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terça-feira, 14 de julho de 2015

Copa 2 de Julho

Findou-se no último dia 12 de julho, a oitava Copa 2 de Julho de Futebol. Tendo início no começo do mês, o torneio contou com a participação de 40 equipes de diferentes estados brasileiro.

Participaram, junto com o Bahia e o Vitória, entre outros clubes baianos, o Flamengo (RJ), Cruzeiro e Atlético (MG), Santa Cruz (PE), Palmeiras (SP), Moto Clube e Sampaio Correia(MA), CRB (AL) entre outras.

A Copa 2 de julho é considerada uma das maiores competições da categoria de base, tendo, esse ano, contemplado os garotos do sub-15 das agremiações supracitadas.

A grande final ocorreu entre o Bahia e o Atlético mineiro e foi decidida nos pênaltis, com o tricolor baiano levantado o troféu inédito após vencer por 5 x 4.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A construção de uma outra imagem do Brasil

A Revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) abordou em seu fascículo deste mês, entre vários temas, um de interesse específico deste blog: a repercussão da Copa 2014 para a projeção da imagem do Brasil não como o “país do futebol”, como poderíamos imaginar, mas como uma nação onde “grandes negócios” podem ser realizados. Um país onde opera a “excelência” e onde existe um “consumo de alto padrão”.

Esse linha de abordagem não é nova e nem foi concebida especialmente para a Copa do Mundo do ano passado. Faz parte de uma estratégia do Instituto Brasileiro de Turismo (antiga EMBRATUR) concebida desde “2003, quando a criação do Ministério do Turismo absorveu as funções burocráticas da EMBRATUR, que ficou com a incumbência de promover a imagem do Brasil no exterior”. (p. 64)

Esse enfoque vem sendo estudado pelo professor Michel Nicolau Netto, da Universidade Estadual de Campinas. É sua pesquisa que alimenta a matéria “Turismo como estratégia”. Ele observa que a partir de 2002, “a EMBRATUR passou a atuar como um agente global que adota uma série de discursos para construir a imagem do Brasil” e nada melhor para isso do que aproveitar um dos megaeventos mais assistido no mundo. Estima-se que a final da Copa entre Alemanha e Argentina foi vista por mais de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta.

Para o professor, duas categorias são centrais para entender esse processo de construção de uma nova imagem para o país no exterior: modernidade e diversidade. Essa estratégia, para além da questão política (“a visão leve e amigável do Brasil foi trabalhada pela Embratur nos anos 1960 e 70 para se contrapor aos prejuízos causados no exterior pela associação do país ao autoritarismo e à violência do regime militar. A própria ideia de liberalidade sexual. Movida pelas imagens de mulheres atraentes e escassamente vestidas, hoje abominada globalmente por remeter ao turismo sexual, servia de contraponto e, esperava-se, atenuante à repressão institucional”) a estratégia no momento é prevalentemente econômica e não se preocupa com quantidade de turistas em particular mas, sim, com a condição financeira destes.

Para Netto, “Diversificar e modernizar são estratégias que não buscam atrair um grande número de visitantes, mas, sim, turistas que tragam mais dinheiro ao Brasil”.

Não se sabe ainda o impacto específico da Copa nesse processo de branding. Ainda é cedo. Mas o setor comemora a fórmula que já vem sendo adotada quando compara o que foi arrecadado com o mercado de turismo em 2003 (R$ 1,7 bilhões) e em 2013 (R$ 6 bilhões).

Mas, nem tudo são flores quando se trata de disputar mercado e isso ficou latente na época da Copa, pois a Embratur “foi severamente desafiada pela presença avassaladora da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e por patrocinadores internacionais. Houve, então, um contexto de embate simbólico, no qual os agentes buscaram impor suas visões de mundo aos locais”. (p. 67).

Netto sublinha que “As imagens da abertura da Copa, com mulatas dançando, e as dos anunciantes relegaram as ações da Embratur a um espaço reduzido e pouco visível”. Esse embate continua ocorrendo e será um ponto de tensão nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, já que “Agências e governos regionais insistem em manter a imagem mais antiga do Brasil”. (p. 67).

Camisetas lançadas pela Adidas e que foi retirada de circulação
Isso ocorre também com as grandes marcas esportivas. A matéria informa que uma destas, patrocinadora do evento “lançou duas camisetas que remetiam à velha imagem de que a mulher brasileira é um objeto sexual. A repercussão foi tão ruim que a fabricante de material esportivo retirou o produto de circulação rapidamente”. (p. 67)

Para o pesquisador, o empenho em estabelecer uma nova imagem para o turismo brasileiro se fortaleceu com o governo do presidente Lula e tem atraído “o interesse das grandes construtoras ligadas aos eventos esportivos e demais atrações” que almejam a consolidação desta imagem de Brasil moderno.

Por fim, nessa estratégia onde os megaeventos esportivos aparecem como uma oportunidade impar de alavancar os projetos em disputa “entre duas imagens de um país em transição”, Netto observa: “Resta saber de que lado estão os interesses dos agentes envolvidos”.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

CBF toma uma atitude

Finalmente uma atitude concreta por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ocorreu. Parabéns à entidade. No entanto, embora concreta, a mesma é insuficiente.

A própria entidade precisa ser repensada, debatida e modificada por dentro. Uma revolução precisa acontecer no processo de gestão do futebol brasileiro. Aliás de toda a estrutura esportiva, a começar pelo financiamento. Mas isso fica para outra postagem.

No momento, comemoramos a demissão de Luiz Felipe Scolari e todos da comissão que tinham ligação direta com ele, observando que eles não "deixaram seus cargos" como anunciam alguns sites esportivos, querendo dourar a pílula. Foram demitidos.

Que outras ações também nos surpreendam positivamente. Tenho uma ideia. Que tal todos os membros da CBF entregarem seus respectivos cargos.

Fica a dica!!!

domingo, 23 de março de 2014

Copa da Liberdade

Excelente e oportuna a poesia do Drummond. Menos por causa da Copa do Mundo que se avizinha e mais por direcionar os versos contra um sistema que alguns estão demonstrando saudade e incentivando Marchas.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vai ter Copa mas...quem fica com o lucro?

Estamos assistindo nos últimos meses, o recrudescimento dos movimentos #NãoVaiTerCopa e #DaCopaEuAbroMao, ambos questionando, de maneira distinta, os valores bilionários que foram investidos para a realização da Copa do Mundo de Futebol.

Retirado do site Dom André On Line
Os questionamentos, no nosso entendimento, seguem por duas vias. Uma, pretende impedir a realização do evento no Brasil. A outra, procura problematizar os gastos com o mesmo, observando que setores como saúde, educação, transporte, habitação, segurança entre outros, estão a exigir maiores e melhores investimentos.

Não lembro de movimentos similares em extensão e repercussão quando da candidatura e escolha do país para sediar o evento. Ao contrário. Houve celebração. Lembro-me dos meios de comunicação transmitindo a festa do povo brasileiro nos diferentes cantos do país.

Atenção. Existiram críticas. Muitas fundamentadas em solo fértil, com exemplos abundantes do que significava sediar um evento de tamanha magnitude. Serviam - e ainda servem - de fundamentos os próprios preparativos da Copa do Mundo que se realizaria na África do Sul e o Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro em 2007.

Mas, sublinho, não tiveram eco. As caixas de ressonâncias globais tal como estamos observando desde junho do ano passado, estavam silenciadas. O que nos faz pensar sobre a natureza e a intencionalidade destes movimentos.

Retirado do Instituto Humanista Unisinos (IHU)
Um, necessário, levanta bandeiras fundamentais para a existência humana. Coloca no centro a contradição do sistema capital, interessado na sua produção e reprodução e colocado em movimento, é importante frisar, desde quando o Brasil pleiteou sediar a Copa.

O outro, que não porta nenhuma bandeira, apenas spray de pimenta, coquetel molotovdifundindo a necessidade "pura" e "simples", sem mediações, de que não vai ter Copa, que impedem até setores organizados de levantarem suas bandeiras específicas, apresenta-se para confundir, desviar, obscurecer e esvaziar a luta.

No meu entendimento, vai ter Copa. E podemos ter mais do que isso e não me refiro ao Hexa. Podemos aproveitar o momento histórico para ampliar a consciência de classe. Nesse sentido, os gritos de #NaoVaiTerCopa e/ou DaCopaEuAbroMao, somados aos #VaiTerCopa e #CopaDasCopas, esses dois últimos oriundos dos simpatizantes do governo federal, não ajudam muito.

Estudos da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, demonstram que a Copa do Mundo trará lucros e divisas importantes para o país. Nesse sentido, interessa saber é #QuemFicaComOlucro.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Quem fica com o lucro?


No dia 30 de outubro de 2007 o Brasil e muitos brasileiros de todos os cantos vibraram pela escolha do país como sede da Copa do Mundo de Futebol.


Dali a pouco mais de seis anos e alguns meses, o país seria anfitrião da maior festa do futebol mundial. Um feito pleiteado por diversos países de diferentes cantos do mundo.

Poucos meses nos separam daquele dia para a abertura do evento. 2014 chegou acompanhado dos inexoráveis e amadurecidos dados da realidade. De lá para cá muitas coisas ocorreram. Águas e mais águas passaram por debaixo da ponte e desembocaram em um mar de gente revolta.

Os balões em verde e amarelo, soltos em estádio paulista na comemoração do sorteio, o cristo redentor no Rio de Janeiro, ocupado por bandeiras esvoaçantes e até a estátua de Juscelino, em Brasília, sendo envolvida por camisa comemorativa ao fato contrastam, hodiernamente, com as recentes manifestações de junho do ano passado e outras tantas que pululam em editoriais da mídia nativa.

Há quem afirme, inclusive, que atualmente existe um movimento tentando sabotar a realização da Copa do Mundo no Brasil. Teoria da conspiração? Não sei. Mas a hipótese levantada (que consideramos plausível) é que o objetivo do intento é "melar" a reeleição da presidenta Dilma, incentivando e dando gás para novas manifestações de rua, rebaixando sua popularidade que vem crescendo e, com isso, forçar um segundo turno.

Não se trata aqui da política do quanto pior, melhor, de alguns jornalistas que apregoam a cartilha neoliberal. Nem de inverter a informação, procurando o lado ruim das boas notícias relativas a Copa no Brasil. Não duvidamos que esta será um sucesso e o número de ingressos já vendidos no mundo inteiro para o evento demonstram confiança na realização do mesmo. Não temos, também, a compreensão de que legado é só o que estiver pronto e acabado até a Copa. Muito embora a Matriz de Responsabilidades, apresentada em 2010, pelo próprio governo, assim estabeleça.

A nossa reflexão parte de dados concretos, da dinâmica real e mais visível deste tal "legado da Copa" e que se encontra mais próximo do objeto deste blog: os estádios. Vejamos.

Não exige muito esforço perceber que dos elementos colocados como legados para a Copa, apenas as "arenas" estão prontas. Mesmo assim, nem todas. E algumas, tidas como acabadas ou quase finalizadas, apresentam alguns problemas estruturais.

O próprio valor da construção destas "arenas" é um problema em si. O mesmo ultrapassa em muito todos os outros valores somados, direcionados para segurança, telecomunicações e turismo, por exemplo.

Em relação as áreas da saúde e educação, prioridades nacionais, a diferença em relação a Copa é assustadora. Para Salvador, por exemplo, foram repassados pelo governo federal para as duas áreas entre 2010 e 2013 o montante de R$ 133 milhões, enquanto para a Copa, foram transferidos a título de empréstimo via BNDES R$ 4 bilhões e 600 milhões.

Esses dados são do próprio governo e podem ser constatados por qualquer um no site da CGU/Portal da Transparência. Há quem afirme que, como é empréstimo, esses valores direcionados para a Copa irão voltar com juros. Isso é um dado que deve ser levador em consideração nas nossas reflexões, observando necessariamente a dinâmica da gestão do dinheiro público pelo estado neoliberal.

Essa mesma dinâmica precisa ser considerada quando pensamos no lucro que a Copa do Mundo vai gerar para o país. Sim, pessoal. A Copa do Mundo gera lucros e dividendos para o país sede em pequeno, médio e longo prazo. Só o setor de turismo pode ter um incremento de R$ 22 bilhões de reais em 2014. Parte deste recurso serão gerados pela Copa do Mundo.

No geral, a Fundação Getúlio Vargas tem apresentado estudos que contabilizam, por baixo, um retorno financeiro para o país em função da organização/realização da Copa na ordem de R$ 140 bilhões.

No entanto, reafirmo a observação que precisamos olhar para esses dados tomando como referência a dinâmica do estado neoliberal e agora perguntando: quem se apropria e/ou se apropriará destes bilhões?

Países outros já realizaram e realizam grandes eventos. A maioria se encontra em situação lastimável de crise. Não por que realizaram ou realizam megaeventos. Mas em função da apropriação privada da riqueza produzida por eles e das dinâmicas próprias das opções políticas que fizeram/fazem na condução do estado.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Bahia orfã

Em dezembro último, um grande portal de notícias veiculou uma matéria que para nós baianos não é nenhuma novidade. Dizia que a cidade de Salvador com a implosão da Fonte Nova ficou órfã de ginásio, piscina e pista de atletismo.

Acrescento que ficou também com menos "educação", já que nas dependências do estádio também funcionava o Colégio Estadual da Fonte Nova.

Acrescento também que a orfandade em relação às diferentes modalidades esportivas não é uma situação específica de Salvador. Todo o estado sofre com este fenômeno.

Nos 460 quilômetros que separam a capital baiana da cidade de Itabuna, por exemplo, constatamos alguns campos de futebol estragados onde crianças, jovens e adultos praticam o seu "babinha" em condições para lá de precárias.

Torneios existem e podem ser observados nos finais de semana, principalmente nos domingos, graças as iniciativas e protagonismos dos seus moradores e da circunvizinhança, já que o poder público passa ao largo quando o assunto é democratização do esporte.

A mesma Bahia que se orgulha de ter entregue a primeira "arena" para a Copa do Mundo de 2014 que se ergueu das cinzas do antigo estádio, totalmente implodido (portanto uma "arena" construída do zero), é aquela que se arrasta desde 2010, para construir espaços públicos que permitam a prática de esportes para a população nas suas mais diferentes faixas etárias.

A Bahia está orfã. Não apenas Salvador. E sua orfandade não se resume às estruturas esportivas, mas a própria política pública de esporte e lazer.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

BRASIL: CRISIS, COMBATES Y PERSPECTIVAS

Por Osvaldo Coggiola
Cuando Brasil venció la Copa de las Confederaciones, en el mismo momento, fuera del Maracaná, una multitud, equivalente a la que se encontraba en el estadio, protagonizaba una batalla campal contra la policía, que usó bombas, gas y balas de caucho. El saldo fue decenas de heridos y detenidos. Que el fútbol, religión nacional, no haya desviado una movilización antigubernamental es un hecho inédito en la historia. Tan insólito como el hecho de que la presidente ni siquiera pisó el estadio, teniendo una silbatina peor que en la inauguración de la Copa. Neymar se pronunció (pese al cerco de seguridad que lo rodea permanentenente) en favor de las manifestaciones. El mismo domingo, la Cámara Municipal de Belo Horizonte fue ocupada por jóvenes que reivindican la apertura de los contratos con las empresas privadas de transporte urbano, para poner en evidencia los superlucros patronales y la corrupción descarada de los “representantes populares”.  Desde la semana pasada, los movimentos de las favelas paulistas (MTST, los “sin techo”, y “Periferia Activa”) organizan manifestaciones y bloqueos de avenidas contra las pésimas condiciones de alojamento, salud y transporte en los barrios pobres.

Al mismo tiempo, se desarrolla una formidable ofensiva represiva no solo en las calles sino en las mismas favelas, un gigantesco operativo de militarización para evitar que los sectores más explotados se incorporen masivamente a la lucha. En la Favela de la Maré la operación dejó media docena de jóvenes muertos, definidos como “ladrones”; enseguida se puso en evidencia que ninguno de ellos había tenido siquiera una acusación formal en su contra en toda su vida. El monstruoso aparato represivo brasileño ha sido incrementado y se ha sofisticado como nunca en función de los “grandes eventos” (campeonatos mundiales de fútbol y Olimpiadas) por el “gobierno de los trabajadores”. Durante las primeras manifestaciones, Dilma Rousseff ofreció pública y explicitamente el apoyo de la “Fuerza Nacional”, un engendro represivo “contrainsurgente” montado por el gobierno del PT, a gobernadores e intendentes ‘en apuros’.

La rebelión popular ha originado una crisis institucional. La PEC (propuesta de enmienda constitucional) nº 37, enviada por el gobierno al Congreso, fue rechazada por... 430 votos contra 9. La PEC proponía transferir las facultades de investigación del Ministerio Público a la Policia Judicial. Es una maniobra para que el Poder Judicial (que se le escapó al PT de las manos) frenase la investigación de los casos de corrupción gubernamental. Los nueve votos a favor fueron de nueve derechistas hipercorruptos, hasta el presente adversarios del gobierno; toda la bancada del PT votó contra el gobierno, que se ha quedado sin “base aliada” parlamentaria. Frente a la catástrofe política, Dilma sacó de la galera una propuesta de constituyente para tratar una reforma política (financiamento público exclusivo de las campañas electorales), a la que el Poder Judicial y la mayoría de los parlamentarios se declararon hostiles. El gobierno reculó y pasó a defender un plebiscito sobre uma propuesta de reforma. En las actuales condiciones, la propuesta puede dar un eje político nacional de repudio a la movilización heterogénea de las calles.

El índice de aprobación de Dilma Rousseff cayó del 70% al 30%. En una reunión de Dilma com las centrales sindicales, el representante de la Conlutas denunció la propuesta de “plebiscito popular” como una maniobra distraccionista desesperada. Los planteos de las centrales sindicales al gobierno fueron simplemente ignorados, y ha sido convocado um paro general para el 11 de julio, esto es, para casi un mes y medio después de las primeras manifestaciones contra el tarifazo de los transportes. Conlutas convocó a algunas movilizaciones parciales (sin éxito) antes de esa fecha.

La tentativa de la izquierda de participar con columnas propias (“rojas”) en la manifestaciones en la Av. Paulista fue literalmente repelida a palos. Los manifestantes no apreciaron el intento de diferenciación de la izquierda y tampoco el propósito de hacer propio al movimento.  La izquierda ha replicado reclamando el derecho a participar con banderas propias en las manifestaciones. Pero todo esto es distraccionismo, porque la izquierda no se hecho conocer a través de un planteo próprio, es decir sin aportar al movimento. No ha dicho ni pío sobre la constituyente, cuando la burguesia la rechaza con el planteo de que las constituyentes se convocan cuando se rompe un régimen político y se plantea la creación de otro. Algunos de la “izquierda progre” (intelectuales sin partido, aliados del PT de todo tipo) han llegado a denunciar todas las manifestaciones como montajes de la CIA contra el gobierno del PT, en un artículo ampliamente traducido y difundido por sitios y redes chavistas y “progres” del continente (“La protesta brasileña de la última semana”, por Tania Jamardo Faillace, Alai-Amlatina). Este fin de semana, Lula salió de su mutismo para decir que hay que estar en la calle para “empujar el gobierno hacia la izquierda”.

La movilización calllejera es cada vez más generalizada; el paro general nacional del 11 de julio, convocado por todas las centrales sindicales es un intento claro de recuperar la calle para las agencias populares del gobierno, que se encargarían luego de desmovilizar la rebelión.  Un boicot al plebiscito podría reencender el movimento y provocar la caída del gobierno y las elecciones antecipadas. Puede darle una plataforma nacional y un nuevo escalón político al movimiento de las calles. Egipto también ayuda.    

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Em defesa das organizações e manifestações

O texto abaixo foi publicado no Jornal O Trabalho em 21 de julho de 2013.



UMA NOVA SITUAÇÃO se abriu no país.

Um movimento pela redução das tarifas dos transportes capitaneado pela juventude, depois de 10 anos de governo do PT adaptando-se às instituições herdadas, catalisou um descontentamento popular latente com a situação dos serviços públicos de educação, saúde e transporte.


As conquistas obtidas pelas massas populares não podem ser usadas para esconder a realidade. Assim, a farra com dinheiro público nas obras da Copa aparece como uma ofensa.


A recusa da cúpula do PT, é preciso dizer, em defender o partido do ataque do Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Penal 470, só facilitou a manipulação midiática contra o PT, os sindicatos, e o sentimento anti-partido.


Por outro lado, a força das manifestações em duas semanas conquistou a revogação dos aumentos em dezenas de cidades e Estados. Uma importante vitória parcial, no caminho da luta pelo Passe Livre Estudantil e por um transporte público de qualidade que, de forma duradoura, só a estatização pode assegurar.


MAS HAVIA UM PROBLEMA
na direção do movimento. Se é verdade que entidades representativas como a União Nacional dos Estudantes, se omitiram, do mesmo modo que o PT como partido, de outro lado, “direções” auto-proclamadas, sem mandato nem controle da base, faziam o culto da “horizontalidade”, da ausência de carro-de-som, do “apartidarismo”, caso do Movimento Passe Livre e outros grupos.

Agora, se vê onde isso está levando: abre o espaço para uma direita feroz atacar o simples direito de expressão dos partidos e mesmo dos sindicatos, numa desorganização que facilita a ação de descontrolados e, inclusive, de provocadores e policiais.


Do interior do aparelho de Estado, apoiada na mídia, se orquestra a caça aos partidos, e se infiltra bandeiras como “não a PEC 37”, para preservar o poder de polícia não-previsto na Constituição, dos procuradores do Ministério Público, parte da aristocracia do Judiciário fora de qualquer controle.


Na última 5ª feira, dia 20, apareceram nacionalmente sincronizadas e articuladas com setores da pequena-burguesia, forças de direita ou extrema-direita, “anonimous” etc., atacando as organizações dos trabalhadores e provocando incidentes.


O que explica esta irrupção, senão a fúria de interesses contrariados pela redução das tarifas na véspera?


A realidade é um sistema imperialista em crise no mundo, contraditório com as mínimas conquistas obtidas pela luta, inclusive aqui. E por isso se ataca as organizações em todas as partes!


E o que pretendem no Brasil, ameaçando com o caos, senão provocar um sentimento de “ordem” nas instituições, quando, ao contrário, se trata de avançar na reforma profunda do Estado para atender aos anseios de centenas de milhares nas ruas?



A PRESIDENTE DILMA
na TV, 6ª feira, dia 21, disse que “muita coisa o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas”, e reconheceu a voz das ruas que “quer mais. E para dar mais, as instituições e os governos devem mudar”. Ela convidou “governadores e os prefeitos para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos”, e também anunciou que vai “receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. Precisamos de suas contribuições”.

Muito bem. Mas, desde já, o que ela propõe? Fala, por exemplo, “
que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com a Educação”.

Mas por que só os royalties, uma taxa paga pelas empresas petrolíferas? Por que não acabar com os leilões de petróleo para empresas privadas e estrangeiras, e entregar todo o petróleo para uma Petrobras 100% estatal, destinando todos recursos do petróleo para Educação, Saúde e Transporte?


Seria, por acaso, “
por causa de limitações políticas e econômicas”, isto é, devido às “instituições”?

A própria presidente concluiu que “
é a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar” e apontou para “uma ampla e profunda reforma política”.

Sim, é preciso uma profunda reforma do Estado, para varrer o entulho herdado, mudar as instituições para abrir o caminho à realização das aspirações populares de justiça social e soberania nacional.


Para isso é necessária uma Assembléia Constituinte Soberana!


Não como em 1986-88, a mera outorga de poderes constituintes ao velho congresso de Sarney.


É preciso uma Constituinte Soberana, com deputados livremente eleitos, unicameral e proporcional (onde 1 eleitor é igual a 1 voto, hoje 1 eleitor de Rondônia vale 11 de S. Paulo, por exemplo), com voto em lista e financiamento público exclusivo.


É difícil? Difícil e cada vez mais necessário! Alerta para o sentimento que vem das ruas!


É o que vamos defender no próximo PED, o processo eleitoral direto do PT, para colocá-lo a altura do desafio das ruas.



NA ATUAL SITUAÇÃO
, o PT e a CUT tem uma responsabilidade imediata.

É preciso, em primeiro lugar, tomarem a iniciativa de defender os direitos democráticos de manifestação, e reverter os ataques ao PT e aos partidos, à CUT e outras organizações dos trabalhadores e do povo


É hora de uma Plenária de Emergência de todas as organizações dos trabalhadores e do povo para adotar uma plataforma popular de reivindicações, e um plano de ação, segundo os métodos da democracia do movimento dos trabalhadores, para exigir do governo Dilma o seu atendimento.


Em todo o país, em cada cidade, categoria ou setor popular é preciso abrir a discussão a respeito.


É hora de retomar com firmeza a mobilização do povo trabalhador e da juventude por suas legítimas demandas:
• Redução das tarifas de transporte e Passe Livre Estudantil! Nenhum corte nos gastos sociais dos Estados e municípios!

• Fim do superávit fiscal primário que paga a dívida e esmaga os municípios, os Estados e a União!

• Investir a fundo nos serviços públicos de saúde, educação e transporte!

• Desmilitarização das Polícias Militares (PMs)!

• Chega de concessões ao “mercado”, com leilões de petróleo, desonerações da folha de pagamento e privatizações!

• Não às exigências do capital internacional e do agro-negócio, reforma agrária!

• É hora de outra política!

ATENÇÃO
, porque todas as conquistas dos últimos 30 anos, novas e velhas, está tudo em jogo!

É HORA DE CERRAR FILEIRAS!

JUNTE-SE A NÓS NESTA LUTA!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Copa das Manifestações

Diante das necessárias mobilizações por parte das diferentes categorias de trabalhadores pelo país, em luta pelos seus direitos historicamente constituídos e questionados, quando não esvaziados pelo neoliberalismo, estou propondo como mais uma expressão da luta de classes e frações de classe, a Copa das Manifestações.

Quem se habilita a participar?

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Imprensa esportiva: nem otimismo, nem denuncismo

Tenho observado uma mudança muito importante na abordagem sobre os megaeventos esportivos por parte de alguns jornalistas baianos que, antes, no contexto da campanha para que o Brasil fosse sede destes grandes torneios (Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas), eram os mais entusiastas, otimistas até a medula, só enxergavam pontos positivos na realização dos eventos.

Hoje, comparativamente, podemos dizer que deram uma guinada para o outro extremo. Ainda fazem um discurso altamente integrado, esvaziado de crítica, mas cheio de denuncismo. Este é o tom da virada. De um otimismo ingênuo, transformaram-se em pessimistas contumazes. Vociferam nos microfones, nas páginas dos jornais, em revistas das mais diversas o que há muito tempo, os considerados "problemáticos", "os do contra", "os sempre pessimistas" entre outros adjetivos, anunciavam como certo.

Exceção à regra diz respeito a mídia televisiva que investiu e investi centenas de milhões de reais para brincar com a emoção do telespectador e ganhar outros milhões de dividendos. Para esta, tudo vai bem, e assim deve parecer, para que tudo dê certo, senão no real, no contexto da imaginação dos milhões de alienados tupiniquins. O Rei está nu mas, para estes, veste-se em pomposa roupa.

Quanto a guinada denuncista, seja bem vinda. Esperamos que se qualifiquem para além do denuncismo e politize o debate. Nem otimismo ingênuo, tampouco denuncismo pessimista. Mas uma articulação que permita a crítica com proposições superadoras em relação ao desenvolvimento das políticas esportivas brasileiras.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Milan e Barcelona

(Por Luiz Roberto Araújo Silva)

Milan 2 x 0 Barcelona. Pela Copa dos Campeões, esses dois grandes clubes do futebol mundial fizeram um bom jogo mas ficou comprovado, pela parte do time espanhol, que toque e posse de bola, não ganham jogo. Aliás, o Messi e seus companheiros abusaram de toques horizontais, às vezes à semelhança do handebol, quando a bola, antes de ser finalizada pelos atacantes, fica sendo trocada de lado a lado, como fez o Barcelona, mas com pouquíssimas finalizações e só de longa distância.

Por sua vez, o Milan, com uma marcação bem feita e com mais criatividade quando tinha a posse de bola, foi mais objetivo e eficaz e por isso mereceu a vitória.

Pelo que vi, e se tratando de times competitivos mas carentes de criatividade, mais do que nunca precisamos resgatar para o nosso futebol os fundamentos que nortearam a conquista de cinco títulos mundiais: o drible, a finta, o chute de longa distância, enfim, dar mais oportunidade aos jogadores criativos, bem preparados fisicamente e acima de tudo que gostem de jogar pela seleção canarinho.

Com todos esses recursos e com muito brio, e deixando a vaidade esperar durante cada jogo, cada decisão, temos sim, condições plenas de arrebatar o hexa. 

Na minha opinião, ainda jogamos o melhor futebol do mundo, basta não querer imitar o futebol europeu e resgatar de uma vez por todas o verdadeiro futebol brasileiro que sempre encantou a todos e que por isso chegou ao mais alto degrau do pódio do futebol mundial.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Hobsbawm sobre a FIFA

"a Fifa de fato forçou torcedores holandeses a trocar de calças porque as que usavam tinham o logo de uma cerveja holandesa que compete com a Budweiser, patrocinadora oficial da Copa. No entanto, a relação da Copa com o moderno capitalismo globalizado é mais complexa do que isso. Ou seja, a indústria atualmente é altamente globalizada e não poderia subsistir na atual escala sem a existência de um capitalismo global de mídia." (Hobsbawn)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Voluntariado


Na transmissão da abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, de forma insistente, o locutor procurava ressaltar a condição de voluntário dos participantes que contracenavam nos palcos. Entre uma e outra performance, ele ressaltava: "o incrível é que todos os participantes são voluntários".

Isso também foi falado na transmissão e durante o encerramento do evento. Há quem diga que até a atitude do voluntariado já faz parte de uma tal de "cultura olímpica".

Bem, aproveitando esta "cultura" a FIFA vem reiterando o seu chamado, solicitando as inscrições dos tais voluntários para trabalharem na Copa de 2014, o mais rápido possível.

Pois é. Em tempo de "virada linguística", exploração da mão de obra vira "cultura olímpica". Bilhões e bilhões de reais circulam no evento e nadica de nada para os "barnabés".

quarta-feira, 14 de março de 2012

Lei Geral da Copa


LEI GERAL DA COPA:
um “chute no traseiro” do povo brasileiro
 
Nota de Repúdio à Aprovação da Lei Geral da Copa na Comissão Especial
 
            Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) - O Secretário Geral da FIFA Jerome Valcke, em entrevista, disse que precisaria “chutar o traseiro” dos governantes brasileiros para que agilizassem os trâmites relacionados à organização da Copa do Mundo de 2014.
 
Agilidade, para Valcke, significa rapidez para aprovar medidas que garantam os interesses mercantis da FIFA. Definitivamente, acelerar a superação das mazelas da saúde pública, ou o atendimento às dezenas de milhares de pessoas atingidas pelas chuvas, ou mesmo pelas obras relacionadas aos mega-eventos esportivos não é a sua preocupação. Tampouco interessa à entidade agilizar a redução da histórica desigualdade social do país ou do déficit habitacional que assola suas cidades. Quanto à nossa justiça, notoriamente morosa, celeridade para a FIFA diz respeito aos procedimentos extraordinários e aos tribunais de exceção para julgar os crimes especiais que pretende criar. A entidade visa, portanto, apenas seus interesses/lucro em detrimento do bem comum e das necessidades da população. Também os congressistas e os nossos governantes parecem pouco se importar com os direitos sociais dos brasileiros. Onde está o suposto “legado social” dos jogos? Até agora, nada encontramos que permita justificar as dezenas de bilhões já investidos em nome da Copa e das Olimpíadas.
 
Com esta polêmica frase, Jerome Valcke se referia à Lei Geral da Copa, fruto do Projeto de Lei 2330 de 2011, elaborado pelo governo federal e que tramitava, até terça-feira (06 de março) na Comissão Especial da Câmara dos Deputados e foi aprovada, nessa instância, na forma do texto consolidado pelo relator Vicente Cândido (PT-SP). Atendendo ao cartola da FIFA, a comissão atropelou manifestações democráticas, não permitindo a realização de um debate público sobre a lei em questão. No mesmo dia, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) protocolou requerimento de urgência para a aprovação da lei no plenário da casa, agendando-a para a próxima terça feira, dia 13 de março.
 
A expressão grosseira “chute no traseiro dos governantes brasileiros” utilizada pela FIFA não causa surpresa. A Lei Geral da Copa já é, em si mesma, um verdadeiro “chute no traseiro” do povo brasileiro. Ela constitui o documento central de um conjunto de leis de exceção que vem sendo editadas nos três níveis federativos do país, de forma a garantir que a Copa do Mundo maximize o lucro da FIFA, de seus patrocinadores e de um conjunto de corporações nacionais, ampliando o canal de repasse de verbas públicas a particulares e fortalecendo um modelo de cidade excludente, que reproduz a lógica da especulação imobiliária e do cerceamento ao espaço público.
 
A Lei Geral da Copa não é tão “geral” assim. Em primeiro lugar, porque, longe de proteger o interesse público, ela tem por base contratos e compromissos particulares, ou seja, interesses privados. Além disso, não abrange a totalidade das intervenções no ordenamento jurídico brasileiro para os mega-eventos, já que não é a primeira e pode não ser a última das leis aprovadas sobre o assunto. Em cada cidade já foram emitidas “leis de segurança”, “leis de isenção fiscal”, “leis de restrição territorial”, “leis de transferência de potencial construtivo”, etc. No Senado, ainda, para onde seguirá, caso os deputados aceitem a submissão à FIFA, a Lei Geral se  associará a pelo menos outros dois PLs (394/09 e 728/11) que, entre outras propostas, restringem o direito à greve a partir de três meses antes da Copa, abrem a possibilidade de proibição administrativa de ingresso de torcedores em estádios por até 120 dias, inventam o tipo penal de “terrorismo” – hoje inexistente no Brasil – e estabelecem justiças e procedimentos de urgência para julgá-lo. Criam, ainda, as chamadas “Zonas Limpas”, de exclusividade da FIFA nas cidades e privatizam o hino, símbolos, expressões e nomes para a Confederação Brasileira de Futebol – a tão “idônea” CBF.
 
A FIFA manda e desmanda, desrespeita e humilha as populações mundo afora. O povo brasileiro, hoje, é a “bola da vez”. Ela deseja construir um reinado de exploração itinerante durante seu evento, para o qual o Estado assume o duplo papel de “policial” – reprimindo, criminalizando e encarcerando sua sociedade – e de “financiador” – assumindo os ônus, riscos e a responsabilidade desta empreitada privada. A Lei Geral da Copa está no centro de todo este processo e consolidará, caso seja aprovada, uma Copa do Mundo excludente e com graves prejuízos ao povo brasileiro.
 
Dentre outras premissas, o projeto a ser votado na Câmara:
 
a) Preconiza a retirada de direitos conquistados por vários grupos sociais, como a meia-entrada e outros direitos dos consumidores (Artigo 26);
 
b) Restringe seriamente o comércio de rua e popular durantes os jogos (Artigo 11);
 
c) Impede que o povo brasileiro possa assistir aos jogos como achar melhor, limitando a transmissão por rádio, internet e em bares e restaurantes (Artigo 16, inciso IV);
 
d) Coloca a União em posição de submissão à FIFA, sendo responsável por quaisquer danos e prejuízos de um evento privado (artigo 22, 23 e 24);
 
e) Cria novos tipos penais e restringe a liberdade de expressão e a criatividade brasileira. Chargistas, imprensa e toda a torcida que usar os símbolos da Copa podem ser processados (Artigos 31 a 34);
 
f) Desestrutura o Estatuto do Torcedor em favor do monopólio da FIFA (Art. 67);
 
g) Coloca em risco o direito à educação, pela possível redução do calendário escolar (Artigo 63);
 
h) Permite a venda de bebidas alcoólicas durante os jogos, retrocedendo em relação à legislação existente (Artigo 29);
 
i) Transforma o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) numa espécie de “cartório particular”, abrindo caminho para abusos nas reservas de patente (Artigo 4 a 7) e na privatização de símbolos oficiais e do patrimônio cultural popular.
 
Dessa forma, a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP, organizada nas 12 cidades sede e constituída por diversas entidades da sociedade civil que lutam para enfrentar, impedir e minimizar os prejuízos sociais advindos com a Copa, mais uma vez, vem a público repudiar este ato de submissão brasileira perante os interesses privados de grandes monopólios da FIFA e seus patrocinadores, totalmente financiados com recursos públicos, atropelando direitos e garantias arduamente conquistados, ferindo princípios democráticos e onerando o povo brasileiro.
 
O Brasil tem condições objetivas de sediar a Copa do Mundo sem produzir este legado autoritário e anti-democrático. Já sediamos grandes eventos, dos mais diversos tipos. A aprovação de novas leis não é necessária e representa um cavalo-de-tróia para modificações que, supostamente transitórias, terminam por incorporar-se definitivamente em nosso direito interno.
 
À luz disso, os Comitês Populares da Copa vêm exigir do Poder Legislativo brasileiro, na figura de todos os congressistas, que formalize o veto que a população já deu ao PL 2330/2011, votando contrários ao mesmo. Sabemos que isso não ocorrerá sem pressão e mobilização popular e, portanto, estaremos atentos para legitimamente defender a justiça social e a soberania popular acima de tudo.
 
Assim não dá jogo! Queremos respeito às regras e leis já existentes na Constituição Federal que garantem ao povo brasileiro direitos e soberania.  
 
 
As exigências da FIFA são um GOL contra o povo brasileiro.
FIFA BAIXA A BOLA!
 
 
A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (ANCOP) é formada pelos Comitês Populares nas 12 cidades-sede da Copa: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Mais informações em www.portalpopulardacopa.org.br

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A escola e o legado esportivo

No mês de dezembro último, a revista do Brasil publicou uma matéria que embora contenha o entendimento questionável, de situar a escola como espaço de formação dos futuros atletas brasileiros, demonstra o quanto ainda temos que caminhar para fazer com que o cidadão, principalmente àqueles em idade escolar, tenha acesso a prática da cultura corporal.

A repórter Cida de Oliveira destaca, logo no início da sua matéria, na página 26, um dado, no mínimo, contraditório para um país sede de dois importantes megaeventos. Nos alerta ela que “No país onde haverá Copa e Olimpíadas, 70% das escolas não possuem quadra, professores suam para conseguir equipamentos e a Educação Física não tem espaço na formação de crianças e adolescentes”.

Essas linhas, que soam como denúncia, traduzem o que há anos vários pesquisadores da educação física/ciências do esporte fazem ecoar em diferentes fóruns da área. O espaço para o ensino da Educação Física na escola é insuficiente para qualquer um dos seus propósitos, independente da abordagem pedagógica definida para o desenvolvimento das suas aulas.

Seja na direção tradicionalmente entendida do ensino da educação física, como momento de desenvolvimento da aptidão física, passando pelas abordagens pedagógicas mais contemporâneas, com influência das ciências humanas e sociais, onde se situam principalmente a crítica-emancipatória e a crítica-superadora, o professor que quiser levar à cabo suas pretensões formativas, terá que se esforçar muito mais do que demanda a sua função docente para vencer a falta de estrutura, espaços e material adequado para suas aulas.

Há casos em que os professores, mesmo com os seus parcos salários, tiram do seu próprio bolso o dinheiro para compra de material pedagógico. Quando não, fazem da sua criatividade, elemento de transformação de cabos de vassoura em bastões, meia e papel em bola de todo tipo e tamanho. “Em Pernambuco, professores e alunos reformam redes velhas, inclusive de pesca, para cestas de basquete, traves de futebol e jogos de vôlei”. (p. 27)

Dados do Censo Escolar, divulgados pelo Ministério da Educação em 2010 e publicado pela reportagem revela a gravidade dos fatos. “72% das escolas de 1ª a 4ª série e 44% das que atendem da 5ª em diante não tem local para aulas de Educação Física. O quadro, que inclui as particulares, é agravado pela carência de cobertura, piso adequado, marcações, bolas, redes, cordas, bastões, traves, colchonetes e demais equipamentos essenciais para as aulas”. (p. 26)

Esta situação é muito pior no norte e nordeste do país, mas os centros mais desenvolvidos economicamente também evidenciam as contradições do país que quer se tornar potência olímpica nos próximos dez anos. Se no “Acre, há quadras em 5% das escolas estaduais de 1ª a 4ª série e em 20% daquelas que atendem a partir da 5ª” (p.27), “Em São Paulo, 20% das unidades estaduais que atendem as quatro séries iniciais não têm infraestrutura adequada”.

Se já não bastassem os problemas infraestruturais elencados, os docentes esbarram em concepções, no mínimo, obtusas de organização do trabalho pedagógico do professor de educação física. O entendimento do governo paulista, por exemplo, traduz bem isso. Para ele, “Os professores não precisam necessariamente estar no ambiente de uma quadra poliesportiva para que o conteúdo de Educação Física seja contemplado. Além das aulas teóricas ministradas em sala de aula, o professor pode levar o aluno a praticar diversas atividades físicas e perceptivas ao redor da escola”. (p. 28 e 29)

As atividades docentes fora da escola são tão fundamentais quanto no seu interior. No entanto, isso não deve ser fator justificador da carência de quadra poliesportiva nas escolas, que é tão necessária para a organização do trabalho pedagógico do professor de educação física, quanto insuficiente, dado o grau de desenvolvimento da disciplina nos últimos anos, que ultrapassa, sobremaneira, os aspectos da “atividade física e perceptivas” dos educandos. Nesse sentido, o “exterior da escola” não deve se resumir ao seu entorno.

Essas situações acabam refletindo na prática dos professores, limitando-a, não permitindo que o processo de democratização, apreensão e ampliação do universo da cultura corporal produzida pela humanidade, traduzida nos jogos, nas danças, nos esportes, na capoeira, nos malabares entre outros, chegue com todas as suas possibilidades e riquezas pedagógicas aos nossos educandos e educandas.

Fico aqui, fazendo minhas, as palavras do professor Roberto Simões, citado na matéria. “Para ele, pouco adianta o propalado legado de infraestrutura que os grandes eventos prometem. O que importa é a construção de um legado socioeducativo, do qual toda a sociedade se aproprie, e não apenas os atletas”. (p. 29).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dossiê dos Comitês Populares da Copa


Ao visitar o blog Observatório da Mídia Esportiva, uma iniciativa do coletivo de pesquisadores do LaboMídia, da UFSC/UFS, tive conhecimento deste dossiê através da postagem "O amor pelo esporte é a hipnose dos desavisados - um alerta à população", (leia a postagem clicando aqui) do professor Galdino R. Sousa. Pelos dados que o mesmo apresenta e que falam por si, socializo o documento com os leitores do Esporte em Rede ao tempo em que conclamo à leitura, acessando o mesmo na íntegra clicando aqui.