quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ronaldo é um mafioso?

Em 2013 um dos comentaristas esportivos mais polêmicos da televisão brasileira fez uma denúncia sobre o ex-jogador Ronaldo "fenômeno" muito séria e que teve pouca repercussão na mídia.


Caso você queira saber quem é este comentarista e maiores detalhes da denúncia, clik na imagem abaixo e deixe seu comentário sobre o que o jornalista pensa do atual embaixador da copa.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Esporte como indústria

Há muito tempo que o esporte deixou de ser praticado apenas como uma atividade de ocupação do tempo disponível sem nenhum caráter mercadológico.

Para todos que se preocupam e se ocupam com este fenômeno mundial que é o esporte, setor que vem crescendo economicamente "à taxa de 7,4% ao ano" ,sugiro a leitura do livro da m.Books do Brasil Editora, intitulado A Indústria do Esporte no Brasil: Economia, PIB, Empregos e Evolução Dinâmica.

Os autores, Istvan Kasznar e Ary S. Graça Filho, economista e advogado respectivamente, são conhecedores profundos do mercado financeiro e de capitais. O último, inclusive, é presidente da Confederação Brasileira de Voleibol, vice-presidente da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e presidente da Confederação Sul Americana de de Voleibol.

Já Istvan Kasznar é funcionário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e, entre outras atividade no ramo do ensino e de consultorias é pioneiro do país no tratamento do tema Economia do Esporte, uma área bastante desenvolvida na França e que no Brasil ainda engatinha.

Apesar do livro está na sua quarta edição, ele é muito pouco conhecido no Brasil e o tema proposto está dividido em seis capítulos e contém quadros, gráficos e equações.

Cito aqui apenas os títulos dos capítulos sem as suas respectivas subdivisões: 1) Atual Quadro do Esporte Brasileiro: Geral e Voleibol; 2) O Voleibol como Indústria Geradora de Renda, Riqueza, Emprego e Impostos; 3) Sensibilidade (Elasticidade) dos Esportes às Políticas Correntes do Governo e seu Peso em face do PIB, através dos Multiplicadores; 4) Uma Visão Atual sobre a Evolução do Esporte em Termos de Produção - PIB, Renda per capita e Impostos; 5) Evoluções dos Esportes no Período de 2003 a 2010 e 6) Conclusões Estratégicas.

Fica aqui, portanto, a dica para mais esta leitura, indispensável para todos os que querem entender o esporte para além dos seus aspectos técnicos e táticos.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Agora vai!!!

Hoje conversei com um colega de "baba" sobre as contratações do Bahia. Aliás quase todo o sábado pela manhã é assim. Um tempo jogando bola para logo depois conversar sobre tudo. Inclusive futebol. Alguns só conseguem conversar sobre isso. Paciência.

Mas como ia dizendo, um colega de "baba" estava todo feliz. Junto com ele alguns amigos, torcedores do Esporte Clube Bahia, contentes com as contratações que o tricolor vem fazendo. A de Max Biancucchi era a mais comemorada. Agora vai!!! Dizia ele.

Eu provocava perguntando "para onde?". Entre outras. Uns falavam de lá, eu provocava de cá e assim ia descendo a cervejinha gelada, até que falei em um tom mais provocador:

- Contratar é bom. Quero ver honrar compromissos, pagando, por exemplo, salário dos jogadores.

Silêncio. Um gritou logo surgiu informando que o Consórcio da Arena Fonte Nova iria pagar o salário. 

- De todos? Perguntei continuando a provocação.

- Claro que não. O de Biancucchi. Informaram sem grito.

Veja você. Em campo jogam 11. Para treinar precisam, no mínimo, de mais 11. E todos devem estar contentes e com salários em dia. Mas os torcedores não conseguem enxergar isso.

Para eles, no caso relatado acima, basta pagar o salário do Biancucchi que... Agora vai!!!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Arena: era uma vez um patrimônio histórico

Desde que o termo arena passou a designar os novos estádios construídos ou os reformados, na maioria enormes elefantes brancos, para sediar grandes jogos de futebol e shows de cantores e cantoras famosos e famosas, pois trazem na sua alcunha o sobrenome de multiuso, que não me acostumo com esta palavra.

Sei que a mesma já era utilizada na Europa há tempo. Mas quando começou a ser insistentemente falada em terra brasilis, não agradou aos meus ouvidos. E continua desagradando.

São dois os motivos. O primeiro é semântico. As partidas de futebol jogadas nesses espaços se dão sobre a grama e não sobre a areia, como é comum na praia.

Nos ensina Houaiss (2008) no seu formato mini, revisado e aumentado para a sua terceira edição que o termo ARENA significa: 1) parte central, coberta de areia, dos anfiteatros romanos; 2) anfiteatro; 3) área central do circo; picadeiro; 4) espaço circular para touradas e outros espetáculos; 5) estrado onde lutam os boxeadores 6) local de debate, de desafio.

Logo, nada referente ao futebol. A não ser que forçosamente se queira incluí-lo nos indefinidos termos "outros espetáculos" e "desafio". Mas ainda assim faltariam as areias.
Imagem retirada do site www.gazetamaringa.com.br
Pouco importa, dirão. Podemos tudo. E é verdade. Sobre isso falemos sobre o segundo motivo que torna o termo "arena" estranho aos meus ouvidos.

Lembro-me que quando houve a decisão de demolir o Estádio da Fonte Nova, diversas entidades (ABENC – Associação Brasileira ; ANEAC; IAB/BA; CREA-BA, CEB; Fórum A Cidade Também é Nossa; IBAPE; Movimento Vozes de Salvador, SENGE; SINARQ; GAMBÁ; UMP/BA; FABS -Federação das Associações de Bairros de Salvador; FAMEB – Federação das Associações deMoradores do Estado da Bahia; CONAM – Confederação Nacional das Associações deMoradores. GERMEM – Grupo de Defesa e Promoção Socioambiental; Faculdade de Arquitetura da UFBA; Escola Politécnica da UFBA) se uniram e propuseram, dia 11 de maio de 2010, alternativas à demolição.

Essas entidades defendiam a requalificação do equipamento em função dos aspectos culturais e do valor arquitetônico que o mesmo tinha. O Estádio da Fonte Nova, junto com o ginásio do balbininho, completamente destruído para construção de um estacionamento, conjuntamente com o Dique do Tororó tinha sido, em 1959, tombados pelo IPHAN.

Era Patrimônio Histórico.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Quem fica com o lucro?


No dia 30 de outubro de 2007 o Brasil e muitos brasileiros de todos os cantos vibraram pela escolha do país como sede da Copa do Mundo de Futebol.


Dali a pouco mais de seis anos e alguns meses, o país seria anfitrião da maior festa do futebol mundial. Um feito pleiteado por diversos países de diferentes cantos do mundo.

Poucos meses nos separam daquele dia para a abertura do evento. 2014 chegou acompanhado dos inexoráveis e amadurecidos dados da realidade. De lá para cá muitas coisas ocorreram. Águas e mais águas passaram por debaixo da ponte e desembocaram em um mar de gente revolta.

Os balões em verde e amarelo, soltos em estádio paulista na comemoração do sorteio, o cristo redentor no Rio de Janeiro, ocupado por bandeiras esvoaçantes e até a estátua de Juscelino, em Brasília, sendo envolvida por camisa comemorativa ao fato contrastam, hodiernamente, com as recentes manifestações de junho do ano passado e outras tantas que pululam em editoriais da mídia nativa.

Há quem afirme, inclusive, que atualmente existe um movimento tentando sabotar a realização da Copa do Mundo no Brasil. Teoria da conspiração? Não sei. Mas a hipótese levantada (que consideramos plausível) é que o objetivo do intento é "melar" a reeleição da presidenta Dilma, incentivando e dando gás para novas manifestações de rua, rebaixando sua popularidade que vem crescendo e, com isso, forçar um segundo turno.

Não se trata aqui da política do quanto pior, melhor, de alguns jornalistas que apregoam a cartilha neoliberal. Nem de inverter a informação, procurando o lado ruim das boas notícias relativas a Copa no Brasil. Não duvidamos que esta será um sucesso e o número de ingressos já vendidos no mundo inteiro para o evento demonstram confiança na realização do mesmo. Não temos, também, a compreensão de que legado é só o que estiver pronto e acabado até a Copa. Muito embora a Matriz de Responsabilidades, apresentada em 2010, pelo próprio governo, assim estabeleça.

A nossa reflexão parte de dados concretos, da dinâmica real e mais visível deste tal "legado da Copa" e que se encontra mais próximo do objeto deste blog: os estádios. Vejamos.

Não exige muito esforço perceber que dos elementos colocados como legados para a Copa, apenas as "arenas" estão prontas. Mesmo assim, nem todas. E algumas, tidas como acabadas ou quase finalizadas, apresentam alguns problemas estruturais.

O próprio valor da construção destas "arenas" é um problema em si. O mesmo ultrapassa em muito todos os outros valores somados, direcionados para segurança, telecomunicações e turismo, por exemplo.

Em relação as áreas da saúde e educação, prioridades nacionais, a diferença em relação a Copa é assustadora. Para Salvador, por exemplo, foram repassados pelo governo federal para as duas áreas entre 2010 e 2013 o montante de R$ 133 milhões, enquanto para a Copa, foram transferidos a título de empréstimo via BNDES R$ 4 bilhões e 600 milhões.

Esses dados são do próprio governo e podem ser constatados por qualquer um no site da CGU/Portal da Transparência. Há quem afirme que, como é empréstimo, esses valores direcionados para a Copa irão voltar com juros. Isso é um dado que deve ser levador em consideração nas nossas reflexões, observando necessariamente a dinâmica da gestão do dinheiro público pelo estado neoliberal.

Essa mesma dinâmica precisa ser considerada quando pensamos no lucro que a Copa do Mundo vai gerar para o país. Sim, pessoal. A Copa do Mundo gera lucros e dividendos para o país sede em pequeno, médio e longo prazo. Só o setor de turismo pode ter um incremento de R$ 22 bilhões de reais em 2014. Parte deste recurso serão gerados pela Copa do Mundo.

No geral, a Fundação Getúlio Vargas tem apresentado estudos que contabilizam, por baixo, um retorno financeiro para o país em função da organização/realização da Copa na ordem de R$ 140 bilhões.

No entanto, reafirmo a observação que precisamos olhar para esses dados tomando como referência a dinâmica do estado neoliberal e agora perguntando: quem se apropria e/ou se apropriará destes bilhões?

Países outros já realizaram e realizam grandes eventos. A maioria se encontra em situação lastimável de crise. Não por que realizaram ou realizam megaeventos. Mas em função da apropriação privada da riqueza produzida por eles e das dinâmicas próprias das opções políticas que fizeram/fazem na condução do estado.