Nos dias 20,21,22 e 23 de abril a Universidade Estadual de Feira de Santana foi palco do XVIII Encontro Regional dos Estudantes de Educação Física.
Com o tema geral "A Cultura Corporal à Serviço do Capital: o movimento estudantil de educação física debatendo formação e identificando uma MEGAcontradição", estudantes de diversas universidades e faculdades da região nordeste (BA, SE, AL, PE, PB, RN e CE) se reuniram para debater a formação do professor e os chamados megaeventos, dos quais o Brasil será sede nesses próximos anos, principalmente a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Tive a satisfação de fazer parte da mesa de abertura, discutindo o tema central do evento para uma platéia numerosa e atenta. Acima, temos uma pequena amostra dos inúmeros protagonistas do evento. Caso queira ver a foto ampliada é só clicar sobre ela. O dedo em riste, indicando o número "1", é uma alusão a defesa da formação unificada.
O Esporte em Rede apoia esta ideia.
Refletir sobre o esporte para além das configurações táticas e técnicas que lhes são próprias e tendo o mesmo como expressão singular para pensarmos fenômenos mais gerais da sociedade, eis o objetivo do blog.
domingo, 24 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Jogos indígenas: competição ou cooperação?
Termina hoje, em Coroa Vermelha, distrito da cidade de Santa Cruz Cabrália, distante 727 quilômetros de Salvador, Bahia, a décima primeira edição dos Jogos Indígenas. Este evento contou com a participação de diferentes etnias, entre elas a tuxá, caimbé, tupinambá, pataxó hã-hã~hãe entre outras, totalizando mais de mil índios distribuídos em 14 equipes que durante quatro dias, participaram de diferentes atividades esportivas.
O objetivo principal do evento é a integração entre os povos, suas culturas e congraçamento das etnias que somam-se em 15 no nosso Estado. Somente no extremo sul da Bahia há cerca de 25 mil índios da etnia pataxós. Em Coroa Vermelha, onde os jogos são realizados todos os anos, vivem 5 mil índios.
Os jogos são divididos em 12 modalidades: corrida rústica, arco e flecha, arremesso de takape, canoagem, entre outros, inclusive o futebol, são algumas das modalidades em disputa.
Sempre que ocorre este tipo de evento aparece, na mídia nativa, uma abordagem do mesmo completamente destituída de historicidade. É como se os índios, aculturados, procurassem imprimir uma repetição do modelo esportivo que conhecemos através dos Jogos Olímpicos, entre outros modelos divulgados que atualmente se traduzem pelo nome de megaeventos esportivos.
Tá vendo aí? Até os índios competem entre si. Viu lá? A competição é tão presente no ser humano que já se encontrava nos povos indígenas aqui "descobertos". Essas expressões aparecem, aqui e acolá, como detentora de uma certeza absoluta: a competição é um valor nato, é um elemento intrínseco ao ser humano. Se bobear, dizem até que faz parte do nosso código genético. É cromossômico, diriam outros.
Mas os eventos que se somam às disputas entre os índios que participam dos Jogos parecem indicar uma outra lógica. Ontem, por exemplo, na abertura do terceiro dia dos XI Jogos Indígenas Pataxó de Coroa Vermelha, os anciões e líderes, mais dos que os "atletas", foram os homenageados; canções foram entoadas em português e em Patxôhãno, e as mesmas dão o tom dos jogos, o real sentido e significado que os mesmos têm para todas as etnias que deles participam.
Uma das canções assim dizia: "Muita lenda, muita glória, em nossa terra foi plantada. Chegaram as embarcações, trazendo santos e ladrões. Trouxeram histórias bonitas, muitos presentes e fitas. Até um deus ofertaram. Outra alma e outra crença, um punhado de doenças. E nossas terras roubaram".
Para isso eles fazem os jogos. Para disputarem não entre si, medalhas e troféus, glórias e pódiuns, mas para resgatarem seus valores, sua cultura, seu dialeto. Trocarem informações, mostrarem suas tradições para as comunidades não indígenas, entre outras coisas.
O agonismo está presente, a competição idem, a busca pela superação igualmente, mas existe uma lógica diferente nos códigos das modalidades esportivas praticadas pelos índios. Talvez, quem sabe, uma mensagem, àquela que diz que nós podemos muito, nós podemos mais, sem, necessariamente, jogarmos uns contra os outros, mas, sim, com o outro.
Talvez por isso, e só talvez, esses Jogos não tenham um átimo de segundo de visibilidade na mídia televisionada e, quando ocorre, o que é demonstrado não corresponde a verdade. É o necessário filtro de um modo de produção que insiste em demonstrar, pela sua lógica intrínseca, que competir é melhor e muito mais vantajoso que cooperar.
O objetivo principal do evento é a integração entre os povos, suas culturas e congraçamento das etnias que somam-se em 15 no nosso Estado. Somente no extremo sul da Bahia há cerca de 25 mil índios da etnia pataxós. Em Coroa Vermelha, onde os jogos são realizados todos os anos, vivem 5 mil índios.
Os jogos são divididos em 12 modalidades: corrida rústica, arco e flecha, arremesso de takape, canoagem, entre outros, inclusive o futebol, são algumas das modalidades em disputa.
Sempre que ocorre este tipo de evento aparece, na mídia nativa, uma abordagem do mesmo completamente destituída de historicidade. É como se os índios, aculturados, procurassem imprimir uma repetição do modelo esportivo que conhecemos através dos Jogos Olímpicos, entre outros modelos divulgados que atualmente se traduzem pelo nome de megaeventos esportivos.
Tá vendo aí? Até os índios competem entre si. Viu lá? A competição é tão presente no ser humano que já se encontrava nos povos indígenas aqui "descobertos". Essas expressões aparecem, aqui e acolá, como detentora de uma certeza absoluta: a competição é um valor nato, é um elemento intrínseco ao ser humano. Se bobear, dizem até que faz parte do nosso código genético. É cromossômico, diriam outros.
Mas os eventos que se somam às disputas entre os índios que participam dos Jogos parecem indicar uma outra lógica. Ontem, por exemplo, na abertura do terceiro dia dos XI Jogos Indígenas Pataxó de Coroa Vermelha, os anciões e líderes, mais dos que os "atletas", foram os homenageados; canções foram entoadas em português e em Patxôhãno, e as mesmas dão o tom dos jogos, o real sentido e significado que os mesmos têm para todas as etnias que deles participam.
Uma das canções assim dizia: "Muita lenda, muita glória, em nossa terra foi plantada. Chegaram as embarcações, trazendo santos e ladrões. Trouxeram histórias bonitas, muitos presentes e fitas. Até um deus ofertaram. Outra alma e outra crença, um punhado de doenças. E nossas terras roubaram".
Para isso eles fazem os jogos. Para disputarem não entre si, medalhas e troféus, glórias e pódiuns, mas para resgatarem seus valores, sua cultura, seu dialeto. Trocarem informações, mostrarem suas tradições para as comunidades não indígenas, entre outras coisas.
O agonismo está presente, a competição idem, a busca pela superação igualmente, mas existe uma lógica diferente nos códigos das modalidades esportivas praticadas pelos índios. Talvez, quem sabe, uma mensagem, àquela que diz que nós podemos muito, nós podemos mais, sem, necessariamente, jogarmos uns contra os outros, mas, sim, com o outro.
Talvez por isso, e só talvez, esses Jogos não tenham um átimo de segundo de visibilidade na mídia televisionada e, quando ocorre, o que é demonstrado não corresponde a verdade. É o necessário filtro de um modo de produção que insiste em demonstrar, pela sua lógica intrínseca, que competir é melhor e muito mais vantajoso que cooperar.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
Racistas e homofóbicos somos "todos"
Esta semana foi eivada de atitudes preconceituosas tanto no "mundo" da política como, também, no "mundo" dos esportes. Racismo e homofobia se encontraram, deram-se as mãos e mostraram as faces de um mundo que ainda precisa caminhar muito para resolver o problema do tão propalado e tão pouco praticado discurso sobre o respeito às diferenças.
Em um jogo amistoso da seleção "brasileira", o atleta de futebol, Neymar, foi vítima de ato racista. Torcedores do selecionado escocês, que estavam presentes no Emirades Stadium, jogaram uma casca de banana e chamaram o jogador de macaco. Atletas da mesma modalidade esportiva em outros tempos e lugares, tais como Grafitte e Roberto Carlos, também já foram alvos deste tipo de atitude, entre outros.
Em um jogo amistoso da seleção "brasileira", o atleta de futebol, Neymar, foi vítima de ato racista. Torcedores do selecionado escocês, que estavam presentes no Emirades Stadium, jogaram uma casca de banana e chamaram o jogador de macaco. Atletas da mesma modalidade esportiva em outros tempos e lugares, tais como Grafitte e Roberto Carlos, também já foram alvos deste tipo de atitude, entre outros.
Mas não é só no futebol que essas atitudes preconceituosas se expressam. Em um recente jogo de voleibol realizado na cidade de Contagens, Minas Gerais, entre os times Volei Futuro e Cruzeiro, o atleta do Volei Futuro, Michael dos Santos, foi impiedosamente atingido pelo preconceito dos mineiros que os "xingavam" de "bicha", "gay" e outros nomes de altíssima carga pejorativa, segundo o próprio jogador.
Se isso não bastar para expressar o nosso estado de primitiva convivência com o "outro", a dobradinha entre os deputados Marco Feliciano (PSC) e Jair Bolsonaro (PP) pode ser utilizada para completá-lo. O primeiro afirma em seu Twitter "que os africanos são descendentes de um ancestral amaldiçoado por Noé" e que sobre o continente "repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: Ebola, Aids " e até, pasmem, a fome. Segundo o pastor, um evangélico da pentecostal, "a suposta maldição pode ter sido resultado de uma relação homossexual". (Carta Capital, 06 de abril de 2011, p. 20).
Já o Bolsonaro fez de um, tudo. "Fez elogios ao regime militar, defendeu a tortura, atacou a política de cotas raciais e os homossexuais" e assumiu, só para variar um pouco, uma atitude racista ao responder uma pergunta direcionada pela cantora Preta Gil, quando a mesma "perguntou qual seria sua atitude caso o filho se apaixonasse por uma negra". Resposta: "Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Meus filhos foram muito bem educados, e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu". (idem)
Mas antes que atiremos a primeira pedra, é importante trazer à tona uma pesquisa do Sesc e da Fundação Perseu Abramo, publicada pela revista Carta Capital, 02 de março de 2011). Nesta pesquisa, realizada em agosto do ano passado e respondida por "3. 546 eleitores de ambos os sexos em todo o país", qualquer um "que se declare a favor da legalização do aborto e da maconha, que diga não acreditar em Deus ou que professe religiões afro-brasileiras", tem um grande número de rejeição por parte dos eleitores brasileiros, o que comprova um perfil extremamente conservador dos mesmos. "A pesquisa mostra que ainda existe um conservadorismo grande em termos de valores morais e comportamentais".
Em tempo: tramita, no senado da república, o Projeto de Lei Complementar de número 122. O mesmo torna crime a discriminação de homossexuais, idosos e deficientes. Detalhe importante. O mesmo "passeia" pelos corredores entre arquivamentos e desarquivamentos há nada mais, nada menos, do que dez longuíssimos anos.
Conclusão: ao que parece, pelos dados apresentados, muitos de nós, mesmo que silenciosamente, estamos fazendo coro com as torcidas dos escoceses e mineiros e andamos de mãos dadas com os Felicianos e Bolsonaros da vida desta pobre res pública.
Em síntese, racistas e homofóbicos somos "todos".
domingo, 3 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Burrice ou cinismo?
Em entrevista coletiva, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi, até então agente do atacante Adriano, novo reforço do Corinthians, anunciou que não representa mais o atleta.Gestor da carreira do "Imperador" nos últimos 10 anos, Gilmar aproveitou para disparar contra Ronaldo, principal responsável pela manobra que levou Adriano para o Corinthians: ‘Se ele pensasse no bem do Adriano, eu seria a primeira pessoa a conversar. Eu acho que, de forma irresponsável, ele vem e convence o Adriano de que, talvez, não seja melhor fazer contrato via Gilmar. O Ronaldo não falou comigo, não perguntou como estava o Adriano. Ele sabe que sou o agente. Eu apresentei os dois’, disse o empresário.
Segundo o portal do Yahoo, O atacante, que deixou recentemente a Roma-ITA, formalizou compromisso com o Coringão até junho de 2012.
Mais uma vez, assim como foi com Ronaldinho Gaúcho, os cartolas, empresários, a torcida, a imprensa etc. assumem uma postura, no mínimo, ingênua.. Só falta o Gilmar evocar a ética, os princípios, os valores, a idéia que ele ajudou Adriano na sua carreira de atleta e se apresentar como um injustiçado.
Quando esta posição vem da torcida, até entendemos. Esta é, por sua "natureza", mais sentimento que razão (pedindo licença para uma dicotomizada). Agora, quando ela vem do cartola, imprensa ou empresários, no mínimo, devemos entender isso como burrice ou cinismo. Por que?
Burrice por estes não entenderem que a sociedade da mercadoria tem leis objetivas bem colocadas. Ou seja, toda mercadoria é vendida por um preço. No caso da força de trabalho do jogador, não é diferente. O jogador livre e proprietário (da sua força de trabalho) se encontra no mercado com outro "ser" livre (clube ou empresário) e, também, proprietário. Se este tiver uma maior quantidade da mercadoria especial, o equivalente universal ou geral correspondente (dinheiro), leva! Não tem espaço para valores morais, princípios éticos, entre outros. Até por que, em última instância, as relações que ditam o modo de produção em que vivemos se baseiam na compra e venda de mercadorias, "a relação mais simples, corriqueira, fundamental, maciça e comum, com que nos deparamos mil e uma vezes" (Lenin, apud Netto, p. 78).
Cinismo, caso saibam do que acima foi exposto e fazem esta ceninha para sensibilizar as pessoas e/ou ganhar a mídia, aproveitando a situação para se autopromover. O que é uma cartada com dois prováveis lances que só o tempo dirá. Se Adriano fracassa, o Gilmar Rinaldi sai por cima. Se "brocar", bem, aí nesse caso, quem era mesmo um tal de Gilmar Rinaldi?
Qualquer semelhança com os investimentos na bolsa de valores, não é mera coincidência.
Se você pensava que no "mundo do futebol" ia ser diferente, das duas, uma: ou você é burro ou é cínico.
[O PRESENTE TEXTO FOI ESCRITO E ENVIADO POR EMAIL, PELO PROFESSOR ELSON MOURA DIAS JÚNIOR]
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