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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Eduardo Campos

Eduardo Campos é Marina Silva de calças e vai despencar tal qual. Anotem o que estou dizendo. Aonde está a Marina, hoje?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Esporte e política


Pela enésima vez, elevada a centésima potência, ouvir a seguinte frase: “meu negócio não é política. Gosto mesmo é de futebol!” Foi ontem, na casa de um amigo. Estávamos festejando o aniversário da sua esposa e entre copos de cervejas, guaranás e salgadinhos, não necessariamente nesta ordem, a inevitável conversa sobre o segundo turno das eleições presidenciais apareceu.

Entre dilmistas, serristas, marinistas e outros, o libelo da frase, acima aspeada, reverberou e entrou rasgando nos meus sensíveis labirintos auriculares, ativando os meus neurônios poéticos e me fazendo lembrar de uma poesia do Bertold Brecht, o analfabeto político. Evidente que a frase aludida acima não tem a mesma força do “odeio política”, tão comumente ouvida e do qual o Brecht faz a crítica, mas não deixa de ser uma posição analfabeta sobre o aspecto da política.

Exemplos da relação entre esporte e política abundam na história. O mais famoso data de 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim. Adolfo Hitler queria demonstrar a superioridade da raça ariana através do esporte. Antes mesmo disso a humanidade já tinha presenciado a político do “pão e circo” da Roma antiga.

Maurício Murad, no seu livro Sociologia e Educação Física, da Fundação Getúlio Vargas nos lembra na página 166 que “Exemplos explícitos de dominação política e de aproveitamento ideológico dos esportes são os campeonatos mundiais de futebol de 1934, na Itália, e de 1938, na França” e o já citado Jogos Olímpicos de Berlim. “Todos esses eventos, ocorridos em plena era do totalitarismo nazifascista e às vésperas da II Guerra, foram entendidos como questões nacionais pelos governos da Itália e da Alemanha”.



O próprio movimento da chamada guerra fria, iniciada pós a II Guerra Mundial, teve no esporte um elemento riquíssimo de simbologia. Os números de medalhas e troféus ganhos por um país buscavam representar o sucesso de suas políticas econômicas e sociais. Países do bloco capitalista e do então bloco socialista procuravam, pelo esporte, dizer ao mundo o quanto seu modo de vida era melhor do que o do outro.

Existem casos de atletas que também utilizaram o esporte para manifestar suas preferências políticas. Quem não se lembra de Ronaldo, jogador do atlético mineiro e seu punho erguido em cada comemoração do gol, em clara alusão ao movimento Black Power norte-americano? Leônidas da Silva, atleta e militante do Partido Comunista. Nosso Afonsinho, jogador que conseguiu na justiça o direito ao passe livre. Dieguito, mais conhecido como Maradona, hoje técnico da seleção da Argentina, proponente de uma Associação Internacional de Jogadores de Futebol. Isso sem falar do movimento da Democracia Corintiana, com jogadores como Biro-biro, Casagrande, Vladimir e o cabeça, doutor Sócrates.

Não poderia faltar nesta postagem os dirigentes esportivos. Esses, quase sempre procuram conquistar uma cadeira nas assembléias dos seus estados ou no congresso nacional pela via e pela veia do futebol, modalidade esportiva que tem o maior número de representante na chamada bancada da bola, talvez a expressão maior da relação entre esporte e política.

domingo, 10 de outubro de 2010

Os factoides na política e no esporte

A abertura das urnas no último domingo, 03 de outubro, demonstrou uma expressiva votação na candidata do Partido Verde (PV), Marina Silva, que com os seus quase 20 milhões de votos (exatos 19.636.359, o que representou 19,3% dos votos válidos), transformou-se no atual fiel da balança para os que ficaram na disputa pela presidência no segundo turno, a Dilma (PT) e o Serra (PSDB).

Passado uma semana, a avaliação que o partido do trabalhador, que até uma semana antes das eleições tinha, em larga medida, a certeza da vitória no primeiro turno, foi que o tema do aborto foi o principal responsável pela guinada de Marina Silva, forçando o improvável segundo turno.

Tema indigesto, para dizer o mínimo, o mesmo não foi trazido à lúmen por nenhum dos dois candidatos, mas foi produzido por meio de um instrumento sabidamente escuso: a produção de factoides.

O mesmo tinha um alvo determinado e consistia em atingir a candidata do governo.

Responsável por 15% de morte materna no país, pelo menos uma em cada cinco mulheres com menos de 40 anos de idade já praticou o aborto, ato este que malsucedido, é responsável por mais de 180 mil curetagens pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Pois esse tema de saúde pública transformou-se em uma arma no debate das idéias, atingindo, em cheio, as consciências puritanas e conservadoras deste país que passaram a enxergar na figura da candidata Dilma Rousseff, a “matadora de criancinhas”.

Enganam-se quem considera que os factoides são construídos apenas no âmbito da política ou utilizados somente para desestabilizar candidatos ou candidatas. O mundo do esporte também se encontra povoado desse mecanismo bizarro.

No mês passado, a revista esportiva ESPN publicou uma matéria intitulada “Meu Craque de Mentira” que trouxe a seguinte reportagem. “Uma transferência agitou o futebol uruguaiu na janela européia. Por 3 milhões de libras, o Danubio vendeu a revelação Néstor ‘Colibri’ Coratella ao Villareal, negociação amplamente divulgada pela imprensa espanhola. Tudo perfeito, não fosse um detalhe: Coratella não existe. Foi inventado por um grupo de internautas”.

Vejam vocês. Um acontecimento completamente falso, fabricado, foi divulgado como se verdade fosse por órgãos de imprensa especializados. Na mesma matéria tomamos conhecimento de um caso parecido. Trata-se de “Masal Bugduv, a revelação moldava de 16 anos, pretendida pelo Arsenal, que foi parar em uma lista de jogadores que poderiam explodir em 2009 sem nunca ter existido”.

Não se está aqui buscando equivaler as produções dos factoides. No esporte, este tipo de problema afeta apenas e exclusivamente parcelas específicas da população, torcedores das suas respectivas agremiações. Já na política, a divulgação de mentiras e a produção de fatos visando desestruturar uma candidatura tem repercussão na vida de todos nós, principalmente quando esta candidatura tem, no conjunto das suas proposições, perspectivas de ampliação de direitos sociais das camadas menos favorecidas da população.

Ambos os casos de produções de factoides, nos ensinam a ter maiores cuidados com as informações que recebemos e que muitas vezes repassamos, divulgamos, sem ao menos ter checado a veracidade da mesma.