes manifestações de junho do ano passado e outras tantas que pululam em editoriais da mídia nativa.

Há quem afirme, inclusive, que atualmente existe um movimento tentando sabotar a realização da Copa do Mundo no Brasil. Teoria da conspiração? Não sei. Mas a hipótese levantada (que consideramos plausível) é que o objetivo do intento é "melar" a reeleição da presidenta Dilma, incentivando e dando gás para novas manifestações de rua, rebaixando sua popularidade que vem crescendo e, com isso, forçar um segundo turno.

Não se trata aqui da política do quanto pior, melhor, de alguns jornalistas que apregoam a cartilha neoliberal. Nem de inverter a informação, procurando o lado ruim das boas notícias relativas a Copa no Brasil. Não duvidamos que esta será um sucesso e o número de ingressos já vendidos no mundo inteiro para o evento demonstram confiança na realização do mesmo. Não temos, também, a compreensão de que legado é só o que estiver pronto e acabado até a Copa. Muito embora a Matriz de Responsabilidades, apresentada em 2010, pelo próprio governo, assim estabeleça.

A nossa reflexão parte de dados concretos, da dinâmica real e mais visível deste tal "legado da Copa" e que se encontra mais próximo do objeto deste blog: os estádios. Vejamos.

Não exige muito esforço perceber que dos elementos colocados como legados para a Copa, apenas as "arenas" estão prontas. Mesmo assim, nem todas. E algumas, tidas como acabadas ou quase finalizadas, apresentam alguns problemas estruturais.

O próprio valor da construção destas "arenas" é um problema em si. O mesmo ultrapassa em muito todos os outros valores somados, direcionados para segurança, telecomunicações e turismo, por exemplo.

Em relação as áreas da saúde e educação, prioridades nacionais, a diferença em relação a Copa é assustadora. Para Salvador, por exemplo, foram repassados pelo governo federal para as duas áreas entre 2010 e 2013 o montante de R$ 133 milhões, enquanto para a Copa, foram transferidos a título de empréstimo via BNDES R$ 4 bilhões e 600 milhões.

Esses dados são do próprio governo e podem ser constatados por qualquer um no site da CGU/Portal da Transparência. Há quem afirme que, como é empréstimo, esses valores direcionados para a Copa irão voltar com juros. Isso é um dado que deve ser levador em consideração nas nossas reflexões, observando necessariamente a dinâmica da gestão do dinheiro público pelo estado neoliberal.

Essa mesma dinâmica precisa ser considerada quando pensamos no lucro que a Copa do Mundo vai gerar para o país. Sim, pessoal. A Copa do Mundo gera lucros e dividendos para o país sede em pequeno, médio e longo prazo. Só o setor de turismo pode ter um incremento de R$ 22 bilhões de reais em 2014. Parte deste recurso serão gerados pela Copa do Mundo.

No geral, a Fundação Getúlio Vargas tem apresentado estudos que contabilizam, por baixo, um retorno financeiro para o país em função da organização/realização da Copa na ordem de R$ 140 bilhões.

No entanto, reafirmo a observação que precisamos olhar para esses dados tomando como referência a dinâmica do estado neoliberal e agora perguntando: quem se apropria e/ou se apropriará destes bilhões?

Países outros já realizaram e realizam grandes eventos. A maioria se encontra em situação lastimável de crise. Não por que realizaram ou realizam megaeventos. Mas em função da apropriação privada da riqueza produzida por eles e das dinâmicas próprias das opções políticas que fizeram/fazem na condução do estado.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Botões que lêem

Meus botões perguntam: quantos são os clubes de futebol patrocinados pela Caixa Econômica Federal? Quanto de dinheiro existe envolvido aí? Aliás, quanto é investido, pelas estatais, no esporte de rendimento de uma maneira geral? Qual a contrapartida para o estado nacional?

Perguntas de botões que lêem

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Estado laico?

Então a prefeitura do Rio de Janeiro vai pedir a Arquidiocese da cidade autorização para colocar a bandeira olímpica fixada no cristo redentor? Não teria um outro lugar mais laico, não? Que submissão é esta a igreja católica apostólica romana?

sexta-feira, 15 de junho de 2012

22,22% JÁ!!!

Olá, pessoal. Sexta-feira, 15 de junho. Para uns poucos, dia de farra! Para outros tantos, mais um dia de luta!!! Meus sinceros abraços e força aos verdadeiros guerreiros deste país e, principalmente, deste estado, que são os professores em luta por melhores condições de trabalho há mais de 60 dias.

Muitos dizem que a greve prejudica os estudantes. Eu digo que o que prejudica os estudantes é uma educação do faz de conta, do "finge que ensina que fingimos que aprendemos". O que prejudica os estudantes são escolas mal aparelhadas, professores despreparados e desatualizados por não terem condições de fazer, sequer,uma assinatura de um jornal diário e de uma revista de sua área de atuação específica. O que prejudica os estudantes são as didáticas que visam a formação exclusiva para um mercado de trabalho incerto e aviltante. O que prejudica os estudantes é um governo egoísta, que se utiliza do poder do Estado para governar para poucos e contrário aos interesses da classe trabalhadora.

Educação não é negócio, governador. A Lei de Responsabilidade Fiscal é fruto de um Estado neoliberal. Estado não é empresa, não tem que se pautar na aferição de lucros mas, sim, na execução plena de atividades que ofertem os bens materiais necessários à vida. Se isso tiver que ser às custas dos cofres do Estado, que assim seja, pois mais vale a vida vivida de forma digna, em busca da plenitude da vida humana. E nem quero entrar na questão de que o dinheiro do estado é fruto do suor do trabalho humano.





Se as exigências que agora fazem os guerreiros, professores e professoras deste país e deste estado, fossem oriundas do Capital, esse seria prontamente atendido, como vem demonstrando a crise que hoje passa o mundo globalizado. Países inteiros indo à falência em função desta mesma cantilena do "estado mínimo". Só se for mínimo para a classe trabalhadora de uma maneira geral e para os trabalhadores da educação especificamente. Trilhões e trilhões de dólares estão sendo retirados dos cofres dos Estados, bancos e mais bancos sendo estatizados para que o Estado (entenda-se o mesmo dialeticamente, produto e processo da Sociedade Civil) possa pagar os prejuízos oriundos da sanha dos especuladores de primeira e última hora que continuam, pasmem, mamando nas tetas dos governos neoliberais cujo governo Jaques Wagner é uma das suas expressões.

Os mesmos "mamíferos de luxo" que criaram a crise, postos que estão incrustados no metabolismo do capital, se beneficiam dela para continuarem aferindo seus lucros privados às custas do erário público.

Jaques Wagner. Se a Bahia é de todos nós, desate o nó da intolerância, da intransigência e da vaidade. Negocie com os lutadores/trabalhadores da educação. A reivindicação é mais do que justa e legal. 22,22% JÁ!!!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A culpa é da lei de licitação

Na semana que passou as manchetes das secções de política das diferentes mídias foram pautadas, como nunca antes neste país, pelos megaeventos nacionais ligados ao esporte, principalmente os relacionados a Copa do Mundo de 2014 por dois motivos principais: 1) pela sua proximidade e 2) pelo cunho polêmico de algumas decisões de governo como, por exemplo, questões ligadas a processos licitatórios.

Há 1079 dias da Copa do Mundo, a grande maioria dos estados brasileiros que ganharam o direito de sediar jogos do evento estão com suas obras atrasadas. Na última semana de maio, a revista Veja publicou uma matéria especial sobre o evento enfatizando, ironicamente, que já estávamos prontos para a Copa do Mundo de...2038. Isso mesmo, 2038. Não foi erro de digitação nem você está com problema de visão.

Em função do atraso, o governo federal resolveu se mexer e alterar algumas regras sobre licitação para poder acelerar as obras relativas ao evento. Ou seja, dizendo de uma outra forma, resolveu premiar a incompetência dos responsáveis pela materialização do evento, já que a população, a mesma que pagará a conta pelos atos dos irresponsáveis "senhores dos anéis", nunca foi consultada em relação a estes mesmos eventos e estas mesmas obras. Eles simplesmente entenderam que o Brasil era a bola da vez, e pronto: cá estamos!

Aparentemente, e só aparentemente, a culpa recai sobre questões legais, sobre as letras, artigos e parágrafos da lei de licitação de obras, tão desconhecida da população em geral quanto a fórmula da bomba atômica. Mas sabemos, tanto de uma quanto da outra, das consequências do seu uso.

A bem da verdade é importante esclarecermos que existe sim, na Lei de Licitações (Lei n.º 8.666/93), a possibilidade de não realizar alguns procedimentos licitatórios, viabilizando contratações diretas sem os trâmites ditos burocráticos, mas necessário para o bem público. Até o seu vizinho de cima ou do lado, caso tenha condições, pode ser contratado para a execução da obra e atenção, sem a devida preocupação se o preço de um ou do outro é maior ou menor. É o Brasil que ainda temos.

O problema é que esta possibilidade fica condicionada às questões de urgência. E aqui, penso eu, a porca torce o rabo e o seu fucinho vira tomada. Estamos ou não em processo de urgência urgentíssima para a execução das obras necessárias para a realização dos megaeventos esportivos que ocorrerão no Brasil? A resposta fácil, óbvia e imediata que serve aos espertalhões de plantão é sim, estamos.

Mas vamos com calma com o andor que o santo é de barro, gritam os meus estupefatos botões. E mais calmos, indagam: podemos chamar de urgente urgentíssima obras que desde o ano de 2008 já tínhamos conhecimento que eram essenciais para a realização dos megaeventos esportivos? Creio que não e penso que aqui está a chave eurística do problema cuja a hipótese é: conhecedores que são das leis que regem as licitações no país e sabedores da competência do estado para gerenciar e validar, com dinheiro público, as ações necessárias para a realização do que se propôs fazer, e tendo uma experiência concreta, vide Pan-Rio 2007 como exemplo, os "senhores dos anéis", conscientemente e com a anuência do estado-entretenimento,  retardaram os processos necessários para a execução das obras em tempo hábil.

Mas entre a pergunta e a hipótese, melhor para eles ficarem com a tese de que a culpa é da lei de licitação, da burocracia, da incompetência. É mais palatável e serve bem ao "jogo sujo" da Fifa e congêneres.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Novo valor para a FONTE NOVA


Como já era esperado por quem acompanha as obras das novas arenas que estão sendo construídas pelo país afora, nos Estados sedes da Copa do Mundo de 2014, o valor da construção vem sendo ampliado. Agora, o valor de construção para o momento da Nova Arena Fonte Nova foi atualizado e custará a bagatela de R$ 835 milhões. É o que nos diz o Portal da Transparência do Governo Federal, ligado a Controladoria-Geral da União (CGU). O custo foi ampliado em "parcos" R$ 244 milhões, saltando de R$ 591 milhões, valor ganhador da licitação em 22 de dezembro de 2009, para os atuais R$ 835 milhões.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sem copa e sem cozinha

A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que ocorrerão aqui no Brasil já começaram. Aliás, desde que o país consagrou-se como a "bola da vez" dos dois principais megaeventos esportivos do globo, que Estado e Sociedade Civil vem se mobilizando para o seu empreendimento e/ou seu questionamento.

Ponderações de diferentes setores da sociedade, tomando como base experiências históricas de grandes eventos no país, como, por exemplo, o Pan-americano de 2007, realizado no Rio de Janeiro, questiona a necessidade de investir tanto dinheiro público para eventos que beneficiarão uma ínfima parcela da sociedade, isso quando os próprios argumentos não passam a questionar os próprios benefício, já que "gato escaldado tem medo de água fria".
Setores que ponderam no sentido de convencer a população da necessidade dos eventos esportivos, obviamente, rebatem os argumentos contrários. Enfatizam eles os mais diversos tipos de benefícios: melhoria da mobilidade urbana; investimentos em infra-estrutura; por exemplo, nos aeroportos; ampliação do turismo; incentivo à prática esportiva, de onde se alega um aporte de benefícios indiretos para outros setores sociais, como a saúde e a educação, entre outros.

Se o debate, ora em curso, depender da Organização das Nações Unidas (ONU), novos argumentos irão fortalecer grupos sociais que questionam os megaeventos nacionais. Isso por que, a despeito da necessidade de agilização das ações de viabilização do evento, atrocidades estão sendo acometidas à população mais humilde, e elas não tem relação alguma com saúde e educação. Ao contrário. Trata-se de impedir que o sujeito tenha garantido um dos seus direitos mais básico: a moradia.

Raquel Rolnik, relatora especial da ONU, em artigo escrito no sítio do yahoo! nos alerta que várias autoridades estão descumprindo acordos importantes, definidos internacionalmente, ao praticarem remoções de moradores de maneira arbitrária e sem os devidos cuidados impostos por lei, violando direitos humanos fundamentais. (Leia o artigo clicando aqui).

Existem absurdos, tal como o relatado pela revista Carta Capital da semana passada, em que famílias são comunicadas sem tempo para organizar o seu desalojamento, se é que isso é possível. Diversos moradores recebem a notificação de desapropiração da área com um prazo máximo de "zero dia(s)". (Ver imagem ao lado).

São moradores que vivem na comunidade há mais de 20, 30 anos e sofrem todo esse transtorno para dar passagem as obras que foram prometidas como contrapartida para a realização dos eventos esportivos. Tudo perfeitamente justificado pelas manobras ideológicas via discursos lacunares sobre melhoria da qualidade de vida, oportunidade de emprego, geração de renda, entre outros. "Na avaliação de Maria de Lourdes Lopes, coordenadora do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), os megaeventos estão sendo usados como desculpa para expulsar os pobres para as áreas periféricas da cidade". E não pense que isso vem ocorrendo apenas com moradores de comunidades sem regulação fundiária. Ainda segundo a mesma coordenadora, ouvida pela reportagem da Carta Capital, (que pode ser lida na íntegra clicando aqui), "Mesmo bairros que já passaram por processos de regularização fundiária (...), estão sendo alvo de desapropriações. O governo quer ocultar a pobreza do turista, maquiar a cidade para inglês ver".

São por essas e outras que passamos a questionar o sentido e o significado de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Eventos, inclusive, que não foram discutidos amplamente com a sociedade, que fazem parte de um desejo de grupos que parecem mandar no destino do país e do seu povo, que tem seus direitos violados por organismos do Estado que deveriam garantir e ampliar os mesmos.

Até quando?


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eleição polêmica

Os dirigentes do atletismo nacional encontram-se ansiosos. É que após 24 anos à frente da Confederação Brasileira de Atletismo, o senhor Roberto Gesta promete eleição para o cargo. Será que os ventos egípcios estão soprando no ouvido do dirigente mais longevo das confederações existentes no país e influenciando o seu espírito democrático?

Parece que não é bem assim. Leia o que foi publicado na Folha de São Paulo de hoje sobre o assunto.
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Eleição antecipada provoca polêmica

ATLETISMO

No comando da CBAt há 24 anos, Roberto Gesta quer mudar fórmula do pleito que o tira do poder

DANIEL BRITO

DE SÃO PAULO

O presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Roberto Gesta de Melo, 65, tornou-se alvo de polêmica ao tentar mudar as regras das eleições da entidade que comanda há 24 anos.

Mais longevo dos presidentes de confederações esportivas do país (desde 1987), ele quer antecipar em um ano o pleito, mas o novo dirigente seria efetivado somente um ano após ser eleito.

A eleição seria no começo de 2013, início de um novo ciclo olímpico, e o vencedor assumiria em um mês. Gesta quer que o pleito seja em 2012 e que seu substituto ascenda ao cargo só em 2013.

Nesse intervalo, Gesta ficaria no poder e acompanharia os atletas da modalidade nos Jogos de Londres-12.

Há nove meses o dirigente costura com presidentes das federações a nova fórmula.

Essa será a primeira eleição da CBAt em 24 anos na qual que ele não se candidatará, conforme Gesta revelou em setembro passado.

Pelo menos sete Estados já se manifestaram contrários à medida, porém são 44 votantes, entre eles técnicos, árbitros e medalhistas olímpicos. A proposta será colocada na pauta da assembleia geral de quarta-feira, em Manaus, sede da confederação.

A Folha conversou com alguns dirigentes que criticaram a manobra política, mas pediram para que seus nomes não fossem publicados.

Único que aceitou falar publicamente, Carlos Alberto Lanceta, presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, diz que os dirigentes estaduais temem sofrer represálias.

"Se Gesta quer sair, que saia logo e não fique procurando subterfúgios para largar o osso", atacou Lanceta.

O dirigente fluminense diz acreditar que, ao mudar a eleição, o presidente da CBAt criará um salvo conduto para o caso de um fracasso brasileiro em nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

"Se o Brasil for mal, ele vai dizer: "Estou de saída, o próximo presidente da CBAt que deve responder o que será do atletismo do país daqui para a frente".", citou Lanceta.

"Se formos bem em Londres, Gesta poderá dizer: "Está vendo o que eu fiz?"."

Por telefone, Gesta disse que o formato a ser debatido na assembleia de quarta já foi usado em ciclos olímpicos anteriores, mas não soube informar quando isso ocorreu. O dirigente não assumiu a autoria da nova fórmula.

"Se mudar a fórmula da eleição, vai ser como era antigamente. Não sei quem propôs. Mas a assembleia geral decidirá qual é a melhor opção", tergiversou o cartola.

"Em um ano, o presidente eleito e a nova diretoria teriam tempo suficiente para conhecer o funcionamento da confederação. Esse é o lado positivo", declarou.

domingo, 28 de novembro de 2010

A violência olímpica!!!

Automóveis e ônibus incendiados no Rio de Janeiro por supostos traficantes. Duas meninas, uma de 13 e outra de 16 anos decapitadas por prováveis marginais em Salvador. Quando não são estes a provocarem desordens, eis que temos a polícia como protagonista. Seria marginal ou traficante o policial que matou o menino Joel Castro, de apenas 10 anos de idade, no bairro do Nordeste de Amaralina, na soterópolis de todos os santos, encantos e axés?

Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa? Salvador. Terra da Felicidade? Em uma e em outra a expressão concreta da falência do Estado burguês, da forma como nós produzimos e reproduzimos a nossa existência, do modelo excludente no qual se desenvolvem as políticas em suas diversas e diferentes facetas, materializadas na parceria híbrida entre o público e o privado.

Me respondam, por favor. Qual a grande preocupação do momento? A falência do Estado já aludida? O cerceamento da liberdade ir e vir? A morte de inocentes nessa guerra urbana? Não. A preocupação lá na ex-cidade maravilhosa e que se expraia para todo o país é se o Brasil, com todos esses problemas que estão sendo vistos por todo o mundo via jornais, televisão, internet entre outros, realmente vai poder realizar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Tergiversando, paralelamente a esta preocupação, aparece a capacidade da maravilhosa ex-cidade, atual campo de guerra, de acolher os turistas.



Parece piada, mas é tragédia por várias vezes anunciadas e realizadas. E o pior, cedo ou tarde se repetirá, se nada concretamente for feito. E não estou falando de mais polícia, exército na rua nem, tampouco, das UPPs (Unidades de Policiamento Permanente).

E sobre o Joel, o menino de dez anos que sonhava em ser capoeirista, tal como o seu pai e a decapitação das meninas, o que o desfecho destes trágicos episódios nos ensina? Que a Bahia, assim como o Rio de Janeiro e todo o Brasil, caminha sob a barbárie, alimentando e retroalimentando o "ornitorrinco", se desenvolvendo de forma desigual e dependente.

Há quem tire, dessas tragédias, gracejos, exposição cruel do tão propalado espírito esportivo que nós, brasileiros, temos como ninguém e que nos ajuda a suportar as agruras do dia a dia. Dizem por aí que pelo menos seremos exitosos nos esportes de corrida, principalmente os cem metros rasos. Obteremos sucesso também na modalidade de tiro, esporte que há mais de 90 anos não conseguimos sucesso.

Ganharemos muitas medalhas de ouro e teremos, portanto, motivos para celebrar, festejar, tal como fizemos em plena copacabana da então cidade maravilhosa quando do anúncio do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2014. Acreditaremos, mais uma vez que tudo vai dar certo, pois este é um país que apesar dos pesares - e bota pesar nisso - dorme-se muito bem no chão frio, sob marquises em noites geladas e inúteis cobertores e come-se em pratos de ouro com talheres de prata.

Enquanto isso, Joel Castro e as meninas Janaína Brito Conceição e Gabriela Alves Nunes se somarão a muito outros "joeis", "janaínas" e "gabrielas" e engordarão os frios números das estatísticas sobre a violência brasileira.

Mas quantas medalhas seremos capazes de ganhar nas Olimpíadas mesmo?

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ainda sobre Políticas Públicas

O Blog Esporte em Rede dará continuidade ao debate sobre Políticas Públicas de Esporte. Para tanto, trouxe mais uma entrevista. Esta, com o professor Elson Moura, que participou ativamente da audiência pública na Câmara de Vereadores de Feira de Santana como representante do curso de graduação em Educação Física da Universidade Estadual de Feira de Santana.

Esporte em Rede:Fale de sua trajetória pessoal e acadêmica.

Elson Moura:Tenho 28 anos. Entrei no curso de Educação Física da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) em 2001 por conta de na época ser atleta de Karate. Minha vontade era dar continuidade na minha vida de atleta e fazer a transição para treinador. Por volta do 7° semestre me deparei com a leitura de Luiz Carlos de Freitas que me alertou para a necessidade de colocar minha energia para outros fins. Em paralelo, estagiando no SESI (Serviço Social da Indústria), me deparei com o livro de Paulo Freire (Pedagogia da Autonomia) e este sentimento de transformação só aumentou. Terminei o curso em 2006 e ingressei na especialização em Metodologia em Educação Física e Esporte da UNEB (Universidade do Estado da Bahia). Ao fim da pós participei da seleção na UEFS para professor substituto e fui aprovado. Em 2009 fiz o concurso na mesma instituição e fui aprovado. Hoje sou professor da UEFS, professor da Rede Municipal de Camaçari, trabalhando na Educação de Jovens e Adultos. Também participo do Grupo LEPEL (Linha de Estudo em Educação, Educação Física, Esporte e Lazer) da UEFS bem como do Movimento Nacional Contra a Regulamentação do professor de Educação Física (MNCR) de Feira de Santana. Esta curta trajetória foi, no entanto, suficiente para que eu esteja esclarecido da necessidade de defender a Educação Física na perspectiva da Cultura Corporal, a educação numa perspectiva Historico-critica; bem como de colocar minhas energias (minha ação pedagógica e minha militância) à serviço de um projeto de sociedade Socialista – Comunista.

Esporte em Rede:Como se deu sua inserção na discussão sobre políticas públicas de esporte?

Elson Moura:Inicialmente meu interesse foi no fenômeno/produção humana esporte. Por conta do interesse neste conteúdo, aprofundei os estudos sobre o esporte e a contemporaneidade. Foi assim que o tema políticas publicas me interessou, embora assuma que o esporte continua sendo o meu objeto de grande interesse. Mas, na busca de entender este fenômeno na contemporaneidade precisei adentrar no estudo e entendimento sobre políticas públicas de esporte. Cheguei à conclusão que para entende esta relação, era preciso também entender a sua relação com o Estado.

Esporte em Rede:Na sua opinião existe uma política pública de esporte em feira de santana e região?

Elson Moura:Ao tentar responder esta pergunta me deparo com a seguinte situação: estar dividido entre a afirmação do Professor Edmundo Dias, da UNICAMP, que nos ensina que as políticas públicas formuladas e aplicadas na sociedade vigente são definidas como políticas governantes de construção da hegemonia burguesa na classe trabalhadora, que são diferentes de políticas públicas, pois estas limitam o avanço do capital e o que de fato é feito na cidade de Feira de Santana, cujo nome é o de políticas públicas de esporte. Sendo assim, a partir da ressalva feita por Edmundo Dias, penso que existe uma política de esportes que, de forma hegemônica, privilegia a dimensão do esporte de competição (no meu entender, diferente do rendimento) enquanto prática assistencialista que usa o esporte enquanto propaganda ideológica de que existe uma política, uma preocupação com o público. Mesmo esta política, para os fins que se propõe, é insuficiente. Por conta disso existe uma insatisfação da população Feirense. É preciso fazer a ressalva que esta é uma opinião de quem vive em Feira desde 2001 (entre idas e vindas de Salvador). Portanto uma opinião não muito fiel se comparada com um legítimo cidadão Feirense.

Esporte em Rede:Como você considera o papel de uma câmara de vereadores nesse debate sobre políticas públicas?

Elson Moura:Estivemos presente, no último dia 04 de Dezembro, em uma Audiência Pública promovida pela câmara de Vereadores através do chamamento do vereador Frei Cal, cuja proposta era a discussão sobre políticas públicas de esporte. Pensamos ser este o papel do espaço de representação do povo. Obviamente que temos o entendimento que seu papel não para por aí. É preciso que tal ação se estenda no desdobramento de outras. Se de fato lá existem pessoas que pensam o esporte enquanto direito de todos e todas é preciso que existam ações que garantam o atendimento deste direito, bem como a “fiscalização” das mesmas. Por exemplo, tivemos conhecimento de que existe uma Lei Municipal que dispõe sobre o sistema de esporte e lazer no âmbito da cidade de Feira de Santana. Lei esta do Vereador Marialvo do PT. O próximo passo é garantir que tal Lei seja cumprida. Acima, coloquei uma fala do Edmundo Dias que pode nos remeter ao desânimo. Ou seja, sentar, cruzar os braços e esperara construção de outro projeto para garantir uma verdadeira política pública. Porém, mesmo por dentro dos marcos do Capital e todos seus limites, devemos pensar o que podemos fazer. Ao mesmo passo que pontuo o limite de algo, eu digo o que este algo pode fazer. Sendo assim, é papel da Câmara, sendo ela consciente do esporte enquanto direito, implementar políticas que avancem em relação ao assistencialismo atual ou à exclusividade do esporte de competição.

Esporte em Rede:Qual o papel da universidade nesta dinâmica?

Elson Moura:Como falei na audiência pública, reafirmo que a educação superior está longe da realidade, longe do social. O que justifica minha afirmação é o entendimento que tenho de que ações pontuais em semestres não se constituem como uma relação orgânica entre universidade e sociedade. Muitas vezes, as mesmas são usadas como laboratórios para serem analisados pelos estudantes, bem como para justificar a existência do curso/Universidade/Faculdade a partir da sua referência social, do seu engajamento. Também não podemos esquecer dos atos assistencialistas tão presentes nas ações do cotidiano. A integração Universidade/social é um imperativo existencial da própria Universidade. Tal imperativo se justifica pelo entendimento que temos de como se dá o movimento do conhecimento. Este se inicia na prática (no contexto social), movimenta-se para a teoria, voltando à pratica. Este caminho nos permite afirmar que não se pode produzir conhecimento socialmente referenciado dissociado da prática cotidiana. Tal processo se dá nos 3 pilares de sustentação do ensino superior: ensino, pesquisa e extensão. Obviamente que respeitando este movimento, as Instituições, as Universidades qualificarão profissionais aptos para intervir em sua realidade. Um último elemento deste ponto é a afirmação de que não podemos pensar a Universidades e Faculdades, bem como seus estudantes, para cobrir buracos deixados pelo poder público. Isso reforçaria a lógica neoliberal.

Esporte em Rede:Você teria alguma ideia de como pode se desenvolver uma política de esporte para o público e não apenas para o setor de redimento, que acaba atendendo a uma elite esportiva?

Elson Moura:Responderei como falei na Audiência. Apontarei 4 sugestões para pensar em Políticas Públicas, mesmo por dentro dos limites do Capitalismo. 1- Uma gestão democrática realizada do planejamento, passando pela execução e administração, até as avaliações do investimento do dinheiro público em esporte. 2-Uma ação interdisciplinar conjuntamente com a secretaria de educação, ou outras. 3-A negação da lógica salvacionista do esporte. Ou seja, a possibilidade de o esporte ser o remédio para todos nossos problemas. 4-O delineamento das prioridades sobre o uso do dinheiro público para o esporte. Em vez de mega eventos e/ou esporte de rendimento, esporte para os incluídos no grupo dos privados de Cultura Corporal. Colocar a ordem das coisas a partir da implementação, a partir do esporte de rendimento, até chegar ao esporte para todos, já se mostrou ineficiente (basta ver o Pan do Rio). Sendo assim, invertamos a ordem. Ou fazemos isso ou mendigaremos por verbas públicas que beneficiam o espaço privado.