segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Preparem os bolsos

Como já era esperado, os valores iniciais (em milhões de reais) das obras relacionadas aos megaeventos esportivos no Brasil seguem de vento em polpa, ou seja, com alterações para cima na sua imensa maioria. Exceção apenas para a Arena Amazônia (era 533, está em 532,2). Nos demais estados que sediarão o evento futebolístico de maior apelo mundial, as alterações são sempre para cima e além.

Vejamos. Maracanã (era de 828, está em 931); Fonte Nova (era de 592, está em 597); Estádio Nacional, do Distrito Federal, (era de 671, está em 846); Estádio das Dunas (era de 413, está em 417); Castelão (era de 452, está em 518,6); Beira Rio (era de 154, está em 290); Arena da Baixada (era de 185, está em 234); Arena Pernambuco (era de 491, está em 532); Mineirão (era de 684, está em 695); Itaquerão (sem previsão de custo inicial. O "final" está em 890).


Alguns destes estádios ainda faltam licitar itens, tais como: construção de cobertura e compras de gramados e cadeiras. É o caso da Arena Pantanal (está em 597, mas falta licitar a cobertura) e o Estádio Nacional, que apesar de ter tido uma majoração de quase duzentos milhões, não chegou a um valor "definitivo", pois falta licitar o gramado e as cadeiras.


Segundo a fonte consultada, "A previsão oficial do custo de construção e reforma dos estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014 já subiu R$ 590 milhões desde janeiro de 2010, quando foi assinada a Matriz de Responsabilidade da Copa pelos governos federal, estaduais e municipais que receberão os jogos".


Na época da assinatura da Matriz supra citada, o Ministério dos Esportes previa um custo total de 5,6 bilhões de reais para as obras de todas as arenas que sediarão jogos da Copa 2014. Em pouco mais de dois meses, de novembro de 2011 para cá, a cifra foi alterada, chegando aos valores atuais de 7,08 bilhões de reais.

Fonte consultada para a postagem: UOL.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dossiê dos Comitês Populares da Copa


Ao visitar o blog Observatório da Mídia Esportiva, uma iniciativa do coletivo de pesquisadores do LaboMídia, da UFSC/UFS, tive conhecimento deste dossiê através da postagem "O amor pelo esporte é a hipnose dos desavisados - um alerta à população", (leia a postagem clicando aqui) do professor Galdino R. Sousa. Pelos dados que o mesmo apresenta e que falam por si, socializo o documento com os leitores do Esporte em Rede ao tempo em que conclamo à leitura, acessando o mesmo na íntegra clicando aqui.

A contradição em termos


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Brasil não é a África: e daí?

No ano de 2010 tivemos, pela primeira vez na história do mundial de futebol, uma Copa do Mundo em solo africano. Com certeza, um acontecimento para ser lembrado pelos nativos e por todos os povos do mundo inteiro durante muitos e muitos anos. Tanto pela sua relevância histórica, quanto pelos temas que animou.

Durante os preparativos para a realização dos jogos, muito foi dito. Várias foram as avaliações dos diferentes especialistas nos mais variados assuntos. Falou-se sobre aeroportos, novos estádios, mobilidade urbana, marketing esportivo, entre outros, temas sobre os quais estamos já bastante familiarizados.

Para uns, a Copa do Mundo na África do Sul seria uma oportunidade ímpar para potencializar o crescimento econômico do país, viabilizando ações que contribuiriam com o desenvolvimento da infra-estrutura geral, principalmente das cidades-sedes e, por tabela, mexeria com a alta-estima de todos os cidadãos da nação africana. Sem falar nos ganhos intangíveis que só aparecem, segundo especialistas em megaeventos esportivos, anos e anos após a realização dos mesmos e que não existe maneira de mensurar nem de constatar o seu impacto no processo avaliativo. Só mesmo a história, ciência do tempo, pode demonstrá-los.

Para outros, tudo não passava de simples falácia, retóricas que por sua extrema força ideológica, ao apresentar os elementos positivos, alguns supra citados, velava outros tantos, os de reais interesses dos membros da FIFA, das corporações das mais distintas, dos patrocinadores e de membros dos governos (federal, estadual e municipal). Era necessário que o povo todo acreditasse que a Copa da África era para o bem geral da nação africana.

Uma dessas vozes destoantes em relação aos otimistas de plantão, era de um economista da Universidade de Kwa-Zulu Natal, que mantinha, junto com outros intelectuais da mesma instituição de ensino, um site na internet, chamado de Observatório da Copa do Mundo. Segundo ele, “não é do real interesse de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”. (Citação retirada do Correio Cidadania. Acessada em 19/07/2010).

Passados já um ano e alguns meses do evento que iria trazer a Terra Prometida para os africanos, eis que os dados da realidade da Nação projetam uma situação por demais frustrante, de fazer corar de vergonha os mesmos otimistas, muitos deles já devidamente encastelados em terra tupiniquim e outros tantos, há tempos, com residência fixa nas federações e confederações brasileiras, exercitando a política das monarquias absolutista.

Matéria do Correio do Brasil, publicada ontem, ao trazer uma reflexão crítica sobre o CNA (Congresso Nacional Africano), que expulsou o Partido Nacional (exclusivo para brancos) do poder em 1994 e parece não fazer valer o seu slogan de fundação (em 1912), “uma vida melhor para todos”, nos presenteia com alguns dados que demonstram a falácia do potencial desenvolvimentista dos megaeventos esportivos.

Segundo a matéria (leia na íntegra clicando aqui) “Os únicos sul-africanos que realmente desfrutam de uma “vida melhor” são os 3 milhões integrantes da classe média negra – apenas 6% da população de 49 milhões de habitantes. Aproximadamente 40% da população (20 milhões de pessoas) vive abaixo da linha da pobreza, sobrevivendo com menos de 50 euros por mês.”

O texto do qual os dados foram retirados diz respeito à dinâmica da política partidária do país. Faz uma crítica ao CNA e suas políticas, não tratando de forma específica do tão propalado legado esportivo, que ganha cada vez mais força semântica e tem a potência de tudo explicar.

Mas creio que o mesmo nos serve de alerta e nos ajuda a pensar sobre os reais interesses dos mega-eventos esportivos no Brasil em 2013 (Copa das Confederações), 2014 (Copa do Mundo) e 2016 (Jogos Olímpicos) em contexto de crise política e econômica na Europa, berço tradicional do futebol.

Sabemos que o Brasil não é a África do Sul e que a tradição do futebol é muito mais enraizada no nosso solo e isso pode, dizem, fazer alguma diferença. Por outro lado, sabemos também que são os mesmos “senhores dos anéis” que estão organizando os megaeventos esportivos na “nossa pátria mãe gentil”.

Se lá na África, repetindo o economista Patrick Bond, da Universidade de Kwa-Zulu Natal, não era do interesse “(...) de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social”, por que no Brasil será diferente?

domingo, 8 de janeiro de 2012

Haverá tempo?

Como todos nós sabemos, em 2014 teremos no nosso país a Copa do Mundo de Futebol. Temos, portanto, um pouco mais de dois anos para este grande evento esportivo e o que mais nos preocupa é que muitas coisas ainda estão para serem feitas, muito embora os recursos do tesouro estejam disponíveis e sendo sacados pelos órgãos responsáveis pelo evento.

Ao consultarmos os dados contidos no Portal da Transparência do Governo Federal, constatamos que dos 27 bilhões de reais previstos no momento para os diversos investimentos nos âmbitos municipais, estaduais e federais, apenas R$ 9 bilhões e 800 milhões foram contratados e, destes, R$ 1,4 bilhões foram executados, o que representa um pouco mais de 5% das obras necessárias.

Se focarmos nossas análises apenas no quesito estádio de futebol (rejeitando momentaneamente os relacionados aos aeroportos, portus, mobilidade urbana entre outros), principal palco dos jogos que serão realizados por diferentes seleções do mundo, vamos constatar que os passos das tartarugas são mais céleres.

Para este quesito, do total previsto de 3 bilhões e 300 milhões de reais, foi contratada a quantia de R$ 2,2 bilhões e apenas 276 milhões de reais foram executados, o que equivale a pouco mais de 8% das obras. Isso às vesperas da Copa das Confederações, que ocorrerá um ano antes da Copa do Mundo de Futebol.

Pensando com a cabeça dos empreendedores, o prazo é extremamente exíguo. O que preocupa todos que querem que as coisas ocorram de forma lícita, coisa muito difícil de acontecer quando corremos contra o tempo.