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terça-feira, 26 de julho de 2011

FAN FEST: "a gente se liga em você"

Você sabe o que significa FAN FEST? Pois é. É um evento que teve início no ano de 2006 e objetiva agregar os torcedores que não tiveram condições de ingressarem no estádio de futebol para assistir a uma determinada partida da Copa do Mundo. Grandes telões são colocados nas cidades-sedes e os fâs do futebol podem assistir aos jogos.

E daí? Qual o real motivo da pergunta? Bem, o fato é que a empresa que ficará responsável pela organização dos eventos em todas as 12 cidades sedes onde ocorrerão jogos da Copa do Mundo de futebol é a Geo Eventos, empresa criada pela platinada Globo e pelo Grupo RBS. Não se sabe ainda quanto custará esta organização e quanto a Geo Eventos receberá para tanto, mas já dar para se ter uma ideia.
Isso porque a mesma empresa, coincidentemente, será também responsável pela organização do evento onde acontecerá o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, evento este que ocorrerá no Rio de Janeiro. Valor do contrato só para este evento: 30 milhões de reais. E detalhe, pagos pela prefeitura e governo do Estado.

Posso tá equivocado e vendo coisa onde não existe nada, mas que é estranho uma mesma empresa, da mesma rede de televisão que tem direito de transmissão do evento, ganhar concessão para a realização de ações relacionadas ao próprio evento, isso é. Nas minhas narinas chega cheiro de tráfico de influência, junto com odores de prevaricação e favorecimento escancarado. Será por isso que o Ricardo Teixeira é intocável pela maior rede de televisão do Brasil? E os patrocinadores do evento, não poderiam pagar esta bolada de 30 milhões? Por que ficar a cargo do dinheiro público?

Só para se ter uma leve ideia do absurdo desta dinheirama para um simples evento de sorteio das eliminatórias de uma Copa do Mundo de futebol (aqui não estou incluindo nenhuma das FAN FEST), o governador do Rio de Janeiro, o senhor Sérgio Cabral (PMDB), precisou gastar, inicialmente, 20 milhões de reais para a construção e compra de equipamentos das 18 Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), sua principal política de combate à violência na cidade.

Os FANfarrões do Brasil continuam a fazerem FESTas com o dinheiro público e a fazerem pouco do povo brasileiro e a presidenta Dilma Roussef e o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, a fazerem vistas grossas a tudo isso. E se já não bastasse, preciso ficar lendo coisas do tipo "Cago um montão", "Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional" e "Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito com a Globo", entre outros, de um dos donos desse país, o senhor Ricardo Teixeira.

Na minha modéstia e humilde opinião, apenas esses palavrórios de baixo calão e esta atitude arrogante e presunçosa deste senhor, já seria suficiente para chamá-lo às falas. Ele e seus congêneres, como o senhor João Havelange e o senhor Carlos Nuzman. Somadas às denúncias que sobejam sobre esses senhores dos anéis, uma CPI seria pouco.

domingo, 28 de novembro de 2010

A violência olímpica!!!

Automóveis e ônibus incendiados no Rio de Janeiro por supostos traficantes. Duas meninas, uma de 13 e outra de 16 anos decapitadas por prováveis marginais em Salvador. Quando não são estes a provocarem desordens, eis que temos a polícia como protagonista. Seria marginal ou traficante o policial que matou o menino Joel Castro, de apenas 10 anos de idade, no bairro do Nordeste de Amaralina, na soterópolis de todos os santos, encantos e axés?

Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa? Salvador. Terra da Felicidade? Em uma e em outra a expressão concreta da falência do Estado burguês, da forma como nós produzimos e reproduzimos a nossa existência, do modelo excludente no qual se desenvolvem as políticas em suas diversas e diferentes facetas, materializadas na parceria híbrida entre o público e o privado.

Me respondam, por favor. Qual a grande preocupação do momento? A falência do Estado já aludida? O cerceamento da liberdade ir e vir? A morte de inocentes nessa guerra urbana? Não. A preocupação lá na ex-cidade maravilhosa e que se expraia para todo o país é se o Brasil, com todos esses problemas que estão sendo vistos por todo o mundo via jornais, televisão, internet entre outros, realmente vai poder realizar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Tergiversando, paralelamente a esta preocupação, aparece a capacidade da maravilhosa ex-cidade, atual campo de guerra, de acolher os turistas.



Parece piada, mas é tragédia por várias vezes anunciadas e realizadas. E o pior, cedo ou tarde se repetirá, se nada concretamente for feito. E não estou falando de mais polícia, exército na rua nem, tampouco, das UPPs (Unidades de Policiamento Permanente).

E sobre o Joel, o menino de dez anos que sonhava em ser capoeirista, tal como o seu pai e a decapitação das meninas, o que o desfecho destes trágicos episódios nos ensina? Que a Bahia, assim como o Rio de Janeiro e todo o Brasil, caminha sob a barbárie, alimentando e retroalimentando o "ornitorrinco", se desenvolvendo de forma desigual e dependente.

Há quem tire, dessas tragédias, gracejos, exposição cruel do tão propalado espírito esportivo que nós, brasileiros, temos como ninguém e que nos ajuda a suportar as agruras do dia a dia. Dizem por aí que pelo menos seremos exitosos nos esportes de corrida, principalmente os cem metros rasos. Obteremos sucesso também na modalidade de tiro, esporte que há mais de 90 anos não conseguimos sucesso.

Ganharemos muitas medalhas de ouro e teremos, portanto, motivos para celebrar, festejar, tal como fizemos em plena copacabana da então cidade maravilhosa quando do anúncio do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2014. Acreditaremos, mais uma vez que tudo vai dar certo, pois este é um país que apesar dos pesares - e bota pesar nisso - dorme-se muito bem no chão frio, sob marquises em noites geladas e inúteis cobertores e come-se em pratos de ouro com talheres de prata.

Enquanto isso, Joel Castro e as meninas Janaína Brito Conceição e Gabriela Alves Nunes se somarão a muito outros "joeis", "janaínas" e "gabrielas" e engordarão os frios números das estatísticas sobre a violência brasileira.

Mas quantas medalhas seremos capazes de ganhar nas Olimpíadas mesmo?