domingo, 19 de julho de 2009

Esporte e política: uma mera coincidência?


Existem pessoas que acreditam em papai noel. Outras que creem em duendes. Algumas juram de pés juntos que já viram gnomos e até conversaram com eles. Existem àqueles que acreditam em um deus supremo, criador de tudo e de todos e a julgar pelas posturas de agradecimentos, reside lá no alto. Pelo menos para a maioria dos atletas brasileiros. É um tal de apontar para cima, olhar para cima que... deus nos acuda!!!

Eu não sei se isso acontece em outros países do mundo. Desconheço. E também não sei se é com tanta frequência e ênfase como ocorre aqui no Brasil. Pelo menos no meu bába de sábado isso não ocorre. Ainda, é prudente dizer, como é prudente também registrar na condição de ex-católico, ex-batista, ex-espírita, ex-torcedor do baêa, os meus maiores respeitos a todos e todas que da forma como bem entendem professam as suas crenças.

Mas deixemos os crentes dos deuses da chuva, do sol, do fogo, da terra, da caça, do trovão, do futebol, deixemos em paz a deusa da fertilidadede, deixemos de lado todos os deuses e deusas, pois quero me dirigir a um outro grupo de crentes. Àqueles que acreditam que esporte não tem nada a ver com política. Que o esporte é um fenômeno isento dos interesses políticos e que a força que o move é pura paixão, muito amor pela camisa, pela bandeira e símbolos do clube.

Quando esporte passa a se misturar com política, eis, para alguns incautos, o seu fim, a sua derrocada, o trágico destino do seu mais alto e nobre lema, o seu ideal cavaleiresco: o fair play.

Para estes, a notícia de que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) doou para a campanha de Roseana Sarney ao governo do Estado do Maranhão em 2006 a quantia de 100 mil reais é uma mera casualidade. Devem achar até uma mera coincidência o fato do seu irmão, Fernando Sarney, ser um dos diretores da CBF.

Essa notícia teve pouca repercussão no jornalismo esportivo, pois esse, com honrosas e pouquíssimas exceções, deve achar que esta questão é um problema econômico ou da esfera política. Nesse sentido, melhor silenciar-se e tratar de falar que bebeto balança bebê está fazendo curso para técnico ou que Mancini é o ex-técnico do Santos que agora será dirigido pelo Vanderlei Luxemburgo.

Sabe o Kleber, atacante do cruzeiro? Este abriu mão da lua de mel e é a principal preocupação do Corinthians, eterno timão, nesse domingo.

São dessas questões que o jornalismo esportivo deve tratar. Para outros assuntos mais chatos e enfadonhos, como economia e política, existem outras seções no jornal para os interessados. Não é essa a lógica da divisão social do trabalho? Cada macaco no seu galho.

Mas para quem pensa que só Roseana Sarney, por mera coincidência, recebeu dinheiro da CBF, se engana redondamente. Em 2002, fizeram parte do time dois "jogadores" que, por mera coincidência, jogam no esporte clube do PMDB, que também é, por coincidência, o mesmo time da Roseana Sarney. São eles o Renan Calheiros, das alagoas e Gilvam Borges, do Amapá. Sarneyzistas desde criancinhas.

Para os de memória curta é bom lembrar a CPI da Nike. Inicialmente ridicularizada por toda a "bancada da bola", para quem não resta dúvida da relação entre esporte e política, foi instalada em 17 de outubro do ano 2000. Foram dezenove meses de luta protagonizada pelo Deputado Federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que conseguiu, nada mais, nada menos do que 206 assinaturas de 171 necessárias.

Uma verdadeira goleada!!!

Conseguiu também minar a figura do todo poderoso Ricardo Teixeira, ao ponto do mesmo anunciar em alto e bom som, pelo desgaste sofrido pela CPI, que a Copa de 2002 seria a sua última enquanto presidente da CBF.

Mas, como deus é brasileiro, e tem como companhia papai noel, duendes, gnomos entre outros, deu uma forcinha para a seleção brasileira conquistar a Copa da Alemanha em 2002 e o todo poderoso "Ricaço" Teixeira, tal qual Lázaro, amissíssimo de jesus, ressuscitou dos mortos.

Um momento...terá sido mera coincidência a conquista da Copa do Mundo de 2002? Meus deuses!!!

7 comentários:

Anônimo disse...

Adoro suas postagens, sempre tratando de temas sérios, pertinentes com uma dose de HUMOR!!!

Welington Silva disse...

Obrigado, anônimo. Espero poder manter, sempre com a ajuda de pessoas como você, que mesmo de forma anônima contribui com o nosso blog, essa qualidade.

Elson disse...

Olá Wellington e demais!
Coisa parecida aconteceu na Formula 1 (que de acordo Tubino - mesmo com controvérsias- é o chamado esporte a motor).
Um desentendimento POLÍTICO (que obviamente envolveu o econômico) fez com que se criasse um clima ruim entre equipes e gestores. Chegando ao ponto das equipes ameaçarem sair da Formula 1 e criar uma competição paralela.
MAIS UMA VEZ, a grande mídia, mesmo divulgando o fato, se dizia incomodada com o fato já que a política estava se metendo em assuntos esportivos. E isto, para eles, era inadmissível.
O que fica? Na tentativa de continuar vendendo a imagem do esporte isento, bonito, exemplo etc. não se podia atrelá-lo à política (já tão manchada por conta da política partidária Brasileira).
Obs: espero ter escrito sem muitos erros gramaticais para que não seja repreendido pelo colega da postagem anterior. Se a mensagem foi entendida, já é um começo, já houve a comunicação, como diria Paulo Freire.
Abraços

Lúcia Leiro disse...

Olá, Welington

A minha rápida passagem pelo curso de EF e pela sua disciplina foram para mim fundamentais. Estava desencantada, mas durante as suas aulas, tive a necessidade de reler alguns autores (Noam Chomsky, Gramsci, Bakhtin, Althussr, Marx). A velha chama vermelha reacendeu. Quero acompanhar mais de perto as ações do sindicato da instituição que trabalho e tentar contribuir para uma outra história possível.

Abraço SOLidário

Flávio Cardoso disse...

Boa noite e é com muita honra que entro no blog do mestre e amigo e me sinto muito à vontade para fazer um comentário à respeito do tema proposto, pois bem, o esporte como é sabido por todos é um dos aparelhos ideologicos do estado, portanto nada nos assusta a sua ligação com os politicos que sempre estão à espreita de uma gorda fatia do bolo, afinal o esporte alucina e arrasta mutidões...é ingênuo desconsiderar que não existe ligação entre os dois (politica e esporte), basta lembrar de nomes de ex-atletas e personalidades ligadas ao assunto que se elegem (Eurico Miranda, Bernard do volei entre outros)a ligação do esporte, principalmente o futebol com a mídia o faz uma galinha dos ovos de ouro!
Flávio Cardoso (o guerreiro)

KINHA disse...

Olá!
Estou aqui para fazer-lhe uma proposta, que eu considero interessante.Também sou TOP 100 e estou concorrendo na categoria “VARIEDADES” e estou na campanha “UM VOTO POR UM VOTO”.O legal disso tudo é essa interação,eu conheço seu blog e vc, o meu.Já votei no seu e sei que também que receberei seu voto.
Estou te seguindo e se quiseres me seguir, ficarei honrada.Venha apanhar o selo comemorativo do blog, com assinatura de um artista plástico.Sua presença é muito importante para nós.
Obrigada

http://amigadamoda.blogspot.com

Welington Silva disse...

Olá, Kinha.

Obrigado pelo voto. Já visitei o seu blog e votei tantas vezes quantas tenho de email. 5 e-mails=5 votos. Dar para retribuir? Caso não, sem problemas, ok? Não sou favorável ao é dando que se recebe. Boa sorte para nós todos. Abraços fraternos.