sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Megaeventos: legados, negados e outros temas

Mais uma obra chega nas livrarias com o intuito de fornecer elementos teóricos para a compreensão dos chamados megaeventos.

Desde que o Brasil passou a ter condições de sediar grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo que ocorrerá este ano e os Jogos Olímpicos e Parolímpicos de 2016, esse tema vem sendo debatido em diferentes ocasiões.

Algumas vezes, com muita propriedade, sendo reveladas as contradições próprias do estado capitalista e os fundamentos específicos deste fenômeno esportivo em um contexto de profundas desigualdades em setores essenciais: saúde, habitação, educação, saneamento básico, entre outros.

Em outras tantas, o debate se dá de maneira rápida e rasteira, objetivando muito mais a construção de um certo discurso a la contra, na base do raciocínio sofismático, falacioso e, por que não dizer, ignorante.

O melhor antídoto para a ignorância é a informação crítica. Para desenvolvê-la é necessário o contraditório. Os 14 capítulos presentes no livro (foto) de 256 páginas nos instrumentalizam na medida que permitem a reflexão tomando como ponto de partida diferentes temáticas com enfoques distintos.

O estado da arte em relação a temática, políticas públicas de lazer, a relação entre o evento, a cultura e o atleta, o impacto na economia, a relação com o turismo e setores hoteleiros, questões socioambientais e de infraestrutura, a influência da formação e atuação do professor de educação física, bem como o impacto no contexto da escola, entre outros, são assuntos tratados no livro.

Recomendo e desejo uma boa leitura.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Salvador vai de bike mesmo?

Foto editada. Cedida pelo autor
Graduando em Educação Física pela Faculdade Social da Bahia, o acadêmico e professor Sandro Nascimento (foto), um experiente bicicleteiro com mais de 20 anos de pedaladas por trilhas, ruas e avenidas desta cidade onde "todo mundo é de Oxum" socializa, para os leitores e leitoras deste blog, principalmente para quem vem exercendo a arte do "bicicletar", um texto problematizando o Programa "Salvador Vai de Bke", desenvolvido pela administração do prefeito ACM Neto (DEM) e que vem sendo posto em prática desde 22 de setembro de 2013, com o objetivo de incentivar o uso da "magrela" na cidade esperando, com isso, melhorar a tão falada mobilidade urbana.

Vamos ao texto que está transcrito logo abaixo. Aproveito para agradecer ao acadêmico e professor Sandro Nascimento pela gentileza de atender ao nosso pedido.

Como todos os ciclistas da cidade de Salvador o projeto Vá de Bike nos traz uma certa esperança na melhoria das nossas ciclovias e criação de novas, mas a verdade não é bem essa. Sou ciclista de trilha desde 1992 e de lá para cá já vivenciei muitas situações que me faziam repensar sobre a utilização da bicicleta como meio de transporte na cidade de Salvador.

Uso a bicicleta como meio de prática esportiva e meio de transporte e com a experiência que tenho vejo que o projeto "Salvador vá de bike" apresenta pontos positivos e outros negativos. A partir de uma observação diária e o estudo dos projetos que se referem à mobilidade urbana, venho mostrar uma visão acerca do tema, com um ponto de vista mais técnico e direto sobre essa nova proposta de mobilidade urbana para a cidade de Salvador.

A cidade apresenta um contexto geográfico que particularmente não atrai muitas pessoas a usarem a bicicleta como meio de transporte. O relevo que a cidade apresenta, com muitas ladeiras e avenidas de vale, torna os deslocamentos maiores do que 10 Km desinteressantes no uso da bicicleta como meio de transporte. Mas para muitos esta distância é pequena e fácil de fazer sendo muitas vezes mais rápido que os transportes coletivos. Eu mesmo dou aula em um prédio no Bairro da Barra que fica à exatos 8.5 Km de minha casa, no fim de linha de Brotas. O ônibus que faz o mesmo percurso leva 40 minutos, enquanto eu, de bicicleta, percorro o trajeto em 20 minutos.

Imagem retirada do site Salvador Vai de Bike
Outro ponto que venho destacar é que muitas empresas não estão preparadas para este novo modal de mobilidade, pois não tem banheiros com chuveiro ou mesmo estacionamento apropriado para guardar as bicicletas. A violência urbana como assaltos, trânsito e motoristas que por muitas vezes não respeitam o ciclista são outros elementos que desencorajam outras pessoas a experimentarem este tipo de transporte.

Como todos sabemos a Copa do Mundo de Futebol no Brasil trouxe uma exigência da FIFA quanto a mobilidade urbana e seus modais e integração entre estes, mas estamos presenciando uma adaptação do que foi acordado com a FIFA e governo. Vemos aeroportos que não estão prontos para o eventos, estradas que não foram ampliadas e o sistema de transporte coletivo defasado, sobrecarregado, gerando transtornos para a população em geral. Vale destacar também que o governo federal deu isenção de ICMS para a venda de veículos aumentando ainda mais as frotas de carros nos grandes centros urbanos.

Em contra partida o governo federal juntos aos governos estaduais e prefeituras vem fazendo parcerias no que se refere a mobilidade urbana com o uso da bicicleta, mas estas propostas atendem realmente as necessidades das nossas cidades e sua população? Compreendo que não atendem e estão muito longe de atender de forma satisfatória as pessoas que preferem usar a bicicleta como meio de transporte. A nossa cidade é um exemplo disso pois o projeto que foi apresentado às entidades que representam os ciclistas de Salvador foi totalmente modificado ou boa parte não vai ser realizado.

No projeto foi orçado uma malha cicloviária de 217 km, considerável e de grande relevância para o desenvolvimento sustentável da nossa cidade, mas o que vemos é uma propaganda política que visa atender os acordos pré estabelecidos. O grande problema é que o projeto apresenta um orçamento que fica muito abaixo do que vai ser realmente gasto para se fazer da maneira correta, além disso não temos mais tanto espaço para a implantação das ciclovias restando assim criar ciclo-faixas que por muitas vezes só estão disponíveis aos domingos, servindo apenas para o lazer e não propriamente para a mobilidade. 

Hoje o projeto vá de bike tem um caráter mais de lazer e turístico do que propriamente de mobilidade urbana ou transporte intermodal. As estações na sua maioria estão em pontos turísticos ou do ponto de vista de mobilidade não tem grande impacto no sistema de transporte de massa. Tais estações estão localizadas na orla, campo grande, e em alguns bairros que ainda não têm as ciclo–faixas e que tem trajetos relativamente curtos, exemplo do fim de linha do bairro de brotas até a estação próxima ao STEPS: menos de 4 km uma da outra.

Foto cedida pelo próprio autor
Estas estações em alguns casos visam atender meramente aos acordos comercias entre a prefeitura e banco que mantém tais estações e bicicletas. Mas também temos algumas que estão sendo utilizadas como deve ser; mobilidade urbana e intermodal entre carro – bicicleta, ônibus – bicicleta. Mas ainda temos muitos outros pontos da cidade que precisam deste tipo de intermodal.

Destaco também que nos últimos anos tenho visto uma mudança no comportamento dos motoristas e também dos ciclistas. Há um respeito muito maior do motorista com relação ao ciclista, mas vale lembrar que falo dos ciclistas que usam as vias de forma correta e segura, estes são mais respeitados que àqueles que não andam de forma segura e sem equipamentos de segurança. Hoje é crescente o numero de pessoas que usam a bicicleta como meio de lazer, transporte ou trabalho, todos necessitam de um espaço adequado e segurança para fazerem seus trajetos. 

Contamos com uma malha cicloviária de 20 Km na orla de Salvador, começando no bairro da Amaralina um pouco antes do largo das baianas até a sereia de Itapuã. E outra que fica no canteiro central da avenida paralela, que vai da frente das voluntárias sociais até à frente do estádio de pituaçú. Esta ultima não serve para mobilidade urbana.

Essas ciclovias que temos hoje não atendem de forma satisfatória a população, pois é estreita e com muitos pontos que geram insegurança nos usuários, como o trecho que fica na pituba, no antigo clube português. São obras mal projetadas que mostram pouco interesse em fomentar o uso da bicicleta como meio de transporte ou lazer na cidade de Salvador. Então vemos uma propaganda do governo municipal incentivando o uso da bicicleta como meio de transporte e a boa convivência entre os motoristas e ciclistas, mas, essa campanha é eficaz?

Temos que ampliar esta nova cultura nas escolas e centros sociais, nos Detrans, nas auto-escolas e mídia em geral.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Manipulação na Itália


É tanto caso de manipulação de resultados na Itália que eles estão precisando ser criativos, senão ninguém mais presta atenção. Na Copa Sicilia, um torneio regional, o Bagheria precisava de um ponto para se classificar e perdia do Borgata Terrenove por 4 a 3, a dez minutos do fim, quando sofreu dois gols relâmpagos. Qual foi a reação do time? Fazer oito gols contra.
A vitória de 14 (!!) a 3 classificou, no saldo de gols, o Terrenove para a próxima fase no triangular, que também tem o Partinicaudace, todos da oitava divisão. “Foi um jogo bem disputado até o ponto em que o Bagheria começou com a encenar uma farsa”, disse o técnico do Terrenove, Ignazio Chianetta, em entrevista ao site Siciliaingol. “O capitão deles me disse que preferia que nós nos classificássemos ao invés do Partinicaudace”.
Bom, obviamente, o Partinicaudace está irritadíssimo com isso e vai pedir que a Federação Italiana de Futebol investigue o caso. “Eu não consigo entender o motivo para esses oito gols contra. Não teve nada a ver com futebol e espero que a FIGC investigue”, disse o técnico do time Giovanni Cammarata.
O presidente regional da federação, Sandro Morgana, prometeu investigar, mas provavelmente não vai ter que ir muito longe para encontrar irregularidades e evidências de manipulação de resultados. Ou os jogadores do Bagheria odeiam o Partinicaudace a ponto de marcarem oito gols contra. No que é mais fácil de acreditar, ainda mais se tratando das divisões inferiores da Itália? Pelo menos disfarcem um pouco, gente.
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Texto escrito por Bruno Bonsanti e publicado no site Trivela.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Metodologia do Ensino das Lutas: uma proposição crítico-superadora

Licenciado em Educação Física pela Universidade Estadual de Feira de Santana em 2006, onde também leciona, o professor Elson Moura Dias Júnior (foto) é especialista em Metodologia do Ensino pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBa).

O referido professor é um estudioso da educação/educação física, principalmente do conteúdo Lutas e suas possibilidades didáticas no processo de ensino e aprendizagem, defendendo a abordagem crítico-superadora, a pedagogia histórico-crítica e a psicologia sócio-histórica como fundamentos essenciais para a organização do trabalho pedagógico no interior da escola.

Já tendo ministrado palestras, seminários e cursos em diversos evento locais e nacionais, o professor Elson socializa para os leitores deste blog um texto síntese de mais uma das suas atividades, desta feita, no Centro de Educação Física e Esportes da Universidade Federal da Bahia.

Vamos ao texto que está transcrito logo abaixo. Aproveito para mais uma vez agradecer ao professor a gentileza e o esforço de síntese que precisou empreender, já que no original o material tinha 24 páginas.

Este é um texto síntese de uma produção maior que teve o objetivo de instrumentalizar a intervenção na atividade “UFBA na Copa”, tendo como tema “Das lutas populares às lutas nas Olimpíadas” (Atividade organizada pela LEPEL-UFBA, 21 de janeiro de 2014, no CEFE da UFBA). Intervenção que também cumpriu o papel de se inserir nos projetos “Reformulação curricular. Eixo Práxis. Conteúdo específico Lutas.” e “Pratica do Ensino IV.”

Para tal, optamos politicamente e teoricamente por sistematizar o trato pedagógico com as lutas, a partir das premissas da abordagem critico-superadora (COLETIVO DE AUTORES, 1992).

Dividimos a intervenção em quatro momentos (interligados): 1- Gênese das lutas; 2- Histórico: as lutas nos diferentes modos de produção; 3- As atividades principais da aprendizagem e o ensino das lutas; 4- A organização do conhecimento lutas nos ciclos ou graus, ou séries de ensino.

Sobre a gênese, divergimos de algumas produções – e do senso comum - que afirma que a luta sempre existiu. Nossos estudos apontam que a luta sistematizada - embrião das lutas atuais - tem origem no momento em que a sociedade é cindida em classes e aquilo que antes era uma ação dos seres humanos em direção à natureza, passa a ser dirigida a outros seres humanos, ou seja, proprietário contra não proprietários dos meios de produção. 

Sobre a relação entre o modo de produção e as lutas, pegamos como exemplo singular uma época importante do Japão: a era feudal/xogunato (1100 - 1868) e a transição para a era capitalista/meiji. As características da era feudal/xogunato foram determinantes para a criação e desenvolvimento das artes de guerra (o budo), tendo como destaque os Samurais. Também, a transição para a era capitalista/meiji influenciou na transformação de algumas lutas. O exemplo do Judô nos é bastante representativo. O seu criador (Jigoro Kano), além de lutador, um cientista político, observou as mudanças de ordem econômica, reproduzindo-as na nova luta.

Imagem retirada do redes.moderna.com.br
A “transposição” para a organização pedagógica nos coloca a responsabilidade de um posicionamento em relação à contradição novo/velho nas lutas e a sistematização das atividades. Seria impertinente defender que os homens e mulheres atuais devam percorrer todo o caminho de produções para chegar a uma síntese atual. Embora isto não seja totalmente descartado – para questões especiais- defendemos o ensino/aprendizado dos “traços essenciais” das produções humanas como forma de apropriação da produção histórica do conjunto da humanidade.

Como a quantidade de modalidades pode se tornar quase que infinita, podemos agrupá-las a partir da distância entre os oponentes. Nisso temos lutas de longa, média e curta distância. No primeiro caso, temos a distância impondo a necessidade de um prolongamento do corpo, de armas. No segundo caso, as lutas em que a distância, de um lado, não exige armas, de outro, não permite inicialmente o agarramento (karate, capoeira, tae kwon do, boxe, kung fu, etc.). Por fim, nas lutas de curta distância, os oponentes estão em contato pleno (judô, jiu jitsu, sumo, Greco romana, aikido, etc.). Tais traços se desdobram em técnicas particulares de cada grupo.

Por fim, na sistematização a partir dos ciclos propostos pelo Coletivo de Autores, apontamos: no primeiro ciclo, “organização da identidade dos dados da realidade”, cabe ao professor, ao passo que identifica o entendimento – sincrético - dos alunos sobre o que é luta, organizar atividades que permitam uma primeira aproximação ao conteúdo. É o ciclo onde os traços essenciais são propostos a partir dos “jogos de combate”. Aqui ele começa a entender a oposição como elemento que vai acompanhar sua relação com as lutas.

No segundo e terceiro ciclo, “iniciação à sistematização do conhecimento” e “ampliação da sistematização do conhecimento”, ainda que possamos manter os “jogos de combate” em um patamar superior, esta é a fase de ampliar o conhecimento. Aqui é o momento de tratar das lutas a partir dos três grupos que apresentamos: longa, média e curta distância.

Por fim, no quarto ciclo, que se caracteriza pelo aprofundamento da sistematização do conhecimento, "(...) o aluno adquire uma relação especial com o objeto que lhe permite refletir sobre ele". Aqui, mesmo que mantenhamos as atividades advindas do primeiro ciclo, garantindo as diferenças de desenvolvimento, realizamos um duplo movimento: aprofundamos o entendimento das lutas no sentido restrito, bem como garantimos a discussão de temas transversos.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Academia de ginástica: valorização dos materiais e desvalorização dos profissionais

Foto cedida pelo professor
Formado em Educação Física pela Universidade Católica do Salvador, licenciado pleno em 2007, o professor Nadson Reis (foto) socializa para os leitores do blog uma pequena mas significativa reflexão sobre a relação entre os equipamentos de atividade física e o trabalho dos professores que lidam com os mesmos há todo instante.

Ex-professor em academia, natural de Jequié, residindo em Salvador, atualmente se dedica aos estudos das relações de trabalho através da ergonomia, exercendo suas atividades em empresas multinacionais.

Segue abaixo o texto do Nadson. Aproveito para mais uma vez agradecer ao professor a gentileza em disponibilizar o mesmo para este blog.

Acho engraçado algumas coisas dentro das academias. Com o passar dos anos elas evoluíram em termo de equipamentos e as máquinas antigas deram lugar a máquinas modernas e mais caras, "djs" e bandas tocando ao vivo mas, o grande artista desse espaço, o professor de educação física, nunca foi valorizado e a cada dia que passa está ficando mais desmotivado.

Imagem retirada do site encontreesporte.com.br
Vejo pessoas malhando na academia "xxx" outros na academia "zzz" entra ano, sai ano e não muda nada em termos de composição corporal. Acordem pra vida gente! Equipamento de musculação, bandas e "djs" nunca foram diferenciais. O grande diferencial nesse espaço é o professor. Procurem por aqueles comprometidos e com conhecimento para atingir os seus objetivos e não academias.

Por outro lado, aos donos de academias, uma sugestão: tomem vergonha na cara e parem de comprar equipamentos que jogam raio laser e invista no seu professor. Só ele é capaz de fazer o seu aluno atingir seus objetivos.