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sábado, 24 de janeiro de 2015

Abordagem factual

Exemplo de revista que aborda a notícia com base na factualidade. Defendeu a releição da presidenta Dilma Rousseff, assim como na época do Lula também fez sua defesa em favor do "sapo barbudo" em editorial. Isso é muito comum em países com democracia substantiva. Ao contrário da nossa "república".

No entanto, não se isenta da necessária crítica ao rumo que o governo vem tomando. É assim que o jornalismo factual (não gosto do termo isento, no meu entendimento, isenção não existe, tem sempre uma "visão de mundo" permeando a notícia) deve proceder. Isso ajuda na formação da opinião do leitor.

É comum encontrarmos na Carta Capital, inclusive, opiniões de jornalistas contrárias do editor. Ou outras perspectivas que ajudam a olharmos os acontecimentos por outros ângulos.


Para mim, atualmente (já fui leitor da Veja, mas quando ela se tornou um "aparelho privado de hegemonia - Gramsci, deixei de sê-lo) a Carta Capital me representa e além disso, me ajuda, junto com a Caros Amigos e a Le Monde Diplomatique, a formular minhas opiniões.

Fica a dica.

terça-feira, 5 de março de 2013

Lúcido Saldanha

Um artigo do ex-jogador Afonsinho, escrito na revista Carta Capital número 737, página 88, nos faz lembrar de duas pérolas do grande técnico de futebol  João Saldanha. São elas:

João Saldanha observando um jogo de futebol
[Sobre patrocínios nas camisas dos clubes]: "Nesse caminho o uniforme dos jogadores vai ser igual ao dos pilotos de Fórmula 1".

Sobre os clubes se tornarem empresas: "qual torcedor que vai torcer por um balancete?".

Inspirado nessas duas sacadas que expressam a lucidez do nosso João Saldanha, transcrevo abaixo uma outra em homenagem aos meus irmãos e irmãs baianos. Dizia ele em relação a tradição dos clássicos nacionais:

"Se macumba ganhasse jogo, campeonato baiano terminava empatado".

terça-feira, 8 de maio de 2012

Dois tentos. Um só movimento

A revista Carta Capital, a mais importante revista semanal brasileira da atualidade, na minha modestíssima e interessadíssima opinião, marca dois golaços com um só movimento.

Ao incorporar o ex-jogador de futebol Afonsinho ao time de articulistas da revista, para colaborar na coluna Penalti, ela não só mantém a tradição da coluna como faz justiça e homenageia o seu antecessor: o doutor Sócrates, que abrilhantava toda a semana enquanto fôlego teve para tanto e iluminava as mentes que enxergavam o futebol como algo restrito as linhas divisórias do gramado.

Assim como o doutor, Afonsinho (também médico) foi um lutador e fez do futebol uma arma de libertação e crítica social. Foi ele o protagonista na luta pelo passe livre. E isso, em plena vigência e recrudescimento da ditadura militar, em 1971. Também liderou a luta pelo pagamento aos jogadores de prêmios atrasados pelos clubes que passou.

Jogou no Botafogo, Flamengo, Fluminense e Santos. Tinha um visual provocador, subversivo para um jogador de sua época. Mantinha uma vasta cabeleira e cultivava barba. Seu estilo batia de frente com muitos técnicos, entre eles o Zagalo linha dura (vocês vão ter que me engolir!!!), que o impediu de atuar pelo Botafogo enquanto mantivesse seu gosto pelas madeixas.

Parabéns à Carta Capital. Tal qual um gênio da bola, marca dois tentos com um só movimento.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Alguns sonham, outros não

O texto abaixo, provavelmente o penúltimo escrito pelo Dr. Sócrates, foi publicado na revista Carta Capital, ano XVII, n. 674, página 92. Nele, o tom perspicaz apresenta-se mais uma vez. De uma frase, de um gesto ou de uma postura, o mote para politizar a discussão e trazer à tona, tema essencial para o debate. Fiquemos com o texto lúcido e profundo do doutor. Ele fala por si.

“Eu tenho um sonho.” Essa frase praticamente define a ação do grande líder Martin Luther King (o rei da causa negra, eu diria), que passou a vida lutando pela igualdade de direitos entre brancos e negros nos Estados Unidos, em um tempo que privilegiava o homem branco no transporte, nas escolas, na cidadania. Foi assassinado em 1968 exatamente por lutar pelas conquistas que ele ajudou a serem alcançadas. Com destemor e liderança, enfrentou os maiores obstáculos, insurgiu-se contra a guerra e a discriminação. Marcou época em um período de grandes transformações sociais.
 O mesmo ano de 1968 ficou marcado pelas manifestações dos estudantes na Sorbonne parisiense, que ergueram barricadas em sua luta por mudanças. “Nós somos judeo-alemães”, era o grito que ecoava; queriam demonstrar que todos somos iguais, sejamos negros, sejamos árabes ou brancos. Esse era o slogan daquela juventude que lutava por liberdade, autonomia e independência. Provocaram muitas mudanças, colocaram de cabeça para baixo qualquer tradição ou vício social. Antes, as mulheres eram tratadas como menores e as opções sexuais como fantoches. Daniel Cohn-Bendit simbolizou aquele movimento. Dani,comotodos os outros, também tinha um sonho.

Ellen Sirleaf, a primeira mulher a ser eleita presidente da Libéria; Leymah Gbowee, também liberiana e que liderou a chamada greve de sexo de suas compatriotas; e Tawakul Karman, ativista iemenita, figura fundamental no país onde praticamente se iniciou a Primavera Árabe, que derrubou boa parte dos antigos regimes de várias nações árabes neste ano, foram agraciadas pelo Nobel da Paz de 2011 por suas lutas pelos direitos das mulheres africanas, pela paz e pela democracia. Essas fortes mulheres também têm um sonho.

Nelson Mandela lutou a vida toda contra o apartheid, termo que explicita a segregação racial então vigente na África do Sul, onde a população negra não possuía os mesmos direitos políticos, sociais e econômicos que a minoria branca. Por isso permaneceu preso durante 26 anos. Nelson é autor de frases definitivas como: “Sonho com o dia em que todas as pessoas se levantarão e compreenderão que foram feitos para viver como irmãos” ou “não há caminho fácil para a liberdade”. Ou ainda “a queda da opressão foi sancionada pela humanidade e é a maior aspiração de cada homem livre” e “uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação”. Mandela até hoje corre atrás dos seus sonhos e aspirações de liberdade, igualdade e fraternidade entre os homens. Um belo exemplo de compromisso com seu povo e com a humanidade.

Entre os brasileiros também encontramos idealistas natos, como Luiz Carlos Prestes, que doou sua vida e até acompanhou a morte da mulher Olga, assassinada em um campo de concentração nazista, por uma causa onde a justiça e a igualdade eram os valores proeminentes. Ou Antonio Conselheiro, líder de Canudos, cuja guerra foi tão bem relatada por Euclides da Cunha em Os Sertões. Com a gente paupérrima e sofrida pela fome, seca e falta de perspectiva econômica e social, ele criou uma comunidade de pura sobrevivência e que foi esmagada pelo Exército brasileiro. Como se perigosos fossem. O único perigo,como sempre, era o do exemplo que poderiam dar a gente com os mesmos problemas. Eles também sonharam.

Inversamente, há poucos dias, o presidente da Fifa veio a público para dizer que não há racismo no futebol e que as agressões que ocorrem dentro de campo poderiam ser resolvidas com um simples aperto de mãos. Uma visão cega e fascista da realidade. Os negros estão expostos na sociedade ocidental desde sempre e isso não desapareceu. A reação foi imediata e o fez recuar, mas um pensamento não desaparece por causa do que provoca. Tentar esconder algo tão incrivelmente absurdo é de uma ingenuidade que um ser de 70 anos não tem o direito de possuir. Pior, utilizar análises simplistascomoessa, para encobrir a realidade daquilo que comanda, é pura perversão de caráter.

Nada mais endêmico (junto com a corrupção) entre aqueles que comandam o futebol. Certamente os negros de todo o planeta se sentiram agredidos, menos um: Pelé. Que de preto parece ter somente a cor da pele. Ele não só corroborou com a tese de Blatter como acrescentou outras bobagens nascidas de seu pseudointelecto. De uma coisa sabemos de há muito: Pelé jamais sonhou com o que quer que seja.

domingo, 16 de outubro de 2011

Muito estranho

Há muito tempo que diversas ONG´s de diferentes estados da nação brasileira vem se utilizando do dinheiro do Ministério dos Esportes, assim como vário empresários de diversos ramos vem se utilizando do Fundo Público, para desenvolver seus projetos humanitários, ações para inclusão social entre outras cantilenas.

Sabendo disso, meus botões, companheiros sempre atentos, me perguntaram: por que somente agora a revista Veja resolveu escrever uma matéria sobre o caso? A resposta provável é que somente agora o próprio ministro Orlando Silva está envolvido diretamente na denúncia. Portanto, a denúncia se personaliza. Penso eu. Se os atos de corrupção estiverem na esfera externa e não atingirem os ministros, bastam apenas algumas matérias em revistas que poucos leem e tá bom. Mas quando o caso toca na carne do senhor ministro da pasta em questão, cabe que o eco da matéria escrita reverbere nos canais de televisão.

Muito estranho isso.

De qualquer modo, tem que averiguar. Mas seria importante, também, que outras capas de revistas semanais chegassem às telas da globo. A revista Carta Capital do dia 5 de outubro aponta um nível de corrupção muito grande envolvendo as forças armadas do país. Este caso dormita nas redes televisivas.

Muito estranho isso.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Corrupção Esporte Clube

Em 22 de novembro do corrente ano postamos um texto neste espaço intitulado Por que o espanto? onde ecoávamos informações obtidas em outros veículos jornalísticos sobre o fato do senhor Ricardo Teixeira ser beneficiado com 100% do capital relacionado a toda e qualquer transação envolvendo a Copa do Mundo de futebol que será realizado no Brasil no ano de 2014, já que o mesmo é presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014.

Eis que justamente na semana em que a capital do país, Brasília, sedia um encontro internacional contra a corrupção e a primeira corrida Venceremos a Corrupção, eventos promovidos pelas entidades Barômetro da Corrupção Global e ONGs (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) e Comunidade de Inteligência Policial e de Análise Evidencial (Cipae) juntamente com centenas de outras entidades), respectivamente, a revista Carta Capital aborda uma matéria na página 38 e 39 da sua edição de número 625 sobre o senhor Ricardo Teixeira.

A reportagem, assinada pelos jornalistas Bruno Huberman e Ricardo Carvalho informa que "A britânica BBC vincula o presidente da CBF à milionária rede de corrupção". Segundo a reportagem que foi levada ao ar pela rede de televisão londrina (só mesmo por lá pode-se assistir a este tipo de matéria), "revelou uma lista secreta com 175 pagamentos de propina feitos pela empresa suíça de marketing esportivo ISL, num total de mais de 100 milhões de dólares. Segundo a planilha, Teixeira teria recebido cerca de 9,5 milhões de dólares entre 1992 e 1997 por meio da empresa de fachada Sanud, com base no paraíso fiscal de Liechtenstein", pequeno principado localizado entre a Áustria e a Suíça.



Em 2001, quando foi finalizada a CPI do Futebol, um marco na investigação sobre a corrupção no futebol brasileiro, que não deu em nada, evidentemente, esta mesma empresa, Sanud, apareceu colada ao nome do senhor Ricardo Teixeira, que na época, se condenado, poderia pegar um mínimo de nove anos de cadeia, uma piada, já que não se trata de morador do Complexo do Alemão e nem da Vila Cruzeiro.

Um outro nome que aparece na lista dos subornados é o do ex-presidente da FIFA, o senhor João Havelange. "O documento mostra 1 milhão de dólares destinados a um item denominado 'garantiaJH'. Havelange já havia sido centro de outro escândalo, quando, em 1998, 1 milhão de francos suiços da ISL [olha ela aí de novo] caíram por engano na conta da Fifa, quando o destino seria a conta pessoal do cartola(...)".

Só para relembrar, os crimes que envolvem o senhor Ricardo Teixeira e que foram expostos pela CPI do Futebo vai desde apropriação indébita (7 milhões de reais em salário da CBF, além de usar dinheiro da entidade para pagar advogados para suas próprias causas), passando pela evasão de divisas (envio de 500.000 dólares a um paraíso fiscal), sonegação (declaração do imposto de renda não conferem com outros dados bancários), lavagem de dinheiro (5 milhões de reais em fraude contábil) e estelionato. Quase um time de futebol inteiro de ações fraudulentas.

Mas o que diz o senhor Teixeira sobre tudo isso? Nada. Absolutamente, nada! "Por meio de sua assessoria de imprensa, notificou que não comentará o caso" da matéria veiculada pela BBC.

Silêncio absoluto e ensurdecedor. Por menos que isso, caem ministros de estado, membros da casa civil e presidentes de países entram em processo de impeachment. Viva o fair play!!!