
De acordo com a lista de convocados do Dunga, divulgada no dia 21 de maio do corrente ano para os jogos das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014 e os da Copa das Confederações era assim definida: GOLEIROS (Júlio César - INTERNAZIONALE - Gomes - TOTTENHAN - e Victor - GRÊMIO); LATERAIS (Maicon - INTERNAZIONALE - Daniel Alves - BARCELONA - Kleber - INTERNACIONAL - André Santos - CORINTHIANS); ZAGUEIROS (Alex - CHELSEA - Juan - ROMA - Lúcio - Bayern de Munique - Luisão - BENFICA); MEIO-CAMPISTAS (Anderson - MANCHESTER UNITED - Gilberto Silva - PANATHINAIKOS - Josué - WOLFSBURG - Ramirez - CRUZEIRO - Elano - Manchester City - Felipe Melo - FIORENTINA - Júlio Batista -ROMA - Kaká - MILA); ATACANTES (Alexandre Pato - MILAN - Luis Fabiano - SEVILLA - Nilmar - INTERNACIONAL - Robinho - MANCHESTER CITY).
23 jogadores. Destes, apenas 5 atuam no Brasil, ou melhor, atuavam no Brasil, já que do dia 21 de maio para cá, ocorreram alterações. Por exemplo, o Ramirez já pode ser considerado ex-Cruzeiro e atual jogador do Benfica de Portugal, negociado por 7 milhões de euros.
Esse não é só um "problema" da seleção brasileira. Várias seleções no mundo passam por esse mesmo fenômeno, ter em seu plantel, a grande maioria dos jogadores atuando em outro país. É, como dizem por aí, imposição "natural" do chamado mercado da bola.

Evidente que esta é uma realidade européia. O Brasil, dada a sua precariedade organizacional e dificuldades financeiras dos clubes - cada vez mais endividados, dependentes das ações do governo com a bancada da bola à frente - os jogadores antes mesmo de serem conhecidos dos torcedores brazucas já fazem fama nos gramadosdo exterior. Ou então, quando estamos nos acostumando a ouvir o nome de um certo jogador, lá vai ele sendo transferido.
"A venda de atletas para o exterior vem crescendo há três anos consecutivos e, em 2008, totalizou 1.176 transferências - 46% a mais do que em 2005". (Revista Veja, 13 de maio de 2009)
São por essas e outras que a seleção brasileira fica recheada de brasileiros que jogam no exterior, o que aponta para a questão da identificação do torcedor brasileiro com a própria seleção que de brasileira, passou a ser estrangeira.
Os próprios garotos que sonham em ganhar a vida com o futebol, já não traça um percurso antes vivido por outros jogadores como Pelé, Zico, Falcão, Júnior entre outros, de jogarem em clubes nacionais para, depois, vivenciar uma experiência em clubes europeus, asiáticos, entre outros.
O garoto Nilson Belém Júnior, presente na matéria da revista veja é uma expressão deste fato. O juninho, como é conhecido, de apenas "14 anos, não almeja jogar em um clube brasileiro com tradição". Ele quer "(...) ir para o exterior para ganhar mais dinheiro (...)"

A seleção brasileira, se antes despertava um certo nacionalismo, vai perdendo, aos poucos, a própria referência da nação que representa. Corações e mentes dos jogadores, atrelados aos interesses das grandes corporações que assumiram o esporte como uma fantástica mercadoria, onde a questão do alto rendimento ultrapassa as quatro linhas dos gramados e alcança às bolsas de valores, coloca em um jogo de seleção a sua possibilidade de melhoria profissional, ou de valor do seu contrato, mesmo para àqueles que já não dependem tanto do dinheiro que nos fala o garoto juninho.
Caso emblemático se verificou com Lúcio, que ao fazer o terceiro gol do Brasil, possibilitando a conquista da Copa das Confederações, comemorou a possibilidade de, com isso, ter chance de renovar com o próprio Bayern de Munique (clube que o estar dispensando em função da sua idade) ou com um outro clube da Europa.
Tenho discutido com os meus alunos essas questão e sempre pergunto aos mesmos o seguinte: quando a seleção "brasileira" joga, vocês se reunem para ver a seleção jogar ou a reunião se dar pela questão da festa em si, independentemente de ser ou não a seleção jogando? A maioria das respostas é curta e grossa: a festa!!!
Seleção brasileira? Talvez fosse melhor chamar de seleção estrangeira.