sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Só em 2014


Estaremos de volta no dia 06 de janeiro.

Desejamos para todos um 2014 de muita realização e ação.

Grande abraço e obrigado por estarem conosco durante todos os dias de 2013.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sobre interatividade

A questão da interatividade entre mídia e audiência não é recente, apenas ganhou contornos novos com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação. Desde tempos remotos que ela vem se dando, inclusive em tempo real, se tomarmos como exemplo os programas de rádio.

Mas a mesma aparece agora como se fosse a novidade do momento. Não é. E continua, como antes, a causar situações interessantes. Veja o que ocorreu comigo no último dia 21 do corrente mês.

Ao acessar o meu instagram (welington_silva45), dei de cara com a imagem abaixo, vinculada pela Itaipava Fonte Nova.


Então questionei, observando que "Em terra de maioria negra, só branquinho na festa das torcidas é dose, não @itaipavafontenova?" A ideia era levantar uma discussão, um debate não com a Itaipava, mas com seus usuários que, assim como eu, participa com comentários nas suas mensagens publicitárias.

Mas, o que fez o agente que trabalhava no momento, operando a publicidade? Simplesmente, retirou o meu comentário, deixando o que ele tinha escrito, tal como demonstra o texto abaixo.


Eu então insisti, escrevendo a mesma coisa e ele então retirou. Isso ocorreu várias vezes. No caso, a interatividade estava incomodando. A mesma estava recebendo, inclusive, apoio expresso em outros comentários, que aproveitavam para questionar o valor dos ingressos cobrados nas contendas do Esporte Clube Bahia com outros times. Os mesmos foram também retirados pelo servidor.

Observo que o mesmo tem todo o direito de retirar os comentários. Trata-se de espaço privado. Apenas estou aproveitando o acontecido para refleti sobre o aspecto da interatividade entre partes. No caso os que usam o Instagram para interagir com a @itaipavafontenova.

Continuei então insistindo no meu questionamento. Até que o agente respondeu a minha provocação, sugerindo que ao levantar a pergunta, eu estava sendo preconceituoso. Diz ele no espaço abaixo que: "welington_silva45 há espaço para todos, só não há espaço para o preconceito. Grande abraço".

Aceitando a provocação e o debate, lembrei ao funcionário que "(...) atitude preconceituosa existe na medida em que não se obedece a constituição baiana que reza sobre a obrigatoriedade da presença de pelo menos uma pessoa da raça negra em todas as campanhas publicitárias produzidas na Bahia em que apareça mais de uma pessoa (...)." E finalizo afirmando que "(...) entre os cinco acima parece que não há espaço para todos".


Depois da franca e fraterna contenda, o que ocorreu? A interatividade continuou? O funcionário deu alguma explicação sobre a publicidade? Esclareceu algum ponto do questionamento?

Óbvio que não. Depois que escrevi, mencionando a constituição baiana e que a mensagem da imagem feria o texto da mesma, ele retirou foi a publicidade inteira, desconsiderando inclusive todas as outras interações que não tinham envolvimento no debate.

Ponte e metrô


Mais uma promessa não cumprida. Já deveríamos está acostumados tendo em vista a experiência do metrô, entre outras. Mas não estamos.

Enquanto isso os governantes deste país, nas suas distintas esferas de poder, parecem gostar de brincar com os prazos (a manchete acima é de dezembro de 2009) e a nossa paciência. Brincadeira muito cara, diga-se de passagem, pois as mesmas são feitas as custas do dinheiro público.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Jogador ou robô

Nilton Santos. Falecido em novembro deste ano

"Na nossa época, a gente fazia o que sabia. Agora (2002), o jogador faz o que o treinador manda. Não queria ser jogador hoje de jeito nenhum. Não sou robô" (Nilton Santos - Enciclopédia do futebol)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O que comemoramos no natal?

Imagem retirada do site Os Invicioneiros
O nascimento de uma criança, pobre, em um lugar ocupado por forças imperiais. Sua mãe engravidou antes do casamento, que ainda assim se realizou com um homem que a quis e também ao seu filho. Então, de uma mulher mãe solteira, nasceu um filho “bastardo”, adotado por um padrasto carpinteiro. Quando adulto este homem zelou radicalmente pelos ensinamentos mais fundamentais da fé de seu povo e nestas condições, por pregar a igualdade absoluta entre os seres humanos, tornou-se um preso político. Foi capturado pelas forças da repressão, torturado, abandonado e condenado sumariamente, morreu da forma mais sofrida que se podia impor a alguém de seu tempo. Lutou para manter-se fiel ao que acreditou e pelo que viveu e lutou.

Em muitas culturas antigas há o culto a uma criança sagrada, são chamados avatares e estão presentes desde o Japão até as tribos indígenas na jovem América. É um arquétipo que representa a necessidade de evolução espiritual. “A criança divina diz respeito ao eixo central que, tendo uma origem narcísica, permite a coesão do self. Trata-se de uma representação do “sopro divino”, de uma integração com a natureza, de um saber direto, intuitivo". (Carl Jung).

A Criança Sagrada é aquela que não perdeu a consciência da sua origem, o fundamento do ser. É ela quem melhor expressa as qualidades relacionadas aos nossos valores espirituais: a essência divina da humanidade. 

É emblemático que a despeito do dogma de um Jesus acima da humanidade, nascido de uma mulher “virgem” e que cristalizou a imagem de uma família “sagrada” composta de pai, mãe, filho, haja um Jesus que persiste em se apresentar tão próximo e tão humano, tão nós.

Imagem retirada do site G1
Por outro lado, boa parte dos símbolos natalinos estão ligados aos cultos agrários pagãos, em especial aos festejos de Yule ou Alban Arthan, luz do inverno (no hemisfério norte). A criança sagrada aqui nasce como o sol, para trazer a mensagem da vida e da esperança. O verde representa o renascimento da natureza após o rigoroso inverno, o dourado os raios do sol em dias cada vez mais longos e aquecidos e o vermelho, bem, o vermelho é o sangue da deusa que é capaz de engendrar e sustentar a vida. Muito humana.

A criança sagrada por trás da tradição cristã nos espera todos os dias nas favelas do Brasil, da Bolívia, dos EUA, da Índia, nas terras ocupadas do Iraque, da Síria, da Palestina. Seus pais labutam diariamente para cria-las e, muitas vezes, não podem mais enxergar o presente, o milagre da vida em seu nascimento. Quando adulta, esta criança é Amarildo, é um Guarani Kaiowá, uma mulher indiana em um ônibus, está em Guatânamo, em uma prisão na Sibéria, ou em qualquer outro lugar onde as garras da opressão os tenham alcançado.
Imagem retirada do blog Hiperssessao
Sua mensagem, contudo, permanece: o amor radical e a igualdade absoluta na construção/recuperação deste self reconciliado que é negado a todos pelo sistema desumanizador que, em primeiro lugar desumanizou quem oprime e que se reproduz por estender a desumanização sobre todos nós.

Este amor radical e esta igualdade absoluta a criança sagrada, tão humana, tão próxima, expressou de forma tão intensa que continuamos a honrá-la, ainda que, por vezes, esqueçamos o fundamento destas festas milenares.

A criança sagrada renasce em cada um e sempre quando lutamos radicalmente contra a opressão. Este Deus menino eu posso honrar. O exemplo que deixou de profundo amor, solidariedade e igualdade é uma memória e também um porvir pelos quais vale a pena viver e vale a pena morrer.

Que nossos corações possam se abastecer destes ritos e que, em contato com as pessoas que amamos possamos retornar às nossas tarefas e lutas cotidianas para realizar este porvir. E se assim for, será Natal para sempre.

Um grande, fraterno e solidário abraço a todos vocês.

(Lorene e Família - Retirado da lista do Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo EBEM).