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domingo, 22 de agosto de 2010

Que culpa tenho eu?

O jornal Folha de São Paulo nos brinda, neste domingo, com uma elucidativa entrevista com o senhor Carlos Artur Nuzman, feita pela jornalista Mariana Bastos e publicada no caderno de esporte da folha. A entrevista foi realizada em Cingapura, onde Nuzman acompanha os Jogos Olímpicos da Juventude. Neste evento, uma boa parte da geração que disputará os Jogos Olímpicos de 2016 na cidade do Rio de Janeiro, está presente.

O senhor Nuzman é o mesmo homem que deixou o senado federal a ver navios quando da tentativa de sabatina sobre o Pan-americano do Rio-2007 por parte dos senadores da república. Após falar sobre o evento e deitar louros sobre o mesmo, se vangloriando na companhia do seu eterno sorriso no rosto, retirou-se alegando ter coisas mais importantes para fazer naquele momento do que responder, dá satisfação à República brasileira sobre o evento.

Na entrevista, embora acumule os dois principais cargos do esporte olímpico nacional, Nuzman diz que "O COB não tem atletas e nem forma atletas", frase repetida inúmeras vezes durante o tempo que durou a entrevista, como quisesse transformar em verdade esta frase retórica, pois se é factível que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não tem atletas e nem tampouco forma os mesmos, pela sua razão intrínseca, o mesmo é responsável em repassar os recursos oriundos das loterias federais para as entidades responsáveis em desenvolver projetos de detecção, formação e aperfeiçoamento de atletas das diferentes modalidades representadas pelas diversas confederações existentes. O que o torna, no mínimo, co-responsável pelo sucesso ou fracasso do desenpenho brasileiro nas competições Olímpicas e Para-olímpicas.

Se isso já não bastasse para impedir que o Nuzman retire o seu braço da seringa esportiva, é importante lembrar que a entidade que o mesmo preside há nada mais que 10 anos, gere as verbas do desporto escolar e universitário, grandes centros de captação de recursos humanos, desde 2001.

Falando em gerenciamento, tudo indica que o Nuzman não acredita na capacidade de gestão dos chefes das confederações brasileiras, os mesmos que o apoia desde sempre. Questionado pela jornalista sobre a responsabilidade do COB em ter projeto olímpico para buscar ajudar o esporte que distribuem mais medalhas, ele saiu-se com essa: "Sim. É o que estamos procurando fazer. (...). Eu topo o seguinte desafio: acaba com as confederações e eu dirijo tudo, mas não acho justo me cobrarem por um trabalho que não é meu".

Vejam só. Parece que Nuzman está mandando um recado muito claro para todos nós. Mesmo com toda essa dinheirama pública sendo gerenciada pelo COB e pelos presidentes das confederações esportivas nacionais, que recebem patrocínios polpudos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, Petrobrás entre outros, seremos um fiasco em 2016. E aí...bem, neste caso, a culpa não é minha, entende? São dos maus gestores que sempre me apoiaram, sempre estiveram à frente das entidades com o meu aval, sempre votaram em mim, confiaram em mim, me perpetuaram no poder, mas daí a ter culpa pelo fracassso, repito, "não acho justo me cobrarem por um trabalho que não é o meu".

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Jogos Para-Olímpicos, doping e "mala branca": como não falar de um assunto

Muito se fala dos Jogos Olímpicos e muito pouco dos Para-Olímpicos. Aqui vai uma crítica e uma auto-crítica. Percebi isso em relação ao Esporte em Rede justamente quando terminei a postagem sobre a Educação Física escolar. No último ponto, do último parágrafo lembrei que até então, apesar de discutir as questões ligadas aos Jogos Olímpicos eu não mencionava nada em relação aos Para-Olímpicos.

E quase que acontece de novo de não falar sobre as Para-Olimpíadas. Isso porque a realidade sempre dinâmica do mundo esportivo estava nos obrigando a retormar o tema DOPING. Pois além desta semana termos novidades com o caso de Daiane dos Santos, na última postagem do mês de agosto eu terminava falando do doping prometendo uma outra postagem sobre o DOPING GENÉTICO. Não cumprir esta ainda. Estou estudando o tema, lendo um pouco sobre o mesmo para não incorrer em equívocos.
Além da situação da ginasta brasileira, teve também o caso da chamada "mala branca", que alguns times de futebol estão utilizando nos campeonatos. Há quem ache isso extremamente natural e, o que considero um extremo paradoxo, são as mesmas pessoas que são contra ao uso de doping em competição.

Mas o que tem uma coisa a ver com a outra? O que tem o doping a ver com a tal da "mala branca"?

Primeiro é preciso considerar que conceitualmente, as duas coisas são bem diferentes mas os objetivos dos que se utilizam dos procedimentos são os mesmos, ou seja, otimizar o rendimento esportivo. Um usa substância química e o outro uma substância em papel: o dinheiro e tudo isso para poder levar vantagem na competição. Digamos, para ficar bem entendido, que a "mala branca" é o doping financeiro.

Misturando tudo, considero que doping e "mala branca" antes de ser uma excrescência, são procedimentos próprios da dinâmica do esporte de rendimento onde o que realmente vale é a vitória a qualquer preço, ou a derrota. Alguém aí lembra da goleada sofrida pela seleção do Peru contra a Argentina na Copa do Mundo de 1978 por cinco a zero, justo o placar que a própria Argentina precisava?

Voltando ao doping clássico, entendemos que os atletas de ponta do esporte de rendimento precisam se dopar se quiserem alcançar o pódium, que lhes renderão melhores patrocínios. Ciência, tecnologia e doping, é a equação para o atleta campeão atualmente. A questão é que alguns, eventualmente, são flagrados e punidos para que a aura, já perdida do fair play, configure-se nas consciências ingênuas daqueles que ainda acreditam que o esporte de rendimento é um fenômeno isento de interesses do capital.
Importante citar aqui, sobre a questão do doping, o que diz o professor Lino Castellani, que ao participar do debate sobre uma postagem deste blog reproduzida no blog do José Cruz, assim expressou sua opinião sobre o tema:"(...) o dopping não é manifestação patológica do alto rendimento e sim elemento integrado à sua lógica. Somente a hipocrisia impede que tal compreensão seja assimilada. Em sociedades marcadas por valores defensores da vitória a qualquer custo ("o importante é vencer, não interessa como", não é assim que disseram Gerson ter dito, embora ele não o tenha feito?)a vitória - e somente ela - é garantidora de salário, patrocínio e bajulação de todos, principalmente da mídia esportiva, tão responsável quanto pelo cenário."

Concordamos em gênero, número e grau. E consideramos isso, também, em relação ao doping financeiro pelos motivos já expostos. Mas, pera aí...e os Jogos Para-Olímpicos? Fica para uma outra semana.