
Existem pessoas que acreditam em papai noel. Outras que creem em duendes. Algumas juram de pés juntos que já viram gnomos e até conversaram com eles. Existem àqueles que acreditam em um deus supremo, criador de tudo e de todos e a julgar pelas posturas de agradecimentos, reside lá no alto. Pelo menos para a maioria dos atletas brasileiros. É um tal de apontar para cima, olhar para cima que... deus nos acuda!!!
Eu não sei se isso acontece em outros países do mundo. Desconheço. E também não sei se é com tanta frequência e ênfase como ocorre aqui no Brasil. Pelo menos no meu bába de sábado isso não ocorre. Ainda, é prudente dizer, como é prudente também registrar na condição de ex-católico, ex-batista, ex-espírita, ex-torcedor do baêa, os meus maiores respeitos a todos e todas que da forma como bem entendem professam as suas crenças.
Mas deixemos os crentes dos deuses da chuva, do sol, do fogo, da terra, da caça, do trovão, do futebol, deixemos em paz a deusa da fertilidadede, deixemos de lado todos os deuses e deusas, pois quero me dirigir a um outro grupo de crentes. Àqueles que acreditam que esporte não tem nada a ver com política. Que o esporte é um fenômeno isento dos interesses políticos e que a força que o move é pura paixão, muito amor pela camisa, pela bandeira e símbolos do clube.
Quando esporte passa a se misturar com política, eis, para alguns incautos, o seu fim, a sua derrocada, o trágico destino do seu mais alto e nobre lema, o seu ideal cavaleiresco: o
fair play.
Para estes, a notícia de que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) doou para a campanha de Roseana Sarney ao governo do Estado do Maranhão em 2006 a quantia de 100 mil reais é uma mera casualidade. Devem achar até uma mera coincidência o fato do seu irmão, Fernando Sarney, ser um dos diretores da CBF.
Essa notícia teve pouca repercussão no jornalismo esportivo, pois esse, com honrosas e pouquíssimas exceções, deve achar que esta questão é um problema econômico ou da esfera política. Nesse sentido, melhor silenciar-se e tratar de falar que bebeto balança bebê está fazendo curso para técnico ou que Mancini é o ex-técnico do Santos que agora será dirigido pelo Vanderlei Luxemburgo.
Sabe o Kleber, atacante do cruzeiro? Este abriu mão da lua de mel e é a principal preocupação do Corinthians, eterno timão, nesse domingo.
São dessas questões que o jornalismo esportivo deve tratar. Para outros assuntos mais chatos e enfadonhos, como economia e política, existem outras seções no jornal para os interessados. Não é essa a lógica da divisão social do trabalho? Cada macaco no seu galho.
Mas para quem pensa que só Roseana Sarney, por mera coincidência, recebeu dinheiro da CBF, se engana redondamente. Em 2002, fizeram parte do time dois "jogadores" que, por mera coincidência, jogam no esporte clube do PMDB, que também é, por coincidência, o mesmo time da Roseana Sarney. São eles o Renan Calheiros, das alagoas e Gilvam Borges, do Amapá. Sarneyzistas desde criancinhas.
Para os de memória curta é bom lembrar a CPI da Nike. Inicialmente ridicularizada por toda a "bancada da bola", para quem não resta dúvida da relação entre esporte e política, foi instalada em 17 de outubro do ano 2000. Foram dezenove meses de luta protagonizada pelo Deputado Federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que conseguiu, nada mais, nada menos do que 206 assinaturas de 171 necessárias.
Uma verdadeira goleada!!!
Conseguiu também minar a figura do todo poderoso Ricardo Teixeira, ao ponto do mesmo anunciar em alto e bom som, pelo desgaste sofrido pela CPI, que a Copa de 2002 seria a sua última enquanto presidente da CBF.
Mas, como deus é brasileiro, e tem como companhia papai noel, duendes, gnomos entre outros, deu uma forcinha para a seleção brasileira conquistar a Copa da Alemanha em 2002 e o todo poderoso "
Ricaço" Teixeira, tal qual Lázaro, amissíssimo de jesus, ressuscitou dos mortos.
Um momento...terá sido mera coincidência a conquista da Copa do Mundo de 2002? Meus deuses!!!