Aguardando a imprensa esportiva baiana falar sobre o Vitória da Conquista. O time chega à final do baiano invicto e só ouvimos falar sobre o Bahia e suas deficiências técnicas.
Refletir sobre o esporte para além das configurações táticas e técnicas que lhes são próprias e tendo o mesmo como expressão singular para pensarmos fenômenos mais gerais da sociedade, eis o objetivo do blog.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Competência profissional
Nas idas e vindas do raciocínio, quando da exposição do conteúdo em sala, assuntos aparentemente desconexos surgem, procurando fazer parte do momento pedagógico da contextualização.
Na aula de história, dizia que embora a Educação Física se colocasse como uma área da saúde, a sua perspectiva sobre o tema ainda era, hegemonicamente, centralizada no indivíduo e o exercício físico, além de "receita e remédio para os males da sociedade", assumia um caráter utilitário, funcionalista, objetivando a promoção e o desenvolvimento “normal” da sociedade, assumindo uma visão conservadora, típica dos tratados higienistas e eugenistas do século XVIII. E arrematava: NÓS NÃO ESTAMOS NO SÉCULO XVIII. ESTAMOS EM PLENO SÉCULO XXI, e problemas sérios de saúde pública afetam a população brasileira e nós, o que estamos fazendo? Discutindo a importância do galho seco na reprodução dos macacos.
Isso foi na aula de história, pela manhã. Na parte da tarde, na disciplina de Introdução ao Trabalho Científico eis que surge, mais uma vez, a preocupação por parte dos acadêmicos, sobre sua formação e a necessidade de inclusão, no currículo de novas disciplinas. Entre elas, a BIOMECÂNICA.
De maneira alguma, estou querendo negar essa necessidade. Não tenho base concreta para isso. Mas disse aos estudantes que se eles consideravam importante a inclusão de qualquer disciplina, que demonstrassem cientificamente essa importância. Se, com base no desejo particular, interesses singulares, o curso começasse a mexer na matriz curricular, onde iríamos parar?
Nesse ínterim, suponho que está em jogo, por parte do alunado, a preocupação com a sua competência técnica. Algo extremamente importante. No entanto, se apartamos esta do debate sobre o compromisso político da formação de professores, estaremos reforçando a hegemonia dos que entendem a Educação Física, enquanto uma área do conhecimento, como mais um aríete a reforçar a visão oitocentista.
Precisamos ter muito cuidado com este processo. Citando uma antiga referência diria, para início de conversa, que devemos procurar desenvolver um movimento simétrico entre a competência técnica e o compromisso político.
Eis o desafio que está posto e ele não é novo.
De maneira alguma, estou querendo negar essa necessidade. Não tenho base concreta para isso. Mas disse aos estudantes que se eles consideravam importante a inclusão de qualquer disciplina, que demonstrassem cientificamente essa importância. Se, com base no desejo particular, interesses singulares, o curso começasse a mexer na matriz curricular, onde iríamos parar?
Nesse ínterim, suponho que está em jogo, por parte do alunado, a preocupação com a sua competência técnica. Algo extremamente importante. No entanto, se apartamos esta do debate sobre o compromisso político da formação de professores, estaremos reforçando a hegemonia dos que entendem a Educação Física, enquanto uma área do conhecimento, como mais um aríete a reforçar a visão oitocentista.
Precisamos ter muito cuidado com este processo. Citando uma antiga referência diria, para início de conversa, que devemos procurar desenvolver um movimento simétrico entre a competência técnica e o compromisso político.
Eis o desafio que está posto e ele não é novo.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Ensino do esporte pelo sistema de complexo
No dia 17 deste, estarei na Universidade Federal de Sergipe, participando de uma banca de defesa de dissertação do mestrando Luis Henrique Silva de Araújo.
O tema do trabalho é A Organização do Ensino do Conteúdo Esporte a partir do Sistema de Complexos: um estudo de caso com base no PIBID/UFAL.
O trabalho objetiva analisar a possibilidade do sistema de complexos orientar a apropriação do conteúdo esporte nas aulas de educação física, especificamente o atletismo, no sentido de contribuir para ampliar os aspectos da formação humana dos alunos e alunas da rede pública de ensino.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Lógica Formal?
No dia 06 de abril, segunda-feira passada, comemorou-se o Dia Mundial da Atividade Física. Aproveitamos a imagem abaixo que circulou pelas redes sociais para questionar mais uma vez a lógica presente no entendimento da relação entre a atividade física e a saúde, bem como do sedentarismo.
Nem sedentarismo é doença e nem atividade física é saúde, como afirma o texto presente na imagem. Essa causalidade impede que compreendamos a relação, sempre e cada vez mais complexa e contraditória entre os elementos desta "equação".
E essa complexidade não será resolvida mesmo que, hipoteticamente, possamos, cotidianamente, acumular os tais 30 minutos de atividade física.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Esporte Educacional
No dia 25 de março ocorreu, na Assembléia Legislativa da Bahia, uma audiência pública sobre Futebol Profissional, promovida pela Comissão de Esporte e Lazer, presidida pelo Deputado Raimundo Nonato Tavares da Silva, conhecido no âmbito esportivo, especificamente no futebolístico, simplesmente como Bobô, àquele de "elegância sutil", presente na letra da música Reconvexo, do poeta e cantor Caetano Veloso.
![]() |
| Imagem retirada do site esporteeducacao.org.br |
Na oportunidade,
foi anunciada uma outra audiência pública, desta feita para debater o chamado Esporte Escolar, que ocorreria no dia 01 de abril. Apesar do simbolismo que carrega a data, a informação comprovou-se verdadeira.
foi anunciada uma outra audiência pública, desta feita para debater o chamado Esporte Escolar, que ocorreria no dia 01 de abril. Apesar do simbolismo que carrega a data, a informação comprovou-se verdadeira.
Um colega de profissão e também radialista esportivo, ao final desta audiência informou o que segue: "A audiência pública para discutir o futebol terminou duas da tarde. A audiência pública para discutir o esporte escolar, terminou onze horas". Detalhe importante: as audiências começaram no mesmo horário.
Obviamente que não podemos avaliar a importância de um debate sobre qualquer temática em função do tempo transcorrido para tal. Existem reuniões altamente objetivas e produtivas e outras extremamente alongadas e improdutivas e vice versa.
No entanto, se avaliarmos as duas situações e as situarmos em contexto histórico onde prevalece o monopólio do futebol, vamos entender perfeitamente a observação do colega e reconhecer a sua riqueza.
Em breves palavras ele situou a realidade que já vem de antanho. Das dimensões sociais do esporte (seja lá o que isso signifique) que estão expressas na nossa Carta Magna, prevalece a do rendimento e tudo o que o envolve. E neste particular, o monopólio do futebol é a expressão mais acabada.
Assinar:
Postagens (Atom)


