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quinta-feira, 14 de março de 2013

Os cartolas do futebol e o valor da vida humana


A Confederação Sul-Americana de Futebol, a notória Conmebol, um feudo esportivo/comercial oligárquico, estipulou em US$200 mil a vida humana: esse foi o valor da multa aplicada ao Corinthians pelos incidentes provocados por sua torcida e que mataram um adolescente boliviano, no jogo contra o San José, em Oruro, pela Copa Libertadores de América.

O dinheiro não servirá, como alguém de bom senso poderia supor, para indenizar a família do jovem pela perda irreparável. Seria uma atitude, se não suficiente para aplacar a dor de seus familiares, pelo menos indicativa de que até mesmo os cartolas têm coração.

O destino dos US$200 mil será outro: os cofres da própria Conmebol, como uma espécie de compensação pelo prejuízo que a entidade já sofreu pelo fato de o Corinthians ter disputado um jogo em São Paulo sem a presença de torcedores, cumprindo uma sanção preliminar da entidade.

Há quem diga que o único caminho possível para o futebol, aqui no Brasil e em qualquer parte do mundo, é a profissionalização.

Confesso que não sei bem o que isso quer dizer. Se for esse tipo de exemplo que dá a Conmebol, acho que o mundo está mesmo perdido.

O futebol sempre foi, desde os velhos tempos da bola de capotão, mais que um esporte. Não à toa, o Brasil ficou conhecido como o “país do futebol”, justamente por causa das paixões exacerbadas que o jogo despertava na quase totalidade dos habitantes do sexo masculino.

Por meio do futebol se construiu uma enorme indústria de entretenimento, que emprega milhares de pessoas e gira uma fortuna de dinheiro. Ao lado dessa, há outra indústria ainda maior, de produção de material esportivo, desde meias a sofisticadas camisas dos times, passando, é claro, pelas multicoloridas e também absurdamente caras chuteiras.

Nos gramados, os jogadores, muitos dos quais com visíveis limitações físicas e técnicas, tentam fazer o que se espera deles, ou seja, vencer o jogo em primeiro lugar, ou dar um espetáculo que compense os caros ingressos, pelo menos.

Os clubes que mantêm esses atletas, praticamente sem exceção, penam para pagar os salários, se dobram às imposições às vezes humilhantes da rede de televisão que compra os campeonatos, fecham contratos desproporcionais com empresas que descobriram tardiamente o “marketing esportivo”, procuram desesperadamente recursos de onde quer que seja e, meio debaixo do pano, financiam as tais “torcidas organizadas”, essas que vão a qualquer jogo para compor a plateia do espetáculo – e muitas vezes, promover incidentes lamentáveis como esse de Oruro.

Como se vê, a profissionalização, seja lá qual for, impregna o universo do futebol. É algo irreversível.

Mas se o preço dessa “evolução” for a indiferença à vida humana, como demonstrado no caso do adolescente boliviano e em tantos outros episódios recentes ou não, impregnados de uma violência sem sentido e sem freios, o único jeito para quem realmente ama o futebol será se recolher ao mundo das lembranças, do tempo, como diria o folclórico e autêntico Felipão, atual comandante do scratchnacional, em que se “amarrava cachorro com linguiça”.

Bons tempos aqueles em que os torcedores não eram organizados, em que as brigas das torcidas eram espontâneas e não pré-agendadas, em que os cartolas pagavam com o próprio dinheiro o “passe” dos craques, em que se levavam bandeiras dos times e não das “organizadas” aos estádios, em que se cantava o hino dos times e não refrões de guerra, em que o jogador não tinha nenhum pudor em chutar a bunda de um árbitro ladrão, nem de partir para a briga com o adversário, se a causa fosse justa.

Bons tempos esses em que o futebol era mais um esporte que um negócio, esse vil negócio que estipula em US$200 mil o valor da vida de um jovem morto por um foguete disparado por torcedores do clube rival.

TEXTO PUBLICADO EM 09 DE MARÇO DE 2013 PELO JORNALISTA CARLOS MOTTA. Acesse o seu blog clicando aqui.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Torcida (Des)organizada

O que está ocorrendo com as torcidas organizadas de futebol? Quem são esses "sujeitos" que fazem parte e dão um colorido todo diferente, muitas vezes, especial, em um clássico? Qual o nível de participação e responsabilidade dos dirigentes esportivos? Quem financia? Por que financia? Por que tanta violência, não só com os que eles consideram inimigos mas, também, com àqueles que são os responsáveis, em alguns momentos, pelos seus aplausos?

Perguntas, questões de alguém que procura entender os últimos acontecimentos envolvendo torcedores de grandes clubes do Brasil

sexta-feira, 30 de março de 2012

Para reflexão



Diante dos inúmeros e recorrentes atos de violência praticadas pelas torcidas os meus botões perguntam: qual a responsabilidade da mídia esportiva frente a violência das organizadas?


Alguém arrisca um palpite?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Já vi esse filme

Na última quinta-feira, 01 de abril, o jornal Correio da Bahia pubicou uma matéria não só verdadeira mas, sobretudo, recorrente: a violência entre torcidas rivais. Nas linhas e manchetes do jornal, ganhou destaque na primeira página o slogan BAMOR X IMBATIVEIS.

Por duas semanas seguidas, 14 e 21 de março, este blog publicou uma entrevista de uma ex-integrante do quinto distrito da torcida BAMOR. Nelas, um relato contundente de quem viveu por dentro as peripécias da dinâmica organizativa das torcidas que mais parecem, segundo um dos comentários obtidos na primeira entrevista, do leitor Carlos Ribeiro, facções criminosas.

Na oportunidade, um colega de profissão e radialista da Maré FM, Del Machado, assim pontuou: "(...) tudo que essa menina coloca é muito grave, sobretudo porque, nem imprensa e nem o Ministério Público(que aliás, fica na zona do conflito) tomam uma providência com relação ao caso das organizadas. É lamentável."

Pois é isso mesmo e queremos fazer côro com o nosso companheiro Del Machado: é lamentável!!! E pelos indicadores da entrevista e da reportagem do jornalista Felipe Amorim, do jornal citado, a briga já extrapolou os muros dos estádios e as arquibancadas, indo parar no interior das escolas e nas salas de aula.

Nos diz o jornalista que "Um estudante do 1º ano do Colégio Governador Roberto Santos, no Cabula, foi esfaqueado nas costas (...) no desfecho da briga iniciada um dia antes por causa da rivalidade entre torcidas organizadas de futebol".

Na reportagem, aparece um capitão da Polícia Militar, Ubiracy Vieira afirmando, vejam vocês, que este fato vem ocorrendo com frequência. É mole? Com frequência, meus caros leitores e ele ainda pensa em colocar os dirigentes da torcidas organizadas, que devem gozar do mais alto grau de prestígio e confiança entre os jovens das escolas afetadas, para realizarem palestras com esses mesmos jovens. Qual o tema? Violência, ora bolas.

Seria cômico se não fosse trágico.

O que me entristece, em tudo isso, é saber que essa temática, sem sobra de dúvidas, voltará a ser abordada aqui nesse espaço. Talvez com mais dramaticidade, destacando vítimas fatais. Torcemos que não. Mas quem sabe, assim, as autoridades competentes, resolvam estudar o caso com profundidade, reconhecendo, inclusive, que este fenômeno tem causas tanto estruturais importantes, relacionadas à maneira como a sociedade se organiza como, também, organizativas, relacionadas ao evento em si.

Para finalizar, sugiro ao capitão Ubiracy que leve os dirigentes das torcidas organizadas para palestrarem também nos batalhões da polícia militar. Os policiais que trabalham nos estádios em dias de jogos estão precisando aprender que violência também gera violência.

domingo, 14 de março de 2010

"Se é pra pegar, tá pegando aluno, agora vai pegar gente da torcida como eles querem também..."

Como prometido, aqui está a entrevista com uma torcedora do Esporte Clube Bahia, ex-integrante da Torcida Organizada Bamor. Ela nos conta um pouco da sua vivência na torcida, sua forma de inserção na mesma e muitas outras coisas. Pela extensão do material ele vai ser postado em duas vezes. Vamos à primeira parte. O nome entrevistada foi modificado, no intuito de preservar a fonte, muito embora a mesma não tenha feito restrição alguma a divulgação do seu nome.

Welington - Como foi que se deu a sua entrada na torcida organizada da BAMOR?

Meriva - Eu estudava em 2008 na Escola de Engenharia e Eletromecânica no EMBA, em Nazaré, em frente ao Sagrado. Foi o terceiro ano que eu fiz lá. A gente começou a descobrir que sexta-feira, meio-dia, a gente não podia sair do colégio porque as torcidas organizadas se pegavam em frente aquele módulo policial em frente ao EMBA. A gente ficava na escola até uma hora da tarde. Era arma, era faca. Isso em 2008, eu fazia dependência do segundo ano de tarde. Num dia eu descobrir, saindo, que eles estavam querendo era pegar os alunos, não mais quem estava com a camisa da bamor, os caras da TUI.

Welington - O que é TUI?

Meriva - Torcida uniformizada dos imbatíveis. Que é a torcida do Vitória. Eles começaram a dizer que o problema era com o colégio agora. Com os alunos e direção. Invadiram o colégio uma vez. Tentaram agredir a direção do colégio. Eles estavam atrás de um único aluno que em 2007 invadiu o colégio estadual Odorico Tavares. Só que ele se queimou por que ele tava com a farda. Como eles botaram assim...há, o aluno é do EMBA, então vamos pegar os alunos, a gente não só quer ele.

Welington - Inicialmente era a IMBATÍVEL com a BAMOR que se enfrentavam em Nazaré e depois desse fato, de um aluno do EMBA invadir o Odorico Tavares, eles envolveram os alunos.

Meriva - Que não tinha nada a ver. Uma tarde, quando terminou a aula eu fui almoçar em casa. Quando eu voltei, tava perto de saltar no ponto do fórum, minha colega ligou pedindo para botar outra camisa, eu tava com a camisa do colégio. Ponha outra camisa que os caras estão pegando os alunos. Aí eu falei, já é tarde demais. Eu tinha descido do ônibus, eu sentir dois caras me puxando por trás e gritando é aluna do EMBA. No que me puxou para me dar murro eu conseguir me esquivar e me defender. Eu entrei no colégio. Foi aí, eu já tinha contato com os meninos da bamor, aí liguei e falei, olhe, pode contar comigo que agora eu estou dentro. Se é pra pegar, tá pegando aluno, agora vai pegar gente da torcida como eles querem também. Comecei a vestir camisa. Dia de sexta-feira, meio-dia, eu e mais uns fechava o portão do colégio, passava o cadeado pra ninguém sair e ficava na porta esperando. Eu era a única de mulher que ficava lá. Numa dessas, a gente esperando também, a gente, não, vamos marcar. Meio-dia e meia a gente tá esperando vocês aqui, pra gente brigar. Deu uma hora da tarde não apareceram, apareceram tudo num ônibus, tudo soltando piadinha, fazendo gestos pra gente, indecente. O sinal fechou, a gente correu, a gente montou no ônibus, um amigo jogou uma pedra, um paralelepípedo, pegou certinho no menino da TUI. Pegou na cabeça dele, ele caiu. Depois o sinal abriu...é uma vida...

Welington - Aí começou a...

Meriva - Começou o atrito. A gente... as vezes... Tinha momentos que a gente não podia aparecer no Central, ali lá pro lado da Joanna Angélica por que a gente já sabia. Amigos nossos com a farda do colégio... um amigo nosso foi espancado por mais de trinta na Lapa, partiram o supercílio dele. Chegou ao ponto que a gente não podia ir com a farda do colégio. Teve um ponto que eu tive que mudar a cor do meu cabelo. Por que eles estavam me identificando pela cor do cabelo, pela roupa, eu tive que mudar, tive que escurecer o meu cabelo. E aí, passando um tempo, numa festa do largo perto da saúde, foi quando um amigo nosso tomou um tiro.

Welington - Quando foi isso?

Meriva - No final de 2008 pra início de 2009.

Welington - Quem é esse amigo?

Meriva - Júnior Pitbull, presidente do sexto distrito que eu fazia parte. Eu liguei pra ele, ele tava em... tinha fugido um pouco de Salvador por causa de que eles tavam atrás dele e tinha ido morar em Alagoinhas. Aí eu liguei pra ele disse Júnior, não volte tão cedo. Os caras tão querendo te pegar pra te matar. Não volte, aqui em Nazaré não tá mole. Quando ele resolveu voltar, não deu uma semana, veio pra confeccionar a bandeira dessa festa, entraram três e atiraram nele.

Welington - Entraram aonde?

Meriva - Entraram na sede. Invadiram com a arma. Quem tá de fora hoje ver, é covardia, é muita covardia. Eles não brigam sozinho, só pegam de galera. Atiraram no pescoço de Júnior. Veio parar na cervical. O menino perdeu o movimento das pernas. Hoje faz tratamento para recuperar se eu não me engano no hospital Sarah. Ele faz...mas ainda no Orkut dele as vezes tem uns recados de...é... eu quero que você morra, não quero que você sobreviva...ele ficou dois a três meses em coma por causa do tiro. E ele...Essas coisas de torcida é muito relativo porque assim...eu mesmo como era da bamor, eu tinha uns conhecidos da TUI, mas quando era briga, ninguém era amigo de ninguém. Em uma dessas, uma amiga minha, Lua, era da TUI, só que ela namorava um dos meninos da bamor, ela tava encostada no carro na porta do colégio com ele, começou a briga, os caras da TUI identificaram que ela era da TUI, aí deram pra pegar ela e pegaram uma menina e jogaram pra quebrar ela. Ela pegou, ela quebrou a menina toda, na frente do colégio, na frente de todo mundo. Aí eles mandaram uma mensagem para o Orkut dela: cuidado pra você não morrer virando a esquina. Então são coisas assim... que eles ameaçam mesmo, a gente... quando dava meio-dia a gente pedia ao professor pra soltar mais cedo, dia de sexta-feira por que...

Welington - Quando você fala eles, você tá se referindo aos imbatíveis. Mas e vocês? Porque a violência não vem só de lá...

Meriva - Não. A gente se defendia também. Era um com arma...eu tinha uma vinte e dois, eu tive que fazer isso, eu tive que comprar uma arma pra mim, por que ninguém mais briga na mão, todo mundo só pega na covardia. Peixeira, arma, a gente era os primeiros a chegar no ponto. A gente já ficava lá, esperando já, pra ver se alguém passava porque podia vim de qualquer lado. Tem a sede da gente na saúde e tinha a deles na lapa. Pra gente acabar com isso a gente estourou, explodiu a sede deles na lapa. A gente quebrou tudo lá dentro, estourou, botamos uma bomba. Aí eles saíram de lá, a sede quebrou totalmente, a gente quebrou a sede, eles construíram uma na lapa mesmo.

Welington - No mesmo lugar?

Meriva - Não, era na Rui Barbosa a sede que a gente estourou deles, quando explodiu. Eles construíram uma na estação da lapa.

[CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA]

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Violência das torcidas organizadas

Esta semana mais uma vez fomos informados pelas diferentes mídias sobre atos de violência protagonizados pelas torcidas organizadas dos clubes de futebol do Palmeiras e do São Paulo. Um fenômeno recorrente.

No início deste ano, no mês de janeiro, repercutiu também, embora muito menos do que o evento desta semana em função do mesmo ter ocasionado a morte de pelo menos um torcedor, o confronto entre componentes das torcidas do Guarani e do São Paulo, na cidade de Jaguariúna, Campinas, pelas oitavas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Entra ano e sai ano, basta começarem os campeonatos regionais para que mais uma vez e novamente, ocorram atos de vandalismos e barbárie entre torcidas rivais, expressos também, nas próprias letras dos cantos entoados pelos respectivos representantes.

Em um estudo publicado por Luiz Henrique de Toledo no ano de 1996, pela editora autores associados junto com a ANPOCS (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), intitulado Torcida Organizada de Futebol, ler-se na página 66 que "Nos cantos de protestos e intimidação os palavrões são opostos e exprimem, de maneira jocosa, a passividade sexual e, em decorrência deste estereótipo, a subordinação e fraqueza tanto dos jogadores, dirigentes, árbitros, polícia, quanto dos torcedores adversários".

Ou seja, não sobra ninguém, nem tampouco limites para provocar, bater, maltratar e até matar quem quer que seja. Se você pertence a uma torcida rival ou mesmo está apenas usando a camisa do seu time de coração você é um inimigo em potencial e deve ser interceptado, molestado e eliminado.

Segundo Maurício Murad, sociólogo, professor da Universidade Salgado Filho em uma entrevista no ano de 1995, em um periódico que me foge a memória no momento, a causa dessas violências é mais de fundo estrutural, pois o Brasil é um país violento e chega ser ilusão achar que é uma nação cordial. Por ter sido o último país a abolir a escravidão, tornou o quadro social perverso. Portanto a situação histórica e social facilita a violência que ocorre tanto dentro como fora do estádio. Desde quando o campeonato nacional foi criado na década de 70, essa violência vem sendo recrudescida a cada ano.

Se concordarmos o professor Apolônio Abadio do Carmo que nos ensina que a violência no mundo capitalista, não é uma excrescência, um defeito, uma anomalia devido a falta de controle. Não é um acidente, é fruto natural e concomitante da opção filosófico-política que se fez, teremos que concordar que todas as medidas, tais como: legislação específica para crimes que ocorrem em praças esportivas, proibição do consumo de bebidas alcóolicas no estádio e arredores, proibição do funcionamento das torcidas organizadas, perdas de pontos da equipe cuja torcida provocar confusão, encarceramento de torcedores problemáticos durantes jogos dos seus times entre outras, são de cunho paliativos, já que não mexem, nem de longe, com a estrutura social perversa na qual nos encontramos.

São medidas repressivas, apesar de necessárias.

Outros fatores também são citados por Murad, estes de cunho organizacional: impunidade, falha nos ingressos dos torcedores ao estádio, sistema de transporte coletivo precário entre outros são motivos que também geram insatisfação e revolta dos torcedores, potencializando possíveis atos de violência canalizados para os rivais.

Diante do exposto, entendemos que a violência das torcidas organizadas é um fenômeno complexo, de difícil solução a curto e médio prazo. Potencializadas por mediações diversas, tem base organizacional como, também, na forma metabólica como a sociedade vem se organizando.

Como nos diz o jornalista José Geraldo Couto, na Folha de São Paulo de hoje, "Não há soluções mágicas para a violência entre as torcidas, mas "civilizar" as organizadas pode ajudar". Se pudermos ampliar o civilizar, sem aspas, não apenas as organizadas mas, sobretudo, as relações de produção da nossa existência, talvez o êxito tenha um maior alcance, já que a violência das torcidas organizadas é também uma expressão da violência que campeia os diferentes espaços das nossas instituições políticas, econômicas e sociais.