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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Guerra Fria

Mais uma vez o esporte se inseri diretamente na luta política entre a Argentina e a Inglaterra. Atleta argentino treina na Ilha das Malvinas para os Jogos Olímpicos de Londres deste ano.



A mensagem principal, provocante acima de tudo, fica para o final. A mesma diz: "Para competir em solo inglês, treinamos em solo argentino".

Definitivamente, a "guerra fria" não acabou. Fantástico!!!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Geopolítica do esporte

Nos dias 19 e 20 do mês de novembro passado, na cidade de Lisboa, Portugal, foi realizada a Cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Inspirada para fazer frente na chamada Guerra Fria e também lutar contra a dita ameaça socialista vinda do leste europeu, os países que compõem a otan (Bélgica, Canadá, Estados Unidos da América, França entre outros) procuraram na reunião de cúpula resolver o seu problema de identidade, já que os elementos inspiradores da criação deste organismo internacional já não se fazem mais presentes como antigamente.

Um dos elementos da pauta da reunião, em função das novas configurações geográficas, as crises econômicas e a necessidade de discutir setores energéticos fundamentais no século XXI, foi a redefinição de seu "Conceito Estratégico", acrescentando ao mesmo a necessidade de ampliação e cooperação com outros países e organismos internacionais, incluindo aí, advinhem, a outrora arqui-inimiga Rússia. Sendo assim, o líder do Kremlin, senhor Dmitri Medvedev, foi convidado a participar da reunião de cúpula, sendo o primeiro do seu país a ter essa "honra".

Esse fato me ocorreu logo após tomar conhecimento da escolha pela Fifa dos próximos países sedes para a Copa do Mundo de 2018 e 2022, Rússia e Qatar, respectivamente. Coincidência ou não, o fato é que esses países são altamente estratégicos para as intenções objetivadas pela Otan na sua reunião de cúpula, que além da Rússia, considera a Ásia Central como continente vital para conquistar parceiros de fora do eixo Atlântico Norte.

Em um artigo que encontrei ao pesquisar sobre este assunto para redigir esta postagem, o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira nos lembra que no ano de 1992 "(...) Dick Cheney, como secretário de Defesa do governo de George H. W. Bush, divulgou um documento, no qual confirmou que a primeira missão política e militar dos Estados Unidos pós-Guerra Fria consistia em impedir o surgimento de algum poder rival na Europa, na Ásia e na extinta União Soviética". (Leia o artigo na íntegra clicando aqui).


O Qatar embora faça parte do Oriente Médio, é estratégico para os objetivos dos países membros da Otan em função das suas reservas energéticas (gás e petróleo) e a Rússia é de longe um país militarmente forte. Ela, junta com a Otan, contém nada mais, nada menos do que 95% das armas nucleares do mundo.

Tudo isso pode parecer simples coincidência ou até devaneio de minha parte, mas são elementos interessantes para pensarmos a relação geopolítica do esporte. Dois outros elementos acrescento. Um, de ordem econômica. Segundo o site Máquina do Esporte, a Copa do Mundo de 2018 "(...) pode representar um impacto de até 24 bilhões de euros no futebol local".

O outro elemento é de ordem cultural. Ainda segundo o Máquina do Esporte, "(...) a escolha reforça política adotada pela Fifa desde a época em que a entidade era presidida pelo brasileiro João Havelange. A entidade esforçou-se, nas últimas décadas, para propagar a imagem de disseminadora do futebol por diferentes culturas".

Tanto um, como o outro elemento não são excludentes. Pelo contrário, se interpenetram nessa lógica contemporânea que tem o esporte como uma das expressões da mundialização do capital, da financeirização da cultura, da indústrialização do entretenimento entre outros. A geopolítica do esporte é a política elevada a sua enésima potência.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Esporte e política


Pela enésima vez, elevada a centésima potência, ouvir a seguinte frase: “meu negócio não é política. Gosto mesmo é de futebol!” Foi ontem, na casa de um amigo. Estávamos festejando o aniversário da sua esposa e entre copos de cervejas, guaranás e salgadinhos, não necessariamente nesta ordem, a inevitável conversa sobre o segundo turno das eleições presidenciais apareceu.

Entre dilmistas, serristas, marinistas e outros, o libelo da frase, acima aspeada, reverberou e entrou rasgando nos meus sensíveis labirintos auriculares, ativando os meus neurônios poéticos e me fazendo lembrar de uma poesia do Bertold Brecht, o analfabeto político. Evidente que a frase aludida acima não tem a mesma força do “odeio política”, tão comumente ouvida e do qual o Brecht faz a crítica, mas não deixa de ser uma posição analfabeta sobre o aspecto da política.

Exemplos da relação entre esporte e política abundam na história. O mais famoso data de 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim. Adolfo Hitler queria demonstrar a superioridade da raça ariana através do esporte. Antes mesmo disso a humanidade já tinha presenciado a político do “pão e circo” da Roma antiga.

Maurício Murad, no seu livro Sociologia e Educação Física, da Fundação Getúlio Vargas nos lembra na página 166 que “Exemplos explícitos de dominação política e de aproveitamento ideológico dos esportes são os campeonatos mundiais de futebol de 1934, na Itália, e de 1938, na França” e o já citado Jogos Olímpicos de Berlim. “Todos esses eventos, ocorridos em plena era do totalitarismo nazifascista e às vésperas da II Guerra, foram entendidos como questões nacionais pelos governos da Itália e da Alemanha”.



O próprio movimento da chamada guerra fria, iniciada pós a II Guerra Mundial, teve no esporte um elemento riquíssimo de simbologia. Os números de medalhas e troféus ganhos por um país buscavam representar o sucesso de suas políticas econômicas e sociais. Países do bloco capitalista e do então bloco socialista procuravam, pelo esporte, dizer ao mundo o quanto seu modo de vida era melhor do que o do outro.

Existem casos de atletas que também utilizaram o esporte para manifestar suas preferências políticas. Quem não se lembra de Ronaldo, jogador do atlético mineiro e seu punho erguido em cada comemoração do gol, em clara alusão ao movimento Black Power norte-americano? Leônidas da Silva, atleta e militante do Partido Comunista. Nosso Afonsinho, jogador que conseguiu na justiça o direito ao passe livre. Dieguito, mais conhecido como Maradona, hoje técnico da seleção da Argentina, proponente de uma Associação Internacional de Jogadores de Futebol. Isso sem falar do movimento da Democracia Corintiana, com jogadores como Biro-biro, Casagrande, Vladimir e o cabeça, doutor Sócrates.

Não poderia faltar nesta postagem os dirigentes esportivos. Esses, quase sempre procuram conquistar uma cadeira nas assembléias dos seus estados ou no congresso nacional pela via e pela veia do futebol, modalidade esportiva que tem o maior número de representante na chamada bancada da bola, talvez a expressão maior da relação entre esporte e política.