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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O SURPREENDENTE PROJETO EL@ LUTA




Num final de aula, a então estudante do curso de Educação Física da UEFS, Liamara Martfeld, me procurou com todas as dúvidas de quem quer se aproximar e apresentar para os seus alunos, algo que está distante dos estudantes em várias esferas do ensino: - Como vou trabalhar o conteúdo lutas na escola, David? Este episódio me foi recordado com emoção e algumas lágrimas de felicidade pela própria “Lia” justamente na realização da segunda edição do seu El@ Luta. Projeto que busca apresentar o percurso histórico e social das lutas, desenvolvendo conceitos e habilidades relacionados a este conteúdo da cultura corporal.

            Já seria um grande avanço planejar, coordenar e executar numa escola pública, da rede municipal de ensino e todas suas limitações, um conteúdo que passeia pelo consciente de uma grande parcela de nossa sociedade relacionado à violência. E claro, compreendendo como é corrida a vida de uma professora que precisa estudar, planejar e cumprir sua carga horária de ensino, desempenhando suas outras jornadas de trabalho, pois é mulher, numa sociedade contaminada com ideais que naturalizam sua exploração.

A colega foi além. Um de seus maiores objetivos é desconstruir a ideia de que meninas/mulheres não podem participar das lutas.



Sua metodologia, além de abordar o processo histórico de produção desse objeto da cultura corporal, questões de gênero e diversos preconceitos, se baseia também na apresentação dos traços essenciais de cada manifestação das lutas, que são as particularidades contidas em cada uma. A professora que não domina todas estas produções humanas, apresenta durante as aulas, através de jogos de oposição, os traços técnicos que constituem o boxe, Judô, caratê, Jiu-jitsu, Muay Thay, Kickboxing, MMA, Capoeira e este ano, acrescentou a defesa pessoal feminina. Por fim, convida os profissionais de cada luta para apresentar as técnicas mais avançadas em cada produção.

O projeto é surpreendente pelo conjunto de ações educativas, diretas e indiretas, que a colega propõe. Desmistifica a lógica de que, para apresentar um conteúdo na escola o professor precisa dominar totalmente o objeto, inclui toda a comunidade escolar (pais, estudantes, gestores, funcionários e professores) dentro do debate de superação de algumas “crenças” a respeito das lutas, se articula com a universidade, desde professores a estudantes de projetos como o Programa Institucional de Bolsas de iniciação à Docência. Participando do planejamento e execução do projeto.  Como também resgata e divulga importantes personagens no cenário das lutas em Feira de Santana. Como o mestre Gago, que já participa de duas edições do projeto, e Virna Jandiroba, uma de nossas promessas no MMA internacional.   



O meu desafio e do camarada e professor Elson Moura, nesta edição, ficou em apresentar o que tínhamos trabalhado no primeiro minicurso de defesa pessoal para mulheres e LGBTs da UEFS. Entretanto, havia algo de diferente do nosso projeto, a participação de meninos na oficina. Como professor de artes marciais para crianças, percebo o quanto é fundamental a desconstrução de preconceitos já nas idades iniciais, intervindo na fala, nas atitudes e ações, em prol da superação das relações submissas entre os seres humanos.

A violência contra as mulheres é fomentada desde a infância, pois a criança tem acesso a diversos tipos de meios que propagam a visão da mulher passiva, omissa e à disposição dos homens. Naturalizando à violência. Isso foi constatado em perguntas feitas durante a oficina, sobre propagandas de cerveja, entre outras. Esta naturalização também foi constatada numa pesquisa realizada pelas organizações Visão e Instituto Igarapé, com crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos. Foi verificado que crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica percebem a violência (de uma forma geral) nos ambientes que estão inseridos (escola, casa e comunidade), mas, ao mesmo tempo, a sensação de segurança delas é elevada.

Incluímos no nosso plano de ensino, além das técnicas de defesa, ações de identificação de violência contra a mulher, atitudes que os meninos devem tomar diante de episódios de violência física ou sexual com suas colegas, como também, inclui-los na responsabilidade de não cometer, perceber e intervir nestas agressões quando seus colegas praticarem.    
É muito esperançoso observar eventos dessa natureza, que surgem do esforço e da preocupação de uma mulher com a comunidade estudantil que ela está envolvida, como também é esperançoso ver todo esforço coletivo durante a realização do evento. Não poderia esquecer da participação e do empenho dos professores da escola, dos alunos da UEFS, envolvidos no projeto, dos “oficineiros” e claro, dos estudantes da escola que leva o nome do grande ativista político e líder sindical Chico Mendes, assassinado em 1988 por lutar pelos seringueiros e pela reforma agrária, na região amazônica.

Liamara Martfeld me deu a resposta para a pergunta feita por ela, que descrevi no início do texto. Aliás, me deu uma aula. Parabéns, camarada!   

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Formação unificada em Educação Física

Diante das últimas e recorrentes ofensivas do sistema CONFEF/CREF, esse primeiro de setembro reveste-se de importância ímpar para todos os que defendem uma formação unificada em Educação Física.

Não podemos ter receio de politizar o debate nem, tampouco, baixar a bandeira desta formação unificada, contra a fragmentação do conhecimento historicamente desenvolvido na área.

Então, os professores que já estão há mais de dez anos no mundo do trabalho, não estão aptos ao exercício da profissão simplesmente porque um agente externo à Universidade diz que não? E a prática concreta desse profissional durante todos esses anos, não diz nada? Não informa nada? Que história é essa?. Iremos ficar a reboque do CONFEF/CREF? Até quando? É ele que vai pautar o conhecimento necessário de ser conhecido pelos professores da Educação Física? É sério isso?

Nós, professores e estudantes, precisamos de organização, estudos sistemáticos, recuperar o debate que foi silenciado por uma conjuntura imposta pelo fenômeno do "recuo da teoria" e dos "jogos de linguagens" próprios ao contexto de "esvaziamento e desvalorização do professor".

Precisamos, inclusive, incluir no debate a precarização da formação atual. "(...) nem os estudantes da Licenciatura e nem os do Bacharelado possuem uma formação que realmente traga elementos que contribuam para sua prática pedagógica". E pedagógico aqui não se resume ao âmbito da escola. Que fique bem entendido."Antes de sermos técnicos, instrutoras, treinadores, somos fundamentalmente professoras e professores. Reconhecer esse fato significa entender que onde estivermos atuando, estaremos (...) trabalhando com a formação humana, através e com as especificidades de nossa área, tratando pedagogicamente os temas da cultura corporal, seja no clube, nas escola, na academia, no hospital, no hotel, na praça, etc".

Lutar pela unificação da formação não significa negar conhecimento de nenhum campo de atuação. Queremos unificar não para privilegiarmos o conhecimento do campo "a", "b", ou "c". Mas para proporcionar uma compreensão ampla sobre os conhecimentos da fisiologia, pedagogia, biologia, filosofia, anatomia, sociologia, história, saúde coletiva, primeiro socorros, biomecânica, etc, etc, etc.

E não quero nem falar sobre o fato deste debate dividirem, também, os próprios professores e estudantes. Na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), por exemplo, esse fenômeno da divisão da formação já criou até adjetivações do tipo "pedagogentos" e "fisiologentos". O feudo dos que defendem a escola e dos que defendem a academia. Nada podia expressar maior reducionismo e esvaziamento do debate científico do que essas expressões, o que é preocupante no contexto da universidade que se baseia, entre outros, no desenvolvimento da ciência. 

Imbuído de argumentos científicos, devemos enfrentar o debate da formação do professor de educação física, contra as ingerências do sistema CONFEF/CREF. A luta é diversa. A prática social tem demonstrado isso e não podemos fechar os olhos para os fatos.

Portanto, as frentes de luta são mediadas pelo contexto do imediato (estratégia de filiação ao sistema para garantir a atuação e o direito ao trabalho - o que é um absurdo, pagar para trabalhar. Tem lógica isso?); mediato (o debate acadêmico, pautado pelo conhecimento científico, papel da universidade) e o histórico (expressão de um projeto de sociedade em que a fragmentação do conhecimento seja uma lembrança distante).

Esses momentos não devem ser compreendidos como etapismo. Elas se relacionam. O imediato, mediato e histórico têm determinações específicas mas, também, características que se interpenetram. Elas dialogam entre si.

Em um mundo do trabalho cada vez mais complexo, a fragmentação da formação é uma temeridade, além de significar o caminho mais curto para o desemprego ou o emprego precarizado.

Em síntese: a divisão é uma armadilha que nós não podemos aceitar. É um equívoco.

Por isso que, reiterando, esse primeiro de setembro que se aproxima é uma data ímpar para todos os que defendem a formação unificada. Lutemos, então!!!


(As citações presentes no texto fazem parte da cartilha de subsídios aos debates da Campanha Nacional pela revogação das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação em Educação Física (páginas 09 e 10), produzido pela Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física - Gestão 2009-2010)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Venda de anabolizantes

Uma coisa é ser contra a maneira como uma determinada temática é abordada por um programa televiso como, por exemplo, novela. Outra coisa bem diferente é desconhecer os fatos.

Infelizmente, professores de educação física que trabalham em academia vendem drogas anabolizantes para quem quiser consumir no interior do seu local de trabalho e fora dele.

Óbvio que não são todos.

Nenhuma profissão está isenta de mal profissionais. Mas a maneira de enfrentar isso não é simplesmente repudiar o que foi retratado por uma peça da dramaturgia brasileira (em tese é obra de ficção) desconsiderando a realidade.

Sem nenhum critério científico, mas movido apenas por uma curiosidade momentânea, fiz uma "pesquisa" relacionada ao tema "venda de anabolizantes por professores de educação física" no Google e das 11 matérias que apareceram na primeira página, 08 retratavam o fato de professores comercializarem (para dizer o mínimo) drogas anabolizantes.

Essa polêmica que se criou em torno da trama global deve servir para reflexão profunda do nosso papel, ético e estético, frente aos desafios da nossa ação profissional.

Uma sugestão: que tal aproveitar a polêmica e tomando ela como ponto de partida, desenvolver uma pesquisa para investigar mais profundamente esse fato?

domingo, 16 de outubro de 2016

Vida longa para a Educação Física e para o jornalismo

Por João Batista Freire

Professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física e Esporte.
*      *      *

No jornal “Folha de S.Paulo”, o jornalista Marcelo Coelho mostrou-se entusiasmado com a possibilidade de extinção da disciplina Educação Física.

Na proposta de reforma do Ensino Médio, o MEC sugere o término da obrigatoriedade da Educação Física.

As lembranças de aulas de Educação Física quando menino foram traumatizantes para Marcelo Coelho e ele vê com entusiasmo o castigo que essa disciplina faria por merecer.

Fala do assunto como se praticasse uma tardia vingança.

Passei por algo parecido quando fazia Educação Física na escola.

Ao contrário do jornalista, recuperei-me do trauma, formei-me professor e tive a oportunidade de participar da construção de um modo de fazer Educação Física que tornou aquela que ele viveu peça de arqueologia, embora ainda existam, entre os professores dessa disciplina, remanescentes do período das cavernas.

Tive experiências igualmente traumatizantes com a Matemática, aprendi a odiá-la por algum tempo, e nem por isso me manifestaria com júbilo caso ela fosse ameaçada de extinção; quando muito torceria para que, de maneira geral, os professores de Matemática humanizassem sua pedagogia.

Maior trauma sofri, no entanto, com a escola de modo geral.

Menino louco por brincadeiras, trancaram-me em salas de aula, imobilizado em carteiras, sem espaço para me mexer, conversar, rir ou chorar durante anos e anos.

Todos passamos por essa clausura, impedidos que fomos de ser crianças ou adolescentes.

E nem por isso me entusiasmo com a ideia da extinção da escola. Sou educador e trabalho todos os dias por uma Educação Física melhor e por uma escola melhor.

​O texto do aclamado jornalista Marcelo Coelho, de quem sou leitor e a quem muito respeito, seria menos grave não fosse ele o formador de opinião que é.

Deveria ter consultado pessoas confiáveis da área antes de escrever o que escreveu.

Testemunhei, ao longo de minha vida, reportagens catastróficas, indignei-me com manchetes de tablóides, mas não me aventuraria a sugerir medidas para o jornalismo antes de consultar os bons jornalistas. ​Não é de hoje que a Educação Física é ameaçada.

Até porque essa negação vai além da Educação Física.

Durante doze anos de escolaridade, crianças e adolescentes são encarceradas em espaços reduzidos de meio metro quadrado, quatro horas por dia, duzentos dias por ano, num total de 9600 horas de seus melhores anos de vida.

Isso é exclusão, numa época em que tanto se fala em inclusão. 

Exclusão do corpo. O corpo não pode ter vez na escola, porque ele nos amedronta, ele cede aos vícios, ele se degrada, ele morre, e não queremos esse destino para nós.

Mas ele também é a fonte da felicidade; daí a ansiedade das crianças para sair da sala e ir para a aula de Educação Física.

O medo do fim nos leva a negar o corpo, é preciso fazer de conta que ele é uma outra entidade diferente de nós.

Mas isso não é possível. Não podemos nos livrar do corpo, porque seria o mesmo que nos livrarmos de nós mesmos. O corpo somos nós, enquanto perdurar esta vida. E uma criança não pode viver como se não fosse corpo, como se não fosse criança.

Assim como um adolescente, exatamente num período de vida de tão grandes transformações físicas, não pode viver negando que é corpo. É disso que se trata. Queremos fazer de conta que poderemos nos livrar do corpo para sobreviver ao seu suposto destino final. ​Marcelo Coelho alinha-se a essa ideia quando afirma seu entusiasmo pela extinção da Educação Física.

Antes, ele deveria conhecer o que foi construído em nossa área dos anos 1980 para cá. E até mesmo antes disso, se estudasse os belos trabalhos de nossos pioneiros Inezil Pena Marinho, Fernando Azevedo, Oswaldo Diniz ou Alfredo Colombo.

Não se trata, saiba o ilustre jornalista, de ser o esporte ou as brincadeiras os conteúdos mais ou menos adequados. Trata-se de projetos educacionais, de projetos de vida, que carecem de sentido sem a orientação do método adequado ou de uma pedagogia humanizante. Pena ele não ter nos perguntado antes de se entusiasmar com nossa extinção. Teríamos carradas de exemplos de uma Educação Física que ele não teve a felicidade de conhecer.

​O espaço é pequeno para indicar trabalhos notáveis feitos atualmente por professores e professoras extremamente competentes. Poderíamos descrever projetos muito bons que tornam nossos alunos adolescentes protagonistas de projetos para atuar com a dança, com os esportes na natureza, com esportes radicais, com o conhecimento do próprio corpo, com os primeiros socorros e cuidados com a saúde, com as discussões de gênero, com as drogas, o racismo e a homofobia.

Há uma vasta cultura de jogos e exercícios, o que inclui o esporte, a dança, as lutas, o circo, as ginásticas, as brincadeiras populares, entre tantas manifestações do exercício e do lúdico, que nossos jovens precisam aprender a praticar e a compreender, o que jamais será feito caso seja decretada nossa extinção.

​Marcelo Coelho exultou com nosso fim. Nós, ao contrário, queremos para ele vida longa, pois precisamos, mais que nunca, de seu bom jornalismo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Reforma Ensino Médio

Mesmo correndo o risco de uma interpretação reducionista sobre a função social da Educação Física no âmbito da escola, penso que a imagem abaixo retrata, em parte, a contradição da Medida Provisória sobre a reforma do Ensino Médio apresentada pelo governo golpista do senhor Michael Temer.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Dia do profissional de educação física?

Todo professor é um profissional. Mas nem todo profissional é um professor. Obrigado pelo carinho de vocês mas, por favor, esperem o próximo dia 15 de Outubro para me parabenizar.

domingo, 31 de julho de 2016

Educação Física Escolar

A escolha do Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 reacendeu um debate muito antigo - embora um tanto quanto adormecido ultimamente - entre os professores de educação física no Brasil e que diz respeito ao papel tanto do professor quanto do esporte no interior das instituições de ensino, principalmente, nas escolas públicas.

Entra Olimpíadas, saem Olimpíadas, os freqüentes fracassos brasileiro nas mesmas são sempre justificados em função da precariedade com que se desenvolvem as aulas de educação física nas escolas. Professores desmotivados, escolas sem estruturas, alunos e alunas evadindo-se das aulas, falta de material esportivo, são os motivos mais comuns arrolados por todos os que pensam o esporte olímpico e enxergam a escola como a base da pirâmide esportiva.

Os que têm uma visão esportivizante da educação física consideram o professor como um técnico, os alunos como atletas e as escolas como espaço de detecção de talentos. Nesse sentido o esporte deve ser massificado nas escolas, os alunos devem ser encorajados a participarem das aulas, ou melhor, dos treinos, e aos professores cabem, com o olhar clínico que lhe é nato, perceber as habilidades técnicas dos seus alunos, alçando-os à condição de atletas da escola.

O professor de educação física será reconhecido como bom, pelo número de troféus que ele conseguir para a escola e quanto mais medalhas conseguir colocar no peito dos agora atletas escolares.

A escola será a instituição principal da pirâmide esportiva, será aquela instituição que ficará na base da pirâmide, sustentando o processo de detecção dos possíveis talentos esportivos, daqueles sujeitos que, um dia, brindará o país com medalhas olímpicas, de preferência, de ouro.

Alguns depoimentos colhidos aleatoriamente em alguns sítios ligados ao esporte expressam, por parte de alguns, a função da educação física escolar. Vejamos:

"(...) em se tratando de base, de lapidação (...) tem que partir da escola de "Ensino Fundamental"

"Eu nao sei nem pra que uma Escola Tecnica possui uma piscina "semi-olimpica", ja que sendo "técnica" nao é de sua responsabilidade nenhuma prática esportiva de competição e muito menos de aprendizado (Educacao fisica)...Esse tipo de ensinamento e capacitação, se fosse bem organizado, partiria do Ensino Fundamental, onde as crianças podem ser avaliadas como futuros atletas em potencial..."

"Bem, meu ponto de vista é o seguinte: Se o MEC, funcionasse como se deve, e de novo a velha reclamacao em relacao a eficiência do "esporte nas escolas de base", nao precisaria de "Ministério dos Esportes"..Sendo que a seunda etapa ficaria a cargo do COB e das federacoes esportivas...Apareceriam muito mais jovens atletas em potencial, que poderiam ser aproveitados pelos clubes e academias e suas respectivas federacoes...Ou seja, trabalhando a Escola na base, os clubes teriam que se preocupar só com o alto nível..."

Se tivermos um fracasso retumbante nos Jogos Olímpicos que se aproximam, não tenho dúvida alguma de que esses argumentos aparecerão com mais força ainda nos discursos dos dirigentes esportivos.

Não obstante, isso não pode fazer com que nós, professores e professoras, preocupados com a formação humana, se deixe levar por esse debate que mais restringe do que amplia o nosso papel no âmbito escolar. Inclusive, penso que o mesmo deva ser incorporado nas nossas aulas, para que os alunos e alunas tomem consciência do sentido e do significado que é sediar os Jogos Olímpicos e, também, os paraolímpicos, na dimensão social, política e cultural do país.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Frisbee e a educação física escolar

O nosso blog tem o prazer de apresentar para você, leitor, um texto sobre uma modalidade esportiva que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Trata-se do Frisbee. E já apresentamos o mesmo através de uma vivência concreta, o festival ocorrido na cidade de Vitória da Conquista.

Para tanto, estamos contando com dois valorosos professores que procuram difundir essa prática em todos os cantos, principalmente no âmbito escolar, através da disciplina Educação Física. São eles: Alan de Aquino Rocha e Patrícia Schettine Paiva Rocha.

Alan é licenciado em Educação Física pela UFBa, especialista em Educação Física Escolar pela UNEB e mestre em Educação também pela UFBa, além de ser professor da Rede Estadual e da Universidade Estadual da Bahia.

A professora Patrícia também é licenciada em Educação Física pela UFBa, especialista em Educação Física Escolar e professora da Rede Estadual da Bahia.

O Esporte em Rede agradece aos professores a participação e coloca-se como um espaço aberto para mais contribuições sobre esta ou outra temática ligada a área.

Vamos ao texto.






O I Conquista Frisbee, nasceu como empreendimento do trabalho realizado em nossas aulas de Educação Física no Instituto de Educação Euclides Dantas, escola da rede estadual, no município de Vitória da Conquista, a partir do ensino de uma modalidade esportiva pouco conhecida no Brasil, o Ultimate Frisbee.

Trata-se de uma modalidade criada nos Estados Unidos, com milhares de praticantes em várias partes do mundo, porém pouco difundida no Brasil, concentrando-se, sobretudo, em São Paulo e em algumas cidades do interior paulista.

Encontramos nesta modalidade valores muito interessantes que coadunam com nossos objetivos para a Educação Física Escolar, sendo eles:

a) Tem a ludicidade permeando todo tempo sua prática;

b) Vai de encontro à monocultura do futebol, no sentido em que enfatiza a aquisição de habilidades com as mãos;

c) Valoriza a participação feminina, praticamente “igualando” a possibilidade de participação conjunta entre homens e mulheres;

d) Não necessita de arbitragem: todas as questões quanto à aplicação das regras, são discutidas e resolvidas entre os jogadores no momento em que jogam;

e) Nos torneios, prevê uma premiação da equipe que melhor expressou “espírito de grupo”. E o detalhe: ao final de cada jogo, uma equipe avalia a outra com base neste critério.

Nosso festival buscou enaltecer esses valores. Acreditamos ter logrado êxito, na medida em que envolvemos mais de 200 estudantes dos ensinos fundamental e médio, indo além dos “muros da escola”. Temos a pretensão de que este evento siga, envolvendo mais escolas do nosso município.

Acreditamos que iniciativas como esta, contribuem sobremaneira para a legitimação da Educação Física no âmbito escolar.

Para maiores informações sobre o Ultimate Frisbee, indicamos o site da Federação Paulista de Ultimate Frisbee:

E nossa página do Facebook:

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Protesto em Amargosa


Os estudantes do campus de Amargosa tiveram um final de janeiro agitado, organizando diversas manifestações contra o atraso das obras relacionadas a expansão do campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Segundo a "placa de obras" (foto), os laboratórios deveriam ficar prontos em junho do ano passado. Até o momento, nenhum deles foi finalizado.

A gravidade da situação pode ser sentida quando observamos o que vem ocorrendo com o curso de Educação Física. As obras, relacionadas a construção do complexo esportivo, um espaço que também atenderia toda a comunidade universitária e potencializaria atividades extensionistas, deveriam ficar prontas em 2012.

Foto cedida pelo professor via Facebook
Segundo o professor David Romão "Os professores e estudantes de educação física da UFRB realizaram ato e seminário para discutir o funcionamento do curso e enfrentar os problemas de infraestrutura".

O Complexo Esportivo de Formação de Professores deveria ter sido inaugurado no final do mês de janeiro último, mas, infelizmente, em seu lugar, só o "esqueleto" do serviço inicial que não impediu que professores e estudantes, conscientes dos seus direitos como cidadãos, fizessem uma inauguração simbólica em forma de protesto, realizando diversas "atividades esportivas", expressando seus desejos de que ali, possam, muito em breve, concretizá-las plenamente com materiais e equipamentos adequados ao desenvolvimento da cultura corporal.

Montagem a partir de fotos cedidas pelo professor David Romão

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Contextualização

Copa América sendo realizada no Chile. Uma excelente oportunidade para o professor de educação física, ao organizar sua aula, abordar o tema da ditadura civil-militar que ocorreu na América Latina e como o futebol, por exemplo, participou desse processo.

Sem esquecer, obviamente, do atual momento em que vive essa modalidade esportiva no mundo.

Enfim. O que não falta é elemento para contextualizar a aula para além dos aspectos táticos e técnicos, que também são importantes, da dimensão esportiva.

sábado, 2 de maio de 2015

Estética


Como perguntar não ofende: de que estética se fala no âmbito da educação física/ciências do esporte?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Competência profissional

Nas idas e vindas do raciocínio, quando da exposição do conteúdo em sala, assuntos aparentemente desconexos surgem, procurando fazer parte do momento pedagógico da contextualização.

Na aula de história, dizia que embora a Educação Física se colocasse como uma área da saúde, a sua perspectiva sobre o tema ainda era, hegemonicamente, centralizada no indivíduo e o exercício físico, além de "receita e remédio para os males da sociedade", assumia um caráter utilitário, funcionalista, objetivando a promoção e o desenvolvimento “normal” da sociedade, assumindo uma visão conservadora, típica dos tratados higienistas e eugenistas do século XVIII. E arrematava: NÓS NÃO ESTAMOS NO SÉCULO XVIII. ESTAMOS EM PLENO SÉCULO XXI, e problemas sérios de saúde pública afetam a população brasileira e nós, o que estamos fazendo? Discutindo a importância do galho seco na reprodução dos macacos.

Isso foi na aula de história, pela manhã. Na parte da tarde, na disciplina de Introdução ao Trabalho Científico eis que surge, mais uma vez, a preocupação por parte dos acadêmicos, sobre sua formação e a necessidade de inclusão, no currículo de novas disciplinas. Entre elas, a BIOMECÂNICA.



De maneira alguma, estou querendo negar essa necessidade. Não tenho base concreta para isso. Mas disse aos estudantes que se eles consideravam importante a inclusão de qualquer disciplina, que demonstrassem cientificamente essa importância. Se, com base no desejo particular, interesses singulares, o curso começasse a mexer na matriz curricular, onde iríamos parar?

Nesse ínterim, suponho que está em jogo, por parte do alunado, a preocupação com a sua competência técnica. Algo extremamente importante. No entanto, se apartamos esta do debate sobre o compromisso político da formação de professores, estaremos reforçando a hegemonia dos que entendem a Educação Física, enquanto uma área do conhecimento, como mais um aríete a reforçar a visão oitocentista.

Precisamos ter muito cuidado com este processo. Citando uma antiga referência diria, para início de conversa, que devemos procurar desenvolver um movimento simétrico entre a competência técnica e o compromisso político.

Eis o desafio que está posto e ele não é novo.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ensino do esporte pelo sistema de complexo

No dia 17 deste, estarei na Universidade Federal de Sergipe, participando de uma banca de defesa de dissertação do mestrando Luis Henrique Silva de Araújo.

O tema do trabalho é A Organização do Ensino do Conteúdo Esporte a partir do Sistema de Complexos: um estudo de caso com base no PIBID/UFAL.

O trabalho objetiva analisar a possibilidade do sistema de complexos orientar a apropriação do conteúdo esporte nas aulas de educação física, especificamente o atletismo, no sentido de contribuir para ampliar os aspectos da formação humana dos alunos e alunas da rede pública de ensino.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Tecnologia, educação física e o ensino do esporte

Aproveitem a campanha de lançamento do nosso livro que a Editora Appris está realizando e compre com desconto até o dia 20/12.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Tecnologia e Educação Física

Já se encontra disponível no site da Editora Appris, o livro de nossa autoria. As reflexões presentes neste livro inovam na contextualização da abordagem sobre as tecnologias da informação e comunicação, a educação física e o ensino do esporte, apresentando um conteúdo problematizador sem se furtar ao desafio propositivo, objetivando a necessária tarefa de emancipação humana.

Interessado em adquirir o livro? Clique aqui.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

15 de outubro: dia do professor

Imagem e texto retirado do site do MNCR
O Movimento Nacional contra a Regulamentação do Profissional de Educação Física (MNCR) parabeniza todos os professores e professoras que lutam cotidianamente por uma educação transformadora.


O MNCR, desde o seu surgimento, vem defendendo o direito ao trabalho dos professores e professoras de Educação Física em todo o país, lutando pela regulamentação do trabalho. Para auxiliar os professores e professoras, ao longo destes 15 anos de existência, vem produzindo materiais que possibilitam aos trabalhadores da Educação Física compreender a não necessidade do Sistema CONFEF/CREF. Neste sentido, o MNCR lançou, no ano de 2013, a Campanha Nacional Pelo direito ao trabalho dos professores e professoras de Educação Física, que busca apontar as ingerências do Sistema CONFEF/CREF e dar subsídios para a luta dos professores e professoras de Educação Física contra este Conselho. Mas, mais do que isto, a campanha visa ampliar o debate sobre a formação e a atuação dos professores de Educação Física, com o objetivo de promover uma qualificação no âmbito da formação acadêmica, onde não mais haja a fragmentação do curso (bacharelado e licenciatura).

Ressaltamos a importância do dia 15 de outubro, em especial, para nós, professores e professoras de Educação Física, pois esse recupera o sentido da luta da data e também porque se contrapõe ao dia 1.º de setembro – data que o conselho profissional (CONFEF/CREF) tenta impor a esses trabalhadores e trabalhadoras como sendo o seu dia, este Conselho que ataca os trabalhadores da cultura corporal, impõe a necessidade de fragmentar a formação e em nada contribui para a luta por melhores condições aos trabalhadores da Educação Física.

O MNCR parabeniza a todos os professores e professoras pelo seu dia!

Força na Luta, que a luta é para vencer, sempre!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

15 de outubro

Todo professor é um profissional, mas nem todo profissional é um professor. Portanto, agradeço de coração a gentileza de todos que me parabenizaram pelo dia 01 de setembro. Mas gostaria de reafirmar nesse espaço que a "minha" data é 15 de outubro.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Artigo na "Em aberto"

Após um ano do seu lançamento, recebi hoje na minha residência três exemplares do número 89 da revista "Em aberto".

Segundo o site do periódico, o mesmo tem a finalidade de "(...) estimular e promover a discussão de questões atuais e relevantes da educação brasileira, trazendo opiniões divergentes ou confrontos de pontos de vista".

A temática deste número girou em torno dos megaeventos esportivos e suas implicações no âmbito da educação física escolar.

Estamos presentes junto com a professora Celi Taffarel e o professor Cláudio de Lira Santos Júnior, ambos da Universidade Federal da Bahia, discorrendo sobre o tema: "Megaeventos esportivos: determinações da economia política, implicações didático-pedagógicas e rumos da formação humana nas aulas de Educação Física".

Todos os números, incluindo o mencionado (vol. 26, No 89, 2013), podem ser acessados clicando aqui.

Boa leitura.