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domingo, 2 de junho de 2013

Seleção Brazuestrangeira

Tanta coisa importante para se refletir, debater, sobre o futebol nacional e o esporte de uma maneira geral e as redes de televisão do país só aborda assuntos relacionados ao Neymar e a Seleção Brazuestrangeira.

Pauta é o que não falta. Por exemplo: a) selecionados por Felipão que pertencem ao mafioso russo, Kia Joorabchian; b) desapropriações e copa do mundo 2014; c) COB e incentivo à democratização do esporte; d) construções de arenas: necessidade ou farra com o dinheiro público? e) políticas de esporte e lazer no país da olimpíada e das copas (confederações e mundial) f) etc, etc, etc...

Mas preferimos ficar com as neymarzetes e equivalentes.

sábado, 15 de setembro de 2012

A questão do voluntariado

Desde o dia em que a FIFA anunciou que também iria trabalhar com o voluntariado para a Copa de 2014, que este tema vem ganhando o lugar do debate. Uns são contra. Outros a favor. E outros tantos, nem contra e nem a favor, muito pelo contrário.

Brincadeira a parte, o fato é que este tema é realmente muito delicado. A ideia do trabalho voluntário para um evento que mexe com a casa dos bilhões, soa estranho para qualquer ouvido atento. No entanto, penso que devamos tomar cuidado com determinadas posturas a respeito do tema.

Refiro-me ao fato de não contextualizarmos as nossas opiniões discordantes. Dos que ouço falarem que são contra, parece generalizar sua contrariedade, como se todo o trabalho voluntário fosse algo absurdo, quando na verdade, não é bem assim. Senti esse clima quando na mesa sobre megaeventos esportivos que participei, no encontro nacional dos estudantes de educação física, falei que era a favor do voluntariado.


O voluntariado é uma bandeira cara a esquerda mundial. Cuba mesmo, um dos países referência desta bandeira, pratica o voluntariado no mundo inteiro, principalmente na área da saúde. Precisamos ter muito cuidado quando em alto e bom som, falamos que somos contra o trabalho voluntário. Não podemos jogar o bebê junto com a água do banho fora só porque, mais uma vez, o capital se apropriou de uma palavra cara a todos nós e a transformou em possibilidade de subtração de mais valor sobre as ações de homens e mulheres, que encaram esta empreitada com as maiores das boas intenções.

Devemos sim, condenar este tipo de voluntarismo que pratica a FIFA, que praticou o COI em Londres e praticará também aqui, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Este mesmo voluntarismo que alimenta ações do tipo "amigos da escola", da Rede Globo e tantas outras ações que a despeito de levarem a bandeira do exercício da cidadania, alimenta a sanha financeira de muitas corporações.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As veias abertas do esporte mercantilizado no Brasil

O texto abaixo é de autoria da professora, doutora, Celi Taffarel
Universidade Federal da Bahia

Os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres/Inglaterra foram abertos com um espetáculo assistido por mais de umbilhão de pessoas, do contingente de 7 bilhões que compõe nosso planeta. Assistimos a um espetáculo concebido pelo cineasta Danny Boile que, valendo-se da linha da história, representou feitos dos ingleses colonizadores, permeando a obra com a poética de Shakespeare até as canções dos Beatles.

Destaco dois elementos desta linha da história considerada pelo cineasta britânico Boile que não são imediatamente observados. Um diz respeito as relações comerciais criminosas estabelecidas nos últimos 500 anos que abriram as veias de muitos continentes e os fizeram sangrar mortalmente. O que lhes tira hoje a possibilidade de conquistar medalhas olímpicas.  É o caso do continente Africano e Latino Americano, condenados, nas relações internacionais do trabalho, sob os auspícios do capitalismo, tanto em sua fase emergente, colonialista, escravista, quanto na sua fase superior imperialista, a servirem como exportadores de materiais primas e consumidores de subprodutos da indústria estrangeira. Com o agravante do escravismo dos povos africanos, da extinção dos povos indígenas na América Latina e a dominação de nações por tropas militares como ocorre, ainda hoje, na América Central com o Haiti.

O outro elemento a destacar é a subsunção atual, total e completa, do esporte a lógica do capital e sua sustentação por devastadoras empresas multinacionais, responsáveis por desastres ecológicos que ameaçam a vida em nosso planeta e responsáveis pelo sistema de exploração dos trabalhadores, exploração da natureza e destruição de culturas e nações.

Estiveram por traz dos Jogos Olímpicos de Londres a gigante do ramo da química no mundo, que provocou o desastre de Bhopal na Índia, a empresa DOW e a BP, petrolífica inglesa responsável pelo terrível vazamento do Golfo do México em 2010, entre outras empresas que exploram, tanto o trabalho  infantil, quanto o trabalho de mulheres, jovens e idosos, em muitas partes do planeta. A esta lógica está submetido o esporte e os esportistas, dos atletas que dedicam sua vida, com rigor e disciplina nos treinamentos esportivos, aos Comitês Olímpicos que, em última instância, servem para manter taxas de lucros das empresas multinacionais de vários ramos, sejam eles midiáticos, alimentício, calçadista, hoteleiro, turístico entre outros.

Que faremos nós no Brasil com o legado Olímpico deixado pelos ingleses? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em espetáculos midiáticos? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores em números de medalhas, em recordes? Vamos rivalizar e mostrar que somos melhores nos negócios? Ou,vamos traçar a linha da história, mostrar nossas veias abertas (Eduardo Galeano. As veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979)? Mostrar os séculos de violência e dor a que estamos submetidos  (Luis Suárez Salazar. Madre América. Un siglo de violência y dolor (1898-1998). Instituto Cubano del libro. Editorial de Ciências Sociales. La Habana, Cuba, 2006.) Mostrar a violência dos imperialista que usurpam a natureza,  os sonhos, o futuro da nação? Vamos nestes próximos quatro anos priorizar a competição exacerbada, que é uma das dimensões do esporte e educar nossa população nesta perspectiva, e abdicar do caráter formativo, educativo, lúdico do esporte? Vamos priorizar o esporte espetáculo para o público ou o esporte do público com o público? 

O esporte é fruto de relações sociais de produção da vida, em suas distintas fases de desenvolvimento. Para elevar o padrão cultural esportivo de uma nação há que se educar seu povo, suas classes sociais, em especial a classe trabalhadora a quem tem sido negado o acesso a ciência, a tecnologia, a educação, as artes, ao esporte.

O esporte é um fenômeno decorrente de relações sociais, é culturalmente elaborado, historicamente acumulado e, economicamente negado. Este processo de negação do esporte enquanto patrimônio da humanidade atinge, sim, dimensões objetivas e subjetivas da condição humana. Condição humana que é historicamente determinada e que vai expressar se somos meros observadores de espetáculos esportivos ou somos construtores da cultura esportiva de nosso pais. Aqui na UFBA para cumprirmos com a função social de educar a população na linha do esporte educativo, lúdico como obra de sujeitos históricos, temos que criar o Instituto de Ciências do Esporte e construir o Complexo Esportivo Educacional da UFBA. Esta faltando determinação politica dos órgãos superiores da UFBA para isto acontecer.

Continuemos..... 

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio - Dia de luta

"Comprometido com a FIFA e o COI em garantir as obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas em nosso país, o governo brasileiro, além de bancar a construção desses “elefantes brancos” com dinheiro do orçamento público federal, vai promovendo remoções de milhares de famílias pobres obrigando-as a deixar suas moradias, sem qualquer garantia oficial, sem destino certo. Tudo isto para garantir melhores condições aos turistas que aqui possivelmente desembarcarão, à custa de piores condições de moradia e de vida para o povo. Quando as famílias prejudicadas pelas remoções protestam, governantes colocam suas polícias com todo seu arsenal repressivo para “garantir a ordem” dos interesses das grandes construtoras, financiadoras das campanhas eleitorais dos partidos políticos, governadores, senadores e deputados. A truculência das polícias estaduais e municipais vem ocorrendo com freqüência sobre milhares de famílias que habitam em terrenos devolutos (propriedade do Estado) e que deveriam ser usadas prioritariamente para sua função social, como manda a Constituição brasileira. Fatos como o da expulsão de Pinheirinhos, em São José dos Campos – SP, se dão com freqüência e tal brutalidade que vêm merecendo a condenação até mesmo de setores da mídia burguesa."

Trecho do texto do Waldemar Rossi, 1º de Maio: um confronto com o Estado repressivo. Leia a íntegra clicando aqui.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Juventude socialista da Suíça pede fim de privilégios fiscais à Fifa

juventude socialista da Suíça pediu ao governo que coloque fim "aos privilégios fiscais" à Fifa, organismo máximo do futebol com sede em Zurique.


O pedido, embasado em 10,5 mil assinaturas e feito junto com a organização Solidar Suisse, considera injustificado o fato da Fifa ser considerada de utilidade pública, dados seus enormes lucros econômicos e os recentes escândalos de corrupção.

Se o principal órgão executivo do futebol mundial fosse considerado como uma empresa comum, afirmam os autores da iniciativa, de 2007 a 2010 teria pago o equivalente a R$ 366,8 milhões em impostos. No período, entretanto, só pagou R$ 6,8 milhões.

A juventude socialista lembra que ao fim da Copa do Mundo da África do Sul em 2010, a Fifa revelou lucro de R$ 4,7 bilhões, enquanto o país organizador, com altos níveis de pobreza, sobrou uma dívida de R$ 6,1 bilhões.

Conforme a agência local "ATS", o escritório federal do esporte da Suíça deve apresentar até o final do ano um relatório sobre a luta contra a corrupção em instituições esportivas, o que vai apontar quais medidas organismos como Fifa, Uefa e COI devem adotar a respeito.

Na última terça-feira, a ONG Transparência Internacional (TI) propôs que a reforma anunciada pela Fifa para evitar novos casos de corrupção seja supervisionada por uma comissão independente, formada por pessoas que não pertençam à organização.

A Fifa aceitou a proposta e ressaltou que em seu congresso de junho renovou "o compromisso de melhorar sua organização, centrada no aumento da transparência das atividades e não tolerando qualquer forma de corrupção".

Reportagem da ESPN/ESTADÃO.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A pobreza, a miséria e o esporte

Ontem, 01 de janeiro de 2011, início do fim da primeira década do século XXI, tomou posse no Congresso Nacional a senhora Dilma Vana Rousseff, de sessenta e três anos. A primeira mulher presidente da República do Brasil.

No discursos fez menções ao gênero, enalteceu o governo do seu agora antecessor e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fez, é claro, promessas. Dentre elas a erradicação da miséria e a transformação do Brasil em um país de” classe média sólida e empreendedora”. Seja lá o que isso signifique (Leia o discurso na íntegra clicando aqui).

O ex-presidente, por sua vez, ao descer a rampa do Planalto foi para os braços do povo que o consagrou como o presidente mais popular do país, deixando-o com um patamar de quase 90% de aceitação do seu governo. Na Base Aérea de Brasília mais abraços no povo e a audição, antes de embarcar para São Paulo no Aerolula, do “Tema da Vitória” e do hino do Corinthians.

Aqui na Bahia, tomou posso na manhã de sábado no plenário da Assembléia Legislativa, para o seu segundo mandato frente ao governo do Estado, o senhor Jaques Wagner (PT). A cerimônia foi mais cedo do que o costume, já que o governador, eleito com 63,8% dos votos válidos , iria participar da cerimônia de transmissão de cargo do presidente Lula para sua sucessora, Dilma.


Entre o discurso de Dilma e o de Wagner nas suas respectivas cerimônias duas coisas em comum: a questão social e esportiva. Se Dilma quer a erradicação da miséria, Wagner quer continuar diminuindo a pobreza. E se este evidenciou a construção da nova arena da Fonte Nova e outras obras visando à preparação da Bahia para a Copa do Mundo de 2014, àquela, na presença de Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), declarou apoio à realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

Podemos inferir, com base nesses episódios, que o esporte será um elemento substantivo nos governos, principalmente os dos Estados que terão a oportunidade de sediar megaeventos. Aliás, esses elementos deveriam se imbricar. O discurso sobre a diminuição da pobreza e/ou erradicação da miséria deveria ter na política esportiva nacional uma ancoragem, pois levantamento feito pelo Núcleo de Estudos da Saúde, da Previdência e da assistência Social da Embrape e Fundação Getúlio Vargas demonstra que para cada um real investido em esporte existe um retorno de oito reais e cinqüenta e nove centavos em alavancagem social (saúde, educação, luta anticrime, inclusão social e outras atividades fins – BERTINI, Alfredo. Economia da Cultura: a indústria do entretenimento e o audiovisual no Brasil. Editora Saraiva, 2008, p. 54).

Agora, observem. A citação do estudo diz respeito a investimentos em esporte, no genérico, e não e tão somente naquele adjetivado de rendimento ou de competição, como parece ser costume o Ministério dos Esporte privilegiar e que, tudo indica, o faz muito mal, pois apenas 32,62% do orçamento disponível para o Ministério do Esporte foi gasto. Ou seja, dos R$ 2.229.479.471,00, disponível para a pasta em 2010, apenas R$ 727.344.828,18 foram gastos, isso até o dia 19 de dezembro. E destes, pasmem, o montante de R$ 423 milhões foram gastos em pagamento de contas passadas. Ou seja, do 1/3 do orçamento executado, mais de 50% deste foram gastos para pagar contas de 2009.

Erradicar a miséria, diminuir a pobreza, devem ser partes de objetivos mais amplos, pois esses indicadores sociais são produtos de uma política concentradora de poder e de ampliação dos privilégios que há muitos anos vem sustentando o parlamento nacional, as assembléias estaduais, bem como as câmaras municipais. E essa mesma política, marcada pela concentração e ampliação dos privilégios é a tônica das ações voltadas para o desenvolvimento das políticas de esporte e lazer do país.

domingo, 24 de outubro de 2010

Pelé: 70 anos

No último dia 21 de outubro completou 70 anos de idade o jogador mais conhecido do planeta, o senhor Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé. Mineiro da cidade de Três Corações, Pelé recebeu do jornal francês L´Equipe, o título de Atleta do Século no ano de 1981. Em 1999 o Comitê Olímpico Internacional, na esteria do L´Equipe, também o elegeu como Atleta do Século. A FIFA pegou ponga no ano 2000 e repetiu a honraria. O elegeu como Jogador de Futebol do Século XX. Estava batido o martelo pela terceira vez, consagrando assim, em definitivo, o título de Atleta do Século ao Pelé, que além de apelido, virou também adjetivo. Existe o Pelé da pintura, da escultura, da arquitetura, entre outros.

Mas o que mais chama a atenção para este humilde escrivinhador é o salário que o Pelé recebia à época quando jogava no Santos. Nada mais do que R$ 5.500(cinco mil e quinhentos reais) na moeda de hoje, o equivalente a 5.000 cruzeiros novos. Estamos nos anos 70 e o esporte, mais especificamente o futebol, não tinha ainda se tornado business. Robinho, que até recentemente defendia as cores do mesmo time que consagrou o Rei do Futebol, recebia em torno de 1 milhão de reais por mês.

Se, comparativamente, Pelé recebia muito menos do que recebem hoje os craques duvidosos dos gramados mundiais, o mesmo teve muito mais visão em relação aos negócios do que os seus contemporâneos Didi, Vavá, Zito e do consagrado Garrincha. Com um patrimônio pessoal estimado em 25 milhões de dólares, as empresas de Pelé movimentam atualmente cerca de 40 milhões de dólares por ano.

Passados mais de 25 anos que finalizou sua carreira de jogador de futebol, até hoje é homenageado em vários países do mundo. Com sua trajetória vitoriosa, e que continua, entre outras coisas, como instrutor/conselheiro do infantil e juvenil do Santos, Pelé é alvo de críticas, bajulações, adulações e polêmicas.

Chegado a dizer o que pensa sobre os diferentes atletas nacionais e internacionais, vira e mexe, o aclamado Rei do Futebol está sempre na mídia falada e escrita. Estratégia? Talvez sim. Quem não as tem?

O homem que marcou 1281 gols no total de 1375 jogos (0,9 por partida) foi protagonista de discursos politicamentes corretos, quando pediu atenção às crianças e às pessoas pobres do Brasil no seu milésimo gol, sofreu com a prisão do seu filho Edinho e ficou marcado pela saga de Sandra Machado, reconhecida como filha do rei pela justiça em 1994, após ter sido negada por diversas vezes pelo rei.

Um misto de mito e homem se misturam na trajetória deste jogador de futebol, o atleta do século, o senhor Edson Arantes do Nascimento ou, simplesmente, Pelé.

domingo, 6 de junho de 2010

Athlone e o legado social made in FIFA

Provavelmente nenhum de nós ouvimos falar de uma pequena cidade situada a dez quilômetros da Cidade do Cabo chamada de Athlone nas programações televisivas sobre o mundial da África do Sul, mas esta foi palco de uma situação muito esclarecedora quando o assunto é a perspectiva da FIFA em relação ao evento que terá início no próximo dia 11.

Estamos muito acostumados a ler e ouvir que existe uma preocupação crescente da FIFA e do Comitê Olímpico Internacional em relação ao chamado "legado social" deixado pelos seus respectivos eventos nas cidades sedes. De memória recente, tivemos aqui no Brasil o Pan-2007, no Rio de Janeiro. Entre o legado anunciado, estava a melhoria da mobilidade urbana, com a extensão do metrô até a Barra da Tijuca. Só ficou no papel esta e tantas outras melhorias anunciadas.

Mas o palco é Athlone e os atores iniciais são os representantes da prefeitura local e o governo da província. "As autoridades vislumbraram a possibilidade de, finalmente, criar empregos na periferia da segunda maior cidade do país. A ideia era aproveitar o evento para pavimentar avenidas, construir novas casas, reformar as antigas, incremenar o transporte coletivo".

No entanto, eles não contavam com o entendimento, muito mais moderno, do que significa "legado social" para a comitiva da FIFA que ao visitar o local escolhido e informada sobre a "(...) importância da escolha de Athlone para o incremento da área e a melhoria da vida das milhares de pessoas que moram ali" tratou de deixar muito claro que a preocupação da FIFA é muito mais com o "(...) público global da Copa do que na particularidade nacional" anunciando em alto e bom som ao jornal Mail & Guardian para que não restasse nenhuma dúvida aos bem intencionados, mas arcaicos e ultrapassados representantes da administração de Athlone, cuja mentalidade era típica dos intelectuais que gostam de miséria, de que o povo gosta mesmo é de luxo e que portanto, "Os bilhões de espectadores não querem ver favelas e pobrezas pela televisão".

Assim, buscando atender ao entendimento do "legado social" made in fifa, Athlone foi dispensada e anunciou-se, quatro meses após a visita da comitiva, que um novo estádio seria construído "(...) com 68 mil lugares, num dos bairros mais ricos da Cidade do Cabo".

Foi assim que surgiu o belíssimo estádio Green Point, palco das semi-finais da Copa da África do Sul. O nome do estádio se deve ao fato do mesmo ter sido erguido "(...) em uma das poucas reservas verdes da cidade (...)", uma tradução perfeita, coerente e simbiôntica entre o legado social e o legado ambiental "made in FIFA".

"Financiada com dinheiro público, a obra custou 1,1 bilhão de reais, quase quatro vezes mais do que o previsto. Ou era isso ou não tinha Copa, argumentou o vice-prefeito Ian Nelson, quando o estádio foi licitado". Talvez por essas e outras imposições a FIFA seja considerada, pelo Eduardo Galeano, o FMI do futebol.

Para uma entidade que representa um mercado de "250 bilhões de dólares anualmente" e que só "no ano passado faturou 1 bilhão de dólares com um lucro líquido de quase 200 milhões de dólares" e que até o momento "só com a Copa da África do Sul, ganhou 3,8 bilhões de dólares" fica realmente difícil pensar no social dos cerca de 130 mil moradores de Athlone.

[AS CITAÇÕES EM NEGRITO PRESENTES NO TEXTO FORAM RETIRADAS DA REPORTAGEM DE DANIELA PINHEIRO, PUBLICADA NA REVISTA PIAUÍ DO MÊS DE MAIO E INTITULADA QUESTÕES ECONÔMICO-LUDOPÉDICAS: A COPA DO CABO AO RIO. PÁG. 43-49].

domingo, 25 de abril de 2010

Ato Olímpico

Em fevereiro nós chamamos a atenção dos nossos leitores e da comunidade esportiva de uma maneira geral sobre a censura sofrida pela professora Kátia Rúbio no tocante a publicação do seu livro "Esporte, educação e valores olímpicos". Segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) expressões como OLÍMPICO, OLIMPÍADAS e congêneres bem como os aros olímpicos, utilizados no livro citado, eram propriedades das entidades e só elas poderiam fazer uso dos termos e dos símbolos representativos dos cinco continentes.

Essa ação teve uma certa repercussão no campo esportivo e no interior de algumas universidades brasileiras. A UFBa, por exemplo, através da professora Celi Taffarel, Diretora da Faculdade de Educação, encaminhou uma nota de repúdio ao COB. Esta e outras mobilizações, que segundo a professora Kátia Rúbia, vinheram de toda a parte do mundo, fizeram com que o COB voltasse atrás e retirasse a ação contra a obra da professora.

Mas eis que os Senhores dos Anéis não desistiram da empreitada de tornar o que eles chamam de ato olímpico (uso de expressões e tudo o que envolve a organização dos Jogos Olímpicos e Paraolimpícos de 2016), de propriedade única do Comitê Organizador das Olimpíadas e Paraolimpíadas no Brasil.

Com este objetivo, foi realizada no dia 20 de abril, terça-feira última, uma reunião extraordinária em formato de audiência pública, da Comissão de Educação, cultura e esporte para discutir o Ato Olímpico. O assunto da reunião era o seguinte: “Proposta do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 para alterar o artigo 6º da Lei 12.035, de 2009 (Ato Olímpico) e o § 2º do artigo 15 da Lei 9.615, de 1998 (Lei Pelé) que regulamentam a proteção aos símbolos relacionados aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos”.

A contenda foi resolvida na terça-feira mesmo com uma acachapante derrota de nove votos a zero pela não modificação do Ato Olímpico e da Lei Pelé em favor do Comitê Organizador dos Jogos no Brasil que tem a frente o senhor Carlos Artur Nuzman. Aliás, diga-se de passagem, nem ele e nem o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, compareceram à sessão. Este, eu não sei o motivo, mas o Nuzman, provavelmente, já sabia do resultado e poderia ser questionando sobre o Pan de 2007, já que o mesmo, no momento em que seria argüido na época sobre o evento, saiu dizendo que tinha coisas pessoais para fazer, deixando boquiabertos os senadores da república, os mesmos que na terça desferiram uma importante resposta ao senhor Nuzman.

Mas tudo leva a crer que esta foi apenas uma batalha vencida. A guerra continua em curso, com a possibilidade da revogação do Ato Olímpico ser agora solicitada na Câmara dos Deputados.

Importante frisar que este problema não é prerrogativa nossa, coisa de brasileiro, digamos assim. Segundo Fabiana Schiavon, do sítio Consultor Jurídico "Há críticas também contra o Ato Olímpico britânico que prevê as regras de direito autoral para as Olimpíadas de 2012. A norma chega a prever uma lista de expressões proibidas em campanhas de não-patrocinadores oficiais,como “Londres”, “medalhas”, “patrocinador”, “ouro”, “prata” e “bronze”. Nos jogos de inverno do Canadá, segundo o colunista de esporte do UOL, Erich Beting, o McDonald´s chegou ao ponto de impedir que uma rede de lanchonetes utilizasse a palavra “hamburguer” em seu cardápio".

Sobre a próxima batalha, a da Câmara, o nosso amigo e jornalista esportivo José Cruz, a quem aproveito para agradecer os materiais enviados que possibilitaram essa postagem, considera que Nuzman tem pouca chance de obter sucesso em mais essa empreitada.

Sua opinião sobre este episódio pode ser lida clicando aqui.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

AI-5 já morreu?


No final do mês de janeiro último ocorreu um sério problema de censura no nosso país envolvendo uma importante pesquisadora da área da educação, educação física e da psicologia social, a jornalista, pós-doutora e professora associada da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), Kátia Rúbio.

A censura veio por parte do Comitê Olímpico Brasileiro em função da publicação de um livro da professora (imagem do livro acima) em que ela se utilizava de expressões e símbolos que no entendimento do Comitê, eram exclusivas do COI - Comitê Olímpico Internacional.

As expressões e símbolos em questão eram os termos "olímpicos" e "olimpíada", juntamente com os coloridos aros olímpicos, simbolos dos Jogos Olímpicos e que representam os cinco continentes: azul (Europa); amarelo (Ásia); Preto (África); Verde (Oceania); Vermelho (Américas).

A notificação recebida pela autora do livro exigia a retirada de circulação do mesmo, que foi desenvolvido objetivando auxiliar os professores de educação física e das outras disciplinas que lecionam para educandos do ensino fundamental e médio no trabalho sobre educação olímpica, tema extremamente raro nas escolas e com pouco material bibliográfico para consulta.

Essa questão fere não só o trabalho intelectual da professora Kátia Rúbio como, também, a autonomia das universidades brasileiras onde pesquisadores e pesquisadoras se encontram e buscam, com o seu trabalho de ensino, pesquisa e extensão, ampliar a capacidade analítica dos fenômenos sociais que nos cercam.

Foi pensando no conjunto desses elementos e movido pelo espírito de solidariedade de classe que um coletivo de professores/pesquisadores do grupo LEPEL (Linha de Estudos e Pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer), tendo à frente a professora Celi Taffarel (FACED/UFBa), que uma moção de repúdio foi enviada ao COB, reivindicando que o mesmo, conforme o documento, "(...)não interfira e não atente, com suas medidas inconstitucionais contra a AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA porque isto significa atentar contra a Constituição Nacional e, em última instância, atentar contra a soberania da nação brasileira. Não será calando as universidades ou lhes impondo restrições quanto ao uso de termos que obteremos o mérito de sermos um PAÍS OLÍMPICO. EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, CONTRA A MEDIDA DO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO DE USO PRIVATIVO DOS TERMOS REFERENTES A JOGOS OLÍMPICOS."

Em tempo que se discute o Plano Nacional de Direitos Humanos e que se exige do governo federal a abertura dos documentos da ditadura militar brasileira, chega a ser emblemática esta postura de censura do COB-COI. Vamos torná-la oportuna, utilizando a mesma para além de discutir olimpismo, discutir democracia e cidadania, termos que não fazem parte do vocabulário dos "senhores dos anéis".

domingo, 4 de outubro de 2009

Papai Noel, Gnomos e boas intenções

O Comitê Olímpico Internacional, na última sexta-feira, dia 02 de outubro, sem dúvida alguma, fez história ao escolher a cidade do Rio de Janeiro como sede dos jogos olímpicos de 2016. Será a primeira vez que este grande evento esportivo se realizará na América do sul.
Quem vem acompanhando este blog desde a sua primeira postagem, dia 19 de abril do corrente ano, sabe do nosso posicionamento sobre o esporte de maneira geral e, especificamente, sobre a realização dos jogos aqui no Brasil, tanto a Copa do Mundo como, também, as Olimpíadas de 2016. Fomos contra.
Esta posição não cabe mais. A realidade histórica exige de nós um outro posicionamento. Mas este posicionamento não se pautará em uma perspectiva otimista ingênua tal como está aparecendo nos jornalismos de uma forma geral, com raríssimas exceções. Não estamos esquecidos de que as mesmas pessoas que estavam a frente do Pan-2007 e que até hoje não pagaram a conta – “São R$ 20 milhões, até agora, que o TCU cobra devolução aos cofres públicos, sem explicações claras sobre o seu uso. E há mais uma dezenas de processos para serem julgados...” (José Cruz) – estão também responsáveis pela organização dos Jogos para 2016.
Nada nos leva a acreditar que será diferente. Pessimismo? Não. Pessimista é o otimista mal informado, diria o sociólogo Chico de Oliveira. O que somos é realista. E essa posição realista não é fruto de nenhum tipo de “complexo de vira-lata” que, ao menos para o Presidente Lula, já ultrapassamos, mas baseada em fatos reais, como o citado acima.
E não estamos sós. Jornalistas sérios e conhecedores das entranhas do “mundo do esporte” como o jornalista Juca Kfouri e José Cruz comungam com esta ideia. Um outro jornalista, Flávio Prado, da JovemPan, faz parte também deste seleto e raro grupo. Ele afirma que para as Olimpíadas de 2016 é necessário “pessoas de confiança, de boa índole para administrar as finanças, já que até agora a verdade não foi revelada sobre a verba dos jogos Pan-Americanos”.
O Tribunal de Contas da União também está com a gente. Veja o que diz o seu relatório de julho deste ano sobre os equipamentos utilizados nos Jogos do Pan.“Quanto aos condicionadores de ar, a empresa Fast apresentou novos elementos, inclusive cópia das notas fiscais que demonstram a aquisição de todas as unidades contratadas. É, portanto, bastante verossímil a hipótese de que os equipamentos existam fisicamente. O que não se entende é o motivo pelo qual não houve ainda a sua apropriação pelo Ministério do Esporte, já que este não demonstrou até hoje perante o Tribunal, sua anexação ao patrimônio do órgão ou dos entes a que serão destinados.Dos 1.628 equipamentos de ar-condicionado adquiridos, 813, ou seja, metade, sequer foi instalada,por desnecessária. Trata-se de evidente desperdício de dinheiro público”.
Esses são alguns elementos que nos fazem “pessimistas”. Ainda não fomos tocados pelo fenômeno das lembranças efêmeras. Achamos incrível o fato de quanto mais o tempo passa, quanto mais a história demonstra a incapacidade de determinadas pessoas e grupos gerenciarem o dinheiro público para as coisas públicas e realmente relevantes no momento atual, seguimos acreditando que tudo será diferente, sem nenhuma prova factual deste mesmo grupo. Simplesmente acreditamos e... ponto. Já cunharam até a frase "o brasileiro não desiste nunca!".
O Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro nem conta prestou à sociedade depois do Pan. Foi ao Congresso Nacional e no momento da sabatina alegou ter um compromisso muito sério, inadiável, deixando os parlamentares e os brasileiros a ver navios. Nenhuma prestação de contas da utilização do nosso dinheiro, um desrespeito completo para com a República. Você lembra disso? Ou já foi tocado pelo fenômeno das lembranças efêmeras?
O nosso Ministro dos Esportes nos quer fazer acreditar que o que faltou no Pan foi planejamento. Sei, sei...Marx, em 1848, já tinha descoberto que o Estado Moderno é o executivo da burguesia e nós, em pleno século XXI, acreditando em Papai Noel, Gnomos e nas boas intenções do Nuzman.
Só para registrar, a Folha de São Paulo, hoje, traz a seguinte matéria no caderno de esporte: "Olimpíada-2016 tem a primeira rusga" e complementa "Ministério do Esporte e COB expõem divergências ao falar sobre como transformar o país em uma potência esportiva".
Parece que o problema de planejamento só está começando