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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Burrice ou cinismo?

Em entrevista coletiva, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, até então agente do atacante Adriano, novo reforço do Corinthians, anunciou que não representa mais o atleta.

Gestor da carreira do "Imperador" nos últimos 10 anos, Gilmar aproveitou para disparar contra Ronaldo, principal responsável pela manobra que levou Adriano para o Corinthians: ‘Se ele pensasse no bem do Adriano, eu seria a primeira pessoa a conversar. Eu acho que, de forma irresponsável, ele vem e convence o Adriano de que, talvez, não seja melhor fazer contrato via Gilmar. O Ronaldo não falou comigo, não perguntou como estava o Adriano. Ele sabe que sou o agente. Eu apresentei os dois’, disse o empresário.

Segundo o portal do Yahoo, O atacante, que deixou recentemente a Roma-ITA, formalizou compromisso com o Coringão até junho de 2012.

Mais uma vez, assim como foi com Ronaldinho Gaúcho, os cartolas, empresários, a torcida, a imprensa etc. assumem uma postura, no mínimo, ingênua.. Só falta o Gilmar evocar a ética, os princípios, os valores, a idéia que ele ajudou Adriano na sua carreira de atleta e se apresentar como um injustiçado.

Quando esta posição vem da torcida, até entendemos. Esta é, por sua "natureza", mais sentimento que razão (pedindo licença para uma dicotomizada). Agora, quando ela vem do cartola, imprensa ou empresários, no mínimo, devemos entender isso como burrice ou cinismo. Por que?

Burrice por estes não entenderem que a sociedade da mercadoria tem leis objetivas bem colocadas. Ou seja, toda mercadoria é vendida por um preço. No caso da força de trabalho do jogador, não é diferente. O jogador livre e proprietário (da sua força de trabalho) se encontra no mercado com outro "ser" livre (clube ou empresário) e, também, proprietário. Se este tiver uma maior quantidade da mercadoria especial, o equivalente universal ou geral correspondente (dinheiro), leva! Não tem espaço para valores morais, princípios éticos, entre outros. Até por que, em última instância, as relações que ditam o modo de produção em que vivemos se baseiam na compra e venda de mercadorias, "a relação mais simples, corriqueira, fundamental, maciça e comum, com que nos deparamos mil e uma vezes" (Lenin, apud Netto, p. 78).

Cinismo, caso saibam do que acima foi exposto e fazem esta ceninha para sensibilizar as pessoas e/ou ganhar a mídia, aproveitando a situação para se autopromover. O que é uma cartada com dois prováveis lances que só o tempo dirá. Se Adriano fracassa, o Gilmar Rinaldi sai por cima. Se "brocar", bem, aí nesse caso, quem era mesmo um tal de Gilmar Rinaldi?

Qualquer semelhança com os investimentos na bolsa de valores, não é mera coincidência.

De uma forma ou de outra, seja bem vindo ao mundo, Rinaldi, nele vive 1 bilhão de seres humanos que não tendo o equivalente universal, ficam sem comer. Neste mundo o que determina não são as necessidades humanas, mas, sim, as necessidades do lucro.

Se você pensava que no "mundo do futebol" ia ser diferente, das duas, uma: ou você é burro ou é cínico.

[O PRESENTE TEXTO FOI ESCRITO E ENVIADO POR EMAIL, PELO PROFESSOR ELSON MOURA DIAS JÚNIOR]

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Imagem e conteúdo

A expressão indignada, misturada com uma certa pureza ingênua dos torcedores apaixonados do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense ao chamar Ronaldinho Gaúcho, ex-craque do Milan e agora jogador principal do Clube de Regatas do Flamengo, de mercenário só não foi maior do que a assertiva do Rei Pelé, que do alto dos seus 70 anos completados em outubro e prestígio nacional e internacional, declarou em alto e bom som que se o jogador, se referindo ao Ronaldinho Gaúcho, “(...) ama o Grêmio, pode jogar de graça lá. Está com a vida feita, né?”.

Uma pergunta que me fiz é se o Rei assim faria pelo Santos nos seus áureos tempo de jogador de futebol se estivesse na mesma situação do craque gaúcho. Jamais saberei. O que efetivamente sei é que os tempos são outros e o futebol também. O verde do gramado onde rola a "jabulani" e correm homens e mulheres em busca do gol se mistura ao verde do dólar, das cifras milionárias. A paixão que mobiliza milhões de brasileiros e brasileiras também desperta a cobiça de grandes conglomerados, empresas transnacionais de todo tipo e empresários das mais variadas agremiações. Aqui não existe problema algum em "virar a folha" ou "a casaca" nem tampouco constragimentos se a camisa do time de futebol "a", "b" ou "c" se transforma em um perfeito macacão de piloto da fórmula 1.

O que importa, efetivamente, é a capacidade de retorno financeiro para o jogador (pouquíssimos com a sorte de um Ronaldinho), para as empresas e empresários que viabilizaram o negócio e, por último, e só por último, para o time de futebol e seus apaixonados torcedores que são, na verdade, àqueles que, mesmo sem saber ou querer, viabilizam o negócio, pois a marca flamengo, por exemplo, nada seria sem os seus apaixonados Camisa 12.

Estes estão divididos. Uns acharam sensacional ter o craque de volta ao Brasil e no seu time do coração. Outros associam o evento ao jogador Adriano, de rápida e infrutífera passagem e temem pelo futuro do jogador e do time. Entre uma posição ou outra, uma coisa é certa. Quando se trata de marketing esportivo, vale infinitamente mais a imagem espetacularizada, seja em forma de leilão ou não, do que, propriamente, o conteúdo. É a máxima do Guy Debord encarnada. O espetáculo é o capital a um tal grau de acumulação que se torna imagem.