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terça-feira, 16 de abril de 2013

Eleições Venezuela

O "democrata" Capriles, derrotado nas eleições venezuelana pela terceira vez consecutiva, retoma o esporte preferido da direita reacionária latinoamericana: violência e desprezo pela democracia.

domingo, 20 de novembro de 2011

Palmares Esporte Clube

A data de hoje, 20 de novembro, é alusiva ao Dia da Consciência Negra. É também data da morte de um lutador do povo, Zumbi dos Palmares, morto no ano de 1695 pelas forças reacionárias do Brasil colonial.

Mais do que a luta contra a escravidão, Zumbi dos Palmares representa a luta pela libertação de um povo oprimido pelo julgo português, um povo que se queria livre de todas as formas opressivas, sendo a escravidão apenas uma delas e que ainda continua a imperar no nosso país e no mundo.

Indicadores sociais apontam que de duas milhões de mulheres, em sua maioria imigrantes, trabalham nos Estados Unidos em condições de escravidão, sem nenhum tipo de proteção trabalhista, a mercê dos humores e desejos dos seus patrões.

Na América Latina e Caribe, são 180 milhões de afrodescendentes considerados 'invisíveis'" (A TARDE, Opinião, Caderno A2, 20.11.11). No mesmo texto de onde tirei este dado, do jornalista e pesquisador Nilton Nascimento, é apresentada a impressão da "Condoleezza Rice, primeira mulher afro-americana a se tornar secretária de Estado nos EUA" da visita que a mesma fez na Bahia. Diz ela: "Durante a visita eu me surpreendi como a divisão racial no Brasil. Os brasileiros sempre sustentaram que não têm problema racial. Pareceu-me que nos serviços braçais ficam os africanos (...); nos serviços, os mulatos (...); e os funcionários do governo têm ascendência europeia/portuguesa. O Brasil foi o Páis mais parecido com os Estados Unidos na sua composição étnica, mas parece ter tirado pouco proveito da revolução pelos direitos civis que mudou a face da política e da sociedade americana"

Esses problemas raciais são materializados no âmbito do emprego, da educação, do rendimento e, também, no âmbito esportivo. O caso mais clássico é o da Olimpíada de Berlim, realizada em 1936. Na oportunidade, Adolf Hitler queria demonstrar a superioridade da chamada raça ariana. Mas a estética hitlerista foi ofuscada pelo campeão maior deste evento esportivo, o negro Jesse Owen.

Em 2005, tivemos o episódio que envolveu o atacante Grafite com o zagueiro Desábato, em partida válida pela primeira fase da Copa Libertadores. O jogador do São Paulo acusou o argentino de racismo. Em 2009, um caso parecido ocorreu no clássico entre Grêmio e Cruzeiro, na partida semifinal da Copa Libertadores, desta feita entre o atacante do Grêmio Maxi López e o volante do Cruzeiro Elicarlos. Segundo este, o argentino López o teria chamado de "macaco".

Na última sexta-feira, o presidente da FIFA teve que se retratar e pedir desculpas pela declaração polêmica de que "os incidentes de racismo nos campos de futebol deveriam ser resolvidos com apertos de mão no encerramento das partidas". (Matéria completa aqui) e hoje, saiu a notícia no caderno de esporte A TARDE, que "a UEFA multou a Federação Búlgara em 40 mil euros pelos incidentes de caráter racista ocorridos em 2 de setembro, em Sofia, no jogo contra a Inglaterra pelas eliminatórias para a Euro-2012. A multa teve origem atitudes discriminatórias de torcedores. Parte do público imitou sons de macacos quando os jogadores negros da seleção inglesa tocavam na bola".

Pelo exposto, Zumbi vivo, ainda teria muito o que fazer. Mas sua luta, a de Milton Santos, a de Nilton Nascimento entre muitos lutadores do povo, fica como lição para todos que acreditam que um outro mundo é sim, possível. Esses e outros, com certeza, formariam um exitoso time de futebol, o Palmares Esporte Clube.

sábado, 8 de maio de 2010

O esporte pode tudo!!!

Utilizo-me do título do mais recente livro do professor Vitor Marinho de Oliveira para refletir sobre o movimento das Conferências Municipais de Esporte que aconteceram em praticamente todo o país e que conta com a sua terceira edição. O livro faz parte da nova coleção questões da nossa época e “integra os projetos comemorativos dos 30 anos da Cortez Editora”

Já a III Conferência do Esporte é fruto da política do governo, oriunda do aconselhamento do Banco Mundial e que objetiva o propósito de democratizar o debate em torno do esporte e da sua função social. A forma encontrada pelo organismo internacional para a aproximação do estado com a sociedade civil foi o modelo das conferências, que aconteceram não só em relação ao esporte, mas, também, em relação à comunicação, à educação entre outros.

No que diz respeito ao esporte, a impressão que fica lendo alguns documentos e ouvindo algumas explanações sobre o mesmo é de que realmente, tal como expressa o título do livro já citado, o esporte pode tudo!!! Fenomenologicamente, colocamos o mesmo “entre parênteses”, e o analisamos de forma isolada, descontextualizada “de todo o processo histórico que o produz” e reproduz, “deixando de lado as condições materiais de sua existência”.

Nesse sentido, um discurso humanista de cunho existencial cola no esporte aspectos sociais que intrínseca e imediatamente não é função do mesmo. Para além do seu caráter lúdico e agonista, o mesmo assume a função de tirar as crianças e jovens das drogas, “é eficaz no processo de ressocialização, é prática democrática, proporciona saúde, combate a violência, reintegra deficientes físicos”, etc, etc. Um verdadeiro elixir salvacionista, receita e remédio para todos os males da sociedade capitalista.

A Universidade Federal de Goiás, através dos pesquisadores do GEPELC (Grupo de Estudo e pesquisa de esporte, lazer e comunicação) vem analisando os documentos produzidos na primeira e na segunda Conferências Nacionais do Esporte e o que eles tem encontrado se caracteriza como uma “avalanche semântica” onde “um conjunto de funções, de atribuições, de qualidades são coladas ao esporte (...)”.

É o esporte enquanto “desenvolvimento humano”, como “promotor da qualidade de vida”, da “cidadania”, o esporte como “ferramenta da paz”,toda uma gama de atributos e qualidades que apresentadas “entre parênteses” só contribuem para a mistificação do próprio esporte e de todos esses elementos colados ao mesmo.

Nesse sentido, destituído de qualquer referência sócio-histórica, passamos a pensar as políticas públicas de esporte e lazer descoladas tanto da política quanto do público, transformando o objetivo democrático das Conferências em democratismo, puro sofismas, falácias, verdadeiro exercício ideológico no sentido clássico do termo, de falseamento da consciência.

Para irmos de encontro a esses e outros fatores, sugiro que façamos um esforço de estudo e análise sobre o que está prescrito nas leis que regem o esporte e nas formulações presentes nos documentos das Conferências já realizadas e cotejemos com a realidade concreta do nosso país, explicitada, dentre outros, no documento Habitat, da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado no dia 2 de março e que aponta o Brasil como o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos da população controlam 50,6% das riquezas do país, enquanto que os 10% mais pobres detêm apenas 0,8%. Isso tudo apesar do Brasil ser hoje a oitava maior economia do mundo.

Para aqueles que acham que esses dados são apenas para economistas e sociólogos, sugiro então que se debrucem apenas sobre os documentos das Conferências e analisem, tomando os mesmos como referências, o que foi realmente realizado e que setores foram mais privilegiado no desenvolvimento das políticas de esporte dos governos.

Helvétius, nos ensina o Vitor Marinho, no bojo da revolução burguesa, afirmou que a educação pode tudo. O desenvolvimento histórico demonstrou que nem tanto e interrogou sobre de qual educação se tratava. Aprendamos com a história e interroguemos: o esporte pode tudo? De qual esporte estamos falando? Para quem praticar? Sobre quais estruturas e modo de produção e reprodução da existência? Esporte para todos ou esporte para poucos?