No momento em que o Pan-americano do ano de 2007 foi decidido que iria ser no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, todo o discurso em volta das necessárias construções para abrigar o evento tinha como um dos argumentos o fato das obras servirem para abrigar, também, os Jogos Olímpicos, já que a sagrada família do esporte nacional tinha a pretensão de colocar a cidade como sede dos próximos jogos, pós Londres.
Pois bem. Assim foi feito. Novas estruturas foram construídas. Podemos lembrar do Estádio João Havelange, que passou logo depois para a iniciativa privada e para o clube de futebol, Botafogo, gerenciar e o Centro Aquático Maria Lenk. Este não serve mais para atender os propósitos aventados na época e que garantiram sua construção. Para os Jogos Olímpicos de 2016 abrigará, apenas, as competições de polo aquático e saltos ornamentais. Será necessário construir um novo complexo para abrigá as competições da natação e do nado sincronizado.
Cinco anos bastaram para que a estrutura do Maria Lenk ficasse obsoleta. Atualmente o conjunto aquático se encontra fechado e nem a comunidade de Jacarepaguá, carente de tudo e mais alguma coisa, tem acesso ao centro aquático para usar os seus equipamentos. Isso em um lugar, como muitos em nosso país, altamente carente de espaço de lazer. Um absurdo.
Nem estou mencionando aqui, a reforma pelo qual passa o Maracanã, que teve intervenções importantes no ano de 1999 e no ano de 2005. Ou foram muito mal feitas ou é mais um capítulo da farra com o dinheiro público. As empreiteiras agradecem.
Assim como foi para o Pan-2007, muitos discursos foram e estão sendo produzidos para a Copa e também para os Jogos Olímpicos. Nesses, o cenário é sempre paradisíaco e loucos, do contra, pessimistas, etc, etc, são todos aqueles que se aventuram na tarefa de procurar uma análise mais objetiva, menos emotiva e sem compromisso com o grande capital. Aliás, me permitam dizer rapidamente, estou preparando uma postagem sobre os dez homens mais ricos do Brasil e sua relação com os megaeventos. A proximidade é de assustar. Adianto que, por enquanto, até onde tem ido minhas pesquisas, quatro estão completamente envolvidos.
Mas, voltando ao discurso, nada melhor do que pegar um exemplo concreto para nos ajudar a perceber a realidade por trás dos mesmos. Para tanto, não podemos deixar de nos valer da África do Sul e vamos ficar em apenas dois, para não cansar o leitor.
Em primeiro lugar, a estimativa inicial do evento (Copa de 2010) era de 280 milhões de dólares. Custou 3 bilhões e 700 milhões. Previa-se um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do país na ordem de 3%. Ficou entre 0,2 e 0,3%. Estamos aqui trafegando a pista do aspecto econômico. Se pegarmos a próxima bifurcação e entramos nos aspectos relacionados aos direitos humanos, vamos encontrar absurdos bem maiores. Na época do Pan, refresquemos nossas memórias, oficialmente, 1.330 civis foram mortos pela polícia do Rio. Um recorde indígno de qualquer tipo de medalha.
E o que estamos vendo atualmente? A política de "pacificação" dos morros e favelas; remoções arbitrárias das famílias, muitas com prazo de zero dias para desocupar suas moradias (tratamos disso em uma postagem de abril do ano passado, clique aqui para ler); prisões sumárias de civis entre outros eventos, muitos deles parecidos com os que ocorreram também na África do Sul.
Diante do exposto, precisamos ter muito cuidado sobre o que ouvimos por aí em relação aos megaeventos esportivos no Brasil. Não precisamos passar por tudo o que os africanos hoje passam para percerber o que realmente existe nas entrelinhas do discurso oficial.
Olhemos para a história: é pouca coisa para o povo, muita para o capital.
Refletir sobre o esporte para além das configurações táticas e técnicas que lhes são próprias e tendo o mesmo como expressão singular para pensarmos fenômenos mais gerais da sociedade, eis o objetivo do blog.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Não queremos só estádios
Ontem se reuniu no hotel Royal Tulip, no Rio de Janeiro, a diretoria do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 (COL) e o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, para avaliar as visitas realizadas nos estádios e estados que sediarão os jogos do certame. Participou também do encontro o secretário-executivo do Ministério dos Esportes (ME), senhor Luis Fernandes.
Em uníssono, expressões positivas sobre as visitas ecoaram para a imprensa. Com exceção da Arena das Dunas, em Natal, que se encontra com as obras deveras atrasadas e, em função disso, ficará sendo monitorada pela FIFA, "(...) as obras estão indo muito bem, os estádios vão ficar prontos no prazo e o brasileiro vai fazer uma excelente Copa do Mundo. Fiquei muito orgulhoso disso tudo". Palavra do senhor Ronaldo Nazário, ex-Corinthians, dublê de cartola e membro do Conselho de Administração do COL.
Mas antes que nos esqueçamos, a Copa do Mundo não se resume a construção de estádios e o brasileiro, que não desiste nunca, já deu provas suficientes de que é capaz de realizar grandes eventos esportivos. Expressão mais recente disso foi o Pan-Rio 2007 e os Jogos Militares de 2010. O que precisamos saber, ou mais do que isso, ficar atentamente vigilante, diz respeito ao conjunto de outros ganhos possivelmente materializáveis em função, dizem, dos megaeventos esportivos no país e que é traduzido pelo discurso oficial como legado.
A questão que se levanta é, portanto, a seguinte: as obras nos estádios vão relativamente bem. Mas e a chamada mobilidade urbana? Como andam as construções e modernizações dos aeroportos? O que dizer dos portos e da infra-estrutura relacionada ao turismo? As cidades que não serão sede de nenhum jogo oficial da Copa, mas que servirão de lugar para aclimatação das equipes estrangeiras, como estão? E as rodovias federais? Essas e muitas outras perguntas, passados mais de quatro anos do anúncio do Brasil como sede do evento, continuam sem respostas satisfatórias.
domingo, 13 de novembro de 2011
UFC: a batalha pela audiência
Ontem estreou na Globo, canal aberto, um dos eventos esportivos mais promissores da televisão fechada, o Ultimate Fight Championship, ou UFC, a marca mais conhecida do fenômeno midiático que se espalha como um vírus nas diferentes mídias, o Mixed Martial Arts (Artes Marciais Mistas) ou, simplesmente, MMA.
Para transmitir o evento, foi escalado o narrador esportivo mais odiado e adorado da televisão brasileira, Galvão Bueno que, inteligentemente, transportou, para a sua narrativa, bordões já conhecidos da audiência quando se trata de transmissão de jogos do selecionado brasileiro de futebol e das corridas de fórmula 1, dando um ar de proximidade/familiaridade ao "estranho" esporte para a maioria dos brasileiros que não o tinham assistido nos canais fechados.
Frases do tipo: “Haja coração, amigo, se prepara aí”; “Hoje ele é o Brasil no octógono”; “O Brasil inteiro na pegada firme de direita do Júnior”; "Júnior, Júnior, Júnior Cigano do Brasil" entre outras, dava o tom da transmissão, aparentemente nervosa do experiente narrador, que apesar de tudo, demonstrou segurança e conhecimento do esporte, se utilizando das linguagens técnicas característica da modalidade e criando um novo bordão, chamando os atletas do MMA/UFC de “gladiadores do terceiro milênio”.
Mas a pergunta que faço é: por que a rede globo de televisão resolveu transmitir em canal aberto uma modalidade esportiva das mais agressivas e violentas, geneticamente devedora do antigo vale-tudo, de muito sangue, briga e quebra-quebra que não se restringia aos atletas no ringue, mas, também, a sua atenta assistência, justamente em uma conjuntura que antecede mais um movimento de “pacificação” dos morros cariocas que, segundo dizem, gritam paz e não à violência? Respondo. Para manter, re-conquistar e ampliar sua assistência esportiva, que de acordo com os números do IBOPE sobre o Pan-Americano de Guadalajara, no México, transmitido pela Rede Record, diminuiu substantivamente.Atualmente, a marca UFC se configura como o maior torneio esportivo do mundo quando se trata apenas de lutas, e está avaliado em 2 bilhões de dólares, uma cifra nada modesta e que seduz os empresários, principalmente os das redes televisivas e a vênus platinada, atenta a este movimento esportivo que vem ampliando a sua platéia, não poderia deixar este filão passar desapercebido, até por que, além das aferições do IBOPE durante o último Pan-Americano, a mesma perdeu, também para a Record, a transmissão dos Jogos Olímpicos de Londres e dos Jogos Pan-Americano de 2015 e 2019.
A luta de ontem entre Cain Velásquez e Júnior Cigano, bem que pode ser considerada, sem excessos, a mais um capítulo da luta de braço entre Rede Globo e Rede Record. No centro do combate o que se disputa é a conquista, manutenção e ampliação da audiência esportiva, o grande carro chefe das redes televisivas do mundo inteiro.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Formação do atleta brasileiro
"Solonei Rocha da Silva, que ganhou a maratona pan-americana em Guadalajara, é fruto de uma política de formação de fundistas da Confederação Brasileira de Atletismo? Não! Solonei, campeão, era lixeiro e explorou sua resistência nesse ofício para se tornar atleta." (José Cruz)
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Medalha de ouro para o mosquito
No ano de 2007, quando da realização do Pan-Americano no Rio de Janeiro, tintas e mais tintas foram gastas e vozes e mais vozes soaram para nos convencer de que o evento seria a redenção da cidade maravilhosa.
Pois sim. Passados quatro anos do evento, o carioca agora é chamado para enfrentar o que será, segundo o secretário municipal de saúde do município, "a maior epidemia de dengue da história da cidade".
Ainda segundo o secretário, "desde o início do ano foram registrados na capital fluminense cerca de 71 mil casos da doença, com 51 mortos".
Medalha de ouro para o mosquito.
Pois sim. Passados quatro anos do evento, o carioca agora é chamado para enfrentar o que será, segundo o secretário municipal de saúde do município, "a maior epidemia de dengue da história da cidade".
Ainda segundo o secretário, "desde o início do ano foram registrados na capital fluminense cerca de 71 mil casos da doença, com 51 mortos".
Medalha de ouro para o mosquito.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Sobre Brasil e Cuba
Breve reflexão sobre o Pan
por Igor Felippe
O Brasil terminou os Jogos Pan Americanos, em Guadalajara, no México com 48 medalhas de ouro, dentro de 141 no total.
Cuba, uma pequena ilha de 110.861 km2 e 11 milhões de habitantes, fechou os jogos com 58 medalhas de ouro, em segundo lugar, somando 136 medalhas.
Como uma ilha do tamanho do estado de Alagoas e com o número de habitantes do Rio Grande do Sul pode ganhar mais medalhas de ouro que o Brasil e ficar apenas atrás dos Estados Unidos no Pan?
(Retirado do Blog Vi o mundo)
por Igor Felippe
O Brasil terminou os Jogos Pan Americanos, em Guadalajara, no México com 48 medalhas de ouro, dentro de 141 no total.
Cuba, uma pequena ilha de 110.861 km2 e 11 milhões de habitantes, fechou os jogos com 58 medalhas de ouro, em segundo lugar, somando 136 medalhas.
Como uma ilha do tamanho do estado de Alagoas e com o número de habitantes do Rio Grande do Sul pode ganhar mais medalhas de ouro que o Brasil e ficar apenas atrás dos Estados Unidos no Pan?
(Retirado do Blog Vi o mundo)
domingo, 30 de outubro de 2011
O Pan-Americano e os Jogos Olímpicos
O Pan-Americano de 2011 se encerra hoje, na cidade de Gadalajara, no México. Os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro fizeram uma avaliação positiva da participação nacional no evento. Dos 515 atletas que fizeram parte da delegação nos jogos, 277 conquistaram alguma medalha. Uns conquistaram mais de uma.
O Pentatlo com Yane Marques, o Hipismo, que leva cinco atletas, o handebol com 14, o triatlo com Reinaldo Colluci e a canoagem com Erlon Souza e Ronilson Oliveira foram os contemplados e já carimbaram seus passaportes para os Jogos Olímpicos de Londres, 2012.
O Brasil terminou em terceiro no quadro geral de medalhas (primeiro foram os Estados Unidos e Cuba ficou em segundo), totalizando 141. Destas, 48 foram de ouro. Comparados com o Pan do Rio de Janeiro em 2007 e o Pan em Santo Domingos, em 2003, onde a delegação brasileira conquistou 157 medalhas, sendo 52 de ouro e 123 medalhas, sendo 29 de ouro, respectivamente, o salto foi positivo.
Considerando o quadro geral de medalhas, o Brasil sobe para a segunda colocação, já que Cuba totalizou 136 medalhas.
No entanto, se fizermos uma análise tomando como referência os Jogos Olímpicos de Londres, no próximo ano, aí o negócio pega. Das 93 vagas que o Brasil buscava garantir, apenas 23 delas foram preenchidas. Tudo bem que eram 97 vagas para todos os países que participavam do Pan, mas ficar com pouco mais de 25% por cento das vagas, é muito pouco para o montante do que se investi na preparação dos atletas. Talvez isso seja um reflexo de como se prepara o atleta nacional. Dinheiro tem. E muito!!!
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Brasil vs Costa Rica
Pelo Pan-americano de Guadalajara, ontem, quem conseguiu assistir ao jogo do Brasil contra a Costa Rica no futebol masculino até o apito final merece ganhar a medalha de ouro.
Futebol péssimo, transmissão ruim, narração mais do que ufanista do tipo “Tem que honrar a camisa amarela” e outros chavões de sempre e comentários do baixinho Romário pra lá de equivocados, colocando o fiasco da derrota da seleção na conta da CBF, que não mandou "força máxima".
Futebol péssimo, transmissão ruim, narração mais do que ufanista do tipo “Tem que honrar a camisa amarela” e outros chavões de sempre e comentários do baixinho Romário pra lá de equivocados, colocando o fiasco da derrota da seleção na conta da CBF, que não mandou "força máxima".
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Record vs Globo
Os Jogos Pan-americanos que ocorrem na Cidade do México desde sábado, colocam a Record e a Rede Globo em disputa, mas não pelo pódium.
A Rede Record que transmite com exclusividade o evento, acusa a vênus platinada de piratear as imagens de abertura da competição.
Quem vencerá a contenda?
A Rede Record que transmite com exclusividade o evento, acusa a vênus platinada de piratear as imagens de abertura da competição.
Quem vencerá a contenda?
domingo, 10 de julho de 2011
Senhora presidenta, chame o senhor dos anéis
O senhor Ricardo Teixeira, mesmo depois de ter sido acusado sistematicamente em diferentes processos que investigam casos de corrupção na FIFA e na CBF e tendo aparecido em documentário divulgado pela BBC de Londres como um dos principais corruptores do futebol mundial, junto com João Havelange e Joseph Blatter, se sente inteiramente à vontade de dizer o que quer e bem entende sobre as suas ações (vide imagem acima), sem nenhum tipo de constrangimento, pois sabe que nada vai acontecer contra ele.
Ontem, o repórter Andrew Jennings, em um programa na rede de tv fechada ESPN, de maneira recorrente, chamava a atenção da presidenta Dilma Rousself, solicitando que a mesma chamasse o senhor Ricardo Teixeira para prestar esclarecimentos sobre os "rumores" das suas ações corruptas sobejamente documentadas. Solicitava também do senhor Ministro dos Esportes, Orlando Silva, a mesma atitude. Dizia não entender o silenciamento dos setores brasileiros, principalmente da imprensa, salvo honrosas exceções, em relação a este homem que pensa estar acima do bem e do mal.
Isso me fez lembrar a atitude não menos arrogante do senhor Nuzman, que chamado a falar sobre o Pan-2007 no Senado Federal, antes de ser questionado pelos senadores da república do Brasil, se dirigiu aos mesmos dizendo que precisava sair, pois tinha coisas mais importantes a fazer do que responder às perguntas da nação sobre os vários indícios de corrupção e malversação de verba relativo ao evento. Saiu do senado, deixando os senadores de boca aberta, sem nenhum constrangimento, com aquele sorriso amarelo que lhe é peculiar.
Eles sentem, pensam e agem como acham melhor. Dizem o que querem, gargalham diante de tudo e de todos pela certeza da impunidade que ainda graça o país. Esse câncer fundador da época colonial, da socidade autoritária, de uma elite dirigente que se perpetua no poder, precisa ser extirpado.
O Brasil, nos últimos dez anos, vem dando saltos qualitativos importantes rumo a uma sociedade democrática substantiva, mas não conseguirá avançar satisfatoriamente enquanto esses traços autoritários destes senhores que se acham dono do poder, de tudo e de todos, se fizerem presentes.
Ecoa, aqui, em síntese livre e esperançosa, as palavras do repórter Andrew Jennings: senhora presidenta e senhor ministro dos esportes, cumpram com o dever republicano e chamem o senhor Ricardo Teixeira para o devido esclarecimento sobre todas as acusações que historicmente o atinge, a ele, particularmente e a toda nação brasileira de uma forma geral.
Ontem, o repórter Andrew Jennings, em um programa na rede de tv fechada ESPN, de maneira recorrente, chamava a atenção da presidenta Dilma Rousself, solicitando que a mesma chamasse o senhor Ricardo Teixeira para prestar esclarecimentos sobre os "rumores" das suas ações corruptas sobejamente documentadas. Solicitava também do senhor Ministro dos Esportes, Orlando Silva, a mesma atitude. Dizia não entender o silenciamento dos setores brasileiros, principalmente da imprensa, salvo honrosas exceções, em relação a este homem que pensa estar acima do bem e do mal.
Isso me fez lembrar a atitude não menos arrogante do senhor Nuzman, que chamado a falar sobre o Pan-2007 no Senado Federal, antes de ser questionado pelos senadores da república do Brasil, se dirigiu aos mesmos dizendo que precisava sair, pois tinha coisas mais importantes a fazer do que responder às perguntas da nação sobre os vários indícios de corrupção e malversação de verba relativo ao evento. Saiu do senado, deixando os senadores de boca aberta, sem nenhum constrangimento, com aquele sorriso amarelo que lhe é peculiar.
Eles sentem, pensam e agem como acham melhor. Dizem o que querem, gargalham diante de tudo e de todos pela certeza da impunidade que ainda graça o país. Esse câncer fundador da época colonial, da socidade autoritária, de uma elite dirigente que se perpetua no poder, precisa ser extirpado.
O Brasil, nos últimos dez anos, vem dando saltos qualitativos importantes rumo a uma sociedade democrática substantiva, mas não conseguirá avançar satisfatoriamente enquanto esses traços autoritários destes senhores que se acham dono do poder, de tudo e de todos, se fizerem presentes.
Ecoa, aqui, em síntese livre e esperançosa, as palavras do repórter Andrew Jennings: senhora presidenta e senhor ministro dos esportes, cumpram com o dever republicano e chamem o senhor Ricardo Teixeira para o devido esclarecimento sobre todas as acusações que historicmente o atinge, a ele, particularmente e a toda nação brasileira de uma forma geral.
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
Sem copa e sem cozinha
A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que ocorrerão aqui no Brasil já começaram. Aliás, desde que o país consagrou-se como a "bola da vez" dos dois principais megaeventos esportivos do globo, que Estado e Sociedade Civil vem se mobilizando para o seu empreendimento e/ou seu questionamento.
Se o debate, ora em curso, depender da Organização das Nações Unidas (ONU), novos argumentos irão fortalecer grupos sociais que questionam os megaeventos nacionais. Isso por que, a despeito da necessidade de agilização das ações de viabilização do evento, atrocidades estão sendo acometidas à população mais humilde, e elas não tem relação alguma com saúde e educação. Ao contrário. Trata-se de impedir que o sujeito tenha garantido um dos seus direitos mais básico: a moradia.
Raquel Rolnik, relatora especial da ONU, em artigo escrito no sítio do yahoo! nos alerta que várias autoridades estão descumprindo acordos importantes, definidos internacionalmente, ao praticarem remoções de moradores de maneira arbitrária e sem os devidos cuidados impostos por lei, violando direitos humanos fundamentais. (Leia o artigo clicando aqui).
Existem absurdos, tal como o relatado pela revista Carta Capital da semana passada, em que famílias são comunicadas sem tempo para organizar o seu desalojamento, se é que isso é possível. Diversos moradores recebem a notificação de desapropiração da área com um prazo máximo de "zero dia(s)". (Ver imagem ao lado).
Ponderações de diferentes setores da sociedade, tomando como base experiências históricas de grandes eventos no país, como, por exemplo, o Pan-americano de 2007, realizado no Rio de Janeiro, questiona a necessidade de investir tanto dinheiro público para eventos que beneficiarão uma ínfima parcela da sociedade, isso quando os próprios argumentos não passam a questionar os próprios benefício, já que "gato escaldado tem medo de água fria".
Setores que ponderam no sentido de convencer a população da necessidade dos eventos esportivos, obviamente, rebatem os argumentos contrários. Enfatizam eles os mais diversos tipos de benefícios: melhoria da mobilidade urbana; investimentos em infra-estrutura; por exemplo, nos aeroportos; ampliação do turismo; incentivo à prática esportiva, de onde se alega um aporte de benefícios indiretos para outros setores sociais, como a saúde e a educação, entre outros.Se o debate, ora em curso, depender da Organização das Nações Unidas (ONU), novos argumentos irão fortalecer grupos sociais que questionam os megaeventos nacionais. Isso por que, a despeito da necessidade de agilização das ações de viabilização do evento, atrocidades estão sendo acometidas à população mais humilde, e elas não tem relação alguma com saúde e educação. Ao contrário. Trata-se de impedir que o sujeito tenha garantido um dos seus direitos mais básico: a moradia.
Raquel Rolnik, relatora especial da ONU, em artigo escrito no sítio do yahoo! nos alerta que várias autoridades estão descumprindo acordos importantes, definidos internacionalmente, ao praticarem remoções de moradores de maneira arbitrária e sem os devidos cuidados impostos por lei, violando direitos humanos fundamentais. (Leia o artigo clicando aqui).
Existem absurdos, tal como o relatado pela revista Carta Capital da semana passada, em que famílias são comunicadas sem tempo para organizar o seu desalojamento, se é que isso é possível. Diversos moradores recebem a notificação de desapropiração da área com um prazo máximo de "zero dia(s)". (Ver imagem ao lado).São moradores que vivem na comunidade há mais de 20, 30 anos e sofrem todo esse transtorno para dar passagem as obras que foram prometidas como contrapartida para a realização dos eventos esportivos. Tudo perfeitamente justificado pelas manobras ideológicas via discursos lacunares sobre melhoria da qualidade de vida, oportunidade de emprego, geração de renda, entre outros. "Na avaliação de Maria de Lourdes Lopes, coordenadora do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), os megaeventos estão sendo usados como desculpa para expulsar os pobres para as áreas periféricas da cidade". E não pense que isso vem ocorrendo apenas com moradores de comunidades sem regulação fundiária. Ainda segundo a mesma coordenadora, ouvida pela reportagem da Carta Capital, (que pode ser lida na íntegra clicando aqui), "Mesmo bairros que já passaram por processos de regularização fundiária (...), estão sendo alvo de desapropriações. O governo quer ocultar a pobreza do turista, maquiar a cidade para inglês ver".
São por essas e outras que passamos a questionar o sentido e o significado de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Eventos, inclusive, que não foram discutidos amplamente com a sociedade, que fazem parte de um desejo de grupos que parecem mandar no destino do país e do seu povo, que tem seus direitos violados por organismos do Estado que deveriam garantir e ampliar os mesmos.
Até quando?
domingo, 14 de novembro de 2010
As contradições de sempre!!!
TEXTO ESCRITO PELO PROFESSOR ALAN JONH
O presidente do PC do B, Sr.Renato Rabelo, se reuniu nesta última terça-feira, 09 de novembro com o presidente do PT José Eduardo Dutra integrante do governo de transição e defendeu a manutenção do partido a frente do Ministério dos Esportes.
Tudo leva a crer que a solicitação seja atendida e que o partido continue no Ministério. Já que o ministro Orlando Silva está à frente das atividades que envolvem a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Análises da política de esporte nos apontam que o investimento prioritário no esporte de alto-rendimento e a realização de mega-eventos esportivos foi à tônica central do governo nos últimos anos no campo das políticas públicas de esporte e lazer.
Em tempos de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, o esporte tem se apresentado como valioso instrumento de ampliação da desigualdade social e da concentração de renda em nosso país.
Justifica-se que o alto investimento no esporte de rendimento seria uma medida de suma importância para o desenvolvimento esportivo e para a melhoria do desempenho dos atletas em competições internacionais.
Entretanto, experiências de popularização dos esportes em diversas nações demonstram que outra via é possível, possibilitando-nos resultados muito mais duradouros e condizentes com a melhoria das condições de saúde da comunidade e até mesmo do desempenho competitivo.
O futebol no Brasil, o basquete nos EUA, o tênis de mesa no Japão, o kung-fu na China, o Xadrez em Cuba são alguns bons exemplos de que a socialização dos esportes deve ser o primeiro passo na política de esportes nacional.

A justificativa para os altíssimos investimentos nesses mega-eventos esportivos é que ficaria um legado de infraestrutura e se ampliaria a prática esportiva no país.
Entretanto os jogos Panamericanos realizados no Brasil em 2007, apresenta-nos provas concretas do contrário.
Neste episódio pudemos observar: ataques a populações locais na tentativa de esconder as gritantes desigualdades sociais da cidade; falta de prestação de contas de mais de 1 milhão de reais, entrega de diversas construções realizadas com dinheiro público para mão de iniciativa privadas, gastos públicos absurdos na construção de espaços com possibilidade bastante limitada de vivência efetiva do esporte.
Um bom exemplo é o estádio Engenhão, orçado inicialmente em R$ 100 milhões tendo um custo total bem acima do valor orçado, custando aos cofres públicos cerca de 300 milhões e entregue ao clube de regatas botafogo por R$ 40 mil mensais mais custos de manutenção. Os gastos gerais com o evento estavam previstos em R$ 532 milhões e os gastos gerais com o evento chegaram a R$ 3 bilhões.
Segundo cálculos preliminares da CBF, espera-se que o governo gaste cerca de R$ 11 bilhões para se preparar para a copa de 2014. Já o projeto dos Jogos Olímpicos de 2016 está estimado em R$ 25,9 bilhões.
Segundo plano de gasto alternativo elaborado pelo movimento planeta sustentável com base em órgãos governamentais, só o recurso de R$ 11 bilhões da copa de 2014 daria para se investir: R$ 2,1 bilhões na expansão do saneamento, levar água tratada a 2,2 milhões de casas e coleta de lixo a 2,1 milhões – cerca de 20% do déficit de saneamento. (Segundo dados do IDH divulgado essa semana o país tem 20% da população sem acesso a saneamento e 57% dos brasileiros não têm coleta de esgoto. Dados do senso 2010 do IBGE aponta que o país têm 185 milhões de habitantes); R$ 2,8 bilhões para financiar a construção ou compra de 480 mil casas populares – 6% do déficit habitacional; R$ 2,8 bilhões para levar luz a 1,6 milhões de pessoas no campo – 13 % da população sem aceso à energia; R$ 1,4 bilhões para ensinar 600 mil jovens e adultos a ler e escrever - o que nos daria um saldo de 4% a menos de analfabetos no país; R$ 700 mil para levar o programa Saúde da Família a mais de 2 milhões de pessoas – o que superaria a população de Curitiba ou Recife.

Em paralelo a esses gastos absurdos, a esse derrame de dinheiro, a maioria das escolas públicas não tem quadras esportivas e grande parcela da população tem dificuldades de acesso aos serviços de saúde. As oportunidades de lazer são extremamente reduzidas, falta moradia, saneamento básico e alimentação, os recursos destinados à educação e saúde estão bem abaixo do necessário.
As contradições seguem seu curso. Na semana passada, o ministro Orlando Silva defendeu o investimento de prefeituras nos eventos. No caso de São Paulo o ministro defende o investimento dando exemplos de outros gastos nesse sentido e pra nosso espanto cita o caso desta mesma prefeitura que gasta R$ 28,30 milhões anuais em Interlagos para receber a Fórmula 1.
Aos que diante dos fatos se refugiam em discursos do tipo: esses eventos são importantes para confraternização entre os povos, para o intercambio cultural entre as nações. Nós lhes apresentamos uma necessidade ainda mais básica de cooperação: a de alimento.
Dados apontam que atualmente a produção de alimentos é superior a capacidade de consumo humano. Entretanto, temos hoje 1 bilhão de pessoas com fome no mundo, muitas delas crianças. 25 países apresentam condições alarmantes. A República Democrática do Congo tem 75% de sua população subalimentada.
Enquanto isso, esporte só como espectador. Empresas da construção civil se deleitam com os investimentos públicos e continuam espoliando os trabalhadores e o presidente LuLa ainda chora de felicidade com a vinda dos Jogos Olímpicos para o país.
O presidente do PC do B, Sr.Renato Rabelo, se reuniu nesta última terça-feira, 09 de novembro com o presidente do PT José Eduardo Dutra integrante do governo de transição e defendeu a manutenção do partido a frente do Ministério dos Esportes.
Tudo leva a crer que a solicitação seja atendida e que o partido continue no Ministério. Já que o ministro Orlando Silva está à frente das atividades que envolvem a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Análises da política de esporte nos apontam que o investimento prioritário no esporte de alto-rendimento e a realização de mega-eventos esportivos foi à tônica central do governo nos últimos anos no campo das políticas públicas de esporte e lazer.
Em tempos de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, o esporte tem se apresentado como valioso instrumento de ampliação da desigualdade social e da concentração de renda em nosso país.
Justifica-se que o alto investimento no esporte de rendimento seria uma medida de suma importância para o desenvolvimento esportivo e para a melhoria do desempenho dos atletas em competições internacionais.
Entretanto, experiências de popularização dos esportes em diversas nações demonstram que outra via é possível, possibilitando-nos resultados muito mais duradouros e condizentes com a melhoria das condições de saúde da comunidade e até mesmo do desempenho competitivo.
O futebol no Brasil, o basquete nos EUA, o tênis de mesa no Japão, o kung-fu na China, o Xadrez em Cuba são alguns bons exemplos de que a socialização dos esportes deve ser o primeiro passo na política de esportes nacional.

A justificativa para os altíssimos investimentos nesses mega-eventos esportivos é que ficaria um legado de infraestrutura e se ampliaria a prática esportiva no país.
Entretanto os jogos Panamericanos realizados no Brasil em 2007, apresenta-nos provas concretas do contrário.
Neste episódio pudemos observar: ataques a populações locais na tentativa de esconder as gritantes desigualdades sociais da cidade; falta de prestação de contas de mais de 1 milhão de reais, entrega de diversas construções realizadas com dinheiro público para mão de iniciativa privadas, gastos públicos absurdos na construção de espaços com possibilidade bastante limitada de vivência efetiva do esporte.
Um bom exemplo é o estádio Engenhão, orçado inicialmente em R$ 100 milhões tendo um custo total bem acima do valor orçado, custando aos cofres públicos cerca de 300 milhões e entregue ao clube de regatas botafogo por R$ 40 mil mensais mais custos de manutenção. Os gastos gerais com o evento estavam previstos em R$ 532 milhões e os gastos gerais com o evento chegaram a R$ 3 bilhões.
Segundo cálculos preliminares da CBF, espera-se que o governo gaste cerca de R$ 11 bilhões para se preparar para a copa de 2014. Já o projeto dos Jogos Olímpicos de 2016 está estimado em R$ 25,9 bilhões.
Segundo plano de gasto alternativo elaborado pelo movimento planeta sustentável com base em órgãos governamentais, só o recurso de R$ 11 bilhões da copa de 2014 daria para se investir: R$ 2,1 bilhões na expansão do saneamento, levar água tratada a 2,2 milhões de casas e coleta de lixo a 2,1 milhões – cerca de 20% do déficit de saneamento. (Segundo dados do IDH divulgado essa semana o país tem 20% da população sem acesso a saneamento e 57% dos brasileiros não têm coleta de esgoto. Dados do senso 2010 do IBGE aponta que o país têm 185 milhões de habitantes); R$ 2,8 bilhões para financiar a construção ou compra de 480 mil casas populares – 6% do déficit habitacional; R$ 2,8 bilhões para levar luz a 1,6 milhões de pessoas no campo – 13 % da população sem aceso à energia; R$ 1,4 bilhões para ensinar 600 mil jovens e adultos a ler e escrever - o que nos daria um saldo de 4% a menos de analfabetos no país; R$ 700 mil para levar o programa Saúde da Família a mais de 2 milhões de pessoas – o que superaria a população de Curitiba ou Recife.
Em paralelo a esses gastos absurdos, a esse derrame de dinheiro, a maioria das escolas públicas não tem quadras esportivas e grande parcela da população tem dificuldades de acesso aos serviços de saúde. As oportunidades de lazer são extremamente reduzidas, falta moradia, saneamento básico e alimentação, os recursos destinados à educação e saúde estão bem abaixo do necessário.
As contradições seguem seu curso. Na semana passada, o ministro Orlando Silva defendeu o investimento de prefeituras nos eventos. No caso de São Paulo o ministro defende o investimento dando exemplos de outros gastos nesse sentido e pra nosso espanto cita o caso desta mesma prefeitura que gasta R$ 28,30 milhões anuais em Interlagos para receber a Fórmula 1.
Aos que diante dos fatos se refugiam em discursos do tipo: esses eventos são importantes para confraternização entre os povos, para o intercambio cultural entre as nações. Nós lhes apresentamos uma necessidade ainda mais básica de cooperação: a de alimento.
Dados apontam que atualmente a produção de alimentos é superior a capacidade de consumo humano. Entretanto, temos hoje 1 bilhão de pessoas com fome no mundo, muitas delas crianças. 25 países apresentam condições alarmantes. A República Democrática do Congo tem 75% de sua população subalimentada.
Enquanto isso, esporte só como espectador. Empresas da construção civil se deleitam com os investimentos públicos e continuam espoliando os trabalhadores e o presidente LuLa ainda chora de felicidade com a vinda dos Jogos Olímpicos para o país.
domingo, 7 de novembro de 2010
Abra o olho, Dilma.
Dilma Rousself venceu. Os prognósticos se confirmaram e teremos após passada a primeira década do século vinte e um, o Brasil, o maior país da América Latina, governado por uma mulher.Para chegar até aqui, Dilma precisou conquistar não só os votos dos eleitores, mas, também, disputar uma batalha contra o preconceito, o obscurantismo, a vilania, os factóides e tudo o que há de mais baixo em um processo de disputa. Até bolinha de papel virou um “pertado de dois quilos”, segundo depoimento do Vice do candidato derrotado à presidência da república, José Serra, o senhor Índio da Costa.
Diante de tantas coisas periféricas, muitos elementos centrais para o desenvolvimento da nação ficaram por ser dito. Dentre esses elementos temos o que diz respeito a gestão esportiva nacional. Como será, no governo de Dilma Rousself, desenvolvidas as políticas de esporte e lazer? Teremos mudanças substantivas? O povo de uma maneira geral terá acesso aos bens da cultura corporal produzidos ao longo destes milênios? Ou, simplesmente, teremos mais do mesmo?
Alguns desavisados podem imaginar que isso não é importante para o país, que existem outras necessidades sociais mais emergentes como a questão da habitação, violência, educação entre outros. O esporte e sua vivência é artigo de luxo e, como tal, não deve ser priorizado.
Para esses, enfatizo que o nosso país se credenciou para abrigar vários eventos esportivos importantes como os já sabidos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, entre outros e que, no mínimo, a presidente eleita deve sim se preocupar com isso, para que mais uma vez e novamente o dinheiro público não seja canalizado pelo ralo da improbidade administrativa, gestão fraudulenta e enriquecimento ilícito entre outros, elementos que vem sendo sobejamente evidenciados pelo Tribunal de Contas da União quanto mais ele se debruça e se aprofunda sobre o Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro em 2007.

Aliás, alguns gestores do Pan-2007, certo da impunidade das suas ações, continuam agindo em benefício próprio, se aproveitando das Olimpíadas que acontecerão no Rio em 2016, conforme nota publicada em 22 de outubro no Blog do Cruz. Estão de olhos gordos no montante de 27 bilhões de reais que o governo federal tem só para o evento Rio-2016. É muito dinheiro, mas com certeza, insuficiente para o apetite voraz dos “senhores dos anéis”.
São por essas e outras que se torna fundamental um programa substantivo, transparente e amplamente democrático para os próximos anos do governo federal no tocante ao esporte nacional e a ausência deste no debate político entre os principais candidatos à presidência do maior país da América Latina que se quer potência olímpica foi lastimável.
Cada centavo destes bilhões iniciais é meu, é seu, caro leitor, é nosso! Devemos ter conhecimento da aplicação destes e, por que não, ser consultado sobre o horizonte do seu investimento. Se sirvo para eleger um presidente, senador, deputado, prefeito, vereador neste país, por que não sirvo para opinar sobre o destino do meu dinheiro?
Abra o olho, senhora presidente. Se deixares os mesmos “esportistas” que geriram o esporte nesses últimos anos onde e como estão, estarás abrindo a caixa de pandora, com agravante perda da esperança.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Contrato sem licitação
No dia 13 de junho, um mês e alguns dias atrás, postamos um texto cujo título era “Arena Fonte Nova em Suspeição”. Nele dizíamos que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) da Bahia questionava o contrato assinado entre o Estado e algumas empreiteiras ligadas à construção civil.
Apesar dos questionamentos do TCE e também do Ministério Público Federal (MPF), que na época impetrou um agravo de instrumento na justiça, solicitando suspensão da verba que seria liberada pelo BNDES para a execução da obra na Fonte Nova, pelo menos até que o agravo de instrumento fosse julgado, as obras de demolição começaram, restando apenas o anel superior da agora ex-Fonte Nova.
Apesar do TCE e do MPF contestarem na forma da lei a maneira como a obra vem sendo gerida, a mesma segue célere, como se nada estivesse sendo dito pelos órgãos de mediação entre a sociedade civil e a sociedade política.
Eis que esta semana o MPF entrou mais uma vez em cena. Agora para questionar o contrato de execução e fiscalização do projeto e limpeza do terreno feito pela Secretaria Estadual do Trabalho e Esportes (Setre) junto às empresas Tecnosolo e Engeprol. Mais cinco empresas apresentaram propostas para execução dos serviços.
A Tecnosolo foi a responsável pela contrução do Parque Olímpico do Rio de Janeiro, parque este destinado aos jogos Panamericanos de 2007 e, também, foi responsável na década de 80, pelo projeto e construção da infra-estrutura da sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, responsável agora em liberar o dinheiro para a execução das obras.
O questionamento do MPF diz respeito ao contrato firmado pela Setre “de dispensa de licitação de R$ 1,2 milhão” em favor das empresas acima citadas. “A procuradora da República, Juliana Moraes quer analisar a justificativa legal da Setre para a dispensa da licitação, por via emergencial” (A TARDE, Salvador A4, 17/07/2010)
A questão posta pela Procuradora da República diz respeito ao por que o edital de licitação em relação a obra foi lançado em outubro de 2009 e o outro, sobre a execução, fiscalização e retirada dos entulhos, somente agora? Por que os dois não foram lançados juntos, evitando o dispositivo da “via emergencial”?
Ainda segundo a reportagem da A TARDE, “O contrato por dispensa de licitação para fiscalização das obras da arena também foi requisitado por auditores do TCE”. Eles querem “analisar o contrato e a justificativa para a dispensa licitatória por via emergencial”.O TCE também requisitou o contrato emergencial para análise da justificativa que levou o dispositivo da via emergencial.
Outro elemento entra em cena. A morte do diretor-superintendente da Tecnosolo, o senhor Manoel Claudio P. Cavalieri, assassinado, no Rio de Janeiro, dias depois de assinar o contrato. Para a Polícia carioca, tratou-se de latrocínio, muito embora os ladrões não tenham levado nada da vítima.
A Arena Fonte Nova, que ocupará uma área superior a 121.000 metros quadrados terá uma capacidade para 50 mil lugares fixos podendo, caso necessite, como na hipótese remota de sediar o jogo de abertura da Copa 2014, ampliar sua capacidade para mais 14 mil. O custo atual da construção está orçado em R$ 591,7 milhões.
Apesar dos questionamentos do TCE e também do Ministério Público Federal (MPF), que na época impetrou um agravo de instrumento na justiça, solicitando suspensão da verba que seria liberada pelo BNDES para a execução da obra na Fonte Nova, pelo menos até que o agravo de instrumento fosse julgado, as obras de demolição começaram, restando apenas o anel superior da agora ex-Fonte Nova.
Apesar do TCE e do MPF contestarem na forma da lei a maneira como a obra vem sendo gerida, a mesma segue célere, como se nada estivesse sendo dito pelos órgãos de mediação entre a sociedade civil e a sociedade política.
Eis que esta semana o MPF entrou mais uma vez em cena. Agora para questionar o contrato de execução e fiscalização do projeto e limpeza do terreno feito pela Secretaria Estadual do Trabalho e Esportes (Setre) junto às empresas Tecnosolo e Engeprol. Mais cinco empresas apresentaram propostas para execução dos serviços.
A Tecnosolo foi a responsável pela contrução do Parque Olímpico do Rio de Janeiro, parque este destinado aos jogos Panamericanos de 2007 e, também, foi responsável na década de 80, pelo projeto e construção da infra-estrutura da sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, responsável agora em liberar o dinheiro para a execução das obras.
O questionamento do MPF diz respeito ao contrato firmado pela Setre “de dispensa de licitação de R$ 1,2 milhão” em favor das empresas acima citadas. “A procuradora da República, Juliana Moraes quer analisar a justificativa legal da Setre para a dispensa da licitação, por via emergencial” (A TARDE, Salvador A4, 17/07/2010)
A questão posta pela Procuradora da República diz respeito ao por que o edital de licitação em relação a obra foi lançado em outubro de 2009 e o outro, sobre a execução, fiscalização e retirada dos entulhos, somente agora? Por que os dois não foram lançados juntos, evitando o dispositivo da “via emergencial”?
Ainda segundo a reportagem da A TARDE, “O contrato por dispensa de licitação para fiscalização das obras da arena também foi requisitado por auditores do TCE”. Eles querem “analisar o contrato e a justificativa para a dispensa licitatória por via emergencial”.O TCE também requisitou o contrato emergencial para análise da justificativa que levou o dispositivo da via emergencial.
Outro elemento entra em cena. A morte do diretor-superintendente da Tecnosolo, o senhor Manoel Claudio P. Cavalieri, assassinado, no Rio de Janeiro, dias depois de assinar o contrato. Para a Polícia carioca, tratou-se de latrocínio, muito embora os ladrões não tenham levado nada da vítima.
A Arena Fonte Nova, que ocupará uma área superior a 121.000 metros quadrados terá uma capacidade para 50 mil lugares fixos podendo, caso necessite, como na hipótese remota de sediar o jogo de abertura da Copa 2014, ampliar sua capacidade para mais 14 mil. O custo atual da construção está orçado em R$ 591,7 milhões.
domingo, 2 de maio de 2010
Até quando?
Escolhir para a postagem desta semana comentar uma denúnica publicada no site do IG que aborda temáticas relacionadas à Copa do Mundo. A reportagem denúncia é do jornalista Allan Brito e o mesmo toma como suporte para desenvolver a matéria um livro publicado pelo Instituto de Estudos de Segurança da África do Sul, intitulado "Player and Referee: Conflicting Interests and the 2010 FIFA World Cup", traduzido livremente pela reportagem como “Jogador e árbitro: conflitos de interesse na Copa do Mundo de Futebol de 2010”.
"Jornalistas investigativos da África do Sul e do Reino Unido foram os autores do livro, que traz à tona seis situações relacionadas a construção de estádios, seleção de fornecedores oficiais, práticas de concorrência pública e estrutura de fiscalização governamental. Tudo isso teria ocorrido sem qualquer transparência e até com manipulações. São citados casos que envolvem propina, fraude e extorsão".
Muitos elementos relatados devem servir para os brasileiro refletirem sobre a Copa do Mundo que se realizará por aqui em 2014. Um dos casos relatados e que preocupam a população africana diz respeito a construção de estádios considerados verdadeiros elefantes brancos. É citado na reportagem o caso do Green Point(foto), estádio situado na Cidade do Cabo que custou a bagatela de R$ 1,15 (um bilhão e quinze milhões de reais) por força da vontade dos senhores dos anéis encastelados na Fifa (Federation Internationale de Football Association). Se o mesmo terá alguma serventia pós-Copa, isso não é matéria que preocupem os botões de seus paletós. O fundamental mesmo é que a maior beneficiária da Copa do Mundo é a FIFA e o país sede é que tem que arcar com “ (...)uma parcela desproporcional dos custos", aponta o estudo de impacto econômico presente no livro.
Um outro ponto, que ao meu ver atinge diretamente a figura do representante-mor da FIFA diz respeito "a pouca concorrência aberta pelos lucros com a construção dos estádios ou até mesmo com os serviços oficiais durante o evento. A Match Hospitality é citada como exemplo de empresa suspeita. Ela tem entre os seus acionistas ninguém menos que Philippe Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Com essa facilidade, ela teria conseguido, sem grandes concorrências, direitos exclusivos para oferecer pacotes de hospitalidade a clientes empresariais".
O que para nós não é nenhuma novidade e nos faz lembrar dos benefícios de parentes do senhor Nuzman quando da realização do Pan-Americano aqui no Brasil entre outros fatos. Aliás, aproveitando a deixa, abro um parêntese para perguntar sobre a tal da CPI do Pan. Por onde e a quantas anda? Questionamento inclusive feito também, em fevereiro do corrente ano pelo jornalista José Cruz, em matéria publicada no seu blog.
Como entendemos que esporte atualmente é negócio, um fenômenos com alto potencial de reprodução do capital e que agrega valor a diferentes mercadorias e alimenta a ganância e vaidade dos poderosos que se esforçam em não se deixarem pegar com cifrões nos olhos, não tomamos os elementos expostos aqui e no livro com nenhum tipo de surpresa e perplexidade. O que me surpreende mesmo é o silêncio de certos setores das mídias esportivas e a passividade com que algumas instituições e intelectuais importantes do campo da cultura corporal se comportam.
Mas talvez uma coisa tenha relação com a outra. O difícil mesmo é compreender nessa relação as regularidades fenomênicas que nos permitam dar um salto qualitativo rumo a uma política de esportes para todos e não para os mesmos.
Talvez se perdéssemos o medo de ferir suscetibilidades, compreendendo a crítica franca e fraterna como elemento fundamental do esclarecimento como verdade revolucionária, tal como nos ensina Trotsky quando nos diz que "expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhe o caminho da revolução", estudos como esse, pontuado aqui, nos inspirassem a não fazer mais do mesmo com sempre os mesmos, que nos iludem ao ceder os seus anéis dizendo que estão inovando, quando, na verdade, não querem é perder os seus dedos onde colocarão mais e novos anéis. Até quando???
"Jornalistas investigativos da África do Sul e do Reino Unido foram os autores do livro, que traz à tona seis situações relacionadas a construção de estádios, seleção de fornecedores oficiais, práticas de concorrência pública e estrutura de fiscalização governamental. Tudo isso teria ocorrido sem qualquer transparência e até com manipulações. São citados casos que envolvem propina, fraude e extorsão".
Muitos elementos relatados devem servir para os brasileiro refletirem sobre a Copa do Mundo que se realizará por aqui em 2014. Um dos casos relatados e que preocupam a população africana diz respeito a construção de estádios considerados verdadeiros elefantes brancos. É citado na reportagem o caso do Green Point(foto), estádio situado na Cidade do Cabo que custou a bagatela de R$ 1,15 (um bilhão e quinze milhões de reais) por força da vontade dos senhores dos anéis encastelados na Fifa (Federation Internationale de Football Association). Se o mesmo terá alguma serventia pós-Copa, isso não é matéria que preocupem os botões de seus paletós. O fundamental mesmo é que a maior beneficiária da Copa do Mundo é a FIFA e o país sede é que tem que arcar com “ (...)uma parcela desproporcional dos custos", aponta o estudo de impacto econômico presente no livro.Um outro ponto, que ao meu ver atinge diretamente a figura do representante-mor da FIFA diz respeito "a pouca concorrência aberta pelos lucros com a construção dos estádios ou até mesmo com os serviços oficiais durante o evento. A Match Hospitality é citada como exemplo de empresa suspeita. Ela tem entre os seus acionistas ninguém menos que Philippe Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Com essa facilidade, ela teria conseguido, sem grandes concorrências, direitos exclusivos para oferecer pacotes de hospitalidade a clientes empresariais".
O que para nós não é nenhuma novidade e nos faz lembrar dos benefícios de parentes do senhor Nuzman quando da realização do Pan-Americano aqui no Brasil entre outros fatos. Aliás, aproveitando a deixa, abro um parêntese para perguntar sobre a tal da CPI do Pan. Por onde e a quantas anda? Questionamento inclusive feito também, em fevereiro do corrente ano pelo jornalista José Cruz, em matéria publicada no seu blog.
Como entendemos que esporte atualmente é negócio, um fenômenos com alto potencial de reprodução do capital e que agrega valor a diferentes mercadorias e alimenta a ganância e vaidade dos poderosos que se esforçam em não se deixarem pegar com cifrões nos olhos, não tomamos os elementos expostos aqui e no livro com nenhum tipo de surpresa e perplexidade. O que me surpreende mesmo é o silêncio de certos setores das mídias esportivas e a passividade com que algumas instituições e intelectuais importantes do campo da cultura corporal se comportam.
Mas talvez uma coisa tenha relação com a outra. O difícil mesmo é compreender nessa relação as regularidades fenomênicas que nos permitam dar um salto qualitativo rumo a uma política de esportes para todos e não para os mesmos.
Talvez se perdéssemos o medo de ferir suscetibilidades, compreendendo a crítica franca e fraterna como elemento fundamental do esclarecimento como verdade revolucionária, tal como nos ensina Trotsky quando nos diz que "expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhe o caminho da revolução", estudos como esse, pontuado aqui, nos inspirassem a não fazer mais do mesmo com sempre os mesmos, que nos iludem ao ceder os seus anéis dizendo que estão inovando, quando, na verdade, não querem é perder os seus dedos onde colocarão mais e novos anéis. Até quando???
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sábado, 23 de maio de 2009
Discursos sobre o esporte

Embora as nossas investidas sobre as questões relativas as Olimpíadas 2016 não tenham se esgotadas, pois ainda há muito o que se dizer e refletir sobre este evento, não podíamos nos furtar de "falar" sobre o périplo dos políticos de diferentes colorações esta semana na Confederação Brasileira de Futebol, apertando a mão (talvez melhor seria dizer "beijando a mão"), abraçando e dando tapinhas nas costas do seu presidente, o senhor Ricardo Teixeira. Disse um influente deputado baiano da bancada da bola em um jornal local de sexta-feira (22/05) que bastava observar os visitantes para saber quais estados serão os escolhidos.
Esse tema tem mexido até com data e horário de jogos, como foi o caso do jogo entre o Flamengo e o Atlético do Paraná, transferido do dia 30 para o dia 31 de maio, domingo, para que o todo poderoso Ricardo Teixeira apareça no telão do Maracanã informando que o mesmo será o palco da final da Copa de 2014.
Isso por que, somente dia 31 de maio, na cidade de Nassau (capital e maior cidade das Bahamas), será divulgada de forma oficial pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) os nomes das capitais que sediarão jogos da referida Copa do Mundo.
Falando em Maracanã, o editorial da Folha de São Paulo de ontem nos apresenta algumas informações que nos permitem relacionar os fatos acima mencionados com os assuntos abordados em nosso blog nas últimas semanas.
Segundo o articulista, o Estado do Rio de Janeiro, depois de gastar R$ 300 milhões em obras para os Jogos Panamericanos entre os anos de 1999 e 2007, terá que desembolsar nova quantia para adequar o estádio para a Copa 2014.
"Além disso, o projeto prevê a demolição do parque aquático Júlio Delamare, erguido ao custo de R$ 10 milhões. As autoridades fluminenses consideram que falta qualidade ao parque. Em 2007, era tido como exemplar". Uma verdadeira farra com dinheiro do erário público!!!

Aqui na Bahia, em Salvador, o Governador Jaques Wagner, em entrevista a uma rede de televisão local avisou que a cidade não só sediará um jogo das eliminatórias no dia 9 de setembro como também será palco dos jogos da Copa do Mundo. Para isso, mais dinheiro público deverá ser injetado na reforma da Fonte Nova.
Segundo o governador, "a Assembléia Legislativa já aprovou o pedido de empréstimo de R$ 375 milhões no BNDES" Existem outros empréstimos previstos, como o do Banco Interamericano, no valor de R$ 408 milhões e uma provável "ajuda" do Banco Mundial, não informado o valor.
Os posicionamentos que são favoráveis a esses investimentos, sempre trazem um discurso de que os mesmos promovem centenas de milhares de empregos diretos e indiretos e geram receitas diversas, beneficiando todos os baianos.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de maio de 2008, desmente esta cantilena. Ele demonstra que a riqueza gerada na capital baiana não é distribuída de forma equânime. Aqui em Salvador os 10% mais ricos concentram o montante de 67% da riqueza em suas mãos.
No Rio de Janeiro a realidade não é diferente. Lá, segundo a mesma pesquisa, os 10% mais ricos concentram 62,9% da riqueza. E esta realidade não é de hoje. Já nos idos do final do século 18, os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro.
Várias foram as obras que transpassaram o tempo com discursos de melhoria da qualidade de vida, ampliação dos empregos, distribuição de renda, etc, etc, para os barnabés da vida. Mais de 200 anos se passaram e a desigualdade não só continua a mesma, como novos fatores apareceram fruto deste mesmo processo de desigualdade crônica.
O esporte é hoje, mesmo considerando todas as mediações possíveis, uma grande mercadoria que serve para a maximização do lucro de empresas capitalistas. Nozaki e Penna(2007) assim se referem a esse respeito em artigo de uma revista eletrônica:
"A fabricação do esporte pelas grandes corporações, adaptada ao mais alto grau da exploração capitalista para a maximização dos lucros: na Indonésia, a Nike chegou a pagar 0,40 centavos de dólar a hora, utilizando trabalho infantil (adolescentes de 14 anos de idade) para montar seus tênis, os quais não são fabricados em lugar nenhum dos EUA onde esta empresa em sede. Outro exemplo de modalidade de exploração que vem se disseminando é a utilização de presidiários, por parte das grandes empresas nos EUA, em troca de um pequeno salário (de US$ 0,02 a 2,00 a hora) e/ou de uma redução de sua pena. Empresas como a Spalding utilizam-se deste tipo de trabalho para empacotar suas bolas de golfe, desobrigando-se das leis trabalhistas ao utilizar os presos para a execução de trabalhos".
Essa parece ser a lógica presente nos discursos que buscam legitimar os grandes eventos esportivos. Ampliar a reprodução metabólica do capital às custas das forças de trabalho humano das classes subalternas, única que efetivamente gera riqueza e mais valor em tudo que toca e faz, que constrói edifícios, colégios, estádios mas não são convidados nem possibilitados a participarem da festa.
sábado, 9 de maio de 2009
Rio 2016: vale mesmo apena? (II Parte)
Os Jogos Pan-Americanos, realizados na cidade do Rio de Janeiro no ano de 2007 é, sem sombra de dúvida, além de recente, um dos exemplos mais concretos e esclarecedores de como as entidades esportivas trabalham para levar a cabo os seus projetos de mega eventos. Aliás, o próprio discurso de sustentação destes Jogos teve como um dos seus alicerces de sustentação o fato do mesmo servir como uma prova incontestável de que o Brasil tem capacidade de organizar eventos esportivos de grande monta nos marcos estruturais que assumiu o esporte na contemporaneidade.No nosso caso, essas “entidades” têm em um nome específico, a referência fundamental para o desenvolvimento destes eventos: Carlos Arthur Nuzman. Ex-jogador de voleibol na década de 60 e que se dedicou durante 20 anos a Confederação Brasileira de Voleibol, como presidente desta e que fez um profícuo trabalho do ponto de vista do marketing esportivo, fazendo desta relação (esporte e marketing) um forte passaporte para o Comitê Olímpico Brasileiro, vem protagonizando a mais de 14 anos a frente desta entidade um verdadeiro périplo buscando justificar e convencer as autoridades esportivas e não esportivas, da importância para o esporte profissional e para o Brasil, da realização das Olimpíadas no país.
Somados, o senhor Nuzman tem nada mais, nada menos, do que 34 anos como dirigente esportivo. Um tempo expressivo e ao que tudo indica, tomando como referência a última eleição da entidade em 2008, deverá se extender por muito mais tempo.
Mas ele não estar só. Muitos outros estiveram e estão ao seu lado nessas empreitadas esportivas. Uma dessas pessoas, ao não concordar com as condutas consideradas anti-esportivas (digamos assim) do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) quando do desenvolvimento do Pan, a jogadora de basquete Magic Paula (Maria Paula Gonçalves da Silva), assim se expressou sobre o significado do Pan no Brasil, essa vitrine que nos serve de reflexão para pensarmos as Olimpíadas para o Rio 2016. “O problema do esporte brasileiro é mais embaixo. Não é um Pan-Americano aqui que vai solucioná-lo. Além do mais, esse é um gasto absurdo. Com muito menos dinheiro daria para estruturar o esporte no País. O Pan é importante para dar visibilidade ao esporte e seria bom se tivéssemos base, se tivéssemos estrutura para os atletas se manterem e trabalharem. Fico preocupada com os atletas depois que tudo acabar e eles voltarem a viver na corda bamba” (Carta Capital, nº 432, 21 de fevereiro de 2007).
Essas palavras, vinda de uma ex-atleta de ponta do esporte nacional, protagonista viva da história da Secretaria Nacional de Alto Rendimento no Ministério do Esporte, da qual pediu exoneração em 2003 por não concordar com as relações entre o COB e o Ministério de Agnelo Queiroz na época, podem ser bem utilizadas para o projeto Olímpico Rio 2016. Trata-se de uma linha de raciocínio que demonstra de forma inconteste, a falta de projeto de longo prazo para o esporte nacional, inclusive no tocante à formação de atletas.
As palavras de Paula também são interessantes e ganham força maior ainda por se tratar de alguém que fez e faz parte da estrutura do esporte de rendimento. Não é nenhum inimigo do esporte brasileiro, nenhum pessimista esclarecido que ver negatividade em tudo que se pensa fazer e se faz nesse país, seja no campo esportivo ou em outro qualquer. As palavras não saíram – digamos assim – de qualquer pessoa.

Passado algum tempo, já podemos verificar o quanto de razão tinham todos aqueles que eram contra a realização do Pan da forma como o mesmo vinha sendo desenvolvido. E também, o quanto de (dês)razão dos que eram altamente favoráveis, como um dos representantes do CO-Rio em 2007, o senhor Carlos Roberto Osório. Em entrevista na mesma edição da revista Carta Capital, assim se posicionou em relação ao Engenhão (estádio João Havelange). “O projeto do Estádio (...) é de um nível espetacular. Em termos esportivos, nenhum estádio do mundo é mais moderno. Em minha opinião tem um futuro bastante interessante”.
O Botafogo que o diga.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Rio 2016: vale mesmo apena? (I Parte)

ESTE SORRIDENTE SOL, SÍMBOLO DO PAN 2007 NO RIO, NÃO BRILHOU PARA TODOS. QUEREM NOS FAZER CRER QUE NAS OLIMPÍADAS SERÁ DIFERENTE
Tudo vale apena quando a alma não é pequena, nos ensina as estrofes do poeta português. Talvez Fernando Pessoa ao desenvolver tão formosas linhas não conhecesse o espírito mesquinho que habita os corpos das elites oligárquicas do nosso Brasil que tem hoje, no mundo do esporte, oportunidades sempre renovadas de reprodução do seu capital, financeiro e simbólico, através de grandes eventos esportivos como, por exemplo, os Jogos Olímpicos.Candidata a possível sede das Olimpíadas de 2016, a cidade do Rio de Janeiro se empenha em realizar esse sonho, que seria muito bem-vindo, caso a história nos fosse favorável. No entanto, a deusa Clio já nos mostrou o outro lado da moeda. Se tomarmos como referência os Jogos Pan-americano, realizado na própria cidade do Rio de Janeiro em 2007, veremos que o melhor para o Rio e para o Brasil, seria a alocação do recurso inicial projetado para o evento de R$ 30.000.000.000 (trinta bilhões de reais), tivesse outro destino como educação, saúde, habitação, segurança, alimentação entre tantas outras questões mais básicas e necessárias em um país de miseráveis.
Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas de 2004, um em cada quatro brasileiros vive na miséria e tenta sobreviver com parcos R$ 115,00 (Cento e quinze reais) por mês. Com a crise que atinge o Brasil e o mundo e com a tendência de crises cíclicas do capital no contexto da financeirização das relações monetárias, existe uma grande possibilidade de essa realidade ser ainda pior.
É sabido que eventos desse porte podem gerar vários fatores para a cidade que o sedia. Alguns deles permanentes e outros esporádicos, tais como empregos, incremento do turismo, melhoria da infra-estrutura das cidades, desenvolvimento e melhorias das políticas de esportes entre outros. Aliás, esses elementos são alguns dos tópicos utilizados nos argumentos sofismáticos dos que querem a qualquer preço e custo, fazer prevalecerem os seus interesses comparados aos interesses nacionais. Pois até me provarem o contrário, o Rio de Janeiro é apenas uma unidade da federação. Não a única e se benefício trouxer será para os aquinhoados cariocas, se muito.
Mas a nossa deusa Clio demonstra muito bem as falácias presentes nesses argumentos dos benefícios proporcionados pelos eventos esportivos grandiosos.
Tomemos como exemplo concreto o que se argumentava para justificar a construção de um Parque Aquático para o Pan. Se dizia, entre outras coisas, que o mesmo era fundamental para o Brasil e o engrandecimento dos esportes aquáticos. Dizia-se também e principalmente que o mesmo já poderia ser aproveitado para os eventuais Jogos Olímpicos, caso o Rio de Janeiro fosse escolhida como a cidade sede.
Pois bem. Se já não bastasse o absurdo de um argumento usar como base de sustentação do mesmo um eventual evento, ou seja, algo que pode não acontecer, o mesmo torna-se uma mentira criminosa na medida em que, mesmo em confirmando o evento, ou seja, mesmo que o Rio de Janeiro sedie as Olimpíadas de 2016, esse mesmo Parque Aquático, construído sobre o argumento da sua possibilidade de uso nos Jogos Olímpicos, não poderá ser utilizado. Para que ocorram provas de natação nas Olimpíadas do Rio, será necessária a construção de um novo Parque, agora com o nome de Estádio Olímpico Aquático, aos custos de US$ 37,9 milhões de dólares.
Os mais otimistas e que conseguem ver positividade em tudo, dirão: “ao menos já teremos espaço para o Pólo Aquático”. Ledo engano. Para que o mesmo seja realizado no “moderno” Maria Lenk, que se tornou obsoleto em pouco mais de um ano, terá que passar por reformas.
Se já não bastasse isso, das 13 sedes esportivas consideradas prontas se tomarmos como referência as obras do Pan, ao menos duas (Sambódromo e o Centro de Tiro), estão obsoletas e necessitam de reformas.Esses são apenas alguns argumentos iniciais que procuram fazer com que pensemos um pouco mais sobre a viabilidade de uma Olimpíada no Brasil. Muita coisa ainda precisa e será dita aqui nesse espaço. Aguardem.
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