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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vila Olímpica Everaldo Cardoso Silva. Obrigado Itabuna

Itabuna em festa. Ontem, na Câmara de Vereadores foi decidido por unanimidade que a Vila Olímpica da cidade centenária se chamará Everaldo Cardoso Silva.

A família agradece e se sente honrada com a merecida homenagem.

O desafio agora é fazer daquele espaço um lugar vivo e pulsante, onde possamos efetivamente democratizar os elementos da cultura corporal.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

"Capoeira é tudo que a boca come..."

Imagem retirada do blog Capoeira Sócio Cultural
No último mês de novembro ocorreu na cidade de Cachoeira, na Bahia, um congresso internacional de Capoeira. Segue abaixo um texto produzido pelo professor Petry Lordelo, comentando o encontro. O mesmo além de ser docente e coordenador do curso de licenciatura em educação física da FAMAM, docente do curso de educação física da UEFS e da rede estadual de enino, também é capoeirista e estudioso desta luta

Segue o texto logo abaixo. Aproveito para agradecer ao professor a gentileza em disponibilizar o mesmo para este blog.

Entre os dias 18 e 20 de novembro de 2013, aconteceu no campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cachoeira, o I Congresso Internacional de Pesquisadores de Capoeira. Na ocasião, foi possível constatar muitos “Mestres” de/da Academia defenderem a espetacularização e mercadorização desta manifestação da cultura corporal.

Por exemplo, muitos chegaram a afirmar que "não há uma essência, uma verdade, uma tradição, uma história da capoeira. E sim, "várias"! Que nessa "roda" cabe tudo! Que a capoeira - a partir de uma interpretação pós-moderna da célebre frase/filosofia de Pastinha - "é tudo o que a boca come" e que das "bocas", sai! Que "capoeira não é luta, nem tampouco está inserida na luta de classes"; aliás, está última "não existe"! "Pastinha morreu à míngua, porque não soube "vender" - sem se “prostituir" - o seu produto". Até aula de capoeira EAD tá valendo, onde pra entrar na roda a gente abaixa no pé do computador...

Alguns, como eu, até tentaram entrar no debate, mas, assim como na maioria das rodas de hoje - diferentemente do que aprendi no Jogo de Angola - podaram a fala, ou se preferi, pra não fugir da mercado-lógica ritualística, "compraram o jogo"!

Imagem retirada do blog Capoeira Sócio Cultural
Como bem lembrou um camarada, quando vejo por aí dizerem que "tudo é tempo e tempo é tudo; tempo é tudo e tempo é nada", às vezes - já que não dá pra dar no couro - me limito a responder no coro: "Vixe, mainha!"

Esse papo de consenso, de ecletismo desvairado, de porralouquice teórico-prática comigo não rola! Ou se é malandro, ou se é mané! Ou oprimido, ou opressor! Ou revolucionário, ou reacionário! Não dá pra ser como aquele garoto da música de Frejat e Cazuza que tinha por "ideologia" mudar o mundo e agora, na convivência/conivência harmônica, passou a assistir a tudo "de cima do muro"; na hora que o bicho pegar, ele vai tomar pau dos dois lados!

O fato é que muitos não entendem que essa não é uma luta apenas da/pela Capoeira, mas sim, pela humanidade! Eu só me surpreendo como estes conseguem jogar tão bem olhando pro próprio umbigo.

É muita técnica...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Democratizar o esporte

Muito interessante observar o empenho dos governos, estadual e municipal, na reconstrução do Esporte Clube Bahia.

Mas os mesmos cruzam os braços quando o assunto é fortalecer o campeonato baiano de futebol, procurando apoiar as outras agremiações e os campeonatos de bairro da capital e do interior.

Agem como torcedores e não gestores de seus correspondentes poderes.

Que tal, também, envidar esforços e trabalharem conjuntamente para a democratização do esporte, da prática da cultura corporal de uma forma geral, em todo o estado?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sobre luta

Para os interessados na discussão sobre "Lutas", a Revista Superinteressante está com uma edição especial nas bancas. Ela foca principalmente a trajetória do Anderson Silva (ele é capa), mas existem muitas questões que possibilitam o debate sobre esta dimensão da Cultura Corporal.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Festival de Ginástica Alegria na Escola

Professor Welington com a ex-ginasta Luisa Parente
No primeiro dia do mês de dezembro realizou-se no Centro Educacional Edgard Santos o Festival de Ginástica Alegria na Escola que passará a se chamar, a partir de 2013, Festival da Cultura Corporal Michele Ortega Escobar.

O festival foi parte do II Seminário Interativo de Cultura Corporal onde além de apresentações de trabalhos e seminários temáticos sobre Jogo, Esporte, Dança, Ginástica e Lutas, tivemos a comemoração dos 20 anos do Coletivo de Autores, importante livro sobre Metodologia do Ensino da Educação Física que, já em 1992, antecipava muitas discussões que hoje são candentes no âmbito do debate pedagógico como, por exemplo, o processo de organização didática do ensino por ciclos de escolarização. Na mesa de abertura do evento tivemos, com exceção do professor Lino Castellani Filho e da professora Carmen Lúcia Soares, a presença de todos que contribuíram com a elaboração do referido livro.

Tivemos também a presença da ex-ginasta Luisa Parente (foto), que participou ativamente das atividades do Festival, integrando-se aos educandos e educandas das diferentes escolas públicas da Cidade do Salvador e das Universidades públicas brasileiras. Além da UFBa, tivemos a participação da UFPE, UFPB, UFRB (Amargosa), entre outras.

O evento contou com uma mesa final de avaliação do mesmo, com a presença do professor Máuri de Carvalho, a professora Acácia Damiane e Celi Taffarel na mediação. Nessa mesa, importantes assuntos foram tratados e diretrizes para a rede lepel foram definidas para o ano de 2013.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cultura Corporal

Do que vale a dança, o jogo, a capoeira, o esporte, a ginástica, o "malabaris" e outras expressões da cultura corporal, se na sua dinâmica pedagógica não estiver, presente, a luta contra o capital?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Megaeventos esportivo

Muito rica a mesa de reflexão e debate sobre MEGAEVENTOS X VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: LEGADO SOCIAL PARA QUEM? realizada hoje, na Uefs Feira de Santana, como parte da programação do XXXIII Encontro Nacional dos Estudantes de Educação Física. Subsídios teóricos e experiências práticas foram evidenciados no limite que suporta uma mesa de de 2 horas e meia para servir de ponto de apoio para o enfrentamento do capital sobre, entre outras coisas, a cultura corporal, em especial, o esporte. Parabéns ao Movimento Estudantil da Educação Física e a Executiva Nacional dos Estudantes de Educação Física pela politização do debate em torno do tema. Como vocês dizem: "se o presente é de luta, o futuro nos pertence!!!".

domingo, 11 de dezembro de 2011

MMA: para pensar e abrir o diálogo

Escrito pelo professor Elson Moura (Univ. Estadual de Feira de Santana)

Assim como todo lutador que tem acesso aos canais de luta, me preparei ontem para assistir o UFC 140, com a participação de 3 Brasileiros. Aliás; eu e uma centena de pessoas que hoje se organizam em bares outrora reservados para os jogos de futebol (preferi assistir em casa).

É difícil para um faixa preta de Karate ficar indiferente a estes eventos. É, também, difícil para um estudioso da Cultura Corporal, neste momento, estudando sua mercadorização, ficar indiferente ao que ontem aconteceu. Aproveito para abrir um diálogo fraterno com os que de um lado criticam, de outro – às vezes de forma romantizada- idolatram.

A forma como os dois Brasileiros (Rodrigo Minotauro e Lyoto Machia) terminaram suas lutas, merece, no mínimo, uma observação. O primeiro teve simplesmente uma fratura transversa no úmero por não ter desistido (os famosos 3 tapinhas) depois de um golpe encaixado (Kimura, se não me engano). O segundo apagou frente nossos olhos por, também, não ter desistido após um estrangulamento encaixado (Confiram a “assustadora” foto clicando aqui.

Já vi e tive algumas contusões: cortes e torções. Isso não quer dizer que veja isso como algo natural. Aliás, a época até era; dizia: “é o karate entrando”. Hoje, penso diferente. Não penso ser possível minimizar os impactos destas situações pelo simples fato de serem atletas preparados, saberem o que estão fazendo e terem aparato médico para socorrer; o que de fato, ontem, aconteceu.

Buscarei referência no próprio esporte. Aliás, quando a luta “abre o precedente” para ser esportivizada – que encontra no MMA sua máxima expressão- abre precedente, também, para tudo que este carrega.
O que para mim é notório – e teve ontem sua expressão- é o processo de alienação; neste caso, traduzindo como estranhamento.

O esporte que deveria me servir, onde deveria me reconhecer enquanto produtor e consumidor (consumo no ato de produção) passa a se estranhar de mim; passo a praticá-lo para atender a outros fins que não os diretamente ligados à minha satisfação. Passo a ter que valorizar uma marca, um clube, uma seleção, uma Confederação... uma mercadoria, às vezes minha própria força de trabalho enquanto mercadoria.

Isso trás consequências! Ou alguém acha normal um jogador se aposentar com 35 anos? Ter sua carreira interrompida por uma contusão? Jogar sem as melhores condições: o famoso “foi para o sacrifício”? Jogar com “infiltração”? Ver a menina Jadi, que nem a puberdade alcançou direito, já correr risco de aposentadoria? Estas até podem ser questões corriqueiras no esporte; jamais devem ser tidas como naturais!

Pois sim, este estranhamento invadiu a luta esportivizada: o MMA. O que existe por trás de um lutador que, convencido que o golpe está “encaixado” (gíria que significa que o golpe está eficiente), ainda assim não desiste?

Risco: os românticos dirão que são os princípios do guerreiro, melhor, do Samurai. Olá! O Bushidô, código, não escrito, de honra (Gi -justiça, Yu -coragem, Hei -cortesia, Jin - compaixão, Makoto - sinceridade, Meiyô -honra, Chugi - lealdade) esteve à serviço da luta de classes no Japão feudal (período conhecido como Shogunato).

O que estava, HEGEMONICAMENTE, em jogo ontem quando Minotauro e Machida não desistiram da luta? Qual império estava em jogo? Qual família? Qual clã? Os Samurais de outrora tinham um objetivo. Qual o objetivo dos de hoje?

Longe de anular – e os românticos gritarão!- os elementos constitutivos da ditas artes marciais, estas não estão à parte da universalização das relações mercantis. Ali, hegemonicamente, o que estava em jogo é o processo de valorização da mercadoria força de trabalho do lutador. Ao valorizar esta, valoriza uma centena de outras mercadorias incorporadas. Ou valoriza ou é demitido. “Valorizar”, entenda: ser agressivo e resistir até o fim!

Isto, também, trás características nas lutas esportivizadas e para os lutadores/atletas. Não naturalizemos o fato de ter um atleta estatelado, ainda assustado com o “estalo” no braço, enquanto outros comemoravam, davam entrevistas, assistiam o replay, ouviam os gritos de dor da torcida a cada vez que repetia a cena no telão... Acreditem, ao “ver” o estalo do braço, doeu aqui.

Longe de querer concluir sobre o assunto – como, aliás, alguns fazem- coloco mais este elemento, a alienação, para o debate.
Sigamos... OSS!!!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Filmes para a vida

"Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". Essas palavras, escritas no ano de 1875 pelo poeta britânico William Ernest Henley, animaram o então prisioneiro e ex-presidente da África do Sul (1994-1999), Nelson Mandela, o tempo todo em que o mesmo permaneceu preso injustamente em Robben Island (agosto de 1962 até fevereiro de 1990), realizando trabalhos forçados.

Essa também é a frase mencionada ao menos umas duas vezes no filme Invictus, que estreiou na sexta-feira (29/01) nas salas de cinema aqui em Salvador. Não tenho dúvidas de que este filme será mais um que deverá compor a filmoteca de todos professores de educação física (ou não) que costumam utilizar a linguagem cinematográfica como um recurso a mais de abordagem dos conteúdos da cultura corporal.

O filme, um longa metragem de estilo dramático, é dirigido por Clint Eastwood, que também já nos proporcionou no belíssimo filme "Menina de Ouro", lançado em 2004, oportunidades de pedagogização do conteúdo Lutas nas aulas de educação física.

No filme Invictus, um outro ator, que trabalhou no filme Menina de Ouro, também aparece. Trata-se de Morgan Freeman, interpretando nada mais, nada menos do que o presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Aliás, para quem não sabe, foi o próprio Mandela que o escolheu para o representá-lo no filme que aborda, entre tantas outras coisas, o esporte como um instrumento contra o apartheid. Nas palavras do jornalista João Carlos Sampaio: (A TARDE, Caderno 2, 29/01/2010, p. 1)"Inteligente, Mandela/Freeman - já como presidente da África do Sul (...) vai usar o esporte como instrumento para unir brancos e negros, após a extinção oficial do regime separatista, o apartheid".

Em tempos de segregações veladas, atos racistas escamoteados, inclusive no campo esportivo (para quem tem dúvidas, veja a relação aqui) o filme é uma mão na roda para abordar esse espectro que ainda assombra a humanidade em diferentes lugares e de diversas formas no mundo inteiro. Para os professores de educação física, em particular, que compreende o esporte para além das fronteiras técnicas, táticas e de rendimento em busca de pódiuns, medalhas e troféus é um filme, dentre tantos outros (recomendo também Coach Carter - Treino para a vida), que nos ajudam a discuti, a pedagogizar os elementos da cultura corporal no interior da escola e fora dela.

Em tempos de apologia á Copa do Mundo, de ufanismo gratuito pelas Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, o filme Invictus é um antídoto para a mesmice que sai das mentes e bocas dos eternos dirigentes esportivos brasileiros, que ao contrário do Mandela, só enxergam no esporte valores monetários, rendimentos financeiros.

domingo, 22 de novembro de 2009

Para além do esporte: mobilizando a comunidade através da Cultura Corporal

Na nossa última postagem nos inspiramos na questão do "apagão" ocorrido recentemente para pensarmos a relação entre a elite e o povo brasileiro. Mas não nos restringimos a isso. Refletimos também sobre como determinadas instituições reproduzem valores que fortalecem o ideário neoliberal, ou como já querem alguns pensadores, depois de mais uma crise do capital no ano passado, pós-neoliberal.

Quando escrevemos instituições, pensamos em basicamente duas: escola e esporte. Aprendi, nos bancos da faculdade de educação, na Universidade Federal da Bahia no início dos anos 90, que "a criança que pratica esporte respeita as regras do jogo...capitalista". Não creio que o autor que disse isso ainda pense assim. Aliás, duvido muito, pois o mesmo, no último Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, na plenária final, sem nenhuma mediação, disse em alto e bom som: viva as educações físicas.

Pois é. E os doutores que lá estavam, nada questionaram. Ficaram em silêncio. Consentiram. Para que abrir um debate desnecessário, logo no final de um evento científico? Pois deve ser isso mesmo. Se "ele" falou, tá falado. Que cada um cuide da "sua" educação física e ponto final.

Mas, apesar dos pesares, eu ainda acredito no que aprendi lá atrás. A diferença é que agora eu consigo enxergar as mediações. Não na sua intereza, ainda não atingir tal grau de compreensão do movimento do real. Mas o suficiente para aprender que não são "todas" as educações físicas que servem para as diferentes classes sociais. Algumas servem mais do que outras. Por exemplo, a educação física que defende a escola como um lugar onde se fabrica atletas. Essa eu não posso louvar. Como não posso louvar a outra que por extensão, reduz a educação física à prática do esporte. De preferência, obedecendo as mesmissimas regras impostas pelas federações e suas devidas penalizações, caso os educando(?) se tornem desobediente às regras.

Mas a educação física que se utiliza dos elementos da Cultura Corporal como mobilizador da comunidade, através da prática de outros conteúdos do seu acervo, esta eu louvo. Digo um grande viva em alto e bom som: VIVA!!! Foi justamente esta experiência que vivenciei, junto com outros colegas, no sábado, dia 14 de novembro último, na Escola Edgard Santos, no Fazenda Garcia. As imagens abaixo mostram um grupo de jovens ensaiando a sua apresentação,



para logo depois, dentro de um ginásio lotado de outros tantos jovens de diversas comunidades da cidade do Salvador e de outros estados (Alagoas e Paraiba) se apresentarem, demonstrando um domínio corporal impressionante, onde além da técnica propriamente necessária para o domínio dos gestos, continham a plástica e a beleza estética.



Foi um dia inteiro de muito gesto corporal através da ginástica e dos seus fundamentos e da dança e das suas possibilidades e nenhum pódium, medalha, ou premiação de primeiro colocado. Crianças, jovens, adultos e idosos. Estudantes das escolas públicas e das universidades, professores e professoras, moradores das comunidades, todos participando pela alegria de participar, buscando materializar na prática, a difícil tarefa de se auto-organizarem em função do coletivo.

Foi um dia muito rico. Só mesmo quem esteve por lá para poder sentir a força do momento que se expressava em cada grupo das escolas que se apresentavam. Falando em grupo, sabe aquele lá do início, que ensaiava para a apresentação? Pois é, veja como ficou. Os seus movimentos podem expressar, muito mais do que as minhas parcas palavras, não só o que significou o evento mas, também, que a educação física na escola tem muito mais o que fazer do que fabricar atletas.

domingo, 15 de novembro de 2009

O "apagão" nas aulas de educação física

Na semana do apagão, muitas viúvas do PSDB tentaram revitalizar o debate do caos na distribuição de energia elétrica que marcou o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Só que desta vez, obviamente, tentando minar o governo Lula. Sem nenhuma proposta de nação para o país, a não ser o exercício do poder pelo poder, a oposição brasileira procurou fazer do apagão mais um mote para desbancar o governo Lula que vem batento recordes de aprovação nunca antes visto. Em tempo: tenho críticas, inclusive no campo da política esportiva, mas não sou sectário.

Muitos dirão que isso é fruto de política populista, do tipo "bolsa família" e congêneres. Outros dirão que é em função do pouco desenvolvimento da consciência do povo. Eu digo que é tudo isso junto e mais um pouco. Mas fico com Chateaubriand, quando afirma que "Um dos dramas do Brasil é a profunda ignorância, maior, muito maior, das suas chamadas elites que do seu povo".

Essa elite reprova a saída de milhões de brasileiros da condição de miseráveis com a ajuda do Bolsa Família, mas não assume o debate sobre o por que de um país como o Brasil - "em que se plantando tudo dá" - precisa de um programa que retire as pessoas da condição de famintas. É a mesma elite que quer alimentar os milhões de brasileiros do campo e da cidade sendo contra a reforma agrária e a favor do agronegócio, da monocultura e da derrubada da floresta para a construção de pastagens e campo de futebol.

Esta é a mesma elite que vem alimentando ideias e ideais que não ajudam um centímetro seguer o avanço da formação humana plena de sentidos e significados para todos os humanos que habitam a terra. É a elite que discursa sobre a necessidade das crianças praticarem esporte para não se aproximarem das drogas mas que não responde o que ela vai fazer depois que a prática do esporte acabar. Ou será que ela vai ficar jogando as 24 horas do dia?

É a mesma elite que roubou os cofres públicos e promoveu o pan-americano, traduzindo perfeitamente o que significa o adjetivo RENDIMENTO que qualifica o substantivo ESPORTE. A elite que queria vender a Petrobrás e que hoje torce para o pré-sal não dá certo. A elite que não explica o que foi feito com os R$ 30 milhões do crédito suplementar que pediu ao Congresso Nacional, para fechar a conta da candidatura olímpica do Rio de Janeiro.

É a elite que dá uma no prego e outra na ferradura, dependendo da conveniência. Um dia diz, como fez o Ricardo Teixeira, que não precisa de dinheiro público para a Copa de 2014 e no outro dia bate na porta do Banco Nacional de Desenvolvimento Social.

Essa elite, que se perpetua no poder, tem nas ações dos subalternos a sua influência extendida e esta se traduz nas práticas, por exemplo, dos professores que ao desenvolverem suas aulas na busca do talento esportivo, promovem a competição na busca do ser individualmente mais forte, mais rápido, mais, mais, mais...resumindo o espaço da escola a um celeiro de atletas.

Professores que proomovem a monocultura do esporte. A cultura corporal deve ser resumida ao esporte, de preferência, aos tradicionais futsal, volei e basquete. Promovem torneios internos onde a turma de uma sala joga contra a turma de outra sala obedecendo as regras federadas e confederadas pelas elites que pensam o esporte.

É o "apagão" da educação física, tão festejado pela elite, especificamente a esportiva, quanto o outro apagão. Nada de ampliar as possibilidades do conhecimento sobre a cultura corporal. Essa coisa de ampliação, para o povo, não é bom, pois eles vão querer sempre mais, mais e mais e nós, a elite, só podemos dá o suficiente para aplacar sua indignação, anestesiar as suas consciências. Em pró desse "esporte", não poupamos esforços e sempre estamos dispostos a ceder alguns anéis para não perder os dedos.

Alternativas? Existem e nós vamos mostrá-las na próxima semana e quando menos esperarem as elites, no apagar das luzes, acenderemos o fogo da contra-hegemonia, da contra-internalização.