quarta-feira, 22 de junho de 2016

Genética e esporte

A Revista Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) deste mês, publicada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Governo de São Paulo, traz uma matéria de capa que relaciona Genética com Esporte.

Assim que olhei a capa imaginei que se tratasse de alguma matéria sobre doping genético. Mas, não. Na verdade, trata-se de uma abordagem que procura abrir o debate sobre a relação entre o código genético do indivíduo e sua capacidade de performance para determinada modalidade esportiva. Um dos exemplos relaciona a habilidade de saltar com vara da nossa campeã Fabiana Murer ao gene ACTN3, que beneficiaria esportistas que dependem de velocidade e força, valências importantes para a prática desse esporte.

Prometo que farei uma leitura atenta e criteriosa para trazer maiores e melhores informações sobre esse instigante tema. Para os exigentes de informação mais imediata, sugiro comprar a revista que já se encontra à venda nas bancas e livrarias de sua cidade.

sábado, 4 de junho de 2016

Não vai ter Olímpíada

Enquanto alguns lembram o mês de junho como àquele em que se celebram festas dos santos Antônio, João e Pedro respectivamente, estou a me lembrar dos movimentos que foram às ruas e praças de 22 capitais e centenas de cidades protestarem sobre a situação política, social e econômica do país. Refiro-me, mais especificamente, a revolta popular que ficou conhecida como “jornadas de junho”.

O movimento de contestação, inicialmente centrado no questionamento do aumento das tarifas do transporte público na cidade de São Paulo foi se ampliando, e em poucos dias, vários atores foram incorporados às manifestações e muitas outras reivindicações foram acrescentadas nas pautas dos manifestantes. Para além da luta pela redução das tarifas dos transportes urbanos, muitas outras palavras de ordem eram lançadas e, entre elas, o “não vai ter Copa” foi a mais disseminada, principalmente pela mídia escrita e televisionada.

Estávamos na dinâmica da Copa das Confederações. Esse era o evento mais presente nos noticiários. A captação desse momento esportivo e a transformação do mesmo como elemento de crítica social ao status quo nacional se tornou natural. Transporte privatizado, saúde e educação abandonadas, condição de moradia degradada, segurança pública sucateada, entre outros, todos esses elementos, em vários momentos, estavam amalgamados nos gritos de “não vai ter Copa”.

O gigante tinha, enfim, acordado. 70 mil pessoas se fizeram presentes nas manifestações e passeatas no auge do movimento, ocupando, além das ruas e praças, prédios públicos, questionando a mercadorização da vida, alertando para a saturação, o esgotamento do modelo neoliberal das políticas econômicas e sociais que até então vinha sendo implementado pelos governos de FHC e levemente alterado por Lula e Dilma.

E eis que, ao chegar próximo ao terceiro aniversário desta jornada que criticou o establisment no momento que questionava os megaeventos esportivos, as perguntas surgem: cadê o gigante que tinha acordado? Voltou a dormir? As bandeiras antes levantadas foram atendidas? Não há mais pelo quê lutar? 

As questões levantadas são pelo reconhecimento, de minha parte, de vários elementos explosivos que estamos vivenciando: a) ocupações de escolas, motivadas pelo desvio de merendas pelo governo Alckmim e questionamento sobre o modelo educacional em geral; b) golpe institucional comprovado pelos últimos vazamentos de áudios dos novos ministros do governo Temer; c) retiradas de direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora; d) possibilidade de entrega de uma das nossas maiores riquezas, o pré-sal, para o mercado internacional; e) o risco de maior sucateamento do Sistema Único de Saúde; f) a extinção do Ministério da Cultura entre outros. No entanto, não estou percebendo um movimento pujante como o que ocorreu há três anos.

Com isso, não estou dizendo que não existam. Parece-me que eles não só existem como expressam uma categoria cada vez mais importante para nossas análises: luta de classe. Só não estão tendo a visibilidades de antes. Os canais pelos quais ecoavam as palavras de ordem das “jornadas de junho” estão fechados. Talvez falte aos movimentos diversos um componente aglutinador, algo que dê sentido e significado às lutas mais gerais e abram os canais de comunicação de massa.

Eu tenho uma sugestão. Não sei se funcionaria como antes. Reconheço inclusive que há certo desgaste na sua forma, mas não no seu conteúdo. Que tal, então, experimentar um “Não vai ter Olimpíadas”?

terça-feira, 31 de maio de 2016

Esporte e política: uma relação simbiôntica

O ano de 2013 foi muito rico em manifestações que tomaram às ruas do Brasil. Muitos também foram os fatores que impulsionaram essas manifestações: transporte público sucateado, defesa do “passe livre”, democratização da mídia, melhoria do espaço urbano, a questão da moradia entre outros.

“O gigante acordou” foi uma palavra de ordem que se ouvia. Há muito não se assistia a essas expressões de contestação no país que não tardaria a ser chamada de “jornada de junho” por àqueles que tentavam explicar o que realmente estava acontecendo.

Sem dúvida alguma, a oportunidade para tanto foi dada pela proximidade de um dos mais importantes megaeventos mundial: a Copa do Mundo. Ela não só foi a “chave heurística” que abriu a porta das contestações como foi, também, alvo da mesma.

O esporte assumia na época, mesmo a contragosto de muitos cronistas e comentaristas esportivos, uma dimensão ideológica como nunca antes se viu desde o processo de redemocratização do país. Ele ajudou a canalizar interesses diversos das classes e frações de classes que disputavam idéias, valores, opiniões e representações no interior do bloco histórico capitalista.

Isso não é novo no Esporte. Exemplos do seu envolvimento em questões políticas são vastos na história da humanidade. É emblemático o uso dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, para consolidar o pensamento germânico de supremacia da raça ariana. O que não ocorreu graças ao Jesse Owens. Os diversos boicotes aos também Jogos Olímpicos entre os países dos então blocos capitalistas e socialistas reforçam o nosso argumento.

E se consideramos esses exemplos supracitados sufocados pela poeira do tempo, podemos oferecer ocorrências mais próximas: a Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians, recentemente, saiu às ruas para contestar o monopólio de uma grande rede de televisão nacional.

A torcida do Santa Cruz, no final do mês passado, estendeu uma grande faixa chamando a Rede Globo de Televisão de “Golpista” e, mais recentemente, “Os Imbatíveis”, torcida organizada do Vitória, aproveitando da audiência do maior clássico do estado da Bahia, mostrou uma enorme faixa onde se lia “Não vai ter golpe”.

Esses e muitos outros exemplos demonstram, factualmente, que a relação entre o esporte e a política é simbiôntica. Tudo indica que um não vive sem o outro e vice-versa.

(O presente texto foi publicado, originalmente, no site do jornal Bw News no dia 06 de maio)

domingo, 10 de abril de 2016

O que o futebol nos faz pensar

Que o futebol é uma paixão nacional, ninguém duvida. Já as reflexões que ele potencializa, isso poucos conhecem. Para esses, o presente livro é o que podemos chamar de oportunidade impar. 16 autores, brasileiros e estrangeiros, psicólogos, filósofos, engenheiros, entre outros, tratam de temáticas diversas, tal como você pode observar abaixo, propondo o seguinte desafio: "Como fazer que o futebol abra um amplo campo de pensamento, impondo novas questões, novos temas, novos conceitos (e mesmo contraconceitos)?".

Sócrates (o filósofo), Hobbes, Spinoza, Nietzsche, Deleuze, Lyotard, Latour, Baumas, entre outros, são os "jogadores" que os autores lançam mão, enriquecendo suas reflexões e provocando o leitor, na medida que o convoca "(...) para uma tabelinha pensante pelas linhas tortuosas do futebol" e convidando-o para um jogo "(...) franco, aberto, sem retranca ou linha-burra (...)".

Boa leitura.


PARTE I: O TORCEDOR E OS AFETOS

1. O futebol no contra-ataque: o que há de sólido na modernidade líquida?

2. Devir torcedor

3. Uma bola no pé esquerdo e ideias revolucionárias na cabeça: a poética trágica de um scugnizzo-rei vista por um torcedor napolitano

4. A positividade das alegrias partilhadas: reflexões filosóficas sobre o arrebatamento pelo futebol como afirmação da vida, de nossa própria potência e da potência do coletivo

PARTE II: O JOGO

5. Futebol, acontecimento

6. O jogo como vida: investigação filosófica sobre a esfericidade quebrada

7. Jogo e filosofia: algumas contribuições do pensamento contemporâneo

8. Um diálogo inédito de Platão

PARTE III: A ARTE

9. Futebol, a beleza dionisíaca do jogo

10. A arte trágica nas Copas a partir da visão nietzshiana de mundo

11. Apontamentos sobre futebol e metafísica: o futebol e a sabedoria que aprendi no meu bairro

PARTE IV: A POLÊMICA

12. Driblando as mãos: o futebol desafia a evolução

13. Verdade e imaginação

14. O futebol como experiência ética, estética e cidadã

sexta-feira, 11 de março de 2016

Frisbee e a educação física escolar

O nosso blog tem o prazer de apresentar para você, leitor, um texto sobre uma modalidade esportiva que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Trata-se do Frisbee. E já apresentamos o mesmo através de uma vivência concreta, o festival ocorrido na cidade de Vitória da Conquista.

Para tanto, estamos contando com dois valorosos professores que procuram difundir essa prática em todos os cantos, principalmente no âmbito escolar, através da disciplina Educação Física. São eles: Alan de Aquino Rocha e Patrícia Schettine Paiva Rocha.

Alan é licenciado em Educação Física pela UFBa, especialista em Educação Física Escolar pela UNEB e mestre em Educação também pela UFBa, além de ser professor da Rede Estadual e da Universidade Estadual da Bahia.

A professora Patrícia também é licenciada em Educação Física pela UFBa, especialista em Educação Física Escolar e professora da Rede Estadual da Bahia.

O Esporte em Rede agradece aos professores a participação e coloca-se como um espaço aberto para mais contribuições sobre esta ou outra temática ligada a área.

Vamos ao texto.






O I Conquista Frisbee, nasceu como empreendimento do trabalho realizado em nossas aulas de Educação Física no Instituto de Educação Euclides Dantas, escola da rede estadual, no município de Vitória da Conquista, a partir do ensino de uma modalidade esportiva pouco conhecida no Brasil, o Ultimate Frisbee.

Trata-se de uma modalidade criada nos Estados Unidos, com milhares de praticantes em várias partes do mundo, porém pouco difundida no Brasil, concentrando-se, sobretudo, em São Paulo e em algumas cidades do interior paulista.

Encontramos nesta modalidade valores muito interessantes que coadunam com nossos objetivos para a Educação Física Escolar, sendo eles:

a) Tem a ludicidade permeando todo tempo sua prática;

b) Vai de encontro à monocultura do futebol, no sentido em que enfatiza a aquisição de habilidades com as mãos;

c) Valoriza a participação feminina, praticamente “igualando” a possibilidade de participação conjunta entre homens e mulheres;

d) Não necessita de arbitragem: todas as questões quanto à aplicação das regras, são discutidas e resolvidas entre os jogadores no momento em que jogam;

e) Nos torneios, prevê uma premiação da equipe que melhor expressou “espírito de grupo”. E o detalhe: ao final de cada jogo, uma equipe avalia a outra com base neste critério.

Nosso festival buscou enaltecer esses valores. Acreditamos ter logrado êxito, na medida em que envolvemos mais de 200 estudantes dos ensinos fundamental e médio, indo além dos “muros da escola”. Temos a pretensão de que este evento siga, envolvendo mais escolas do nosso município.

Acreditamos que iniciativas como esta, contribuem sobremaneira para a legitimação da Educação Física no âmbito escolar.

Para maiores informações sobre o Ultimate Frisbee, indicamos o site da Federação Paulista de Ultimate Frisbee:

E nossa página do Facebook: