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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Imagem e conteúdo

A expressão indignada, misturada com uma certa pureza ingênua dos torcedores apaixonados do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense ao chamar Ronaldinho Gaúcho, ex-craque do Milan e agora jogador principal do Clube de Regatas do Flamengo, de mercenário só não foi maior do que a assertiva do Rei Pelé, que do alto dos seus 70 anos completados em outubro e prestígio nacional e internacional, declarou em alto e bom som que se o jogador, se referindo ao Ronaldinho Gaúcho, “(...) ama o Grêmio, pode jogar de graça lá. Está com a vida feita, né?”.

Uma pergunta que me fiz é se o Rei assim faria pelo Santos nos seus áureos tempo de jogador de futebol se estivesse na mesma situação do craque gaúcho. Jamais saberei. O que efetivamente sei é que os tempos são outros e o futebol também. O verde do gramado onde rola a "jabulani" e correm homens e mulheres em busca do gol se mistura ao verde do dólar, das cifras milionárias. A paixão que mobiliza milhões de brasileiros e brasileiras também desperta a cobiça de grandes conglomerados, empresas transnacionais de todo tipo e empresários das mais variadas agremiações. Aqui não existe problema algum em "virar a folha" ou "a casaca" nem tampouco constragimentos se a camisa do time de futebol "a", "b" ou "c" se transforma em um perfeito macacão de piloto da fórmula 1.

O que importa, efetivamente, é a capacidade de retorno financeiro para o jogador (pouquíssimos com a sorte de um Ronaldinho), para as empresas e empresários que viabilizaram o negócio e, por último, e só por último, para o time de futebol e seus apaixonados torcedores que são, na verdade, àqueles que, mesmo sem saber ou querer, viabilizam o negócio, pois a marca flamengo, por exemplo, nada seria sem os seus apaixonados Camisa 12.

Estes estão divididos. Uns acharam sensacional ter o craque de volta ao Brasil e no seu time do coração. Outros associam o evento ao jogador Adriano, de rápida e infrutífera passagem e temem pelo futuro do jogador e do time. Entre uma posição ou outra, uma coisa é certa. Quando se trata de marketing esportivo, vale infinitamente mais a imagem espetacularizada, seja em forma de leilão ou não, do que, propriamente, o conteúdo. É a máxima do Guy Debord encarnada. O espetáculo é o capital a um tal grau de acumulação que se torna imagem.