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domingo, 16 de outubro de 2016

Vida longa para a Educação Física e para o jornalismo

Por João Batista Freire

Professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física e Esporte.
*      *      *

No jornal “Folha de S.Paulo”, o jornalista Marcelo Coelho mostrou-se entusiasmado com a possibilidade de extinção da disciplina Educação Física.

Na proposta de reforma do Ensino Médio, o MEC sugere o término da obrigatoriedade da Educação Física.

As lembranças de aulas de Educação Física quando menino foram traumatizantes para Marcelo Coelho e ele vê com entusiasmo o castigo que essa disciplina faria por merecer.

Fala do assunto como se praticasse uma tardia vingança.

Passei por algo parecido quando fazia Educação Física na escola.

Ao contrário do jornalista, recuperei-me do trauma, formei-me professor e tive a oportunidade de participar da construção de um modo de fazer Educação Física que tornou aquela que ele viveu peça de arqueologia, embora ainda existam, entre os professores dessa disciplina, remanescentes do período das cavernas.

Tive experiências igualmente traumatizantes com a Matemática, aprendi a odiá-la por algum tempo, e nem por isso me manifestaria com júbilo caso ela fosse ameaçada de extinção; quando muito torceria para que, de maneira geral, os professores de Matemática humanizassem sua pedagogia.

Maior trauma sofri, no entanto, com a escola de modo geral.

Menino louco por brincadeiras, trancaram-me em salas de aula, imobilizado em carteiras, sem espaço para me mexer, conversar, rir ou chorar durante anos e anos.

Todos passamos por essa clausura, impedidos que fomos de ser crianças ou adolescentes.

E nem por isso me entusiasmo com a ideia da extinção da escola. Sou educador e trabalho todos os dias por uma Educação Física melhor e por uma escola melhor.

​O texto do aclamado jornalista Marcelo Coelho, de quem sou leitor e a quem muito respeito, seria menos grave não fosse ele o formador de opinião que é.

Deveria ter consultado pessoas confiáveis da área antes de escrever o que escreveu.

Testemunhei, ao longo de minha vida, reportagens catastróficas, indignei-me com manchetes de tablóides, mas não me aventuraria a sugerir medidas para o jornalismo antes de consultar os bons jornalistas. ​Não é de hoje que a Educação Física é ameaçada.

Até porque essa negação vai além da Educação Física.

Durante doze anos de escolaridade, crianças e adolescentes são encarceradas em espaços reduzidos de meio metro quadrado, quatro horas por dia, duzentos dias por ano, num total de 9600 horas de seus melhores anos de vida.

Isso é exclusão, numa época em que tanto se fala em inclusão. 

Exclusão do corpo. O corpo não pode ter vez na escola, porque ele nos amedronta, ele cede aos vícios, ele se degrada, ele morre, e não queremos esse destino para nós.

Mas ele também é a fonte da felicidade; daí a ansiedade das crianças para sair da sala e ir para a aula de Educação Física.

O medo do fim nos leva a negar o corpo, é preciso fazer de conta que ele é uma outra entidade diferente de nós.

Mas isso não é possível. Não podemos nos livrar do corpo, porque seria o mesmo que nos livrarmos de nós mesmos. O corpo somos nós, enquanto perdurar esta vida. E uma criança não pode viver como se não fosse corpo, como se não fosse criança.

Assim como um adolescente, exatamente num período de vida de tão grandes transformações físicas, não pode viver negando que é corpo. É disso que se trata. Queremos fazer de conta que poderemos nos livrar do corpo para sobreviver ao seu suposto destino final. ​Marcelo Coelho alinha-se a essa ideia quando afirma seu entusiasmo pela extinção da Educação Física.

Antes, ele deveria conhecer o que foi construído em nossa área dos anos 1980 para cá. E até mesmo antes disso, se estudasse os belos trabalhos de nossos pioneiros Inezil Pena Marinho, Fernando Azevedo, Oswaldo Diniz ou Alfredo Colombo.

Não se trata, saiba o ilustre jornalista, de ser o esporte ou as brincadeiras os conteúdos mais ou menos adequados. Trata-se de projetos educacionais, de projetos de vida, que carecem de sentido sem a orientação do método adequado ou de uma pedagogia humanizante. Pena ele não ter nos perguntado antes de se entusiasmar com nossa extinção. Teríamos carradas de exemplos de uma Educação Física que ele não teve a felicidade de conhecer.

​O espaço é pequeno para indicar trabalhos notáveis feitos atualmente por professores e professoras extremamente competentes. Poderíamos descrever projetos muito bons que tornam nossos alunos adolescentes protagonistas de projetos para atuar com a dança, com os esportes na natureza, com esportes radicais, com o conhecimento do próprio corpo, com os primeiros socorros e cuidados com a saúde, com as discussões de gênero, com as drogas, o racismo e a homofobia.

Há uma vasta cultura de jogos e exercícios, o que inclui o esporte, a dança, as lutas, o circo, as ginásticas, as brincadeiras populares, entre tantas manifestações do exercício e do lúdico, que nossos jovens precisam aprender a praticar e a compreender, o que jamais será feito caso seja decretada nossa extinção.

​Marcelo Coelho exultou com nosso fim. Nós, ao contrário, queremos para ele vida longa, pois precisamos, mais que nunca, de seu bom jornalismo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Escola sem partido

Professor. O que é essa tal escola sem partido?

Silêncio.

Professor?

Oi.

O senhor ouviu o que lhe perguntei?

Sim, ouvi.

Então, por favor, me responda: o que é essa tal escola sem partido?

Silêncio.

Aff...fala sério, professor. O senhor vai me responder ou não?

Eu já estou lhe respondendo.

Como?

A escola sem partido é isso.

É isso o quê?

Silêncio.

domingo, 31 de julho de 2016

Educação Física Escolar

A escolha do Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 reacendeu um debate muito antigo - embora um tanto quanto adormecido ultimamente - entre os professores de educação física no Brasil e que diz respeito ao papel tanto do professor quanto do esporte no interior das instituições de ensino, principalmente, nas escolas públicas.

Entra Olimpíadas, saem Olimpíadas, os freqüentes fracassos brasileiro nas mesmas são sempre justificados em função da precariedade com que se desenvolvem as aulas de educação física nas escolas. Professores desmotivados, escolas sem estruturas, alunos e alunas evadindo-se das aulas, falta de material esportivo, são os motivos mais comuns arrolados por todos os que pensam o esporte olímpico e enxergam a escola como a base da pirâmide esportiva.

Os que têm uma visão esportivizante da educação física consideram o professor como um técnico, os alunos como atletas e as escolas como espaço de detecção de talentos. Nesse sentido o esporte deve ser massificado nas escolas, os alunos devem ser encorajados a participarem das aulas, ou melhor, dos treinos, e aos professores cabem, com o olhar clínico que lhe é nato, perceber as habilidades técnicas dos seus alunos, alçando-os à condição de atletas da escola.

O professor de educação física será reconhecido como bom, pelo número de troféus que ele conseguir para a escola e quanto mais medalhas conseguir colocar no peito dos agora atletas escolares.

A escola será a instituição principal da pirâmide esportiva, será aquela instituição que ficará na base da pirâmide, sustentando o processo de detecção dos possíveis talentos esportivos, daqueles sujeitos que, um dia, brindará o país com medalhas olímpicas, de preferência, de ouro.

Alguns depoimentos colhidos aleatoriamente em alguns sítios ligados ao esporte expressam, por parte de alguns, a função da educação física escolar. Vejamos:

"(...) em se tratando de base, de lapidação (...) tem que partir da escola de "Ensino Fundamental"

"Eu nao sei nem pra que uma Escola Tecnica possui uma piscina "semi-olimpica", ja que sendo "técnica" nao é de sua responsabilidade nenhuma prática esportiva de competição e muito menos de aprendizado (Educacao fisica)...Esse tipo de ensinamento e capacitação, se fosse bem organizado, partiria do Ensino Fundamental, onde as crianças podem ser avaliadas como futuros atletas em potencial..."

"Bem, meu ponto de vista é o seguinte: Se o MEC, funcionasse como se deve, e de novo a velha reclamacao em relacao a eficiência do "esporte nas escolas de base", nao precisaria de "Ministério dos Esportes"..Sendo que a seunda etapa ficaria a cargo do COB e das federacoes esportivas...Apareceriam muito mais jovens atletas em potencial, que poderiam ser aproveitados pelos clubes e academias e suas respectivas federacoes...Ou seja, trabalhando a Escola na base, os clubes teriam que se preocupar só com o alto nível..."

Se tivermos um fracasso retumbante nos Jogos Olímpicos que se aproximam, não tenho dúvida alguma de que esses argumentos aparecerão com mais força ainda nos discursos dos dirigentes esportivos.

Não obstante, isso não pode fazer com que nós, professores e professoras, preocupados com a formação humana, se deixe levar por esse debate que mais restringe do que amplia o nosso papel no âmbito escolar. Inclusive, penso que o mesmo deva ser incorporado nas nossas aulas, para que os alunos e alunas tomem consciência do sentido e do significado que é sediar os Jogos Olímpicos e, também, os paraolímpicos, na dimensão social, política e cultural do país.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Frisbee e a educação física escolar

O nosso blog tem o prazer de apresentar para você, leitor, um texto sobre uma modalidade esportiva que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Trata-se do Frisbee. E já apresentamos o mesmo através de uma vivência concreta, o festival ocorrido na cidade de Vitória da Conquista.

Para tanto, estamos contando com dois valorosos professores que procuram difundir essa prática em todos os cantos, principalmente no âmbito escolar, através da disciplina Educação Física. São eles: Alan de Aquino Rocha e Patrícia Schettine Paiva Rocha.

Alan é licenciado em Educação Física pela UFBa, especialista em Educação Física Escolar pela UNEB e mestre em Educação também pela UFBa, além de ser professor da Rede Estadual e da Universidade Estadual da Bahia.

A professora Patrícia também é licenciada em Educação Física pela UFBa, especialista em Educação Física Escolar e professora da Rede Estadual da Bahia.

O Esporte em Rede agradece aos professores a participação e coloca-se como um espaço aberto para mais contribuições sobre esta ou outra temática ligada a área.

Vamos ao texto.






O I Conquista Frisbee, nasceu como empreendimento do trabalho realizado em nossas aulas de Educação Física no Instituto de Educação Euclides Dantas, escola da rede estadual, no município de Vitória da Conquista, a partir do ensino de uma modalidade esportiva pouco conhecida no Brasil, o Ultimate Frisbee.

Trata-se de uma modalidade criada nos Estados Unidos, com milhares de praticantes em várias partes do mundo, porém pouco difundida no Brasil, concentrando-se, sobretudo, em São Paulo e em algumas cidades do interior paulista.

Encontramos nesta modalidade valores muito interessantes que coadunam com nossos objetivos para a Educação Física Escolar, sendo eles:

a) Tem a ludicidade permeando todo tempo sua prática;

b) Vai de encontro à monocultura do futebol, no sentido em que enfatiza a aquisição de habilidades com as mãos;

c) Valoriza a participação feminina, praticamente “igualando” a possibilidade de participação conjunta entre homens e mulheres;

d) Não necessita de arbitragem: todas as questões quanto à aplicação das regras, são discutidas e resolvidas entre os jogadores no momento em que jogam;

e) Nos torneios, prevê uma premiação da equipe que melhor expressou “espírito de grupo”. E o detalhe: ao final de cada jogo, uma equipe avalia a outra com base neste critério.

Nosso festival buscou enaltecer esses valores. Acreditamos ter logrado êxito, na medida em que envolvemos mais de 200 estudantes dos ensinos fundamental e médio, indo além dos “muros da escola”. Temos a pretensão de que este evento siga, envolvendo mais escolas do nosso município.

Acreditamos que iniciativas como esta, contribuem sobremaneira para a legitimação da Educação Física no âmbito escolar.

Para maiores informações sobre o Ultimate Frisbee, indicamos o site da Federação Paulista de Ultimate Frisbee:

E nossa página do Facebook:

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Artigo na "Em aberto"

Após um ano do seu lançamento, recebi hoje na minha residência três exemplares do número 89 da revista "Em aberto".

Segundo o site do periódico, o mesmo tem a finalidade de "(...) estimular e promover a discussão de questões atuais e relevantes da educação brasileira, trazendo opiniões divergentes ou confrontos de pontos de vista".

A temática deste número girou em torno dos megaeventos esportivos e suas implicações no âmbito da educação física escolar.

Estamos presentes junto com a professora Celi Taffarel e o professor Cláudio de Lira Santos Júnior, ambos da Universidade Federal da Bahia, discorrendo sobre o tema: "Megaeventos esportivos: determinações da economia política, implicações didático-pedagógicas e rumos da formação humana nas aulas de Educação Física".

Todos os números, incluindo o mencionado (vol. 26, No 89, 2013), podem ser acessados clicando aqui.

Boa leitura.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Bahia orfã

Em dezembro último, um grande portal de notícias veiculou uma matéria que para nós baianos não é nenhuma novidade. Dizia que a cidade de Salvador com a implosão da Fonte Nova ficou órfã de ginásio, piscina e pista de atletismo.

Acrescento que ficou também com menos "educação", já que nas dependências do estádio também funcionava o Colégio Estadual da Fonte Nova.

Acrescento também que a orfandade em relação às diferentes modalidades esportivas não é uma situação específica de Salvador. Todo o estado sofre com este fenômeno.

Nos 460 quilômetros que separam a capital baiana da cidade de Itabuna, por exemplo, constatamos alguns campos de futebol estragados onde crianças, jovens e adultos praticam o seu "babinha" em condições para lá de precárias.

Torneios existem e podem ser observados nos finais de semana, principalmente nos domingos, graças as iniciativas e protagonismos dos seus moradores e da circunvizinhança, já que o poder público passa ao largo quando o assunto é democratização do esporte.

A mesma Bahia que se orgulha de ter entregue a primeira "arena" para a Copa do Mundo de 2014 que se ergueu das cinzas do antigo estádio, totalmente implodido (portanto uma "arena" construída do zero), é aquela que se arrasta desde 2010, para construir espaços públicos que permitam a prática de esportes para a população nas suas mais diferentes faixas etárias.

A Bahia está orfã. Não apenas Salvador. E sua orfandade não se resume às estruturas esportivas, mas a própria política pública de esporte e lazer.

domingo, 1 de setembro de 2013

Everaldo Cardoso Silva pode ser, mais uma vez, homenageado.

Foto retirada do site jornalsportnews.blogspot.com.br

Everaldo Cardoso Silva (foto), sergipano legítimo da cidade de Santa Luzia, que abraçou a cidade de Itabuna com muito amor, desbravada por um conterrâneo seu de nome Firmino Alves, dedicou mais da metade de sua vida de 72 anos, à educação e à política.

Secretário de Educação do município por dez anos, professor de inglês, francês, português e educação física, também foi vereador e presidente da câmara, tendo atuações reconhecidamente destacadas em todos os âmbitos da sua intervenção humana.

Em função do seu histórico como homem público, tenho neste momento o prazer de informar que o seu nome está sendo proposto, pelo vereador Ailson Souza (PRTB), para nominar a Vila Olímpica de Itabuna. Segundo o vereador, justifica-se esta homenagem "(...) por sua história e contribuição ao desporto escolar".

Já tendo o seu nome eternizado na memória e história da cidade por outras inúmeras homenagens recebidas, como é o caso do Grupo Escolar localizada no bairro São Caetano que leva também o seu nome - Professor Everaldo Cardoso - a comunidade grapiúna espera com ansiedade mais esta justa homenagem.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Atleta na Escola


O governo da República Federativa do Brasil criou mais um programa direcionado aos megaeventos que ocorrerão no país. Trata-se do Programa Atleta na Escola.

O projeto tem como objetivos principais 1) a democratização e 2) o incentivo a prática esportiva no interior da escola.

Partindo do princípio de que o Brasil é um país de talentos e para que os mesmos apareçam é necessário incentivar sua prática, raciocínio explícito em uma das suas peças de propaganda, fica fácil deduzir que os inocentes objetivos enumerados acima estão, na verdade, atrelados à procura dos tão sonhados e necessários (para os propósitos de transformar o Brasil em uma potência olímpica), atletas olímpicos em potencial.

Não por acaso, a peça publicitária trás a figura da conhecida medalhista olímpica no salto em distância, Maurren Maggi. Ela, apoia a iniciativa. Nenhuma surpresa.

No entendimento deste humilde blogueiro, o presente programa, que, insisto, visa a formação de atletas de alto rendimento nos locais de estudo, leia-se ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS, desenvolvido pelo Ministério do Esporte e da Educação, é a continuação da desestruturação do papel da escola, principalmente a pública, naquilo que deveria ser a sua função precípua: o desenvolvimento das funções psicológicas superiores dos seus educandos.

Se situarmos o programa, no contexto específico da disciplina educação física, é a negação, pura, simples e intencional, do acúmulo teórico e prático desta, que vem sendo desenvolvido desde a década de oitenta do século passado.

A escola, agora oficialmente, "volta" a ser um centro de treinamento, tal como nos idos da década de 60/70, para desenvolver o cidadão atleta e o professor de educação física, retoma o seu lugar de técnico esportivo. Resta indagar sobre qual a escola pública que potencializará esse intento, já que as mesmas encontram-se sucateadas, para dizer o mínimo.

Mas isso é o Brasil. A ferro e fogo, muda-se uma coisa aqui, outra ali sem pensar no acúmulo desta ou daquela área, deste ou daquele setor. As proposições pedagógicas da educação física e da educação, que tem uma outra concepção de escola e formação humana, são desconsideradas. Nada importa. O que vale são os programas em si e a demonstração de que o governo está trabalhando. Mas para quem e sobre que interesses?

É a república, com letra minúscula mesmo, não mais federativa, mas de um feudo representativo dos interesses do capital, de um brasil que insiste em não exercitar a democracia.

O programa Atleta na Escola, tal como concebido, é o retorno, especificamente para a educação física, ao passado mais atrasado. É a materialização da concepção dos nossos ministros da educação e do esporte sobre a escola: um espaço onde cabe tudo. Menos o necessário.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Absurdo

País sem escola, sem saúde, sem transporte, sem casa, sem esgoto vai gastar bilhões em Copa e Olimpíadas. Absurdo!!! (Alberto Murray Neto)

sábado, 23 de março de 2013

Educação sem escola

Está em curso mais um capítulo do que convencionamos chamar de "desvalorização e esvaziamento do trabalho do professor", fenômeno que a professora Marilda Gonçalves Dias Facci nos ajuda a compreender em sua obra VALORIZAÇÃO OU ESVAZIAMENTO DO TRABALHO DO PROFESSOR? UM ESTUDO CRÍTICO-COMPARATIVO DA TEORIA DO PROFESSOR REFLEXIVO, DO CONSTRUTIVISMO E DA PSICOLOGIA VIGOTSKIANA, lançada em 2004 pela editora Autores Associados.

Lembrei-me do livro quando li uma entrevista de um pesquisador da USP, o senhor Danilo Alexandre Ferreira de Camargo, mestre em educação e que em entrevista ao site do UOL observa que "é possível fazer educação com qualidade sem escola" e levanta o questionamento: "por que temos tanta dificuldade em imaginar uma educação sem escola?".

Não tenho espaço aqui para comentar toda entrevista. Quem tiver interesse em lê-la na íntegra, pode clicar aqui, tirando suas próprias conclusões. Meu interesse é bem mais modesto. Apenas socializar uma relação que fiz ao ler a entrevista.

Primeiro, a entrevista me remeteu ao programa "Amigo da Escola". Há tempo o mesmo vem "impactando" a educação com o seu discurso voluntarista. Tem tempo de folga? Sabe alguma coisa sobre algo? Por que não incluir isso no currículo da escola? Sabe capoeira? Procure levar isso para a escola do seu bairro e preencha o tempo pedagógico com esta atividade lúdica. É bom em matemática? Português? Por que não adentra o espaço escolar e ajuda os alunos a aprenderem um pouquinho mais?

Depois, lembrei de uma recente matéria que saiu no Fantástico: o show da vida. Nela, houve uma abordagem sobre a opção de alguns pais de ensinarem os seus próprio filhos em casa. Nada de irem para a escola. Em casa eles aprenderiam mais e melhor. De quebra, teriam a vigilância da mãe e ou do pai. Exemplos foram mostrados, opiniões foram colhidas e comparações com outros países que já adotam esta prática foram feitas. Tudo sendo abordado da maneira mais asséptica e "isenta" possível.

E por fim, esta entrevista. Obviamente que devem existir muito mais exemplos que demonstram o que disse ao abrir este texto: está em curso mais um capítulo da desvalorização, do esvaziamento não só do professor mas, também, da escola. Este fenômeno se desdobra e ao mesmo tempo é materialidade de uma outra e mesma ponta do problema: as inflexões pós-modernas sobre o conhecimento científico no interior da escola.

Mas isso é assunto para outra postagem.

domingo, 19 de agosto de 2012

Esporte e escola

A participação do Brasil na última Olimpíada, em Londres, reforçou a defesa da importância do esporte trabalhado na escola como um elemento central para o sucesso do país em 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

A ideia central é massificar a prática esportiva no interior das escolas, principalmente as públicas, com o intuito de identificar potenciais atletas olímpicos. De repente, todos os dirigentes esportivos do país identificaram que o problema do Brasil, em relação ao esporte olímpico, está na escola.

Com isso, temos um debate rico pela frente. Como atender a esta expectativa, sem perder de vista tudo o que já se acumulou teórica e praticamente no campo da organização do trabalho pedagógico do professor de educação física frente à cultura corporal? Como atender esta expectativa sem fazer da escola um clube de celeiros de atletas?  Como atender a esta expectativa sem comprometer a função social da escola? Por fim...precisamos mesmo atender a esta expectativa?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Gincana?

No momento em que sento para transcrever um fichamento para guardar em uma pasta no meu computador, eis que ouço gritos de uma animadora tradicional que fala ao microfone, em uma das escolas que se situa na rua onde moro (fico aqui também imaginando como devem está os tímpanos dos meninos e meninas neste momento) dizendo a seguinte frase: "cadê o grito de guerra da equipe amarela? Cadê o grito de guerra da equipe vermelha? Cadê o grito de guerra da equipe verde? Cadê o grito de guerra da equipe azul?

Fico me questionando. Será que a animadora (?) não poderia perguntar simplesmente: cadê o grito da equipe tal, tal e tal? Tem mesmo que colocar o "guerra" na frase? É isso mesmo que eles vão fazer na escola? Guerrear? Será que não se trata de uma simples gincana?

Bem. Por via das dúvidas, deixe eu sair daqui. Vai que ao invés da fala, ou melhor, dos gritos da suposta animadora, o que me chegue aos ouvidos seja uma bala perdida? Tô fora!!!


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Licenciado pode trabalhar em ambientes não-escolares

Profissionais de educação física, graduados em curso de licenciatura, estavam impedidos de obter a carteira profissional plena, para atuação também em academias e clubes, por conta de uma limitação imposta pelos Conselhos Federal e Regional de Educação Física.

Qualquer profissional de educação física na Bahia, incluindo os graduados em curso de licenciatura e não apenas de bacharelado, pode exercer suas atividades em ambientes não escolares a exemplo de academias de ginástica, clubes, espaços de lazer, de recreação e de práticas desportivas.

Trata-se de uma liminar da 10ª Vara da Justiça Federal na Bahia, que impede que o Conselho Regional de Educação Física da 13ª Região (Cref13/BA-SE) continue limitando que profissionais de educação física, graduados em curso de licenciatura, atuem apenas nas salas de aula.

A decisão, que é válida desde fevereiro último para todo o estado da Bahia, é resultado de uma ação civil pública proposta pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) contra os Conselhos Federal e Regional de Educação Física.

Com a decisão, o Cref13/BA-SE não poderá realizar qualquer prática que restrinja a área de atuação desses profissionais, a exemplo da aposição da frase “Atuação Educação Básica” no anverso da carteira profissional dos graduados em curso de licenciatura.

A limitação foi imposta pelo Conselho Federal de Educação Física (Confef) por meio das Resoluções nºs 182/2009 e 112/2005. De acordo com essas normas, as carteiras profissionais seriam expedidas em conformidade com a formação acadêmica do graduado, com a existência de um campo específico para distinguir a atuação profissional.

(Retirado do Blog Políticos do Sul da Baiha)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A escola e o legado esportivo

No mês de dezembro último, a revista do Brasil publicou uma matéria que embora contenha o entendimento questionável, de situar a escola como espaço de formação dos futuros atletas brasileiros, demonstra o quanto ainda temos que caminhar para fazer com que o cidadão, principalmente àqueles em idade escolar, tenha acesso a prática da cultura corporal.

A repórter Cida de Oliveira destaca, logo no início da sua matéria, na página 26, um dado, no mínimo, contraditório para um país sede de dois importantes megaeventos. Nos alerta ela que “No país onde haverá Copa e Olimpíadas, 70% das escolas não possuem quadra, professores suam para conseguir equipamentos e a Educação Física não tem espaço na formação de crianças e adolescentes”.

Essas linhas, que soam como denúncia, traduzem o que há anos vários pesquisadores da educação física/ciências do esporte fazem ecoar em diferentes fóruns da área. O espaço para o ensino da Educação Física na escola é insuficiente para qualquer um dos seus propósitos, independente da abordagem pedagógica definida para o desenvolvimento das suas aulas.

Seja na direção tradicionalmente entendida do ensino da educação física, como momento de desenvolvimento da aptidão física, passando pelas abordagens pedagógicas mais contemporâneas, com influência das ciências humanas e sociais, onde se situam principalmente a crítica-emancipatória e a crítica-superadora, o professor que quiser levar à cabo suas pretensões formativas, terá que se esforçar muito mais do que demanda a sua função docente para vencer a falta de estrutura, espaços e material adequado para suas aulas.

Há casos em que os professores, mesmo com os seus parcos salários, tiram do seu próprio bolso o dinheiro para compra de material pedagógico. Quando não, fazem da sua criatividade, elemento de transformação de cabos de vassoura em bastões, meia e papel em bola de todo tipo e tamanho. “Em Pernambuco, professores e alunos reformam redes velhas, inclusive de pesca, para cestas de basquete, traves de futebol e jogos de vôlei”. (p. 27)

Dados do Censo Escolar, divulgados pelo Ministério da Educação em 2010 e publicado pela reportagem revela a gravidade dos fatos. “72% das escolas de 1ª a 4ª série e 44% das que atendem da 5ª em diante não tem local para aulas de Educação Física. O quadro, que inclui as particulares, é agravado pela carência de cobertura, piso adequado, marcações, bolas, redes, cordas, bastões, traves, colchonetes e demais equipamentos essenciais para as aulas”. (p. 26)

Esta situação é muito pior no norte e nordeste do país, mas os centros mais desenvolvidos economicamente também evidenciam as contradições do país que quer se tornar potência olímpica nos próximos dez anos. Se no “Acre, há quadras em 5% das escolas estaduais de 1ª a 4ª série e em 20% daquelas que atendem a partir da 5ª” (p.27), “Em São Paulo, 20% das unidades estaduais que atendem as quatro séries iniciais não têm infraestrutura adequada”.

Se já não bastassem os problemas infraestruturais elencados, os docentes esbarram em concepções, no mínimo, obtusas de organização do trabalho pedagógico do professor de educação física. O entendimento do governo paulista, por exemplo, traduz bem isso. Para ele, “Os professores não precisam necessariamente estar no ambiente de uma quadra poliesportiva para que o conteúdo de Educação Física seja contemplado. Além das aulas teóricas ministradas em sala de aula, o professor pode levar o aluno a praticar diversas atividades físicas e perceptivas ao redor da escola”. (p. 28 e 29)

As atividades docentes fora da escola são tão fundamentais quanto no seu interior. No entanto, isso não deve ser fator justificador da carência de quadra poliesportiva nas escolas, que é tão necessária para a organização do trabalho pedagógico do professor de educação física, quanto insuficiente, dado o grau de desenvolvimento da disciplina nos últimos anos, que ultrapassa, sobremaneira, os aspectos da “atividade física e perceptivas” dos educandos. Nesse sentido, o “exterior da escola” não deve se resumir ao seu entorno.

Essas situações acabam refletindo na prática dos professores, limitando-a, não permitindo que o processo de democratização, apreensão e ampliação do universo da cultura corporal produzida pela humanidade, traduzida nos jogos, nas danças, nos esportes, na capoeira, nos malabares entre outros, chegue com todas as suas possibilidades e riquezas pedagógicas aos nossos educandos e educandas.

Fico aqui, fazendo minhas, as palavras do professor Roberto Simões, citado na matéria. “Para ele, pouco adianta o propalado legado de infraestrutura que os grandes eventos prometem. O que importa é a construção de um legado socioeducativo, do qual toda a sociedade se aproprie, e não apenas os atletas”. (p. 29).

domingo, 29 de novembro de 2009

Atenção senhores passageiros...

O discurso oficial promovido pelo Ministério dos Esportes é sempre conjuntural. De acordo com a direção do vento, para onde apontar a biruta esportiva, as aeronaves salvacionistas são arremetidas ao céu pretensamente de brigadeiro e a qualquer sinal de pane no sistema, liga-se o piloto automático em busca de um “aeroporto” seguro, quase sempre o quartel de Abrantes, onde tudo fica como antes.

A culpa? Melhor apontar para o lado mais fraco dessa relação. Deixemos com a escola precarizada e com o professor de educação física. São deles todas as culpas possíveis e imagináveis da falência do sistema esportivo. Afinal de contas, professor não é piloto e o espaço escolar não é pista de vôo. Fica então mais fácil de explicar o fracasso.

Então de novo, mais uma vez e novamente, vamos fazer o discurso de que é preciso massificar o esporte, é preciso esporte na escola, é preciso professores com melhores formações, é preciso melhorar a estrutura da escola, é preciso melhorar os equipamentos, os materiais para dá aulas, é preciso, é preciso, é preciso...

Com raríssimas exceções, esse discurso se apresenta após os fracassos esportivos em grandes eventos. Após as Olimpíadas, por exemplo, os resultados ínfimos dos aguerridos atletas brasileiro, são computados, e os resultados, insatisfatórios, são imputados às instituições, deixando de lado, o necessário planejamento e gestão estrutural do esporte nacional, isolando esses elementos, retirando-os do debate, como se os mesmos não fizessem parte da dinâmica dos próprios organismos institucionais em que se imputam às críticas.

Assim como a elite brasileira não tem um projeto de nação, a elite que manda e desmanda nas federações e confederações esportivas onde se perpetuam nas diferentes gestões “monárquicas” também não tem um projeto para o esporte. O pragmatismo, o imediatismo, o aqui e agora são as tônicas das caricaturas de projetos esportivos brasileiros. Quando políticas públicas de incentivos são pensadas, a base é esquecida, e engana-se o povo com os jogos de linguagens utilizados nos projetos.

Pensemos no tal do faz-atleta. Lindo nome. A primeira vista e aos ouvidos dos desavisados, era um projeto para...fazer atletas. Mas o mesmo beneficiava abundantemente, os atletas já feitos. Ironia? Não, apenas a expressão concreta da forma como os gestores atuais pensam a dinâmica do esporte.

Mas como ser diferente se são as mesmas pessoas que comandam o aeroporto à anos? As aeronaves são deles, os pilotos idem, as empresas que transportam os atletas passageiros também, as fardas dos pilotos, toda a estrutura está fechada hermeticamente e no seu interior se desenvolve uma dinâmica extritamente patrimonialista. É o esporte sendo apropriado privadamente por um grupo de pessoas que pensam absolutamente tudo em função dos seus interesses, que são os interesses voltados para a dimensão de um determinado modelo esportivo pensado por eles mesmos e assim, entramos em uma verdadeira roda viva, em uma circularidade inoperante, atrasada, conservadora, que promove sempre o retorno ao mesmo aeroporto de partida.

Não sei por que, me lembrei de um certo dono de aeroporto que disse que sairia da direção do mesmo assim que o avião que partia para a Itália, retornasse. Independentemente das condições do vôo, ele sairia. Estava determinado. Mas o vôo foi fantástico, o avião voltou dando quatro voltas ao mundo, uma arremetida e aterrissagem de fazer inveja e com várias manobras antes, durante e depois do vôo, o dono do aeroporto resolveu continuar. Assim, sem mais, nem menos, ele esqueceu do que tinha dito e...ficou. Afinal de contas, se é para o bem de todos e felicidade geral do esporte, diga ao povo que fico. E tá aí até hoje, sendo festejado até por quem deveria vigiá-lo.

Lembrei-me de um outro. É demais. Me diga leitor, se você tivesse que prestar contas de trinta milhões de reais, como e onde você estaria? Eu estaria preso, com certeza. Mas esse dono do aeroporto tá em todos os canais de televisão dando entrevista, contando história da carochinha, procurando nos enganar mesmo quando a história já mostrou e comprovou que o contador da história sobre chapeuzinho vermelho é o próprio lobo mal. Este senhor recentemente esteve pulando de alegrias junto com o nosso presidente e a maioria do povo brasileiro pela conquista de novos vôos no céu de brigadeiro.

Resta agora ampliar o aeroporto que parecia estar pronto, comprar novos aviões, controlar a velocidade do vento e fundamentalmente olhar para a biruta e ver para onde a mesma está apontando para que ao menos a decolagem seja perfeita. Quanto a aterrissagem, bem, dependendo de como for, a gente deixa a pista bastante molhada, tira o freio do avião e no final das contas a gente culpa o piloto, pois como ele vai está morto mesmo... depois é só fazer o aeroporto funcionar de novo.

Mas antes, precisamos exigir do governo uma pista nova, pois esta deu no que deu.

domingo, 22 de novembro de 2009

Para além do esporte: mobilizando a comunidade através da Cultura Corporal

Na nossa última postagem nos inspiramos na questão do "apagão" ocorrido recentemente para pensarmos a relação entre a elite e o povo brasileiro. Mas não nos restringimos a isso. Refletimos também sobre como determinadas instituições reproduzem valores que fortalecem o ideário neoliberal, ou como já querem alguns pensadores, depois de mais uma crise do capital no ano passado, pós-neoliberal.

Quando escrevemos instituições, pensamos em basicamente duas: escola e esporte. Aprendi, nos bancos da faculdade de educação, na Universidade Federal da Bahia no início dos anos 90, que "a criança que pratica esporte respeita as regras do jogo...capitalista". Não creio que o autor que disse isso ainda pense assim. Aliás, duvido muito, pois o mesmo, no último Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, na plenária final, sem nenhuma mediação, disse em alto e bom som: viva as educações físicas.

Pois é. E os doutores que lá estavam, nada questionaram. Ficaram em silêncio. Consentiram. Para que abrir um debate desnecessário, logo no final de um evento científico? Pois deve ser isso mesmo. Se "ele" falou, tá falado. Que cada um cuide da "sua" educação física e ponto final.

Mas, apesar dos pesares, eu ainda acredito no que aprendi lá atrás. A diferença é que agora eu consigo enxergar as mediações. Não na sua intereza, ainda não atingir tal grau de compreensão do movimento do real. Mas o suficiente para aprender que não são "todas" as educações físicas que servem para as diferentes classes sociais. Algumas servem mais do que outras. Por exemplo, a educação física que defende a escola como um lugar onde se fabrica atletas. Essa eu não posso louvar. Como não posso louvar a outra que por extensão, reduz a educação física à prática do esporte. De preferência, obedecendo as mesmissimas regras impostas pelas federações e suas devidas penalizações, caso os educando(?) se tornem desobediente às regras.

Mas a educação física que se utiliza dos elementos da Cultura Corporal como mobilizador da comunidade, através da prática de outros conteúdos do seu acervo, esta eu louvo. Digo um grande viva em alto e bom som: VIVA!!! Foi justamente esta experiência que vivenciei, junto com outros colegas, no sábado, dia 14 de novembro último, na Escola Edgard Santos, no Fazenda Garcia. As imagens abaixo mostram um grupo de jovens ensaiando a sua apresentação,



para logo depois, dentro de um ginásio lotado de outros tantos jovens de diversas comunidades da cidade do Salvador e de outros estados (Alagoas e Paraiba) se apresentarem, demonstrando um domínio corporal impressionante, onde além da técnica propriamente necessária para o domínio dos gestos, continham a plástica e a beleza estética.



Foi um dia inteiro de muito gesto corporal através da ginástica e dos seus fundamentos e da dança e das suas possibilidades e nenhum pódium, medalha, ou premiação de primeiro colocado. Crianças, jovens, adultos e idosos. Estudantes das escolas públicas e das universidades, professores e professoras, moradores das comunidades, todos participando pela alegria de participar, buscando materializar na prática, a difícil tarefa de se auto-organizarem em função do coletivo.

Foi um dia muito rico. Só mesmo quem esteve por lá para poder sentir a força do momento que se expressava em cada grupo das escolas que se apresentavam. Falando em grupo, sabe aquele lá do início, que ensaiava para a apresentação? Pois é, veja como ficou. Os seus movimentos podem expressar, muito mais do que as minhas parcas palavras, não só o que significou o evento mas, também, que a educação física na escola tem muito mais o que fazer do que fabricar atletas.

domingo, 25 de outubro de 2009

Educação Física escolar

A escolha do Rio de Janeiro como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 reacendeu um debate muito antigo - embora um tanto quanto adormecido ultimamente - entre os professores de educação física no Brasil e que diz respeito ao papel tanto do professor quanto do esporte no interior das instituições de ensino, principalmente, nas públicas.

Entra Olimpíadas, sai Olimpíadas, os frequentes fracassos brasileiro nas mesmas são sempre justificados em função da precariedade com que se desenvolvem as aulas de educação física nas escolas. Professores desmotivados, escolas sem estruturas, alunos e alunas evadindo das aulas, falta de material esportivo, são os motivos mais comuns arrolados por todos os que pensam o esporte olímpico e enxergam a escola como a base da pirâmide esportiva.

Os que tem uma visão esportivizante da educação física considera o professor como um técnico, os alunos como atletas e as escola como um espaço de detecção de talentos. Nesse sentido o esporte deve ser massificado nas escolas, os alunos devem ser encorajados a participarem das aulas, ou melhor, dos treinos, e aos professores cabem, com o olhar clínico que lhe é nato, perceber as habilidades técnicas dos seus alunos, alçando-os à condição de atletas da escola.

O professor de educação física será reconhecido como bom, pelo número de troféus que ele conseguir para a escola e quanto mais medalhas conseguir colocar no peito dos agora atletas escolares.

A escola será a instituição principal da pirâmide esportiva, será aquela instituição que ficará na base da pirâmide, sustentando o processo de detecção dos possíveis talentos esportivos, daqueles sujeitos que, um dia, brindará o país com medalhas olímpicas, de preferência, de ouro.

Alguns depoimentos colhidos aleatoriamente em alguns sítios ligados ao esporte expressam, por parte de alguns, a função da educação física escolar. Vejamos:


(...) em se tratando de base, de lapidacao (...) tem que partir da escola de "Ensino Fundamental"

Eu nao sei nem pra que uma Escola Tecnica possui uma piscina "semi-olimpica", ja que sendo "técnica" nao é de sua responsabilidade nenhuma prática esportiva de competição e muito menos de aprendizado (Educacao fisica)...Esse tipo de ensinamento e capacitação, se fosse bem organizado, partiria do Ensino Fundamental, onde as crianças podem ser avaliadas como futuros atletas em potencial...

Bem, meu ponto de vista é o seguinte: Se o MEC, funcionasse como se deve, e de novo a velha reclamacao em relacao a eficiência do "esporte nas escolas de base", nao precisaria de "Ministério dos Esportes"..Sendo que a seunda etapa ficaria a cargo do COB e das federacoes esportivas...Apareceriam muito mais jovens atletas em potencial, que poderiam ser aproveitados pelos clubes e academias e suas respectivas federacoes...Ou seja, trabalhando a Escola na base, os clubes teriam que se preocupar só com o alto nível...

Se tivermos um fracasso retumbante em Londres (2012), não tenho dúvida alguma de que esses argumentos aparecerão com mais força ainda nos discursos dos dirigentes esportivos. Afinal de contas, depois de Londres vem o Rio de Janeiro e os atletas brasileiros ficarão com a obrigação de serem os primeiros no quadro de medalhas.

Não obstante, isso não pode fazer com que nós, professores preocupados com a formação humana, se deixe levar por esse debate que mais restringe do que amplia o nosso papel no âmbito escolar. Inclusive, penso que o mesmo deva ser incorporado nas nossas aulas, para que os alunos e alunas tomem consciência do sentido e do significado que é sediar os Jogos Olímpicos e, também, os para-olímpicos, tema da nossa próxima postagem.