Esta semana que passou foi pródiga em demonstrar o quanto o futebol está imerso em jogos de interesses diversos. Assuntos não faltaram. O cardápio esportivo pode ser aberto e o pedido feito ao gosto do freguês.
O São Paulo Esporte Clube, teima em ficar com a taça da bolinha. Sport e Flamengo são declarados, pasmen, campeões de um mesmo torneio. Os clubes e a televisão promovem um "campeonato" a parte, a disputa é acirrada, e o que menos se discute são os interesses dos torcedores e torcedoras deste imenso país.
Entre os componentes citados, a situação que mais expressa o que significa o fenômeno esportivo nos dias de hoje, indubitavelmente, é a relação entre televisão e esporte, especificamente o futebol, e embora o fato tenha eclodido esta semana, o seu germem vem do ano passado e começa com o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e, por que não dizer, quando da eleição do senhor Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 (C13), desafeto da figura por demais carimbada, o senhor Ricardo Teixeira. Este, mais a rede globo de televisão (leia-se Marcelo Campos Pinto, da Globo Esporte), protagonizaram um rico capítulo sobre política, economia e esporte.
No ano passado, o CADE (Conselhor Administrativo de Defesa Econômica), vetou o monopólio de transmissão do campeonato brasileiro pela Rede Globo, permitindo que todas as tvs nacionais entrassem na luta pelo direito de transmitir o torneio dos anos de 2012, 2013 e 2014, já que o de 2011 ainda pertence a Globo.
Entraram na briga, para peitar a Globo, a Rede Record e a Rede TV!. Junto com a Globo, está o senhor Ricardo Teixeira que, tendo o seu candidato, Kleber Leite, que também era o candidato da Globo, sido derrotado nas últimas eleições para presidir o C13, fez duas jogadas de mestre: 1) anunciou logo após o resultado da eleição que o Morumbi estava fora da abertura da Copa 2014 e b) entregou a Taça das bolinhas ao São Paulo Esporte Clube. A primeira atitude puni o São Paulo de Juvenal Juvêncio, principal articulador da eleição do Fábio Koff e a segunda joga o São Paulo contra o Flamengo, com a nítida intensão de rachar o C13 que, historicamente, é quem negocia os direitos de imagem dos clubes que fazem parte do seu plantel.
Dos times que compõem o C13, dois são fundamentais nesta celeuma capitaneada pelo senhor Ricardo Teixeria e Rede Globo, trata-se de Corinthians e Flamengo. Ambos nunca se contentaram com a fórmula utilizada pelo C13 na partilha dos direitos de imagem, alegando que tem maior audiência que todos os outros clubes da lista e que, portanto, teriam que ser tratados diferencialmente.
Quarta-feira, 23, o Flamengo deu um passo à frente para conquistar o que sempre sonhou: tratamento diferenciado. Junto com o Botafogo, Fluminense e Vasco, anunciou que negociará diretamente com as redes de televisão que tiverem interesses na venda dos direitos de transmissão do brasileirão do triênio 2012, 2013 e 2014, deixando de lado, portanto, o C13. O presidente da entidade disse não ser possível esse tratamento diferenciado, pois um jogo do campeonato envolve dois times (em parte, pois estamos observando que envolve muito mais do que dois times), lembrando também que pelo estatuto do clube não existe previsão de negociação em separado.
O fato é que a celeuma tá posta e somente os interesses dos clubes e das redes de televisão estão em discussão. Até parece que estas não são concessões públicas. O que cabe para o torcedor? Qual a dimensão da sua participação nesta decisão? Como podemos opinar? De que maneira podemos particpar deste debate? Os canais de televisão podem passar os jogos que querem e bem entendem?
Outras perguntas surgem: qual o real interesse da CBF pela Rede Globo de televisão? Por que esta tem um ágio de 10% em relação às outras redes de tv? Por que somente agora, depois de anos de "sofrimento" o Flamengo e o Corinthians, entre outros, resolveram peitar o C13? Como fica a dívida desses clubes com a entidade?
Acompanhemos o desenrolar dos acontecimentos, pois este jogo não tem somente 90 minutos. Teremos prorrogações e disputas de penaltis e, quem sabe, para felicidade de poucos que comandam o destino do futebol, que para muitos é apenas paixão, emoção e rede balançando, se o resultado ao final não atender os seus interesses, ainda resta o tapetão.