A novela intitulada Ronaldinho Gaúcho me lembrou duas postagens que socializei nesse espaço. Uma, a de abertura deste blog, intitulada
Esporte: mero detalhe de business, postada no dia 19 de abril de 2009 e que mencionava a força do nome de Ronaldinho Gaúcho que centralizava em torno de si, pela capacidade de agregar valor a diferentes mercadorias, várias marcas de produtos comercializáveis, "
de picolé a agência bancária, passando por cerveja, guaraná, desodorante, entre outros".
Foi uma postagem que retomava um texto publicado no sítio do
Observatório da Imprensa nas vésperas da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Àquela época, Ronaldinho era o grande nome do futebol nacional e mundial, estava no topo da pirâmide futebolística e vivia o verdadeiro auge da carreira como jogador de bola.
A outra postagem é mais recente. Intitulada
A volta dos que foram, foi publicada em 07 de fevereiro do ano passado e abordava justamente a volta de jogadores brasileiros que em baixa no futebol europeu, tornam-se um ótimo negócio para o futebol tupiniquim. Ou melho, para usar uma linguagem mais correta, para o
mercado da bola que se torna mais intenso nas proximidades do início de temporada do futebol brasileiro.
Dizia na postagem supra citada o seguinte: "
Eis que agora o mercado da bola apresenta um movimento bastante interessante: a volta dos que foram. Refiro-me ao retorno de jogadores brasileiros de futebol que foram vendidos para times europeus e que agora retornam. Ronaldo, Robinho, Fred, Adriano, Wagner Love, Roberto Carlos..."
Se quiséssemos atualizar o texto, podíamos falar da revalorização do valor de alguns, que tendo retornado para o Brasil, se credenciaram a retornarem para os gramados da Europa. Foi o caso de Adriano, Robinho, Wagner, entre outros. Não se espantem, se amanhã, estiverem por aqui mais uma vez, desfilando em gramados e beijando o brasão do time (já quase invisível) ou a marca da empresa "x", "y" ou "z". Estas visíveis, com toda a certeza.
E o que tem tudo isso de mais? Nada! Absolutamente, nada!!! Na minha compreensão, tudo perfeitamente coerente com o movimento do capital mundializado. Tudo altamente dentro da ordem mundial ditada pelo capital financeiro.
O que me deixa estupefato é ainda encontrar manifestações de torcedores indignados pela atitude de Ronaldinho Gaúcho de não aceitar jogar no Grêmio em função da oferta que lhe foi dirigida. Não consegui acreditar na cena que assiti de gremistas abanando suas cédulas de dez, cinquenta reais, enquanto xingavam o jogador de mercenário. Até entendo a reação, pois foi lá dentro que o mesmo foi formado, lapidado e...transformado em mercadoria.
É isso que o torcedor apaixonado do Grêmio não consegue entender. Não se trata mais de Ronaldinho, mas de uma pessoa que teve a sua força de trabalho metamorfoseada em mercadoria. Futebol é negócio. Ronaldinho é uma mercadoria. Ponto final. Quem pagar mais, leva.
O que dá para problematizar, e nisso a imprensa silencia, mesmo reconhecendo que os patrocinadores entrarão com o montante maior de dinheiro, é saber como o flamengo e o próprio grêmio, extremamentes endividados, com um passivo altíssimo, dívidas no fisco entre outros, tem a permissão de entrar neste tipo de jogada.