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sexta-feira, 15 de junho de 2012

22,22% JÁ!!!

Olá, pessoal. Sexta-feira, 15 de junho. Para uns poucos, dia de farra! Para outros tantos, mais um dia de luta!!! Meus sinceros abraços e força aos verdadeiros guerreiros deste país e, principalmente, deste estado, que são os professores em luta por melhores condições de trabalho há mais de 60 dias.

Muitos dizem que a greve prejudica os estudantes. Eu digo que o que prejudica os estudantes é uma educação do faz de conta, do "finge que ensina que fingimos que aprendemos". O que prejudica os estudantes são escolas mal aparelhadas, professores despreparados e desatualizados por não terem condições de fazer, sequer,uma assinatura de um jornal diário e de uma revista de sua área de atuação específica. O que prejudica os estudantes são as didáticas que visam a formação exclusiva para um mercado de trabalho incerto e aviltante. O que prejudica os estudantes é um governo egoísta, que se utiliza do poder do Estado para governar para poucos e contrário aos interesses da classe trabalhadora.

Educação não é negócio, governador. A Lei de Responsabilidade Fiscal é fruto de um Estado neoliberal. Estado não é empresa, não tem que se pautar na aferição de lucros mas, sim, na execução plena de atividades que ofertem os bens materiais necessários à vida. Se isso tiver que ser às custas dos cofres do Estado, que assim seja, pois mais vale a vida vivida de forma digna, em busca da plenitude da vida humana. E nem quero entrar na questão de que o dinheiro do estado é fruto do suor do trabalho humano.





Se as exigências que agora fazem os guerreiros, professores e professoras deste país e deste estado, fossem oriundas do Capital, esse seria prontamente atendido, como vem demonstrando a crise que hoje passa o mundo globalizado. Países inteiros indo à falência em função desta mesma cantilena do "estado mínimo". Só se for mínimo para a classe trabalhadora de uma maneira geral e para os trabalhadores da educação especificamente. Trilhões e trilhões de dólares estão sendo retirados dos cofres dos Estados, bancos e mais bancos sendo estatizados para que o Estado (entenda-se o mesmo dialeticamente, produto e processo da Sociedade Civil) possa pagar os prejuízos oriundos da sanha dos especuladores de primeira e última hora que continuam, pasmem, mamando nas tetas dos governos neoliberais cujo governo Jaques Wagner é uma das suas expressões.

Os mesmos "mamíferos de luxo" que criaram a crise, postos que estão incrustados no metabolismo do capital, se beneficiam dela para continuarem aferindo seus lucros privados às custas do erário público.

Jaques Wagner. Se a Bahia é de todos nós, desate o nó da intolerância, da intransigência e da vaidade. Negocie com os lutadores/trabalhadores da educação. A reivindicação é mais do que justa e legal. 22,22% JÁ!!!

domingo, 22 de novembro de 2009

Para além do esporte: mobilizando a comunidade através da Cultura Corporal

Na nossa última postagem nos inspiramos na questão do "apagão" ocorrido recentemente para pensarmos a relação entre a elite e o povo brasileiro. Mas não nos restringimos a isso. Refletimos também sobre como determinadas instituições reproduzem valores que fortalecem o ideário neoliberal, ou como já querem alguns pensadores, depois de mais uma crise do capital no ano passado, pós-neoliberal.

Quando escrevemos instituições, pensamos em basicamente duas: escola e esporte. Aprendi, nos bancos da faculdade de educação, na Universidade Federal da Bahia no início dos anos 90, que "a criança que pratica esporte respeita as regras do jogo...capitalista". Não creio que o autor que disse isso ainda pense assim. Aliás, duvido muito, pois o mesmo, no último Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, na plenária final, sem nenhuma mediação, disse em alto e bom som: viva as educações físicas.

Pois é. E os doutores que lá estavam, nada questionaram. Ficaram em silêncio. Consentiram. Para que abrir um debate desnecessário, logo no final de um evento científico? Pois deve ser isso mesmo. Se "ele" falou, tá falado. Que cada um cuide da "sua" educação física e ponto final.

Mas, apesar dos pesares, eu ainda acredito no que aprendi lá atrás. A diferença é que agora eu consigo enxergar as mediações. Não na sua intereza, ainda não atingir tal grau de compreensão do movimento do real. Mas o suficiente para aprender que não são "todas" as educações físicas que servem para as diferentes classes sociais. Algumas servem mais do que outras. Por exemplo, a educação física que defende a escola como um lugar onde se fabrica atletas. Essa eu não posso louvar. Como não posso louvar a outra que por extensão, reduz a educação física à prática do esporte. De preferência, obedecendo as mesmissimas regras impostas pelas federações e suas devidas penalizações, caso os educando(?) se tornem desobediente às regras.

Mas a educação física que se utiliza dos elementos da Cultura Corporal como mobilizador da comunidade, através da prática de outros conteúdos do seu acervo, esta eu louvo. Digo um grande viva em alto e bom som: VIVA!!! Foi justamente esta experiência que vivenciei, junto com outros colegas, no sábado, dia 14 de novembro último, na Escola Edgard Santos, no Fazenda Garcia. As imagens abaixo mostram um grupo de jovens ensaiando a sua apresentação,



para logo depois, dentro de um ginásio lotado de outros tantos jovens de diversas comunidades da cidade do Salvador e de outros estados (Alagoas e Paraiba) se apresentarem, demonstrando um domínio corporal impressionante, onde além da técnica propriamente necessária para o domínio dos gestos, continham a plástica e a beleza estética.



Foi um dia inteiro de muito gesto corporal através da ginástica e dos seus fundamentos e da dança e das suas possibilidades e nenhum pódium, medalha, ou premiação de primeiro colocado. Crianças, jovens, adultos e idosos. Estudantes das escolas públicas e das universidades, professores e professoras, moradores das comunidades, todos participando pela alegria de participar, buscando materializar na prática, a difícil tarefa de se auto-organizarem em função do coletivo.

Foi um dia muito rico. Só mesmo quem esteve por lá para poder sentir a força do momento que se expressava em cada grupo das escolas que se apresentavam. Falando em grupo, sabe aquele lá do início, que ensaiava para a apresentação? Pois é, veja como ficou. Os seus movimentos podem expressar, muito mais do que as minhas parcas palavras, não só o que significou o evento mas, também, que a educação física na escola tem muito mais o que fazer do que fabricar atletas.